Tag: Mamografia

O dia em que o laboratório me chamou para refazer a mamografia

Outubro-Rosa-Dominique

Todo ano vou ao laboratório e faço aquela bateria de exames para verificar se está tudo bem com a minha saúde.

Cheguei a uma conclusão:  há vários tipos de pessoas quando o assunto é check-up:

  1.  As que se preocupam muito e de maneira exagerada e que 5 minutos depois de colherem sangue, já começam a entrar no site do laboratório para acompanhar o resultado em tempo real.
  2.  Os normais, que não gostam muito de fazer check-up, mas fazem por desencargo de consciência. Só que na hora H dão uma encanadinha com a demora do laboratório em soltar o resultado. Este tipo de gente, reclama de tudo. Da demora, do preço (mesmo que o convênio pague), do lanche, etc.
  3. . Os devotos do “quem procura acha”. Estes não fazem exames para não achar nada.
  4.  E eu. É, eu sou um tipo estranho porque sempre, absolutamente sempre, acho que não tenho nada. Mas claro, como não sou irresponsável e para não ouvir amolação, faço meus exames. Acho um exagero fazer aquela montanha de exames que eu SEI, com a certeza dos sábios, que nunca vai dar nada. Minha única esperança é que achem alguma coisa que justifique o meu sobre peso.
    Não não meninas! Isso nunca aconteceu! Nada justifica meus quilos a mais!! 

Mas voltando a minha prepotência de achar que nunca vão achar nada…
Tenho muitas explicações para isso: desde pessoas muito dramáticas ao meu redor a vida toda, até pessoas muito próximas com doenças sérias de verdade. Então, dramalhão além de me incomodar, me envergonha.

E aí, com 53 anos, faço anualmente a tal mamografia.
Sem drama. Não tenho o menor problema com ela. Não sinto dor, não me constranjo, não sinto nada. Pra mim, é menos sofrido do que ir para a esteira. Ahhh, isso sim é penoso.

Só não vejo a hora de ir embora e fazer minhas coisas que estão sempre atrasadas.
– Pronto? Acabou? Oba!!!

Peço que entreguem os exames diretamente para  meu  médico e esqueço deles até o dia em que ele  ligará para ÓBVIO, dizer que: – Está tudo ótimo Dominique, Parabéns!
Afff, como se eu não soubesse.

Só que um dia, meu telefone começa a tocar insistentemente durante uma reunião. Número desconhecido.
Apesar de estar no silencioso vi o bicho vibrando e acendendo. Na quinta vez, minha curiosidade me dominou e saí para atender.
Era do laboratório:
– Dona Dominique, por favor, é necessário que volte para refazer algumas imagens de sua mamografia.
– Por que?
– É que temos um achado. Provavelmente nada, mas precisamos refazer a imagem, Dona Dominique
– Gente, de novo??? Isso não é nada. É minha displasia. Não é na mama direita, em cima?
– Não. É na mama esquerda bem embaixo.
– Isso, isso aí mesmo! É minha displasia.
– Por favor, volte ao laboratório para refazermos sua mamografia.
– Ôh minha filha, estou tão ocupada. Se você soubesse… Precisa mesmo? Semana que vem, que dia?
– Não senhora. É preciso que seja hoje ou amanhã.
– Afff, Ok! Vou amanhã.

No dia seguinte fui e refiz as tais imagens da minha mamografia emburrada e apressada.

Não deu 1 hora e toca o celular:
– Dominique querida, é o Doutor Mauro. Dá um pulinho no meu consultório. Quando? Agora, minha linda. E traz alguém com você, tá?

Ihhh… Pensei com meus botões, dessa vez vai dar trabalho. Achei que já estava na hora de começar a me preocupar. Na verdade, acho que neste momento, me dei o direito de me preocupar.

Daí pra frente, vou poupar você, minha querida amiga, da via crucis que é até o dia da cirurgia.
E não, apesar do nome Carcinoma lobular in situ, não era câncer.
Carcinoma! Meu, puta susto que você leva quando falam o diagnóstico.
Tanto que mudaram o nome para Neoplasia Lobular. Mas naquela época ainda era aquele nome.

Gente, assusta. Assusta todo mundo. Dá medo. Dá muito medo.
A quem eu estou querendo enganar dizendo que nesta hora não fiquei pensando em um milhão de coisas?
Minhas defesas são claras, tentando sempre minimizar o fato para ver se ele desaparece.
Desta vez não foi possível. Não desapareceu.

