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Euforia: Trama delicada sobre o silêncio e a negação de um amor fraterno

Selecionado para a Mostra Un CertainRegard no festival de Cannes de 2018 e destaque da programação do Festival do Cinema Italiano no Brasil, “Euforia” é o tipo de filme que se aprofunda em seus personagens a partir das relações familiares vistas em cena.

“Euforia” é o segundo longa dirigido pela italiana Valeria Golino, uma das atrizes mais talentosas do cinema contemporâneo.

Valeria ampara bem suas ambições ao construir uma trama delicada que funciona muito bem.

Matteo (Ricardo Scarmacio) vive um personagem com bastante sensibilidade, é o filho perfeito, porém distante. Publicitário de sucesso, mora numa bela casa em Roma, tem muitos amigos e todos os luxos e conforto possível. Ettore (ValerioMastandrea), por outro lado, foi o que ficou na casa da família, no interior, e sempre levou uma vida mais acomodada. Professor casou cedo com a primeira namorada, e com ela teve um filho. Num primeiro momento é o mundo desse que começa a naufragar, quando recebe uma terrível notícia. Separado, morando com a mãe e com pouco tempo para cuidar da criança. Os dois, no entanto, são irmãos. E quando o caçula recebe a notícia sobre o que está acontecendo com o irmão mais velho, decide fazer tudo o que está ao seu alcance para ajudá-lo. Mesmo que aquilo que lhe é possível de imediato não faça muita diferença na vida do outro.

Desta forma, o grande potencial oferecido por seus personagens são as possibilidades de conflitos entre os irmãos devido às suas características pessoais. Ambos são figuras complexas, principalmente  Matteo, contribuindo para a dúvida sobre como cada acontecimento irá ser interpretado por eles. A cada nova interação entre os irmãos, suas histórias são reveladas aos poucos para o público, preparando-o para um choque capaz de acontecer a qualquer momento, mas muito bem construído até o final do longa.

“Euforia” é acima de tudo, um conto sobre os tempos que vivemos. E se mesmo assim tais rótulos acabam sendo explorados – aquele com todos os bens materiais sofre de solidão e carência, assim como o que enfrenta uma luta diária para seguir adiante tem mais com o que lidar dentro de si do que passa ao seu redor – eles surgem como ferramentas para um discurso superior, de fraternidade e aceitação. São humanos, repletos de falhas e alegrias, tristezas e acertos. E será esse conjunto que fará do banal, algo acima do esperado. Um acerto de pequenos detalhes, que resulta em um conjunto maior do que a soma das suas partes.

Próximo ao desfecho a produção brilha, com a solução encontrada para o conflito dos irmãos. 

Uma bela história sobre reconhecimento e aprendizado sobre a dor, utilizando como pano de fundo o relacionamento de irmãos com vidas distintas. Apesar de vidas conflitantes, ambos se querem bem acima de qualquer coisa.

Par o público mais aberto e disposto a prestar atenção, é suficiente para revelar incômodos e reflexões não tão fáceis assim, um feito notável do longa.

Muito bom!

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Assunto de Família – Real significado de uma família

Ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 2018, Assunto de Família deixa claro: lida com tema muito caro para o diretor e roteirista japonês Hirokazu Koreeda. Aqui, ele tenta observar e estudar o que é exatamente uma família, como ela se forma e como ela se mantém unida, com uma esperada abordagem lírica para uma história simples.

Em Assunto de Família, somos introduzidos ao lar de uma empobrecida família japonesa da periferia de um centro urbano contemporâneo, Tóquio. Mãe, pai, tia, avó, duas crianças não compartilham laços de sangue, mas vivem juntos, dividindo refeições, a cama onde dormem e, sobretudo, frutos de pequenos furtos em mercados e lojas de roupa. Sobrevivem e, quando possível, se divertem, amam, gargalham, celebram.

Apesar de uma aparente conveniência – afinal, torna-se mais fácil sobreviver em grupo do que sozinho – as relações humanas entre os membros da família vão muito além disso. A comunicação se revela sempre íntima e direta, sobretudo quando eles precisam surrupiar roupas e frutas.

