Tag: Título Original

Green Book – Road Movie divertido, que emociona e faz pensar

Concorrendo ao Oscar de 2019, nas categorias: de Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, e Edição, o longa Green Book é sem dúvida um dos grandes favoritos.

Baseado em uma história real, Green Book tem no título uma referência a um livro que apontava hotéis e restaurantes no sul dos Estados Unidos que aceitavam afro-americanos.

Era uma divisão bem rígida: se um negro entrasse em um estabelecimento para brancos, ele seria no mínimo humilhado.

E foi usando o velho livro para guiá-los aos poucos estabelecimentos da região que eram seguros para os afro-americanos.

O sucesso de Green Book é deve-se às interpretações de Mortensen e Ali. A dinâmica da dupla ganha não só valor de entretenimento como profundidade.

Mortensen vive um personagem cheio de dilemas internos, cuja jornada de redenção é um deleite de se assistir. Ele começa o filme como um carrancudo macho-alfa racista e vai se transformando em uma pessoa cujos preconceitos e paradigmas vão sendo quebrados aos poucos.

Há doçura na sua ignorância, o que aos poucos vai encantando o pianista e o espectador.

Essa transformação é abraçada com unhas e dentes pelo ator. Ele está estupendo, na melhor atuação de sua carreira, com sotaque italiano e os vinte quilos a mais conquistados para dar veracidade ao papel.

Já Mahershala Ali percorre um caminho inverso, desconstruindo Don Shirley ao longo de 2h10minutos. Ele começa arrogante por não se encaixar nas expectativas da sociedade para um homem com seu talento e sua cor. Seu pedestal é sua defesa. Desce de lá quando aceita a si mesmo.
A química entre os dois atores é essencial nessa dinâmica, da qual Farrelly extrai um humor simples e certeiro.

O ser humano é complexo, mas seus desejos são simples – amor, reconhecimento, aceitação . E é aí que os dois encontram o caminho em comum para uma evolução que precisa ser
individual para ser tornar coletiva. Uma sociedade é conseqüência dos seus indivíduos, diz o filme nas entrelinhas.

A mensagem é alta e clara, mostrando como os negros sofreram– e sofrem – com o preconceito até hoje, e isso é sempre mostrado de maneira tocante. É na superação desses eventos que o filme consegue manter o sorriso no rosto do espectador, com um humor extremamente inteligente e irreverente usado pelos roteiristas.
Ao lado do diretor de fotografia, Farrely traz imagens belíssimas e transições sensacionais, deixando o longa com cara de filme de arte – na medida ideal para que a produção se destaque no Oscar 2019, com a promessa de levar várias estatuetas.
Sensível, perspicaz, dramático e repleto de tiradas irônicas e
hilárias, Green Book-O Guia é aposta certa.

Veja Também :

A Esposa

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

A Esposa – Indicado ao Oscar

Com atuação sublime de Glenn Close, “A Esposa” torna-se um filme imperdível.

Há menos de um mês para a cerimônia de premiação do Oscar 2019, dia 24 de fevereiro, escolhi para comentar hoje, entre os indicados, A Esposa. O filme está concorrendo na categoria de Melhor Atriz Drama.

O longa, dirigido pelo sueco Björn Runge foi baseado no livro de Meg Wolitzer e tem roteiro maduro de Jane Anderson. Vem colocando o nome de Glenn Close nos holofotes, e depois do último Globo de Ouro (em que venceu na categoria de Melhor Atriz Drama), Close finalmente surge como a grande favorita ao Oscar. Close faz por merecer e entrega uma das performances interiorizadas mais soberbas dos últimos anos.

Na trama a atriz vive Joan, fiel esposa de um erudito escritor – Joe, papel de Jonathan Pryce. Quando o sujeito recebe seu tão almejado prêmio Nobel da Literatura, cabe à escudeira seguir a seu lado para receber as honrarias na Suécia. Nesta jornada, o roteiro vai revelando aos poucos, mais sobre quem são verdadeiramente essas pessoas além de marido e mulher vivendo felizes para sempre – e para que tudo se esclareça, flashbacks sobre o início do relacionamento na juventude também entram em cena. De forma inteligente, estas peças se encaixam e montam toda a base para que recapitulemos com outros olhos tudo o que vimos até então.

No longa a primeira etapa age como um drama comportamental, descortinando um relacionamento de décadas. Na segunda percebemos o conflito e que algo está errado. E na terceira, as incríveis revelações e grandes surpresas.

No filme descobrimos que ser a esposa de um renomado escritor pode ser uma tarefa muito mais árdua. Ela cuida de seu marido e o acompanha em diversas incursões conseqüentes a seu sucesso.

Joan carrega em seus ombros a responsabilidade de manter o equilíbrio em família.

Ela cuida de seu marido e o acompanha em diversas incursões conseqüentes a seu sucesso.

Joan carrega em seus ombros a responsabilidade de manter o equilíbrio em família.

