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Negação – liberdade de expressão e o abuso da mesma

Baseado em fatos reais, o longa dirigido pelo inglês Mick Jackson e produzido pela BBC narra a trajetória da historiadora norte americana Deborah Lipstad (Rachel Weisz). Após publicar um livro que desconstruía o discurso dos chamados negadores do Holocausto, ela foi acusada por difamação pelo inglês David Irving (Timothy Spall), o mais controverso historiador e assumidamente negador daquele fato histórico. O longo entrou recentemente no catálogo da Netflix.

Negação, apesar de ocorrer majoritariamente numa corte, o que está em julgamento não é uma defesa pessoa. Mas, sim, a veracidade, a memória e a preservação de um ato fundamental para a consciência histórica.

O assunto está na ordem do dia. Negação, que reconstrói um embate jurídico ocorrido em 1966 sobre o Holocausto, debate temas atuais: as verdades alternativas, a intolerância religiosa e a supremacia das crenças sobre fatos históricos.

O diretor explora bem os meandros da estranha justiça britânica, mostrados aos olhos da americana cética, enquanto lida com as diferenças culturais da ré e os ingleses. 

O texto de David Hare, a partir do livro da própria Deborah Lipstad, vai direto ao ponto sem rodeios, é objetivo e conclusivo dando o recado de forma direta.

Negação tem um roteiro bem costurado, que não deixa espaço para hesitações e trechos a serem limados.

Negação possui aquele estilo famoso de filmes de tribunal e tem a duração perfeita, o que é apenas mais um ponto positivo em meio a tantas qualidades.

Sem elementos a mais ou a menos, a obra, por tratar de um assunto bem específico na vida dos personagens, é especialmente sustentada pelas atuações de Rachel Weisz e Timothy Spall. Ambos encarnam seus papéis com a confiança e a presença dignas de Oscar.

Tanto Weisz como Thimothy exalam tanta sinceridade em cada frase. O real julgamento está acontecendo diante de nossos olhos o que, logicamente, faz com que a torcida por Lipstad seja ainda mais forte. Quanto a David Irving, só nos resta encará-lo com uma perplexidade sem fim. Afinal, o responsável por este caso inacreditável que só quer enxergar o que é valido para si mesmo.

Weisz não exagera na emoção, jamais descambando para o melodrama, tão comum nesse de filme. A sua raiva contida é bem-vinda. Mas é Spall, o acusador, que dá o tom emocional (e irracional) do filme. Seu neonazista, racista, misógino e extremista é tão fascinante quanto grotesco. Um dos melhores trabalhos de uma carreira formidável.

Em tempos repletos de covardes ocultos atrás das cortinas digitais, que deturpam a todo instante o significado de ter direito à livre expressão e de pensamento, Negação é um lembrete poderoso que opiniões equivocadas, ainda que dê direito, têm conseqüências. 

Aqui fica a dica.

Um ótimo entretenimento.

Eu adorei!!!

Assista o trailer

Outro filme com Rachel Weisz

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Alicia Vikander é a alma de Pássaro do Oriente, thriller psicológico sobre traumas e culpas

Filme que entrou recentemente para o catálogo da Netflix, “Pássaro do Oriente” é instigante, conta com elenco competente e entrega um bom suspense.

Baseado no livro “Delito sem Provas”, escrito por Susana Jones, o longa se passa na Tóquio de 1989 e acompanhamos Lucy Fly (Alicia Vikander), uma tradutora vivendo no Japão para fugir do passado.

A protagonista conhece a garçonete Lily (Riley Keough) e o fotógrafo Teiji (Naoki Kobayashi), iniciando um estranho relacionamento com o rapaz e se sentindo, ao mesmo tempo, atraída e incomodada por Lily. Tudo vira de cabeça para baixo quando sua nova amiga desaparece e ela se torna suspeita de um suposto assassinato. 

A relação da protagonista com Lily e Teiji também cria um interessante jogo de mistério e sedução. Inicialmente uma amizade, os personagens de Vikander e Kobayashi desenvolvem uma tensão sexual crescente, apenas com poucos diálogos e troca de olhares. Não apenas a beleza dele a atrai, como também, a sinceridade e a aparente falta de timidez, tão tradicional nos jovens japoneses, a conquistam.

É incrível como uma história com 106 minutos de seqüências lentas, que se desenvolvem de maneira subjetiva, ou seja, de difícil entendimento consiga passar tão rápido. O espectador não se cansa.

Embora o roteiro seja pausado e complexo, as cenas constantemente voltam a acontecimentos passados da história, de modo a torná-las cada vez mais explicadas. Assim pode-se acompanhar o desenvolvimento da narrativa.

