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Voltando de viagem

Voltando de viagem.
Fim da semaninha de férias.
Olha a dica pras “colegas”!

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

1 Comentário
  1. As vezes é chato mesmo, pior ainda se a viagem é pra praia grande no litoral Paulista. … mas e se esta viagem for o sonho realizado de ano novo? Um pouquinho de empatia pelo óbvio do próximo cai bem né. …

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O V que faltava é: vá viajar, menina…

Dominique - Viajar

Você já experimentou viajar sozinha? Sem marido, filho, mãe, amigos. Completamente alone?

Quantas desculpas a gente inventa, perigos imaginários, para não correr o risco de se ver frente a frente com o desconhecido. E olha que nem precisa ser uma viagem para o outro lado do mundo para dar esse medinho. Pode ser aqui perto mesmo.

Medo do desconhecido, do outro, do mal, do perigo, da solidão, do idioma, do endereço, do avião, dos mal-encarados, da religião, moral e costumes alheios e, até mesmo, medo de deixar o marido livre leve e solto (marido está pela hora da morte…). E quando o marido não deixa, essa é de lascar.

O pior medo é de se ver sozinha, será que minha companhia é gostosa o suficiente para eu me aguentar? Do que será que eu gosto? Quero seguir um roteiro pré-estabelecido ou sair a esmo, sem lenço, nem documento?

Viajar com alguém, seja quem for ou quantos forem, acabamos indo no Vai da Valsa, mas e sozinha da Silva?

Outro dia publicamos um texto sobre a escolha dos “V´s” de Vigança, Veneno ou Virtude. Eu acrescento mais um como opção: V de Viajar (sozinha), já que sou uma hedonista nata e busco o caminho mais fácil, sempre!

Olhei para o meu celular e me comparei a ele e o seu modus operandi. Me identifiquei. Sabe quando a luzinha vai baixando, o ponteiro da bateria vira um pontinho minúsculo e ele começa a enviar sinais assustadores de “Bateria Fraca”? Sou mais ou menos assim.

Estou escrevendo na recepção do dentista, depois vou para uma reunião e pretendo terminar este texto enquanto espero meu namorido sair do trabalho (porque o portão de casa falhou e ele foi de ônibus) e também tenho que passar na padaria comprar pão (meu cachorro – que peguei no meio da rua – adora pão francês) e não vai dar para continuar esta conversa…

De tempos em tempos minha bateria interna, energia e luz de mãe, esposa, profissional, dona de casa, do gato, do cachorro, das plantas, do jantar, dos pais, dos amigos, vizinhos começa a falhar e então eu parto (sozinha) para me carregar de mim mesma.

Quando parto eu me recarrego 100% de Dominique. Outra entidade, cheia de si, cheia de graça, com luz e energia que vê brilho e benção em tudo o que toca. Esta ultramagnífica Dominique só pode exercer seus outros “eus” quando vez ou outra se recarrega.

Tá, você vai me falar que minha geladeira não precisa recarregar, porque possui uma fonte de energia! Eu até olhei para ela, mas fica ali, estática, gelada… Não, eu estou me comparando ao celular mesmo, ok? Outra hora farei comparativos ao ferro de passar e micro-ondas. Agora, não!

O meu caso é este, mas fiquei pensando que toda mulher deve ter a sua fonte de energia. Ler um livro, fazer plástica, colocar silicone, dançar, correr, estudar ou encontrar sua manicure, sei lá, mas tem. Veja bem, o livro alimenta sim a alma, mas não foi você quem trilhou aquela imaginação. Plástica e silicone tem efeito temporário (É bem, vai cair), dançar, correr e continuar a estudar deveriam ser obrigatórios (nem vou entrar no debate).
A minha fonte é um pouco mais custosa que a manicure já que adoro me encontrar comigo em Paris ou Cascais. Mas eu, sinceramente, acho, longe do esnobismo, que esta receita pode e deve funcionar para grande parte de Dominiques. Ok, você pode até se recarregar com unhas feitas, mas que tal unhas feitas em Paris ou Cascais? Hum? O efeito é duradouro e se você conseguir não se viciar, como eu, terá um efeito tipo “Cinderela”, ou seja, para sempre!

Uma mulher com energia recarregada, luz e eletricidade própria não consegue enxergar escuridão. A virtude é trabalhosa. Requer esforço para evitar o copo do veneno e o prato da vingança (ainda mais que tem que comer frio).  A viagem nem te lembra do copo e do prato já que estará degustando patrimônio da UNESCO (sim, as refeições francesas são classificadas como patrimônio da humanidade) e brindando com champagne (francês)! Quem quer pensar nos outros V´s?

