Tag: 2016

Thriller psicológico, Animais Noturnos vai do ultra chique e moderno ao grotesco, sem perder o passo

Para você Dominique cinéfila, antenada, moderna e fashionista, eu recomendo o impecável Animais Noturnos, longa vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza 2016. 

Segundo longa dirigido por Tom Ford, ator antes de ser estilista, se tornou  um importante nome da moda, responsável pela revitalização da marca Gucci, e hoje com a marca que leva seu nome.  

Acima de tudo Ford continua um esteta, mantendo seu total domínio do espaço e design. O filme vai do ultrachique e moderno ao grotesco e ao natural sem perder o passo, começando por uma bizarra cena de abertura com cheerleaders obesas mórbidas nuas, remetendo a David Lynch, e chegando a um final sangrento.

Animais Noturnos – olhem só que bom esse nome – é um thriller psicológico, construído com um convincente clima de tensão numa história de vingança.

Ao mesmo tempo Ford cria um universo perturbador e simultaneamente clean, violento e blasé. O filme conta com uma estética de imagem pra lá de impactante! Belíssima! Vocês vão se deleitar. Linda demais, beira os maneirismos estilísticos mas evita a cilada da beleza vazia.

No filme Amy Adams, excelente no papel de Susan, linda mulher, galerista de sucesso, rica, infeliz no casamento com seu marido Walker [Armie Hammer], que a trata com total indiferença, atualmente em crise existencial conjugal e financeira.

Tudo começa quando Susan recebe o manuscrito do novo livro do seu ex-marido, o inseguro e belo Edward [Jake Gyllenhaal] com quem não fala há 19 anos. O livro é dedicado a ela. O romance é uma violentíssima história de uma família atacada por marginais, que os agridem com pressões psicológicas e físicas. Um pesadelo no meio do deserto do Texas.

Ford coloca as duas tramas paralelas em ambientes opostos. Na vida de Susan, tudo é glamuroso, dos figurinos extravagantes que por sinal são lindos (preparem-se!) até ao modo de vida das pessoas que a cercam. Em contrapartida, o cenário do livro é um deserto pessimista e árido. A história dentro da história é o que há de mais envolvente.

A narrativa do filme corre em três planos: vida real, lembranças do casamento passado e a trama do livro.

O bom elenco se mistura pelas três vias, num jogo fascinante e envolvente. No filme o que há de melhor: a luz, os enquadramentos e as composições dos planos e a cenografia. Isso sem falar dos figurinos, é claro, e os supercloses no rosto de Amy Adams. Tudo faz lembrar um editorial de moda.

O bom elenco se mistura pelas três vias, num jogo fascinante e envolvente. No filme o que há de melhor: a luz, os enquadramentos e as composições dos planos e a cenografia. Isso sem falar dos figurinos, é claro, e os supercloses no rosto de Amy Adams. Tudo faz lembrar um editorial de moda.

Nada está no filme por acaso e, com um filme que vai além da estética apurada, Tom Ford prova que é uma força a ser reconhecida no cinema tanto quanto já provou na moda.

Confira o trailer

Outros filmes com os protagonistas

Grandes Olhos – O Artista e o Impostor

Me chame pelo seu nome

2 Comentários
  1. Comecei a assistir, depois da bizarrice da abertura, as cenas de violência na estrada…desisti! Acho que tentarei novamente.

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Em belo momento do cinema, Sete Minutos Depois Da Meia Noite emociona e encanta o espectador

Com estética primorosa, Sete Minutos Depois da Meia Noite tem como base em seu enredo o uso da fantasia para tratar da tristeza.

O protagonista, Conor (Lewis MacDougall), é uma criança que precisa enfrentar dois grandes problemas na sua vida: bullying na escola e familiares que não conseguem dar o afeto que ele deseja. Ele tem um pai ausente, uma mãe (Felicity Jones) em fase terminal de uma grave doença e uma avó (Sigourney Weaver) muito severa e nada carinhosa.