Ela serve a Joe como uma secretária além de manter-se de olho na saúde de seu marido. Por sua vez, é justamente o seu olhar que carrega a melancolia de quem deixou há muito a plenitude e a felicidade em prol do auto sacrifício.

Björn Runge comanda a empreitada da esposa de um homem mundialmente reconhecido por suas obras literárias. Mas sabe de seus defeitos. Aliás, é justamente por este lado que o conhecemos. Sempre cativante e gentil, não compreende sua esposa. além do filho David, aspirante a escritor. E quando a família viaja à Estocolmo para que o homenageado receba seu prêmio, é possível perceber a fragilidade de Joe perante o assédio de um jornalista ávido por escrever uma escandalosa biografia, interferindo, inclusive, na harmonia da família.

“A Esposa” encara de frente a questão do machismo e da perenidade dos relacionamentos na terceira idade.

“A Esposa” é melancólico e representativo. E sim, trata de abuso passivo de uma forma digna a ser discutida. Dá voz e empodera a mulher, mesmo que tenha passado a vida inerte. Mas igualmente é humano e emotivo, chegando a causar aquele famoso nó na garganta em seu encerramento.

Um ótimo entretenimento!!!

Depois conta para mim se você gostou!

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Sementes Podres – Encara o mundo com humor e otimismo

Sementes Podres, apesar do nome, traz um otimismo quase
ingênuo para estes tempos em que vivemos dominados pelo
cinismo.
O ator, diretor e rapper iraniano-francês Kheiron dirige e
protagoniza a comédia dramática francesa, produção original da
Netflix que acaba de estrear na plataforma.

Kheiron aposta na compaixão e na paciência como formas de
educar crianças e adolescentes que têm tudo para tomarem
caminhos tortuosos.

No longa, o protagonista Wael, ainda menino viu toda a família
ser assassinada em um povoado qualquer do Oriente Médio.
Conseguiu escapar, sobreviver batendo carteiras e passando-se
por cego, até ser encontrado por uma freira que o leva para viver
em um orfanato. A história da infância de Wael é narrada ao
mesmo tempo em que sua vida presente, ao lado de Monique
(Catherine Deneuve), a freira que o salvou, agora ex-freira.

Ela ajuda a aplicar pequenos golpes até os dois serem pegos por um
senhor, Victor (André Dussolier), que conhece Monique há 30
anos. Victor tem uma instituição de apoio a adolescentes
problemáticos, e acaba empregando Wael como orientador de
um grupo.
Sementes Podres surpreende do começo ao fim. Nem mesmo
quando alguns clichês trazem um ritmo cômico para o longa, é a
mensagem por trás da história que contagia. Kheiron não apenas
é o protagonista perfeito, como realizou um excelente trabalho como roteirista.

O filme é leve apesar do significado denso que tem.


O roteiro explora os sentimentos de cada jovem, bem como de
seu novo mentor. Quando suas vidas se entrelaçam, percebemos
que há muito a fazer por aqueles que estão ao nosso lado.
Além da interpretação fantástica de Kheiron, temos também a
maior diva da França em um papel de coadjuvante perfeito para
ela: Catherine Deneuve. Deneuve, esplêndida como a mulher
que resgatou Wael durante a revolução Islâmica e o levou para a
França, cuidando dele com todo amor e carinho de uma mãe.

A sensibilidade de Kheiron é gigantesca e ele faz aqui uma de
suas melhores obras até o momento. Sementes Podres traz as
marcas das produções francesas, como a mistura da comédia
com drama, mas também tem elementos pessoais do autor, que
com bastante sutileza faz uma crítica ao modo de como as
pessoas vêem os imigrantes naquele país. O longa deixa a
certeza de que só o amor, a empatia e o conhecimento podem
triunfar sobre a vilania, a intolerância e a ignorância.
Temos aqui um bom filme, com tempero franco-persa de
Kheiron, resultando em 100 sólidos minutos de entretenimento
que comove, emociona e toca pela extrema sensibilidade.
Aqui fica a dica de um filme que realmente merece ser visto.

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Lazzaro Felice – Italiano, inédito e premiado

Hoje comento o belo e instigante filme, Lazzaro Felice, vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes deste ano. Já em exibição no Netflix antes mesmo de estrear nos cinemas brasileiros.

Poético e desconcertante, “Lazzaro Felice”é um dos grandes acontecimentos cinematográficos de 2018. Representa a Itália na disputa por uma vaga para Oscar de Melhor Filme Estrangeiro,

O longa-metragem assinado pela italiana Alice Rohrwacher,  retrata as relações de trabalho e poder no mundo contemporâneo, de forma idílica e perturbadora. Esteticamente intrigante, o longa não é apenas um espetáculo para os olhos. É uma verdadeira reflexão sobre o capitalismo, seus desvios e perversidades.

