Aconteceu

Insônia: Surfando por águas perigosas

O Lavabo e 2021

Bem, essa é a continuação do texto de ontem, 2021 e o Lavabo, onde conto como foi minha passagem de ano, onde em resumo, entre outras coisas, meu celular quebrou e clonaram meu cartão. Nossa! Olha só o meu poder de síntese consegui, em resumo, com meia dúzia de palavras reproduzir um textão que levei horas escrevendo. Olha ele aqui.

Na sexta feira, dia 8 de janeiro, já em São Paulo, acabei pegando um celular já que estava “sobrando” na firma do marido, um desses que as operadoras “dão” quando voc(ninguém dá nada pra ninguém. Doce ilusão).

Não posso reclamar, mas vou fazê-lo sim. Trocar de celular, na minha idade, é um saco!! Por mais que os apps já venham todos instaladinhos, tem um monte de coisas que precisa reconfigurar, milhares de senhas que eu não salvei em lugar nenhum e obviamente não lembro, e os aplicativos de banco nunca funcionam de primeira sendo que uma visitinha a agência sempre se faz necessária.

Por essas e outras que eu tinha decretado que do IPhone 7 pularia direto para o 14, fazendo valer a teoria dos setênios também para Steve Jobs. E estava indo muito bem já que tinha conseguido pular o 8, o 9, o 10, o 11, o 12 e até um X no meio do caminho. Para quem interessar possa, apesar de não ser de nenhum interesse, meu novo telefone é modelo 8 e está pra lá de bom!!

Enfim, sepultado o celular possuído pelo demo, assim como o assunto, mudemos para o próximo.

Vai ano, vem ano, e algumas coisas continuam as mesmas, não é mesmo? Quem tem o sono delicado, continua tendo o sono complicado, com ou sem pandemia, com ou sem perspectiva de vacina, na praia ou em São Paulo ou numa casinha de sapê como já dizia Kid Abelha.

E na própria sexta-feira, dia 8, já em Sampa, fui deitar lá pelas 23h, como sempre. Peguei no sono depois de um bom tempo, como sempre. Acordei antes da hora como sempre. O que teve de diferente nesse dia, foi que meus olhos abriram as 2 da matina e nada de conseguir dormir de novo. Vira prum lado, vira pro outro, e nada. Fritando na cama, com o tempo passando a passos de cágado, resolvi que iria para a sala com o intuito de não incomodar meu marido e quem sabe pegar no sono no sofá.

Liguei a TV. Procurei filme na Netflix. Fui até a cozinha. Abre e fecha geladeira diversas vezes, na esperança de que seu conteúdo pudesse mudar e quem sabe, eu encontrasse um pudim encantado em algum momento, contudo o que eu via era aquele desolador figo já meio passado, que insistia em me assombrar a cada tentativa.

Visito a janela para espiar meus vizinhos a fim de contabilizar quantas luzes acesas denunciam outras pessoas insones, ou quem sabe, apenas com medo de dormir no escuro.

Por falta do que fazer, resolvo fazer pipi. Não ousaria voltar para meu quarto e mais uma vez incomodar o coitado do homem, que dorme o sono dos justos. Por pura lógica de distâncias, dirijo-me ao lavabo, minúsculo e simpático ambiente de minha casa.

Nesse momento, devo fazer uma consideração técnica. Moro num edifício construído na década de 80, portanto com mais de 30 anos. Isso significa que algumas atualizações foram feitas, entretanto, outras são mais difíceis, mais trabalhosas ou mais onerosas, como, por exemplo, trocar aquele antigo e perdulário sistema de descarga pelo de caixa acoplada.

Preciso contar o que aconteceu?

Lavando as mãos, depois de dar a descarga, percebo que as águas continuam correndo. Não tinha nada entupido, pois era um movimento contínuo e incessante. Quem viveu isso sabe do que eu estou falando. Levantei a abinha da válvula, puxei, puxei, e nada. O que fazer? Parece óbvio, não é mesmo? Fechar o registro.

Mas que registro? Qual não foi minha surpresa ao descobrir que não há registro de água no lavabo de minha casa! Pânico! Continuei tentando fazer tudo que estava dentro de minhas possibilidades e de meus parcos conhecimentos hidráulicos.

Pânico!

Só me restava uma coisa a fazer. Sim, sim sim. Tinha que acordar o maridão no meio da madrugada, correndo todos os riscos previstos no manual dos casamentos longevos. Deixar rolar não era uma opção apesar de ter passado pela minha cabeça, confesso, ligar para uma Porto da vida ou até mesmo acordar o zelador. Todavia o bom senso venceu a covardia e lá fui eu.

Devagarinho, bem mansinha, ao pé da cama, fazendo carinho na perna do amado e sussurrando. Aliás, pelo meu tom de voz, algum desavisado poderia acreditar que eu estava tentando seduzi-lo, de tão baixinho e amoroso que estava.

-Amor, amor…Está tudo bem… Mas eu preciso de sua ajuda.

Pronto. Disparei a palavra de pânico. Ajuda, no meio da madrugada? Ele saltou da cama assutado perguntando o que tinha acontecido.

— Nada sério. Calma. Foi só a descarga do lavabo que disparou.

Eu cheguei a comentar com você que não acendi nenhuma luz para entrar no quarto? Não?

Pois bem, aquele homenzarrão, desperto no meio da noite pela esposa pedindo ajuda, sai no escuro em desabalada carreira rumo ao lavabo. Por completa falta de ideia minha, não previ o caminho que ele faria, e no escuro, encontrava-me eu justamente no meio dele.

Resultado? Fui atropelada impiedosamente, como se lá não estivesse, pelo meu marido. Por sorte ele não me viu caindo desajeitadamente sobre o pé de madeira da cama, porque não sei o seu marido, mas o meu é do tipo que fica bravo quando eu me machuco. Claro que não é por mal, mas ele me acha muito desastrada e desligada. Dessa vez não era o caso, entretanto, não deixava de ser minha culpa.

— Você está bem? – pergunta ele depois do ‘esbarrão’.

Não haveria dor, hematoma, machucado algum que me faria piar naquele momento.

— Claro que estou!

Problema resolvido em 5 minutos.

Ahhh, que orgulho de meu herói!

Maridão volta para cama, mudo, sem nenhum comentário, reclamação ou resmungo, que dessa vez, talvez, até pudessem ser pertinentes.

Resolvi voltar para a cama pra tentar não sujar mais minha barra e surpreendentemente, peguei no sono rapidamente dormindo até bem depois do amanhecer.

Moral da História que são várias.

