Tag: Casamento

Sobre vínculos, o que entendemos que seja o amor ao longo do tempo

Dominique - Amor
Quando estamos apaixonados, vivemos um período de muitos sentimentos deliciosos, frio na barriga, vontade de ficar junto, fazer planos e curtir a pessoa amada. E como um movimento natural, nos casamos. E pode ter vários formatos, morar junto, morar separado, ter filho, ter cachorro. Não precisa ser aquele casamento de vestido de noiva, igreja, festa. Sim aquele comprometimento significativo com alguém com quem queremos compartilhar a vida e aprofundar a intimidade.

Mesmo com sentimentos intensos, diante do cotidiano e da convivência, os relacionamentos mais longos são postos à prova. As paixões se tornam mais amenas com a convivência. Passamos então a desenvolver um sentimento mais tranquilo de afinidade e parceira, que ao meu entender é o amor. E do mesmo jeito que as pessoas mudam, os relacionamentos também mudam. Até porque refazemos nossos projetos, mudamos nossos pontos de vista e isso inevitavelmente irá refletir nas relações que estabelecemos.

Naturalmente, as relações passam por fases boas, ruins, enfrentam desafios desgastantes que muitas vezes não dependem do casal Como perdas, mortes, mudanças repentinas e involuntárias. Tudo isso é vivido pelas pessoas com efeitos diferentes; cada um vive e sente o relacionamento à sua maneira, de acordo com sua história de vida e seus recursos.

As pessoas podem desanimar quando percebem que o relacionamento já não tem aquela magia de tempos atrás. Quando a expectativa é de ter frio na barriga e coração disparado ao ver o(a) nosso(a) parceiro(a), nos frustramos. Essas sensações são próprias da paixão ou da saudade. Não fazem parte do cotidiano de um relacionamento mais longo, com pessoas que trabalham, pagam contas, dividem as tarefas domésticas, se cansam, discutem, fazem as pazes, enfim, levam uma vida real.

O amor tem várias formas. Não só manifestações mais evidentes como flores, jantares e presentes. Atitudes do dia-a-dia são formas de demonstrar o amor e o cuidado…. E há de se ter olhos para ver e valorizar os pequenos gestos amorosos. Podem passar despercebidos quando temos um protocolo exato de como ele deve ser demonstrado. Esperamos o buquê de rosas e nem percebemos que as flores do nosso pequeno jardim da varanda estão sendo regadas todos dos dias pelo(a) companheiro(a)! Quanto deixamos de perceber por conta das exigências!

Se as pessoas conseguem ressignificar expectativas, tornando-as mais reais, entendendo o que esperar do outro e em quais situações, tudo se torna menos desgastante. Relacionar-se envolve perceber a si mesmo, os próprios comportamentos, o que eu causo no outro e o que o outro me causa. Saber ouvir e ampliar o canal da comunicação entre duas pessoas ajuda a diminuir significativamente os conflitos e abre caminhos para que as pessoas se respeitem e se unam.

Com o passar do tempo, o amor pode se tornar menos intenso, mas se torna também mais profundo. Algumas coisas mudam, porém mudanças não são ruins. Só tornam as coisas diferentes, mas não piores.

É preciso conciliar constantemente as divergências, respeitar as opiniões e pensamentos e debater as escolhas, o que em muitos momentos pode revelar impossibilidades de continuarem juntos. Mas quando o casal decide ficar junto e enfrentar tais mudanças juntos, o relacionamento se fortalece. Quando se aprofunda, o amor cria importantes raízes como lealdade, confiança, companheirismo, carinho e cuidado. Elementos valiosos da convivência entre as pessoas que são construídos com dedicação e respeito.

E se perguntar, o que sustenta esse amor? Mesmo sem tanto brilho como nos primeiros anos de relacionamento, o que faz com que eu queira caminhar ao lado dessa pessoa? As respostas para essas questões indicam a qualidade do vínculo amoroso. Servem como um termômetro do compromisso e do desejo de permanecerem juntas.

