Destaque

No Fim Do Túnel – thriller intenso e arrebatador comprova a excelente forma do cinema argentino

“No Fim Do Túnel” comprova o ótimo momento do cinema argentino. Não é de hoje que vem se tornando referência mundial. São detentores de dois Oscar e presenteiam a todos com obras-primas, como “Relatos Selvagens”, “Um Conto Chinês”, “O Segredo De Seus Olhos” e uma vasta gama de produções de primeira qualidade. Na verdade, além da excelente qualidade em diversos aspectos, se destacam principalmente pelos roteiros bem trabalhados.

“No Fim Do Túnel” é um suspense do cineasta Rodrigo Grande, que também assina o roteiro do longa. Rodrigo Grande, que completou 43 anos, é hoje considerado um dos grandes talentos do cinema argentino.

No longa, Joaquim é um cadeirante que vive em uma casa que passou por tempos melhores. Certo dia, Berta, que trabalhava como stripper, e sua filha, Betty, vão atrás de um anúncio feito por ele para alugarem um quarto. Durante uma noite de trabalho em seu sótão, onde conserta computadores, ele escuta vozes através da parede e conclui que um grupo de homens está construindo um túnel que passa por baixo de sua casa para roubar um banco.

Todos os elementos apresentados servem para o desenvolvimento da história, alguns até meio óbvios, mas como um bom filme de diversas camadas, mesmo os detalhes óbvios são utilizados de forma satisfatória, e surpreendente. Um ponto chave que inesperadamente se transforma em um estímulo em quase todos os aspectos, no qual a partir deste momento os personagens passam a ganhar sua real importância e relevância.

O suspense é criado com uma boa fotografia e bons diálogos, assim como a trilha sonora, que acerta e traz para o telespectador um clima de tensão. A narrativa fica então intrigante e de forma tão atrativa, que o diretor passa a construir um ambiente angustiante, no qual Joaquín, com seus motivos, tenta afetar diretamente o roubo através de seus artifícios.

“No Fim Do Túnel” também conta com atuações excelentes de Clara Lago, Pablo Echarri e Leonardo Sbaraglia (Joaquín), que também atuou em Relatos Selvagens, talvez o mais internacional dos atores argentinos, depois de Ricardo Darín, é claro.

Acreditamos na deficiência do protagonista, e o ator Sbaraglia faz isso com maestria, e com um excepcional trabalho corporal, além de trabalhar todos os nuances do personagem que aparentemente parece arrogante e posteriormente afável. Já Clara Lago (a stripper Berta) ganha a simpatia de Joaquín e do público, Além de reservar um grande mistério. E Pablo Echarri entrega toda a imponência de Galereto, o chefe da quadrilha.

A trama criada para relacionar cada personagem e suas respectivas histórias funciona bem. Desde Betty, filha de Berta – que ganha uma importância muito grande na narrativa – até o homem que está por trás de todo roubo, são encontradas boas soluções no roteiro e que caracterizam um filme singular.

Com um final conturbado, cheio de reviravoltas, bons diálogos, “No Fim Do Túnel”, em seu desfecho consegue prender a atenção do público – algo extremamente necessário em um longa criminal e de suspense com estrutura clássica. E mais que isso consegue explorar de forma concisa um protagonista cadeirante que sustenta bem o filme em sua grande parte.

Assista o trailer

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E chegou o dia de renovar minha CNH

Quando fiz 55 anos, uma amiga a Fernanda ligou para dar parabéns e antes de desligar falou :

– Não esquece que esse ano temos que renovar a Carteira de Motorista.

Se ela não tivesse falado, é bem capaz que eu ficasse com minha CNH vencida até algum guarda me parar. Porém avisada, fui verificar minha situação r como só podemos agendar um mês antes do vencimento que seria dia 19 , fiquei desde janeiro com isso me martelando a cabeça.-Eliane, não vai esquecer de renovar a CNH. Eliane, marca na agenda. Eliane não deixe para última hora. Affffffffff..Não sei o que aconteceu comigo para me dar essa aflição toda. Enfim, hoje, 22 de agosto (quaaaaaase um mês antes) fui ao Poupa Tempo. Mas aí já que ia fazer uma coisa, resolvi fazer muitas:

  • Tirar o novo título de eleitor digital
  • Tirar novo RG (alguns lugares não aceitam RG com mais de 10 anos. Bancos por exemplo.)
  • E a CNH

Chequei e “rechequei” um milhão de vezes para ver se estava levando todos os documentos pedidos. Passei no caixa automático para sacar $$ uma vez que o exame médico só é pago em $$. Tudo direitinho e nos mínimos detalhes..