Desde a seqüência inicial até meados do filme somos chamados a testemunhar uma situação controversa que nos instala em uma desconfortável ambigüidade moral: a família vive de pequenos furtos, para os quais o menino Shota (Jyo kairi) é devidamente treinado, até fraudes e outros expedientes obscuros que vão progressivamente se acentuando. Por outro lado, os laços de fraternidade, companheirismo, apoio e afetos mútuos brilham na tela de modo cativante, apelando ao que há de mais profundamente humano em nossa capacidade de empatia e de compaixão.

Conflitos morais

Para nossa surpresa, o principal conflito diz respeito ao senso moral dos próprios personagens, quando um deles começa a questionar este modo de vida. Antes da transformação do drama ao suspense policial, a narrativa nos prepara com pequenos conflitos psicológicos. A ruína viria de dentro de cada um, e não do mundo exterior.

Koreeda sempre foi um diretor de histórias de famílias, com relatos apegados a sentimentos diversos, das dores às alegrias. Assunto que repete sua já conhecida discrição e naturalidade – ao tratar de cada personagem. É aí que o elenco brilha mais do que a direção singela do autor.

Assunto de Família desenvolve a motivação e desejo de seis personagens fascinantes, criando belos instantes de interação entre eles. É muito difícil atingir uma dinâmica tão fluida, simples e realista quanto esta.

Assunto de família mescla doçura e amargor na medida ideal – transitando facilmente entre a inocência do olhar infantil, com a sobriedade prejudicial de quando sabemos que nossos atos interferem diretamente com o bem estar do próximo.

Muito bom!

Aqui fica a dica!

Assista o trailer

Outros filmes na Netflix

Olmo e a Gaivota

Animais Noturnos


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A Favorita: sátira palaciana com humor ácido traz o antigo e o novo ao Oscar 2019

O premiadíssimo “A Favorita” conquistou sete máscaras douradas do Bafta, Academia Britânica de Cinema, além de dois prêmios no Festival de Veneza e teve presença de gala no Globo de Ouro e no Critics’ Choice Awards. 

O longa ainda concorre neste domingo, 24 de fevereiro, a dez estatuetas ao Oscar.

Considerado um dos grandes filmes do ano, “A Favorita” mescla com muita propriedade e talento tremendo humor àcido a uma trama sóbria da história e política. 

O filme traz um esplendor visual com figurinos e acessórios deslumbrantes. As locações mostram toda a grandiosidade da corte inglesa do século XVIII e a fotografia tem uma paleta de cores e um contraste que esperamos de um filme ambientado nessa época. Aí podemos elogiar as cenas de cozinha do palácio e especialmente as cenas com iluminação à luz de velas que são um verdadeiro presente para os olhos.

O cineasta grego Yorgos Lanthimos, o rei dos filmes perversos, faz aqui uma sátira sobre a realeza.

O longa conta a história da duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) que exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante da rainha Anne (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes a oportunidade única.

O diretor usa todo o seu cinismo em “A Favorita” para mostrar um elaborado jogo de sedução e poder entre as três mulheres. O ponto alto do filme é mostrar esse conflito entre as duas pelo favoritismo da rainha e como ela reflete diretamente tanto na posição dessas mulheres na corte, como nos rumos da Inglaterra e da guerra.

Totalmente focado em personagens femininas e nos jogos de poder que se enclausuram nos bastidores, honra o período histórico a que se refere, mesmo diante de uma história absurda.

“A Favorita” retrata o luxo de modo crítico, e a vida de privilégios não é apresentada ao espectador de maneira desejável, e sim como uma configuração grotesca e artificial.

Com personagens indiscretos e famintos, o longa flagra o ser humano no seu pior e tem o despudor de rir disso e convidar sua audiência a se divertir com a própria tragédia.

O roteiro e os diálogos são um primor, bem como toda a parte técnica – devidamente ornada pelas indicações.

Com uma inspirada trinca de atrizes, todas merecidamente lembradas pela Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, “AFavorita” é um filme de época totalmente diferente de todos aqueles já vistos.

Além do domínio de Colman – no papel mais difícil, o resto do trio está tão a vontade que é difícil dizer quem é a protagonista e pilar dessa estrutura. Méritos para o roteiro e direção esmerada de Lanthimos.

