Tag: Casamento

Sobre vínculos, o que entendemos que seja o amor ao longo do tempo

Dominique - Amor
Quando estamos apaixonados, vivemos um período de muitos sentimentos deliciosos, frio na barriga, vontade de ficar junto, fazer planos e curtir a pessoa amada. E como um movimento natural, nos casamos. E pode ter vários formatos, morar junto, morar separado, ter filho, ter cachorro. Não precisa ser aquele casamento de vestido de noiva, igreja, festa. Sim aquele comprometimento significativo com alguém com quem queremos compartilhar a vida e aprofundar a intimidade.

Mesmo com sentimentos intensos, diante do cotidiano e da convivência, os relacionamentos mais longos são postos à prova. As paixões se tornam mais amenas com a convivência. Passamos então a desenvolver um sentimento mais tranquilo de afinidade e parceira, que ao meu entender é o amor. E do mesmo jeito que as pessoas mudam, os relacionamentos também mudam. Até porque refazemos nossos projetos, mudamos nossos pontos de vista e isso inevitavelmente irá refletir nas relações que estabelecemos.

Naturalmente, as relações passam por fases boas, ruins, enfrentam desafios desgastantes que muitas vezes não dependem do casal Como perdas, mortes, mudanças repentinas e involuntárias. Tudo isso é vivido pelas pessoas com efeitos diferentes; cada um vive e sente o relacionamento à sua maneira, de acordo com sua história de vida e seus recursos.

As pessoas podem desanimar quando percebem que o relacionamento já não tem aquela magia de tempos atrás. Quando a expectativa é de ter frio na barriga e coração disparado ao ver o(a) nosso(a) parceiro(a), nos frustramos. Essas sensações são próprias da paixão ou da saudade. Não fazem parte do cotidiano de um relacionamento mais longo, com pessoas que trabalham, pagam contas, dividem as tarefas domésticas, se cansam, discutem, fazem as pazes, enfim, levam uma vida real.

O amor tem várias formas. Não só manifestações mais evidentes como flores, jantares e presentes. Atitudes do dia-a-dia são formas de demonstrar o amor e o cuidado…. E há de se ter olhos para ver e valorizar os pequenos gestos amorosos. Podem passar despercebidos quando temos um protocolo exato de como ele deve ser demonstrado. Esperamos o buquê de rosas e nem percebemos que as flores do nosso pequeno jardim da varanda estão sendo regadas todos dos dias pelo(a) companheiro(a)! Quanto deixamos de perceber por conta das exigências!

Se as pessoas conseguem ressignificar expectativas, tornando-as mais reais, entendendo o que esperar do outro e em quais situações, tudo se torna menos desgastante. Relacionar-se envolve perceber a si mesmo, os próprios comportamentos, o que eu causo no outro e o que o outro me causa. Saber ouvir e ampliar o canal da comunicação entre duas pessoas ajuda a diminuir significativamente os conflitos e abre caminhos para que as pessoas se respeitem e se unam.

Com o passar do tempo, o amor pode se tornar menos intenso, mas se torna também mais profundo. Algumas coisas mudam, porém mudanças não são ruins. Só tornam as coisas diferentes, mas não piores.

É preciso conciliar constantemente as divergências, respeitar as opiniões e pensamentos e debater as escolhas, o que em muitos momentos pode revelar impossibilidades de continuarem juntos. Mas quando o casal decide ficar junto e enfrentar tais mudanças juntos, o relacionamento se fortalece. Quando se aprofunda, o amor cria importantes raízes como lealdade, confiança, companheirismo, carinho e cuidado. Elementos valiosos da convivência entre as pessoas que são construídos com dedicação e respeito.

E se perguntar, o que sustenta esse amor? Mesmo sem tanto brilho como nos primeiros anos de relacionamento, o que faz com que eu queira caminhar ao lado dessa pessoa? As respostas para essas questões indicam a qualidade do vínculo amoroso. Servem como um termômetro do compromisso e do desejo de permanecerem juntas.

Estou falando de relacionamentos que não são perfeitos e nem o tempo todo felizes, mas que simbolizam uma gratificante parceria de pessoas imperfeitas….. Que quando comparam prós e contras, percebem que valeu a pena persistir.

E para você? O que é o amor e como ele é demonstrado?

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Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

10 Comentários
  1. Amor e paixão são sentimentos diferentes.Paixao tem pavio curto,apaga logo ou se transforma em amor!
    As prioridades mudam,as alegrias e preocupações com filhos e netos,o respeito a admiração e o cuidado diário substituem as borboletas no estômago!

