Tag: Educação

Ser pai e mãe

Dominique - Ser Pai e Mãe

Ser mãe e pai ao mesmo tempo não é tarefa fácil.
Pensando bem, acho até que é impossível.
Por mais que eu tenha tentado não sei se consegui.
Se eu tentava ser pai, virava uma mãe extremamente autoritária.
Se tentava ser apenas mãe, virava aquela figura superprotetora.
Olhando para trás hoje eu percebo como transitei entre estes dois extremos.
Sempre tentando acertar, obviamente.

– “Mãe, eu posso ir no festival x?”
Meus pensamentos…
⁃ Vai ter muita droga nesse lugar…
⁃ Mas se não for vai acabar virando um bobão, um ET…
⁃ E se for e acontecer alguma coisa? Nunca vou me perdoar…
⁃ Melhor deixar e colocar no colo de Nossa Senhora…
⁃ Não, não vai e pronto! É muito arriscado.
– Pode acontecer algo muito grave… mas o que?
⁃ Afinal, tenho de confiar na educação que eu dei.

E isso acontece todos os dias na minha vida… com cada um dos meus quatro filhos… pra vários pedidos diferentes….
SOCORRO!!!!!!
O medo de errar já é inerente a todas as mães.
Mas assumir sozinha toda a responsabilidade sobre aquele ser que você ama mais que a você mesma é surreal.
Pesado demais, exaustivo.
E aquela esponjinha de culpa que vem acoplada ao útero????
Parece que tudo o que acontece de ruim é culpa minha e tudo o que acontece de bom é mérito deles…
Mas, pensando bem, quem afinal formou esses adultos tão maravilhosos?
Euzinha!!!!!!
O que isso significa???
Significa que eu sou ESPETACULAR!!!!
Hahaha!!!

Maria Leite Ribeiro

SOU MARIA MONTEIRO LEITE RIBEIRO E TENHO 49 ANOS. APESAR DE TER NASCIDO “EM BERÇO DE OURO”, COMECEI A TRABALHAR COMO BABY SITTER AOS 15 ANOS. AJUDAVA DIARIAMENTE UMA AMIGA DA MINHA IRMÃ NAQUELA HORA CRÍTICA PARA TODAS AS MÃES: BANHO, JANTAR E HISTORINHAS PARA RELAXAR. FOI AÍ QUE DESCOBRI A MINHA VOCAÇÃO: SER MÃE. ESTAGIEI EM ALGUMAS ESCOLAS E ME FORMEI EM MAGISTÉRIO NO COLÉGIO SION. EU ME CASEI MUITO CEDO, COM 18 ANOS, E AOS 21 JÁ ERA MÃE DE 3 MENINOS (LOUCURA, LOUCURA, LOUCURA!). QUANDO TINHA 27 ANOS, EU ENGRAVIDEI DA MINHA CAÇULA. SIM, SIM… QUATRO FILHOS!!!!! E, SIM, TODOS DO MESMO MARIDO!!!! FIQUEI CASADA POR 14 ANOS E, AOS 32 ANOS, EU ME DIVORCIEI. DESDE ENTÃO SOU MÃE E PAI, ENFERMEIRA, DONA DE CASA, PROVEDORA, MOTORISTA, EDUCADORA, PSICÓLOGA, CONSELHEIRA, CHATA, CARETA (ÀS VEZES) E SEMPRE MALUCA. O PESO DA RESPONSABILIDADE DE CRIAR ABSOLUTAMENTE SOZINHA ESSES 4 SERES HUMANOS FOI E AINDA É BEMMMM PESADO. MAS QUER SABER? EU NASCI PARA ISSO. NÃO IMAGINO MINHA VIDA SEM ESSES CHATOS MARAVILHOSOS QUE ME PERTURBAM TANTO E QUE ME ENCHEM DE ORGULHO.

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Um pai, uma filha e uma lição

Dominique - Meu Pai

Tem coisas que marcam as nossas vidas.
Forjam nossa personalidade a ferro e a fogo.
Educam.
E nos tornam pessoas de verdade.
E nem sempre estas coisas são boas.
Nem sempre estas coisas são ruins.

Se você pudesse definir seu pai em uma única palavra, qual seria?
– carinho?
– inventivo?
– trabalho?
– presente?
– persistência?
– amor?
O meu eu acho que o definiria com:
Retidão!

Quer exemplos?
Vamos lá.

Entrei para a escola relativamente tarde para os padrões atuais.
No meu primeiro dia de escola eu já tinha completado 5 anos.
5 anos!!! Uma senhouraaa…
Isso deve ter sido em 1969. Jardim da infância. Tia Sandra.
Estojo. Lancheirinha. Uniforme. Mundo novo.
Minha maior lembrança deste meu primeiro ano?
Meu pai, excepcionalmente me levando para a escola. (Ele nunca o fez).
Caminhando com passos largos, decididos e muito firmes.
Segurava a minha mão. Na verdade, quase me arrastava.
Na outra, empunhava um lápis.
O braço esticado com o lápis em punho como se este fosse o cartão vermelho em dia de Fla-Flu.

Eu já sabia o que aconteceria. Mesmo com minha pouquíssima idade, sabia que teria um dia para nunca ser esquecido.

Chegamos a minha classe, onde todos os meus amiguinhos já estavam sentadinhos com perninhas de índio.
Tia Sandra olhou aquele homem de 1m95, trazendo uma criança com cara de desespero em uma mão e um lápis que triunfava em glória na outra.
Você tem ideia de quão grande este homem era? E quão enorme ele parecia diante de 20 crianças de 5 anos de idade?
Bom…
A professora olhou com um misto de curiosidade e receio para aquele jovem senhor.
Tentou me pegar pela mão, mas ele não deixou que ela me levasse.
Empunhando o lápis trovejou!
– Eu gostaria de saber de quem é este lápis. A Dominique pegou de alguém, mas não lhe pertence. Estamos aqui para devolvê-lo e para pedir desculpas.

Genteeeee…
Vocês podem imaginar?
Quase morri.
Talvez tenha sido uma atitude exagerada. Não sei.
Mas sei que foi o jeito de ele educar.
Sei também que ele nunca mais fez nada parecido.
Nem comigo, nem com os meus irmãos.
Talvez ele tenha se arrependido do exagero. Ou da forma. Ou não.
Mas estávamos aprendendo.
Ele e eu. Ele a ser pai. E eu a ser gente.

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A Casinha do armário

1º de Abril

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

2 Comentários
  1. Que maneira tosca de dizer a importância dá honestidade,mas valeu!
    Tenha orgulho do seu pai!!!!
    Hoje é tudo distorcidos.

    1. Ola Maria do Socorro,
      Tenho o maior orgulho do meu pai!!!
      Era um homem de valores e de uma retidao sem tamanho.
      E me pergunte se nao aprendi a licao??

      Beijocas!!

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