Um pai, uma filha e uma lição

Dominique - Meu Pai

Tem coisas que marcam as nossas vidas.
Forjam nossa personalidade a ferro e a fogo.
Educam.
E nos tornam pessoas de verdade.
E nem sempre estas coisas são boas.
Nem sempre estas coisas são ruins.

Se você pudesse definir seu pai em uma única palavra, qual seria?
– carinho?
– inventivo?
– trabalho?
– presente?
– persistência?
– amor?
O meu eu acho que o definiria com:
Retidão!

Quer exemplos?
Vamos lá.

Entrei para a escola relativamente tarde para os padrões atuais.
No meu primeiro dia de escola eu já tinha completado 5 anos.
5 anos!!! Uma senhouraaa…
Isso deve ter sido em 1969. Jardim da infância. Tia Sandra.
Estojo. Lancheirinha. Uniforme. Mundo novo.
Minha maior lembrança deste meu primeiro ano?
Meu pai, excepcionalmente me levando para a escola. (Ele nunca o fez).
Caminhando com passos largos, decididos e muito firmes.
Segurava a minha mão. Na verdade, quase me arrastava.
Na outra, empunhava um lápis.
O braço esticado com o lápis em punho como se este fosse o cartão vermelho em dia de Fla-Flu.

Eu já sabia o que aconteceria. Mesmo com minha pouquíssima idade, sabia que teria um dia para nunca ser esquecido.

Chegamos a minha classe, onde todos os meus amiguinhos já estavam sentadinhos com perninhas de índio.
Tia Sandra olhou aquele homem de 1m95, trazendo uma criança com cara de desespero em uma mão e um lápis que triunfava em glória na outra.
Você tem ideia de quão grande este homem era? E quão enorme ele parecia diante de 20 crianças de 5 anos de idade?
Bom…
A professora olhou com um misto de curiosidade e receio para aquele jovem senhor.
Tentou me pegar pela mão, mas ele não deixou que ela me levasse.
Empunhando o lápis trovejou!
– Eu gostaria de saber de quem é este lápis. A Dominique pegou de alguém, mas não lhe pertence. Estamos aqui para devolvê-lo e para pedir desculpas.

Genteeeee…
Vocês podem imaginar?
Quase morri.
Talvez tenha sido uma atitude exagerada. Não sei.
Mas sei que foi o jeito de ele educar.
Sei também que ele nunca mais fez nada parecido.
Nem comigo, nem com os meus irmãos.
Talvez ele tenha se arrependido do exagero. Ou da forma. Ou não.
Mas estávamos aprendendo.
Ele e eu. Ele a ser pai. E eu a ser gente.

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Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

2 Comentários
  1. Que maneira tosca de dizer a importância dá honestidade,mas valeu!
    Tenha orgulho do seu pai!!!!
    Hoje é tudo distorcidos.

    1. Ola Maria do Socorro,
      Tenho o maior orgulho do meu pai!!!
      Era um homem de valores e de uma retidao sem tamanho.
      E me pergunte se nao aprendi a licao??

      Beijocas!!

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