  2. Depois de 25 anos casada eu ainda sentia ilusão, amor, é muita dedicação e companherismo.Um mês após as bodas de prata ele teve um avc e faleceu.
    Perdi o chão.
    Mas tivemos cinco filhos maravilhosos. Eles me ajudam até hoje ter uma vida mais confortável.

  3. Amor para mim após 40 anos, é um respeitar o outro, ter cuidados especiais no dia a dia,conversar sempre, dizer diariamente estamos juntos.e nos abraçamos todas as manhã e dizer bom dia!!!!

  4. O amor com o passar do tempo é companheirismo, parceria, compreender e aceitar que as mudanças ocorreram nos parceiros, mas também em nós,mudança física e emocional! A relação se sustenta com respeito pelo outro!

  5. Amor para mim entre um casal é parceria e respeito um pelo o outro.
    Depois de um casamento de 38 anos fracassado , fiquei por 6 anos sozinha com medo de amar novamente.
    Hoje conheci um amor ;parceiro , amigo e que me respeita.
    Um amigo Amor.

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50 anos em 5 – A emocionante história de uma Dominique

Dominique - Anos
Não vou usar meu nome verdadeiro, porque minhas histórias são impublicáveis. Pelo menos durante os anos que eu estiver viva. Usarei então um pseudônimo, Carmen Strada.

Eu tinha 14 anos quando o conheci. Ele tinha 22. Por motivos que Freud e Jung explicaram muito bem, agarrei-me a esse homem como a uma tábua de salvação achando àquela altura da vida que ninguém nunca jamais ia me querer, portanto tinha que ser ele.

Perdi a virgindade com esse mesmo homem aos 15 anos. E aos 20, com a autorização do meu pai (sim, naquela época, menores de 21 precisavam da autorização dos pais) casei-me com esse que viria a ser mais tarde o pai dos meus filhos. Tenho dois rapazes. Lindos. Um completou 23 e o outro terá em breve 22. A idade que ele tinha quando me quis. Não consigo imaginar meus filhos hoje namorando uma menina de 14. Sem mais comentários.

Anos depois, após muito abuso, intimidação, ameaças, assédio moral, críticas diárias, humores alternando entre o ódio à minha pessoa e a adoração, ciúme doentio, muito controle e autoritarismo, comecei a chorar diariamente e não parava mais. Chorava embaixo do chuveiro, lavando a louça, dirigindo, sentada à mesa do jantar, na cama acordada no meio da noite, enfim…

Tentei tudo que estava ao meu alcance: conversas até de madrugada, e-mails que ele nunca respondeu, cartas que ele rasgava e jogava fora sem nem ao menos ler (“eu já sei tudo que está escrito”) e por fim terapia. Primeiro individual, somente eu, porque ele se recusava a fazer a de casal. Depois que percebeu a ameaça que significava essa terapia desqualificando qualquer coisa que viesse do meu terapeuta, ele aceitou que frequentássemos uma terapeuta para nós dois. Sempre repetindo que não acreditava em terapia, que estava ali só porque “minha mulher mandou, porque quem está com problemas é ela, eu não tenho problema algum”. Vou poupá-los dos detalhes dessa época porque são tristes demais. Conto numa outra ocasião.

Então um belo dia, 30 anos depois, numa sexta-feira 13, um raio atingiu meu cérebro e eu disse basta. Fui trabalhar pedindo que ele arrumasse um lugar para ficar, porque ao voltar no final do dia não queria mais vê-lo no apartamento. Ele não se foi. Depois de seis meses de inferno na terra, dormindo por baixo do lençol e ele por cima, não conseguindo mais ficar sequer no mesmo ambiente, me dirigindo a ele aos gritos (tudo que eu vinha engolindo foi vomitado de volta), sentindo dores por todo o corpo, sofrendo de insônia e dores de cabeça horríveis, decidi que era melhor eu sair de casa. Procurei apartamento mobiliado para alugar e depois de visitar um com meus filhos, ambos afirmaram que morariam lá comigo, arrumei uma bolsa com o essencial e parti.

Nesse momento, acho que caiu a ficha para ele que não seria possível a reconciliação e ele ficou mal. Meus filhos, vendo o pai daquele jeito, com 16 e 17 anos, comunicaram que iriam ficar com o pai, porque ele estava precisando mais deles. Ok, tudo bem, alguns dias, uma semana no máximo e eles estariam comigo. Só que não. Achei que já tinha sofrido tudo que era suportável. Meus filhos nunca vieram morar comigo. Vinham jantar, almoçar, encontravam comigo, nos víamos ou falávamos todos os dias, mas sempre voltavam para dormir com o pai. Perguntei por que eles não podiam dormir uma noite que fosse comigo e eles responderam que isso ia magoar o pai. Rebati que assim eles estavam magoando a mim. A resposta foi: “você é forte, o pai não”.

