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SAI MAIA ENTRA AFRODITE – ep.2


– Nena, que noite!!
– Me conta tudo, Carla. T-U-D-O!!
– Menina… One night stand.. na minha idade?? E com um menino??
– Ahh, amiga. Não o conheco, mas não era tão menino assim. De longe, naquela balada escura, me pareceu ter uns 40 anos. Senão mais.. Quantos anos ele tem afinal?
– Não sei. Não perguntei.
– E pensar que você não queria sair de casa, hein, Carlinha!!
– Nenaaaaa que delícia. Que pegada!! E que energia. Eu mereci. Mereci muito esta noite divina dos deuses.

Resolvi não contar a minha piadinha interna. Guardei Adonis e Maia só pra mim e minhas memórias.
Este seria o casal eternizado naquela noite e não Paulo e Carla.
Adonis e Maia eram algo que representaria um conto de fadas. Ou melhor, uma noite mitológica.

Sobe som e toquemos a vida!!
E tocando a minha vidinha eu fui.
– Gente, que droga que é ser mulher às vezes né?
Foi uma belíssima experiência. Ok. Mas passou, Carlinha.
Repetia isso para mim mesma, todas as vezes que me pegava curtindo as lembranças.
One night stand é one night stand.
Será que ele pensou em mim alguma vez?

Afffffffff
Menininha menininha… Esquece.
É o que vou fazer!! Vou esquecer!!

E o tempo foi passando.
Mas não vou mentir pra você.
Não passsou tanto assim.
Implorei para que Nena fosse comigo à tal balada no fim de semana seguinte.
Você imagina a produção, né? De lingerie a luzes no cabelo. Tudo novo.
Conforme o sábado foi se aproximando, eu fui ficando mais e mais ansiosa.
Ou seria nervosa?
Será que ele vai lembrar de mim?
Será que ele vai OLHAR pra mim?
Será que ele vai estar sozinho?

Ai que saudade.
– Tá bom amiga? Jura?
– Esta saia não está muito curta?
– Este look ou este?
– A cor ficou boa em mim?
– Carla!! Não consigo mais responder seus whatsapps. Sossegaaaaaaa.

Bom… e é chegado saturday night fever!! Aiii que antigo…
John Travolta. Será que ele já era nascido quando o filme apareceu?
Tanto amolei Nena que chegamos cedo à balada. Horário de tia mesmo.
– Bom… é cedo..

Querida, não vou prolongar esta agonia, nem sua curiosidade.
Não. Ele não apareceu!!
Vou te poupar dos detalhes patéticos desta noite.
Quem sabe um dia ainda consiga rir dela e transformá-la num texto bem-humorado?
Mas ainda hoje, passados muitos anos, odeio lembrar as coisas que senti sentada sozinha naquela mesa.

E aí segunda-feira foi chegando mesmo antes de o domingo acabar.
Como?
Ahhhhh, também tenho os meus truques.
Como explicar para os filhos tamanha melancolia?
Como explicar isso para o universo???
Como eu sou rídicula.
Então me enfiei no trabalho.

E assim os dias foram passando.
E eu trabalhando. Ou me distraindo com o trabalho.
Meio tristonha, mas levando a vida.
Um dia após o outro.

Agora chegou a hora de você perguntar que horas eu o reencontrei!
Porque sim. Claro que eu o reencontrei. Senão não teria escrito outro textão!!
Você acha que escreveria pra te contar que nunca mais o vi???
Ora, me poupe colega!!
Bom, eu o reencontrei sim.

Não… não esbarrei nele no shopping.
Não… ele não descobriu meu telefone.
Nãooooo. Não foi obra do acasooooo.
No sábado seguinte lá estava eu na balada de novo!!!!
E aí de quem falar que foi sorte!!
Foi persistência, gata!!!!
Tanto fiz que uma hora, né?

Todo ritual de beleza novamente.
Todo ritual de ansiedade novamente.
Todo um trabalho de convencimento junto à minha amiga Nena.
– Carla. Já deu. Não aguento mais ir a esta baladinha de babies. 3 sábados seguidos?????
Desta vez tive que prometer pra Nena um fim de semana em Ilha Bela que ela tanto ama e eu tanto odeio.

