Aconteceu

A viagem que eu decidi não fazer no Edifício Esther!

Dominique - Edifício Esther
Era dia 1 de setembro, dia do meu aniversário. Dia ensolarado, fui encontrar a Dominique para um “café com projetos” e ainda ganhei meu símbolo #somostodasdominique: o famoso leque.  De lá fui encontrar meu marido para o almoço no topo do Edifício Esther, no centro de São Paulo, que há tempos estava querendo experimentar.  Uma viagem no tempo!

O porteiro, vindo do Congo, me recepcionou no térreo com tanta alegria que por um segundo imaginei que ele soubesse ser meu aniversário. Com um largo sorriso, me acompanhou até a porta do elevador.

Lá em cima, a hostess, importada da França, surgiu com um enorme sorriso dizendo “Bonjour Madame”. Foi a glória (será que ela também sabia?).

Encontrei meu marido no bar e brindamos a ocasião enquanto eu tinha uma aula de história com meu “husband” historiador/arquiteto:

O Edifício Esther é um dos primeiros edifícios modernistas da cidade. Construído na década de 30 e projetado por Vital Brasil. Inovador para sua época, com onze andares sendo que seus prédios vizinhos não passam do terceiro andar. Tornou-se símbolo da modernidade e passou a ser frequentado pela alta sociedade, artistas e intelectuais. O chef/padeiro/apresentador de programa de TV, Oliver Anquier, que residia na cobertura, transformou seu apartamento em restaurante ano passado.

Em seguida, nosso garçom, chileno, nos leva para a melhor mesa com melhor vista (ah, sim, meu marido deve ter avisado a todos, certeza!). O chileno sugeriu o medalhão com mostarda… Bem, devo dizer que sou vegetariana, mas estava tudo tão perfeito, aquela vista, aquele dia de sol, maridão, a francesa, o congolês, o leque da Dominique e decidi dizer “sim” ao chileno simpático.

Entre uma garfada e outra, um assunto e outro, uma espiada pela vista deslumbrante com a Praça da República aos meus pés…Ops!

O pedaço de carne parou no meio do caminho. Nem descia goela abaixo e nem subia boca pra fora! Tentei manter a pose e a calma, mas diante de meus olhos arregalados (percebendo que o ar que entrava não era suficiente) meu marido questionou se o bife estava ruim. Foi então que percebi que não conseguia responder, falar, grunhir…

Desesperei e o ar parou de vez. Meu marido continuava me perguntando se eu queria trocar com o prato dele e eu imaginava o mico de morrer no dia do meu aniversário com um pedaço de bife entalado na garganta (EU NEM COMO CARNE), no topo do Edifício Esther. Que mico! Imaginei as manchetes de jornal e decidi que eu não ia fazer aquela viagem. HOJE NÃO! E desci do salto!

Primeiro levantei-me e brinquei de mímica com meu marido. Eu mesma dava soquinhos nas costas a fim de que ele adivinhasse que tinha algo me entupindo. Não deu certo. Ele seguia me questionando o que estava se passando… Ou havia decidido que a natureza se encarregasse de forma natural a carregar a patroa dele.

Então fui para o meio do salão, repleto de gente saboreando as delícias do local e, lembrando da tosse do meu vizinho, daquelas que fazem a terra vibrar, em uma espécie de revanche de seu escândalo para tossir, fiz pior: dei o grito de guerra dos dragões de “Game of Thrones” com toda a minha força e vontade de não morrer no dia do meu aniversário. Foi estrondoso.

A hostess francesa, em um balé sincronizado com minha performance, abriu a porta do toalete e o pedaço de bife voou lá para dentro e ela, imediatamente, fechou o porta. Chique no último. Silêncio total! Todos admirados com a “tosse show”.

Não cantaram parabéns e também não houve aplausos, mas soube por uma tia que a amiga dela, em um domingo, sufocou com um pedaço de pizza e não teve a mesma sorte do que eu, portanto, considero que ganhei um presente de aniversário: a vida!

Este texto era para falar de viagens, para quem vem à São Paulo, não deixar de passar pelo Esther Rooftop e provar… o céviche!

Que tal visitar o Edifício Esther depois desta incrível história?

Leia Mais:

Quando foi que você fez algo pela primeira vez? Eu andei de bike! Parte 1
Natal mais divertido de toda minha vida – Graças ao Papai Noel!

 

Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

5 Comentários
  1. Também passei o mesmo perrengue num almoço no restaurante Varanda do JK. Família toda reunida , brindando , conversa super animada…foi quando com um pedacinho da picanha divina, entalou…eu tentando engolir e ela resistindo e me sufocando…levantei e a sorte que nossa mesa estava perto da toillete. , corri e qdo me olhei no espelho eu estava azulada.e sem fôlego…nisso um anjo do céu surgiu , pediu licença e me abraçando por trás , deu- me um tranco e a picanha saiu feito um bólido e eu pude respirar…vi a morte de perto.Agradeci a essa senhora anjo que disse ter passado por uma situação idêntica.Respirei , voltei para mesa e brindei com uma Chandon que desceu redondinha!! Tim tim!!!!!!!!