Passei três meses indo em casa todos os dias. Fazia a cama, as compras de supermercado, deixava a comida pronta e antes que o pai deles chegasse eu ia para minha casa. Sei que parece louco, mas meu senso de dever de mãe não me permitiu agir diferente. A dor da falta dos meus filhos, da minha família era como se eu tivesse amputado um braço ou uma perna. Não sei de onde tirei forças para sobreviver. Até autoflagelo e pensamentos suicidas eu tive. Quando eu achava que pior não podia ficar, ficava.

Mas eu sobrevivi. Nos divorciamos pouco antes de eu ir morar na Europa, onde trabalhei por um ano. Incrível meu empregador ter topado fazer esse investimento em mim a essa altura da vida. Até consegui sair do aluguel e hoje pago o financiamento do meu próprio apartamento.

Cinco anos se passaram. Cinco anos em que vivi situações que jamais imaginei viver. Depois de uma vida inteira sendo a mulher de um único homem, consegui dar a volta por cima e conheci outros. Cada um mais diferente que o outro. Vivências incríveis. Fiz novas amizades. Amizades valiosas que muito me ensinaram e me ajudaram nessa caminhada.

Hoje sou Dominique. Fiz 50 anos em 2017 e tenho vontade de contar histórias espetaculares que vivi ou que acompanhei de outras mulheres. Será que terei coragem de contar tudo?

Anos de sofrimento que fizeram uma mulher se reinventar, parabéns Dominique!

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7 Comentários
  1. Mulher de coragem! A história da minha màe foi parecida, não no tocante às faixas etárias dos dois, mas as agressões verbais. Físicas, nunca, graças a Deus! E eu resolvi que ser solteira seria melhor! Não tinha a mínima vontade de ter filhos, estudei, trabalhei 35 anos, cuidei de minha mãe até sua passagem, aos 92 anos! Ah, meu pai faleceu com 54 anos. Sinceramente?!? Penso que minha mãe começou a viver a partir de então! Mas cuidou dele até o fim! Será que sou uma Dominiqye?!? Vicênio com certeza é!

  2. Uma história densa como não pode deixar de ser as histórias de nós mulheres de meio século, quem sabe lendo essas histórias eu me aventure a contar a minha. ..por enquanto ainda não tenho forças suficientes para relatar

  3. Nossa Senhora! Não consegui ler sem chorar, fiquei imaginando as entrelinhas que vc não contou. Imaginei a situação da minha mãe que viveu uma história tão sofrida quanto à sua. E por que não dizer a minha história e de tantas mulheres com as quais convivi e convivo. Pois cada uma de nós, passou ou passa em algum momento por sentimentos e dores semelhantes, pois vivemos numa sociedade predominantemente machista.Parabéns pela sua coragem! Avante, Dominique!

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Ei-la aqui. Rita Lee. A Dominique das Dominiques.

Rita Lee – 70 anos

Não há em minha geração quem não tenha dançado uma música de Rita Lee.
Você pode não saber o que é Loki. E não tem importância!! Sério!!
Você pode não conhecer bem os Mutantes. E muito menos saber que foi Ronnie Von que batizou o conjunto. Tudo bem.
Também não deve saber que Rita estudou na mesma classe que Regina Duarte.

Mas você sabe cantar Mania de Você de trás pra frente.

Dominique Rita Lee
Rita Lee anos 80

Ovelha Negra te despertou para a possibilidade de haver um mundo além da família “margarina” da casa da vizinha.

Lança Perfume legalizava aquela sua pequena contravenção de jovem.

Quantas vezes você não ouviu Cor de Rosa Choque porque estava “doente” e não foi pra aula?

Algum moço te passou uma cantada assobiando Banho de Espuma? Colou?

Ela disse SIM duas vezes, para Arnaldo e para Roberto. Na verdade 3 se contar o “Pra Você Eu Digo Sim“. Mas em nenhuma delas usou o vestido de noiva que Leila Diniz lhe emprestou e ela nunca devolveu.

Eu fui a um show dela no Palácio do Anhembi. Fui a outros. Mas lembro deste que foi “intimista” em 198X.
Heavy user de Internet, muito antes das redes sociais, ela sempre foi meio futurista.
Rita Lee possuía uma carteira de sócia do “Clube dos primeiros vôos à lua”. Lunática de carteirinha! Preciso falar mais?