Além da maturidade artística, “Pássaro do Oriente” é a mais incitante e hipnotizante produção, do conceituado cineasta, diretor e roteirista inglês, Wash Westmoreland.

Além do suspense do clima sexy oitentista, o filme é visualmente atraente.

Vencedora do Oscar por “A Garota Dinamarquesa”, a sueca Alicia Vikander se destaca ao transmitir toda a personalidade disciplinada da tradutora através de pequenos atos, por exemplo, como ela se arruma e como ela amarra o cabelo. Vikander impressiona com seu domínio do idioma japonês.

A atriz é quem apresenta emoções que mais se aproximam da sobriedade, enquanto o galã japonês (Kobayachi) se impõe com sua presença física e voz profunda, sempre acompanhada de um sorriso sutil e olhar penetrante.

Riley Keough – na vida real neta do roqueiro Elvis Presley – é a força solar em “Pássaro do Oriente”, sensual e radiante, servindo como contraponto, tanto para Lucy quanto para Teiji. 

A fotografia é assombrosa de tão elegante, realmente magnética, especialmente nas cenas noturnas. Com takes ricamente construídos e bem centralizados – se passando na cidade de Tóquio, a cidade é quase uma personagem por si só.

A trilha sonora é primorosamente orquestrada, evocando emoções do que aquilo que está na tela merece.

Envolvente e bem construído, “Pássaro do Oriente” acaba por ser uma excelente surpresa no catálogo da Netflix.

Aqui fica a dica de um filme que adorei! 

Vale a pena conferir!

Confira o trailer

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Em belo momento do cinema, Sete Minutos Depois Da Meia Noite emociona e encanta o espectador

Com estética primorosa, Sete Minutos Depois da Meia Noite tem como base em seu enredo o uso da fantasia para tratar da tristeza.

O protagonista, Conor (Lewis MacDougall), é uma criança que precisa enfrentar dois grandes problemas na sua vida: bullying na escola e familiares que não conseguem dar o afeto que ele deseja. Ele tem um pai ausente, uma mãe (Felicity Jones) em fase terminal de uma grave doença e uma avó (Sigourney Weaver) muito severa e nada carinhosa.

Tentando lidar com a aproximação de uma perda tão grande, o garoto começa a imaginar a visita de um monstro gigante que lhe contará três histórias e, ao final delas, uma cura irá aparecer. Mas para isso Conor deverá revelar um segredo que ele não ousa dizer em voz alta nem para si mesmo.

Como lidar com o luto

Utilizando uma estrutura que lembra um filme de fantasia em diversos momentos, com direito a diversas cenas em animação, o diretor espanhol J.A.Bayona nos apresenta uma tocante história sobre como lidar com o luto. Conor está naquela fase em que é “velho demais para ser criança e jovem demais para ser adulto”, fazendo com que até as pessoas ao seu redor não saibam direito como lidar com a situação.

Enquanto a mãe tenta a todo custo dar esperança ao filho, a avó acaba assumindo um papel mais ríspido na vida do garoto. Não porque não o ame, mas por saber que, muito em breve, ele vai precisar enfrentar a realidade.

Tendo que escolher entre encarar a realidade como um adulto, ou se agarrar em falsas esperanças como uma criança, Conor acaba optando pela segunda opção. Assim, ele abraça a amizade com o monstro e deposita nela a esperança de encontrar uma cura milagrosa para a mãe.

O interessante das aparições do monstro é que, agindo como uma espécie de subconsciente do garoto, as histórias que ele conta nunca têm um final feliz. Com isso fica claro que o próprio Conor entende a gravidade da situação da mãe, mesmo que ainda não consiga admitir para si mesmo.

O jovem ator escocês Lewis MacDougall encarna com grande desenvoltura, deixando transparecer de modo comovente as dores do personagem – a dificuldade em admitir a verdade, o sentimento de culpa – durante sua jornada de crescimento. O nível de atuação do ator-mirim é mantido pelo elenco adulto que compõe o núcleo familiar.

Sete Minutos Depois da Meia Noite

Outro trabalho de destaque é o de Liam Neeson, que dá voz ao monstro, conseguindo com seu timbre imponente ir do amedrontador ao afetuoso. A fascinante criatura é o elemento fundamental da construção do universo lúdico do longa, principal mérito da direção.

Sete Minutos Depois da meia Noite é uma daquelas gratas surpresas do cinema. Um filme que lida com a dor de uma família, focando na da criança de forma fluida, sem fazer do excesso de drama uma necessidade.

Com deslumbrantes seqüências em animação, fortes atuações, roteiro conciso que sabe exatamente aonde quer chegar e uma direção que enaltece cada seqüência de forma poética e intimista, o filme consegue atingir o espectador em cheio, lidando coma dor de forma adulta, ainda que utilize o campo da fantasia, demonstrando o quão difícil é aceitar a perda.