    1. Que sorte vocé teve Darcy! Depois de ler seu relato acho que eu vou fazer um curso para aprender as manobras e ser mais uma a poder salvar alguém desta situação horrível!
      Ainda bem que tudo terminou com um brinde de Chandon! Tim tim à nossa segunda chance!

  2. Comigo aconteceu com a primeira garfada numa pitza com tomates com molho de vinagre.
    Levantei depois de tentar despistar e foi um show .
    Apareceu uma cliente que me agarrou pelas costas, abaixou minha cabeça e aos poucos fui me recuperando. O gosto tinha caído num lugar que me sufocou e fiquei sem respirar.

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Evento #SomosTodasDominique!

Dominique - Evento
No dia 05 de dezembro, aconteceu o nosso primeiro encontro (o primeiro evento de muitos) e posso dizer que me sinto realizada.

Foi incrível ver todo mundo ali tão envolvido e comprometido com o tema. Foram mais pessoas do que o esperado e tudo estava perfeito.

Veja aqui o que disseram 2 mulheres que nos inspiram muito:

Constanza Pascolato
Empresária, consultora de moda, Integrante da Academia Brasileira de Moda

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=avJbJk30fG4&feature=youtu.be[/fve]

Marta Khedi Schahin
Presidente do Hospital Sírio Libanês

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=MAm-Yxfwhj4&feature=youtu.be[/fve]

Falamos também a querida Raquel Cardoso, uma das seguidoras da página Dominique.

Raquel Cardoso
Seguidora da página Dominique

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=OofAo_SwXlw&feature=youtu.be[/fve]

O projeto Dominique vem sendo desenvolvido há três anos para dar voz às mulheres da nossa geração.

Não é porque temos mais de 45 anos que nos tornamos invisíveis. Ao contrário, somos mulheres decididas, sabemos o que queremos e o que não queremos, consumimos mais, estamos conectadas e representamos quase 10% da população. Isso não é pouca coisa, né? Por que então não nos reconhecemos nas propagandas da maior parte dos produtos?

Não queremos rótulos! Cinquentona, cinquentinha, idade da loba??? Que nada, somos muito mais que um rótulo, Somos Todas Dominique!

Chega de olhar julgador, por isso que a Dominique nasceu, para conversar com vocês! Ter a oportunidade de debater sobre essa questão neste evento foi maravilhoso.

Não vejo a hora de encontrá-las de novo. Querem um próximo?

Mas dá uma olhadinha nos melhores momentos do nosso evento

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=G-yXJnDRjd4[/fve]

E aqui você consegue ver o evento na íntegra! Não é demais?

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=LLjaCxFz498&feature=youtu.be[/fve]

Confira algumas fotos do evento:

« of 11 »
Agradecimento especial aos apoiadores do evento: Mitsubishi, May Macarons, Fatto ManuCarol Noel, Perrier JouetCorvo, Santa Festa, Fleur de Sucre, Gift ChicCleo Aidar e Credit Suisse.

Leia mais:

A grande e variada lista de amigas de uma Dominique
Quando eu crescer e envelhecer pra valer, quero ir para um asilo!

9 Comentários
  1. Descobri vocês !!!! e quanto mais vejo o site, assisto aos comentários, leio os textos me reconheço uma DOMINIQUE. Tb me senti diferenciada na infância e adolescência como Constanza fala na entrevista (graças a Deus), tb me sinto muito mãe mesmo não tendo filhos….queria muito participar de um encontro de vcs. Estou sonhando em ter um leque!!!

  2. Primeiramente, obrigada pela parte Dominique que me toca!
    Quando será o próximo encontro? Achei importante todas as colocações ,inclusive as inadequadas rsrsr do tipo nada Dominique,do tipo ” não se separem ! Os filhos vão sofrer muito…”
    Acho que essas são as pessoas que mais precisam ler ,e ouvir o que as Dominiques tem a dizer…Aguardo ansiosa!
    Lygia Durand

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Quando foi que você fez algo pela primeira vez? Eu andei de bike! Parte 1

Dominique - Bike
E ai eu resolvi fazer uma coisa nova, não tão nova, mas que há 25 anos não fazia, então é nova de novo, certo? Fui andar de bike. Sozinha. Um alien loiro andando pelo Brooklin em pleno feriado, graças ao bom Deus, as ruas ermas, um ou outro gato pingado perambulando pelas calçadas. Afinal, depois de tanto tempo, não estava dominando tanto assim a magrela.