Estou falando de relacionamentos que não são perfeitos e nem o tempo todo felizes, mas que simbolizam uma gratificante parceria de pessoas imperfeitas….. Que quando comparam prós e contras, percebem que valeu a pena persistir.

E para você? O que é o amor e como ele é demonstrado?

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Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: [email protected]

10 Comentários
  1. Amor e paixão são sentimentos diferentes.Paixao tem pavio curto,apaga logo ou se transforma em amor!
    As prioridades mudam,as alegrias e preocupações com filhos e netos,o respeito a admiração e o cuidado diário substituem as borboletas no estômago!

    1. Neusa, concordo com você! A convivência, os altos e baixos, podem fortalecer os laços e aprimorar mais ainda o amor. A paixão é uma coisa, amor é outra. Como a Rita Lee interpreta tão bem em sua canção!

  2. Depois de 25 anos casada eu ainda sentia ilusão, amor, é muita dedicação e companherismo.Um mês após as bodas de prata ele teve um avc e faleceu.
    Perdi o chão.
    Mas tivemos cinco filhos maravilhosos. Eles me ajudam até hoje ter uma vida mais confortável.

  3. Amor para mim após 40 anos, é um respeitar o outro, ter cuidados especiais no dia a dia,conversar sempre, dizer diariamente estamos juntos.e nos abraçamos todas as manhã e dizer bom dia!!!!

  4. Amor pra mim depois de 39 anos juntos, é sentir a ausência do outro sentir-se triste quando ele não está perto.O carinho o cuidado.

  5. O amor com o passar do tempo é companheirismo, parceria, compreender e aceitar que as mudanças ocorreram nos parceiros, mas também em nós,mudança física e emocional! A relação se sustenta com respeito pelo outro!

  6. Amor para mim entre um casal é parceria e respeito um pelo o outro.
    Depois de um casamento de 38 anos fracassado , fiquei por 6 anos sozinha com medo de amar novamente.
    Hoje conheci um amor ;parceiro , amigo e que me respeita.
    Um amigo Amor.

  7. O Amor sem dúvida é sensato, é cheio de significados duradouros, cheio de maturidade, de tal forma que mesmo em momentos turbulentos as prioridades permanecem.

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50 anos em 5 – A emocionante história de uma Dominique

Dominique - Anos
Não vou usar meu nome verdadeiro, porque minhas histórias são impublicáveis. Pelo menos durante os anos que eu estiver viva. Usarei então um pseudônimo, Carmen Strada.

Eu tinha 14 anos quando o conheci. Ele tinha 22. Por motivos que Freud e Jung explicaram muito bem, agarrei-me a esse homem como a uma tábua de salvação achando àquela altura da vida que ninguém nunca jamais ia me querer, portanto tinha que ser ele.

Perdi a virgindade com esse mesmo homem aos 15 anos. E aos 20, com a autorização do meu pai (sim, naquela época, menores de 21 precisavam da autorização dos pais) casei-me com esse que viria a ser mais tarde o pai dos meus filhos. Tenho dois rapazes. Lindos. Um completou 23 e o outro terá em breve 22. A idade que ele tinha quando me quis. Não consigo imaginar meus filhos hoje namorando uma menina de 14. Sem mais comentários.

Anos depois, após muito abuso, intimidação, ameaças, assédio moral, críticas diárias, humores alternando entre o ódio à minha pessoa e a adoração, ciúme doentio, muito controle e autoritarismo, comecei a chorar diariamente e não parava mais. Chorava embaixo do chuveiro, lavando a louça, dirigindo, sentada à mesa do jantar, na cama acordada no meio da noite, enfim…

Tentei tudo que estava ao meu alcance: conversas até de madrugada, e-mails que ele nunca respondeu, cartas que ele rasgava e jogava fora sem nem ao menos ler (“eu já sei tudo que está escrito”) e por fim terapia. Primeiro individual, somente eu, porque ele se recusava a fazer a de casal. Depois que percebeu a ameaça que significava essa terapia desqualificando qualquer coisa que viesse do meu terapeuta, ele aceitou que frequentássemos uma terapeuta para nós dois. Sempre repetindo que não acreditava em terapia, que estava ali só porque “minha mulher mandou, porque quem está com problemas é ela, eu não tenho problema algum”. Vou poupá-los dos detalhes dessa época porque são tristes demais. Conto numa outra ocasião.