Vou igualmente te poupar de outros tantos detalhes.
Quando cheguei, ele já estava lá.
Estava pegando uma bebida quando me viu,.
Abriu aquele sorriso que me desmonta.
Não ficou eufórico nem surpreso por me ver.
Nem tampouco saiu correndo de perto de mim.
Estava apenas reencontrando uma amiga.
– Maia…Tudo bem?

Não..Na minha idade não faria mais joguinhos de sedução.
Sabia exatamente pq estava ali.
E deixaria isto claro.

– Tudo. Que bom te encontrar. Na verdade acho que vim justamente para isso.
Ele soltou uma deliciosa gargalhada me agarrando pela cintura e me trazendo mais para perto dele.
Ahhhhhh ele podia não estar eufórico de me ver. Mas estava longe de estar triste.

Bebemos, dançamos e sabíamos como acabaríamos aquela noite.
Mas desta vez, conversamos um pouco.
Ou tentamos.
O tanto que aquele barulho deixou.
– Sou do interior. De Ribeirão Preto. Mas trabalho em São Paulo também. Sou engenheiro agrônomo.
– Ahh, que legal. Eu trabalho com educação.
Não ia falar nem morta que sou pedagoga. Sem ofender ninguém, mas tem profissão mais de tia do que pedagogia?
– Minha adorável professora. E me deu um daqueles beijos deliciosos.

Continuamos nos pegando como adolescentes na pista.
De repente, sem mais nem menos, enquanto dançávamos, ele perguntou minha idade.
respondi o mais rapidamente possível.
Queria me livrar daquele problema. Não queria dar pinta de que estava me preocupando.
– Cinquenta! – falei
– Quanto? não escutei, desculpe. Quarenta?
– Isso. Quarenta e dois. E você?
– Trinta e nove. Vou fazer 39..
Ufa….
3 anos não é lá uma grande diferença, vai.
Aliás, quem disse que 3 anos é diferença????

Mais Episódios da Série:

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

4 Comentários
  1. Quem é ou foi Dominique? lembro dessa música na minha infância e fico triste, talvez por que quando a ouvi pela primeira vez eu estava num momento triste, ou porque me faz sentir algo que eu não me lembro, vidas passadas talvez??

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QUAL O CAMINHO PARA O OLIMPO? – ep.3

Ôôô… felicidade viu!
Pele boa.
Brilho nos olhos.
Riso fácil.
Claro que naquele segundo encontro trocamos telefones.
Mas não anotei em papelzinho desta vez.
Na-na-ni-n-a-não
Gravamos em nossos celulares.
O que?
Menina, com o trabalhão que tive para encontrá-lo depois daquele primeira one night stand, desta vez eu gravei o celular, fixo, trabalho, e-mail, endereço, rg, cpf, número do sapato, matrícula de reservista.
Não perderia meu Paulo/Adonis* de novo.

Ahhh, sim. Nesta noite contei meu nome verdadeiro.
Tentei fazer parecer engraçado ter dito que me chamava Maia e que isso não tinha sido uma mentira.
Apenas uma fantasia. Que Maia era muito mais instigante que Carla.
Não colou muito. Mas também não atrapalhou muito.
E fomos em frente.

Trocamos algumas mensagens durante a semana.
Confesso. Tive que me conter. Minha vontade era mandar um milhão de mensagens.
Ligar e falar com ele o tempo todo.
Mas me contive.
Ele tinha voltado para Ribeirão Preto, e não sabia direito quando voltaria.
Não sabia? Ou estava me despistando?
Não sabia? Ou não queria me dizer quando voltaria?
Carla, Carla!!
PQP.. 42 anos no lombo e insegura deste jeito???
Ahhh, é… Tem isso.
Não contei para ele, ainda, que tenho 50 anos.
Ahhh, mas ele é tão maduro. Tão sério.
Não me parece que vai se impressionar com nossos 10 anos de diferença.
Não são 10? Ai, como você é preciosista, tá bom… 11 anos!!
12???? Mas por que 12??? Ele não disse que tinha 39 anos?
Ahh é, vai fazer..

Agora, por que esta preocupação toda?
Cazzo… Só se preocupa assim quem quer um relacionamento.
Quem quer namorar… mãozinha dada, cineminha domingo à tarde, troca de presentinhos de dia dos namorados, conhecer os amiguinhos dele, conhecer a família dele……. affffffffffff.
Mas não eram só umas trepadinhas?? (Perdoe o meu francês).
Sim, só isso.

