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Maria Callas – Em Suas Próprias Palavras

Hoje não posso deixar de indicar o filme, Maria Callas – Em Suas Próprias Palavras, que teve sua estréia semana passada nos cinemas, filme lindo, emocionante, e obrigatório. 

Maria Callas nasceu em 1923 na cidade de New York, numa família de imigrantes gregos. Incentivada pela mãe a desenvolver os talentos artísticos desde cedo Callas foi logo reconhecida internacionalmente. Foi considerada a maior celebridade da ópera do século XX e a maior cantora de todos os tempos.

Dirigido pelo estreante Tom Volf, o documentário Maria by Callas (título original) já inicia com uma fala maravilhosa da cantora.

– Cantar é uma tentativa de subir aos céus.

A vida de Maria Callas foi cercada de polêmicas, amores, frustrações, cobranças do público e da crítica. A maneira encontrada pelo documentário para abordar isso foi montar o filme todo por meio das palavras da própria Callas.  Aliás, como revela o título em português.

O filme de Tom Volf tem qualidades intrínsecas. Quando não ouvimos a própria Callas, a atriz Fanny Ardant, que já fez o papel da cantora num filme dirigido por Franco Zefirelli, ou a também cantora lírica da atualidade, Joyce DiDonato, leem trechos de correspondência íntima de Maria (bem mais do que de “LaCallas”) para pessoas amigas. Às vezes tão famosas como ela como Grace Kelly. Outras vezes para pessoas amigas fora do circuito público do high society da época.

O conflito entre a vida artística tão exigente e a vida pessoal e familiar que não se realizaram nunca em plenitude é o que está na base da abordagem do filme. Maria tem que levar Callas para sempre. Compromete  sua intimidade e suas pretensões a uma vida simples e comum. A celebridade engole a pessoa.

Situações de estresse, de uma grande depressão, entre outros fatos íntimos que acometeram sua carreira, são muito bem ilustrados no documentário. O longa enfoca a personalidade de Callas e sua maneira de pensar sobre a vida.

A partir de entrevistas, do vasto e belíssimo material de arquivo, das filmagens pessoais e cartas íntimas, a vida e a carreira de Maria Callas são reconstituídas.

Além de excepcional cantora, Maria Callas também boa atriz. Condição esta, indispensável para o seu retumbante êxito na ópera. Trabalhou para ninguém menos que Pier Paolo Pasolini em Medeia, por exemplo. Mas a difusão do canto lírico para diversas gerações – venceu tudo. Já próxima da precoce morte, aos 53 anos, Callas buscava, mais uma vez, retornar aos palcos, lugar onde se sentia em casa.

Callas, se naturaliza grega por conta de seu envolvimento amoroso com Aristoteles Onassis. Apesar de provocar grande decepção e frustração, acabou resistindo, como forte amizade até a morte dele. Segundo o que se vê no filme o papel Maria Callas na vida de Onassis foi muito mais forte do que o de Jacqueline Kennedy. E o de Onassis para Callas, total e arrasador.

O filme de Tom Volf emociona, ao resgatar essa bela história, e ao nos apresentar maravilhosas performances musicais da grande diva.

A arte e a beleza são fascinantes para quem desenvolve a sensibilidade para apreciá-las.

Imperdível!

Aqui fica a dica.

Trailer:

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Agnus Dei – Les Innocentes

Uma história finalmente contada.

Les Innocents exibido no Festival Varilux de Cinema Francês em 2016, chegou por aqui com o nome de Agnus Dei. Baseado em fatos reais, filmado na Polônia e França, conta uma história de violência contra mulheres ao final da Segunda Guerra Mundial, em um vilarejo polonês.

Durante uma missão da Cruz Vermelha, a jovem médica francesa, Mathilde (Lou de Laâge), trata de sobreviventes franceses antes de serem repatriados. Mathilde descobre que freiras de um convento vizinho foram estupradas por soldados russos. Muitas delas estão grávidas. Apesar da ordem de prestar socorro apenas aos franceses, a médica começa a tratar secretamente de todas as freiras e madres e enfrenta os julgamentos das próprias pacientes que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade que se recusam a ter o corpo tocado por quem quer que seja até mesmo uma freira.

