Carreira

Trabalhando com Millennials há 20 anos, eu, uma Dominique

Fui muito delicada no título desse texto chamando de Dominique uma “cinquentona” . Decerto na linguagem corrente o que diriam pelos cantos do co-work em que trabalho hoje é: uma tia que trabalha há 20 anos com moçadinha, com a galera ou com xóvens – claro que xóvens é o jeito que eu acho para descontar um pouco de meu fel.

Fel talvez não seja a palavra adequada nem tampouco amargura, até porque fui eu que decidi trabalhar com tecnologia no início desse século.

Agora me diz, o que uma mulher com seus 36 anos tinha que se meter com streaming no anos 2000? Um mercado em princípio masculino, senão exclusivamente e onde quem detinha o conhecimento eram os moleques. Vale dizer que o conhecimento também era novíssimo e qualquer um poderia falar o que quisesse, fato ou não, porque não haveria muito como checar.

Mas como não tenho noção do perigo nem senso do ridículo, nunca achei que essa não fosse uma área para mim, pois se eu tinha interesse e se me entusiasmava era só eu ir atrás.

Primeiro passo naquele distante ano de 2001, foi começar entender o vocabulário já que as palavras eram todas muito diferentes do meu economês: bits, Bytes, servidor, banda, conectividade, embedar, bitrate, ondemand, multirate, buffering, codecs.

Nunca tinha ouvido essas palavras na minha vida.

Agora, vamos combinar que a a ignorância por vezes é uma benção, mas reconhecer-se ignorante é libertador.

A primeira coisa que falava numa reunião era que não entendia nada de tecnologia. Que eles, os presentes, me desculpassem se falasse alguma bobagem. Os risinhos eram inevitáveis.

Contudo, essa minha declaração inicial fazia com que os caras se desarmassem e como bons samaritanos explicavam o assunto com a paciência de quem fala com uma criança de 5 anos. Respondiam às minhas perguntas que sinceramente nem sei se eram tão idiotas assim, uma vez que tudo era novo.

Desse jeitinho fui perguntando, perguntando, perguntando, até o dia que percebi saber tanto ou mais que eles, mesmo pedindo desculpas por alguma bobagem que eventualmente falasse.

Foi aí que fiz uma grande descoberta. Aquilo tudo era terra de ninguém. Claro que um ninguém no masculino. Mas de ninguém. Aqui um parênteses: além de ser velha para os padrões, tinha o agravante de ser mulher. Se você acha que as empresas e pessoas fazem pouco pela mulher, você não imagina como era no passado, apesar disso nunca ter me incomodado ou me impedido de nada.

Um dia chamei o pessoal da Telefonica para me explicar como bilhetar banda (não queira nem saber o que é isso, não precisa). Eles me explicaram.

Aí, no dia seguinte, chamei o povo da Dédalus (outra empresa). Os meninos me falaram uma outra coisa completamente diferente.

Tive a pachorra de chamar a Diveo (nem perca seu tempo) e pasme. Uma terceira maneira.

Pra resumir, ninguém sabia o que estava falando e ninguém tinha ferramentas adequadas para medir o consumo de banda naquela altura. Era tudo meio que chute.

Aí deitei e rolei. Sério!

Economista que sou, acostumada com planilhas e oriunda do mercado financeiro, aprendi a fazer as contas, aprendi como funcionava a brincadeira. Sempre na minha santa ignorância e pedindo desculpas por possíveis bobagens.

Num determinado momento, alguns anos depois, passei a ser respeitada por meu conhecimento no mercado de streaming, veja só que ironia.

E aí você me pergunta: – E os tais Millennials que escrito lá em cima?

– Ahhh – eu te respondo – eles sempre comigo. Quem você acha que trabalhava na CdClip? 15 (quinzeee) Millennials em começo de carreira. Trabalhando com 15 Millennials imberbes, a CdClip foi referência de mercado por mais de 10 anos na área de streaming.

No final das contas e dos anos, acabamos nos entendendo muito bem na maioria das vezes. Respeitamos nossos espaços e sabíamos exatamente porque estávamos ali: trocávamos dinheiro por trabalho. Sempre com muito amor, claro.

Alguns desses meninos viraram adultos. Outros não.