Tentando lidar com a aproximação de uma perda tão grande, o garoto começa a imaginar a visita de um monstro gigante que lhe contará três histórias e, ao final delas, uma cura irá aparecer. Mas para isso Conor deverá revelar um segredo que ele não ousa dizer em voz alta nem para si mesmo.

Como lidar com o luto

Utilizando uma estrutura que lembra um filme de fantasia em diversos momentos, com direito a diversas cenas em animação, o diretor espanhol J.A.Bayona nos apresenta uma tocante história sobre como lidar com o luto. Conor está naquela fase em que é “velho demais para ser criança e jovem demais para ser adulto”, fazendo com que até as pessoas ao seu redor não saibam direito como lidar com a situação.

Enquanto a mãe tenta a todo custo dar esperança ao filho, a avó acaba assumindo um papel mais ríspido na vida do garoto. Não porque não o ame, mas por saber que, muito em breve, ele vai precisar enfrentar a realidade.

Tendo que escolher entre encarar a realidade como um adulto, ou se agarrar em falsas esperanças como uma criança, Conor acaba optando pela segunda opção. Assim, ele abraça a amizade com o monstro e deposita nela a esperança de encontrar uma cura milagrosa para a mãe.

O interessante das aparições do monstro é que, agindo como uma espécie de subconsciente do garoto, as histórias que ele conta nunca têm um final feliz. Com isso fica claro que o próprio Conor entende a gravidade da situação da mãe, mesmo que ainda não consiga admitir para si mesmo.

O jovem ator escocês Lewis MacDougall encarna com grande desenvoltura, deixando transparecer de modo comovente as dores do personagem – a dificuldade em admitir a verdade, o sentimento de culpa – durante sua jornada de crescimento. O nível de atuação do ator-mirim é mantido pelo elenco adulto que compõe o núcleo familiar.

Sete Minutos Depois da Meia Noite

Outro trabalho de destaque é o de Liam Neeson, que dá voz ao monstro, conseguindo com seu timbre imponente ir do amedrontador ao afetuoso. A fascinante criatura é o elemento fundamental da construção do universo lúdico do longa, principal mérito da direção.

Sete Minutos Depois da meia Noite é uma daquelas gratas surpresas do cinema. Um filme que lida com a dor de uma família, focando na da criança de forma fluida, sem fazer do excesso de drama uma necessidade.

Com deslumbrantes seqüências em animação, fortes atuações, roteiro conciso que sabe exatamente aonde quer chegar e uma direção que enaltece cada seqüência de forma poética e intimista, o filme consegue atingir o espectador em cheio, lidando coma dor de forma adulta, ainda que utilize o campo da fantasia, demonstrando o quão difícil é aceitar a perda.

Lindo demais!

Amei!

Não perca

Outros filmes Espanhóis

A Próxima Pele

Todos Já Sabem

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Aliados: o espião que sabia de menos, disponível no Netflix

Hoje minha indicação é o filme “Aliados”, que se passa em Casablanca, onde o espião canadense Max Vattan (Brad Pitt) e a francesa Marianne Beausejour (Marion Cotillard) se conhecem para a missão de matar um embaixador nazista. Eles precisam se passar por um casal e, naturalmente, se apaixonam. 

Na segunda metade, os dois estão morando em Londres, com uma filha pequena. Tudo vai bem até que Vattan descobre que Marianne pode não ser quem ele pensa.

O longa começa no deserto marroquino, numa hábil e linda composição entre computação gráfica e realidade. Logo entra um letreiro afirmando que o filme se passa na década de 40 durante a Segunda Guerra. A dupla de espiões Max e Marianne se encontra num suntuoso bar, toca Jazz, poderia estar tocando As Time Goes By. Esse início de filme possui por si só muito material para a cinefilia, impossível não se lembrar de filmes como Casablanca, clássico absoluto da década de 40.

Como um filme clássico

Mas desde a primeira cena de “Aliados”, o diretor Robert Zemeckis deixa claro que seu projeto é justamente ir de encontro a esse desafio. “Aliados” não é uma revisão contemporânea do cinema clássico. É um filme clássico feito com ferramentas contemporâneas.