A talentosa diretora e roteirista Anne Fontaine ficou profundamente tocada com essa história sobre maternidade e questionamento da fé, e faz de “Agnus Dei”, um filme forte, denso e que provoca inúmeras reflexões.

O roteiro não tem como foco discutir a guerra em si, trata com atenção as consequências dos atos brutais dentro do convento e de como as freiras grávidas lidam com essa provação.

O longa é essencialmente de mulheres, mas alguns de homens aparecem em cena – especialmente no cotidiano de Mathilde, cercada de homens no hospital militar.

Um desses homens tem destaque na produção: o médico Samuel (Vincent Macaigne). Ele aparece, para reforçar a leitura da personagem de Mathilde e para ajudar a contrastar a vida dela com a das freiras do convento.

Conhecemos duas realidades diferentes: a das mulheres enclausuradas que acabam tendo suas vidas invadidas e agredidas de forma covarde, sem possibilidade de defesa em contraste com a vida independente de uma médica que fez a escolha de dedicar a vida para ajudar as pessoas na Cruz Vermelha.

Mathilde é solteira, possuí uma profissão, sai com o homem que quer, fuma, tem origem familiar comunista, e faz o que acha certo. Em contrapartida as freiras que ela encontra em situação de vergonha e medo devem seguir hierarquia com o propósito ter obediência, e dedicar todo tempo a Deus.

Essas duas realidades não se chocam, mas é difícil para Mathilde se colocar no lugar daquelas jovens mulheres, até que em certa uma noite, ela passa por uma situação semelhante.

”Les Innocents” nos conta uma história terrível e convida o espectador a conhecer mais uma das chagas pouco comentadas que foram deixadas pela Segunda Guerra Mundial.

O longa convida as mulheres a fazerem um exercício de empatia que é duro, porém é necessário.

Bem construído e com ótimo elenco, “Agnus Dei” fala de humanidade e compaixão. Independe de religião, de visão política, ou lado da guerra.

Anne Fontaine empresta sua assinatura a esse magnífico filme sobre transgressão e amparo. O emocionante encontro entre a médica francesa e a irmã Maria (Agata Buzek), dividida entre seus votos e a vontade de aceitar a vida.

 Acima de tudo é uma belíssima homenagem às mulheres vítimas tão esquecidas – e tão silenciadas – de todas as guerras.

Um filme, belo, sensível, tocante e acrescenta-se também, que nos faz refletir sobre dogmas e comportamentos humanos durante a guerra. Nos faz notar que a humanidade é capaz de triunfar diante de tantos absurdos e perversidades que o ser humano é capaz de cometer em nome do poder, do prazer e até mesmo de Deus.

Importante mencionar dois aspectos: a trilha sonora emocionante, e a fotografia com  belíssimas imagens com potencial de serem emolduradas.

Confira o Trailer:

https://youtu.be/Gr6w-22dOEk

Veja também:

https://dominique.com.br/beleza-americana/

https://dominique.com.br/lore/

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Diário de Uma Camareira – Uma produção francesa irretocável na Netflix

Dominique-Banner_Diario de uma camareiraDiário de Uma Camareira tem como protagonista Léa Seydoux, nova musa do cinema francês, um filme de Benoît Jacquot, baseado no livro de Octave Mirbeau, e que já foi inspiração também para a produção homônima de 1964, estrelada por Jeanne Moreau e dirigida por Luis Buñuel.

A trama se passa em 1891/1892, quando a jovem Célestine abandona a capital francesa e parte para o interior, onde vai trabalhar como camareira na residência da família Lanlaire, burgueses decadentes. Enquanto foge do assédio do seu senhor e da rigorosa madame Lanlaire, que governa o lar com punho de ferro, Célestine conhece Joseph, um fiel jardineiro que se apaixona por ela.

Seydoux empresta um olhar frio e seu charme indiferente à Célestine, uma mulher que é capaz de provocar o desejo de qualquer homem.