Você observa sua vida de longe e pasme com a delícia: Dá valor! Sente saudade do maridão ou namorado, dos filhotes e do seu cachorro abanando o rabo! Esta saudade é perfeitamente alimentada de croissants e passeios de barco. Sua melancolia tem trilha sonora de acordeom e você sofre em francês as margens do rio Sena ou nas praias paradisíacas de Cascais regadas a um delicioso vinho tinto!

Lembrou-se do pé na bunda? Da amiga interesseira? Só caminhar pela Avenida Champs-Élysées até o Arco do Triunfo. Puff! Já era!

Em momentos nefastos da vida eu tenho onde me apoiar: em mim mesma! No meu Caminho de Santiago, a pé e sozinha, na minha chegada só em Paris ou Cascais, com chuva, fome, frio e medo!

Eu fui. Eu fiz. Eu sou. Não é para se exibir “prazamigas”, mas para se lembrar do que você é capaz! Assim como sempre teremos Paris, Cascais ou o lugar que você ama, sempre teremos nós mesmas, mas é preciso que tenhamos este encontro. Uma vez que se encontrou basta lembrar-se!

Tanto faz a desculpa que você arrume: um curso de culinária para cozinhar melhor para o “benhê”, um curso de línguas, de história da arte ou de pintura de óleo sob tela. Arranje a desculpa que for, olhe o seu passaporte e sua validade, parcele em dez x no cartão o seu bilhete, reserve sua cama no Booking e vai. Igual à música que cantávamos na igreja, eu e a Marot Gandolfi: “Segura na mão de Deus e vai!” E eu completo: Vai pra Paris! Vai para Cascais. Afinal, o cheque especial é autoexplicativo: Para momentos especiais, ora!

Tá vai, pode ser pra Disney! Olha só, até Santos tá valendo, mas vai sozinha! Não, nem a melhor amiga e nem sua mãe! S.o.z.i.n.h.a.

Prometo menina, prometo mesmo, que voltará pra casa amorosa, bondosa, repleta de paciência, carinho, dedicação (sim, suas plantas morreram, seu gato está cheio de nó e sua filha só comeu chocolate), afeto, saudade e alegria! Seu coração estará repleto de si mesma e de amor por todos os outros “eus” e os outros “outros” e ainda com uma memória (daquelas de mil Giga) que vai te proteger quando os outros V´s , Vingança…Veneno…, ameaçarem voltar a te assombrar! Quem é cheio de si não esvazia-se em veneno, mas transborda-se em Valor! Opa! Mais um “V”!

Vai viajar, Dominique, vai!

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Cynthia Camargo
Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

12 Comentários
  1. eu comecei a viajar sozinha por causa do trabalho. e entendi que para conhecer as cidades, teria que passear sozinha ou ficar no quarto do hotel. assim, aprendi a ir ao cinema, ao teatro e a bares e restaurantes sozinha. é bom. dá um grande poder. e, depois do divórcio fiz minha primeira viagem sozinha para os estados unidos. tive que fazer tudo sozinha, alugar carro, alfandega, hotel, compras, e pasmem!!! abastecer um veiculo nos estados unidos, sem nunca ter prestado atenção como faziaesemfalar ingles!!! isto realmente foi dificil. mas sobrevivi!! depois disto, viagens para europa, sem falar a lingua, não me impediram mais de ser feliz e aproveitar cada momento de minhas viagens!!

  2. Muito bom texto,fui a paris p 1° c 2 amigas, pois meu marido n curte Europa, n falo francés mas sabia as palavrinhas mágicas,.e sai.sózinha algumas x s problemas, e.amei, fui p Veneza e Firenze e fiz a.mm coisa !!! E muitp bom isso

  3. Querida Dominique, eu já tive o prazer de me refazer (e de fazer as unhas) em Paris…sozinha !!!! Enxergando tudo com os MEUS olhos, entrando em todas as igrejas (coisas que quase ninguém quer), fazendo só o que me desse na telha…Delicia! Estou pensando em repetir!

  4. Adorei! Viajar sozinha tbem é tudo de bom!!!
    Viajar é uma palavra magica que tem asinhas…

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Que tal um Day-Off em Paris? Caminhe sem rumo!