E adorei. De verdade, não sei se gostei mais de descobrir que ainda sei andar de bicicleta, comprovei que o ditado popular é verdadeiro, a gente nunca esquece depois que aprende a pedalar, ou se o que senti foi um tremendo orgulho de ter saído sozinha para fazer isso.

Já fazia quatro meses que havia me cadastrado no tal Bike Sampa do Itaú e passo pelas estações quinhentas mil vezes pensando: preciso ir, este final de semana eu vou, no sábado, talvez no feriado, no dia de Santo Expedito, Santo Antonio, Dia das Bruxas, Dia do Corretor de Seguros, Dia de São Nunca. Perdi a conta de quantos finais de semana me autossabotei, inventei as mais mirabolantes desculpas e não fui.

Quer saber, minhas pernas doeram uma barbaridade. Outras partes também. Mas fiquei feliz da vida com minha conquista. Andei de bike sozinha e não perdi o equilíbrio, nem o rebolado.

Ai, me achando a última Coca-Cola gelada no deserto, resolvi aceitar o convite de um pretendente para pedalar num domingo ensolarado. O itinerário partia da Avenida Roberto Marinho rumo ao Octavio Café, na Avenida Faria Lima, onde tomaríamos algo e voltaríamos. Bucólico, né?

Só não me atentei que o dito cujo é ciclista profissional, monta suas próprias bikes e pedala 60 km na subida com a mesma facilidade que caminho entre meu quarto e a cozinha. Simpático e atencioso, comprou um selim exclusivo para mocinhas e me emprestou a sua magrela mais turbinada.

Todo orgulhoso me mostrou a bike e disse:

– Esta é especial, de fibra de carbono, não chega a 700 gramas. Custa R$ 5.000,00.

Tive vontade na hora de sair correndo três dias sem olhar para trás! E se eu cair? E se a bicicleta quebrar?  Será que meus óvulos valem algum dinheiro? 

Ele me acalmou e me encorajou.

La fui eu, apavorada. Uma delícia a tal bike, nem sentia que estava pedalando de tão leve a danada. O problema é que o cara tem 2 metros de altura e mesmo abaixando todo o banco, meus pés não alcançavam o chão.

Quinhentos metros depois, apenas quinhentos metros, nem tinha atravessado a Avenida Santo Amaro, me desequilibrei e levei o maior tombo da minha vida. O cara, a alguns metros na frente se desesperou. Largou a bike dele imediatamente e veio correndo para me amparar. Parou carro para ajudar, gente perguntando se devia chamar o SAMU e eu querendo que um buraco se abrisse para morrer dentro dele escondida, a velha e boa síndrome de avestruz.

Minha maior preocupação era ter estragado a Ferrari de duas rodas. Quem tem uma bicicleta de R$ 5.000,00, meu Senhor? Descobri depois que muita gente.

Me machuquei bastante, mas como escorpiana genuína, insisti em continuar o passeio desde que ele não fosse atrás de mim como sugeriu. Só de saber que alguém estaria observando não conseguiria andar um metro sequer.

Nem cem metros, nova queda. Eu parecia o frango da Sadia depenado. Joelhos, tornozelos, braços, mãos e punhos sangrando, um estado de horror. Novamente um carro parou e quase mandei todos para aquele lugar. Minha coleção de hérnias de disco piorou muito depois deste fatídico episódio.

Desta vez, sem a menor chance de negociação, voltamos empurrando as magrelas, com direito a pit stop na farmácia para a compra de primeiros socorros.

Nem preciso dizer que nunca mais vi o galã.

Quantas coisas será que eu consigo mais fazer sozinha? God Only Knows.

E você? Já viveu algo parecido com essa aventura de bike? Conta ai!

Leia Mais:

Mentira do bem – 3 mentiras que contei para não fazer mal a ninguém
Infarto na hora H – Curiosidade tem limite, falta de juízo não!

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

8 Comentários
  1. Geente, tenho 72 anos! Moro num lugar maravilhoso, que tem pontos de bike espalhados pelo clube todo e de graça! Domingo durante o almoço, soltei que meus netos, que já são grandes, poderiam me ensinar a andar de bike , isto é, reaprender ! VIXE!! FOI uma gritaria geral! Desisti ! Só fico dr olho comprido!!!

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Infarto na hora H – Curiosidade tem limite, falta de juízo não!

Dominique - Infarto
Tenho uma amiga, muito, mas muito querida, que se meteu numa encrenca monstro por pura falta de experiência, ingenuidade e um tico de Alice no País das Maravilhas.

Casada por 25 anos com o mesmo homem, primeiro e único. Infelizmente, uma série de mal entendidos e infortúnios ao longo dos últimos 5 anos, levou o casal a pedir o divórcio.

