Cinema

Gaga – O Amor pela Dança

O Amor pela Dança – A Linguagem da dança contemporânea redefinida.

 ”Gaga – O Amor pela Dança”, um documentário esteticamente lindo, rico de material de pesquisa.  Mesmo seu personagem sendo pouco conhecido do grande público. Gente bonita dançando, música boa, segredos de bastidores, um coreógrafo polêmico e arredio a entrevistas.
Gaga – O Amor Pela Dança já tinha tudo para dar certo entre os amantes da arte do movimento, e mesmo assim ainda entrega muito mais.

O diretor Tomer Heymann apresenta Ohad Naharin, o renomado coreógrafo e diretor artístico da Companhia de Dança Batsheva, de Israel, um dos mais importantes do mundo que redefiniu a linguagem da dança contemporânea.

O documentário é uma imersão no processo criativo da companhia por trás de suas apresentações únicas e um olhar sobre a fascinante história do artista de 60 anos, também conhecido como Mr. Gaga.

Mesclando imagens das apresentações coreografadas, imagens dele dançando, entrevistas, imagens de acervo, e o uso de sua própria voz in off, o documentário busca fazer um panorama do que foi e ainda é a dança na vida do coreógrafo e como ela repercutiu ao longo dos anos pelo mundo.

Com passagens belíssimas de vídeos de alguns de seus espetáculos, o filme traz um aspecto poético que consegue transmitir toda a sensibilidade presente na vida do artista.

Gaga – O Amor Pela Dança

Naharin inventou sua própria linguagem para se expressar com o corpo e,  consequentemente a denominou de “Gaga”.

A técnica Gaga é uma série de desafios propostos ao bailarino para que ele “ouça” seu corpo, entenda tensões e limites. É um jogo entre esforço e prazer, improvisando a partir disso.

É um privilégio testemunhar o processo de sua criação. A obsessão por atingir o sublime. A dramaticidade intrínseca às coreografias,  àquelas que ecoam episódios reais, o profissionalismo em constante relação com a emoção. Tudo é capturado com paixão pelo diretor.

As verdades e mentiras contadas por Naharin sobre sua vida são entremeadas por cenas de suas famosas coreografias e imagens de arquivo da infância no Kibutz, dos anos de serviço militar, das aulas de balé ao lado de Rudolf Nureyev em Nova York.

 

O diretor dá asas ao bailarino que supostamente esnobou Martha Graham e Maurice Béjart. Ele tirou a primeira bailarina do coreógrafo americano Alvin Ailey, Mari Kajwara, com quem se casou.  O amor e a colaboração estreita com a companheira Mari oferece um bonito tom romântico ao documentário. As imagens do casal dançando juntos são tão bonitas que justificam qualquer história.

Gaga – O Amor Pela Dança é uma produção que vai maravilhar os amantes do gênero.  Vale como oportunidade de conhecer uma figura que revolucionou a arte da dança.    Desperta admiração dos profissionais dessa área ao redor do mundo.

Lindo demais!

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A Arte de Georgia  O’Keeffe

 

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Elegante e envolvente, “O Leitor” comove do começo ao fim

Hoje comento o filme “O Leitor”, longa dirigido pelo premiado diretor Stephen Daldry, que conta com vários elementos para cair no gosto do público que gosta de cinema de verdade. Disponível no Netflix, o filme é sobre o amor à literatura, à escuta, à leitura. Sobre arrependimento. Sobre responsabilidade e vergonha. É sobre o holocausto também, mas não como tema central.

Na Alemanha pós-segunda guerra, o jovem Michael Berg (vivido pelo novato ator alemão David Cross na adolescência, e pelo inglês Ralph Fiennes, quando adulto) se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Durante os encontros amorosos, ela sempre pede que ele leia romances para ela. Apesar das diferenças de classes, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor, mas não imaginam que um caso de verão irá marcar suas vidas para sempre. Até que um dia ela desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Michael, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas.

O recatado garoto passa a ver a vida mais lúdica. Com Hanna não é diferente. Analfabeta, a misteriosa mulher que o inicia sexualmente e lhe revela um mundo além do trajeto escola-casa, na verdade, está tendo acesso ao universo literário que sequer imaginou se relacionar em situação tão prazerosa.