Paris

E se você decidisse, sem culpa, “perder um dia em Paris”? Quero dizer sem compromisso algum. Ser turista também cansa! Planejar o dia, controlar todo o tempo para poder cumprir as metas estipuladas (ou dobrar a meta), checar a lista de encomendas, confirmar os horários de cada atração, checar a previsão do tempo, procurar os melhores ângulos para a selfie perfeita, armar o pau de selfie, comprar e comprar, carregar a tralha comprada o dia todo, estudar o mapa, estudar o aplicativo do metrô, postar nas redes sociais, conferir os likes e responder aos comentários… Sugiro que tire férias de seus compromissos turísticos e torne-se somente uma pessoa em Paris.

Pegue um caderninho de anotações, uma caneta, lápis colorido, uma máquina fotográfica e saia do hotel sem rumo. Coloque dentro do bolso o cartão do hotel para saber para onde voltar e só. Sem relógio. Sem compromisso algum. Sugiro que inicie seu dia às margens do Sena e use-o como referência. Explore, olhe as vitrines e os edifícios. Registre no caderno o que achar interessante. Uma frase, uma vitrine, uma sensação… Observe a vida em Paris. Experimente Paris deixando-se envolver pela cidade sem expectativas ou pretensões.

Neste day-off com certeza sua alma se reabastece dela mesma em suas próprias impressões. A ideia é enquanto toma um café ou sentado em um trem que desenhe e descreva suas sensações. Menos registros exteriores em selfies e mais registros do interior!

Um dia antes de seu day-off compre um caderno em branco e algumas das 1.000 tonalidades de lápis a La Maison du Pastel, aberta em 1720. Abre somente às quintas-feiras das 14h00 às 18h00! 20, rue Rambuteau, 75004Rambuteau

Além de Paris, que outro lugar você tiraria um Day-off?

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Eba! Vamos esquiar nas férias? Ou não…

Cynthia Camargo
Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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O Parisiense

Você com certeza já foi a Paris. Mas conhece o parisiense? Este cidadão tem muitas peculiaridades, e este texto vai desvendar algumas delas. Para conhecer bem Paris, há de se conhecer seu morador.

Elementar, meu caro leitor, lembrar que este texto é uma generalização bem humorada, como aquelas de que brasileiros são alegres e gostam de Carnaval.
Dito isto, esqueça todos os pontos turísticos de Paris.
Pode esquecer pensando que irá andar em meio a parisienses. Não há nenhum exemplar na Champs-Élysées.

O parisiense é chique de berço. Naturalmente elegante não necessita de muita produção.
Um foulard usado por homens e mulheres é o acessório mais utilizado que confere cor e emoldura o rosto.
Um excelente par de óculos e um trench coat de corte perfeito podem ser utilizados na produção.
Sem ser uma questão de gosto ou preço os parisienses não ostentam.
A elegância, para eles, é saber compor o look.
Consomem roupas e acessórios de marcas, mas pelo fator qualidade. Uma bolsa Louis-Vuitton, por exemplo, é adquirida porque não risca, não descasca, não deforma e pode ser vendida em bom estado, sem perder seu valor.
A vaidade está no intelecto e a importância está no “ser” ao invés do “ter”.
Ser elegante faz parte deste código.

Não são adeptos ao botox.
Já a silhueta é um fator muito importante. Apreciam muito a boa gastronomia, mas nunca mais do que o peso ideal.
O café da manhã é apenas café.
Já o almoço e jantar são compostos por entrada, o prato principal, o queijo e a sobremesa.
Para acompanhar, vinho! Sempre!

O parisiense descomplica a vida quando o assunto é locomoção.
Andam muito. Fazem tudo o que podem a pé. Usam e abusam do metrô, ônibus e até mesmo da bicicleta.

O entretenimento é cultural. Exposições, óperas e museus e são absolutamente viciados em leitura. É um hábito criado desde cedo e um dos maiores prazeres, além da boa gastronomia.
São bem informados sobre política e tem posições muito firmes, apesar de discutirem sem paixões como os brasileiros.

Criticam tudo, de política ao aquecimento global, da firma ao Presidente da República e nem mesmo você escapa.
A crítica, o que para eles é apenas uma observação, é feita naturalmente ainda que pouco gentil como: “Oh lá lá, você engordou!” Porém, assim que você se afaste da roda da conversa, eles não falarão mal de você, já que falar mal de você sem você não tem a menor graça.

Metade dos parisienses vive em pequenos apartamentos de dois cômodos e mais de 80% usam transporte coletivo.
Quase a metade dos parisienses é solteira. Por isto, não compram muita coisa no supermercado. O Carrefour (ao estilo hipermercado) mais próximo é na estrada.
Flores em casa são indispensáveis.