O impacto da solidão a assombrou. Preferia ficar num casamento já destruído a enfrentar a vida sozinha. O terror de se ver só fez com que o juízo que lhe restava escoasse pelo ralo.

No afã de encontrar um companheiro, parceiro, namorado ou algo do gênero, cadastrou-se em um destes aplicativos de relacionamento. Isso há 12 anos, quando não se falava muito sobre encontros através da internet.

Entra no aplicativo, preenche o perfil tomada por um medo surreal, mas sincera em todas as respostas. Absolutamente franca, aberta, clara, até demais da conta.

Sem noção, marca um encontro com um cara, aparentemente bonitão, que morava no interior. Graças ao bom e santo Deus foi num shopping de São Paulo o que na história não refrescou muito.

O furor uterino era tanto que, sem mais delongas, topou ir a um motel. Aquela vontade insana, ovários em polvorosa, adormecidos há anos, não permitiram nenhum traço de bom senso.

Sem julgamento ou rótulos, OK? Quem nunca entrou numa fria por falta de juízo? Pode até não ter sido neste tema, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra, não é não?

Bem, chegam no motel que ela não ia há anos, o ambiente convidativo, uma bebidinha, anos na seca, começa o rala e rola. O que acontece? Não, não é o que você imagina! O infeliz sofre um infarto! Isso mesmo, ataque do coração antes de consumar o ato…se ainda tivesse sido depois, vá lá que seja!

Ela abre a carteira do dito cujo, não tem carteirinha de convênio, nem cartão de débito, nem de crédito e apenas uma cédula de R$ 50,00. Ops, pega o celular dele, afinal tem que chamar alguém da família. Aparelho travado.

Um corre-corre danado, ela em desespero, chama ambulância e leva para onde? O pai dela havia falecido há cerca de 10 anos e ela conhecia bem o Hospital Santa Cruz, relativamente perto de onde estavam.

Entra a ambulância fazendo o maior alvoroço no estabelecimento do prazer – deve ter atrapalhado a performance de vários casais – temos que convir que é algo inusitado uma sirene dentro de um motel.

Ela vai com o cara para o hospital. Infarto, cateterismo, angioplastia, UTI. Quando enfim conseguiu ver o acamado, descobre que ele não tem família, não tem dinheiro, nem lenço, nem documento.

Dias depois, ao receber alta, o médico chama minha amiga, a “suposta” esposa e dá orientações bem claras. Ele não pode viajar por quinze dias. Repouso absoluto. Como assim? Aonde fica? Na casa dela com os filhos adolescentes, claro! Até hoje não consegui concatenar as ideias e entender o que ela explicou aos pimpolhos.

Pois é. Levou a criatura para casa que ficou durante uma longa e interminável quinzena. Ele se recuperando deitado em sua cama de casal e ela no sofá da sala. Ele com direito a café da manhã, almoço e jantar.

Se a história já é um capítulo à parte no conto dos absurdos, resta uma questão de extrema importância: se o ser humano não tinha convênio, não tinha dinheiro, nem cartões de crédito, quem pagou a conta do hospital? Quem quase teve um infarto fui eu quando ela revela o ápice da surrealidade, seu ex-marido bancou as despesas hospitalares!

O infartado jurou que iria devolver o dinheiro. Faz 12 anos, 4 meses e 28 dias.

Infarto no motel? É o cúmulo do azar, concorda?

Leia mais:

Churchill: as 96 horas que antecedem o importante “Dia D”
O dia em que percebi o primeiro último dia da minha vida

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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O dia em que o palito de dente ficou preso na saída – AIQDÓ

Dominique - Palito
Você já comeu palito de dente? Eu tenho um amigo que já…

Reconheço que tenho um péssimo hábito há milênios. No dia-a-dia não sei comer pausadamente e nem saborear a refeição. Me atraco com a comida como se estivesse num ringue de MMA. Ou eu ou ela. Vivo correndo alucinadamente, sempre tirando o pai da forca. Paciência não é meu forte. Deve ser o último item da escala.

Quando a fome aperta a situação se agrava e muito. Meu humor é irascível. Tenho paúra de pegar fila. Evito a qualquer custo lugares com filas para esperar horas a fio.

Preciso querer muito, mas muito mesmo alguma coisa para me sujeitar a entrar numa fila indiana. Se for para comer, nem pensar. Não fico nem amarrada. Ao me deparar na entrada de um restaurante com um amontoado de gente que se procria à medida que o tempo vai passando não fico nem para salvar a vida de alguém. Há tanta opção para comer em São Paulo, me recuso a fazer um programa de índio, mesmo tendo tacape, cocar, arco e flecha no porta-malas do carro. Aliás, uso com mais frequência do que gostaria.