Bonita e de bons modos, a personagem não tem o conformismo e a obediência como características. Com seu temperamento de falsa submissão, Célestine percorre, porém o mesmo caminho das empregadas domésticas da época que serviam na cama aos patrões com esposas frígidas, despertando a ira delas.

Apesar de logo percebermos a sofisticação e inteligência de Célestine, graças a uma atuação intensa e focada de Seydoux, não sabemos exatamente quem ela é e o diretor utiliza especialmente flashbacks para revelar seu passado. São os flashbacks que dão o verdadeiro sabor da produção, pois deslocam a ação para outras épocas e locais importantes para a protagonista, permitindo-nos uma visão de quem ela era e quem ela se tornou.

Dominique-Interna_Diario de uma camareiraA montagem de Diário de uma Camareira não tem floreios e nos joga para o passado e para o presente sem transições, apenas com cortes secos que exigem alguns segundos de adaptação. E essas sacudidas na estrutura narrativa funcionam muito bem, trazendo complexidade para aquela personagem tão misteriosa.

Vincent Lindon é bastante categórico no papel de Joseph, apostando nas sutilezas e pequenos detalhes para criar uma aura de mistério para sua personagem – deixando o espectador na dúvida quanto ao caráter de sua personalidade.

Diário de uma Camareira é uma produção irretocável que conta com uma perfeita reconstituição de época da França, fim do século XIX, somada ao lindíssimo figurino e a belíssima fotografia das paisagens do interior da França, onde a luz natural é o destaque.

Vale a pena conferir!

Bom programa!

Veja o Trailer

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Adeus, Minha Rainha – Os últimos dias de Versalhes na Netflix

Banner_Adeus Minha RainhaO longa Adeus, Minha Rainha, adaptado do livro de Chantal Thomas, se passa a poucos quilômetros de Paris, no Palácio de Versalhes, onde viviam o Rei Luis XVI e a Rainha Maria Antonieta.

No palácio pouco ou nada se sabia sobre o que estava acontecendo na capital às vésperas da Revolução Francesa, no ano de 1789.

Dirigido por Benoît Jacquot, Adeus, Minha Rainha (Les Adieux à la Reine), que abriu o Festival de Berlim de 2012, mostra o momento em que os boatos sobre Queda da Bastilha começaram a chegar aos ouvidos dos funcionários do palácio e tudo virou um “salve-se quem puder”.

Não vemos o povo revoltado, mal vemos Luis XVI. Benoît Jacquot se concentra mesmo em Maria Antonieta e seus serviçais. Entre eles, a leitora oficial, Sidonie Laborde vivida por Léa Seydoux, uma moça simples que ama os livros e sua rainha, a atriz Diane Kruger.

A tensão pelas notícias de Paris, junto aos boatos da vida pessoal da rainha, vai conduzindo a vida de Sidonie que só tem como desejo, ser útil àquela que ama incondicionalmente.

Bela e sedutora, a temperamental Maria Antonieta tem um amor secreto, a duquesa Gabrielle de Polignac, vivida por Virginie Ledoyen.

Segundo o diretor, esse romance entre as duas aconteceu de fato e é muito conhecido na França.

O longa não se aprofunda numa série de questões, como o passado da protagonista e a relação entre Antonieta e Gabrielle. Mas é eficiente ao criar um personagem interessante em um dos momentos históricos mais importantes da história da França.

Interna_Adeus Minha RainhaAdeus, Minha Rainha não tem pretensão em contar toda a vida e ainda a morte da arquiduquesa austríaca e a rainha da França, mas sim mostrar suas diferentes facetas e seu lado mais frágil: o coração.

Interessante em Adeus, Minha Rainha é exatamente a exploração desse sentimento escondido, desse desejo reprimido, mesmo que diante de algo tão mais urgente, como a salvação da própria vida.

O ponto alto do filme são as atuações de Léa Seydoux e Diane Kruger. Seydoux cria um sentimento contido, introspectivo e que consegue expressar toda a sua angústia interior, dividindo com o espectador sua percepção e nos torna voyeurs nessa imensa Corte.