Olha, se tem uma coisa que funciona em SP é esse tal de Poupa Tempo viu? Atendentes solícitos e educados, uma organização impressionante, democrático pra caramba e tudo super digitalizado. Quer dizerrrrr, quase tudo…

O Título

Comecei pelo título. Moleza apesar de ter tido que mudar meu local de votação. Claro, não moro mais na casa de minha mãe!! Mas eu adoooraaavvaaaaa votar no Sacre Coeur. Voto lá desde 1982. Questões sentimentais. Expliquei tudo isso pra mocinha que sorridente negou. Bem, faz parte. Ahh, mais um detalhe sobre meu título de eleitor. Esse era o último documento que eu tinha com meu nome de solteira. E não pude ficar com o antigo. A mocinha simpática tomou de mim.

Vamos ao RG.

Entro numa filinha rápida para pegar senha. Fazem uma prévia e qual não é minha surpresa quando descubro que deveria ter imprimido o comprovante de pagamento.

-Mas por que??? Eu tenho ele aqui no meu celular. Eu mando pra vcs!!

-Não..A Sra vai ali naquela fila e pode imprimir de graça.

Crianças amadas, se eu contar que fiquei nessa fila para imprimir o comprovante mais de 45 minutos vcs acreditariam?

Bem voltemos ao RG.

E aí tem que tirar foto. E essa vai ser a foto que me acompanhará pelos próximos 10 anos. Olha, hoje de manhã eu demorei um bocado pensando na roupa (só aparece o ombro eu sei, mas não queria ficar grandona na foto), arrumei o cabelo, fiz uma maquiagem leve mas caprichada. Pq afinal de contas o nosso RG passa de mão em mão! Ele é impresso, xerocado, anexado, digitalizado, conferido..Ahhh, se tem uma foto que não quero estar horrorosa é essa.

Quando sento no guichê, vejo que tem uma outra Dominique do meu lado esquerdo e uma menina linda do meu lado direito. Todas passando batom, todas pedindo para o atendente ser generoso, e todas as 3 pediram para refazer a foto. O trauma da foto no RG parece que é universal…

E agora vamos a CNH.

Tuuudooo de novo. Mas dessa vez ainda tem exame médico e guichê de pagamento. Confesso que já estava ficando cansada, já estava no Poupa Tempo há duas horas e tanto. E já estava me preparando para tirar mais uma inevitável foto para o novo documento, veio a grande notícia.

-A Sra quer tirar uma foto nova para carteira ou quer usar a antiga?

-Como assim? Eu posso usar a minha foto com 50 anos???????

-Se quiser, pode. Até hj foram raras as mulheres que quiseram trocar.

Gente que boa notícia!!! Não só não preciso passar pela agonia da foto ficar boa ou não, mas ainda melhor, não vou ter MAIS UM registro do passar do tempo na minha gaveta de documentos. Nada contra o passar do tempo, aliás me dou muito bem com ele. Mas a sequencia de carteiras de motorista, de RGs, de Passaportes confesso, acho meio cruel..

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Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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As vantagens e as desvantagens de ser uma Dominique

As Dominiques foram chegando quietinhas ao prédio do We Work, em São Paulo, para o nosso encontro. Nem pareciam as mesmas mulheres que uma hora depois estariam falando juntas, conversando e dando muitas risadas. Algumas já se conheciam, outras era a primeira vez num encontro organizado de e para mulheres de mais de 50 anos. 

Foram 3 horas de um bate-papo descontraído, mas muito inspirador e estimulante. E porque não usar o neologismo “empoderador”, já que somos mulheres com vigor e energia de sobra? A sala estava lotada. Mais de 40 Dominiques participaram do encontro. 