Para chocar os paladares mais refinados, confesso que considero a comida por quilo a invenção do século. Para meu esquema frenético de ser, cai como uma luva. Entro, me sirvo somente daquilo que eu quero, engulo a comida, pago e vou embora para Pasárgada.

Nem fast food eu aguento mais. Pegar senha para ser chamada, já basta quando vou fazer exames nos laboratórios, em jejum, tentando subornar alguém por um biscoitinho e um café.

Mas não estou só. Outros também se alimentam no estilo de um peru em véspera de Natal. Comer rapidamente virou uma epidemia. Basta ver as praças de alimentação dos shoppings. Ninguém esquenta a cadeira. Se inventasse um comprimido para o arroz, outro para feijão, um para carne e outro para legumes, o comércio de alimentos estaria muito mais rico do que já está.

Tenho um amigo, também jornalista, que no quesito velocidade em comer, dispara muito na frente, bem longe de mim. Jamais poderia participar de um rally gastronômico de regularidade.

Além de ser um Lewis Hamilton na degustação, o danado é guloso. Nem vê o que está comendo. “É para comer? Manda um ai”.

Num coquetel, esta criatura se empanturrou de salgadinhos. Fritos, assados, crus. O que pintasse na rede era peixe.

Amanheceu com uma dor aguda no abdômen. Foi levado às pressas para o pronto-socorro. Apendicite, pedra no rim, diverticulite? Ninguém sabia. O cara estava muito mal. Uivava como um lobo em noite de lua cheia.

Chegamos ao hospital para dar uma força e encontramos sua esposa às gargalhadas. Eu nem imaginava que o casamento ia mal. Fiquei assustada com o comportamento maquiavélico da adorável cônjuge.

Ela tentava desesperadamente pegar um fôlego, mas não conseguia. Tudo bem tem gente que sofre de riso nervoso diante de grandes traumas, mas aquilo já era demais.

Depois de alguns minutos tentando controlar sua risada frenética, eu já querendo bater em sua cara tamanho o desaforo com o marido doente, ela diz:
– Sabe o que ele tem? Palito.
Eu digo:

– Como assim? Que doença é essa Palito?

Ela não aguenta, ri de novo e explica:

– Ele comeu uma coxinha e nem sentiu o palito. O dito cujo ficou atravessado na horizontal na saída, entende?

O infeliz com o palito lá no fiofó foi para a cirurgia, tomou anestesia geral e o que é muito mais desastroso, teve que aguentar todas as provocações e a tiração de sarro.

Nem o médico conseguia falar com ele sem chorar de rir. E, cá pra nós, não tinha como  acusar o doutor de antiético. Ninguém se controlava.

Os mentecaptos no escritório tiveram a sacada de comprar caixas e caixas de palitos Gina para decorar sua sala.

Passaram-se 20 anos e ninguém esquece do ocorrido para desgraça deste ser. Um episódio surreal.

Nem assim aprendi a comer que nem gente normal.

Dica do dia: cuidado para não comer palito de dente!

Leia mais:

Comodidade, hábito ou perda de memória? Experimente ficar sem celular!
Feriado só com mulheres? Nossa Senhora Aparecida que me salve!

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Comodidade, hábito ou perda de memória? Experimente ficar sem celular!

Dominique - Celular
Arrisco-me a perder este emprego já que a Dominique me contratou para falar sobre viagens, mas decidi falar sobre a sensação de estar na mão de algo ou alguém. Gostaria de estar com o celular na mão, não na mão do celular. Lembra da expressão “Miolo Mole”? Então, senta que lá vem um exemplo.

Tive uma experiência daquelas de filmes, quando a mocinha se dá conta de que é refém de uma situação, misturado aos filmes de ficção científica, em que computadores dominam a humanidade com um toque do desenho “Wall-E” e os seres humanos vivem em uma poltrona reclinada ambulante, porque não são mais capazes de caminhar usando as próprias pernas.

Eu já havia me dado conta de que comecei a emburrecer desde que iniciei o uso do “Waze” e, muitas vezes, me “dá um branco” de onde estou, para onde estou indo e qual o caminho, ainda que o tenha percorrido desde que nasci. Não, não é a idade, ao menos ainda, contudo é a facilidade que está me emburrecendo. Meu músculo cerebral está atrofiando por falta de uso ou pelo uso excessivo do celular e seus aplicativos que facilitam nossa vida.

Eu e meu marido fomos levar nossa filha para a casa de uma amiga. Como era a primeira vez, pedi que ela acionasse o “waze” para me indicar o caminho. Enquanto eu seguia cegamente as instruções, conversava amenidades com o meu marido, sem a menor atenção ao percurso. Parei o carro no momento em que o aparelho avisou: “Você chegou ao seu destino”. Observei o número do prédio e em tom responsável e atento (só que não) questionei minha filha se era aquele mesmo. Após a afirmativa dela, deletei o número do prédio de minha cabeça. Para que usar minha memória se eu compro um aparelho que vem com uma memória? Ótimo, ela saltou do carro e o “Waze” nos indicou como sair dali.