Diane Kruger, além do sotaque natural dá autenticidade, faz uma Maria Antonieta que sentimos de carne e osso, conseguindo humanizá-la e fugir do lugar comum que esperaríamos do personagem.

A reconstituição de época é efetivamente um dos grandes destaques dessa produção. A maior parte do filme se passa dentro do Palácio de Versalhes e traz cenários deslumbrantes, como a Galeria dos Espelhos, o Petit Trianon e alguns aposentos que não aparecem em outras produções.

O cenário acaba se transformando em um personagem essencial ao longa e coloca o espectador dentro da cena, cercado de móveis e figurino de época impecáveis, além dos diálogos bem construídos e um elenco que funciona e convence o público.

A trilha sonora não passa despercebida, chama atenção também por sua competência e beleza.

O filme ganhou três prêmios Cesar, o principal da França, o Oscar francês: Melhor Fotografia, Figurino e Cenografia.

Sem dúvida, Adeus, Minha Rainha é um deleite visual, com atmosfera extraordinária passada nos últimos dias de Versalhes.

Um filme lindo de morrer, além de ser um ótimo entretenimento.

Aqui fica a dica.

Bom programa!

Trailer:

https://youtu.be/Tb0ASfPYM4g

Leia mais:

Os Sabores do Palácio – Um filme delicioso na Netflix

Perfeitos Desconhecidos – A verdade através dos celulares na Netflix

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Os Sabores do Palácio – Um delicioso filme na Netflix

Banner_Os Sabores do PalácioHoje comento Os Sabores do Palácio, um filme belo que é uma delícia de se ver, disponível na Netflix.

Dirigido por Christian Vincent, o longa permite passar duas horas de mágico prazer gastronômico.

A trama verídica mostra o período no qual Danièle Mazet-Delpeuch trabalhou na cozinha particular do Palais de l`Élysée, residência oficial do então presidente francês, François Miterrand.

Danièle não era somente uma interiorana que foi enviada à Paris numa missão especial.  A francesa revigorou o setor da produção de foies gras, além de ser uma pioneira na organização de estágios para estrangeiros na iniciação em french cuisine.

O início do longa se passa, anos mais tarde, no Arquipélago de Crozet, na Base Científica Alfred Faure, onde a chef cozinhou por um ano, sendo que a narrativa volta algumas vezes sem explorar muito esses momentos.

Um dos aspectos mais interessantes do filme é justamente mostrar a relação de Hortense com o regente da França que se dá pelo gosto em comum pela simplicidade em várias questões: entre elas a culinária.

Interna_Os Sabores do PalácioMuito bom em Os Sabores do Palácio (Les Saveurs du Palais) é perceber que não há maior prazer do que o de redescobrir o gosto simples das coisas. Equiparado a ele, só o deleite causado pelos pratos elaborados no filme que são de uma perfeição capaz de encher os olhos e a boca de água. O feito se dá ao trabalho de famosos chefes franceses, como Guy Legay (do Hotel Ritz de Paris) que ajudaram na parte técnica do projeto.

O maior destaque fica por conta da protagonista, Hortense Laborie e sua sempre notável intérprete que construiu uma personagem que exala vigor e personalidade forte. Por seu trabalho em Os Sabores do Palácio, Catherine Frot recebeu sua nona indicação de Melhor Atriz no César, o Oscar Francês.

Méritos não faltam já que ela incorpora a personalidade da cozinheira mesclando doçura, petulância e certa neurose sobre a realização das refeições do presidente.

O fato de ter um cargo importantíssimo no Eliseu parece ter aumentado muito seu ego. No entanto, ela jamais poderia fraquejar, pois desde o início sofreu hostilidade da cozinha central, formada unicamente por homens que a olhavam de cima para baixo com ar de deboche. Impor-se em um meio masculino não é para fracas.

Os diálogos entre Hortense e seu assistente Nicolas (Arthur Dupont, que soube aproveitar muito bem seu papel) vão encantar os amantes da gastronomia.

“Os Sabores do Palácio” pode agradar tanto a quem gosta de cozinhar quanto aqueles que apenas degustam, mas apreciam a bela e meticulosa preparação dos pratos, como também agradará aos que gostam simplesmente de uma história bem contada.