Posso dizer de boca cheia que ensinei muitos deles a trabalhar. Isso me dá um prazer maior que tudo. Ver que o R. abriu uma startup unicórnio vencedora, que o F. é um estilista famosíssimo dono de uma marca poderosa, que o E. abriu uma bem sucedida produtora que eventualmente até nos presta serviços e que a Y. é Head de Ux de uma empresa digital de enorme porte, me enche de genuína felicidade. Esses são alguns dos “pirralhos” brilhantes dentre muitos. Todos eles adultos hoje. (Desculpe se deixei de falar de você especialmente)

Daqueles que não cresceram, tive poucas notícias. Vai ver por isso mesmo.

Muita coisa aconteceu de 2000 para cá, muita coisa mudou mas parece que os Millennials a cada ano chegam ao mercado mais caricatamente Millennials.

Como sei? Continuo cercada por eles por todos os lados.

Estamos numa época em que Streaming não é mais mistério para ninguém. Isso já aprendemos.

Entretanto eu com minha vocação de tia metida, mais uma vez estou onde não deveria estar, ou pelo menos onde a molecada acha que eu não deveria estar.

Apenas lembrando que já não tenho mais 36, e sim 56. E eles, ai meus sais, eles continuam com 20 e pouquinhos.

O que acontece é que essa nova geração de Millenials se acha. Afffff.

Mais uma vez estou tendo que aprender um monte de palavras novas, e com elas suas aplicações.

Pre-seed, seed, seed-money, alpha, beta, pivotar, MPV, Bootstrapping, Pitch de elevador, Hackaton, SaaS, Cap Table e assim por diante.

Mais uma vez, reconheço minha ignorância e peço desculpas por não saber. Todavia por algum motivo, hoje a reação dessa moçada é diferente daqueles de 20 anos atrás. Eles não têm paciência para explicar, fazem cara de tédio, fazem questão de mostrar explicitamente o quão fora de contexto eu estou.

No co-work que estou instalada é ainda pior. Meus vizinhos irritam-se comigo pelo simples fato de eu estar onde eles estão. Uma tia, não pertence a esse ambiente inovador, moderno, envidraçado, caro e xóven que é o WeWork.

Ahhhh, eles podem saber coisas que eu não sei, mas não sabem um monte de coisas que eu sei.

Não sabem por exemplo, como nós Dominiques aprendemos rápido.

Quando eles menos perceberem, já estaremos com nossas startups virando empresas ou investindo (sim, já podemos ser investidoras também) em startups de outras Dominiques.

– Millennials, meus anjos, aqui vai um conselho e vai de graça :

Da próxima vez que passar por uma “tia”, perceba que ela existe, abra a porta para ela, deixe que ela passe primeiro e não deixe de perguntar qual foi o último gol que ela marcou. Você provavelmente ficará muito impressionado, e quem sabe ela passe a te olhar como possível candidato a vaga recém aberta na empresa dela.

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Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

6 Comentários
  1. Brilhante! Falou tudo. Amei.
    O que falta a essa nova geração é educação de berço , trato social mesmo. E Dominiques vi tiram isso de letra.

    1. Olá Sandra, sim..tiramos..Mas olha, nem sempre é fácil. Tem horas que me dá um desânimo…Mas aí surge aquele nosso espírito “vamu que vamu”, e pronto.

  2. Nossa como amei esse artigo! Retornando ao mercado de trabalho aos 44 do 2o tempo atuo na area de direito imobiliaria e fashion law direito da moda, Fui apresentada a startups e vi que nada mais eram que contratos com Clausulas especiais, bem específicas e diferenciadas. Estudei E aprendi jovem advogado…depois Fasjion Law..nova descoberta.e agora blockchain… Chegar aos 4.9 com todo entusiasmo e vontade de aprender é o diferencial da Dominique…nos reinventarmos, recriarmos, reaprendermos.
    Inspiração p todas nós…e os xóvens..Ah os xóvens!! Têm muito que aprender conosco.. e nós com eles!!! Aí está a beleza da vida !!

  3. Como sempre seus textos são brilhantes. Suas narrativas são reais e próprias. Nos meus 71 anos de hoje, não nos de 25 atrás, ainda quero aprender. Ainda passo pelo que vc passou: dialetos meio estranhos da nossa tecnologia sempre na língua pátria de seus criadores por assim manda a evolução americana. E nós seguimos com interesse pq somos Dominiques inteligentes plugadas no futuro. Obrigado por compartilhar com seus leitores suas vivências. Bjs

    1. Vera querida..Que mensagem carinhosa. E sim, a curiosidade é fator essencial numa Dominique. A humildade não é requisito, mas faz um bem danado, né?