O diretor transforma sua sátira sobre a realeza em uma profunda constatação do quanto as pessoas são imperfeitas, mas Lanthimos não se apieda de seus personagens, nem tampouco de seu público que precisa ou embarcar em sua sintonia, ou tolerá-la. Talvez seja melhor aderir a essa alucinógena narrativa.

E… the Oscar goes to…


Confira a resenha de outros concorrentes ao Oscar:

Bohemian Rhapsody

Green Book

A Esposa

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  1. Your article helped me a lot, is there any more related content? Thanks!

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Green Book – Road Movie divertido, que emociona e faz pensar

Concorrendo ao Oscar de 2019, nas categorias: de Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, e Edição, o longa Green Book é sem dúvida um dos grandes favoritos.

Baseado em uma história real, Green Book tem no título uma referência a um livro que apontava hotéis e restaurantes no sul dos Estados Unidos que aceitavam afro-americanos.

Era uma divisão bem rígida: se um negro entrasse em um estabelecimento para brancos, ele seria no mínimo humilhado.

E foi usando o velho livro para guiá-los aos poucos estabelecimentos da região que eram seguros para os afro-americanos.

O sucesso de Green Book é deve-se às interpretações de Mortensen e Ali. A dinâmica da dupla ganha não só valor de entretenimento como profundidade.

Mortensen vive um personagem cheio de dilemas internos, cuja jornada de redenção é um deleite de se assistir. Ele começa o filme como um carrancudo macho-alfa racista e vai se transformando em uma pessoa cujos preconceitos e paradigmas vão sendo quebrados aos poucos.

Há doçura na sua ignorância, o que aos poucos vai encantando o pianista e o espectador.

Essa transformação é abraçada com unhas e dentes pelo ator. Ele está estupendo, na melhor atuação de sua carreira, com sotaque italiano e os vinte quilos a mais conquistados para dar veracidade ao papel.

Já Mahershala Ali percorre um caminho inverso, desconstruindo Don Shirley ao longo de 2h10minutos. Ele começa arrogante por não se encaixar nas expectativas da sociedade para um homem com seu talento e sua cor. Seu pedestal é sua defesa. Desce de lá quando aceita a si mesmo.
A química entre os dois atores é essencial nessa dinâmica, da qual Farrelly extrai um humor simples e certeiro.

O ser humano é complexo, mas seus desejos são simples – amor, reconhecimento, aceitação . E é aí que os dois encontram o caminho em comum para uma evolução que precisa ser
individual para ser tornar coletiva. Uma sociedade é conseqüência dos seus indivíduos, diz o filme nas entrelinhas.

A mensagem é alta e clara, mostrando como os negros sofreram– e sofrem – com o preconceito até hoje, e isso é sempre mostrado de maneira tocante. É na superação desses eventos que o filme consegue manter o sorriso no rosto do espectador, com um humor extremamente inteligente e irreverente usado pelos roteiristas.
Ao lado do diretor de fotografia, Farrely traz imagens belíssimas e transições sensacionais, deixando o longa com cara de filme de arte – na medida ideal para que a produção se destaque no Oscar 2019, com a promessa de levar várias estatuetas.
Sensível, perspicaz, dramático e repleto de tiradas irônicas e
hilárias, Green Book-O Guia é aposta certa.

Veja Também :

A Esposa

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Sementes Podres – Encara o mundo com humor e otimismo

Sementes Podres, apesar do nome, traz um otimismo quase
ingênuo para estes tempos em que vivemos dominados pelo
cinismo.
O ator, diretor e rapper iraniano-francês Kheiron dirige e
protagoniza a comédia dramática francesa, produção original da
Netflix que acaba de estrear na plataforma.

Kheiron aposta na compaixão e na paciência como formas de
educar crianças e adolescentes que têm tudo para tomarem
caminhos tortuosos.

No longa, o protagonista Wael, ainda menino viu toda a família
ser assassinada em um povoado qualquer do Oriente Médio.
Conseguiu escapar, sobreviver batendo carteiras e passando-se
por cego, até ser encontrado por uma freira que o leva para viver
em um orfanato. A história da infância de Wael é narrada ao
mesmo tempo em que sua vida presente, ao lado de Monique
(Catherine Deneuve), a freira que o salvou, agora ex-freira.

