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Drama romântico, salpicado com mistério, Jane Eyre é a frente de seu tempo

O já badalado diretor norte-americano Cary Fukunaga, em seu segundo trabalho, demonstrou talento ao dirigir mais essa adaptação do clássico romance de Charlotte Brontë, publicado em 1847. O filme Jane Eyre, lançado em 2011 nos Estados Unidos, está agora no catálogo da Netflix

Ambientado na Inglaterra Vitoriana, o longa narra a história da jovem órfã Jane Eyre, que após uma infância triste e muito difícil, vai trabalhar como governanta em uma mansão. Ela inicia um romance com o patrão Edward Fairfax Rochester. Mas segredos sobre o passado de Rochester podem comprometer para sempre o amor entre eles.

Funcionando como um bom drama romântico do século XIX, com toques de suspense, e tom melodramático por se tratar de um romance com tragédias, um amor forte, e um passado triste dos protagonistas, o filme é a combinação perfeita para qualquer público. 

Para viver a protagonista, Fukunaga convidou a jovem e talentosa atriz australiana Mia Wasikowiska, que tem uma excelente performance como a batalhadora Jane Eyre. A personagem é conhecida por ser uma mulher forte, que sobrepujou grandes dificuldades, e lutou para ser ouvida, para fazer o que achava certo, em um período no qual as mulheres não tinham direito a voz.

O filme explora os traumas da personagem pelos longos silêncios e expressões faciais contidas e assustadas da atriz, e uma postura de inferioridade diante de tudo a sua volta. Michael Fassbender, de nacionalidade alemão e irlandês, um dos melhores novos atores em atividade compõe o seu Rochester prepotente e ambíguo, mas aos poucos vai revelando suas atitudes apaixonadas.

A diferença de idade entre os dois funciona perfeitamente para criar o clima de romance. Ele sempre ameaçador e misterioso e ela, a novinha vulnerável, fazendo a química do casal funcionar.

Com um elenco de apoio acima da média, com destaque para a sempre respeitável Judi Dench e o talentoso Jamie Bell, ambos britânicos.

Jane Eyre é um romance de época (com pitadas bem vindas de suspense) que acredita na dupla protagonista para prender a atenção do público.

Um fato que merece ser ressaltado é o figurino. A excelente reconstituição de época em que o filme se passa, os detalhes e cada acessório são notáveis, os costumes e postura dos personagens também não passa despercebido criando assim o cenário perfeito para o longa.

O filme investe em flashbacks, atores de talento e uma estética que beira o gótico para ambientar elegantemente esse romance fantástico.

Se você ainda não viu esse filme, veja e se surpreenda com os segredos e reviravoltas que acontecem na vida das personagens do longa assim como me surpreendi.

Adoro esses romances dramáticos franceses do século XIX, parece que já vivi nessa época. 

Aqui fica uma bela dica principalmente se você é uma amante do gênero.

Belo entretenimento, um achado na Netflix.

Assista o trailer

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Negação – liberdade de expressão e o abuso da mesma

Baseado em fatos reais, o longa dirigido pelo inglês Mick Jackson e produzido pela BBC narra a trajetória da historiadora norte americana Deborah Lipstad (Rachel Weisz). Após publicar um livro que desconstruía o discurso dos chamados negadores do Holocausto, ela foi acusada por difamação pelo inglês David Irving (Timothy Spall), o mais controverso historiador e assumidamente negador daquele fato histórico. O longo entrou recentemente no catálogo da Netflix.

Negação, apesar de ocorrer majoritariamente numa corte, o que está em julgamento não é uma defesa pessoa. Mas, sim, a veracidade, a memória e a preservação de um ato fundamental para a consciência histórica.

O assunto está na ordem do dia. Negação, que reconstrói um embate jurídico ocorrido em 1966 sobre o Holocausto, debate temas atuais: as verdades alternativas, a intolerância religiosa e a supremacia das crenças sobre fatos históricos.