Rita me inspira.
Claro que amo suas músicas, letras, ironias e sarcasmos.
Mas o que mais gosto de verdade, é seu desprendimento e independência de pensamentos.

Não concordo com tudo que ela fala.
Grande coisa!!
Aliás ela deve estar muito preocupada com isso.
E é justamente esse dar de ombros que amo.
Amo o jeito surpreendente que solta suas observações e opinões.

Rita é muito mais que sua obra.
Tenho a impressão que ela cansou, enjoou, não aguenta mais suas próprias músicas.
E eu entendo perfeitamente.
Você nunca cansou de se ouvir? Nunca cansou de seu próprio discurso? Nunca?????
Ahhh, ok.
Acho que ela tenta se reinventar o tempo todo, mas que todo mundo quer a Rita Lee de nossas adolescência, cantando Saúde e Chega Mais.

Talvez por isso ela tenha deixado suas madeixas vermelhas de lado assumindo o cabelo branco de vez, para que também deixássemos a Rita do Tal de Roque Enrow partir, e mais uma vez ser aquela metamorfose ambulante. Uma verdadeira Mutante.

E assim Rita consegue sua liberdade pela enésima vez.
Talvez por ter nascido no último dia do ano, tenha essa tendência ou essa sina de se reinventar.
Sorte nossa que há 70 anos convivemos com 70 Ritas.
Parabéns menina. Arrombe a Festa!!

A Dominique das Dominiques
Parabéns Rita Lee.
Ahhh, li esse texto de Rita Lee (fase cabelos brancos – livro Dropz). Vale muito a pena.

Eis-me aqui

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História de Rita e Elis

Quando eu crescer e envelhecer pra valer, quero ir para um asilo!

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

1 Comentário
  1. Thanks for sharing. I read many of your blog posts, cool, your blog is very good.

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Hora do homem mostrar que é forte e bem-humorado!

Dominique - HomemSou casado há mais de 30 anos e, depois de todo esse tempo, achei que o casamento não traria grandes surpresas. Tudo isso mudou no período que antecedeu a chegada da menopausa. Sei que o período é complicado para as mulheres, mas vocês não fazem ideia de como ele pode abalar a autoestima e a segurança do homem. Nem todos que passam por essa experiência sobrevivem!

Casamentos longevos me levam sempre para uma analogia com aquele seriado Jornada nas Estrelas (Star Trek) que nos levava à fronteira final, onde homem algum tinha ido ainda. A cada episódio temos uma surpresa que desafia a lógica e nos testa como espécime desenvolvido. Qualquer semelhança com casamentos duradouros não é mera coincidência! Tenho um amigo que prefere chamar essa experiência como The Dark Side of the Moon, numa referência ao disco do Pink Floyd cuja audição tem efeitos terapêuticos para ele.

Os casamentos da minha geração se estabeleciam em cima de alguns projetos. Quem casa quer casa. À medida que o tempo passa, a trama se complica com a chegada dos filhos. Eles passam a ser nosso projeto, da escola à faculdade, vem um longo caminho cheio de aventuras previsíveis. Nosso objetivo é sobreviver e garantir uma boa educação deles. Um belo dia eles casam ou simplesmente saem de casa e aí os limites daquela fronteira final ficam à nossa disposição. É nesse período já complicado que o universo misterioso te convida a entrar na Zona da Menopausa onde nada parece o que é.

A cultura popular, nosso desconhecimento e o preconceito reduzem esse período à variações de temperatura. Na prática entramos numa área confusa que manda sinais descontrolados e invertidos. Não foram poucas vezes que, embora casado há mais de trinta anos, fui surpreendido por um “não” que na realidade era um “sim”. Nesse período, sobram variações bruscas de humor, sarcasmo e ironia se alternam e fica difícil entender quando é um ou outro.

No meu caso, para agravar o quadro, minha mulher ficou mais sensível do que o habitual. Seu senso de humor se não desapareceu totalmente fica, na maior parte do tempo, meticulosamente escondido. São dias tensos e a minha sensação é de procurar coisas num paiol de pólvora com um fósforo acesso. As explosões são frequentes e inevitáveis.

Sempre fui um bom ouvinte. Nessa fase nem isto faço adequadamente. Ouço histórias despretensiosas com ar atencioso de sempre e temeroso das minhas participações. Em 99% dos casos eu escolho sempre a resposta ou o desfecho errado. As reações vão da indignação irada que se transforma em raiva agressiva e termina em choro, à resignação sarcástica, que termina em critica à minha insensibilidade ou falta de atenção às coisas dela. Dias de trovão!