O encontro foi realizado num espaço para eventos do escritório compartilhado We Work, onde fica o QG da Dominique. Duas sortudas  ainda ganharam de presente do pessoal do cowork dois lugares para trabalhar de graça por um mês. Tá bom ou quer mais? Tem mais sim: a Dominique Luciene Felix Lamy presenteou outras duas Dominiques com leitura de mapa astral. 

A conversa começou por uma discussão bem rica. A Dominique Eliane Cury Nahas perguntou sobre a sensação de ter mais de 50 anos nos dias de hoje. A maioria sabe que os rótulos de antigamente já não nos servem mais. Ninguém se sente uma “senhorinha” ou quer parecer uma idade que já ficou para trás. 

Todas concordaram que muita coisa mudou. Na realidade, há inúmeras vantagens e desvantagens em ser uma mulher de mais de 50 anos com as características de uma Dominique. E boa parte da nossa conversa girou em cima dessas características. Vou fazer um resumão de tudo o que falamos! 

Desvantagens de ser uma Dominique

Empregabilidade

Não se trata falta de disposição para trabalhar ou ter a capacidade. Infelizmente, o mercado de trabalho já não absorve mulheres mais velhas. Há algumas iniciativas para ajudar na recolocação profissional. Um dos caminhos discutidos foi a reinvenção.

Mudanças no Corpo

Esse assunto rende. Mas sabe o que a maioria disse? O corpo mudou mesmo e já não há mais aquela pressão em ser super magra. Claro que não é para se descuidar. Um medo evidente entre as Dominiques foi com relação à plástica e ao risco do exagero. 

Relacionamentos

A principal queixa foi a falta de companheiros disponíveis. As Dominiques estão em sua plenitude e ainda convivemos com alguns estigmas antigos sobre a independência feminina. Mas nenhuma se deixa abater por isso não. 

Ninho Vazio / Ninho Cheio

Houve aqui uma grande empatia. Todas sabem que ficar sem os filhos em casa foi um grande desafio. Mas uma vez que a liberdade chegou, ahh…. perdê-la é complicado. É que a volta dos filhos tira da rotina e até a convivência é mais difícil. 

Roupa

A eterna discussão. O problema aqui não é ser Dominique. Mas achar roupas em tamanhos adequados e que não nos deixe com a aparência de muito mais velha. Muitas lojas não têm modelos interessantes para mulheres mais velhas, que não querem parecer jovens demais. 

Mas sempre há os dois lados da história, certo? Claro que há inúmeras coisa boas em ser uma Dominique. Afinal, são mais de 50 anos vivendo, aprendendo, quebrando a cara e retornando lindíssimas 🙂

Vantagens de ser uma Dominique

Experiência

Hoje sabemos o que gostamos, como gostamos e – principalmente – o que não gostamos. Além disso, podemos dizer um sonoro “que se dane” para as pequenas bobagens da vida. Aprendemos mesmo que o que vale é o nosso bem-estar.

Paciência 

As Dominiques já não levam tudo tão a ferro e fogo. Por isso, ficam um pouco mais maleáveis e já não entram em atrito por pequenas bobagens. Mas também já não gastamos tempo com coisas que só nos fazem perder tempo…

Opinião dos outros

Sabemos muito bem dos nossos melhores atributos. Então, a opinião dos outros já não pesa mais como pesou até alguns anos atrás. E aprendemos a reconhecer o que é tóxico. Também aprendemos que a nossa felicidade não é perene, mas formada de pequenos momentos e que aproveitamos ao máximo.

Aceitação

As Dominiques já realizaram conquistas importantes. Mas também aceitam muito melhor o que não podem mudar. Hoje, a plenitude está em reconhecermos as conquistas que tivemos sobre a mulher que fomos alguns anos antes. O que você conquistou?

Ser Inspiração

A Luciene contou a história mitológica do início da Guerra de Tróia. Uma longa história curta – um dia conto ela inteira – a batalha começou após uma disputa no Olimpo pela escolha da deusa mais bonita. Afrodite ganhou porque todos se curvavam a sua imensa beleza. E  ela tinha apenas um “inimigo”: Cronos, o deus do tempo. Não se trata de não cultivar a beleza. Mas sobre colocar o foco nas nossas conquistas e no que cultivamos até hoje.