Este diagnóstico necessitou uma cirurgia.Eu não queria que a família soubesse. Não queria comoção, principalmente porque o médico me afirmou 10 vezes que era muito simples e pequeno. Não necessitaria nem de tratamento posterior.
Com todos estes argumentos do médico, insisti mais uma vez se era mesmo necessário uma cirurgia.
Foi aí que ele falou. Falou talvez aquilo que eu não queria ouvir:
-Simples não quer dizer que não há risco, Dominique. O seu risco é 8 vezes maior do que qualquer outra mulher de desenvolver algo muito pior. E isto tem que ser tirado imediatamente.

E foi nesta hora também, sozinha com ele, e muito séria que perguntei:
– Doutor, alguma chance de eu sair da cirurgia sem minhas mamas?
– Infelizmente, sim. As chances são pequenas, mas elas existem. E você terá que resolver agora que caso isso seja necessário, eu posso fazer na hora ou se fechamos e resolvemos o que fazer depois. Esta aqui o termo para que você assinale sua decisão e assine.
Eu resolvi. Naquele momento. E assinei. Mas não consigo me lembrar qual foi minha opção. Juro. Não lembro.

Marcada a data, voltei a minha antiga postura de defesa, chamando o médico de exagerado para quem quisesse ouvir. Tentei com todas as minhas forças acreditar de verdade num possível erro ou numa superproteção e cautela.

E chega o dia! Sou internada e me dão aquele remedinho para chegar grogue no centro cirúrgico. Genteeee, Eu já sou um perigo acordada, mas chapada sou dinamite.

Bom… A última coisa que lembro, já bem grogue, foi de perguntar para uma médica que estava no centro cirúrgico.
– Ahhh, você é a Doutora Mila? Esposa do Doutor Mauro que o assiste nas cirurgias?
– Sim Dominique, sou eu.
– Você pode tirar a máscara para que eu veja seu rosto?
– Posso sim, mas por quê?
E enquanto ela tirava a máscara, eu me lembro de cochichar:
– É que me disseram que você é super bonita e eu queria conferir…
Até hoje, não lembro da cara dela, nunca mais a vi, e não sei se falei algo mais ou se tive uma reação positiva ou negativa.
Olha a loucura que eu fiz com meu peito na mão desta mulher!!!

Acordei da anestesia com um médico sorridente ao meu lado. Na hora percebi que tinha corrido tudo bem.

Continuo fazendo tipo para a torcida dizendo que acho tudo um exagero, mas já sem aquela veemência e agora, sempre num tom muito mais jocoso e coquete, não mais revoltado.

E de verdade, sei que tive muita sorte, muiiiita sorte. Toda noite agradeço a Doutora Patrícia Ohara do laboratório Fleury, que com um CRM de 6 dígitos (ou seja, uma médica bem jovem), encontrou, segundo o Doutor Mauro, o que poderia ter passado desapercebido para a maioria dos olhos mais bem treinados.
E a Doutora Mila, que deve ser uma mulher linda porque meu peito ficou bem bonitinho.

Meninas, não se esqueçam: Prevenção, sempre!!! Mamografia todo ano.

Leia mais:

Ahhh, e quando você tem seu primeiro fogacho? 

Você acha que a menopausa tem lado bom? Tem sim!

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Hoje é um dia em que me ligaram para refazer a mamografia. Faço desde os 29 anos e agora aos 49 me ligaram porquestra algumas imagens não estão claras. Lá vamos nós! Encontrei se texto buscando pessoas com que tivessem recebido uma ligação assim. Adorei a Dominique .

  2. Tenho mamas densas, minha ultrasson não detectou nenhuma anormalidade,,ao mesmo tempo fiz mamografia e mandaram repetir. Tenho 48 anos.Preciso refazer a mamografia mesmo tendo feito a ultrasson antes e não ter nada demais?

    1. Querida, espero que tenha resolvido sua questão. Mas eu não tenho como te aconselhar em relação a isso. Posso apenas te dar colo. Quem tem propriedade é sempre o médico.

      Beijocas

  3. Não tem como, deixar de aplaudir a Dominique. A história do Asilo, é hilariante. Aprende-se muito com Dominique, inclusive, deixar os medos, e enfrentar a realidade, seja ela qual for, mas com alegria e determinação.

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Tortura masculina – a vingança de quem faz mamografia


Antes de começar a discorrer sobre minha indignação, quero deixar mais que claro que devemos agradecer todo santo dia a existência da mamografia.

Amigas e parentes, estão todas firmes e fortes, justamente porque se submeteram ao exame e detectaram a tempo a existência de qualquer anormalidade. Eu faço sagradamente há 11 anos.

Feito isso, posso dar vazão ao meu desabafo.