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Caminhos Cruzados – Calor Infernal. Seria o tal Fogacho?

Era o dia. Dia de apresentar o projeto para a última instância de aprovação: o presidente da empresa. Tinha muita confiança no trabalho. Era excelente. Matador.

Mas não custava um cuidado extra na hora de me arrumar. Já sabia há semanas o que vestiria. Aquela calça escura, muito bem cortada, nem justa nem larga. Escolhi uma blusa decotada de alças finiiiinhass, daquela seda que é quase um bijou de tão delicada, como diria minha avó. Branca. Branquíssima. Tinha que, de alguma maneira, valorizar aquele colo bronzeado e tão tratado.

Um cinto mais largo que o normal, com uma fivela bacanuda, era o toque de informalidade da roupa. Agora o blazer. Seriedade é fundamental. Não basta ser. É preciso parecer! Peguei meu melhor blazer, aquele que se compra uma vez na vida. Digamos que seja uma daquelas peças definitivas que você nunca mais comprará, sabe como é?

Um colar extravagante. Mas não muito. Afinal, sou uma profissional antenada e moderna. E, para arrematar o look, aquele sapato preto podre de chic e de salto altiiiiiisssiiimo. Uma escova lisa superbem feita que só a Neuzinha sabe fazer. Maquiagem leve, com uma pele sedosa contemplando e valorizando todas as marcas dos meus 50 anos. Uma última conferida geral e até o espelho, rotineiramente imparcial, aplaudiu o resultado!

Encontro as outras duas pessoas do escritório já no cliente. Sala de reunião pomposa. Devem ter trazido uma montanha inteira de Carrara para fazer aquela mesa. Cadeiras brancas de couro é coisa de gente que não tem medo de ser feliz, né? Bom…

Chega o presidente com sua entourage. Cumprimentos, cinco minutos de amenidades e começa o show. Estou confiante. O projeto é forte. Minha apresentação, apaixonada! Vejo o interesse na postura dos espectadores. Tenho controle total sobre a audiência.

Sei disso. Três décadas na profissão me deram esta sensibilidade.

Que delícia. Chego ao último slide e um enorme obrigada sorri na tela. As luzes se acendem. Começam as dúvidas. Não há pergunta que eu não tenha resposta.

Estou tão segura que reclamo jocosamente do ar condicionado. Que calor amigos. Será que não podemos aumentar um pouquinho este ar? Uma moça muito prestativa atende ao meu pedido. Mas se passam alguns minutos, e continuo sentindo um calor que na verdade só aumenta.

Começo a transpirar. Olho em volta, e vejo que todos estão à vontade em seus espaços. De repente, sinto algo inexplicável. É como se um vulcão dentro de mim entrasse em atividade. Uma explosão de calor dos pés à cabeça. Minha primeira reação automática é tirar o blazer.

Mas, péra.
Não posso tirar!!
A blusa é de alcinha!
Meus braços!!!!
Lembra que falei lá em cima que tenho 50 anos?
Nãooooo!
Mas não dá.

Está começando a aparecer no meu rosto esta revolução térmica. Vou tirar o casaco. Dane-se o braço! Mas aí noto que aquela minha blusinha branca de palha de seda, tão delicada, não só está molhada, mas encharcada de suor e pateticamente grudada ao corpo. Desespero!

Escuto ao longe meu nome. Quando dou por conta, todos estão olhando para mim, aguardando minha resposta. Mas qual foi a pergunta? Olho desesperada para meu colega. Ele assume e responde. Ufaaa…

O presidente interrompe e pergunta se eu estou bem. Constrangedoooorrrrrrr. Abro um largo sorriso e continuo o assunto de onde meu colega parou. Porém, continuo pingando. De vulcão passei a me sentir uma cachoeira.

Cataratas!

Meu Cabelo molhou!
Ai meu Deus…
Meu cabelo ‘nãoooooo’!
10,9,8,7,6,5,4… Pufffff!
O pixaim! O pixaim!
Começando pela nuca.
Sabe aquele cabelinho danado de ruim que a gente tem perto da nuca?
Pois é…
O meu é especial! Ele encrespa e arma com um gigantismo assustador.