O diretor explora bem os meandros da estranha justiça britânica, mostrados aos olhos da americana cética, enquanto lida com as diferenças culturais da ré e os ingleses. 

O texto de David Hare, a partir do livro da própria Deborah Lipstad, vai direto ao ponto sem rodeios, é objetivo e conclusivo dando o recado de forma direta.

Negação tem um roteiro bem costurado, que não deixa espaço para hesitações e trechos a serem limados.

Negação possui aquele estilo famoso de filmes de tribunal e tem a duração perfeita, o que é apenas mais um ponto positivo em meio a tantas qualidades.

Sem elementos a mais ou a menos, a obra, por tratar de um assunto bem específico na vida dos personagens, é especialmente sustentada pelas atuações de Rachel Weisz e Timothy Spall. Ambos encarnam seus papéis com a confiança e a presença dignas de Oscar.

Tanto Weisz como Thimothy exalam tanta sinceridade em cada frase. O real julgamento está acontecendo diante de nossos olhos o que, logicamente, faz com que a torcida por Lipstad seja ainda mais forte. Quanto a David Irving, só nos resta encará-lo com uma perplexidade sem fim. Afinal, o responsável por este caso inacreditável que só quer enxergar o que é valido para si mesmo.

Weisz não exagera na emoção, jamais descambando para o melodrama, tão comum nesse de filme. A sua raiva contida é bem-vinda. Mas é Spall, o acusador, que dá o tom emocional (e irracional) do filme. Seu neonazista, racista, misógino e extremista é tão fascinante quanto grotesco. Um dos melhores trabalhos de uma carreira formidável.

Em tempos repletos de covardes ocultos atrás das cortinas digitais, que deturpam a todo instante o significado de ter direito à livre expressão e de pensamento, Negação é um lembrete poderoso que opiniões equivocadas, ainda que dê direito, têm conseqüências. 

Aqui fica a dica.

Um ótimo entretenimento.

Eu adorei!!!

Assista o trailer

Outro filme com Rachel Weisz

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Alicia Vikander é a alma de Pássaro do Oriente, thriller psicológico sobre traumas e culpas

Filme que entrou recentemente para o catálogo da Netflix, “Pássaro do Oriente” é instigante, conta com elenco competente e entrega um bom suspense.

Baseado no livro “Delito sem Provas”, escrito por Susana Jones, o longa se passa na Tóquio de 1989 e acompanhamos Lucy Fly (Alicia Vikander), uma tradutora vivendo no Japão para fugir do passado.

A protagonista conhece a garçonete Lily (Riley Keough) e o fotógrafo Teiji (Naoki Kobayashi), iniciando um estranho relacionamento com o rapaz e se sentindo, ao mesmo tempo, atraída e incomodada por Lily. Tudo vira de cabeça para baixo quando sua nova amiga desaparece e ela se torna suspeita de um suposto assassinato. 

A relação da protagonista com Lily e Teiji também cria um interessante jogo de mistério e sedução. Inicialmente uma amizade, os personagens de Vikander e Kobayashi desenvolvem uma tensão sexual crescente, apenas com poucos diálogos e troca de olhares. Não apenas a beleza dele a atrai, como também, a sinceridade e a aparente falta de timidez, tão tradicional nos jovens japoneses, a conquistam.

É incrível como uma história com 106 minutos de seqüências lentas, que se desenvolvem de maneira subjetiva, ou seja, de difícil entendimento consiga passar tão rápido. O espectador não se cansa.

Embora o roteiro seja pausado e complexo, as cenas constantemente voltam a acontecimentos passados da história, de modo a torná-las cada vez mais explicadas. Assim pode-se acompanhar o desenvolvimento da narrativa.

Além da maturidade artística, “Pássaro do Oriente” é a mais incitante e hipnotizante produção, do conceituado cineasta, diretor e roteirista inglês, Wash Westmoreland.

Além do suspense do clima sexy oitentista, o filme é visualmente atraente.