Vale a pena conferir!

Sem dúvida um ótimo entretenimento! Os Sabores do Palácio – Cozinha de Excelência.

Trailer:

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Perfeitos Desconhecidos – A verdade através dos celulares na Netflix 

A Amante – Autoaceitação e busca da liberdade, um drama imperdível

 

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Dica de filme cheio de emoção no cinema – Uma Casa à Beira-mar

Banner_Uma Casa à Beira-marSem pieguice, com narrativa simples, fluida e elegante, Uma casa à Beira-mar fala de solidariedade e humanismo.

Hoje minha dica é o emocionante longa, Uma Casa à Beira-mar, em cartaz nos cinemas.

Ambientado na região de Marselha, sul da França, o drama francês, Uma Casa à Beira-mar, dirigido por Robert Guédiguian, narra a história de três irmãos que se reencontram depois que o pai fica doente, em estado vegetativo.

O patriarca construiu um restaurante próximo à praia e fez do local o seu paraíso particular. Quando ele adoece, os filhos voltam à região para cuidar dele.

Angèle (Ariane Ascaride) é a última a chegar. Ela não guarda boas lembranças do lugar e precisa lidar com medos e rancores que a fizeram ficar longe dali e do pai por 20 anos.

Armand ficou por lá e tenta tocar o restaurante “bom e barato” fundado pelo pai.

Joseph é um desempregado amargo, escritor frustrado e namora uma mulher bem mais jovem (Anaïs Demoustier), que, aliás, parece estar à procura de novas emoções.

Com o passar dos dias, os irmãos precisam enfrentar a doença do pai e decidir o que fazer com a herança deixada, a casa e o restaurante.

Os irmãos discorrem sobre o passado, ficar ou não na pequena cidade, sobre lutar para sustentar os sonhos ou aceitar a realidade cruel das sociedades contemporâneas.

O cineasta olha para o passado, não por pura nostalgia ou para tirar conclusões apressadas sobre o presente, porém com a certeza de que algo bonito e de valor ficou para trás.

Guédiguian atinge uma leveza em que o menos é realmente mais. Sem alarido e com a melancolia que só os diretores na maturidade conseguem alcançar, eleva ainda mais seu humanismo em Uma Casa à Beira-mar.

Existe um tema de fundo que se revelará dominante – a dos refugiados que deixam seus países por causa da fome, da guerra, da falta de oportunidades. Eles são um tema da atualidade europeia e representam um desafio para governos e para quem ainda defende a existência de uma sociedade civil solidária.

Como cineasta, Guédiguian mantém um idealismo romântico, o apego às coisas simples, aos laços familiares, à ideia de comunhão entre os necessitados.

O longa é sobre vidas sociais versus individuais, que aprendem a cada dia o poder da tolerância em aceitar os limites, tempos, quereres, defesas, fragilidades, vulnerabilidades, solidões e outras consequências existencialistas das convivências interpessoais.

Os diálogos são realmente inteligentes. Todos parecem ter uma forma profunda e final de dizer as coisas sobre a vida e o que a resume, o que pode fascinar ou afastar.

O trabalho de Guédiguian consegue entreter e nos fazer apaixonar pela história da vila e seus ideais. Talvez a paixão esteja concentrada no próprio ser humano e seus debates internos, entre trabalho e relacionamentos.

Uma Casa à Beira-mar é apenas simples e neste olhar empático ao ser humano encontra-se uma sofisticação que poucas obras conseguem alcançar.

Belo!!!

E o desfecho emocionante!

Veja o trailer:

Leia mais:

O Orgulho – Preconceito, intolerância e o valor da palavra – nos cinemas

Desobediência – Um filmaço cheio de emoção. Imperdível!

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  1. Grata pela Dica ….! Amei este filme ! Realmente o Mundo girou …e o charme???Filme extremamente real! e, atual….sonhos, verdades, ….Evouimos para muito mais tristezas … econômicas e sociais …Lindo trabalho .., muitas emoções..,e nos leva a importantes reflexões

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O Orgulho – Preconceito, intolerância e o valor da palavra- nos cinemas

Banner_Dominique-Filme-orgulhoEstreia hoje nos cinemas, o filme “O Orgulho”, um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês 2018.