Zemeckis optou por uma narrativa clássica, em que esse jogo serve apenas para alimentar o romance e depois o suspense. Dentro dessa opção, “Aliados” não é “Casablanca”, mas sim uma obra bem sucedida, que nos faz acompanhar com emoção e surpresa o destino dos personagens.

Assim o longa mistura amor, drama e suspense num filme que ultrapassa esse gênero de forma fluida, tendo sua força na presença do casal de protagonistas.

Marion Cotillard é um espetáculo em cena. A atriz é quem eleva em todos os sentidos essa produção. A francesa é uma atriz do olhar, em que seus olhos dizem ou escondem tudo de sua personagem. 

Ambientar uma trama historicamente nem sempre é fácil e “Aliados” não deixa nada a desejar na reprodução dos cenários da histórica e charmosa Casablanca. Os carros, as casas, e, principalmente o figurino, são caprichadíssimos.

O figurino foi indicado ao Oscar, e não levou a estatueta injustamente. Mas é apenas esplêndido, rico em detalhes, atento com os tecidos, e maravilhoso em variedade. As camisolas e vestidos de Marion são de tirar o fôlego, como também os trajes de Pitt, simplesmente chiquérrimos.

Experiente o diretor conseguiu trazer um belo dinamismo para as cenas. O resultado é um filme de duas horas que passa voando e você nem percebe.

Filme recomendado para você que curte histórias que se passam durante a guerra, drama, romance, e aquele tom de suspense temperado com uma boa trilha sonora.

Bom programa para você nesse feriadão.

Confira o trailer

Outros filmes na Netflix

Mary Shelley

Amor a Toda Prova


1 Comentário

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Julieta – De Almódovar – feminino, materno, belo e profundo

Em Julieta, filme dirigido pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar, a beleza estética salta aos olhos do espectador.

Baseado em três contos do livro A Fugitiva, da canadense vencedora do Prêmio Nobel Alice Munro, Almodóvar escreveu seu vigésimo filme.

Aqui, o diretor retorna ao drama, e também ao melodrama feminino, notadamente materno, cujo último exemplar em sua filmografia foi em 2006, com Volver.

O arco dramático gira em torno de Julieta (Emma Suárez). Uma mulher já vivida, que está prestes a se mudar para Portugal com o namorado. No entanto, presa ao passado, ela decide suspender os planos. É justamente
o passado que dá ritmo ao longa. Nesse sentido, pouco a pouco,
o diretor vai entregando os elementos necessários para nos
envolver profundamente no drama da protagonista.

Do romance entre Julieta e Xoan, surge a tão amada filha do casal . Ela mais tarde se desencontraria da mãe por um longo período. Os doze anos que separam mãe e filha, aliás, é o causador de todo o infortúnio na vida de Julieta.

Ao centro de tudo gira o mistério do desaparecimento voluntário de sua filha Antía, aos 18 anos. Nesse ensaio mais contraído de Almodóvar sobre seu recorrente tema da maternidade ele renuncia provisoriamente ao humor e abraça a tragédia

Ao longo de três décadas, vemos o sofrimento e o amadurecimento de Julieta, que assim como o espectador, tenta descobrir porque Antía se afastou dela.

Julieta em seu passado

A crise da protagonista está dividida entre um presente de arrependimentos e a possibilidade de recuperar algo do passado para, então, organizar seu futuro, por isso a personagem é incapaz de alcançar uma plenitude.

“Julieta” conta com interpretações afiadíssimas e performances excelentes de ambas as atrizes.

A passagem de Julieta jovem de Adriana Ugarte para a Julieta madura de Emma Suárez é bela, reveladora e representativa de uma maturidade que chega a duras penas.

A direção de Almodóvar torna o seu cinema visualmente reconhecível com seus figurinos de cores quentes (destaque para o dramático vermelho), ou estampas nada discretas que se realçam nos ambientes. Sem falar da fotografia que visita com sucesso várias tonalidades de cor, procurando mais as sombras ou a neutralidade.

Almodóvar realiza uma jornada bastante dolorosa mas com pinceladas de thriller e humor.