Bom… As escassas trocas de mensagens continuam por mais eternas duas semanas, até que ele me conta que ficará por aqui por 15 dias.
Sabe aquela felicidade que sentimos quando uma calça jeans de 10 anos fecha novamente?
Multiplique por 10.
Não… Por 20!
Eu não me aguentava.
Já comecei a planejar cada detalhe daqueles 15 dias.
Do almoço na chegada do dia 1 à noitada, do café da manhã do dia 2, da surpresa que faria no dia 3…
Mas, pera!
Quando foi mesmo que ele falou que queria me ver?
Ele não falou.
Repassei tooooodaaaas as mensagens.
Não. Ele não falou.
Chamei a Nena.

– Nena, veja se tem alguma entrelinha aqui que diz subliminarmente que ele quer me ver.
– Nop…

Não aguentei.
Liguei!
Ora bolas!!
Que papo é esse de mensagem, SMS, torpedo???
Quero é falar com ele!!!
Liguei mesmo!
Caixa.
Liguei de novo!
Caixa.
Liguei de novo, só que desta vez para a Nena.
E acredite… meio que em desespero.
Ela só não riu porque sentiu que eu estava tristinha mesmo.
Nena me consolou. Conversou. Falou. Pouco adiantou.

E o final de semana chegou.
Nena me arrastou para o cinema.
Chorei até. O filme nem era tão triste. James Bond..
Quando saímos, ligo meu celular e tcharammmm.
Adivinha?
Três ligações perdidas.
1ª – da minha mãe!!!!
2ª – da minha mãe!!!!!!!
Mas não faria você, leitora, chegar até aqui se não tivesse algo muito legal pra contar, né?
3ª – ligação perdida do Paulo/Adonis.

– Neeennnnnaaaaa, mamãeeeee me ligou!!!!
Ela me olha com um certo pesar me vendo retornar a ligação. kkkk.
– Alô? Oi… Tudo bem? … Tudo… Vi que me ligou… É, estava no cinema com uns amigos. Amanhã??? Amanhã almoço com meus filhos…
Nena me olhou espantada.
– Pois é, Nena – expliquei depois – tenho filhos. E é almoço de domingo.
– OK… Te encontro lá umas 17 horas. Beijos…
Pulinhos, pulinhos, muitos pulinhos de felicidade.

No dia seguinte me encontrei com Paulo em seu apartamento.
Ele quase não teve tempo de virar a chave da porta.
Não estava me aguentando de saudade.
Beijei, apertei, afaguei, abracei…
E melhor.
Fui correspondida.

Depois deste domingo, durante aquelas duas semanas, tive que trabalhar, óbvio.
Mas o trabalho, meus filhos, meus afazeres eram só interrupções para o momento do dia em que encontraria Paulo.
Sim querida…
Nós nos encontramos todos os dias.
E todas as noites.
Óbvio que aquilo já era um relacionamento.
Óbvio que eu já estava apaixonada.
Óbvio que a diferença de 12 anos não me incomodava.
Não… Não me incomodava dentro de quatro paredes.
No apartamento dele.
Em nossos jantares a dois.
Mas, por algum motivo, para as pouquíssimas pessoas (duas além da Nena: minha gineco e meu personal) que ousei contar sobre este meu relacionamento, não consegui falar da idade.
Senti vergonha.
Senti medo do julgamento.
Mas tinha certeza que isso com o tempo passaria.
Era uma questão de acomodação.
Eu precisava me acostumar com a ideia.
Ahhh, mas isso se o Paulo estivesse na mesma vibe que eu, né?

Mas… Reload um tantinho o texto.
Relacionamento? Em duas semanas?
Carla, Carlinha, Carlota… Sua romântica. Isso está mais para um affair!!!
E por isso mesmo que fiz muito bem em não contar para os meus filhos.
Tava cada vez mais difícil inventar desculpas.
Mas, também, não os vejo muito preocupados comigo.
Na real, estão pouquíssimo interessados no que faço ou falo, contanto que não atrapalhe os interesses deles.
Essa geração millennial é de lascar, viu?

