Odeio germes com pretensões a vírus.

Foi um relacionamento que não tinha como acabar bem.

Inesperadamente, tudo começou na quinta-feira em que me preparava para um final de semana cheio de atividades, mas que começaram e acabaram com modorrentas maratonas no Netflix.

O motivo inicial dessas maratonas foi uma súbita queda. Não, eu não me esborrachei pateticamente no chão. O que caiu porém, foi minha resistência e foi em queda livre.

E naquela madrugada de quarta para quinta-feira finalmente ela, a resistência, alcançou seu limite ao esbarrar num Vírus

Esse sim, super-herói, pois venceu vacinas e descongestionantes chegando ao topo do pódio e derrubando essa que vos fala. Em princípio, eu resisti, tentando esquivar dos duros golpes desferidos pelo Vírus.

Reuni todas as minhas forças e fui ao Pilates. A pé. No entanto, ele é tinhoso e esperto e sabia que mal eu chegasse, já me faltaria o fôlego. 

Guerreira que sou, encarei os alongamentos e torções controladas por elásticos. Mas as minhas pernas foram as primeiras a sucumbir aos encantos do Vírus e bambearam. 

Ahhh, usei de minha astúcia e sagacidade a fim de dribla-lo. Bastava que eu me deitasse em um daqueles aparelhos e solicitasse a aula na horizontal. 
Pronto. Resolvida minha batalha particular com esse intruso. 

Entretanto não, o vírus era um canalha e me fez suar frio, empalidecendo com gotículas frias  all over. 

Um GERME esse vírus, viu? 

Voltei para casa desolada e exausta percebendo a derrota daquela batalha, 
imaginando que a luta ainda não estava perdida, pois um antitérmico estava a caminho para reforçar nossa equipe. 

Que nada. Perdi a batalha, a guerra, os territórios e a dignidade. Fui para cama e lá fiquei completamente invadida pelo inimigo.

Depois de passado o choque da luta perdida, resolvi me render definitivamente. O maior sinal dessa rendição foi o cochilo que tirei ainda pela manhã, enquanto o coquetel de remédios fazia seu trabalho. 

Já como uma resignada prisioneira segui as normas da situação: Netflix e cama. Resolvi obedecer as regras à risca porque assim teria a chance de me libertar mais cedo. Precisava muito, porque a Luciana, minha amiga de outras batalhas, chegaria no sábado para uma rápida intervenção em São Paulo. 

Dá-se início a minha primeira maratona. A série inglesa After LifeBom aquecimento, porém meu estado de exaustão causado pelas batalhas já descritas prejudicaram meu tempo. Levei um dia inteiro para assistir 6 míseros episódios de 22 minutos cada. 

Noite do cão e aquela sensação de que a situação nunca acabará. A certeza de que ficarei com o nariz entupido pro resto da vida. Na manhã seguinte, sem notar melhoras, arrasto-me pela casa como se carregasse grilhões.

Liliiii lembre-se que a Lu está chegando. Comporte-se!!

Isso posto, vamos a outra série indicada, só que desta vez na HBO – Years and YearsJá me sinto um pouco melhor só de saber que no dia seguinte teria direito a famosa saidinha

Sábado chegou junto com meu susto ao olhar o espelho. Aqueles dias de cativeiro me abateram. Olheiras profundas. Fazer o quê? Uma escova e uma base teriam que resolver. Ahhh, e sempre temos os indefectíveis óculos escuros, né?

Bem, sem lamentações e vamos pra fexxxtaaa…

Que gostoso colocar a conversa em dia e saber as novidades. É impressionante como a Luciana SEMPRE tem novidades eletrizantes. 

Demos um belíssimo de um rolê e acabamos o passeio num restaurante modernoso e bacanudo.

Lá ficamos sem notar o tempo passar. Já devia ser quase 1h da matina quando dei por mim que o toque de recolher já tinha sido tocado há tempos e eu continuava lá, longe de minha cama, longe de meus antitérmicos.

Não deu outra. Meu vírus enfurecido veio cobrar minha saidinha abusada e os 3 Gin Tônicas que tomei achando que poderiam ser bactericidas. Minha cabeça pesava e rodava.

Lúcida que sou mesmo quando doente e bebinha, deixei o carro por ali e peguei um Uber para voltar para casa. De fato, noite lotada de Blitz. 

Ahhh como fui esperta….

Você acha que eu daria esse mole ao meu hóspede. Imagine a festa que o vírus faria com aquele sereno todo que eu pegaria do lado de fora do carro tentando convencer o guarda que tinha sido só um bombom de licor. Posso ser teimosa, mas não sou burra.

Chego em casa já tarde, aceitando as punições decorrentes de meu abuso, jurando não mais sair do meu quarto até 2025.

Exageros à parte, passei o domingo inteirinho assistindo a duas outras séries e a vida seguiu.

Ahh, e o meu carrasco? Pensa que ele esqueceu de mim? Nananinanão. Fez-se presente todas a noites daquela semana em forma de uma irritante tosse.

Odeio germes com pretensões a vírus. Como todos os wannabe que conheço, eles são vingativos.

Leia também : Estaleiro

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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