Ainda falando e tentando ser natural, discretamente enfiei a mão na minha bolsa em busca de uma piranha, grampo, fivela, durex, clips, fita isolante, arame farpado, qualquer coisa para prender o que já se podia chamar de juba naquele momento.
Obviamente minha concentração e foco já tinham ido pro Iguaçu. Não sabia o que estava acontecendo.

Bem, na verdade sabia sim. Tive meu primeiro fogacho. É esse o nome? PQP!! As fichas começam a cair na velocidade que as gotas escorriam pela minha testa. Olho em volta, para ver se alguém estava reparando. E ora veja, sim… todos estão! Saco!

As mocinhas, novinhas, com um sorrisinho no canto da boca. Até imagino o que estão pensando. “Aí tia… ficou nervosa?? Tá que nem minha mãe. Velha suando é dose!” Os homens da mesa fingem que não estão notando. Mas não conseguem parar de olhar para meu cabelo pingando, e minha base matte da Mac derretendoooooo… Matte… tá bom..

E pensam que são discretos! Os colegas, ambos homens, boquiabertos ao perceberem que, pela primeira vez, me viam insegura e titubeante. A coisa só piorava. Quanto mais tentava disfarçar, mais suava. Viscoso, ciclo vicioso dos infernos. Interminável show de horror.

Mas, na ponta da mesa, vejo uma mulher que não tinha notado ainda. Também pudera… Como notá-la? Ela tinha quase 60 anos! Sim, sim, sim, sim… sou péssima!! Mas, ao cruzar com seu olhar, vi imediatamente um sorriso de acolhimento. Um sorriso de entendimento e compreensão.

Uma generosidade que naquele momento acho que nem Madre Tereza seria capaz.

Ela pediu a palavra. E começou a comentar o projeto. Tirou os olhares de cima de mim. Deixei de ser o foco. Juro, não lembro uma única palavra que ela disse. Consegui respirar, me acalmar e, lentamente, voltei ao normal. Normal é maneira de dizer, né? Meus cabelos… ai, ai, ai… Recomposta, olhei com cumplicidade para minha mais nova amiga de infância, retomei a palavra serenamente.

Finda a reunião, vieram as congratulações e as despedidas. Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse agradecer aquela santa. Mas não lembrava o nome dela.
Angela?
Não! Não, não era com A.
Mas era nome de música.
Gabriela?
Dindi??
Li-gi-aaaa…
Ufaaa…
Tom não me deixaria na mão!
– Lígia! Chamei com uma intimidade que só parceiras de infortúnio podem ter.

Ela olhou para mim, abriu um sorriso e veio em minha direção.
– Lígia – falei novamente com grande cumplicidade
– Antes de mais nada, obrigada! Não sei como retribuir sua gentileza durante a reunião!
– Ora, ora, não há de quê! Já estive em seu lugar.
– Mas, Lígia, ninguém me contou que seria assim.
– Não. Ninguém conta. E, pior, poucas de nós são solidárias. Nem nesta nossa fase da vida. Parece que não reparamos ou não queremos ver nas outras as mazelas que logo serão nossas.
– Lígia, querida, independente do projeto, vamos manter contato.
– Vamos sim. Será um prazer. Mas meu nome é Luiza!

E foi assim que senti meu primeiro fogacho.

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Vamos falar sobre reposição hormonal?

12 dicas para lidar com o calor da Maspassa

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

23 Comentários
  1. oi bom dia!passo por esta situação,percebi q era os sintomas da menopausa porquê,qualquer vento sentia frio,agora estou sempre suando, desanimada, não queria usar o chá da Folha de amora,porque emagrece mas vou tomar,se não der certo vou tentar a soja,q contém isoflavona estou sempre cansada,o pior pra mim é tomar alguma coisa q me faça perder peso,

  2. Sou uma felizarda.
    Ou uma exceção para confirmar a regra?
    Nunca senti nada no climatério.
    Nunca fiz reposição hormonal.
    Nem tive cólicas qdo menstruava.
    Estou agora com 86 anos.

  3. Muito bom meninas, vcs e o texto da Dominique já preparam bem pra está fase e dão uma boa consolada geral!! Essas trocas são incríveis!!Valeu,bjs

  4. Minha menopausa foi antecipada, quimioterapia e radioterapia aos 34 anos e aos 40 iniciou tudo; calores, falta de libido, engordei pra caramba, mas até hoje estou dando a volta por cima e vivendo bem, graças a Deus.