Como na obra, ler é um verbo quase que obrigatório, não poderiam faltar homenagens aos escritores imortais. Assim, de “A Odisséia”, de Homero, ou uma bem humorada citação de “Lady Chatterley”, até o clássico “A Dama do Cachorrinho”, de Tchekhcov, é possível perceber as estreitas relações que os títulos lidos durante o filme guardam com os protagonistas.

Não bastasse o fato de “O Leitor” ser protagonizado por Kate Winslet, em desempenho arrebatador, e do apaixonante David Cross, o diretor contou ainda com ótima trilha sonora e fotografia compatível para tecer essa delicada e complexa trama, baseada no livro de Bernhard Schlink.

O filme surpreendeu a todos e teve cinco indicações ao Oscar – Melhor Roteiro Adaptado, Melhor filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, mas claro, levou a estatueta de Melhor Atriz.

“O Leitor” não é só um elenco brilhante, a mão precisa do diretor também merece ser observada. Ele sabe o momento certo de revelar e de esconder, de manter a curiosidade oferecendo aos poucos os elementos necessários para uma melhor compreensão, porém, sem entregar tudo facilmente.

Ao tratar tanto seus personagens quanto os próprios espectadores como respeito e simpatia, constrói um filme elegante e envolvente, comovendo como poucos.

Uma bela história de amor com ingredientes difíceis de serem ingeridos sem efeitos colaterais.

Muito lindo!

Vale a pena conferir!

Eu amei!!!

 

Trailer:

 

Imagens:

 

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Diário de Uma Camareira – Uma produção francesa irretocável na Netflix

Dominique-Banner_Diario de uma camareiraDiário de Uma Camareira tem como protagonista Léa Seydoux, nova musa do cinema francês, um filme de Benoît Jacquot, baseado no livro de Octave Mirbeau, e que já foi inspiração também para a produção homônima de 1964, estrelada por Jeanne Moreau e dirigida por Luis Buñuel.

A trama se passa em 1891/1892, quando a jovem Célestine abandona a capital francesa e parte para o interior, onde vai trabalhar como camareira na residência da família Lanlaire, burgueses decadentes. Enquanto foge do assédio do seu senhor e da rigorosa madame Lanlaire, que governa o lar com punho de ferro, Célestine conhece Joseph, um fiel jardineiro que se apaixona por ela.

Seydoux empresta um olhar frio e seu charme indiferente à Célestine, uma mulher que é capaz de provocar o desejo de qualquer homem.

Bonita e de bons modos, a personagem não tem o conformismo e a obediência como características. Com seu temperamento de falsa submissão, Célestine percorre, porém o mesmo caminho das empregadas domésticas da época que serviam na cama aos patrões com esposas frígidas, despertando a ira delas.

Apesar de logo percebermos a sofisticação e inteligência de Célestine, graças a uma atuação intensa e focada de Seydoux, não sabemos exatamente quem ela é e o diretor utiliza especialmente flashbacks para revelar seu passado. São os flashbacks que dão o verdadeiro sabor da produção, pois deslocam a ação para outras épocas e locais importantes para a protagonista, permitindo-nos uma visão de quem ela era e quem ela se tornou.

Dominique-Interna_Diario de uma camareiraA montagem de Diário de uma Camareira não tem floreios e nos joga para o passado e para o presente sem transições, apenas com cortes secos que exigem alguns segundos de adaptação. E essas sacudidas na estrutura narrativa funcionam muito bem, trazendo complexidade para aquela personagem tão misteriosa.

Vincent Lindon é bastante categórico no papel de Joseph, apostando nas sutilezas e pequenos detalhes para criar uma aura de mistério para sua personagem – deixando o espectador na dúvida quanto ao caráter de sua personalidade.

Diário de uma Camareira é uma produção irretocável que conta com uma perfeita reconstituição de época da França, fim do século XIX, somada ao lindíssimo figurino e a belíssima fotografia das paisagens do interior da França, onde a luz natural é o destaque.

Vale a pena conferir!

Bom programa!

Veja o Trailer

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O Presente – Um filme de tensão e mistério na Netflix

Novidade na Netflix – A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata!

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O Presente – Um filme de tensão e mistério na Netflix

Banner_O Presente-DominiqueO Presente, filme que comento hoje, foi muito pouco falado em 2015, mas agora com a disponibilidade do longa na Netflix não há desculpa para não vê-lo.