Hoje as Dominiques são modelo e a inspiração para muitas mulheres mais novas. Como afirmou a Dominique Beth Penteado: a vida já não é mais linear, como foi na época de nossas mães e avós. Não há mais um roteiro a seguir. Hoje somos nós que estamos trilhando esse caminho para a próxima geração de mulheres de mais de 50 anos. 

A gente conversou muito. E o encontro acabou com aquela vontade de queremos mais! Quem sabe esse não foi só o começo? 

Outros eventos para Dominiques:

Pequenos Encontros, Grandes Histórias

1 Comentário
  1. Perfeito o texto.
    Colocou todos os pontos de uma maneira muito clara.
    Parabéns a DOMINIQUE que fez este relato.

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O livro de receitas das Dominiques

Você já está participando do nosso Grupo das Dominiques? Está super movimentado, todo dia tem uma novidade por lá. Foi no nosso grupo que surgiu a ideia de criarmos O Livro de Receitas das Dominiques. As únicas regras para enviar os cardápios foram: ser light e ser para servir no jantar. 

Muitas Dominiques aderiram ao nosso projeto em grupo e enviaram as suas sugestões de pratos com baixa caloria. Outras apoiaram a iniciativa e já querem guardar as receitinhas. Eu também adicionei algumas ideias de comidinhas que eu gosto muito. A partir de agora vamos transformar esse post no nosso livro de receitas. O que você acha? 

A opção pelos alimentos leves no jantar tem uma explicação. E se você é Dominique pode se identificar com os motivos. O primeiro deles refere-se às mudanças físicas e nutricionais que passamos após os 50 anos. Além disso, precisamos ingerir quantidades ideais de alimentos e redobrar a atenção para a qualidade nutricional.

Acho que 10 entre 10 Dominiques vão concordar. O acúmulo maior de gordura abdominal preocupa algumas mulheres e o ganho de peso geral tira muitas outras do sério. Mas não precisa perder a cabeça, o sono e nem viver só de alface! O caminho é selecionar um cardápio balanceado e muito saboroso. 

Cardápio para as Dominiques

A seguir você verá algumas receitas minhas e outras compartilhadas pelas Dominiques no nosso grupo. Tem algumas super originais, nunca tinha experimentado. Deu água na boca!!!

Omelete de Berinjela

Salada de Atum com Abacate

Frango com molho Teriyaki

Torrada de batata doce

Espaguete de Abobrinha

Salmão Mediterrâneo

Crepioca Light

Mais posts com receitas

Cardápio de praia

Receitas com bacalhau

2 Comentários

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E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil?

Sabe, algumas coisas eu gostaria de ter vivido como por exemplo, o Festival de Woodstock. Apesar de ter 5 anos naquele agosto de 1969, tenho memórias afetivas em relação ao evento. Por certo essas memórias foram construídas em cima do que se escreveu e do que se falou a respeito. Inegavelmente a experiência de Woodstock foi transformadora para os jovens que estiveram naquela fazenda americana por 3 dias. É provável que muito do que vivemos hoje é fruto de Woodstock.

Aí me pego pensando se haveria uma remota possibilidade de um Festival como Woodstock ter acontecido pioneiramente no Brasil. Será? *

Não sei. Entretanto sei que um Festival como o de Woodstock mudaria a cara do Brasil. E essa semana em que todos os veículos estão fazendo matérias do que foi o festival e seu legado, resolvi fazer um exercício. Escrevi um texto como se nosso país tivesse sido sede do maior evento de música do planeta em 1969.


E já na linha do “e se”, aposto que tudo teria acontecido no interior de Minas Gerais. Por que? Porque que outro estado do país tem uma cidade chamada Nanuque?
Existe nome melhor para um Festival do que Nanuque? Soa quase internacional, né não?


Bom, isto posto, vamos a meus delírios?

E se Woodstock tivesse sido aqui
O festival de música que mudou o Brasil faz 50 anos

O Festival – Onde

E foi há 50 anos que um punhado de jovens mineiros em férias por pura falta do que fazer, resolveram produzir um festival de música. Simples assim até porque antes de mais nada, mineiros são empreendedores até quando estão de férias.

