Tag: Diane Lane

Será o fim da guerra dos cosméticos contra a idade?

Dominique - Idade
O que você imagina quando escuta a palavra anti-idade? Eu penso em uma batalha de trincheira que se torna cada vez mais sangrenta com o passar dos anos. Falou anti, vem coisa ruim – antivírus, antidemocrático, antiterrorismo. Parece que o termo aciona uma resposta defensiva no inconsciente.

Espertamente, a medicina adotou a rodo o termo para dar a ideia de combate, como antigripal, anticoncepcional, anti-ansiolítico, antistress. Agora, me digam, desde quando idade é uma doença ou uma ameaça à saúde que precisa ser combatida? Pois é o tratamento que o envelhecimento recebeu da área médica e, pior, da indústria de cosméticos. Daí a demonizar o avançar da idade foi um pulo.

Comecei a prestar atenção no termo anti-aging ou anti-idade há uns 20 anos. Era a promessa divulgada nos anúncios dos cremes faciais turbinados. Quem não viu e ficou tentada?

Veiculados por marcas multinacionais em página dupla nas revistas femininas, tinham (e têm até hoje) fotos de modelos ou atrizes maravilhosas. Pele aveludada, textura uniforme, contornos firmes, photoshop de última geração… ops! O clima de sedução se completava com dados de pesquisa que conferiam um ar de ciência ao produto. No texto, se oferecia com a maior desfaçatez o “fim da passagem do tempo”.

O milagre prometido custava caro, coisa de mais de 100 dólares. Atualmente, tem creme de 500 dólares. A ideia era não apenas vender produtos para mulheres maduras, mas estabelecer o medo entre as mais novas para começar cedo a usá-los. O envelhecimento das mulheres foi declarado um inimigo mortal. Com isso, criou-se um segmento bilionário na indústria da beleza movido à ilusão.

Embora eu estivesse na faixa etária preferencial das marcas, sentia um mal estar quando lia aquilo. Hoje, finalmente, compreendi porque me ofendia com as propagandas. A revista americana Allure, uma das mais influentes no consumo de cosméticos no mundo, publicou este mês (agosto de 2017) uma espécie de manifesto anunciando que havia banido o termo anti-aging no seu espaço editorial.Dominique - Idade

A diretora da revista definiu com precisão a causa do meu desconforto. “Sabendo ou não, estamos sutilmente reforçando a mensagem de que o envelhecimento é uma condição contra a qual precisamos entrar em guerra.” Na capa, uma sensacional Helen Mirren, a atriz que menos têm se preocupado com o avançar da idade, deu o que falar na internet.

Em defesa de sua posição, a jornalista lembra que envelhecer é o fato mais inevitável da vida. Acontece a cada segundo e deveria ser um motivo de comemoração. Quantas pessoas perdem essa chance! “Envelhecer é maravilhoso porque significa que temos a chance de ter um novo dia para viver uma vida completa e feliz”. Por trás da decisão, ela diz, está o reconhecimento de que a beleza não é exclusividade dos jovens. Ufa! Demorou, hein!

Ela chama a atenção para o poder das palavras, pois interferem no entendimento das coisas. Para mostrar como o termo idade foi afetado negativamente, cita um fato que repetimos cotidianamente sem nos darmos conta de que tem uma carga ofensiva. Sabe aquele costume de encontrar alguém entre, digamos 40 e 60 anos, e não disfarçar o espanto diante da boa aparência? “Nossa, como você está bem pra sua idade!”. Ou se referir à uma figura pública: “Como ela está bonita pra uma mulher nessa idade”.

Quem ouve nunca sabe se recebe como um elogio ou uma crítica velada. Afinal, há um peso tão grande na questão da idade que desmerece a boa intenção. A diretora da Allure aconselha: “Diga simplesmente: como você está bem!”

O movimento da revista americana, na verdade, responde a uma crescente pressão de blogueiras, ativistas, mulheres famosas e autoridades para expurgar o preconceito sexista e as inverdades por trás do segmento anti-aging. Você já deve ter notado que algumas marcas adotaram outros termos para classificar seus produtos, como antissinais, rejuvenescedor, reparador, pro-age, age-defyng, age perfect, slow age.

Ok, são eufemismos, mas a lerda indústria da beleza começa a entender o recado. Como já disse Helen Mirren em entrevistas, “as mulheres não querem parecer mais jovens, querem parecer bem na idade em que estão”. Coisa parecida foi dita por Diane Lane (um espelho para Dominique).

Embora possa parecer hipócrita e meio atrasada, a atitude da Allure não é pouca coisa se tratando do reino das revistas femininas, no mundo e no Brasil. Há décadas, elas só costumam publicar imagens de it girls de até 20 anos para representar o universo feminino. (Como se o mercado fosse movido por garotas que compram cosméticos com a mesada recebida de papai e mamãe.)

A revista fecha seu manifesto com uma exortação: “Estamos convocando todos para essa transformação. Sabemos que não é fácil mudar conceitos e mercados da noite para o dia. Mas juntos podemos começar a mudar a conversa e celebrar a beleza em todas as idades.” Esperemos que o recado seja plenamente entendido pelo mercado editorial e pela indústria da beleza.

Anti-idade é a PQP!!!

