O V que faltava é: vá viajar, menina…

Dominique - Viajar

Você já experimentou viajar sozinha? Sem marido, filho, mãe, amigos. Completamente alone?

Quantas desculpas a gente inventa, perigos imaginários, para não correr o risco de se ver frente a frente com o desconhecido. E olha que nem precisa ser uma viagem para o outro lado do mundo para dar esse medinho. Pode ser aqui perto mesmo.

Medo do desconhecido, do outro, do mal, do perigo, da solidão, do idioma, do endereço, do avião, dos mal-encarados, da religião, moral e costumes alheios e, até mesmo, medo de deixar o marido livre leve e solto (marido está pela hora da morte…). E quando o marido não deixa, essa é de lascar.

O pior medo é de se ver sozinha, será que minha companhia é gostosa o suficiente para eu me aguentar? Do que será que eu gosto? Quero seguir um roteiro pré-estabelecido ou sair a esmo, sem lenço, nem documento?

Viajar com alguém, seja quem for ou quantos forem, acabamos indo no Vai da Valsa, mas e sozinha da Silva?

Outro dia publicamos um texto sobre a escolha dos “V´s” de Vigança, Veneno ou Virtude. Eu acrescento mais um como opção: V de Viajar (sozinha), já que sou uma hedonista nata e busco o caminho mais fácil, sempre!

Olhei para o meu celular e me comparei a ele e o seu modus operandi. Me identifiquei. Sabe quando a luzinha vai baixando, o ponteiro da bateria vira um pontinho minúsculo e ele começa a enviar sinais assustadores de “Bateria Fraca”? Sou mais ou menos assim.

Estou escrevendo na recepção do dentista, depois vou para uma reunião e pretendo terminar este texto enquanto espero meu namorido sair do trabalho (porque o portão de casa falhou e ele foi de ônibus) e também tenho que passar na padaria comprar pão (meu cachorro – que peguei no meio da rua – adora pão francês) e não vai dar para continuar esta conversa…

De tempos em tempos minha bateria interna, energia e luz de mãe, esposa, profissional, dona de casa, do gato, do cachorro, das plantas, do jantar, dos pais, dos amigos, vizinhos começa a falhar e então eu parto (sozinha) para me carregar de mim mesma.

Quando parto eu me recarrego 100% de Dominique. Outra entidade, cheia de si, cheia de graça, com luz e energia que vê brilho e benção em tudo o que toca. Esta ultramagnífica Dominique só pode exercer seus outros “eus” quando vez ou outra se recarrega.

Tá, você vai me falar que minha geladeira não precisa recarregar, porque possui uma fonte de energia! Eu até olhei para ela, mas fica ali, estática, gelada… Não, eu estou me comparando ao celular mesmo, ok? Outra hora farei comparativos ao ferro de passar e micro-ondas. Agora, não!

O meu caso é este, mas fiquei pensando que toda mulher deve ter a sua fonte de energia. Ler um livro, fazer plástica, colocar silicone, dançar, correr, estudar ou encontrar sua manicure, sei lá, mas tem. Veja bem, o livro alimenta sim a alma, mas não foi você quem trilhou aquela imaginação. Plástica e silicone tem efeito temporário (É bem, vai cair), dançar, correr e continuar a estudar deveriam ser obrigatórios (nem vou entrar no debate).
A minha fonte é um pouco mais custosa que a manicure já que adoro me encontrar comigo em Paris ou Cascais. Mas eu, sinceramente, acho, longe do esnobismo, que esta receita pode e deve funcionar para grande parte de Dominiques. Ok, você pode até se recarregar com unhas feitas, mas que tal unhas feitas em Paris ou Cascais? Hum? O efeito é duradouro e se você conseguir não se viciar, como eu, terá um efeito tipo “Cinderela”, ou seja, para sempre!

Uma mulher com energia recarregada, luz e eletricidade própria não consegue enxergar escuridão. A virtude é trabalhosa. Requer esforço para evitar o copo do veneno e o prato da vingança (ainda mais que tem que comer frio).  A viagem nem te lembra do copo e do prato já que estará degustando patrimônio da UNESCO (sim, as refeições francesas são classificadas como patrimônio da humanidade) e brindando com champagne (francês)! Quem quer pensar nos outros V´s?

Você observa sua vida de longe e pasme com a delícia: Dá valor! Sente saudade do maridão ou namorado, dos filhotes e do seu cachorro abanando o rabo! Esta saudade é perfeitamente alimentada de croissants e passeios de barco. Sua melancolia tem trilha sonora de acordeom e você sofre em francês as margens do rio Sena ou nas praias paradisíacas de Cascais regadas a um delicioso vinho tinto!

Lembrou-se do pé na bunda? Da amiga interesseira? Só caminhar pela Avenida Champs-Élysées até o Arco do Triunfo. Puff! Já era!

Em momentos nefastos da vida eu tenho onde me apoiar: em mim mesma! No meu Caminho de Santiago, a pé e sozinha, na minha chegada só em Paris ou Cascais, com chuva, fome, frio e medo!

Eu fui. Eu fiz. Eu sou. Não é para se exibir “prazamigas”, mas para se lembrar do que você é capaz! Assim como sempre teremos Paris, Cascais ou o lugar que você ama, sempre teremos nós mesmas, mas é preciso que tenhamos este encontro. Uma vez que se encontrou basta lembrar-se!

Tanto faz a desculpa que você arrume: um curso de culinária para cozinhar melhor para o “benhê”, um curso de línguas, de história da arte ou de pintura de óleo sob tela. Arranje a desculpa que for, olhe o seu passaporte e sua validade, parcele em dez x no cartão o seu bilhete, reserve sua cama no Booking e vai. Igual à música que cantávamos na igreja, eu e a Marot Gandolfi: “Segura na mão de Deus e vai!” E eu completo: Vai pra Paris! Vai para Cascais. Afinal, o cheque especial é autoexplicativo: Para momentos especiais, ora!

Tá vai, pode ser pra Disney! Olha só, até Santos tá valendo, mas vai sozinha! Não, nem a melhor amiga e nem sua mãe! S.o.z.i.n.h.a.

Prometo menina, prometo mesmo, que voltará pra casa amorosa, bondosa, repleta de paciência, carinho, dedicação (sim, suas plantas morreram, seu gato está cheio de nó e sua filha só comeu chocolate), afeto, saudade e alegria! Seu coração estará repleto de si mesma e de amor por todos os outros “eus” e os outros “outros” e ainda com uma memória (daquelas de mil Giga) que vai te proteger quando os outros V´s , Vingança…Veneno…, ameaçarem voltar a te assombrar! Quem é cheio de si não esvazia-se em veneno, mas transborda-se em Valor! Opa! Mais um “V”!

Vai, Dominique, vai!
Cynthia Camargo
Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

10 Comentários
  1. Adorei! Viajar sozinha tbem é tudo de bom!!!
    Viajar é uma palavra magica que tem asinhas…

  2. Querida Dominique, eu já tive o prazer de me refazer (e de fazer as unhas) em Paris…sozinha !!!! Enxergando tudo com os MEUS olhos, entrando em todas as igrejas (coisas que quase ninguém quer), fazendo só o que me desse na telha…Delicia! Estou pensando em repetir!

  3. Muito bom texto,fui a paris p 1° c 2 amigas, pois meu marido n curte Europa, n falo francés mas sabia as palavrinhas mágicas,.e sai.sózinha algumas x s problemas, e.amei, fui p Veneza e Firenze e fiz a.mm coisa !!! E muitp bom isso

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