  • Descobri que meu lavabo não tem registro. Até agora, não tive a curiosidade de saber onde seria o esconderijo desse meliante, mas talvez seja interessante saber, just in case. Vai que, né?
  • Preciso deixar alguma coisa muito gostosa escondida para comer nessas horas de desespero. Mas de que adianta eu conhecer o esconderijo? Provavelmente na hora da necessidade, nada mais lá encontraria. Oh vida cruel!
  • Concluo que a maioria das luzes acesas de meus vizinhos de prédio naquela madrugada, eram de pessoas que não gostam de dormir no escuro e não sofridos insones. O mundo e os casamentos não suportariam uma quantidade daquelas de gente acordada aprontando noite afora.
  • Meu marido sabe muito! De consertar a válvula do lavabo no meio da madrugada a saber quando não é preciso falar nada, não me fazendo sofrer mais do que o necessário. Ele sabe muito!

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Feliz Ano Novo e meus pedidos pulando ondas para 2021

Feliz ano novo para você também!

Passei a virada no litoral como faço há 23 anos, na mesma casa, na mesma praia, com os mesmos amigos. Graças a Deus.

Mas dessa vez, algumas coisas foram diferentes como você deve imaginar.

  1. Não ficamos zanzando na casa dos vizinhos. Todo mundo ficou mais recolhido. Lembrei até de um antiquíssimo slogan de rádio “Cada um na sua e todos na Difusora”(quem lembrou, lembrou, sorry, não vou explicar) .
  2. As casas estavam cheias, porém, pareciam estar mais “calmas”, música mais baixa, luzes apagando mais cedo.
  3. Falando por mim, nunca estive tão introspectiva. Fiz tapeçaria e pintei aquarelas, muitas aquarelas, mas não se iluda, jamais verá aqui uma grande artista, aliás, sequer uma artista. Apenas dei vasão a necessidade de me concentrar em algo sem precisar pensar muito ou elaborar o que quer que seja.
  4. Ao pular as 7 ondinhas, tenho certeza que os pedidos desse ano, da grande maioria dos supersticiosos, foi diferente. Saúde em primeiro lugar? Muito possivelmente. Ânimo para continuar? Talvez em outras palavras, mas acho que deve ter tido muito pulinho por aí com essa intenção. Bom humor para não deixar a peteca cair? Também, seguindo a mesma linha do “ânimo para continuar”.

Bem, se esses não foram os pedidos da maioria, você acabou de saber parte dos meus. E sinceramente? Acho que os 7 mares e seus deuses me ouviram. Pelo menos nesse começo de ano. 

O que você acharia, se seu telefone, nos segundo dia do ano, começasse a enlouquecer, e fosse, gradativamente, perdendo seu touch, perdendo a sensibilidade? Eu tentava digitar um ‘e’ e saia um ‘w’. Do que me serve um W? Quem usa W a não ser Waldir, Wilma e Waldemar? Tentava abrir aplicativos, que teimavam em não obedecer. Via borbotões de mensagens de WhatsApp (facilmente substituível por ZAP na ausência do W) entrando sem conseguir lê-las. Amiga, você imagina a aflição de não conseguir atender ligações apesar de ouvir meu telefone tocando, de ver o nome de quem me ligava? O celular estava imprestável e não tinha muito o que fazer, uma vez que só poderia resolver a situação em São Paulo no dia 8 de janeiro, portanto seis ou sete dias ainda. Af, como sobreviver?

Contudo, e com a ajuda dos anjos marítimos, cumpri um de meus desejos. Vi o lado bom da situação e lidei com ela com bom humor. Qual é o lado bom? Acabei tendo que forçosamente me desconectar de tudo e de todos. Onde entra o bom humor? Algumas ligações até dava para atender, se conseguisse chegar dentro do carro a tempo de ligá-lo para acionar o aparelho a partir do painel de meu possante. Ahhh, fala verdade..Muito engraçado eu dentro do carro na garagem batendo papo…

A epopeia estava perto de acabar, pois, eu estava prestes a voltar para São Paulo, já colocando as coisas no carro para partir quando recebi uma mensagem, que por generosidade do destino, eu consegui ler naquele celular possuído pelo demo. A mensagem era sobre um gasto no meu cartão de crédito feito em Londres. Uhhuuuuu Meu cartão foi vacinado e foi passear nas Europa!!!..

Não. Nada disso. Meu cartão foi clonado na primeira semana do ano.

Fácil, dá tempo de cancelar se eu agir rapidamente. Só preciso ligar para a empresa de cartões. Só. Lembra do touch que não aceitava mais touch? Então…Dei um jeito. Peguei o aparelho do marido. Peguei, não. Arranquei dele. Um pouco mais de estresse, um pouco mais demorado, mas continuamos todos com saúde. E isso é o que importa. Ficar 15 dias sem cartão, sem compras on line, sem compras físicas de verdade, pode ser edificante, né? Não, não. É muito complicado, mas mostra como posso ser criativa na hora de gastar, porque mesmo sem cartão alcancei todos os meus objetivos, hehehehe.

Pronto! Olha só como comecei o ano bem!

Ih, menina, muita coisa ainda para contar, mas vou deixar para contar em outro texto porque esse aqui já está bem grande. Gente! Tudo isso e não tinha chegado nem no 10 dia do ano!!

Feliz 2021. Esse ano promete.

Leia também:

Branco ou colorido para o Ano Novo?

O que não pode faltar na minha lista de Ano Novo

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Praia dos Ossos – O Podcast de um crime contra a mulher

Claudia Guimarães
“Uma mulher como ela não traz simpatia. As pessoas não gostam de uma mulher bonita demais, sedutora demais, livre demais” – Jacqueline Pitanguy

Só quem já acompanhava o noticiário entre os anos 70 e 80 deve se lembrar do que se refere o título desse podcast de oito episódios produzido pela Rádio Novelo.

Cada episódio é fruto de um incansável trabalho de pesquisa, realizado por Flora DeVeaux e Paula Scarpin, narrado e comentado de maneira envolvente por Branca Vianna e prende a atenção pela série de entrevistas, reportagens, reproduções de áudios originais e também por imagens publicadas no site da Rádio Novelo.

Dentro de uma casa situada na Praia dos Ossos, em Búzios – RJ, ocorreu um dos crimes que mais impactou a sociedade brasileira à época.
Na véspera do Réveillon de 1976, um homem pertencente a uma tradicional família paulista assassina sua jovem e bela namorada com quatro tiros a queima-roupa.