O filme fala da linguagem e força das palavras. A linguagem é a arma mais importante porque as palavras estimulam o pensamento, a reflexão.

O longa dirigido pelo franco-israelense, Yvan Attal, narra a história de Neila Salah (Camélia Jordana), uma jovem de ascendência árabe que cresceu nos subúrbios de Paris (Cretail) e sonha em ser advogada.

Desde o seu primeiro dia na renomada e tradicional Universidade Parisiense de Assas, ela entra em confronto com Pierre Mazard (Daniel Auteuil), um severo professor conhecido por ser racista e preconceituoso.

Ele a humilha na frente dos colegas. Com a cabeça a prêmio, o professor recebe do seu superior a proposta de treinar a jovem para um concurso de eloquência. O professor realmente a prepara, numa relação que evolui para o respeito, mas passa por muita agressão mútua.

Interna_Dominique-Filme-orgulhoO filme não é só sobre palavras, porque o professor reacionário ensina sua aluna – futura advogada – que a verdade não é o objetivo da justiça, e sim o convencimento. A eloquência é para convencer os outros do que ela quiser, não necessariamente a verdade. Isso dá realmente um debate muito interessante.

Apesar do clima “feel good” de superação das diferenças em nome de algo maior, o longa é atual e arrojado, se mostrando antenado com questões representativas e sociais.

O texto apresenta uma heroína, que apesar de representar uma minoria, tem força suficiente para ascender e conquistar seus objetivos. Jordana dá conta do trabalho, se encaixando de forma exímia na personagem.

Por outro lado, o roteiro apresenta o grau de dificuldade que figuras retrógradas e conservadoras possuem em se adaptar aos novos tempos, no qual o comportamento incorreto e ofensivo em relação a minorias não é mais tolerável.

Outro fator que encanta e sobressai como chamariz do longa é a incrível química de seus protagonistas, sem falar da atuação irretocável de Daniel Auteuil.

Um filme inteligente, ágil, fantástico!

Eu amei!

Vale a pena conferir!

Trailer:

Leia mais:

Papo de mulher! Vamos falar de laser íntimo e rejuvenescimento?

Desobediência: Um filmaço cheio de emoção! 

 

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A Amante – Autoaceitação e busca da liberdade, um drama imperdível

Dominique - A Amante
A minha dica de hoje é o filme A Amante, um filme maduro, inteligente, tocante.

Produzido pelos irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, este primeiro longametragem do tunisiano Mohamed Ben Attia compartilha a estética humanista dos filmes da dupla de realizadores belgas.

Cinco anos após a revolução tunisiana, estopim da chamada Primavera Árabe, o jovem personagem título Hedi (Majd Mastoura), que sonha em se projetar como desenhista, vive segundo os desígnios da mãe dominadora (Sabah Bouzoit. Trabalha como caixeiro viajante, representante de vendas de automóveis de raro sucesso, na época é de crise.

A sete dias do casamento arranjado pela família, encontra Rim (Rym Bem Messaoud), dançarina e animadora de roteiros turísticos. Instala-se o conflito entre a decisão familiar por uma noiva que a tradição proíbe de encontrá-lo sozinha – o beijo é um tabu – e a empolgação pela passional Rim. A amante metaforiza a própria revolução. Nada será como antes. O rapaz fica dividido.

O cineasta desenha com visão generosa o confronto. Na Tunísia, a família é uma unidade muito autoprotegida e fechada a forasteiros. Muitos vivem com o pai até a idade madura.

O enquadramento enfatiza o sofrimento interior de Hedi, pois a câmera o segue bem de perto, reduzindo o espaço, o que amplia a sensação de reclusão. As cenas em que se encontra clandestinamente com a noiva dentro do carro – outro espaço limitado – reiteram esse sufocamento.

O lacônico Hedi só encontra satisfação quando desenha histórias em quadrinhos.