O Presente veio para nos lembrar como são gostosos os filmes que conseguem prender sua atenção do começo ao fim.

Com um desenvolvimento lento, porém extremamente eficiente, a trama acompanha o jovem casal Simon (Janson Bateman) e Robyn (Rebecca Hall), que se muda para uma nova casa na tentativa de construir uma vida em família.

A mudança segue conforme os planos até um encontro casual com um conhecido dos tempos de colégio de Simon colocar o mundo deles de cabeça para baixo.

O longa dirigido e roteirizado pelo próprio ator que interpreta Gordo é brilhantemente voltado para um suspense psicológico, atmosférico, que faz o espectador adivinhar o que acontecerá com os personagens ou o motivo de todos aqueles presentes. Porém, cada reviravolta é uma surpresa genuína, inesperada e é isso que faz o filme funcionar tão bem.

Filmes recheados de mistério não são raridades, mas obras com suspense autêntico podem ser contadas nos dedos. O diretor começa acertando no título e no cartaz que não revelam quase nada da trama.

Interna_O Presente-DominiqueO Presente apela para algumas ideias boas para deixar o público em tensão. As coisas mudam constantemente de perspectiva ficando tudo ainda mais nebuloso. Aos poucos, a história vai se completando, mas o segredo principal é sempre mantido para o “gran finale”.

A história consegue te surpreender ao longo da projeção até chegar a um final chocante, assustador.

A trilha sonora também ajuda mesmo em momentos que não há surpresas, os elementos sonoros distorcidos e as longas sequências com instrumentos de corda produzem sons que causam bastante desconforto.

Além do roteiro bem desenvolvido e da fantástica direção, o grande acerto de “O Presente” está em seu elenco.

Rebecca Hall rouba as cenas como uma protagonista dócil, mas sempre desconfiada, Jason Bateman é a grande revelação do elenco e Joel Edgerton, impecável no papel do assustador Gordo.

Um filme intrigante seja pela temática atual ou pela guinada inesperada no roteiro, e ainda dá uma lição aos espectadores.

Aqui fica a dica de um filme inteligente e inédito.

Uma boa pedida, O Presente para o feriado.

Bom programa!

 

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Novidade na Netflix – A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata!

Adeus, Minha Rainha – Os últimos dias de Versalhes na Netflix

 

 

 

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Novidade na Netflix – A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata!

Banner_A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATASim, o título é esse mesmo, A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, filme baseado em uma obra literária bastante conceituada do mesmo nome, escrito por Annie Barrows e Mary Ann Shaffer.

O título é bem instigante por ser tão diferente, mas assim como no livro, traz uma trama fluida e bem dosada, um drama muito bem construído.

Londres 1946, a história gira em torno de Juliet Ashton (vivida por Lily James), uma jovem escritora que goza do auge de sua carreira em meio a palestras e eventos para promover sua mais recente obra.

Tentando cumprir sua apertada agenda, Juliet recebe uma carta de um desconhecido. Esse desconhecido é um fazendeiro que se apresenta como Dawsey Adams (Michiel Huisman), que começa a se corresponder por cartas com a protagonista.

Juliet se encanta com a história de Dawsey e do grupo de literatura que se formou durante a Segunda Guerra Mundial, a tal Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, e resolve visitar a Ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha, entre a Inglaterra e França.

A Ilha de Guernsey foi invadida por alemães na segunda guerra e o filme ajuda a ilustrar os impactos que a invasão nazista causou à população.

Ao chegar à Ilha, Juliet conhece o grupo de amigos que compõe a Sociedade Literária e a trama começa a ser desenhada.

O principal é o drama que envolve o grupo de moradores e amigos em Guernsey.

O longa conta com um clima leve, longe de qualquer relação direta com tradicionais histórias da segunda guerra.

Interna_A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATAA Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata possui um texto mais moderno que, como toda boa obra, sabe misturar história de amor épico com outras temáticas mais profundas e complexas.

A direção do competente Mike Newel consegue levar drama, comédia, romance e literatura com resultado muito agradável.

A ambientação do longa, somada com a trilha sonora e fotografia, também ajuda a dar o tom.

Uma história que cativa pela sensibilidade e emoção.