Eram muitos os sócios naquele empreendimento. Estudantes de cursos variados da Universidade de Ouro Preto, que acabaram não viajando nas férias de verão.

Em 1969 o Brasil vivia um momento político dos mais difíceis da história. Entradas foram cobradas com o intuito de que o dinheiro arrecadado no Festival fosse enviado para as famílias dos presos políticos da época ou para aqueles exilados.
Com esse mesmo mote conseguiram surpreendentemente que todos os artistas aderissem ao evento e tocassem pela causa sem cachê.

Nanuque não foi a primeira opção escolhida para acolher o festival e sim Araponga, uma cidade na Zona da Mata (vamos combinar que Araponga também seria um nome maravilhoso) entretanto fazendeiros e coronéis de Araponga nunca admitiriam aquela invasão bárbara de jovens contraventores. Uniram-se formando uma comissão e mandaram o filho de um deles, recém saído do Largo São Francisco, impetrar algum mandato de segurança a fim de impedir aquela loucura . Tarefa bem sucedida visto que o Festival foi expulso sumariamente daquela área.

O êxito do jovem advogado espalhou-se rapidamente de tal forma que ele se tornou representante legal de grandes usineiros da região. Daí a se tornar um famoso advogado defendendo crimes cometidos por poderosos endinheirados foi um pulinho. Assim não demorou muito para que Marcio Thomaz Bastos se tornasse Ministro da Justiça.

E se o festival tivesse sido em Nanuque?
Você sabe onde fica Nanuque? 500.000 pessoas descobriram como chegar lá em 1969

Quando

– O evento que aconteceria em janeiro, no verão, teve que ser adiado para agosto por falta de licenças e outras burocracias do estado. Estipulou-se assim que o Festival de Música de Nanuque aconteceria nos dias 15,16 e 17 de agosto de 1969.

Os nascidos depois de 1975 não tem ideia da burocracia, lentidão e “cafezinhos” necessários para que as coisas funcionassem. Se temos hoje o sistema público mais eficiente do planeta, em 69 podíamos dizer que tínhamos o pior. Para os que não sabem, simplificar e digitalizar todos os nossos processos só pode acontecer depois que Roberto Justos entrou na máquina e inclemente, demitiu quem precisava ser demitido, começando assim a azeitar a máquina e principalmente simplificando processos que eram complicados por uma cultura que já não mais nos pertencia.

O Público


– O público presente superou e muito a previsão dos organizadores uma vez que Zélia Cardoso de Melo, responsável pela contabilidade do evento, estimou que 50.000 pessoas estariam no Festival . Pode-se dizer que ela passou perto (kkkk) uma vez que 500.000 pessoas passaram por Nanuque naquele fim de semana de agosto. Por causa de um “errinho à toa” de cálculo como esse Zélia desistiu da carreira de economista e foi tentar a vida como trapezista num circo da cidade.

Os Problemas e as Soluções

Os organizadores não contavam que inesperadamente 450.000 pessoas a mais apareceriam por lá causando um verdadeiro caos.
Mas as soluções apareceram porque afinal de contas os nossos jovens sempre foram muito mais criativos.

A maior de todos as dificuldades foi alimentar durante 3 dias aquele mundo de gente, no entanto o problema da alimentação não teria sido tão grave e desesperador se o responsável pela logística não tivesse fugido com o dinheiro. Ahhh sempre alguém foge com o dinheiro. E nesse caso foi um estudante argentino que não deixou rastros.
– A solução veio de um convento de freiras baristas que ficava às margens do Rio Mucuri e vizinho de um laticínio que doou todas as sobras de queijo. Por fim, o que alimentou  aquelas 500.000 pessoas foi o mineiríssimo pão de queijo feito pelas freiras com uma antiga receita de uma delas .

O Pão de queijo com Tubaína

-E foi assim que o pão de queijo ganhou fama internacional dando ao Brasil um quitute para representá-lo como os doces conventuais de Portugal, o faláfel de Israel e da esfiha dos Libaneses.

-A única bebida disponível além das pinguinhas dos alambiques era a dulcíssima Tubaína. E foi certamente em Nanuque que Tubaína caiu no gosto dos jovens. Em 1985 a Holding Tubaína Inc. comprou a Coca Cola tornando-se uma marca mundial.