A situação se agrava na cama. Lembra-se da Enterprise, a nave da Jornada nas Estrelas? Pois é, às vezes, sua cama se parece com a nave sob ataque, sem comando e com a tripulação amotinada, navegando por rotas desconhecidas.

Acreditem, não é um período fácil para nós também! Somos movidos pelo desejo primal do sexo. Racionalizamos até a página dois e depois tomamos medidas radicais. Contemporizamos e negociamos, mas sem a paciência de um monge. Longe disso! Afinal, somos de Marte e, às vezes, precisamos de sexo. Difícil entender isso?

Sei que não é difícil entender essa necessidade. O complicado é achar uma boa solução. Em casa, o sexo ficou burocrático. Minha mulher, tentando entender as necessidades básicas do marido, aparece para o jogo, mas sem o brilho de outros tempos.

Cá para nós, casamentos longevos e estáveis só duram porque caíram na rotina necessária que transforma a cumplicidade do casal na licenciosidade de amantes ocasionais. Para nós, quando a menopausa se aproximou esse acordo latente foi colocado em cheque. Os hormônios colocam a Enterprise no meio de uma tempestade de meteoros.

Essa é uma fase complicada e sensível para as mulheres.

Pensei que havia me preparado para ela. Fui ler, pesquisei e conversei com outros homens que viveram, vivem ou viviam a mesma etapa no casamento. No Clube do Bolinha você encontra de tudo! Daqueles que nem perceberam a mulher entrar e sair dessa fase àqueles com tendência kamikaze que entraram junto, de corpo e alma nessa travessia.

Luis Augusto Montaigne

Ex-Bancário, ex-publicitário, ex-jornalista e sempre empreendedor, atento às boas oportunidades que a vida oferece. Observador curioso, pensador ocasional e eterno aprendiz!

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Dieta restritiva? Logo eu que sou tão gulosa…

Dominique - Dieta

Confesso, sou gulosa. Como com os olhos, pensamentos, nariz. As conversas, qualquer papinho furado, assim como o Brasil, quase sempre termina em pizza, mas como sou eclética, pode finalizar também num pastel, esfiha, mousse de chocolate, Nhã Benta, ai Jesus… Definitivamente não gosto de dieta!

Chego na redação e o povo, nada santo, me recebe falando até às tampas sobre maravilhas feitas com chocolate (que eu resisto heroicamente), tortas, hamburgueres… Gente do mal! Brincadera, gente do bem mesmo.  Hoje um elemento da equipe, que está liderando com vantagem meu caderninho negro, trouxe um pavê de limão. Eu só trago semente de abóbora que já vem sendo duramente rejeitada, coitada, por pura falta de sabor, segundo as dragas em questão.

Além de ser do bem, os danados dos coleguinhas tem bom gosto. Miinha solitária, que é dupla e tem até nome, Rosarinho Come Quieta, faz Hola com tantas guloseimas.

Já li um monte sobre gula e me encaixo em todos os requisitos. Sou ansiosa, tenho uma TPM monstro e gosto de porcaria que dá espinha, prende o intestino e agora também resolveu dar alergia. Pois é.

Caraca, estou sendo privada de comer qualquer coisa que leve farinha de trigo, NÃOOOOOO!! Qualquer pão que se preze tem farinha de trigo. E leite! Meu tetê, como vou fazer sem meu tetê?

Como a gente aprende pelo amor ou pela dor, aderi à dolorosa e cruel dieta restritiva de boa parte da razão para viver. Tudo para combater a enxaqueca e também secar um pouquinho o corpitcho.

Tenho recebido incentivo e forte colaboração do namorado delicia. Irritantemente disciplinado, no café da manhã deglute meio minimamão papaya com duas colheres de sobremesa de aveia, tapioca com alface, tomate, cream cheese light e duas, apenas duas fatias quase que transparentes de peito de peru, claro que light e café puro, este, graças ao bom e santo Deus, à vontade.

Almoço salada, duas colheres de arroz integral, uma verdura cozida no bafo e um filé de frango. Repeteco no jantar, sem direito ao arroz, mas com uma verdura diferente. Ufa!

E entre um e outro? Uma singela barrinha de cereais (sem chocolate, mel, amêndoas). Daquelas ruins, sabe?