Não possuem área de serviço em casa ou no apartamento.
A maioria dos fogões funciona com energia elétrica e toda casa possui calefação.
A máquina de lavar/secar roupas fica na cozinha ou no banheiro e não existe tanque. Pisou onde não devia? Vai lavar o sapato na pia (da cozinha ou do banheiro). Alguns prédios possuem lavanderia comunitária caso contrário se carrega a trouxa até a self service mais próxima; Prédios não possuem portaria e nem porteiros.

Em casa, geralmente, o WC é separado do banheiro que é chamado de sala de banho. O vaso sanitário fica isolado em um micro cômodo; Em alguns edifícios este WC está localizado no corredor social e é compartilhado com o vizinho. Para lavar as mãos, depois de usar o WC, deverá se dirigir à sala de banho para usar a pia.
Tiram os sapatos ao entrar em casa.

Se for hóspede de um francês não discuta a norma de dormir na cama dele, nem que isto signifique que ele durma no chão.
O melhor lugar da casa é sempre para o hóspede.
Se for convidado para um jantar é o anfitrião quem deve apontar os lugares à mesa e ele sempre separa os casais.
Se for convidado a se sentar à direita do dono da casa saiba que isto significa que você é o convidado de honra.

Conhecem os 1000 tipos de queijo.
Acontece o mesmo com os vinhos.
Não, não fazem cursos!
A impressão é que já nascem sabendo.

Pão também é uma coisa muito séria.
Parece que há um tipo de pão para cada tipo de queijo e, ao sair do trabalho, dois lugares são obrigatórios antes de ir para casa: um happy hour para “un verre” (um copo = um drinque) e a boulangerie para chegar a casa com a baguette.

Cumprimentos são feitos a base de dois beijos e os homens também se beijam, caso sejam conhecidos.
Os mais velhos ainda se cumprimentam com quatro beijos.
Se não conhece seu interlocutor um aperto de mão está ótimo.
Nada de abraços nem mesmo em seu marido, pai, filha. Não gostam. Não existe no dicionário francês a palavra abraço.

A formalidade é uma questão de educação e respeito. Mesmo que esteja se dirigindo a uma criança, se não há intimidade, o tratamento se dá por “vós” (vous) “senhor”, “senhora” e nunca um simples e íntimo “você” (tu), a não ser que seu interlocutor lhe dê a autorização para dispensar a formalidade.

Estão sempre com muita, muita pressa! Todos.
Quando atendem ao telefone, logo depois do “alô”, já avisam que estão sem tempo e superocupados (Não se incomode, é praxe, vá em frente).
O guia de Paris, da Louis Vuitton, caracteriza o parisiense como “pressé (apressado); stressé (estressado); très ocupé (muito ocupado); debordé (ao pé da letra, transbordado)” Síntese perfeita!
Andam nas ruas muito rapidamente, quase correndo, e é difícil acompanhar a maratona.

Seu slogan, surgido no final dos anos 60, é “Métro-Boulot-Dodo” (metrô-bulô-dodô) que quer dizer: Metrô de manhã, trabalho à tarde, dormir à noite como um resumo da vida de um parisiense.
Falam baixo, sempre, mas também “bufam” o tempo todo.
Bufe e será aceito no grupo.

Se não gostar do serviço em algum lugar, não reclame a não ser que esteja disposto a travar uma batalha.
Do contrário, faça como os parisienses deixando apenas uma moeda de dez centavos e o garçom entenderá o seu recado;

Falando em garçom, eles não servem o refrigerante com gelo e a bebida nunca está, de fato, gelada.
Então você pede gelo (glaçon) e, talvez, limão (citron). É quando você percebe, na expressão do rosto do garçom, que nuvens negras estão se formando… Ele volta com uma única pedra de gelo e bem pequena de limão siciliano.
Eu diria para deixar pra lá até a hora do cafezinho, que chegará acompanhado de um único e pequeno torrão de açúcar (não há açúcar em pó).
E só. Adoçante? Raramente vem junto com o café.
Então você chama o garçom e pede o “sucrette” (adoçante) e aquelas nuvens, que você viu formando-se no semblante do sujeito anteriormente, lançam raios.
Não dá para andar com gelo na bolsa, mas o adoçante dá para comprar no mercado e evitar tempestades: sugiro a marca Canderel.