Este foi o setlist para os 3 dias do Festival de Nanuque

  • Sá, Rodrix e Guarabyra
  • Lo Borges
  • Tete Espíndola
  • Lilian sem o Leno
  • Milton Nascimento
  • MPB4

Para o segundo dia

  • Raul Seixas
  • Tim Maia
  • Mutantes
  • Erasmo Carlos
  • Secos e Molhados
  • Jorge Bem
  • Tony Tornado

E para o último dia:.

  • Alceu Valença
  • Elba Ramalho
  • Gilberto Gil
  • Gal Costa
  • Wilson simonal.
  • Vanusa

Coisas que aconteceram

Tim Maia não apareceu. Deu o cano sem ao menos avisar. Para tapar o buraco na programação, uma das organizadoras colocou para cantar seu namorado uma vez que este tinha grandes aspirações artísticas. Pena  ele estar tão chapado a ponto de esquecer a letra de Blowin’ in the Wind levando a maior vaia. Foi aí que Eduardo Suplicy desistiu de ser vocalista na Banda Nagasaki e por conseguinte qualquer tipo de carreira musical, entrando para a política logo depois do Festival. Chegou a ser Senador da República, sempre entoando Blowin’ the Wind, nos bons e nos maus momentos.

Rita Lee no Festival de Nanuque
E foi com muito custo que Rita Lee conseguiu sua credencial para o Festival de Nanuque

– A segurança do show, não acreditou que Rita Lee era a Rita Lee. Ela teve que cantar Panis e Circenses para o leão de chácara, para que ele deixasse ela subir ao palco onde os outros integrantes dos Mutantes já a esperavam aflitos. Ritinha linda linda linda, tornou-se a musa do Festival de Nanuque e a rainha do Rock’n’roll. Estourou nas paradas de sucesso do mundo inteiro tendo Ovelha Negra em primeiro lugar da Bilboard por meses. Seus shows no Central Park ficaram famosos. Teve convidados como : The Doors, Beatles, Barão Vermelho, Simon and Garfunkel (teve um namorico com o Simon), Secos e Molhados, David Bowie, Cauby Peixoto e por aí vai. E até hoje, Ritinha nega-se a gravar CD de Natal. Talvez graças a ela essa moda tenha caído em desuso há anos! Só temos a agradecer, né?

E a chuva?

– Nuvens carregadíssimas aproximavam-se anunciando senão o apocalipse, uma tempestade indesejada. A turma da era de Aquário juntou-se num mantra com certeza de resultados positivos. Deram-se as mãos e juntos entoaram ritmadamente, como se fossem tambores indigenas – Chu-va não! Chu-va não! Chu-va é pra bur-guês! Aqui só tem nu-dez!. Infelizmente a chuva caiu a despeito dos clamores. Como sempre. E quem se deu bem foi o vendedor de capa de chuva, Luiza, Tia Luiza. Já sabem quem né?

– Acredite se quiser, mas durante aqueles 3 dias, não houve um único incidente violento. Pode-se dizer talvez que o ocorrido no show de Erasmo Carlos tenha sido áspero ou um pouco mais quente, mas jamais agressivo. Tremendão foi o quinto nome da noite, com a platéia já aquecida em todos os sentidos. Quando estava prestes a começar entra no palco um jovem muiiito louco chamado Olavo de Carvalho, fazendo um discurso de protesto contra a prisão de um companheiro de luta, o José Dirceu. Erasmo Carlos não achou engraçado. Muito pelo contrário, irritado grita para Olavo de Carvalho : – Cai fora!! Cai fora de meu palco!! Você não vai F****R com o rock’n roll

Vanusa, encerrou o festival, puxando um Hino Nacional, numa atitude altamente temerária para o período e o público. Porém foi acompanhada por um guitarrista desconhecido que fez alguns riffs em cima do Hino. A galera delirou. Talvez por conta do horário, da embriaguez, da exaustão ou ainda da micro saia da cantora, existe uma grande probabilidade de ninguém ter reconhecido aquela música como sendo o Hino Nacional. Os riffs de Pepeu Gomes foram eternizados assim como ele considerado o maior guitarrista de todos os tempo.