Ela ajuda a aplicar pequenos golpes até os dois serem pegos por um
senhor, Victor (André Dussolier), que conhece Monique há 30
anos. Victor tem uma instituição de apoio a adolescentes
problemáticos, e acaba empregando Wael como orientador de
um grupo.
Sementes Podres surpreende do começo ao fim. Nem mesmo
quando alguns clichês trazem um ritmo cômico para o longa, é a
mensagem por trás da história que contagia. Kheiron não apenas
é o protagonista perfeito, como realizou um excelente trabalho como roteirista.

O filme é leve apesar do significado denso que tem.


O roteiro explora os sentimentos de cada jovem, bem como de
seu novo mentor. Quando suas vidas se entrelaçam, percebemos
que há muito a fazer por aqueles que estão ao nosso lado.
Além da interpretação fantástica de Kheiron, temos também a
maior diva da França em um papel de coadjuvante perfeito para
ela: Catherine Deneuve. Deneuve, esplêndida como a mulher
que resgatou Wael durante a revolução Islâmica e o levou para a
França, cuidando dele com todo amor e carinho de uma mãe.

A sensibilidade de Kheiron é gigantesca e ele faz aqui uma de
suas melhores obras até o momento. Sementes Podres traz as
marcas das produções francesas, como a mistura da comédia
com drama, mas também tem elementos pessoais do autor, que
com bastante sutileza faz uma crítica ao modo de como as
pessoas vêem os imigrantes naquele país. O longa deixa a
certeza de que só o amor, a empatia e o conhecimento podem
triunfar sobre a vilania, a intolerância e a ignorância.
Temos aqui um bom filme, com tempero franco-persa de
Kheiron, resultando em 100 sólidos minutos de entretenimento
que comove, emociona e toca pela extrema sensibilidade.
Aqui fica a dica de um filme que realmente merece ser visto.

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Método Kominsky- Série diverte e emociona com dupla de atores

Douglas e Arkins excepcionais em Método Kominsky

Premiada no Globo de Ouro 2019 como a melhor série na categoria comédia, Método Kominsky conta com diálogos rápidos, boas pitadas de sarcasmo e humor ácidos. Toda história é centrada na amizade entre Sandy Kominsky, ex-astro de Hollywood, e seu agente Norman. A dupla é brilhantemente interpretada por Michael Douglas, que também foi premiado com a estatueta de melhor ator, e Alan Arkin.

Com apenas oito episódios, nenhum com mais de trinta minutos de duração, a produção conquistou a aprovação da crítica e do público.

Michael Douglas é Sandy Kominsky, um ator que já foi bastante celebrado, mas que agora encontra-se em pleno ostracismo. Passa o dia ensinando o tal “método Kominsky” de atuação em aulas de interpretação, enquanto não é chamado por seu agente Norman (Alan Arkin), para um novo trabalho.

Esse, no entanto, tem seus próprios problemas. Tanto que não aparece no próprio escritório há dois anos. Está lidando com a doença da esposa que vem a falecer no primeiro capítulo. Mas nada de desespero. Essa é uma comédia muitas vezes dramática, outras um pouco amarga, mas que faz rir, sim, da vida, das nossas debilidades e das ironias que o tempo costuma pregar.

Essa é uma comédia muitas vezes dramática, outras um pouco amarga, mas que faz rir, sim, da vida, das nossas debilidades e das ironias que o tempo costuma pregar.

O personagem de Michael Douglas não é um fracassado. Ao contrário. Foi bem na profissão. Seu curso cheio de alunos que o veneram, e ele ensina um método próprio de atuação. A melancolia que pauta a narrativa não advém de situações extremas ou surpreendentes. Ela é gerada por acontecimentos previsíveis na vida de qualquer pessoa. Sandy passa pelas coisas naturais do envelhecimento e esse é o tema central da trama.

A maior qualidade no texto da série é mostrar Sandy e Norman tropicando pelo caminho. Em em seus erros e faltas, tendo um ao outro para seguir em frente.

Não é o que ambos queriam, mas é o que ambos precisam. Por isso, que a série mais que funcionar, entretém com qualidade e toca profundamente.