Lindo demais!

Amei!

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Madame Bovary em bela adaptação do livro para o cinema

Hoje eu comento o filme Madame Bovary, obra adaptada do romance de Gustave Flaubert, um clássico da literatura francesa, publicado em 1857. O longa conta a história de Emma, uma mulher sonhadora, criada no campo e cheia de influências religiosas em sua formação. Emma aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental.

Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles Bovary, um médico do interior tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Emma, cada vez mais angustiada e frustrada, ao sentir-se presa, busca no adultério uma forma de encontrar a liberdade e a felicidade. Apesar da intensa procura de uma vida plena, não consegue sentir-se satisfeita com o que é e o que tem, travando uma luta constante contra a melancolia. 

A mulher no século XIX

O livro foi lançado em uma França altamente tradicionalista, conservadora e de pensamentos políticos radicais. Uma mulher que cometesse adultério era considerada uma marginal. Recebia o castigo do isolamento e não tinha direito a nada. O escritor foi julgado por violar preceitos morais, religiosos e públicos.

Algumas versões dessa obra já foram produzidas com muito sucesso, porém nessa versão de 2015, a diretora Sophie Barthes destaca as partes mais importantes do livro e se aprofunda neles.

Madame Bovary é o terceiro filme de Sophie, que também produziu e fez a adaptação do roteiro com muita propriedade e domínio da transição da linguagem literária para a cinematográfica.

Sophie nos mostra uma Bovary humanizada, mais de acordo com os devaneios românticos em que ela vivia. Emma era uma leitora compulsiva das obras do romantismo onde os autores retratavam amores trágicos, as paixões e as emoções intensas.

Belíssimo o figurino que associa o guarda-roupa ao estado de espírito e ambições da protagonista, como também de extremo requinte direção de arte e fotografia.

Madame Bovary é sem dúvida um belo retrato do caos que o tédio pode causar em uma pessoa que desde cedo foi consumida pelo perigo da ingenuidade e ilusão.

O longa merece ser visto pela beleza do conjunto da obra. Mesmo para quem não leu o livro pode se comover com essa adaptação.

Aqui fica a dica.

Depois conta para mim o que achou.

Assista o trailer

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Mary Shelley: com direção sensível, longa conta a história da aclamada escritora que deu vida ao personagem Frankenstein

A cineasta Haifaa Al-Mansour, a primeira saudita a filmar em Hollywood, recriou o contexto histórico e um importante período da vida de uma das grandes escritoras britânicas da história, a criadora do clássico Frankenstein, Mary Shelley, que dá nome ao filme que escolhi para comentar hoje.

Mary Shelley teve um importante valor na literatura ao publicar um livro de tanto sucesso, uma vez que o gênero (e em muitos casos a própria escrita) era restrito aos homens. 

O longa nos apresenta a Mary Godwin (Elle Faning), uma jovem de dezesseis anos que escapa de suas tarefas domésticas para ler livros de terror. Por divergências com a madrasta, ela é enviada à Escócia, onde conhece o jovem e interessante poeta Percy Shelley (Douglas Booth), por quem se apaixona. Não demora muito até Mary descobrir que Percy já era casado e tinha uma filha, mas isso não a impede de seguir seus ideais de liberdade e paixão pelo poeta.

O sentimento de abandono é constantemente presente na vida de Mary, reforçado pelos descasos do poeta, o fato de ela não ter conhecido a mãe, que morreu poucos dias após seu nascimento, a vergonha do pai quando ela fugiu com o futuro marido.

A criação de Frankenstein

A diretora mostra detalhadamente como suas alegrias, dúvidas e angústias serviram para a criação de seu Frankenstein. E mostra também a luta de uma mulher contra o preconceito de uma sociedade que não apenas se recusava a reconhecê-la como autora, mas também se escandalizava diante de suas idéias muito a frente de seu tempo.

Todas essas variáveis, além de outros personagens que apareceram na vida de Mary, influenciaram a escritora a explorar suas emoções, escrevendo sem medo sobre a solidão e os monstros que enfrenta. Seus medos viram personagens, sua defesa são suas palavras. 

Um dos pontos fortes do filme é, sem dúvida, a ótima atuação de sua protagonista, Elle Faning. A Mary interpretada por ela retrata muito bem uma rebeldia contida através de um semblante sério e ações racionais, mesmo diante da loucura que seu mundo se tornou. E com muita delicadeza mostra a coragem, marca maior dessa mulher que chocou sua época.

Belo!

Muito bom!

Trailer

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