Apesar do estresse (que não é estresse para eles) e do corre-corre, sobra disposição para um happy hour depois do trabalho, seguido de uma exposição, esticando a noite em uma balada.
Ar livre para eles é uma questão de sobrevivência.
Detestam ar condicionado e ainda que o sol esteja a pino, e o calor fazendo transpirar sangue, suor e lágrimas, preferem a mesa ao ar livre para almoçar, bem aquela onde bate mais sol.
Todos saem em férias em Julho e Agosto.
Todos.
Isto é sagrado. Muitos estabelecimentos colocam uma placa a porta avisando que estarão fechados o mês inteiro, sem a menor cerimônia.
É tão natural e tão comum aproveitar o verão que quando você estiver saindo de um estabelecimento, nesta época do ano, ao invés de dizer apenas um “au revoir, merci” ainda lhe desejam “Bonnes Vacances“, já que é improvável que você, em algum momento do verão, não vá viajar para algum lugar…

Voltando ao assunto dos cumprimentos, não se inicia uma conversa com um simples “s’il vous plâit” (por favor)…
Antes disto deve-se dizer: “Bonjour Madame/Monsieur”.
Também sem chance de terminar uma interação com um simples merci (obrigado), mas sim: “Merci Madame/Monsieur! Au revoir (até logo), bon aprés-midi (boa tarde) ou bon fin de la journée (bom final de jornada).
Quanto à questão dos diversos significados de “Boa Noite”:
Ao chegar a algum lugar a partir do final da tarde o cumprimento é “Bon Soir” (Boa Noite).
Ao se despedir à noite, mas não muito tarde, como se a pessoa fosse sair para jantar, por exemplo, deve-se dizer “Bonne Soirée” (Boa noite ou boa noitada)!
O cumprimento final da noite, ao se despedir tarde, na hora de se recolher, “Bonne Nuit” (Boa noite!).

Lá eles não “viajam na maionese”, mas, em compensação, “nadam no couscous”.
Ao invés de fazer algo com “o pé nas costas” fazem algo, facilmente, com “os dedos no nariz”.

Finalmente e resumindo a questão, apesar da pouca habilidade para o improviso e o excesso de formalidade protocolar e correria, o parisiense se relaciona bem com o hedonismo, pois sabe apreciar e desfrutar as boas coisas da vida com uma elegância fora do comum!!
Incoerência? Sim, faz parte do charme!

Repito que não são todos assim, mas digamos que muitos contêm traços de uma ou outra característica apresentada.

Também ambientado em Paris, na semana passado, Elzinha escreveu sobre Reset, o novo balé da Ópera de Paris. (aqui)

 

Cynthia Camargo
Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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Reset – o novo balé da Ópera de Paris

Dominique - ResetPara as Dominiques aficionadas e amantes do balé, o excelente e mais recente documentário sobre o Balé da Ópera de Paris é minha dica de hoje.

O documentário retrata o renomado coreógrafo e bailarino Benjamin Millepied (mais conhecido pelas esplêndidas coreografias do filme Cisne Negro) e como ele tenta renovar o Paris Opèra Ballet com estilo e dinâmica repaginada em sua posição como diretor. O foco é o processo criativo dos ensaios do espetáculo Reset, coreografados por ele.

É preciso dizer que grande parte da graça desse filme é o carisma de Millepied, que faz uma conexão direta com o espectador. O charme criativo inteligente dele cativa a todos. O documentário acompanha os 39 dias que antecedem a estreia de sua primeira produção para a Companhia.

Durante as quase duas horas de filme acompanhamos todos os estágios do processo criativo, desde o recebimento da composição de Nico Muhly até a escolha dos bailarinos, cenário e figurino que resultou em um espetáculo de 33 minutos ovacionado pelo público.

Millepied traz mais dança contemporânea para o balé clássico, quebra as hierarquias entre professor e alunos e o preconceito colocando uma bailarina negra como a principal. Dinâmico e atento a tudo que acontece ao seu redor, sempre exibindo um sorriso sincero, deixa claro que o prazer deve sempre fazer parte de sua criação artística.

O documentário dirigido por Thierry Demaizière e Alban Teurlai mostra os geniais movimentos da câmera e a bela fotografia com lindas imagens das salas, camarins e interiores da Companhia, dos ensaios, dos movimentos e dos incríveis corpos dos bailarinos.

Apesar de um pouco longo, o filme é impecável e contagiante, transmitindo a paixão pela dança. Reset é belo, imersivo, repleto de movimento.

Para as mais ou menos aficionadas em dança, o filme tem um potencial enorme de agradar.
Dominiques não percam! Vale a pena conferir!
Assistam, divirtam-se e saiam com vontade de dançar!!!

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