Além de narrar as circunstâncias que precederam o crime, Praia dos Ossos também apresenta um retrato da alta sociedade brasileira nas décadas de sessenta e setenta ao contar a história de vida de Ângela Maria Fernandes Diniz, a “Pantera de Minas” e ao abordar os principais aspectos do julgamento de seu assassino, Raul Fernando do Amaral Street, conhecido por Doca Street. O que lá se viu foi a vítima colocada no banco dos réus
e o seu assassino recebendo o apoio da opinião pública.

Ângela era uma mulher linda e sedutora, que não se intimidava – e, como disse Jacqueline Pitanguy no episódio 2 do podcast, “uma mulher como ela não traz simpatia…Então ameaça! Ameaça mulheres, ameaça homens”.
O processo acabou sofrendo reviravoltas graças à atuação de um grupo de ativistas da causa feminista, tornando-se um marco na história dos tribunais brasileiros.

Só o enredo acima já seria suficiente para atrair a curiosidade das Dominiques, mas Praia dos Ossos vai muito além. Cumpre a importantíssima função de relembrar esse assassinato brutal e outros da mesma natureza também cometidos nos anos setenta,
quando o agravante feminicídio ainda nem existia no Código Penal Brasileiro, e enriquece muito o debate sobre a punição aos crimes contra a mulher, que, infelizmente, continuam atingindo níveis de ocorrência assustadores.

A série completa de “Praia dos Ossos” está disponível no site
https://www.radionovelo.com.br/praiadosossos/ e em diversas plataformas de podcast (Spotify, Deezer, Apple Podcasts, entre outras).

Leia também: Amor Escolhido

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Passei o Carnaval de 2020 no Brasil. Eu e o Corona.

Como ficar longe do Carnaval carioca?

Depois que você o conhece, não existe lugar no mundo que queria estar em fevereiro que não seja nos arredores da Sapucaí. Não, ninguém vive por 25 anos no Rio de Janeiro impunemente. Falei isso no texto anterior quando expliquei que voltei a morar em Portugal recentemente.

O plano perfeito: fugir do frio europeu dessa época do ano, aproveitar o verão brasileiro, ver os meus filhos, os meus amigos, os meus lugares prediletos, enfim, esganar a saudade até matá-la e ainda de quebra, pular o Carnaval de 2020. Obviamente para fazer tudo isso nada menos do que 30 dias, ou seja, fevereiro e ainda alguns dias de março.

Ter deixado o meu apezinho em Ipanema, ajuda muito a esticar as minhas temporadas em Terra Brasilis.

Lá fui eu no voo das 10h da manhã da minha querida TAP. Adoro voos diurnos. Assisto todos os filmes que estou atrasada, já que não durmo mesmo, e quando chego no destino ainda tenho a noite inteira para descansar. É colega, foi-se o tempo….

Bem, tudo lindo maravilhoso e como dizem, tudo de bom nesse país tropical abençoado por Deus.

Chegavam notícias de uma distante Itália tomada pelo COVID-19, mas no Brasil era tudo samba, choro e futebol.

Desfiles, blocos, bailes, trios elétricos. Teve de tudo. Lindo. Lindo. Águias de Ouro ganhou o desfile em São Paulo e Viradouro no Rio. Claro que eu estava na arquibancada sambando, pulando, nos 2 dias de desfile, na apuração quarta-feira torcendo para a Grande Rio (verde/vermelho, minha gente), assim como no desfile das campeãs no sábado seguinte. Quando digo que amo Carnaval, acredite!

E passou o Carnaval de 2020.

Menina, uns dias depois na semana seguinte, acordei toda dolorida. Culpei as minhas 5 décadas e tralalá e a vida mansa que andava a levar em Cascais. Tomei um relaxante muscular e fui para praia.

O Mate e o biscoito Globo não caíram bem. Bateu aquele enjoo chato, mas como ir embora justo agora que todo o mundo tinha chegado? Rio 40 Graus. Aguenta Barbara… Faça jus a seu nome!

Troquei o mate pelas caipirinhas e o enjoo foi melhorando. Ou a tontura aumentando. Sei lá.

Cheguei em casa me sentindo quente. Ahhhh não! Todos esses anos morando no Rio e vou ter febre de sol? Isso é coisa de principiante!

Descansei aquela tarde toda e fui tomar um choppinho com a turma ignorando o meu mal-estar.

Lá no boteco, soubemos do primeiro caso de COVID diagnosticado no Brasil, e coincidentemente no mesmo dia do primeiro em Portugal também. Estava tranquila em ambos os casos, pois foram em São Paulo e no Porto. So far away from Ipanema, right?

Voltei para o meu ap. e tive uma noite do cão. Minha febre voltou. Uma tosse chata e um mal-estar medonho.

Sim, inegavelmente eu estava com o tal COVID19, corona ou o raioqueoparta. Acontece que essa não era uma possibilidade para mim naquele instante, por não reconhecer os sintomas, já que por ser tudo muito recente, a divulgação de prevenção e dos cuidados ainda estava por acontecer. Eu simplesmente não tinha como saber. Quando liguei para o meu filho, alguns dias depois, já mal conseguia respirar.

Fui internada as pressas na UTI. Os protocolos eram inexistentes, até porque, infelizmente, fui a primeira pessoa no Rio a ser entubada, acredita?

Ninguém fuma por 30 anos impunemente e isso sem dúvida, deve ter contribuído para ter tido aquela pneumonia tão agressiva. A falta de ar e a sensação de asfixia são aterrorizantes assim como passar por tudo isso sozinha num leito de UTI. Mesmo sedada a maior parte do tempo sobrou medo e solidão. Os médicos e enfermeiros, apesar de atenciosos, não conseguiam esconder o medo quando se aproximavam. Era tudo muito novo, e ninguém esperava encontrar aquele vírus logo após o Carnaval de 2020.

Vou poupar-lhe dos detalhes desse horror, mas foram quase 20 dias de hospital. Para você ter uma ideia da luta que travei contra o vírus, perdi quase 8 quilos nesse tempo internada.

Sabe quando na minha vida consegui perder 5 quilos que fossem, em 20 dias? Nem no auge das minhas paixões e muito menos das desilusões.

Fato é que quase morri. Saí do hospital ainda precisando de cuidados e assim sendo, desmarquei o meu voo de volta que seria dia 15 de março.

Assim que eu desmarquei, Portugal entrou em estado de calamidade, ou seja, fechou as fronteiras e cancelou todos os voos.

Bem, o que não tem remédio, remediado está. No Brasil fui ficando, tratando de recuperar-me a esperar pelo momento de voltar.

O começo do confinamento foi muito conturbado por conta da minha doença e recuperação de maneira que só comecei a sentir o isolamento de fato, no final de abril.

Abril. Maio. Junho.