Dominique - A Amante

Ao mesmo tempo, o filme estabelece um paralelo entre as potencialidades da Primavera Árabe – que começou exatamente na Tunísia – desejo de libertação de um país, e a autodescoberta de Hedi, que reflete sobre seu destino e também pode se libertar, abrindo às possibilidades do mundo – dois processos que carregam seu quinhão de agruras. A Tunísia avançou na transição democrática, mas ainda vive desigualdades econômicas e sociais.

Premiado como Melhor Filme de Estreia no Festival de Berlim 2016, Ben Attia acerta na dramaturgia ao mostrar o complexo processo de busca da liberdade, com atuação certeira de Majd Mastoura, que lhe rende um Urso de Prata de “Melhor Ator”.

A Amante é um filme identificável e humano que nos sacode para que reavaliemos nossas próprias vidas e caminhos. Para que percebamos muitas vezes estar inertes diante de situações, guiados apenas pelo comodismo, falta de iniciativa ou medo da desaprovação – minando assim, na maioria das vezes, nossa própria felicidade.

A obra de Attia guarda ainda o forte soco no estômago de doer o coração, necessário para que transcendesse o simples e esperado conto de fadas moderno.

Uma produção singela, mas ainda assim mais real do que gostaríamos de admitir. Uma denúncia a um modo de vida bastante triste e melancólico.

[fve]https://youtu.be/iNQ2kanasDA[/fve]

A Amante está em exibição nos melhores cinemas do Brasil.

Leia Mais:

Festival Varilux de Cinema Francês 2018 – Para os cinéfilos de plantão
Uma Janela para o Amor – Uma celebração do amor

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Festival Varilux de Cinema Francês 2018 – Para os cinéfilos de plantão

Dominique - Festival
Chegou o Festival Varilux de Cinema Francês!  2018 . Acontece de 07  até o dia 20 de junho. Levará ao público de todo o Brasil uma seleção com vinte filmes, da nova safra francesa, inéditos no país.

O Amante Duplo, último longa de François Ozon, um suspense erótico que traz Marine Vatch e Jérémie Rénier nos papéis principais, casal que serviu de inspiração para o cartaz oficial do festival.

O homenageado do Festival Varilux é o diretor Costa Gavras com o seu clássico “Z”, filme que completa 50 anos e será exibido em cópia restaurada.

O público assistirá  aos mais novos trabalhos de cineastas, de atores e atrizes já consagrados.   Premiados jovens talentos que imprimem diversidade e originalidade ao cinema francês marcam presença.

A delegação francesa desembarcou na cidade nesta quarta-feira para debater sobre os filmes “O Poder de Diane”, “Carnívoras”, “Marvin” e “Primavera em Casablanca”.

“O Poder de Diane”, de Fabien Gorgeart (Diane a Les Épaules), conta a história de uma mulher que aceita ser barriga de aluguel de seus melhores amigos, abordando com humor e ternura a temática dos novos modelos familiares.

“Carnívoras”, dirigido pelo estreante Jérémie Renier, ao lado do irmão Yannick, fala de duas irmãs que querem ser atrizes.

“Marvin”, de Anne Fontaine (Agnus Dei), premiado em Veneza, com Isabelle Huppert, sobre um garoto que foge de seu vilarejo.

“Primavera em Casablanca”, de Nabil Ayouch, cinco histórias que se encontram nas ruas da cidade marroquina.

Entre as produções destacam-se três filmes da nova geração francesa de cineastas, designado várias vezes pela crítica de “nouvelle garde”.

“Custódia” (Jusqu` à la Garde), de Xavier Legrand, que acompanha a disputa entre um casal pela guarda do filho. O longa foi vencedor do prêmio de Melhor Direção e Melhor Primeiro Filme, no Festival de Veneza.

“A Excêntrica Família de Gaspar” (Gaspar va au Marriage), de Antony Cordier, comédia maluca e melancólica sobre o adeus a infância, desejo e tempo.

E também, o já citado, “O Poder de Diane”.