O fato é que a silhueta vem diminuindo, lentamente, mas vem. O objetivo master de ficar elegante naquele tal vestido de mãe de noivo tem tudo para ser alcançado. O sangue de Jesus tem poder!

E a dieta não vai parar no dia 29 de julho, dia do casório, a infeliz é ad eternum.

Começa agora a luta insana para ter uma atividade física, para mim um sacrifício de proporções gigantescas. Mas isso é pano pra manga para outra história…

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Casados há 24 anos e ainda namoram? Conta outra, pelamor!

Conheço, sim, 5 casais que se amam e namoram após 25, 30, 50 anos de casados.
Não, eu não sou virtual, nem fruto de imaginação fértil, nem eles.
Carne, osso, CPF, declaram IR e são normais, ou não.
Nos mil debates inevitáveis sobre o assunto, me vanglorio de conhecer estas pessoas, raras, embora eu mesma não possa erguer meu peito como uma pomba dizendo que também vivo uma vida a dois de dar inveja.
Aliás, falando nela, preservo o nome de todos, porque a “inveja é o mau hálito da alma” e, como seguro morreu de velho, uso nomes fictícios.
Lembrando que de fake aqui só os nomes.

Vamos combinar que, mesmo no longo namoro, a convivência é bem diferente quando comparada ao casamento ou morar junto, o que dá na mesma.
A gente se encontra quando está arrumadinha, cheirosinha. Não dorme com camiseta de propaganda política. Não sai com o cabelo oleoso. Não há flatulência nem por cima, nem por baixo.
As contas podem até ser rachadas, mas só no restaurante, show e viagens.
Nenhum dos dois sabe que gás, luz, condomínio são pagos e o quanto isso não é nada romântico.
E, se for como eu, jamais aparece sem lápis, rímel e um brinco.

Só que a realidade é dura, o tempo é implacável e chega a ser uma tarefa hercúlea manter esta fantasia no dia-a-dia por anos a fio, principalmente quando filho chega.
Mas, como eu adoro me gabar dos meus amigos, trago aqui uma história que serve de exemplo para todos, inclusive para o meu filho que casou no sábado.
Usei o meu amigo Fernando como referência para construir um relacionamento sólido e absolutamente gostoso de ser vivido todo santo dia.
Acho o máximo e confesso que é meu sonho de consumo (sim, ainda almejo isso aos 51 anos).
Afinal, qual é a receita do bolo?

É mais simples, mas muito mais simples do que todas as infindáveis conversas que temos umas com as outras ou ainda nas intermináveis sessões de terapia.
Condição sine qua non é casar amando de verdade.
Esclarecendo, a paixão tem prazo de validade, no máximo 2 anos.
Amor é um gostar com tesão, companheirismo, admiração e, não raramente, com uma p… vontade de enforcar a cara metade.

Fernando e Tereza namoraram 6 anos e estão casados há 24.
E, pasmem, namoram até hoje. Sim, eles vão ao motel, acredite se quiser.
Aí me perguntam, eles devem nadar em dinheiro, assim fica fácil.
É como mulher feia, não existe mulher feia, existe mulher pobre.
Mentira, os dois já passaram por perrengues de grana e de doença na família. Estão lá, firmes e fortes.
Sempre ouvi a versão dele que a ama incondicionalmente, mas não tinha escutado o lado dela.
Quando perguntei o que ela fazia para ter este relacionamento tão bacana por tanto tempo, ela respondeu “a gente se ama”.
Que bonito, lindo, romântico, fofo, mas vamos ao que interessa, me conte algo que eu e a torcida do Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos não saibam.