Chega, né? Tá bom! Queria voltar para Portugal, pois lá, no começo de junho, eles começaram a voltar ao normal. Fizeram por merecer e já estavam liberados e livres. Ou quase.

Enquanto isso, a coisa no Brasil só piorava.

A TV brasileira fazia questão de contar os seus mortos dentro da minha sala de estar. Muito triste. Essa mesma TV esfregava na minha cara a incompetência e mau-caratismo do ser humano. Desolador. Um enorme desencontro de informações e uma enorme aflição por conta de um total desgoverno.

Confesso que já estava a beirar a depressão, e também, não é para menos com tudo que já tinha passado até ali.

Então comecei a procurar ocupação. Fiz cursos, pães, novenas, lives, meetings, músicas, dei ordem em armário e o resto até que me dei conta da minha imunidade.

Se teve algo de bom nesse episódio todo, foi o fato de eu já estar imunizada. Realmente não sei se valeu o preço altíssimo que paguei, mas uma vez pago, ser livre para poder ir e vir e não sentir aquele medo que paralisa é catártico.

Comecei com caminhadas pelo calçadão e inscrevi-me para possíveis trabalhos voluntários em hospitais, os quais fui chamada para um ou dois apenas. Passei eu mesma a fazer as minhas compras no mercado com visitas diárias a padaria.

Foi aí que os telefonemas começaram. Muitas amigas, mas muitas mesmo, ligaram para avisar que esse vírus poderia ser contraído por mais de uma vez. Insistiam que nada garantia que eu estava imune.

Aquela preocupação em massa intrigou-me demais. Infelizmente, pior que isso, começou a incomodar, pois, sutilmente, passaram a me controlar.

Na-na-ni-na-não! Aqui não violão!

Percebi que tinha a turma da dor de cotovelo, e para essa um abraço!!

Mas tinha outro povo que estava tão apavorado, mas num grau tão grande de histeria que realmente acreditava contra todas as evidências, que eu deveria ficar em casa trancada, mesmo estando imune. A esses, perguntei quando, na opinião deles, estaríamos liberados. Silêncio.

Tenho cá para mim, minhas teorias a respeito, entretanto, todas polêmicas demais para esse Brasil polarizado, ainda mais se for eu, uma portuguesa, a dizê-las.

Foi aí que a TAP, a minha querida TAP confirmou o meu voo de volta para o dia 23 de junho. Ahhhh, que felicidade. Eu acho.

Finalmente o Carnaval de 2020 chegaria ao fim.

Arrumei as minhas coisas numa ansiedade infantil. Ameacei fazer um bota-fora só para colocar terror na mulherada, mas acabei por despedir-me por telefone mesmo só daqueles que tinha certeza não me alertariam para o risco de eu entrar num avião.

Continua…Vai ter outro texto só para contar como foi meu regresso. Ou você pensa que foi fácil?

Leia Também:

Por que Barbara Godinho decidiu voltar para a sua Terra Natal?

Barbara Godinho

Sou uma Portuguesa meio tropicalizada. Moro em Lisboa, já fui curadora de museu e exposições. Hoje trabalho com turismo. Apaixonei-me pelo projeto Dominique e cá estou a colaborar.

1 Comentário
  1. Texto maravilhoso! Me identifiquei em gênero, número e grau. Também sou Covid Free! Não passei, graças a Deus, por suas agruras de internação, muito menos UTI. Mas posso imaginar seu sofrimento. Agora, quanto à cobrança, inspeção dos outros e a raiva em todoS quererem me cobrar o tal “fica em cada”, aff! Ninguém merece! Pelo nos não merecemos, né? Viva a imunidade! Fui, peguei e venci!!
    Beijo, Barbara e Passeie Bastante!

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Voltar a Minha Terra Natal

Faz tempo que não escrevo para Dominique. É capaz que nem lembre mais de mim, aquela portuguesa tropicalizada que casou com um brasileiro do Leblon.

Bem, como disse em outro texto que escrevi, por conta de um casamento de mais de 2 décadas, falo um português bem brasileiro além de outros detalhes.

Depois de 25 anos morando no Brasil, os filhos cresceram, o casamento acabou e não vi mais sentido em continuar longe da minha terra natal. Não necessariamente nessa ordem.

Resolvi voltar para Portugal, onde estavam parte da minha família e amigos de infância.

Claro que ao longo desses anos todos que morei no Brasil, visitei Portugal com uma certa frequência, não a desejada, mas a possível quando se está a criar filhos e fazendo a vida. Mesmo quando passávamos grandes temporadas, um mês ou mais, parecia ser apenas uma breve passagem. Pouco a pouco passei a ser turista no lugar em que nasci.

Não digo que foi fácil ficar tão longe dos meus por tanto tempo, mas também não foi uma tragédia, até porque eu que escolhi essa vida de expatriada, por assim dizer. Sendo que fui muito bem recebida pela família do meu ex, sem nunca esquecer que era família DELE e que no final das contas sangue sempre fala mais alto.

Fiz amigas e algumas super amigas de quem jamais me separarei mesmo com um oceano de distância, entretanto, reconheço, que mesmo com todas as mais modernas ferramentas de comunicação, o bom mesmo é o tête a tête sendo que alguns assuntos só mesmo se pudermos cochichar, sabe como é?

Entre os muitos motivos para meu regresso talvez o mais importante seja minha mãe, que, apesar da estupenda saúde, já passa dos 80 anos e não suportaria a dor que passei por estar longe quando o meu pai faleceu. Está na hora de ajudar os meus irmãos nesse sentido.

De mais a mais, parece que quando envelhecemos começamos a querer ficar perto de nossas lembranças mais longínquas para que elas não esmaeçam ou até mesmo desapareçam nas falhas de nossas memórias.

Como foi minha volta a minha terra natal? Mais difícil do que imaginei.

Bem, não é só desligar um botão e ligar outro.

Partidas são partidas e recomeços, geralmente, são edificantes, todavia, esse bom sentimento vai surgir apenas no final do processo, quando já conseguimos ver o tal “recomeço” com distanciamento histórico.

Para tentar sofrer menos, resolvi que não cortaria totalmente os vínculos com o Rio de Janeiro. Como se isso fosse possível para quem tem 2 filhos cariocas! Decidi manter um pequenino flat na cidade maravilhosa.

Procurei morada perto do conselho onde nasci e cresci. Agora, ninguém vive na Cidade Maravilhosa por 25 anos impunemente, de maneira que morar perto da orla, mais que um luxo, tornou-se uma necessidade. Assim sendo, mudei-me para Cascais, onde fui generosamente acolhida e não me arrependo uma vírgula da minha escolha.