O personagem-título, vivido de forma sublime pelo estreante Adriano Tardiolo, é um garoto pobre e pouco inteligente, mas extremamente bondoso. Explorado pelos familiares, faz trabalhos forçados diariamente. Ainda colabora com a marquesa, proprietária das terras onde vivem, (numa região rural italiana) que também os explora em regime de escravidão como se vivessem na Idade Média. Mas tudo se passa em algum momento dos anos 1990, a julgar pela onipresente dance music dos aparelhos de walkman. No entanto após um acontecimento, Lazzaro retorna à vida no século XXI.

Lazzaro Felice não compreende mais a lógica desse mundo, mas pretende reencontrar sua família e viver como antigamente.

Economizando nas expressões faciais, ele consegue uma performance mais corporal. Entrega-se inteiro para convencer como um sujeito que pode ser confundido com um tolo, guarde em si uma bondade que ninguém pode tirar. E apesar dos dissabores diários, ele ainda consegue sorrir e ser otimista.

Lazzaro gosta de deixar as pessoas felizes. Mesmo que isso não lhe traga qualquer benefício, a não ser ver um sorriso estampado no rosto delas. Por Isso faz que as pessoas o explorem. Ai temos uma batalha velada da maldade humana contra a bondade da alma de Lazzaro e isso é muito bem representado aqui.

Lazzaro com sua ingenuidade e servidão, é o fio condutor de um registro das mudanças sociais e econômicas de uma Itália em permanente convulsão.

Um filme de arte, construído com cuidado, com atuações acima da média, e que traz uma profunda reflexão. Quando não às lágrimas, mas que, ao fim deixa a nossa alma leve.

Trailer de Lazzaro Felice

Veja Também : O Universo Conspira

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Prenda-me Se For Capaz – Di Caprio é aquele falsificador

Prenda-me Se For Capaz – A história real de um verdadeiro falsificador

Disponível no Netflix, hoje comento Prenda-me se for capaz, filme que reúne gigantes de Hollywood em uma história divertida, malandra e real, narrada com muita competência.

A partir do livro autobiográfico de Frank Abagnale Jr, tornou-se um dos criminosos mais procurados dos EUA entre os dezesseis e vinte e um anos de idade. Distribuiu mais de 2,5 milhões de dólares em cheques sem fundos, magistralmente bem feitos.  E é claro, assumiu diversas identidades falsas.

Se fez passar por advogado, médico, e até mesmo um piloto de avião.

Perseguido pelo agente do FBI, Carl Hanratty, Frank Jr aplica golpes em diversos países durante sua fuga, dando origem a um jogo internacional de gato e rato.

 

O livro caiu nas graças de Steven Spielberg. E foi levado aos cinemas com imenso sucesso de público e de crítica. Afinal, não é todo o dia que se depara com uma mente tão genial e incrivelmente esperta como a de Frank Abagnale Jr.

Não espere grandes arroubos visuais, planos mirabolantes, edição frenética ou um roteiro épico. Mas também não há espaço para a decepção: é entretenimento de 1ª qualidade.

A trilha sonora de John Williams, lembrada pela academia, está muito bem adequada, e o roteiro funciona a contento com todas suas reviravoltas.

Interpretado com charme e energia por Leonardo Di Caprio, Frank Abagnale Jr tem, como grande arma, sua aparência bela, jovial e inocente. Ele sabe que uma mentira dita com firmeza assume caráter de verdade indiscutível. Com isso, o rapaz demonstra sua inteligência e criatividade em várias situações inicialmente adversas.

Porém, apesar de infringir a lei, a todo o momento, o personagem jamais deixa de contar com a simpatia do espectador, já que Di Caprio (um dos melhores de sua geração) é bem sucedido ao retratar o bom coração de Frank, que é apenas um garoto que quer reunir os pais divorciados.

Di Caprio, com desempenho irrepreensível, é a alma do filme.

Seu parceiro de cena, o indiscutível Tom Hanks, como o agente do FBI, Carl Hanratty. Este, perseguidor do notório falsário, está divertidamente cômico, faceta esta que andava meio esquecida pelo ator. E Christopher Walken impressiona por se encontrar numa persona completamente diferente do seu tipo habitual. Ele dá vida a um homem fracassado, que perde sua mulher para o amante. Mesmo assim não consegue enxergar o mal. Na cena do restaurante, o diálogo com o filho é simplesmente irretocável. Foi indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante por sua atuação como o pai Frank Abagnale

Dizem que a mentira tem pernas curtas. Deve ser até verdade. Mas quando ela é contada com o rosto angelical de Leonardo Di Caprio, o olhar perspicaz de Tom Hanks e a mão mágica de Steven Spielberg, fica fácil acreditar em qualquer história.

Mesmo sendo fantástica demais para ser verdade.

Não perca!

Eu amei!

Uma delícia de filme.

 

Trailer:

 

Veja também:

Mentiras do bem – Elas existem

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.