A Teca parou, pensou e me contou como é o dia a dia deles:
– A gente se ama, casou tendo muito tesão um pelo outro. Talvez o fato de ter tido apenas um filho possa ter ajudado, porque queira ou não é mais fácil de administrar.
Eu comentei:
– Teca, tem tanta gente que tem só um filho e não consegue manter a tal chama acesa. Não pode ser este o segredo.
– Nossa filha ia para cama todo santo dia às 19 horas até porque entrava muito cedo na escola. Com ela nanando, o tempo era nosso. Por mais cansados que estivéssemos nosso ritual de sentar juntos, tomar um aperitivo e jantar sempre foi sagrado, como é até hoje.
– Mas com empregada e babá até eu né cara pálida?
Depois de uma deliciosa gargalhada Teca fala:
– Nunca tive babá e a empregada vinha três vezes por semana, mas a cozinha é meu território.
– Tá bom! Mas você trabalhava?
– Sim, período integral, mas tinha a sorte de sair às 17 horas.
– Então o jantar era você quem fazia?
– Yes, darling! E cá pra nós, cozinho muito bem.
– Volte a falar da rotina, please, antes que eu comece a roer as unhas do pé, porque as da mão já eram.
– Depois do aperitivo, jantamos, conversamos sobre o dia e vamos assistir algo juntos na TV ou não, porque ninguém merece ver jogo do Palmeiras, isso já é exigir demais do amor. Aí eu coloco em dia os episódios das séries que eu adoro.
– Mas e o namoro propriamente dito, o pegar na mão, dormir de conchinha, sexo? Isso ainda existe entre vocês?
Ela me olhou como se eu fosse um alien:
– Claro Clóvis! Se não rolasse isso, por que estaríamos juntos? A gente sempre teve um tempo para a gente, condição inegociável. Nas férias, viajavamos uma semana sozinhos e uma semana com a Laura.
Numa sonora gargalhada continua:
– Uma vez por mês visitamos um motel, somos da Vigilância Sanitária e temos o dever de checar se tudo está dentro do padrão nas suítes! Ah! Todo dia 30 ele me traz uma rosa para lembrar do dia em que casamos.
Peço um tempinho, porque como boa jornalista fazer conta é uma tarefa insana para mim:
– Teca do céu, são 290 rosas até maio deste ano.
– Não querida, são 289 rosas em flor e 1 rosa em chocolate da Kopenhagen. No último dia 30 de maio, as flores estavam feias na floricultura e ele optou pela versão em cacau!
– Você consegue se manter linda e atraente após tanto tempo. Por isso rola sedução?
– Eu nunca fui dormir de moleton e Hipoglós nas espinhas, mas também não vou deitar com meia arrastão. Durmo com uma camisola bonita, não necessariamente provocativa. Sempre cuidei de mim, mas nunca fui escrava da vaidade, moda, corpo, botox, plástica. Também tive e tenho que lidar com a jornada tripla e uso ainda uma palavra light, porque é mais que tripla: mãe, esposa, filha, profissional, amiga. É mais ou menos como empilhar pratos chineses.
– Tá bom, Teca. Tudo lindo e maravilhoso, mas quando a grana acabou como foi o “namoro”?
Ela parou de sorrir por um instante e disse:
– Uma fase muito dura. Em um determinado momento até nos afastamos um pouco, o que foi horrível, mas não deu. Conseguimos segurar as pontas e virar o jogo justamente porque somos o que somos, nossa união e cumplicidade são muito fortes.
No dia seguinte desta conversa, Fernando me ligou perguntando:
– Quer dizer que você quer saber qual o segredo do sucesso no meu casamento? Mas você já sabe tudo.

Não é raro ele me contar o quanto admira a Teca, ao ponto de me falar que quando estão conversando assim, sem mais nem menos, ele olhar o pé dela e a coisa começar a esquentar. Dele ser motivo de piada entre os amigos, porque ele não fala mal da esposa (ao contrário) e não dá as tais escapadas, simplesmente porque não tem a menor vontade.

Sua filha colocou um post no Facebook no dia do aniversário do Fernando e mencionou o lance da rosa no dia 30.
Houve uma comoção geral, mas não de emoção, de indignação dos homens:
– Poxa (não foi bem esta palavra a usada), você está estragando tudo, agora vou ter que comprar flor para mim mulher, tenha dó. Para de inventar moda!
Tenho a plena consciência que contribui para meu divórcio, 50% ele e 50% eu. Depois desta conversa, a certeza só aumentou.
O tal lance da receita do sucesso é tão óbvia, tão simples e nós não fazemos.
Amar dá trabalho, requer disciplina, mas se você conhecer estes dois e vir como um olha para o outro após 30 anos juntos, vai repensar o quanto vale a pena construir este castelo em concreto firme.

Não é impressionante? Casados a 24 anos e ainda existe amor.

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Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

5 Comentários
  1. A minha estória é tal qual da Teca/Fernando…
    Foram 35 anos de amor e paixão, a paixão não acabou não… td dia 29 ganhava 1 rosa!!!
    Hj estou c 70 anos e tenho crtza k estivesse ele vivo, o amor seria o mmooo…

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Casar ou não casar?

Dominique - Valentina

Não me casei
Não… Não me casei, e daí?
Geeente, credo. Que coisa.
Uma hora você vai entender que não casar é uma opção!!!!
Mesmo as pessoas que não dizem isso, optaram por não casar.
Consciente ou inconscientemente. E isso não é crime!!!
Tenho namorados. Relacionamentos. Mas não casamentos.