  5. Minha menopausa foi fabricada, esterectomia,aos 41 anos, não passei por muitos sintomas, mas tive uma depressão horrível e tbm não tinha ninguém para me ajudar, foi barra mas superei. O que eu não entendo é porque o maior inimigo de uma mulher na maioria das vezes é outra mulher

  6. Simplesmente tudo isso é muito mais !!! Amei o texto um misto de riso e choro uma verdade explícita !!!!!!

  7. Baita texto! Amei, mas o que me assusta é a falta de cumplicidade entre as mulheres (mais jovens) e o que mais me surpreende é exatamente cumplicidade entre as Dominiques, Luisas, Ligias. Meninas, fiquem espertas, vcs chegarão lá e tomara que com nossa elegância e bom humor.

  8. Tenho 54 anos e no ano passado comecei a ter os temíveis calorões mais intensamente. Nao faco reposição hormonal e sempre achei que não ia passar por isso pois minha mãe me contava que não teve nenhum sintoma da menopausa. Durante o inverno é tranquilo mais já estou me preparando para o verão. Haja lenço e leque, não saio de casa sem…

  9. É a vida, a vida das mulheres! Mas, é bonita é bonita e é bonita! Vamos em frente, voltando a usar lenço (de algodão) leques, ar condicionado no mais gelado
    e vento muito vento.

  10. Adorei. Sei bem o que é isso. Falavam que era só no início e depois diminuiria mas que nada. E com esse verão de 40 graus do Rio eu derreto. Cabelo só curtinho. Dizem que a amora faz bem. Realmente diminui. Mas ser mulher é sofrer no paraiso. Então quanto mais relex menos suor e o calorão diminui. Qto a solidariedade só tive de quem passou por essa situação. É tentar brincar e ir levando.

  11. Tenho 59 anos e já passei por muitas situações desagradáveis, os fogachos aconteciam nos melhores momentos, nas reuniões com amigos, com a família na mesa, na faculdade da terceira idade, parece não ter fim. Faço reposição hormonal há 10 anos e só tenho trégua no inverno que diminuem um pouco mas no verão eu sofro. Não sei até quando vai durar e super entendo quem passa por isso. Força mulheres!

  12. Simplesmente verdade tudo o que foi exposto. Discordo apenas de que não fui informada sobre esse cemitério,ironizando o climaterio, rs. Minha falecida mãe sofreu muito,falava sempre sobre essa famigerada fase, mas eu, jovem, pensava que fosse um certo exagero.
    Mas não é não! Pior fase que estou vivendo é essa. Situações como a do texto são rotineiras no meu dia a dia. Maquiagem fica borrada, cabelo que é muito liso, fica oleoso com o suor. Não faço reposição hormonal. Optei por produtos naturais. Nada adiantou.
    O que fica, são as sensações de forte calor, depois frio. Uma tristeza sem fim. Vontade de largar tudo e sumir do mapa. Solidão.
    Realmente, eu acho que nós mulheres poderíamos ter uma velhice menos conflituosa. Uma sacanagem com a gente.

  13. Oi já vai fazer 5 anos que estou com esse fo cachos não tem remédio que cure e horrível não sei o que fazer e ainda tem hipotiroidismo tome hormônio se alguém encontrar algum remedio q cure me avise Abraço Obrigada.

  14. Imagino seu sofrimento nunca passei por um dilema desses mas os fogaçaos não me abandonan tenho 54 anos e tenho sofrido kkkkkkkk sua estória me desculpe mais deu graça

  15. Sensacional!!! Gargalhei lendo seu texto porque me vi nesse cenário…. Parabéns, você conseguiu colocar muito bem o que é o estado dá menopausa e com muita bom humor. Beijos

  16. Amei!Estou passando exatamente por isso.
    Ainda não encontrei essa tal de solidariedade e o nome fogacho só descobri semana passada kkk
    Abraços!!

  17. Além de não serem solidárias ainda exclamam, “nossa, não, eu ainda não estou “”nessa”” idade…
    “Nossa, vc não faz reposicao?”…
    “Credo, é menopausa precoce ?”
    Aí gente eu já escutei cada uma…

  18. E a cunhada que, muito gentil, coloca um VENTILADOR do lado do meu lugar a mesa, na reuniao de familia….Hoje nem me importo mais, levo um leque japones na bolsa !