Danny e Douglas mostram um envelhecer divertido
Método Kominsky reúne uma lista impressionante de participações especiais como Ann-Margaret, Elliot Gould, Danny Devito. Eles aparecem em pequenas cenas, mas que mostram o prestígio da produção.

O elenco central é compacto. Além dos dois, há Mindy (Sarah Baker), filha de Sandy, que administra o curso, e Lisa (Nancy Travis), uma divorciada com quem ele se envolve.

 A Netflix considera a série como comédia, mas o que ela pratica não é qualquer humor. Trata-se daquela graça azeda extraída de situações tristes. Feita muito bem pelos mais refinados roteiristas e atores.

Um dos grandes acertos da série é saber entregar ao espectador, várias possibilidades de risos, além da emoção dentro da história.

 Método Kominsky é assumidamente uma produção saudosista. Feito por e para aqueles que não têm medo de lidar com a velhice – e, por conseqüência, a morte – de braços abertos. E por que temê-la se podemos dar boas risadas dela?

Descrita como uma carta de amor à amizade, por Chuck Lorre seu idealizador, a série é uma ótima opção para quem gosta de séries leves mas repletas de tiradas inteligentes que definitivamente agradam, e muito.

https://youtu.be/K07wtt4ViOY
Veja também: Nossas Noites 
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  1. Thanks for sharing. I read many of your blog posts, cool, your blog is very good.

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Lazzaro Felice – Italiano, inédito e premiado

Hoje comento o belo e instigante filme, Lazzaro Felice, vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes deste ano. Já em exibição no Netflix antes mesmo de estrear nos cinemas brasileiros.

Poético e desconcertante, “Lazzaro Felice”é um dos grandes acontecimentos cinematográficos de 2018. Representa a Itália na disputa por uma vaga para Oscar de Melhor Filme Estrangeiro,

O longa-metragem assinado pela italiana Alice Rohrwacher,  retrata as relações de trabalho e poder no mundo contemporâneo, de forma idílica e perturbadora. Esteticamente intrigante, o longa não é apenas um espetáculo para os olhos. É uma verdadeira reflexão sobre o capitalismo, seus desvios e perversidades.

O personagem-título, vivido de forma sublime pelo estreante Adriano Tardiolo, é um garoto pobre e pouco inteligente, mas extremamente bondoso. Explorado pelos familiares, faz trabalhos forçados diariamente. Ainda colabora com a marquesa, proprietária das terras onde vivem, (numa região rural italiana) que também os explora em regime de escravidão como se vivessem na Idade Média. Mas tudo se passa em algum momento dos anos 1990, a julgar pela onipresente dance music dos aparelhos de walkman. No entanto após um acontecimento, Lazzaro retorna à vida no século XXI.

Lazzaro Felice não compreende mais a lógica desse mundo, mas pretende reencontrar sua família e viver como antigamente.

Economizando nas expressões faciais, ele consegue uma performance mais corporal. Entrega-se inteiro para convencer como um sujeito que pode ser confundido com um tolo, guarde em si uma bondade que ninguém pode tirar. E apesar dos dissabores diários, ele ainda consegue sorrir e ser otimista.

Lazzaro gosta de deixar as pessoas felizes. Mesmo que isso não lhe traga qualquer benefício, a não ser ver um sorriso estampado no rosto delas. Por Isso faz que as pessoas o explorem. Ai temos uma batalha velada da maldade humana contra a bondade da alma de Lazzaro e isso é muito bem representado aqui.

Lazzaro com sua ingenuidade e servidão, é o fio condutor de um registro das mudanças sociais e econômicas de uma Itália em permanente convulsão.

Um filme de arte, construído com cuidado, com atuações acima da média, e que traz uma profunda reflexão. Quando não às lágrimas, mas que, ao fim deixa a nossa alma leve.

Trailer de Lazzaro Felice

Veja Também : O Universo Conspira

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Filme Roma – Obra prima rara de Alfonso Cuáron

 

 

Roma, filme da Netflix dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, pode marcar uma nova era na relação da plataforma de streaming com suas produções de cinema.