O ponto-chave para esse resultado de sucesso reside na aposta do diretor pela simplicidade e delicadeza da história, e também nas boas atuações entregues por parte do elenco.

O filme carrega de forma inteligente o impacto causado pela guerra, que é superinteressante, mas o que chama a atenção é o destaque da atitude de Juliet que reforça a retomada do poder de decisão da mulher sobre sua própria vida.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata não é só um drama/romance com tema de segunda guerra, mas traz também um ar feminista superpositivo, em uma época de transição e de quebra de paradigmas que foi o pós-guerra e que cabe ainda nos dias de hoje.

É um filme perfeito para aqueles que desejam se conectar com o poder da leitura e voltar a acreditar no amor ao próximo, uma vida simples, sem pré-julgamentos e na beleza de encontrar, em meio a um grupo, o seu lugar no mundo.

Sem dúvida, um filme belo e um ótimo entretenimento.

Aqui fica a dica!

Bom programa!

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Adeus, Minha Rainha – Os últimos dias de Versalhes na Netflix

Os Sabores do Palácio – Um delicioso filme na Netflix

 

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Adeus, Minha Rainha – Os últimos dias de Versalhes na Netflix

Banner_Adeus Minha RainhaO longa Adeus, Minha Rainha, adaptado do livro de Chantal Thomas, se passa a poucos quilômetros de Paris, no Palácio de Versalhes, onde viviam o Rei Luis XVI e a Rainha Maria Antonieta.

No palácio pouco ou nada se sabia sobre o que estava acontecendo na capital às vésperas da Revolução Francesa, no ano de 1789.

Dirigido por Benoît Jacquot, Adeus, Minha Rainha (Les Adieux à la Reine), que abriu o Festival de Berlim de 2012, mostra o momento em que os boatos sobre Queda da Bastilha começaram a chegar aos ouvidos dos funcionários do palácio e tudo virou um “salve-se quem puder”.

Não vemos o povo revoltado, mal vemos Luis XVI. Benoît Jacquot se concentra mesmo em Maria Antonieta e seus serviçais. Entre eles, a leitora oficial, Sidonie Laborde vivida por Léa Seydoux, uma moça simples que ama os livros e sua rainha, a atriz Diane Kruger.

A tensão pelas notícias de Paris, junto aos boatos da vida pessoal da rainha, vai conduzindo a vida de Sidonie que só tem como desejo, ser útil àquela que ama incondicionalmente.

Bela e sedutora, a temperamental Maria Antonieta tem um amor secreto, a duquesa Gabrielle de Polignac, vivida por Virginie Ledoyen.

Segundo o diretor, esse romance entre as duas aconteceu de fato e é muito conhecido na França.

O longa não se aprofunda numa série de questões, como o passado da protagonista e a relação entre Antonieta e Gabrielle. Mas é eficiente ao criar um personagem interessante em um dos momentos históricos mais importantes da história da França.

Interna_Adeus Minha RainhaAdeus, Minha Rainha não tem pretensão em contar toda a vida e ainda a morte da arquiduquesa austríaca e a rainha da França, mas sim mostrar suas diferentes facetas e seu lado mais frágil: o coração.

Interessante em Adeus, Minha Rainha é exatamente a exploração desse sentimento escondido, desse desejo reprimido, mesmo que diante de algo tão mais urgente, como a salvação da própria vida.

O ponto alto do filme são as atuações de Léa Seydoux e Diane Kruger. Seydoux cria um sentimento contido, introspectivo e que consegue expressar toda a sua angústia interior, dividindo com o espectador sua percepção e nos torna voyeurs nessa imensa Corte.

Diane Kruger, além do sotaque natural dá autenticidade, faz uma Maria Antonieta que sentimos de carne e osso, conseguindo humanizá-la e fugir do lugar comum que esperaríamos do personagem.

A reconstituição de época é efetivamente um dos grandes destaques dessa produção. A maior parte do filme se passa dentro do Palácio de Versalhes e traz cenários deslumbrantes, como a Galeria dos Espelhos, o Petit Trianon e alguns aposentos que não aparecem em outras produções.

O cenário acaba se transformando em um personagem essencial ao longa e coloca o espectador dentro da cena, cercado de móveis e figurino de época impecáveis, além dos diálogos bem construídos e um elenco que funciona e convence o público.

A trilha sonora não passa despercebida, chama atenção também por sua competência e beleza.