Voltando.
Fora essas minhas crises, dramas, nóias e neuras posso dizer que nos divertimos muiiitoooo.
Conversamos sobre tudo.
Paulo é um homem culto. Inteligente. Com ideias jovens e frescas, claro.
Ele espantosamente conhece coisas, músicas e costumes da minha época. Isso facilita muito.
Ele lê. Gente!! Ele lê!! Jornal, livro, revista!! Baita diferencial, vai?
Esportista.
Bom… aí eu dava um jeito de ir de bike do lado dele enquanto ele corria.
Cozinhei para ele.
Fiz surpresinhas.
Ele também fez.
Sem falar no sexo, né?
Ahhhh.. Morra de inveja!!!
Lembra como era? Pois é..
Teve dia de eu pedi arrego. Juro…
Foram dias felizes. Muito felizes… Muito.

E chegou o dia de ele voltar para Ribeirão.
Ahaaaaa!!! Tá achando que me matei de chorar, né?
Que fizemos despedidas apaixonadas e chorosas?
Que fui levá-lo até o carro e fiquei olhando ele ir embora??
Nada disso!!!
Sério!!
Nós nos despedimos na frente do Uber que me levaria para a minha casa.
Um beijinho rápido.
Queria perguntar quando ele voltaria.
Mas não consegui.
Quando vi que meus olhos iriam marejar, voltei para dar-lhe um outro beijo junto com um beliscão naquele bumbum lindo!
Com muita vontade!! E vendo a sua cara divertida e surpresa fechei a porta do carro.
– Aceita uma bala, uma água?
– O senhor não teria um Clover Club, teria?

* Se você não entendeu e QUER entender o porquê Paulo/Adonis, veja as histórias anteriores:

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Tem mais .?
    Continua está tão bom sua história.
    Sabe que me coloquei em seu lugar e é uma PUTA experiência para ninguém botar defeito.
    Felicidades. Bjs

  2. Adorei e vivenciei cada episódio como os tivesse vivido!
    A narrativa, deliciosamente pseudo-apimentada,deixando que esses detalhes ficassem por conta de cada uma!
    Não vejo a hora de mais narrativas!
    Se reencontraram,voltaram a se amar?
    Não nos mate de curiosidades!

    1. Sheila, hoje tem mais texto. Que bom que esta gostando da história da Maia e do Adonis. Somos todas deusas merecedoras do Olimpo, nao acha? Beijocas querida..

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A recompensa da teimosia

Dominique - Nossas História

Enviado por: Marcos Bittencourt

Logo de pequeno me converti ao empirismo. Ao menos atento já vou avisando: não, eu não bebo sangue.
Embora, devo admitir, minha curiosidade já tenha custado algum sangue derramado.
Mas ainda me sobram uns 500 ml, então vamos em frente.
De fato, engatinhava e já revelava este meu lado científico-filosófico, cutucando as tomadas elétricas da casa de meu avô.
Não lembro ao certo o barato que estava procurando, mas a cada uma que testava devia pensar:
– Essa não, essa também não, essa já conheço.
O dedinho servia de condutor e meus parcos cabelos de fio terra. Chocante!!
A casa era grande, de modo que antes dos 14 anos de idade já havia testado todas.
Bom, passados tantos anos daquela enriquecedora e energizante experiência, tenho uma confissão a fazer.
Dói. Dói pra c@¨¨@!*o!!!!
Mas a dor passa, e costuma ser boa conselheira.
Pena que alguns retardados – como eu – demorem um pouco para perceber.
Mas, no fundo, antes de fazer a besteira, a gente ouve uma voz dizendo:
– aí não… bzzzzzzz.
Pois é.
Tantos anos de experiências científico-filosóficas me permitiram concluir que viver é uma experiência dolorosa.
Existem dores de todos os tipos: físicas, emocionais, agudas ou leves, variam em natureza e intensidade.
Tudo depende de como lidamos com elas, que costumam ser inevitáveis (menos para alguns teimosos, né).
Mas aceitar tal inevitabilidade – e reagir às dores que a vida nos traz – nos permite, por outro lado, aproveitar melhor o prazer de viver, mesmo em coisas simples, como o abraço de um filho, o sorriso da pessoa amada, o carinho de um amigo.
Quem tem medo de sofrer ainda não aprendeu a viver.
Desejo a todos, além dos inevitáveis percalços, infinitos e prazerosos momentos.
Experiências CHOCANTES para vocês!!
Bzzzz

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

4 Comentários
  1. Ah que bom não somos um clube de Luluzinhas. Adoro a diversidade. Nos permite compartilhar de textos engraçados, experiências diversas, olhares outros….amei esse texto. Aliás, esse tem sido meu grupo preferido. Inteligente, espirituosó. Cheio de carisma. Beijo.