Em casa, mais tarde, meu marido me perguntou se eu havia prestado atenção ao caminho, nome da rua, número do prédio, andar, apartamento. “Não” – eu disse com naturalidade! “Relaxe”! Vou agora mesmo enviar um “WhatsApp” para ela pedindo o endereço: A mensagem não foi. Mandei um “SMS”: Não entregue. Liguei: Caixa Postal. Liguei para a amiga: Caixa Postal. Liguei para a mãe da amiga: Caixa Postal. Tentei pelo “Messenger”: Serviço desconectado. Facetime? Safari? Então reparei que estava “Sem Serviço”. Sem serviço? E, agora? Como assim?

Meu marido observou o celular dele que indicava a mesma coisa: “SEM SERVIÇO”.
Lembrei que eu tinha um aparelho fixo e tentei ligar para a minha filha, a amiga e mãe da amiga: Caixa Postal.

Se eu tinha o número de telefone fixo delas? Nem me passou pela cabeça este tipo de “inutilidade”. Nem eu mesma sabia o número fixo de minha casa desde que trocamos o serviço da Vivo pelo da “NET que ninguém usa” (recebo apenas chamadas de telemarketing). Agora, se eu mesma não fui capaz de decorar o número de telefone de minha casa, o que diria minha filha que nasceu na era digital. Como ela me telefonaria?
Pânico. Cara de paisagem. Eu e meu marido nos encarando sem reação.

Ele decidiu, então, que usaria o próprio cérebro, as habilidades desenvolvidas e as que vieram de fábrica, como memória, capacidade intelectual, raciocínio lógico, senso de direção, intuição, capacidade visual e sensorial e saiu em busca da filha perdida, destemidamente e seguro de que seria capaz. Fez uma baita musculação para despertar a inteligência e conseguiu chegar ao destino.

Ficou tão, tão, tão nervoso em perceber o quão na mão de um aparelhinho – que envelheceu um ano – estavam nossas vidas que acabou se atrapalhando no momento de anunciar-se na portaria. É que nossa filha tem amigos que possuem os sobrenomes “Doria”, “Kassab” e “Russomano”. Na hora da adrenalina e do “branco” e a falta de acesso à “internet”, ainda conseguiu ser perspicaz: Disse ao porteiro, em tom firme e confiante, que buscava moradores que possuíam o sobrenome do prefeito de São Paulo! Quanto a ser o “atual”, o “ex”, ou o “quase”, deixou nas mãos do porteiro deduzir, como a uma charada.

Nossa filha, a amiga e a mãe da amiga também estavam sem sinal. Então, questionei minha filha se ela sabia de cor o número do RG dela, da casa da avó, de alguma amiga… “Não sabe”.

Estamos totalmente dependentes do celular!

Assumi a missão de resgatar a inteligência da família, fui até a banca de jornal, comprei uma dúzia de palavras-cruzadas, chamada oral de números e total atenção e confiança em nossa capacidade de ir e vir e a não usar o “Google” para pensar por nós!
#ficaadica!!!!

Leia mais:

Infalível método para fugir dos compromissos chatos – Super 3S
O machismo está presente no trânsito, no salão e até nos palavrões!

Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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Infalível método para fugir dos compromissos chatos – Super 3S

Dominique - Método
Há um bom tempo adotei um método infalível para me livrar de eventos chatos que preciso dar o ar da graça, mas que me falta uma vontade monstro de comparecer.

Ter 51 anos tem lá suas vantagens, há menos constrangimento em dizer não. Não suporto mais cumprir social.

Quero ficar à vontade, dizer as besteiras de sempre, falar mal da vida alheia sem que ninguém me olhe como seu eu fosse o ET de Varginha. Tenho bebido bastante Activia e Johnny Walker para gente assim.

Vamos falar a verdade, meninas. Tem algo mais chato que batizado e formatura? Há ocasiões em que não posso simplesmente dar o ar da minha ausência. Os pais não deveriam convidar ninguém para estes eventos. O ser que é convidado fica na maior saia justa. Quando vai, exerce um fascínio pelo relógio, não desvia o olhar da ampulheta moderna como se pudesse fazer o tempo passar mais rápido.

Nos batizados, quando por um milagre entendo o que o padre fala, me dá uma real vontade de evaporar.

O padre grita:
– Renuncia a Satanás?
Eu me assunto e deixo escapar:
– O que é isso? Quem é esse Satanás?
E todo mundo responde
– Renuncio.
Duvido que alguém renuncie do fundo do coração. No fundo, bem lá no fundinho, a galera toda tem um ladinho diabólico.