Não me olhe assim. Por favor.
Não tenha pena de mim.
O seu olhar incomoda. Tem gente que até se machuca com ele.
Eu não. Sabe por que?
Porque sou feliz. Acredite.
Escolhi um caminho diferente do seu.
E, ainda assim, sou feliz.

Se vou ficar uma velha solitária?
Não sei. Mas você sabe?
Você tem certeza que terá companhia daqui pra frente?
Marido não garante isso.

Aliás, deixa eu te falar…
Odeio ser chamada de solteirona.
Acho que vem carregado de juízo de valor e preconceito.
Ninguém fala que fulana é casadona. Ou viuvona.

Não sou muito afeita ao politicamente correto. Acho muito chato!! Quem me conhece sabe.
E este texto não é uma ode à mulher, às solteiras, às casadas… a nada disso.
É apenas um apelo aos sentimentos.
Porque muitas vezes somos magoadas e outros não percebem.
Ou magoamos sem a menor intenção.
Aliás, acho que ainda é mais difícil para o homem que não casou.
Ahhhhh….

Quem nunca?
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Caderninho de contabilidade do casamento

Sim. Ele existe.
Tem até cor.
É o caderninho preto de contabilidade.
Mas, apesar de pretinho, é invisível.

No meio da cama do casal, lá em cima na cabeceira, mora um caderninho invisível.
Com colunas imaginárias, onde dia a dia, vamos marcando nossos pontos a favor e contra.
Não faça esta cara de horror. É verdade.
Você só não se deu conta. Quer ver?

Vou dar um exemplo típico: final de ano, por exemplo!
Sempre rolam Muiiiitos happy hours, muitos encontros e jantares.
Nem todos com partner, certo?
Nesses dias, a Cara Metade tem festa da firrrrma (ou o hh dos amigos de faculdade).

Amiga, tenho certeza que você deu graças a Deus!!!!
Nessas você teve tempo de adiantar algumas compras e fazer pacotes.
Tomou um banho demorado.
Ficou no Facebook o tempo que quis.
Comeu um tostex em frente a TV com uma lata de coca light.
Não sujou nem copo!
Bom, quando bateu aquele soninho passou os creminhos e foi nanar gostoso.

Mas fez questão de apagar TODAS as luzes da casa.
Trancou a porta com duas voltas.
Não levou água para o quarto.
Percebeu a hora que maridão chegou.
Olhou de soslaio para o relógio e viu que passava pouca coisa da meia noite.

Nada sério, vai.
O outro ainda, na maior delicadeza, tentando não te acordar.
A hora que ele entra na cama, você faz questão de se mexer e resmungar.
Só pra marcar terreno. E volta a dormir o sono dos justos e dos felizes.

No dia seguinte, no café da manhã, você começa.
– Bom dia amor. Foi bom ontem né? Pela hora que você chegou…
– E eu aqui. Vendo reprise de novela da década de 80.
– Quem foi? Ahhh.. Ela também?

Vai dando alfinetadas sutis, ou não tem sutis assim.
Mas por quê???
Por que alfinetar se você adorou ter aquele tempo só pra você??

Ora, ora, amiguinha.
Aqui ninguém é boba.
Baita oportunidade de marcar um ponto no caderninho preto.
Ponto seu!!
Ele sabe disso!!

E esse ponto? Dá direito a que?
Sei lá, cada caso é um caso.  Vejamos :
– Jantar com aquele casal de amigos que ele detesta o marido? (sem bico, claro!)
– Um cineminha pra ver aquele filme que saímos inchadas de tanto chorar?

Você sabe quanto vale cada ponto no caderninho.
Ele também!! Tenha certeza!
A verdade é que se continuamos casadas depois de tantos anos é porque a contabilidade sempre fecha no final da semana.
Ahhh, sim.
A conta tem que ser semanal.
Nunca deixe acumular no mês.
Continhas pequenas são mais fáceis de zerar.

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

7 Comentários
  1. Caderno, às vezes não fazemos o fechamento, às vezes fecha fácil, não precisa contabilizar, muitas vezes chutamos em baixo da cama, enfim até o esquecemos ! Mas que existe, não temos como negar!

  2. Dia 02/07 completo 34 anos de casada. E sou muito feliz.
    Posso afirmar q não tenho nenhum comentário contábil.
    O q precisamos mesmo num relacionamento é confiança, conversas e respeitar o espaço de cada um.
    Não precisa deixar de fazer as coisas q gosta por causa do outro e ser diferente diante dos amigos deles ou seus.
    Tudo tem seu momento..

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