  19. Adorei! Já passei por muitos momentos desses! O pior são os olhares de ironia que rola aqui em casa. Rolavam, rolavam! Porque, Dominique, acredite em mim, isso passa! Enquanto esse dia mágico não acontecesse, o melhor é manter esse seu bom humor.

    1. Quando me dei conta estava lendo e estava presa aos textos. Sou bem mais velha, nos anos 50 ja tinha 11, mas estou encantada com
      o que li. Parabéns! Nasceste para escrever com certeza. E eu vou te acompanhar pela leitura. Um abraco

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A música que entrará na trilha sonora de minha vida em 2017. Sabe qual?

Eliane - MúsicaMúsicas da minha vida.

Não sei se por uma questão cultural, nacional, social, familiar, de descendência, de ascendência ou uma questão minha mesmo, sempre fui adepta do “homem dominante”.

Ou sempre acreditei que os homens trabalhavam melhor.
Eles e eu, claro.

Por arrogância, prepotência e ignorância, sempre achei que só a “força” masculina combinaria e coexistiria com minha competência.

Comecei minha vida profissional no mercado financeiro. Depois fui para o incipiente e iniciante mercado de tecnologia passando antes pelo setor exportação de frutas.
Note que ambientes predominantemente masculinos.

– Atividade importante é no masculino, certo? Então é pra lá que eu vou – pensava eu.

Nunca me senti menos que um homem.
Ou talvez sabedora da abissal diferença, nunca tenha sequer me comparado e sim me juntado a eles.

Usei o que o feminino me deu de graça. Cabelos compridos e adornos lato senso.
Tenho que confessar que sempre houve de minha parte um certo desprezo pelo feminino e suas atribuições.
Talvez tenha sido apenas defesa. Defesa por estar em um mundo que reconhecia apenas o “O” como significante e significativo.
Nem por isso deixei de casar, ter filhos, etc… ou até mesmo justamente por isso.

E finalmente amadurecemos.
Uma palavra que não gosto. Mas que explica o que acontece quando deixamos de crer e passamos a saber. (A fé religiosa é outra coisa).

Não é da noite para o dia.
No meu caso não foi lendo. Não foi em sala de aula. Foi vivendo.
Foi passando por coisas e conhecendo pessoas e suas atitudes. Homens e mulheres. Tanto faz.
Tanto faz hoje.

Aconteceu quando de repente, de um dia para o outro, do dia para noite, fiz 50 anos.
Foi quando se deu uma revolução de minha vida!
Revolução talvez não seja a palavra. Mudança, revelação,  transformação. Sei lá.
Peguei-me olhando para questões tão diferentes em meu hermético mundo de ternos e gravatas.

Comecei a escrever. A refletir. A empatizar. A solidarizar. A respeitar. A entender.
Sabe com quem?
Yes, darling, com a Mulher!

E assim nasceu Dominique.
Mexendo com minha cabeça, com meu sangue, com minha espinha dorsal.
Entrei de corpo e alma no universo feminino.
Quase que como um pedido de perdão, ela veio com uma enorme necessidade de não ser só minha.
Mais que um projeto, Dominique é uma causa em minha vida. Justo eu…

Mas não foi só isso.

Quis a vida que há 3 anos eu fosse sentar em torno de uma mesa com outras 15 mulheres.
Em volta daquela mesa, antes de nós, sentaram outras 16 mulheres. E antes delas, outras e outras.
Há quase 100 anos, mulheres fundaram e fizeram crescer uma obra filantrópica maravilhosa.
E ironicamente tudo isso aconteceu sem minha participação!
Elas existiram antes de mim! E fizeram um trabalho muito melhor do que eu faço hoje.
Ora, vejam só..
Mulheres todas elas. No século passado.

De repente, de um dia para o outro, do dia para noite, meu horizonte e meu entorno totalmente orientados para o masculino voltaram-se para ELA. Para ELAS.

E aqui, começo a explicar o porque da música neste texto.

Todo ano, ou quase todo, escolho uma música para fazer parte da trilha sonora da minha vida.
2017 estava sem música e, provavelmente, passaria em branco até novembro quando assisti de uma só tacada o seriado Big Little Lies e me apaixonei pelos 7 episódios, pela história, pelos personagens, pela edição e pela música.