Tal e qual, ninguém fica longe de Portugal por 25 anos impunemente. As diferenças culturais assimiladas por mim, se faziam notar a todo instante.

Só para ilustrar: nunca perdi o meu sotaque lusitano, sendo que em qualquer lugar que chegasse no Brasil, a primeira coisa que sempre ouvi foi a inevitável pergunta acompanhada de um simpático sorriso – É portuguesa? Ora pois! Sim, sou. Como adivinhou? – brincava eu de maneira coquete.

Agora pasme! No meu regresso a terra natal, qual não é meu espanto quando vejo que os meus conterrâneos julgam-me brasileira justamente pelo meu sotaque. Como assim? Exatamente!

No Brasil sou considerada portuguesa e em Portugal acreditam que sou brasileira. Como disse, esse é o preço a pagar por “abandonar” não um, mas dois países ao longo da minha vida.

Quando casei e finquei pé no Rio, uma das coisas que mais senti falta eram de referências.

As mulheres com quem lá convivi conheciam-se da vida toda, e faziam questão de mencionar o passado, aquele que justamente eu não fazia parte, a cada 5 minutos. O pediatra das crianças era o pediatra que outrora tinha sido delas. Chamavam as mães uma das outras de tia, apesar de não terem laços sanguíneos algum. Passaram férias juntas em Búzios, Angra e Cabo Frio. Morriam de rir ao relembrar o Circo Voador e os seus shows na década de 80. Sentia-me uma alienígena.

Com o tempo, construí as minhas próprias memórias, virei tia de amigos dos meus filhos e acabei por conhecer o Circo voador. Foram muitos bons momentos e outros nem tanto, aliás como a vida deve ser.

A minha adaptação ao meu velho novo mundo lusitano correu bem apesar de um pouco solitária no princípio, afinal a vida de todos e de tudo que eu conhecia não tinha parado por 25 anos a minha espera. Por fim, tudo deu certo, já estou climatizada e completamente inserida. Sinto-me pertencente novamente.

Como o meu trabalho é e sempre foi remoto, posso passar temporadas no Brasil quando a saudade aperta assim tenho a ilusão de ter sempre o melhor dos dois mundos.

Penso que sou uma pessoa muito feliz com essa vida que escolhi, pois, sofro para ir, e mais ainda para voltar. Isso só pode significar que sou muito feliz em ambas as minhas pátrias, na terra natal e na terra escolhida. Sou uma grande privilegiada.

Bem, a história que ia contar aqui era outra, mas acabei numa digressão sem fim e o meu último Carnaval no Brasil vai ficar para o próximo texto. Assim pelo menos comprometo-me a escrever semana que vem, tá?

Leia Também de Barbara Godinho:

Novos Amigos? Na minha idade?

Eliane Elias – Perfeita ao Piano

Barbara Godinho

Sou uma Portuguesa meio tropicalizada. Moro em Lisboa, já fui curadora de museu e exposições. Hoje trabalho com turismo. Apaixonei-me pelo projeto Dominique e cá estou a colaborar.

2 Comentários
  1. Bom conhecer a sua história. Me dá um pouco de alento. Só que fiz o caminho inverso e resolvi vir envelhecer num lugar sobre o qual não tenho memórias. Estou a tentar construí-las. Assim, vou seguindo por cá.

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Como foi o nosso encontrinho das Dominiques sobre recomeçar!

Não tenho o que falar, apenas sentir! O encontrinho das Dominique foi incrível, acolhedor, revelador, motivador… Muitas não se conheciam na “vida real” e agora formaram novos laços de amizade. A energia transbordou pela sala cheia e a conversa durou mais de duas horas! 

O tema do nosso encontrinho é um dos mais comentados aqui no blog e nas redes sociais: falamos sobre Recomeçar. É uma questão presente na vida da maioria das Dominiques, mas muitas vezes difícil de conduzir. Já falamos sobre isso por aqui, quando conversei com três terapeutas. 

Desta vez, a nossa convidada foi a Márcia Ricardino, que é executive coaching e já apoiou muitos profissionais no auto-conhecimento, no auto-desenvolvimento e na descoberta de novas competências. Brincamos que ela é “coaching de vida”. A Márcia destacou o papel que cumpre em ajudar muitas mulheres a fazer as perguntas certas para encontrar a saída. 

A nossa convidada é uma Dominique e já experienciou vários recomeços. Também compartilhou com a gente alguns cases e suas recomendações. Segundo ela, algumas mulheres optam em buscar na educação um novo caminho. Mas ela reconhece que fazer cursos não está no projeto de vida de outras mulheres. Entender sobre o seu propósito é essencial. 

Nessa hora, algumas Dominiques contaram que por vezes é difícil “levantar do sofá”. Realmente, essa questão não envolve apenas a disposição e força para ir lá e fazer! Há muitas indagações envolvidas, e até algumas adversidades totalmente relacionadas à fase da vida (e a maledeta da menopausa). 

Foi inspirador ver que todas as Dominiques concordaram que – se for necessário – devemos buscar o apoio profissional, seja com médico ou terapeuta. Essa falta de motivação pode ser uma questão hormonal ou até uma depressão. Por isso, o importante é buscar ajuda, entender que é normal e preparar-se para o novo caminho. 

Todas passam por isso!

Não importa a idade, todos os dias vivemos e começamos algo novo. Então porque será que passamos a ficar tão interessadas em falar sobre Recomeçar após os 50 anos?

Um exemplo foi o nosso encontrinho. Todas as Dominiques confirmadas estiveram presentes na conversa que organizamos aqui em São Paulo, no escritório da Eliane Cury Nahas. Olhem que maravilhoso. 

A nossa geração está envelhecendo, mas nós não nos acomodamos com ocorreu com algumas mulheres de mais de 50 anos. Sim, não vou falar que é a geração anterior porque no nosso encontrinho participaram Dominiques incríveis de 70, 72, 73 anos! 

Conversamos, então, sobre quais seriam os fatores que mudaram em nossas vidas e que nos fizeram refletir e até pensar no Recomeço. Foram mais de 2 horas de uma conversa descontraída, divertida, mas também íntima. Entre Dominiques estamos à vontade para compartilhar nossos medos, angústias, preocupações ou decisões!

É a minha vez!

Muitas Dominiques comentaram que o Recomeçar – de certa forma – é resgatar um desejo que ficou para trás por conta das tarefas da “vida”. Até pouco tempo, o dia a dia era repleto de tarefas com os filhos, casa, marido, familiares, trabalho… UFA! Não dava tempo!