Impedido de disputar o Festival de Cannes de 2018, diante da exigência da organização de estrear primeiro nos cinemas e só depois na Netflix, Roma foi apresentado meses depois no Festival de Veneza. Aí ganhou o Leão de Ouro como melhor filme, aclamado pela crítica e considerado por muitos uma obra prima.

 

O longa deve ser indicado ao Oscar de Melhor Filme. Sem dúvida é o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme em língua Estrangeira.
Roma é uma obra semi-biográfica baseada na infância de Cuarón. Ele cresceu no bairro que dá nome ao filme na capital mexicana e narra a trajetória da babá Cleo, a estreante (Yalitza Aparício), empregada de uma família de classe média na Cidade do México, durante um ano, entre 1970 e 1971. Ela é uma versão romanceada e ficcional de Libo, mulher que trabalhou na casa de Cuarón durante a infância do diretor e a quem o filme é dedicado nos créditos finais. Nesse período de um ano, muitos acontecimentos irão abalar a vida desse núcleo familiar, desde a gravidez de Cleo à separação de seus patrões.

Muito mais que homenagear alguém importante em sua vida, Cuarón retrata, e ao final eleva a força e a capacidade resiliente das mulheres que tem suas vidas deformadas pelo abandono masculino, e isso inclui a personagem Marina de Tavira, a matriarca da família.

Roma é um filme sobre laços. Uma longa memória de infância.
Roma também se destaca como uma obra de época, que retrata um México sob o fervor do ativismo de 1968 e da influência de uma nova cultura popular.
É curioso notar que o diretor construiu uma obra essencialmente intimista. Mas o foco está no desenvolvimento dos personagens e no retrato fiel da sociedade mexicana.

Mas em alguns momentos somos jogados em situações catástrofes ambientais e sociais absolutamente inesperadas. Com isso, o filme se torna quase sempre imprevisível e instigante.

Dirigido, escrito, produzido, fotografado e montado por Cuarón, o filme está abarrotado de cenas exuberantes, todas bem musicalizadas e fotografadas.

Rodado em preto e branco, o longa exala um virtuosismo técnico quase que a todo instante. A fotografia em preto e branco não é apenas um requinte visual majestoso. Ela reforça a intenção do diretor em apresentar a vida humana tal como ela é: monótona, quase sempre sem grandes reviravoltas. E marcada por decepções, abandonos, angústias, choro e, claro, esporádicos momentos de alegria.

E isso não é ser pessimista, mas reforçar uma realidade presente na vida de classe média baixa ou inferior.

Inteligente, sensível, envolvente, e acima de tudo, instigante. Uma obra de grande força para arrebatar a temporada de premiações que se apresenta. Roma é um filme que vai ficar em sua cabeça por muito tempo.

Aqui fica a dica!
Depois conta se você gostou.

Trailer:

https://youtu.be/MecB2hk13uU

 

Veja também :

Diário de uma Camareira

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Novidade na Netflix – A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata!

Banner_A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATASim, o título é esse mesmo, A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, filme baseado em uma obra literária bastante conceituada do mesmo nome, escrito por Annie Barrows e Mary Ann Shaffer.

O título é bem instigante por ser tão diferente, mas assim como no livro, traz uma trama fluida e bem dosada, um drama muito bem construído.

Londres 1946, a história gira em torno de Juliet Ashton (vivida por Lily James), uma jovem escritora que goza do auge de sua carreira em meio a palestras e eventos para promover sua mais recente obra.

Tentando cumprir sua apertada agenda, Juliet recebe uma carta de um desconhecido. Esse desconhecido é um fazendeiro que se apresenta como Dawsey Adams (Michiel Huisman), que começa a se corresponder por cartas com a protagonista.

Juliet se encanta com a história de Dawsey e do grupo de literatura que se formou durante a Segunda Guerra Mundial, a tal Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, e resolve visitar a Ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha, entre a Inglaterra e França.

A Ilha de Guernsey foi invadida por alemães na segunda guerra e o filme ajuda a ilustrar os impactos que a invasão nazista causou à população.

Ao chegar à Ilha, Juliet conhece o grupo de amigos que compõe a Sociedade Literária e a trama começa a ser desenhada.

O principal é o drama que envolve o grupo de moradores e amigos em Guernsey.