Vencedora do Oscar por “A Garota Dinamarquesa”, a sueca Alicia Vikander se destaca ao transmitir toda a personalidade disciplinada da tradutora através de pequenos atos, por exemplo, como ela se arruma e como ela amarra o cabelo. Vikander impressiona com seu domínio do idioma japonês.

A atriz é quem apresenta emoções que mais se aproximam da sobriedade, enquanto o galã japonês (Kobayachi) se impõe com sua presença física e voz profunda, sempre acompanhada de um sorriso sutil e olhar penetrante.

Riley Keough – na vida real neta do roqueiro Elvis Presley – é a força solar em “Pássaro do Oriente”, sensual e radiante, servindo como contraponto, tanto para Lucy quanto para Teiji. 

A fotografia é assombrosa de tão elegante, realmente magnética, especialmente nas cenas noturnas. Com takes ricamente construídos e bem centralizados – se passando na cidade de Tóquio, a cidade é quase uma personagem por si só.

A trilha sonora é primorosamente orquestrada, evocando emoções do que aquilo que está na tela merece.

Envolvente e bem construído, “Pássaro do Oriente” acaba por ser uma excelente surpresa no catálogo da Netflix.

Aqui fica a dica de um filme que adorei! 

Vale a pena conferir!

Confira o trailer

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História de um Casamento – com atuações precisas de Scarlett Johansoon e Adam Driver, Noah Baumbach mostra como o amor é complicado

História de um Casamento, dirigido pelo diretor americano, Noah Baumbach é uma produção original Netflix, provável candidato ao Oscar em diversas categorias.

O longa já lidera o número de indicações do Globo de Ouro nas categorias de melhor filme dramático e melhor atriz e ator para Scarlett Johansson e Adam Driver. Laura Dern concorrente como atriz coadjuvante, além de além de melhor roteiro e melhor trilha sonora original.

O filme foca num casamento por meio de um retrovisor, à medida que os dois parceiros, um diretor de teatro de Nova York e uma atriz com um passado e um potencial futuro em Hollywood, seguem em direções opostas. Sua veracidade inspirou comparações com seu próprio casamento com a atriz nascida em Los Angeles, Jennifer Janson Leigh, da qual ele se divorciou em 2013.

Como tantas histórias infelizes, esta também começa por algo que passa por felicidade, começando com declarações de amor. No entanto, logo o espectador será forçado a se desfazer de ilusões e encarar o que tem pela frente – um casal em crise. 

Do casamento ao divórcio

Enquanto o lado racional de Nicole e Charlie pedia uma separação amigável, a realidade é outra. Se um casamento exige comprometimento, um divórcio é a sua negação.

No entanto, uma característica bem norte-americana surge com a entrada dos advogados em cena, transformando o que seria uma separação amigável numa batalha campal.

Franco e apaixonante, o filme nos leva a picos emocionais inimagináveis. Sensível, ele relata com precisão os desgostos de duas pessoas que decidiram separar suas vidas terminantemente.

Esse é um filme que vale a pena ser discutido não só pela sua qualidade, com um roteiro extremamente sensível, bem atuado e precisamente captado pelo diretor de fotografia. Mas pela perspicácia com que trata o tema escolhido.

E nesse contexto, Scarlett e Driver cativam nossos olhares, fascinando-os com sua densidade e entrega dos personagens. Vivendo os dramas e dissabores de Nicole e Charlie, ambos se tornam a combinação perfeita na telona. Eles têm uma química que extrapola, invadindo a mente do espectador que atento observa duas pessoas ideais se perderem de si mesmas.

Um show de interpretação

Scarlett está brilhante em passagens admiráveis (o relato dela no primeiro encontro com a advogada é primoroso). Mas o fato é que a câmera de Baumbach está mais interessada nas reações dele, e menos dela. Assim Adam Driver acaba descobrindo um terreno fértil para mergulhar de cabeça, hipnotizando o púbico de tanta emoção. Prepare o coração, e muitos lençinhos.

