Será Diane Lane um espelho para Dominique?

Dominique - Diane Lane

Sou fã da Diane Lane. Sabe a atriz americana que fez Infidelidade e Sob o Sol da Toscana? Vi o nome dela à frente do elenco de Paris Pode Esperar e fui atrás de uma sala de cinema. É um filme despretensioso, bom para ver em tarde de domingo, dar umas risadas e atiçar a gula com um festival de gastronomia francesa e locações deslumbrantes na Provença. Mas quero falar mesmo é da Diane.

No meio do filme, caiu a ficha – ela é uma Dominique, a atriz e a personagem. Na idade, na cabeça e no visual. Entendi porque gosto do estilo dela. É simples e chique, desencanada e elegante, sem caras e boca. A beleza não se sobressai sobre a impressão de ser inteligente e sensível.

Passa a ideia de uma mulher real, tão rara em Hollywood. Mesmo sendo uma veterana das telas – começou adolescente – parece que desabrochou nos últimos 15 anos, ficou muito mais interessante. Com todas as ressalvas, me senti representada por ela.

Aos 52 anos, está solteira, segundo as colunas de celebridades. Discreta, não parece se vangloriar da vida amorosa. Detalhe – foi casada com Cristopher Lambert (com quem teve uma filha) e Josh Brolin. Namorou Jon Bon Jovi e, olha só, Richard Gere. A química especial com Gere rendeu três filmes.

Nos filmes, seus papéis costumam retratar uma mulher com expectativas e dilemas como qualquer de nós. Uma pessoa normal colocada em situações extremas, como em Infidelidade, ou no ponto para dar grandes viradas na vida, como em Sob o Sol da Toscana. Uma Dominique.

Geralmente, interpreta uma mulher casada, que trabalha, com filhos e insatisfeita com o momento atual do casamento e com o rumo da vida (vamos descontar que ela faz a atual mãe do Superman). Nada de mulher fatal, alpinista social ou executiva hiper ambiciosa, os estereótipos que os filmes americanos adoram grudar em suas estrelas.

No entanto, o que mais me chamou a atenção em Paris Pode Esperar é a coerência entre o estilo e a persona que Diane transmite há tempos. Guarda-roupa e maquiagem expressam isso – chique e despojada. Vale por uma assessoria de fashion style para quem gosta desse jeito de se vestir. Dá vontade de imprimir e levar para um banho de loja. O terninho de cor gelo com camisa de musseline branca segura quase metade do filme com a maior classe. Tem jeito de ser Armani.

Clássico estiloso
Se pesquisar as aparições da Diane na internet, a gente vai entender que não se trata de figurino de filme, mas do estilo da atriz. Parece que o Pinterest já captou sua figura inspiradora. Está certo que ela tem a vantagem de ser magra e parece que nunca passou desse peso.

Tentei adivinhar o que caracteriza a elegância perene da moça. Olha só:

  • Roupas – ajustadas (e não justas) e com tecidos molinhos e de bom caimento;
  • Cabelo – atemporal, sempre da mesma cor, com variações do mesmo corte, às vezes preso displicentemente;
  • Unhas – curtas e pintadas com base natural;
  • Jóias e bijoux – poucas, pequenas e sempre prateadas. Uma marca é uma corrente curta com uma pequena pedra (um diamante?);
  • Maquiagem – clean, como os batons cor de boca;
  • Cores – básicas como cinza, branco, preto, marinho, areia; e vermelho para a noite. Podem parecer careta, mas funcionam nela;
  • Acessórios – cintos para marcar a cintura delgada. Em especial, os fininhos. Bolsa grande em tom de areia;
  • Interferências estéticas – os frequentes closes do filme não mostram grandes mexidas no rosto. Aliás, ela tem uma sobrancelha mais alta que a outra, um sinal dos tempos.

A arte de envelhecer
Em uma entrevista para a revista americana More, em 2016, Diane Lane fez um balanço de sua vida que repercutiu em todo o mundo como uma visão sobre o envelhecimento feminino. Demonstrou estar confortável com o corpo e a idade. A reflexão ecoou em Hollywood, a terra da negação da idade.

A atriz procura não se impressionar com o número 50, em um negócio dominado pelos números. “Minha relação com a idade é tranquila”, ela disse. “Não tento parecer ter 29 anos, nem fazer de conta que minhas articulações estão inteiras. Um dia me sinto gorda, em outro, meus cabelos estão ótimos. Sou vulnerável como todo mundo. É a condição humana.”

Depois de uma vida amorosa e conjugal intensa, Diane parece curtir o momento solo. “Toda a sala da minha casa ficou só para mim”, ela brinca. “Tenho viajado como nunca fiz porque agora eu posso”. Vamos ver como Diane vai levar a passagem do tempo.

Inês Godinho
Inês Godinho

Jornalista, brasileira, ciente das imperfeições e das maravilhas da vida. Contradições? Nada causa mais sofrimento do que um texto por começar e não há maior alegria que terminá-lo.

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