O filme ganhou três prêmios Cesar, o principal da França, o Oscar francês: Melhor Fotografia, Figurino e Cenografia.

Sem dúvida, Adeus, Minha Rainha é um deleite visual, com atmosfera extraordinária passada nos últimos dias de Versalhes.

Um filme lindo de morrer, além de ser um ótimo entretenimento.

Aqui fica a dica.

Bom programa!

Trailer:

https://youtu.be/Tb0ASfPYM4g

Leia mais:

Os Sabores do Palácio – Um filme delicioso na Netflix

Perfeitos Desconhecidos – A verdade através dos celulares na Netflix

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Os Sabores do Palácio – Um delicioso filme na Netflix

Banner_Os Sabores do PalácioHoje comento Os Sabores do Palácio, um filme belo que é uma delícia de se ver, disponível na Netflix.

Dirigido por Christian Vincent, o longa permite passar duas horas de mágico prazer gastronômico.

A trama verídica mostra o período no qual Danièle Mazet-Delpeuch trabalhou na cozinha particular do Palais de l`Élysée, residência oficial do então presidente francês, François Miterrand.

Danièle não era somente uma interiorana que foi enviada à Paris numa missão especial.  A francesa revigorou o setor da produção de foies gras, além de ser uma pioneira na organização de estágios para estrangeiros na iniciação em french cuisine.

O início do longa se passa, anos mais tarde, no Arquipélago de Crozet, na Base Científica Alfred Faure, onde a chef cozinhou por um ano, sendo que a narrativa volta algumas vezes sem explorar muito esses momentos.

Um dos aspectos mais interessantes do filme é justamente mostrar a relação de Hortense com o regente da França que se dá pelo gosto em comum pela simplicidade em várias questões: entre elas a culinária.

Interna_Os Sabores do PalácioMuito bom em Os Sabores do Palácio (Les Saveurs du Palais) é perceber que não há maior prazer do que o de redescobrir o gosto simples das coisas. Equiparado a ele, só o deleite causado pelos pratos elaborados no filme que são de uma perfeição capaz de encher os olhos e a boca de água. O feito se dá ao trabalho de famosos chefes franceses, como Guy Legay (do Hotel Ritz de Paris) que ajudaram na parte técnica do projeto.

O maior destaque fica por conta da protagonista, Hortense Laborie e sua sempre notável intérprete que construiu uma personagem que exala vigor e personalidade forte. Por seu trabalho em Os Sabores do Palácio, Catherine Frot recebeu sua nona indicação de Melhor Atriz no César, o Oscar Francês.

Méritos não faltam já que ela incorpora a personalidade da cozinheira mesclando doçura, petulância e certa neurose sobre a realização das refeições do presidente.

O fato de ter um cargo importantíssimo no Eliseu parece ter aumentado muito seu ego. No entanto, ela jamais poderia fraquejar, pois desde o início sofreu hostilidade da cozinha central, formada unicamente por homens que a olhavam de cima para baixo com ar de deboche. Impor-se em um meio masculino não é para fracas.

Os diálogos entre Hortense e seu assistente Nicolas (Arthur Dupont, que soube aproveitar muito bem seu papel) vão encantar os amantes da gastronomia.

“Os Sabores do Palácio” pode agradar tanto a quem gosta de cozinhar quanto aqueles que apenas degustam, mas apreciam a bela e meticulosa preparação dos pratos, como também agradará aos que gostam simplesmente de uma história bem contada.

Vale a pena conferir!

Sem dúvida um ótimo entretenimento! Os Sabores do Palácio – Cozinha de Excelência.

Trailer:

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Perfeitos Desconhecidos – A verdade através dos celulares na Netflix 

A Amante – Autoaceitação e busca da liberdade, um drama imperdível

 

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Perfeitos Desconhecidos – A verdade através dos celulares na Netflix

Banner_Perfeitos DesconhecidosPerfeitos Desconhecidos, último trabalho do diretor espanhol Álex de la Iglesia, acaba de ser adicionado ao catálogo da Netflix.

O longa é um remake da comédia dramática italiana “Perfetti Sconosciuti, sucesso de crítica, público e euros arrecadados.

A versão espanhola também estreou nos cinemas de seu país de origem com grande êxito. Mesmo assim, este não deixa de ser um filme polêmico. Apesar de manter a sinopse original, o espanhol não deixou de revestir a obra com seu próprio tom de comédia.