O resgate deste “tempo perdido” é a fagulha para repensar sobre quais serão os novos planos ou mesmo resgatar sonhos antigos. Algumas Dominiques contaram que pararam por opção de trabalhar para se dedicar à família. Agora está acontecendo uma mudança de “função”. 

É uma reflexão importante porque há muitas mudanças, em diversos aspectos da vida de uma mulher quando chega aos 50 anos. 

  • Os filhos saem de casa e perdemos a função de mãe.
  • Alguns casamentos chegam ao fim. Quem estava sozinha hoje tem meios (digitais) para viver novos amores.
  • O trabalho muda por diversas razões: aposentadoria, mudança de carreira ou mesmo o desemprego.
  • Os nossos pais precisam cada vez mais de apoio e passam a ser como filhos. 

Falar, falar e falar!

Não foi nenhuma surpresa constatar com as Dominiques que conversar e ter amigas é essencial para vivermos nossa nova fase de vida. E tem mais: muitas disseram que agora é a hora de criar novos laços e da nossa maneira. 

É que por muitos anos, muitas de nós criamos relacionamentos de certa forma “impostos”. Eram os amigos da família, do marido, dos amigos dos filhos. 

Agora é a hora de escolher as novas amizades e ter perto as pessoas que fazem bem. E que tal ter novas amizades em diversos grupos/tribos diferentes? As participantes do nosso encontrinho mostraram que esse pode ser o caminho: a amiga do carteado, de passear, de trocar confidências… Lembraram até de uma frase: “não envelhece quem ainda tem a capacidade de fazer novos amigos”.

Ninho vazio

A nova vida dos filhos, seja pelo casamento deles ou por estudar fora, renderam ótimas risadas entre as Dominiques. Algumas Dominiques contaram que aprenderam a falar mais “não” para os filhos para poderem dedicar o tempo para elas mesmas. 

“Eles têm que se virar sozinhos!” Muitas participantes confidenciaram que não querem mais se envolver em tudo na vida dos filhos. Elas comentaram que agora podem ter uma  nova vida, uma nova rotina e experimentar coisas novas. Algumas contaram que os filhos até se espantam quando dizem que não podem ajudar.  

Importância da educação

Outro ponto importante sobre Recomeçar está relacionado a estudar. Muitas Dominiques comentaram sobre a rapidez com que o mundo mudou nas últimas décadas, em partes por conta da tecnologia. Para elas estudar não está relacionado apenas a nova carreira ou para crescer profissionalmente. Ganha-se cultura e também novas amizades. E isso é essencial. 

Como vocês podem ver, o nosso encontrinho foi sen-sa-cio-nal! Todas saíram com vontade de “quero mais”. E teremos, claro! Teremos novas atividades e também combinamos um projeto novo… que vou contar em breve aqui. 

E agora quero saber sobre você! Você está passando por essa fase também? Compartilhe aqui o que significa Recomeçar e suas considerações sobre essa questão tão importante para todas as Dominiques. 

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

7 Comentários
    1. Olá Alba, tudo bem? Esses encontrinhos acontecem em SP, e têm vários formatos e periodicidade mínima de 1 vez por mês. Estamos com, ideia de replicarmos em outras cidades. Fique de olho em nossa programação no Insta e no Facebook. Vc é de onde? Beijocas Equipe Dominique

  1. Gostaria de saber mais sobre como funciona não moro em São Paulo, quem sabe poderíamos implantar em minha Cidade com os profissionais certos. Caso pudessem me mandar algo fico muito agradecida. Parabéns a todas as envolvidas.

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Como era o mundo apenas 100 anos atrás!

Parece inacreditável que tantos avanços tecnológicos e comportamentais aconteceram nestes últimos 100 anos. Sabe que eu me surpreendo. Esses dias eu vi algumas fotos antigas e confesso que eu me diverti observando como mundo era tão diferente de agora.

Nada polêmico, viu. São apenas curiosidades de uma sociedade que acabava de assistir o fim da 1ª grande guerra mundial e se preparava para uma profusão de mudanças e inovações. Claro que eu resolvi compartilhar com você alguns fatos interessantes. Afinal, quem não gosta?

Quanta coisa mudou!

Loucos anos 20

Essa época ficou conhecida como “os loucos anos 20”. (Nem imagino como ficará conhecida nossa década!) Mas tudo começou em 1.919, justamente com a “volta à normalidade” do pós-guerra. Foi um período de efervescência cultural nas grandes cidades do mundo e o início da ruptura com muitos costumes antigos.

Adolescentes?

Não existiam adolescentes? Pois é, os jovens com mais de 13 anos já eram considerados adultos. A garotada começou a ser chamada de adolescente só partir dos anos 40.

Novos utensílios e acessórios

Cozinhas em todo o mundo começavam a ganhar acessórios diferentes e um deles foi a tostadeira. Nesta mesma época foi criado o zíper, que era chamado de “prendedor separável”.

A música mais tocada

Uma das músicas mais tocadas no ano foi Rosa, do Pixinguinha. E há 100 anos esta canção ainda nos emociona. Isso é que é parada de sucesso!

Fashion!

A guerra obrigou muitas mulheres a trabalhar. E o vestuário preciso ser adequado à praticidade do dia a dia. Os vestidos começam a ficar mais curtos e novas tendências (as melindrosas!) ganham as ruas.

Maquiagem

As mulheres começavam a usar maquiagem. Até então, quem coloria o rosto ficava mal falada na sociedade. Claro que antes disso algumas davam uma ajudinha às escondidas com um pouquinho pó translúcido e batom.

Lingeries

As mulheres conseguiram um pouquinho mais de conforto nas lingeries. Nesta época, as mulheres podem optar por peças íntimas menos apertadas do que os espartilhos e mais proporcionais ao corpo feminino.

O mundo e as cidades

O mundo contava com apenas 57 países e o Brasil tinha só 1.300 cidades. Hoje são 190 países (membros da ONU) e 5.568 municípios brasileiros. Imagina passear por Copacabana e Ipanema. Pena que não tinham criado ainda o maiô.

O mais alto do mundo

A Torre Eiffel era a estrutura mais alta da terra! Olha que ela tem apenas 300 metros, baixinha perto do Burj Khalifa (em Dubai) com 828 metros.

Sem medalhas

O Brasil não tinha participado ainda de nenhuma Olimpíada. A estréia aconteceu em 1920. Foi só em 1932 que a nadadora Maria Lenk integrou a nossa equipe olímpica, sendo a primeira mulher sul-americana a disputar nos jogos.

Deu para você se distrair um pouco? Conta outras histórias de fatos inusitados de outras décadas.