Então um belo dia, 30 anos depois, numa sexta-feira 13, um raio atingiu meu cérebro e eu disse basta. Fui trabalhar pedindo que ele arrumasse um lugar para ficar, porque ao voltar no final do dia não queria mais vê-lo no apartamento. Ele não se foi. Depois de seis meses de inferno na terra, dormindo por baixo do lençol e ele por cima, não conseguindo mais ficar sequer no mesmo ambiente, me dirigindo a ele aos gritos (tudo que eu vinha engolindo foi vomitado de volta), sentindo dores por todo o corpo, sofrendo de insônia e dores de cabeça horríveis, decidi que era melhor eu sair de casa. Procurei apartamento mobiliado para alugar e depois de visitar um com meus filhos, ambos afirmaram que morariam lá comigo, arrumei uma bolsa com o essencial e parti.

Nesse momento, acho que caiu a ficha para ele que não seria possível a reconciliação e ele ficou mal. Meus filhos, vendo o pai daquele jeito, com 16 e 17 anos, comunicaram que iriam ficar com o pai, porque ele estava precisando mais deles. Ok, tudo bem, alguns dias, uma semana no máximo e eles estariam comigo. Só que não. Achei que já tinha sofrido tudo que era suportável. Meus filhos nunca vieram morar comigo. Vinham jantar, almoçar, encontravam comigo, nos víamos ou falávamos todos os dias, mas sempre voltavam para dormir com o pai. Perguntei por que eles não podiam dormir uma noite que fosse comigo e eles responderam que isso ia magoar o pai. Rebati que assim eles estavam magoando a mim. A resposta foi: “você é forte, o pai não”.

Passei três meses indo em casa todos os dias. Fazia a cama, as compras de supermercado, deixava a comida pronta e antes que o pai deles chegasse eu ia para minha casa. Sei que parece louco, mas meu senso de dever de mãe não me permitiu agir diferente. A dor da falta dos meus filhos, da minha família era como se eu tivesse amputado um braço ou uma perna. Não sei de onde tirei forças para sobreviver. Até autoflagelo e pensamentos suicidas eu tive. Quando eu achava que pior não podia ficar, ficava.

Mas eu sobrevivi. Nos divorciamos pouco antes de eu ir morar na Europa, onde trabalhei por um ano. Incrível meu empregador ter topado fazer esse investimento em mim a essa altura da vida. Até consegui sair do aluguel e hoje pago o financiamento do meu próprio apartamento.

Cinco anos se passaram. Cinco anos em que vivi situações que jamais imaginei viver. Depois de uma vida inteira sendo a mulher de um único homem, consegui dar a volta por cima e conheci outros. Cada um mais diferente que o outro. Vivências incríveis. Fiz novas amizades. Amizades valiosas que muito me ensinaram e me ajudaram nessa caminhada.

Hoje sou Dominique. Fiz 50 anos em 2017 e tenho vontade de contar histórias espetaculares que vivi ou que acompanhei de outras mulheres. Será que terei coragem de contar tudo?

Anos de sofrimento que fizeram uma mulher se reinventar, parabéns Dominique!

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7 Comentários
  1. Mulher de coragem! A história da minha màe foi parecida, não no tocante às faixas etárias dos dois, mas as agressões verbais. Físicas, nunca, graças a Deus! E eu resolvi que ser solteira seria melhor! Não tinha a mínima vontade de ter filhos, estudei, trabalhei 35 anos, cuidei de minha mãe até sua passagem, aos 92 anos! Ah, meu pai faleceu com 54 anos. Sinceramente?!? Penso que minha mãe começou a viver a partir de então! Mas cuidou dele até o fim! Será que sou uma Dominiqye?!? Vicênio com certeza é!