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História da Rita e da Elis

Rita Lee conhecia Elis Regina dos bastidores de festivais. Tinha certeza que era odiada pelo mito. A imprensa da época nutria uma guerrinha boba. Alimentava que Elis não sabia o que odiava mais: Rock ou Os Mutantes. Daí a impressão da Rita de que era esnobada e ignorada por seu ídolo.

Isso mesmo que você leu.

Ídolo.
Porque a roqueira amava a voz e tudo que Elis Regina cantava. Mas nunca conseguiu captar um olhar sequer da megera.
Mas tudo mudou. Ritinha foi presa em 1976, grávida!

Auge da ditadura e repressão.
Imagino eu, aqui com meus botões, que os motivos não tenham sido políticos. Se bem que na época não havia outro motivo.
Voltando 🙂
Adivinha quem foi resgatar a Rita da cadeia?

Adivinha quem foi a única pessoa corajosa o suficiente para fazer um barulho proporcional ao seu talento, movimentando toda a imprensa – e até mesmo a igreja – para que libertassem nossa ruivinha maluquinha?
Isso mesmo. Elis Regina! Ela ainda, de quebra, levou seu filho de 5 anos a tiracolo para dar peso e se resguardar de uma possível truculência.
Não era  impressão (ou mentira) que Elis não gostasse de Rita. Justamente o oposto. Ela admirava a cantora e era sua fã .
Ficaram muiiiiiito amigas. Ajudaram-se muiiiito. Maria Rita ganhou o nome da melhor amiga de sua mãe.
Portanto gata, não acredite nas intrigas e “nazamigas” e “dazinimigas”.

Nossas amigas são nosso maior patrimônio.
Já pensou Rita ter sido privada de Elis? Ou Elis de Rita?

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

1 Comentário
  1. Mal não são as intrigas, o pior é dar importância a elas.
    Feras estas duas mulheres, também gostava de conhecê-las pessoalmente

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Airton e Adelaide

História enviada pela Diva Marquezi

Mãe: Marlene.
Pai: Alcides.
Filha: Alcilene, é óbvio.

Se existe uma coisa que não dá pra explicar é como as pessoas escolhem os nomes dos filhos. Sim, concordo que a grande maioria é composta de nomes bem normais. Existem aqueles que são homenagens, os que são herdados, os que são pedaços de lembranças… A coisa engrossa quando nos tornamos criativos. São uniões de nomes, são brincadeiras do passado, são homenagens estranhas e, por aí vai.

Sim, tenho todo o direito de fazer essa pequena observação. Afinal, Divanir, você não acha em qualquer lugar, certo? Foi pensando nesse “singelo” nome que meus pais escolheram pra mim que comecei a pesquisar o meu passado e lembrar de um monte de histórias esquisitas. Vamos a elas?

Claro, vou começar com o meu nome, certo? Divanir… Conta a lenda que, na época de meu nascimento, meus pais, muito religiosos, freqüentavam uma sessão espírita, onde recebiam conselhos de um espírito de luz, muito elevado: Diva Muniz.
Pronto. Não poderia parar por aí?
Diva.
Simples, forte, de personalidade?
Diva. Só.
Não, se podemos complicar, por que não? Tinham que combinar com o nome do meu irmão, né? Tinham que ser engraçadinhos! Claro! Só Diva não bastava! E aí veio a sugestão do meu querido tio: Divanir.
Perfeito! Assim formou-se uma das primeiras duplas de nome esquisito.
E com vocês, os irmãos Divanir e Dagomir!
É, meu caro leitor, meu único consolo é que, mais esquisitinho que Divanir, só pode ser Dagomir. Então vamos à história dele!

Minha mãe, grávida, sonha com uma índia. Dagoméia. A coisa começa a ficar estranha aí: índia com nome de Dagoméia! Mas, enfim, como não havia Ultrassom naquela época, nasce um meninão! Dagoméia fica complicado, certo? Resolvido! Dagomir! E ninguém mais fala no assunto! Nesse ponto, sou atingida por uma certeza irrefutável: minha família está lotada de nomes, digamos, originais e histórias, digamos, engraçadinhas. Vou contar algumas delas.