No último episódio, ao escutar a voz de Michael Kiwanuka nos créditos de abertura tive a certeza que esta seria a música de meu ano. (Escute e veja no final do texto)

Entendi que as 5 mulheres eram pedaços de mim. Identifico-me com todas as personagens.

Renata e sua masculina competência. E sua agressividade infantil.

A apaixonada Madeline. Cheia de energia de vida.

Jane e seus medos. E sua superação.

Celeste manipulando quando se deixa submeter.

Até mesmo com a Bonnie, riponga alternativa. Sim, no caso, é ela meu lado saudável. A parte boa de mim que mata minha toxidade.

Adorei o título do seriado Big Little Lies. A música na verdade se chama Cold Little Heart. Mas isso é o de menos. A música só me pegou tanto porque a história falou fundo e alto em mim.

História de mulheres. Sobre mulheres. Sobre eu e você.
E ficou a certeza de que precisamos ser solidárias antes de rivais.
Precisamos ser colegas. Companheiras.
Precisamos uma das outras mais do que nunca.

E para isso, no meu caso, tenho que dar créditos à minha maturidade que desrespeitou meus preconceitos, desautorizou meus credos e colocou lentes em meus olhos para que pudesse ver o que não conseguia sentir.

 

Agora me conta, tem alguma música que representa o seu 2017?

Leia Mais:

Sabe qual foi meu desejo na gravidez? Uma música!

QUIZ! MÚSICAS DE SERIADOS. Vamos ver quntas músicas você acerta?

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

6 Comentários
  1. Adorei !!!!
    Isso aí !!!!!
    Sempre nos supreendendo a nós mesmas .
    É claro evoluindo como ser humano .

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Você não tem mais desculpas para voltar a estudar.

Nunca mais fale que já não tem idade para voltar a estudar. Chega a ser uma infâmia para nós, Dominiques! Não estou exagerando na bronca, não, viu! É que há tantas opções para aprender que também haverá uma resposta pra cada desculpa. 

Voltar a estudar não significa – necessariamente – voltar aos bancos de uma sala de aula. Nem fazer uma faculdade ou pós-graduação. Estou falando sobre expandir os conhecimentos em algo que gosta ou descobrir novos horizontes. É sair da rotina e botar a “cachola” pra funcionar! (Ainda se fala cachola???)

Você pode retomar os estudos por diferentes razões. Pode ser apenas para aprimorar um hobby. Se quiser mais, pode transformar esse hobby em uma oportunidade de trabalho. Você pode aprender algo totalmente novo ou até retomar um plano antigo de estudar, que estava guardadinho em algum lugar do passado. 

Isso sem contar que é uma ótima maneira de conhecer novas pessoas, fazer um grupo diferente e aprender com eles. Se você busca mudar de carreira ou ampliar as chances de trabalho, um caminho certeiro é investir na educação. Mas também não tem problema se o curso é apenas para se divertir! 

Pra quem quer começar a estudar, que tal buscar cursos online? Além da disponibilidade imensa em cursos, você ainda pode participar das aulas de qualquer lugar…. até da praia!

Cursos gratuitos 

e-Aulas da USP 

A Universidade de São Paulo é uma das mais prestigiadas do Brasil e agora tem um espaço online de cursos de graça! Sim, não é preciso ser aluno ou ex-aluno pra acessar os videos. Tem desde aulas para o público do ensino médio, passando pela graduação e cursos de pós-graduação. Para aprender ou para relembrar. Vale o investimento em tempo!

FGV

A Fundação Getúlio Vargas é famosa por oferecer um dos melhores cursos de Administração no Brasil. Imagine aprender de graça com os grandes mestres da instituição? Não é graduação ou pós, mas são cursos online de curta duração. Não tem processo seletivo, para participar basta fazer a inscrição. Uma super oportunidade pra atualização profissional. 

Unesp

A Universidade Estadual Paulista também oferece uma plataforma de cursos online gratuitos. São mais de 70 cursos nas áreas de exatas, humanas e biológicas. Alguns cursos oferecem a certificação, mediante um pagamento de uma taxa. Vale muito a pena conferir. 