O longa conta com um clima leve, longe de qualquer relação direta com tradicionais histórias da segunda guerra.

Interna_A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATAA Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata possui um texto mais moderno que, como toda boa obra, sabe misturar história de amor épico com outras temáticas mais profundas e complexas.

A direção do competente Mike Newel consegue levar drama, comédia, romance e literatura com resultado muito agradável.

A ambientação do longa, somada com a trilha sonora e fotografia, também ajuda a dar o tom.

Uma história que cativa pela sensibilidade e emoção.

O ponto-chave para esse resultado de sucesso reside na aposta do diretor pela simplicidade e delicadeza da história, e também nas boas atuações entregues por parte do elenco.

O filme carrega de forma inteligente o impacto causado pela guerra, que é superinteressante, mas o que chama a atenção é o destaque da atitude de Juliet que reforça a retomada do poder de decisão da mulher sobre sua própria vida.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata não é só um drama/romance com tema de segunda guerra, mas traz também um ar feminista superpositivo, em uma época de transição e de quebra de paradigmas que foi o pós-guerra e que cabe ainda nos dias de hoje.

É um filme perfeito para aqueles que desejam se conectar com o poder da leitura e voltar a acreditar no amor ao próximo, uma vida simples, sem pré-julgamentos e na beleza de encontrar, em meio a um grupo, o seu lugar no mundo.

Sem dúvida, um filme belo e um ótimo entretenimento.

Aqui fica a dica!

Bom programa!

Trailer:

 

Leia mais:

Adeus, Minha Rainha – Os últimos dias de Versalhes na Netflix

Os Sabores do Palácio – Um delicioso filme na Netflix

 

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O Vazio do Domingo – Drama de reconciliação e redenção na Netflix

Banner_O Vazio do DomingoEntre os títulos originais Netflix, O Vazio do Domingo, que comento hoje, é um filme denso, dramático, instigante e desafiador.

Mais de trinta anos depois de abandonar sua família, Anabel (Susi Sánchez) recebe uma visita inesperada de sua filha Chiara (Barbara Lennie). Ela cede a seu desejo de passar dez dias em uma vila remota entre Espanha e França.

Sob a refinada direção do catalão Ramón Salazar, O Vazio do Domingo aborda o vínculo entre mãe e filha, o reencontro após décadas de separação, tudo retratado sem obviedade. Seja pelo apelo emocional embasado na crença de um elo de sangue falar mais alto, seja em uma investida na raiva guardada durante tanto tempo e o desenrolar, portanto, de um grande drama de reconciliação.

O diretor deixa claro que ser mãe e filha é questão de conexão emocional e que esta é construída e não determinada.

Interna_O Vazio do DomingoEm momento algum O Vazio do Domingo dá respostas fáceis, muito pelo contrário, o diretor se mostra audacioso quando alimenta o clima de mistério, quando esconde de nós os segredos que estão por trás das complexas personagens. Realça de forma espontânea o texto enquanto uma relação marcada pelo peso da culpa, pela dor e pela esperança de redenção é construída.

Não sabemos as circunstâncias em que o abandono aconteceu e isso é um dos combustíveis para o filme se tornar tão reflexivo.

O retrato, que foge de romantizações acerca da figura da mãe – amável, imaculada, presente – é um acerto, e a história compreende abordar muito além da maternidade.

Salazar esbanja delicadeza ao realmente estreitar a relação entre mãe e filha, delicadeza encontrada nas poderosas atuações da dupla de protagonistas.

Direção fotográfica impecável, com enquadramentos dignos de se tornarem quadros emoldurados. Não se deixe enganar pelo ritmo vagaroso do filme, pois sua real narrativa é feita pelas imagens, gestos, luz e cortes.

Com DNA feminino envolvendo o abandono materno, O Vazio de Domingo se revela um drama intimista que aposta nos ciclos que se fecham e que trabalha as lacunas que infelizmente são impostas pelo afastamento.

Um filme inquietante capaz de julgar e compreender, de agredir e se compader.

O desfecho é arrebatador!!!

Aqui fica a dica.

Não perca!

Trailer:

https://youtu.be/TsGGP3tyls0

 

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