Hei de descobrir um dos maiores mistérios no quesito saúde feminina.

Por que ainda não inventaram um método menos doloroso para a realização da mamografia? O povo ainda tem a coragem de classificá-lo como não invasivo.

Ainda que tenha várias amigas que quase não sentem nada, para mim é uma tortura, sou extremamente sensível a dor.

A medicina é tão avançada. Doenças são descobertas prematuramente através de exames supersofisticados. O Pet Scan faz um mapa minucioso do corpo inteiro identificando qualquer microimagem. Jesus, como até agora nada substitui a mamografia? Aí tem.

Confesso que sou desleixada, só corro atrás de um médico quando a água bate no nariz. A única coisa que não abro mão é ir ao ginecologista todo mês de fevereiro e fazer os exames de controle. Ele é quem me faz lembrar que o Carnaval está chegando. Muito mais do que as intermináveis chamadas da Globeleza.

Sofro por antecipação. Pesadelos com 3 meses de antecedência. Risco as datas do calendário como se estivesse na cela de uma prisão contando os dias para minha liberdade, neste caso ao contrário, quanto falta para minha agonia.

Entra ano e sai ano é o mesmo drama. Já fiz em todos os laboratórios possíveis e imagináveis, numa busca implacável por um lugar que seja menos traumático para fazer o raio do exame. Ainda não encontrei. Provavelmente o problema seja euzinha e minha sensibilidade à flor da pele.

Sam Shapiro, Strax Philip e Venet Louis criaram a mamografia em 1966. Há 45 anos, vem se comprazendo com a tortura feminina. Tinha certeza que eram homens. Os mais sádicos da espécie. Devem ter sido abandonados por Dominiques e, como vingança, definiram que a partir dos 40 temos que sofrer.

Uma outra possibilidade que não deve ser descartada é uma revolta insaciável gerada após o exame de próstata. Quiseram dar o troco. Injustamente, o exame de toque dura três segundos, não dói nadica e, portanto, nem chega perto do sofrimento mamário.

Nesta encarnação não será possível, mas na próxima serei pesquisadora, médica, cientista ou seja lá o que for. Inventarei com requintes de detalhes o exame mais fiel para detectar câncer de próstata – a Sacografia. O indivíduo também terá que fazer uma vez ao ano. Garanto que a cada 12 meses será uma experiência memorável.

O mocinho chegará ao laboratório e terá que colocar o dito cujo num equipamento diabólico em formato do salto Luiz XV. O treco vai baixando no seu membro até esmagá-lo completamente. Quando estiver com a espessura de uma folha de papel sulfite, após 30 segundos, a enfermeira fala secamente:

– Pare de respirar.

Ele grita:

– Como? Eu não estou respirando há uma eternidade, minha filha.

Ela diz já sem paciência alguma:

– Só mais um pouco.

O saltinho básico Luiz XV é comprimido mais um pouco e o bonitinho já está fino como um fio de cabelo.

Ufa, chegou ao fim. Que nada. A enfermeira retorna ao recinto com os olhos vibrando de emoção:

– Ainda não ficou bom. Vamos repetir algumas imagens.

Agora coloca um salto plataforma em cima do ser já encolhido de tanto pavor e aperta mais um pouquinho.

A vingança será maligna!

Fiz mais de 11 mamografias na vida. Conto todas, experiências únicas. Hoje foi diferente, a enfermeira foi gentil, conversou sobre os assuntos mais diversos e sua simpatia transformou o sofrimento angustiante em algo mais suportável. Prefiro assim, dor com gentileza.

Não se esqueça: mamografia é um bem necessário à sua saúde!

Leia mais:

Faça 15 minutos de meditação diária e sinta os resultados
Fazer crochê (ou tricô) é medicina preventiva!

Marot Gandolfi
Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

5 Comentários
  1. Kkkkkk, adorei o bife tb! Muito boa! Mas o fato é que as estatísticas nos convencem… a mamografia realizada anualmente vem despencando o índice do câncer da mama em aproximados 35% a cada ano e progressivamente. Esse número supera qq aperto Dominiques queridas!!

  2. reclamei com o meu mastologista que doia muito. ele fez a mesma pergunta : doi tanto assim ? tive vontade de mandar ele experimentar com a rola !

  3. Faço há b m mais tempo que vc…mas sou desencanada. Já que tem que ser, que seja! Me preparo psicologicamente e mando ver! Passa né ?!
    Mas a única vez que meu marido perguntou “mas dói tanto assim?” Fiquei p… e falei para ele: imagina alguém pegar seu saco e apertar até ele virar um bife…pronto, e o tanto que dói!

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