Destacam-se também dois filmes pelo gênero pouco comum na França.  O longa  “A Noite Devorou o Mundo” (La Nuit a Devoré le Monde), é uma sátira social e um filme de zumbis.  Filme de Dominique Rocher mostra a cidade invadida pelas criaturas, com um único ser humano tentando sobreviver.  Na mesma veia, “O Último Suspiro” (Dans la Brume), do quebequense Daniel Roby, mostra uma família tentando se salvar após uma contaminação química. Com Romain Duris no papel principal.

Na seleção da mostra, há ainda “Gauguin-Viagem ao Taiti”, com Vincent Cassel, como o pintor, “A Busca do Chef Ducasse”, e “Nos Vemos no Paraíso”, vencedor de cinco prêmios César.

O festival ainda conta com filmes e workshop de realidade virtual e uma seleção de curtas metragens.

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=NBfwvJz72mo&feature=youtu.be[/fve]

Logo mais, comentarei aqui para você, os melhores dessa seleção. Para os cinéfilos, realmente esse festival é imperdível!!!

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Suite Francesa – Amor proibido em tempos de guerra

Dominique - Suite Francesa
Hoje comento e indico o longa, Suite Francesa, disponível na Netflix , um filme baseado no livro do mesmo nome escrito por Irène Némirosky, entre os anos de 1940 e 1941. A escritora nascida na Ucrânia era judia.

Quando os nazistas ocuparam a França, onde ela vivia, a autora foi levada para o campo de concentração de Auschwitz, mas antes deixou com suas filhas o manuscrito do livro.

A versão cinematográfica dirigida pelo britânico Saul Dibb, conhecido pelo filme A Duquesa, que por sinal já comentei, se concentra na segunda parte do livro, aparentemente romântica. A escritora utiliza uma estratégia afetiva para capturar os contrastes nas relações de classe e as relações de ódio, dominação e subserviência entre franceses e alemães.

Suite Française (título original) é um drama ambientado na Segunda Guerra Mundial que se diferencia da maioria dos filmes lançados nos últimos dez anos que tratam sobre a mesma temática.

Michelle Williams interpreta Lucile Angellier, uma francesa de classe alta que busca lidar com a ocupação alemã na França e, enquanto espera por notícias de seu marido, um pelotão nazista ocupa seu vilarejo.

O comandante Bruno Von Falk (Matthias Schoenaerts) decide ocupar a residência de Lucile, o que causa a fúria de sua sogra e a desconfiança da população que passa a classificar a família como colaboracionista.

Apesar de todos os entraves, Bruno mostra-se diferente de seus comandados, o que chama a atenção da jovem. O romance proibido, no entanto, enfrenta as duras dificuldades da guerra.

Dominique - Suite Francesa

Suite Francesa tem uma produção de época maravilhosa. Você se sentirá em uma cidade no interior da França durante a Segunda Guerra.

A direção de arte impecável nos detalhes que, aliás, fazem toda diferença em um filme como esse.

O diretor britânico conseguiu dar ao longa o clima certo de angústia, tensão e paixão que a história exige.

Em um filme cujo título é baseado em uma música, a trilha sonora não poderia faltar. O compositor inglês conseguiu criar uma verdadeira suíte – estilo de música clássica, que vai provocando no espectador uma grandeza de emoções existente também na história.

A edição de imagem consegue fazer com que as cenas tenham ritmo e profundidade para prender o público.

Dando vida à história temos um elenco premiado. Michelle Williams que interpreta a jovem protagonista, excelente como sempre, transborda dúvida, jovialidade e repulsa; Kristin Scott Thomas (a sogra), ótima, dura e autoritária a todo o momento.

Suite Francesa encontra seu diferencial por ser baseado em um excelente livro a partir de uma visão singular.

Temos um belo filme que mostra um pouco mais da guerra a partir de outro ponto de vista. Vai agradar a todos que gostam de um bom drama de guerra, não baseado nas batalhas e sim no conflito que vive no coração das pessoas que apenas pagam por uma guerra que não é delas.

[fve]https://youtu.be/azoDJwdhaWI[/fve]

Sem dúvida, Suite Francesa é um filme que merece ser visto pela narrativa atraente.

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Baseado em Fatos Reais – Uma história densa de apreensão e obsessão

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