Alguns destaques

– Todo o evento foi documentado pelo jovem cineasta David Cardoso. Ele com sua Super 8 captou quase tudo e principalmente a essência do festival. Abandonou a faculdade de medicina, tornado-se um cineasta famosíssimo, ganhador de 2 Oscars, 3 Leões, e Palmas incontáveis com filmes sensíveis, profundos e de primorosa produção.

Amaral Gurgel, enviou o modelo Gurgel Itaipu Elétrico para desbravar a lama de Nanuque. Esse viria a ser o primeiro carro 100% brasileiro e primeiro carro elétrico do mundo já em 1969. Gurgel tornou-se o nome mais importante do setor automobilístico mundial. Chamou a atenção da Engesa, industria de tanques brasileira. Engesa e Gurgel juntos fundaram a EspaçoBr que em 1990 vendeu o primeiro voo comercial para a lua para Eike Batista.

Gurgel Itaipu, o carro elétrico Made in Brasil

Médicos? Para que médicos?

– Emergências médicas ocorreram aos montes. Inacreditavelmente nem uma única morte. Ainda mais se pensarmos que os médicos que tínhamos lá eram todos estudantes de universidades de medicina de diversos estados brasileiros. Foram recrutados pelos organizadores do evento e receberam em troca do trabalho, o transporte para Nanuque. Foi aí que Dráuzio Varella viabilizou seu sonho criando os “Médicos sem Fronteiras”.

E se nanuque tivesse sido aqui olha só os médicos
E aqui, alguns dos estudantes de medicina que se voluntariaram para atender a multidão de jovens que estiveram no Festival de Nanuque

E o argentino, hein?

Lembra do argentino que fugiu com a grana da logística? Ele voltou anos depois para o Brasil. Já não era apenas um argentino. Era agora um franco argentino por conta de seu casamento com uma milionária francesa que morrera subitamente deixando Luis Favre viúvo e solitário. E foi por isso que ele resolveu voltar para rever seus antigos colegas do Festival, sendo recebido e hospedado por Marta e Eduardo Suplicy.

Legado

O espírito do Festival de Nanuque, permeou toda a sociedade, facilitando a abertura política mostrando aos militares a maturidade de nossa juventude. A democracia foi restaurada na base da paz, do amor e da flor.

E assim o foi quando em 1971 as eleições diretas para presidente voltaram a acontecer no país. Eleito presidente da nova república democrática, Roberto Campos conduziu o país a liderança do bloco capitalista. Abriu nosso mercado, estimulando nossas industrias e seguindo os mais modernos conceitos da economia liberal.

E tudo na vida é uma questão de ponto de vista. Se o mundo é realmente redondo olha só como ficaria o mapa após Nanuque..

Woodstock no Brasil

Eu vou contar até 5 e quando estalar os dedos todos acordaremos no Brasil de verdade onde o Festival de Nanuque nunca existiu. E nos dias 14, 15 e 16 vamos comemorar os 50 anos do Festival de Woodstock, esse sim um divisor de águas

*Como bem lembrou Henrique Cury, tivemos no Brasil alguns festivais nos moldes de Woodstock como Águas Claras e Iacanga. Ambos aconteceram depois do Festival Americano. E vamos lá, por que você não faz como o Henrique e me manda uma sugestão para acrescentarmos nesse texto? Pode ser um delírio, uma possibilidade, um fato, o que vc quiser. Aí depois eu vou escrever a versão 2 de “E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil” com todos so créditos. Gente, isso pode ficar muito legal, viu?

Nota: Não tive uma grande preocupação com coerência de datas e idades. Aliás com coerência alguma. Por favor não leve esse textinho muito a sério. Foi só diversão. Beijo da Lili pro cê, tá?

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Woodstock – Estilo Boho Hippie de se vestir

Passeando com o passado

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Mas bah! Será que teria acontecido deste jeito ? não vi tu falando de ninguém tomado chimarrão e nem fazendo um churrasco de pelo menos umas lingüiças.

  2. Muito bom querida! Vá enfrente porque tens muitas riquezas internas para dividir conosco!! Bjo Vera

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