Ah! A formatura. Um pagamento de promessa, principalmente se o formando tem o nome que começa com R. Jesus, me salve!

Um amigo foi à formatura de medicina da própria filha, não teve como escapar, inventar caspa na unha, urticária na orelha. O nome da filha começa com M, poderia ser pior e iniciar com Z.

Lá pelas tantas, na letra F, puft! Um apagão geral na cidade. A saga que era interminável conseguiu ser pior. O teatro inteiro esperou por mais de uma hora e a energia não voltou, mesmo com todas as preces e macumba. Ar condicionado desligado. Um calor senegalesco em dezembro. A cerimônia foi remarcada e começaram em outro dia partindo do zero, chamando o povo desde a letra A. Sofrimento em dose dupla.

E os 500 happy hours de final de ano, às vezes, dois numa única noite. Turma da faculdade, do escritório, do antigo emprego, das mães dos amigos dos filhos, dos vizinhos, do Papa Francisco, das amigas inseparáveis, das amigas da academia, das amigas do cabeleireiro, do voluntariado…

Filas homéricas em todos os bares, porque o mundo quer fazer happy hour antes do Natal. Tudo espremido entre o dia 01 e o dia 20 de dezembro. Pelamor que cansativo.

Por que não espaçar estes happy hours ao longo do ano? Além de matar a saudade, driblamos algumas noites sozinhas e fica tudo bem mais divertido.

Para evitar constrangimentos assim e mesmo dizendo mais “nãos”, ainda não consigo me ausentar completamente dessas roubadas.

Como está fora do meu controle ser uma criatura resignada, adotei o método 3 S: surgir, sorrir e sumir rapidamente.

Mesmo assim, às vezes não é suficiente. Dei uma turbinada no método e criei o 3S TURBO PLUS – surgir, sorrir e sumir mais rápido ainda.

Teste o método e me conte.

Uma saída elegante para nós, Dominiques!

Se não tem remédio, remediado está.

Leia mais:

O machismo está presente no trânsito, no salão e até nos palavrões!
Feriado só com mulheres? Nossa Senhora Aparecida que me salve!

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Dominique no WebSummit 2017 – o maior evento de tecnologia do mundo!

Dominique - WebSummit
Queridas, fui convidada a participar do WebSummit 2017!

É o maior evento de tecnologia da Europa. Serão mais de 60 mil pessoas circulando por aqui para assistir mais de mil oradores em diversas palestras falando de Internet, comunicação, inteligência artificial e empreendedorismo entre outras coisas. E aí você me pergunta: o que você está fazendo aí Dominique?

Ganhei o convite que custa uma fortuna! Ganhei! Nem eu entendi mas aí veio a explicação. Já somos um público considerável e que merece atenção. Vamos lembrar que somos independentes, empreendedoras, ligadas em tecnologia e novidades. Legal, né?

Fiquei feliz porque no Brasil ainda não somos vistas ou percebidas assim. E olha, já somos mais de 40.000 no Portal Dominique e crescendo. Eles disseram que somos de uma faixa etária interessante, com estilo, ambições diferentes e cheias de potencial.

Por aqui dizem que somos influencers dessa faixa etária diferenciada. Disseram que ainda somos poucas no mercado digital. Acreditam nisto? Quem é que consegue viver, hoje em dia, longe do seu celular e esse monte de aplicativos que ajudam a facilitar a vida?

Mas aqui no Parque das Nações, em Lisboa ou pelas cidades brasileiras o fato é que ainda somos um mistério para o mercado e uma parte da sociedade que não sabem o que precisamos ou queremos. Queridas, vamos fazer a diferença! Vamos? Não sei você, mas estou antenada!

Cheguei aqui me sentindo uma estranha no ninho e nem terminou o primeiro dia já estava à vontade me sentindo como se estivesse na minha praia. O que posso dizer? Essa coisa de se adaptar rapidamente é basicamente coisa de Dominique, né?

Durante os próximos dias vou circular por aqui. O que encontrar de novidade ou coisas relevantes que impactam na vida da gente, compartilho aqui.

Acompanhe comigo o que há de mais legal acontecendo no WebSummit 2017.

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Lendas e sustos do folclore que Mino e Nina trazem ao Halloween

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Lendas e sustos do folclore que Mino e Nina trazem ao Halloween

Dominique - Halloween
Vem chegando o final de outubro e a gente começa a ver uma grande movimentação por conta das festas de Halloween. Não tenho nada contra outras culturas e costumes. Acho que a gente aprende e cresce com elas.

Hoje meus filhos estão crescidos, mas vi e vivi esse processo que começou na escolinha. Falo com conhecimento do caso. A escolinha não ofereceu nada além do Halloween e nunca me importei. Nessa fase, o foco da gente são os pequenos que ficam uma graça em sua fantasias.