  2. Lindo era tudo que eu precisava ouvir nesse momento obrigada mas você nem sabe o quanto me ajudou com sua história bjs

  3. Como as histórias se parecem! Eu tenho tantas histórias, Me identifiquei muito com a sua. Um dia contarei a minha.

  4. Uma história densa como não pode deixar de ser as histórias de nós mulheres de meio século, quem sabe lendo essas histórias eu me aventure a contar a minha. ..por enquanto ainda não tenho forças suficientes para relatar

    1. Infelizmente histórias assim são comuns, mas se sinta a vontade para compartilhar sua história quando quiser Maria, estou a disposição.

  5. Nossa Senhora! Não consegui ler sem chorar, fiquei imaginando as entrelinhas que vc não contou. Imaginei a situação da minha mãe que viveu uma história tão sofrida quanto à sua. E por que não dizer a minha história e de tantas mulheres com as quais convivi e convivo. Pois cada uma de nós, passou ou passa em algum momento por sentimentos e dores semelhantes, pois vivemos numa sociedade predominantemente machista.Parabéns pela sua coragem! Avante, Dominique!

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Ei-la aqui. Rita Lee. A Dominique das Dominiques.

Rita Lee – 70 anos

Não há em minha geração quem não tenha dançado uma música de Rita Lee.
Você pode não saber o que é Loki. E não tem importância!! Sério!!
Você pode não conhecer bem os Mutantes. E muito menos saber que foi Ronnie Von que batizou o conjunto. Tudo bem.
Também não deve saber que Rita estudou na mesma classe que Regina Duarte.

Mas você sabe cantar Mania de Você de trás pra frente.

Dominique Rita Lee
Rita Lee anos 80

Ovelha Negra te despertou para a possibilidade de haver um mundo além da família “margarina” da casa da vizinha.

Lança Perfume legalizava aquela sua pequena contravenção de jovem.

Quantas vezes você não ouviu Cor de Rosa Choque porque estava “doente” e não foi pra aula?

Algum moço te passou uma cantada assobiando Banho de Espuma? Colou?

Ela disse SIM duas vezes, para Arnaldo e para Roberto. Na verdade 3 se contar o “Pra Você Eu Digo Sim“. Mas em nenhuma delas usou o vestido de noiva que Leila Diniz lhe emprestou e ela nunca devolveu.

Eu fui a um show dela no Palácio do Anhembi. Fui a outros. Mas lembro deste que foi “intimista” em 198X.
Heavy user de Internet, muito antes das redes sociais, ela sempre foi meio futurista.
Rita Lee possuía uma carteira de sócia do “Clube dos primeiros vôos à lua”. Lunática de carteirinha! Preciso falar mais?

Rita me inspira.
Claro que amo suas músicas, letras, ironias e sarcasmos.
Mas o que mais gosto de verdade, é seu desprendimento e independência de pensamentos.

Não concordo com tudo que ela fala.
Grande coisa!!
Aliás ela deve estar muito preocupada com isso.
E é justamente esse dar de ombros que amo.
Amo o jeito surpreendente que solta suas observações e opinões.

Rita é muito mais que sua obra.
Tenho a impressão que ela cansou, enjoou, não aguenta mais suas próprias músicas.
E eu entendo perfeitamente.
Você nunca cansou de se ouvir? Nunca cansou de seu próprio discurso? Nunca?????
Ahhh, ok.
Acho que ela tenta se reinventar o tempo todo, mas que todo mundo quer a Rita Lee de nossas adolescência, cantando Saúde e Chega Mais.

Talvez por isso ela tenha deixado suas madeixas vermelhas de lado assumindo o cabelo branco de vez, para que também deixássemos a Rita do Tal de Roque Enrow partir, e mais uma vez ser aquela metamorfose ambulante. Uma verdadeira Mutante.