Julieta é um ótimo filme em um doído grito de socorro que vale a pena ver e ouvir. Os filmes do diretor parecem que suam de tanta emoção e que transpiram de tão intensos que são.

Leia também: Maria Callas em suas próprias palavras

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Agnus Dei – Les Innocentes

Uma história finalmente contada.

Les Innocents exibido no Festival Varilux de Cinema Francês em 2016, chegou por aqui com o nome de Agnus Dei. Baseado em fatos reais, filmado na Polônia e França, conta uma história de violência contra mulheres ao final da Segunda Guerra Mundial, em um vilarejo polonês.

Durante uma missão da Cruz Vermelha, a jovem médica francesa, Mathilde (Lou de Laâge), trata de sobreviventes franceses antes de serem repatriados. Mathilde descobre que freiras de um convento vizinho foram estupradas por soldados russos. Muitas delas estão grávidas. Apesar da ordem de prestar socorro apenas aos franceses, a médica começa a tratar secretamente de todas as freiras e madres e enfrenta os julgamentos das próprias pacientes que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade que se recusam a ter o corpo tocado por quem quer que seja até mesmo uma freira.

A talentosa diretora e roteirista Anne Fontaine ficou profundamente tocada com essa história sobre maternidade e questionamento da fé, e faz de “Agnus Dei”, um filme forte, denso e que provoca inúmeras reflexões.

O roteiro não tem como foco discutir a guerra em si, trata com atenção as consequências dos atos brutais dentro do convento e de como as freiras grávidas lidam com essa provação.

O longa é essencialmente de mulheres, mas alguns de homens aparecem em cena – especialmente no cotidiano de Mathilde, cercada de homens no hospital militar.

Um desses homens tem destaque na produção: o médico Samuel (Vincent Macaigne). Ele aparece, para reforçar a leitura da personagem de Mathilde e para ajudar a contrastar a vida dela com a das freiras do convento.

Conhecemos duas realidades diferentes: a das mulheres enclausuradas que acabam tendo suas vidas invadidas e agredidas de forma covarde, sem possibilidade de defesa em contraste com a vida independente de uma médica que fez a escolha de dedicar a vida para ajudar as pessoas na Cruz Vermelha.

Mathilde é solteira, possuí uma profissão, sai com o homem que quer, fuma, tem origem familiar comunista, e faz o que acha certo. Em contrapartida as freiras que ela encontra em situação de vergonha e medo devem seguir hierarquia com o propósito ter obediência, e dedicar todo tempo a Deus.

Essas duas realidades não se chocam, mas é difícil para Mathilde se colocar no lugar daquelas jovens mulheres, até que em certa uma noite, ela passa por uma situação semelhante.

”Les Innocents” nos conta uma história terrível e convida o espectador a conhecer mais uma das chagas pouco comentadas que foram deixadas pela Segunda Guerra Mundial.

O longa convida as mulheres a fazerem um exercício de empatia que é duro, porém é necessário.

Bem construído e com ótimo elenco, “Agnus Dei” fala de humanidade e compaixão. Independe de religião, de visão política, ou lado da guerra.

Anne Fontaine empresta sua assinatura a esse magnífico filme sobre transgressão e amparo. O emocionante encontro entre a médica francesa e a irmã Maria (Agata Buzek), dividida entre seus votos e a vontade de aceitar a vida.

 Acima de tudo é uma belíssima homenagem às mulheres vítimas tão esquecidas – e tão silenciadas – de todas as guerras.

Um filme, belo, sensível, tocante e acrescenta-se também, que nos faz refletir sobre dogmas e comportamentos humanos durante a guerra. Nos faz notar que a humanidade é capaz de triunfar diante de tantos absurdos e perversidades que o ser humano é capaz de cometer em nome do poder, do prazer e até mesmo de Deus.

Importante mencionar dois aspectos: a trilha sonora emocionante, e a fotografia com  belíssimas imagens com potencial de serem emolduradas.

Confira o Trailer:

https://youtu.be/Gr6w-22dOEk

Veja também:

https://dominique.com.br/beleza-americana/

https://dominique.com.br/lore/

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.