Laura Dern dá um show particular com toda a sua excelência, brilhante no papel da advogada Nora, maquiavélica e belicosa, ainda que a composição que oferece não esteja muito distante daquela vista na série Big Little Lies. 

Para enfrentar essa fera, Charlie contrata um velho profissional humanista (Alan Alda), mas depois se vê obrigado a substituí-lo pelo igualmente sanguinário (Ray Liotta), único capaz de nivelar-se a terrível Nora.

História de um Casamento é o passaporte da Netflix rumo ao Oscar, prometendo uma linda jornada que pode e deve render indicações a Scarlett Johansson e Adam Driver.

Belo! Belíssimo! Eu amei!

Assista o trailer

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Parasita

1 Comentário
  1. Um soco no estômago…Amei esse filme. Uma história comum a tantos casais retratada se uma maneira sensível e ao mesmo tempo perturbadora. Vale muito a pena assistir.

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Diário de uma Paixão é uma encantadora e emocionante história de amor impossível à moda antiga

Ambientado no final da década de 1930, Diário de uma Paixão, dirigido por Nick Cassavets, é um filme sobre um amor impossível, simples, direto e que desenvolve nada mais do que o clima de amor entre os dois personagens principais.

Diário de uma Paixão é um filme sobre um amor intenso e comovente, exemplo do gênero com todas as dificuldades possíveis para o amor romântico, assim como sua luta incansável pela superação.

Noah (Ryan Gosling) e Allie (Rachel MacAdams) se encaixam perfeitamente no estereótipo. Ela rica, ele pobre, com diferenças sociais. Amor de verão não apoiado pela família da moça. Separação precoce com cartas sendo escondidas.

Anos depois da separação, o menino pobre amadurece e a menina rica afortunada aguarda o dia de seu casamento com um filho da alta sociedade. Nunca mais se veriam se o destino não os reunisse no mesmo cenário que um dia os assistiu amando. 

O que ele tem de especial e diferencial é o fato de ser um filme com ótimas escolhas e por ter uma direção impecável. É sem dúvida uma renovação da velha história contada de forma muito competente pelo ainda novato diretor.

Em Diário de uma Paixão a força toda está concentrada na emoção.

Não só o par central tem uma química fabulosa em cena, como o filme consegue ser consistentemente superior ao seu material, criando cenas de genuína ressonância emocional, e quem diria com absoluta sensualidade – as cenas de sexo entre Noah e Allie são incomumente convincentes, orgânicas, vaporosas.

O longa é mesmo Rachel e Ryan, mas por melhor que ele seja ao lado de MacAdams – e o casal é de uma intensidade que eletrifica a tela – o filme sem dúvida é dela.

O elenco de Diário de uma Paixão reuniu boas revelações com talentos comprovados, além de Ryan Gosling e Rachel MacAdams, os veteranos James Garner e Gena Rowlands, mãe do diretor entregam performances comoventes.

Espere por cenários belíssimos muito bem fotografados, com uma linda cena de beijo na chuva, um passeio inesquecível entre árvores, patos, e muito mais. Inclusive a abertura foi magistralmente trabalhada, quase toda contra o sol, aproveitando bem as silhuetas, em conjunto com o paradisíaco cenário que rodeia os personagens principais.

Ambientado no final da década de 1930, o longa retrata fielmente um filme de época, dos figurinos elegantes às noções mais conservadoras da vida em sociedade.

Diário de uma Paixão é bonito, sensível e irresistível. Ganhou vários prêmios, no entanto foi entre os jovens que ele realmente mostrou sua força.

Uma história contada com dedicação e carinho, com cenas de muito encanto e uma trilha sonora não menos envolvente. Uma obra que merece ser vista com alma, e o coração bem abertos.

Mas confesso que é melhor reservar um lencinho para o final do filme.

É muito lindo!

Amei!

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