Tenho memória clara daqueles dias e a festa que a criançada fazia com o evento. Na escola, o ambiente sempre embalado pelos filmes e séries made in Hollywood encantavam, assustavam e inspiravam. É fácil ser “globalizado” tudo chega fácil à mão!

Moramos em apartamento e há anos vi a festa entrar para o calendário da criançada. De repente estão elas lá na porta. O clássico da cultura anglosaxônica trick or treat por aqui virou doce ou travessura.

Não vou falar da origem do Halloween e o que ele evoca ou como se manifesta pelas diversas culturas mundo afora. O fato é que temos um folclore rico e, infelizmente, muito mal tratado pela memória nacional e TV. Cada vez mais globalizados, no pior sentido do termo, vamos perdendo identidade.

Há alguns anos surgiu uma oportunidade para reverter um pouco esse quadro. Pelo menos, de trazer outras informações para esse cenário. Dar espaço para as lendas brasileiras, ricas e tão assustadoras quanto as histórias que fazem a festa no Dia das Bruxas. Nada de xenofobia. Apenas a vontade de ampliar horizontes e mostrar que saber não ocupa mesmo espaço.

Foi assim que bolamos uma série animada em que os irmãos Mino e Nina, em faMino e Ninase de crescimento, vivem mergulhados em um mundo de fantasia. Eles tem um amigo imaginário que os ajuda a descobrir histórias do folclore brasileiro. A ideia era familiarizar essa nova geração com personagens que talvez, nossos filhos, muitas vezes, sequer ouviram falar a não ser em época de Carnaval quando elementos do nosso rico folclore aparecem nas letras dos sambas-enredo.

Nesse Halloween conheça Mino e Nina em: www.minoenina.com.br

Divirta suas crianças com o melhor da cultura brasileira: as lendas urbanas!

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O machismo está presente no trânsito, no salão e até nos palavrões!

Dominique - PalavrõesVamos falar de palavrões?

Guio mal. Dirijo muito mal. Não é de hoje. É desde sempre.

Às vezes eu acho aquela vaga perfeita, sabe? Naquele lugar perfeito! Mas se percebo que tem gente na calçada, sou capaz de desistir dela para não passar vergonha na hora de fazer a tal baliza.

E, sinceramente, não há mais o que fazer.

Guio devagar pra burro e, desta maneira, nunca tive maiores problemas e nem acidentes.
Como sei das minhas limitações, sempre que escuto alguém buzinando, já abro o vidro e peço desculpas. Mesmo sem saber se sou culpada de algo ou não. Geralmente eu sou. Mas nem sempre.

Outro dia, ao abrir a janela e fazer aquela cara de vítima arrependida para implorar o perdão alheio, vejo no carro ao lado um animal da mesma espécie e gênero que eu. Com a mesma cor de plumagem – loira. Com o mesmo grau evolutivo – bípede motorista.
Mas parece que ela não me viu como eu a vi. Ou porque cargas d’água ela gritaria “VACA”?

Por que uma mulher agrediria outra, mesmo num momento de raiva, chamando-a de um animal que corresponde a tantos outros significados tão pouco enaltecedores?

Ela poderia me chamar de barbeira. Navalha. Cegueta. Dona Maria. Mas vaca?

Aí fiquei pensando que vivemos numa cultura machista até para os palavrões. Nossos palavrões denigrem a mulher até quando xingamos um homem, já percebeu?

Filho da P***. Na verdade, estamos ofendendo a mãe do coitado.

Corno. Sempre é a esposa que leva a culpa. Mesmo sem ter saído de casa.

É, neste caso, a minha colega motorista foi incapaz de enxergar que a sua atitude só reforça e perpetua o tal machismo que sufoca, maltrata e, às vezes, até mata!

Agora, será que nessa altura do campeonato, aprendo a guiar melhor? Acho que vou continuar pedindo desculpas pro resto de minha existência. No carro e na cozinha!!

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Você é Dominique se…
Dores e sabores de uma mudança!

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

3 Comentários
  1. É quase sempre a mesma coisa… Entro no bendito carro com o marido do lado, pra começar o show de caretas, críticas, mal estar, grosseria e por aí vai. Sendo que agora ele tá menos exaltado, pois antes até rolava uns xingamentos. E, nossa! Ele é um “expert” no volante! Nunca erra, é o deus da direção! Exemplo a ser seguidos até pelos mais experientes e renomados pilotos de fórmula 1! Afff…

  2. Delicioso é lembrar da delicadeza do meu pai. A pessoa mais paciente do mundo!
    Certa vez, num desses incômodos encontros no trânsito, foi fechado por outro carro. Ficou muito bravo e não se conteve: abriu a janela do carro e a plenos pulmões, bradou:
    – MEDONHO!

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