Coursera

O Coursera é uma plataforma gratuita de cursos, criada por um grupo de universidades dos Estados Unidos. Não é qualquer faculdade, mas grandes instituições como Stanford, Princeton, Michigan e Pennsylvania. A USP e a Unicamp também fazem parte deste prestigiado consórcio. Há cursos disponíveis em português e vários com legenda. Tem opções gratuitas e pagas, inclusive cursos de graduação ou outras certificações. Um mundo de conhecimento. 

edX

O edX é a plataforma de cursos que reúne o outro grupo de universidades de elite americana, como Harvard, MIT ou Berkeley. São cursos gratuitos ou pagos, que podem ser de certificação, graduação ou apenas atualização profissional. Nos cursos gratuitos, é possível pagar uma taxa para fazer a prova e receber o certificado. A única desvantagem aqui é que as aulas são em inglês. 

Cursos pagos

eduK

Plataforma de ensino online mais popular no Brasil. Oferece cursos completos, do básico e do avançado. É possível assistir algumas aulas grátis ou pagar uma mensalidade que varia de R$ 19,90 a R$ 29,00. Além dos cursos online, oferece outras atividades como aulas ao vivo, em que é possível interagir com os instrutores. Eles também compartilham materiais para donwload. É possível começar uma nova carreira!

Udemy

Não é uma escola, mas um marketplace de cursos. Funciona assim: eles oferecem uma ferramenta para professores venderem os seus cursos online. É uma das maiores escolas online do mundo, com mais de 100 mil cursos. Não existe uma pré-seleção para fazer parte. Os instrutores, em geral, são profissionais do mercado. Então o caminho para escolher um curso é assistir a pré visualização e ler os comentários de ex-alunos. O investimento é baixo, a partir de R$ 20,00

Mais sobre o tema estudar:

Uma mudança de vida e, por fim, de carreira.

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O Último Tango – Uma história de amor, e paixão pelo tango

Uma história de amor, e paixão pelo tango

Disponível no Netflix, hoje comento o documentário musical, O Último Tango.

A história conta a trajetória de amor entre os dois mais famosos dançarinos de tango e a paixão que ambos nutriam pela dança. María Nieves (81) e Juan Carlos Copes (84) se conhecem quando tinham 14 e 17 anos. Dançaram juntos por mais de 50 anos. Em todos esses anos eles se amaram, se odiaram, e passaram por várias separações dolorosas, mas o amor pela dança sempre os uniu novamente. Juan e María contam sua história a um grupo de jovens bailarinos, e coreógrafos de Buenos Aires, que transformam os mais belos e dramáticos momentos das vidas do casal em incríveis coreografias de Tango.

O fio condutor são as recordações de Nieves. De maneira franca ela conta como se apaixonou por Copes, como se tornaram figuras icônicas. E não tem problema em falar das dores dos vários rompimentos amorosos com Copes, da separação artística em 1997, dos rancores e das injustiças que sofreu.

Um aspecto sempre presente nas falas dela é o amor incondicional pelo tango, a única coisa que manteve a dupla unida quando só no palco eram capazes de sorrir.

Os depoimentos de Copes são mais curtos e menos numerosos. São também muito mais frios do que os dela. A sisudez de Copes mostra uma aparente segurança que se encaixa no perfil dominador e machista do bailarino. Com distanciamento ele dá sua versão dos fatos, que nem sempre coincide com o que Nieves diz. Mas os dois concordam que Copes inventou um estilo próprio de dança, cheio de virtuosismo. Uma de suas características principais é a movimentação das pernas que María realizava com perfeição. Os depoimentos são viscerais e com uma honestidade comovedora.

Vemos ali pessoas que se entregaram de coração e viveram o Tango ao máximo.

O documentário faz uma bela homenagem sem ser arrastado ou brega. Germán Kral, diretor argentino radicalizado na Alemanha, fez um belo trabalho com esse projeto, deixando com que María e Juan brilhem como grandes estrelas que são. Todo o filme, como não podia deixar de ser, é acompanhado por uma belíssima trilha sonora recheada de muitos tangos.

A música envolvente, que denota muita paixão, romantismo e sensualidade, é o motor do filme argentino.

O roteiro, também escrito pelo diretor, está muito bem amarrado e traça a linearidade que vai desde a infância até a vida atual de Nieves. E isso é feito mesclando-se imagens de arquivo, danças e encenações. É tudo tão bem costurado, que nos deixa completamente hipnotizados pela história dessa mulher e de sua vida.

Aqui fica a dica!

Eu adorei!

 

Trailer:

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