Leia mais:

A vida está complicada? Então vamos falar de cabelo…
Os 12 passos das dicas de maquiagem da Valentina. Todos juntos.

Inês Godinho
Inês Godinho

Jornalista, brasileira, ciente das imperfeições e das maravilhas da vida. Contradições? Nada causa mais sofrimento do que um texto por começar e não há maior alegria que terminá-lo.

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Será Diane Lane um espelho para Dominique?

Dominique - Diane Lane

Sou fã da Diane Lane. Sabe a atriz americana que fez Infidelidade e Sob o Sol da Toscana? Vi o nome dela à frente do elenco de Paris Pode Esperar e fui atrás de uma sala de cinema. É um filme despretensioso, bom para ver em tarde de domingo, dar umas risadas e atiçar a gula com um festival de gastronomia francesa e locações deslumbrantes na Provença. Mas quero falar mesmo é da Diane.

No meio do filme, caiu a ficha – ela é uma Dominique, a atriz e a personagem. Na idade, na cabeça e no visual. Entendi porque gosto do estilo dela. É simples e chique, desencanada e elegante, sem caras e boca. A beleza não se sobressai sobre a impressão de ser inteligente e sensível.

Passa a ideia de uma mulher real, tão rara em Hollywood. Mesmo sendo uma veterana das telas – começou adolescente – parece que desabrochou nos últimos 15 anos, ficou muito mais interessante. Com todas as ressalvas, me senti representada por ela.

Aos 52 anos, está solteira, segundo as colunas de celebridades. Discreta, não parece se vangloriar da vida amorosa. Detalhe – foi casada com Cristopher Lambert (com quem teve uma filha) e Josh Brolin. Namorou Jon Bon Jovi e, olha só, Richard Gere. A química especial com Gere rendeu três filmes.

Nos filmes, seus papéis costumam retratar uma mulher com expectativas e dilemas como qualquer de nós. Uma pessoa normal colocada em situações extremas, como em Infidelidade, ou no ponto para dar grandes viradas na vida, como em Sob o Sol da Toscana. Uma Dominique.

Geralmente, interpreta uma mulher casada, que trabalha, com filhos e insatisfeita com o momento atual do casamento e com o rumo da vida (vamos descontar que ela faz a atual mãe do Superman). Nada de mulher fatal, alpinista social ou executiva hiper ambiciosa, os estereótipos que os filmes americanos adoram grudar em suas estrelas.

No entanto, o que mais me chamou a atenção em Paris Pode Esperar é a coerência entre o estilo e a persona que Diane transmite há tempos. Guarda-roupa e maquiagem expressam isso – chique e despojada. Vale por uma assessoria de fashion style para quem gosta desse jeito de se vestir. Dá vontade de imprimir e levar para um banho de loja. O terninho de cor gelo com camisa de musseline branca segura quase metade do filme com a maior classe. Tem jeito de ser Armani.

Clássico estiloso
Se pesquisar as aparições da Diane na internet, a gente vai entender que não se trata de figurino de filme, mas do estilo da atriz. Parece que o Pinterest já captou sua figura inspiradora. Está certo que ela tem a vantagem de ser magra e parece que nunca passou desse peso.

Tentei adivinhar o que caracteriza a elegância perene da moça. Olha só:

  • Roupas – ajustadas (e não justas) e com tecidos molinhos e de bom caimento;
  • Cabelo – atemporal, sempre da mesma cor, com variações do mesmo corte, às vezes preso displicentemente;
  • Unhas – curtas e pintadas com base natural;
  • Jóias e bijoux – poucas, pequenas e sempre prateadas. Uma marca é uma corrente curta com uma pequena pedra (um diamante?);
  • Maquiagem – clean, como os batons cor de boca;
  • Cores – básicas como cinza, branco, preto, marinho, areia; e vermelho para a noite. Podem parecer careta, mas funcionam nela;
  • Acessórios – cintos para marcar a cintura delgada. Em especial, os fininhos. Bolsa grande em tom de areia;
  • Interferências estéticas – os frequentes closes do filme não mostram grandes mexidas no rosto. Aliás, ela tem uma sobrancelha mais alta que a outra, um sinal dos tempos.

A arte de envelhecer
Em uma entrevista para a revista americana More, em 2016, Diane Lane fez um balanço de sua vida que repercutiu em todo o mundo como uma visão sobre o envelhecimento feminino. Demonstrou estar confortável com o corpo e a idade. A reflexão ecoou em Hollywood, a terra da negação da idade.

A atriz procura não se impressionar com o número 50, em um negócio dominado pelos números. “Minha relação com a idade é tranquila”, ela disse. “Não tento parecer ter 29 anos, nem fazer de conta que minhas articulações estão inteiras. Um dia me sinto gorda, em outro, meus cabelos estão ótimos. Sou vulnerável como todo mundo. É a condição humana.”

Depois de uma vida amorosa e conjugal intensa, Diane parece curtir o momento solo. “Toda a sala da minha casa ficou só para mim”, ela brinca. “Tenho viajado como nunca fiz porque agora eu posso”. Vamos ver como Diane vai levar a passagem do tempo.

Inês Godinho
Inês Godinho

Jornalista, brasileira, ciente das imperfeições e das maravilhas da vida. Contradições? Nada causa mais sofrimento do que um texto por começar e não há maior alegria que terminá-lo.

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