Mais fatos interessantes:

Os anos de guerra e paz e o significado do número 9

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Você já perdeu o carrinho de compras dentro do supermercado?

Hoje, fazendo umas comprinhas, perdi meu carrinho no super mercado. Tudo que precisaria para nosso almoço de domingo já estava nele. Nada demais refazer a compra. Mas fiquei intrigada, onde estaria meu bólido? Por que alguém o levaria?

2 hipóteses:

  • Alguém o pegou por engano e decerto o devolveria em minutos.
  • Alguém o levou na má fé uma vez que minha blusa estava dentro. Mas era só a blusa ( que já não vale muita coisa de tão velhinha) pois o celular e a carteira estavam comigo.

Cheguei junto aos mocinhos do super e com muito bom humor falei:

-Meus anjos, acho que temos um problema. Meu carrinho sumiu.

-Onde foi que a senhora o viu pela última vez?

-Estava perto dos tomates – disse eu, aliás com um saco de tomates caquis na mão.

-A senhora se lembra do que havia no carrinho?

E comecei a me sentir prestando um depoimento, em pleno corredor dos refrigerantes. Mas o mocinho estava genuinamente preocupado, mesmo eu tendo falado que meus valores estavam comigo.

Ele quis refazer o caminho do crime, ops, o caminho por onde minhas compras possivelmente estiveram. Fomos juntos. Passamos pelos tomates, pelas cebolas, batatas, viramos num outro corredor passando pelos alfaces, espinafres e repolhos até chegar no corredor do manjericão, folhas lavadas, sálvia e cebolinha.

Puff..Meu carrinho estava ali.

Corri para ele para ver se todas as minhas comprinhas estavam no lugar que eu havia deixado. E sim, estavam.

O mocinho exultante proferiu:

-Graças a Deus (sério, ele falou isso mesmo).

– Será que alguém levou achando que tinha um celular embrulhado na blusa e quando viu ser apenas uma blusa devolveu?

-Ahhh, muito provavelmente – disse ele generosamente.

Porque na real, há uma terceira hipótese além das duas já citadas. Existe a possibilidade do meu precioso carrinho nunca ter saído daquele lugar, e o mocinho sabia disso. E eu também.

Leia Também : Fui às compras, atacada e magra

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Anos de Guerra e Paz e o significado do número 9

Semana que vem entramos no mês 9 de 2019. Dominiques… é quase cabalístico. Eu já tinha ouvido falar sobre os grandes acontecimentos que marcaram os anos com final 9. Só que eu nunca fui atrás para mais informações. É tudo verdade! Eu conto mais detalhes a seguir, mas primeiro quero falar sobre o número 9!

Pode ser simples, mas já pensou que número 9 representa o final de um ciclo e começo de outro? Bom, nós sabemos muito bem porque é quando nos tornamos Dominiques 🙂 A numerologia também destaca mais pontos positivos do que negativos para esse algarismo. Indicaria a realização, a paciência, a tolerância, a generosidade, entre outros adjetivos positivos.

Talvez por isso grandes acontecimentos se desenrolaram nos anos final 9. O problema é que muitos eventos negativos também ocorreram consistentemente todas as décadas… Não é para você ficar preocupada  e nem se trancar em casa esperando esse 2019 passar! Foi por pura curiosidade que resolvi pesquisar o que rolou desde 1919 para provar a tese de que estamos num ano pra lá de especial. 

Anos de Guerra e Paz

O ano de 1919 já começou com a reunião da Conferência de Paz de Paris, motivada pelo final da 1ª Guerra Mundial. O encontro iniciou as discussões sobre as condições de paz com a Alemanha. No meio do ano, foi assinado o famoso Tratado de Versalhes. Mas o mundo ainda continua um pouco “sombrio” e neste ano Mussolini também fundou a organização que daria origem ao Partido Fascista na Itália. 

1929 foi o ano que o mundo quis apagar. Começou com a grande depressão econômica mundial, cujo início foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. O efeitos foram sentidos em vários países, inclusive aqui no Brasil, com a crise do café. Mas também foi em 1929 que duas grandes referências da paz nasceram: Martin Luther King Jr e Anne Frank. 

No segundo semestre de 1939, começou a 2ª Guerra Mundial. O conflito envolveu a maioria das nações do mundo e só terminou em 1945. Há consequências e impactos que têm efeito até hoje. Há poucos destaques positivos para o ano de 1939. Um deles é o lançamento do filme …E o vento levou, que é considerado o mais bem-sucedido da história do cinema. O personagem Batman também aparece pela primeira vez nos quadrinhos. Pena que até hoje ele não conseguiu vencer o mal! kkk

1949 quase furou o padrão. Mas foi neste ano que o mundo tomou um outro “formato” que causou grande impacto nas décadas seguintes. É quando foram criadas as República Federal da Alemanha, a República Democrática Alemã e a República Popular da China. 

Praticamente no primeiro dia de 1959 começou a Revolução Cubana, que deu início ao regime socialista de Fidel Castro em vigor até hoje. Aqui no Brasil aconteceu a Revolta de Aragarças, quando oficiais da Força Aérea Brasileira e do Exército Brasileiro tentaram iniciar um levante militar com tomada de poder sem sucesso. 

Já o ano de 1969 marcou pelas mudanças comportamentais e inovações que começaram a reverberar em todos os cantos do mundo. Em julho, Neil Armstrong pisou pela primeira vez na Lua, na missão Apollo 11. Em agosto foi realizado o festival de música Woodstock. Já em outubro foi enviada a primeira mensagem pela Arpanet, considerado o início da internet. Enquanto isso aqui no Brasil, a Junta Governativa Provisória assume o poder para, em outubro, dar lugar ao mandato do general Emílio Garrastazu Médici, sem eleições diretas. 

O ano de 1979 marca o início da abertura política no Brasil, com a promulgação da Lei da Anistia pelo presidente João Figueiredo.  Na europa, Margaret Thatcher tornou-se a primeira mulher a ser primeira ministra do Reino Unido. Mas do outro lado do mundo começava a Revolução Iraniana, que fechou o Irã sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.

O ano de 1989 é marcado por grandes eventos, como a queda do muro de Berlin e a abertura política dos países da antiga cortina de ferro. Na China, os protestos estudantis culminaram no massacre da Praça da Paz Celestial. No final deste ano, os presidentes George H. W. Bush e Mikhail Gorbachev anunciaram o fim da Guerra Fria. Aqui no Brasil, foi eleito por voto direto o presidente Fernando Collor de Mello. 

No ano de 1999, começou na Europa a união de diversos países a partir da criação de uma moeda única, o Euro. A nova moeda começou a ser efetivamente usada em transações eletrônicas. A proximidade com o novo século traz novos conflitos e neste ano aconteceu nos Estados Unidos o maior atentado em escolas do mundo, o Massacre de Columbine. 