E assim Rita consegue sua liberdade pela enésima vez.
Talvez por ter nascido no último dia do ano, tenha essa tendência ou essa sina de se reinventar.
Sorte nossa que há 70 anos convivemos com 70 Ritas.
Parabéns menina. Arrombe a Festa!!

A Dominique das Dominiques
Parabéns Rita Lee.
Ahhh, li esse texto de Rita Lee (fase cabelos brancos – livro Dropz). Vale muito a pena.

Eis-me aqui

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História de Rita e Elis

Quando eu crescer e envelhecer pra valer, quero ir para um asilo!

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Hora do homem mostrar que é forte e bem-humorado!

Dominique - HomemSou casado há mais de 30 anos e, depois de todo esse tempo, achei que o casamento não traria grandes surpresas. Tudo isso mudou no período que antecedeu a chegada da menopausa. Sei que o período é complicado para as mulheres, mas vocês não fazem ideia de como ele pode abalar a autoestima e a segurança do homem. Nem todos que passam por essa experiência sobrevivem!

Casamentos longevos me levam sempre para uma analogia com aquele seriado Jornada nas Estrelas (Star Trek) que nos levava à fronteira final, onde homem algum tinha ido ainda. A cada episódio temos uma surpresa que desafia a lógica e nos testa como espécime desenvolvido. Qualquer semelhança com casamentos duradouros não é mera coincidência! Tenho um amigo que prefere chamar essa experiência como The Dark Side of the Moon, numa referência ao disco do Pink Floyd cuja audição tem efeitos terapêuticos para ele.

Os casamentos da minha geração se estabeleciam em cima de alguns projetos. Quem casa quer casa. À medida que o tempo passa, a trama se complica com a chegada dos filhos. Eles passam a ser nosso projeto, da escola à faculdade, vem um longo caminho cheio de aventuras previsíveis. Nosso objetivo é sobreviver e garantir uma boa educação deles. Um belo dia eles casam ou simplesmente saem de casa e aí os limites daquela fronteira final ficam à nossa disposição. É nesse período já complicado que o universo misterioso te convida a entrar na Zona da Menopausa onde nada parece o que é.

A cultura popular, nosso desconhecimento e o preconceito reduzem esse período à variações de temperatura. Na prática entramos numa área confusa que manda sinais descontrolados e invertidos. Não foram poucas vezes que, embora casado há mais de trinta anos, fui surpreendido por um “não” que na realidade era um “sim”. Nesse período, sobram variações bruscas de humor, sarcasmo e ironia se alternam e fica difícil entender quando é um ou outro.

No meu caso, para agravar o quadro, minha mulher ficou mais sensível do que o habitual. Seu senso de humor se não desapareceu totalmente fica, na maior parte do tempo, meticulosamente escondido. São dias tensos e a minha sensação é de procurar coisas num paiol de pólvora com um fósforo acesso. As explosões são frequentes e inevitáveis.

Sempre fui um bom ouvinte. Nessa fase nem isto faço adequadamente. Ouço histórias despretensiosas com ar atencioso de sempre e temeroso das minhas participações. Em 99% dos casos eu escolho sempre a resposta ou o desfecho errado. As reações vão da indignação irada que se transforma em raiva agressiva e termina em choro, à resignação sarcástica, que termina em critica à minha insensibilidade ou falta de atenção às coisas dela. Dias de trovão!

A situação se agrava na cama. Lembra-se da Enterprise, a nave da Jornada nas Estrelas? Pois é, às vezes, sua cama se parece com a nave sob ataque, sem comando e com a tripulação amotinada, navegando por rotas desconhecidas.

Acreditem, não é um período fácil para nós também! Somos movidos pelo desejo primal do sexo. Racionalizamos até a página dois e depois tomamos medidas radicais. Contemporizamos e negociamos, mas sem a paciência de um monge. Longe disso! Afinal, somos de Marte e, às vezes, precisamos de sexo. Difícil entender isso?

Sei que não é difícil entender essa necessidade. O complicado é achar uma boa solução. Em casa, o sexo ficou burocrático. Minha mulher, tentando entender as necessidades básicas do marido, aparece para o jogo, mas sem o brilho de outros tempos.