Apesar de ter um começo lento, seu desenvolvimento é muito agradável. Mesmo que não se reconheça em algum personagem, você simpatizará com as opiniões dos temas discutidos, como monogamia, opção sexual e preconceito.

Numa noite de eclipse lunar, onde as ruas de Madrid parecem estar uma loucura, o casal Alfonso e Eva está nos preparativos para um jantar que será realizado em sua bela casa.

O que consistiria em apenas mais uma reunião entre amigos, como tantas outras antes desta, toma um rumo inesperado, quando no meio da conversa, surge uma ideia: “Porque não fazer algo diferente? Vamos jogar um jogo”. Todos os convidados deveriam deixar seus celulares destravados em cima da mesa, ao alcance de todos. Chamadas, Whatsapps, notificações no Instagram e Facebook, a vida compartilhada por um instante com todo mundo.

Seria um jogo inocente ou uma proposta perigosa?

Interna_Perfeitos DesconhecidosDurante quase duas horas, o diretor constrói uma atmosfera simultaneamente cômica e tensa. Risos provocados geralmente são risos de nervoso e a tensão fica a cargo, quase sempre, de situações absurdas e disparatadas.

O público fica curioso para saber qual será o próximo telefone a tocar, quem será o próximo amigo exposto e o que ele esconde de todos os outros. Como se dão essas relações tão socialmente mascaradas e forjadas é o grande fio condutor da trama.

Outro dos grandes méritos do trabalho do diretor – e que aqui se faz presente – é a habilidade em conseguir desenvolver toda a narrativa num único espaço cênico sem que a linguagem do filme flerte com o teatral.

Muito do projeto se deve à escolha de um elenco afiado que sabe trabalhar com uma trama calcada nas palavras.

A comédia de humor dramático também trata como lidamos com as redes sociais, a relação de dependência e ansiedade com o celular.

Polêmicas e gostos à parte, é inegável que a cada novo filme o trabalho autoral de Álex de la Iglesia se evidencia.

Essa produção espanhola surpreende e é uma ótima pedida para relaxar nesse fim de semana. Um filme divertido que te prende do começo ao fim.

Trailer:

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Dica de filme cheio de emoção no cinema – Uma Casa à Beira-mar

O Vazio do Domingo – Drama de reconciliação e redenção na Netflix

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Dica de filme cheio de emoção no cinema – Uma Casa à Beira-mar

Banner_Uma Casa à Beira-marSem pieguice, com narrativa simples, fluida e elegante, Uma casa à Beira-mar fala de solidariedade e humanismo.

Hoje minha dica é o emocionante longa, Uma Casa à Beira-mar, em cartaz nos cinemas.

Ambientado na região de Marselha, sul da França, o drama francês, Uma Casa à Beira-mar, dirigido por Robert Guédiguian, narra a história de três irmãos que se reencontram depois que o pai fica doente, em estado vegetativo.

O patriarca construiu um restaurante próximo à praia e fez do local o seu paraíso particular. Quando ele adoece, os filhos voltam à região para cuidar dele.

Angèle (Ariane Ascaride) é a última a chegar. Ela não guarda boas lembranças do lugar e precisa lidar com medos e rancores que a fizeram ficar longe dali e do pai por 20 anos.

Armand ficou por lá e tenta tocar o restaurante “bom e barato” fundado pelo pai.

Joseph é um desempregado amargo, escritor frustrado e namora uma mulher bem mais jovem (Anaïs Demoustier), que, aliás, parece estar à procura de novas emoções.

Com o passar dos dias, os irmãos precisam enfrentar a doença do pai e decidir o que fazer com a herança deixada, a casa e o restaurante.

Os irmãos discorrem sobre o passado, ficar ou não na pequena cidade, sobre lutar para sustentar os sonhos ou aceitar a realidade cruel das sociedades contemporâneas.

O cineasta olha para o passado, não por pura nostalgia ou para tirar conclusões apressadas sobre o presente, porém com a certeza de que algo bonito e de valor ficou para trás.

Guédiguian atinge uma leveza em que o menos é realmente mais. Sem alarido e com a melancolia que só os diretores na maturidade conseguem alcançar, eleva ainda mais seu humanismo em Uma Casa à Beira-mar.