Já no século 21, o ano de 2009 foi marcado por momentos de tranquilidade e de inquietação. Os conflitos na Faixa de Gaza deixavam o mundo em alerta. Outras brigas pipocavam diversos outros países, principalmente no Oriente. Nos Estados Unidos o presidente Barack Obama recebeu o prêmio Nobel da Paz por  “esforços para reforçar o papel da diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”. O Brasil foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. 

Ufa! Foi um baita do resumão. Claro que não consegui cobrir tudo o que aconteceu de importante em um século. Mas dá mesmo pra gente concluir que os anos final 9 são diferenciados e registraram grandes acontecimentos aqui e no mundo. 

E você tem mais alguma lembrança? Compartilha aqui.

Mais sobre 1969

E se o Woodstock tivesse acontecido no Brasil

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O dia que uma cozinha esquentou a Guerra Fria

Chegada do homem a Lua. Corrida espacial. Guerra da Coréia. Corrida armamentista. Não. Não foi nada disso que há exatos 60 anos desestabilizou e enfureceu a União Soviética num dos maiores calores da tão famosa Guerra Fria. Não foi um novo satélite ou um míssel de longo alcance, mas sim uma cozinha. Isso mesmo. Uma cozinha equipada.

Ahhhh, essa história é muito boa. Vamos lá.

 Estados Unidos e União Soviética decidiram publicamente que a melhor maneira de aliviar as tensões que a Guerra Fria impunha a um mundo já desestabilizado era unirem-se em torno da ideia de mostrar ao mundo como cada uma das nações vivia. Mostrar em diferentes exposições como cada uma delas vivia. Criaram assim a  Exposição Nacional Americana, um dito um programa de intercâmbio cultural.

Os soviéticos trariam uma exposição para Nova York em junho de 1959, e os americanos fariam uma exposição em Moscou em julho do mesmo ano. Sendo esta a Guerra Fria, cada lado também viu isto como uma oportunidade para enviar muitos espiões para reunir toda a inteligência que pudessem.

Os soviéticos foram para Nova York com suas máquinas da indústria e satélites da Era Espacial, exibindo orgulhosamente a tecnologia que derrotaria teoricamente os Estados Unidos no espaço.

E agora? O que fariam os americanos? Levariam um foguete? Mandariam o computador mais moderno para calcular a área de Vladivostok? Qual tecnologia exibiriam os americanos que embasbacasse os Soviéticos e mostrasse toda superioridade americana?

Aiii, como eu invejo a inventividade e a criatividade americana. Eles conseguiram levar multidões a exposição que foi aberta no dia 24 de julho de 1959, irritando profundamente os líderes Soviéticos.

Mas como? Com o quê?

Com uma cozinha. Uma cozinha muito moderna e futurista ilustrando o American Way of Life.

Multidão Russa na expo59
Filas gigantescas para a Exibição americana em Moscou 1959

Multidões foram conferir como a vida de uma americana era mais fácil do que de uma coitadinha de uma dona de casa daquele gelado país.

Lava-Louça sonho de consumo até hoje

O que convence mais do que a tecnologia aplicada no dia a dia para facilitar a vida da gente? Uma geladeira que só faltava falar. Máquina de lavar pratos, que luxo!! Imagine uma soviética que enfrentava o tanque de lavar roupa com sua água gelada num inverno siberiano vendo pela primeira vez uma inacessível máquina de lavar roupa americana. Ahhhh, isso sim era tecnologia.

Soviéticas visitando cozinhas americanas

O que convence mais do que a tecnologia aplicada no dia a dia para facilitar a vida da gente? Uma geladeira que só faltava falar. Máquina de lavar pratos, que luxo!! Imagine uma soviética que enfrentava o tanque de lavar roupa com sua água gelada num inverno siberiano vendo pela primeira vez uma inacessível máquina de lavar roupa americana. Ahhhh, isso sim era tecnologia.

O aspirador de pó robô

Sacada genial dos americanos, mesmo que em alguns momentos suas traquitanas não passassem de ficção científica para época. Imagine você que eles levaram um aspirador de pó robô. É o que chamamos hoje de Roomba, e que me lembro de ter visto primeiramente pelos idos de 2015.

Os americanos não levaram apenas cozinhas para Moscou. Levaram seus carros, obras de art, lanchas, TVs, desfile de moda e tudo que mostrasse as felicidades e alegrias do consumo.

Um filme de Charles e Ray Eames (sim, o da cadeira) que descrevia a vida na América contada através de imagens fixas projetadas em sete telas gigantes de 20 por 30 pés. O filme é composto por 2.200 imagens. Os espectadores são inundados com imagens cuidadosamente selecionadas pela equipe de design de Eames, algumas fotos tiradas por Charles e Ray.

Agora, imagina a hora que os russos perceberam o jogo americano.

Acho que foi daí que surgiu a expressão “só falta combinar com os russos” (a verdadeira origem da expressão está no link). Os caras devem ter babado de raiva. Tanto que Nikita Khrushchev não conseguiu conter sua irritação e entrou num “debate” totalmente televisionado, com Richard Nixon, o Vice-presidente americano, na noite de abertura da exposição. Onde? Na frente da cozinha. E o episódio ficou conhecido como o Debate Na Cozinha

Guerra Fria na Cozinha
Guerra Fria na Cozinha

Os dois homens discutiram sobre tudo em exibição, com Nixon insistindo que o capitalismo americano permitia um padrão de vida muito mais alto. Khrushchev oscilou entre insistir que o americano médio não podia pagar as coisas que Nixon lhe mostrava e depois dizer que, mesmo que pudessem, o povo soviético logo teria esses mesmos bens de consumo.

Aiii meus sais..Quanto mais pesquiso para escrever esse texto, mais maravilhada eu fico. Minha vontade é de escrever e contar outras historinhas que aconteceram há exatos 60 anos em plena Guerra Fria . Mas acho que já está de bom tamanho, né? Caso alguém queira se aprofundar no assunto, coloquei alguns links no final do texto.

Contudo , para terminar PRECISO ainda contar uma curiosidade sobre o evento.

Modelos magérrimas. Bonito para uns, miséria para outros.

As mulheres soviéticas assistiam aos elaborados desfiles de moda admiradas. Mas além das roupas, claro, o que mais impressionou as soviéticas foi a magreza das modelos americanas. Elas estavam penalizadas por perceber que se passava fome na América do Norte.

Leia também:

Onde estão as mulheres na Tecnologia?

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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