Zamir, Zuleide e Zilder: vai dizer que meus tios não eram fanáticos pelo Zorro!
Ricardo, Reinaldo e Regiane: só poderiam ser filhos da Rogéria, certo? Nesse ponto, nós, os Marquezi, ganhamos de dez a zero: Dagomir e Divanir são filhos da Dirce e do Décio. Não é meigo?
Temos o Décimo que, óbvio é o décimo filho. Então, como explicar que o Sétimo não é o sétimo?

Mas, desse lado da família, a história mais interessante é da minha avó. Ela, linda, com os olhos negros como jabuticabas, tão maravilhosa que quase foi raptada pelos mouros quando criança, teve a infelicidade de nascer no dia 2 de novembro. Sim, dia 2 de novembro – dia dos mortos! Seus pais tinham acabado de perder um filho e ela surge como um consolo. Sem dúvida, minha avó só poderia se chamar Consuelo, certo?

Mas, espera aí. Só estou contando histórias do meu lado familiar. Então vamos aos cantores de churrascaria do lado da família do meu marido. A começar por ele mesmo: Claudio Roberto. Sem comentários. E não é que, dez anos depois, nasce meu cunhado. Wagner Ricardo. Sim, Wagner Ricardo, com toda essa pompa.

Agora vamos unir as famílias. Lá estou, barrigão, grávida de gêmeos! Fiz ultrasson todos os meses e nada. Não chegamos a nenhuma conclusão. Poderiam ser 2 meninos, 2 meninas, um casal… Haja nome para escolher. Bruno, Felipe, Fernanda, Virgínia… Só tínhamos certeza de uma coisa: ninguém iria saber antes deles nascerem. Seria um segredo do casal.

Novembro, 12. Estou deitada no sofá, vendo um seriado sobre um ginecologista. De repente, a bolsa rompe. E o parto estava previsto para 25 de novembro! Corre, pega a mala, vai para o carro. Maternidade… Estou na sala de parto. Todo mundo preparado: dois médicos, duas enfermeiras, meu marido apavorado, eu também e o anestesista fazendo piadinhas para que ficássemos mais calmos.

Duas piadas sem graça depois, ele solta a máxima, aquela que vai determinar a escolha dos nomes dos meus filhos. Aquela que vai selar um período de pesquisas para acharmos 2 nomes que combinassem, fossem fortes, simpáticos e sem as esquisitices que rondam nossas famílias. Do alto de sua máscara cirúrgica ele diz:

– Vamos logo, pessoal. É meia-noite e as duas começa o Grande Prêmio da Austrália!
Cinco minutos depois, nascem meus filhos: um casal! O menino, eu recebo com a seguinte observação do médico:
– Como ele escondeu tudo isso durante os 9 meses de ultrasson!
A menina, então, foi mais emocionante:
– Nossa! Essa aqui está escorregando como quiabo!

Era dia 13 de novembro de 1988. Grande Prêmio da Austrália. Senna estava a caminho de conquistar seu primeiro campeonato. Nasce meu filho e minha filha. O destino foi selado: Airton e Adelaide!

PS: Essa foi a história que eu inventei para toda a família. Não vou esquecer a cara de espanto e horror disfarçados de todos que ouviram. Meus filhos chamam-se, na verdade, Guilherme e Andrea.

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

4 Comentários
  1. Adorei!! Ainda por cima nasci em 12 de Novembro, e… me filho se chama Guilherme!!! Minha filha… Clara rs beijos

  2. Era para eu ser Maria de Lourdes, igual minha vo paterna. Mas minha tia Lourdinha (ela queria ser a única da família) pediu para meu pai colocar Ana Maria, e assim foi. Meu único irmão chama-se José Carlos. Tudo muito simples, né ? E assim ficou e meus filhos para ser mais simples ainda são Fernando e Bruno! Minha netinha? Marina. Aqui ninguém inventa …hahahaha
    Do lado do maridão só uma coisa engraçada eles são Adair, Jair e Moacyr. Mas minha sogra disse que nunca tinha reparado nesse final “ir” para os três . Pelo menos foi o que ela me disse…

  3. Ah, quanta emoção!
    Valeu Dominique!
    Com certeza, teremos muitas outras histórias pra compartilhar!˜

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