Cá para nós, casamentos longevos e estáveis só duram porque caíram na rotina necessária que transforma a cumplicidade do casal na licenciosidade de amantes ocasionais. Para nós, quando a menopausa se aproximou esse acordo latente foi colocado em cheque. Os hormônios colocam a Enterprise no meio de uma tempestade de meteoros.

Essa é uma fase complicada e sensível para as mulheres.

Pensei que havia me preparado para ela. Fui ler, pesquisei e conversei com outros homens que viveram, vivem ou viviam a mesma etapa no casamento. No Clube do Bolinha você encontra de tudo! Daqueles que nem perceberam a mulher entrar e sair dessa fase àqueles com tendência kamikaze que entraram junto, de corpo e alma nessa travessia.

Luis Augusto Montaigne

Ex-Bancário, ex-publicitário, ex-jornalista e sempre empreendedor, atento às boas oportunidades que a vida oferece. Observador curioso, pensador ocasional e eterno aprendiz!

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Dieta restritiva? Logo eu que sou tão gulosa…

Dominique - Dieta

Confesso, sou gulosa. Como com os olhos, pensamentos, nariz. As conversas, qualquer papinho furado, assim como o Brasil, quase sempre termina em pizza, mas como sou eclética, pode finalizar também num pastel, esfiha, mousse de chocolate, Nhã Benta, ai Jesus… Definitivamente não gosto de dieta!

Chego na redação e o povo, nada santo, me recebe falando até às tampas sobre maravilhas feitas com chocolate (que eu resisto heroicamente), tortas, hamburgueres… Gente do mal! Brincadera, gente do bem mesmo.  Hoje um elemento da equipe, que está liderando com vantagem meu caderninho negro, trouxe um pavê de limão. Eu só trago semente de abóbora que já vem sendo duramente rejeitada, coitada, por pura falta de sabor, segundo as dragas em questão.

Além de ser do bem, os danados dos coleguinhas tem bom gosto. Miinha solitária, que é dupla e tem até nome, Rosarinho Come Quieta, faz Hola com tantas guloseimas.

Já li um monte sobre gula e me encaixo em todos os requisitos. Sou ansiosa, tenho uma TPM monstro e gosto de porcaria que dá espinha, prende o intestino e agora também resolveu dar alergia. Pois é.

Caraca, estou sendo privada de comer qualquer coisa que leve farinha de trigo, NÃOOOOOO!! Qualquer pão que se preze tem farinha de trigo. E leite! Meu tetê, como vou fazer sem meu tetê?

Como a gente aprende pelo amor ou pela dor, aderi à dolorosa e cruel dieta restritiva de boa parte da razão para viver. Tudo para combater a enxaqueca e também secar um pouquinho o corpitcho.

Tenho recebido incentivo e forte colaboração do namorado delicia. Irritantemente disciplinado, no café da manhã deglute meio minimamão papaya com duas colheres de sobremesa de aveia, tapioca com alface, tomate, cream cheese light e duas, apenas duas fatias quase que transparentes de peito de peru, claro que light e café puro, este, graças ao bom e santo Deus, à vontade.

Almoço salada, duas colheres de arroz integral, uma verdura cozida no bafo e um filé de frango. Repeteco no jantar, sem direito ao arroz, mas com uma verdura diferente. Ufa!

E entre um e outro? Uma singela barrinha de cereais (sem chocolate, mel, amêndoas). Daquelas ruins, sabe?

O fato é que a silhueta vem diminuindo, lentamente, mas vem. O objetivo master de ficar elegante naquele tal vestido de mãe de noivo tem tudo para ser alcançado. O sangue de Jesus tem poder!

E a dieta não vai parar no dia 29 de julho, dia do casório, a infeliz é ad eternum.

Começa agora a luta insana para ter uma atividade física, para mim um sacrifício de proporções gigantescas. Mas isso é pano pra manga para outra história…

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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