Existe um tema de fundo que se revelará dominante – a dos refugiados que deixam seus países por causa da fome, da guerra, da falta de oportunidades. Eles são um tema da atualidade europeia e representam um desafio para governos e para quem ainda defende a existência de uma sociedade civil solidária.

Como cineasta, Guédiguian mantém um idealismo romântico, o apego às coisas simples, aos laços familiares, à ideia de comunhão entre os necessitados.

O longa é sobre vidas sociais versus individuais, que aprendem a cada dia o poder da tolerância em aceitar os limites, tempos, quereres, defesas, fragilidades, vulnerabilidades, solidões e outras consequências existencialistas das convivências interpessoais.

Os diálogos são realmente inteligentes. Todos parecem ter uma forma profunda e final de dizer as coisas sobre a vida e o que a resume, o que pode fascinar ou afastar.

O trabalho de Guédiguian consegue entreter e nos fazer apaixonar pela história da vila e seus ideais. Talvez a paixão esteja concentrada no próprio ser humano e seus debates internos, entre trabalho e relacionamentos.

Uma Casa à Beira-mar é apenas simples e neste olhar empático ao ser humano encontra-se uma sofisticação que poucas obras conseguem alcançar.

Belo!!!

E o desfecho emocionante!

Veja o trailer:

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O Orgulho – Preconceito, intolerância e o valor da palavra – nos cinemas

Desobediência – Um filmaço cheio de emoção. Imperdível!

2 Comentários
  1. Grata pela Dica ….! Amei este filme ! Realmente o Mundo girou …e o charme???Filme extremamente real! e, atual….sonhos, verdades, ….Evouimos para muito mais tristezas … econômicas e sociais …Lindo trabalho .., muitas emoções..,e nos leva a importantes reflexões

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O Vazio do Domingo – Drama de reconciliação e redenção na Netflix

Banner_O Vazio do DomingoEntre os títulos originais Netflix, O Vazio do Domingo, que comento hoje, é um filme denso, dramático, instigante e desafiador.

Mais de trinta anos depois de abandonar sua família, Anabel (Susi Sánchez) recebe uma visita inesperada de sua filha Chiara (Barbara Lennie). Ela cede a seu desejo de passar dez dias em uma vila remota entre Espanha e França.

Sob a refinada direção do catalão Ramón Salazar, O Vazio do Domingo aborda o vínculo entre mãe e filha, o reencontro após décadas de separação, tudo retratado sem obviedade. Seja pelo apelo emocional embasado na crença de um elo de sangue falar mais alto, seja em uma investida na raiva guardada durante tanto tempo e o desenrolar, portanto, de um grande drama de reconciliação.

O diretor deixa claro que ser mãe e filha é questão de conexão emocional e que esta é construída e não determinada.

Interna_O Vazio do DomingoEm momento algum O Vazio do Domingo dá respostas fáceis, muito pelo contrário, o diretor se mostra audacioso quando alimenta o clima de mistério, quando esconde de nós os segredos que estão por trás das complexas personagens. Realça de forma espontânea o texto enquanto uma relação marcada pelo peso da culpa, pela dor e pela esperança de redenção é construída.

Não sabemos as circunstâncias em que o abandono aconteceu e isso é um dos combustíveis para o filme se tornar tão reflexivo.

O retrato, que foge de romantizações acerca da figura da mãe – amável, imaculada, presente – é um acerto, e a história compreende abordar muito além da maternidade.

Salazar esbanja delicadeza ao realmente estreitar a relação entre mãe e filha, delicadeza encontrada nas poderosas atuações da dupla de protagonistas.

Direção fotográfica impecável, com enquadramentos dignos de se tornarem quadros emoldurados. Não se deixe enganar pelo ritmo vagaroso do filme, pois sua real narrativa é feita pelas imagens, gestos, luz e cortes.

Com DNA feminino envolvendo o abandono materno, O Vazio de Domingo se revela um drama intimista que aposta nos ciclos que se fecham e que trabalha as lacunas que infelizmente são impostas pelo afastamento.

Um filme inquietante capaz de julgar e compreender, de agredir e se compader.

O desfecho é arrebatador!!!

Aqui fica a dica.

Não perca!

Trailer:

https://youtu.be/TsGGP3tyls0

 

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