Tag: Dependência

Comecei o meu detox digital

Eu nunca me imaginei tratando uma dependência. Calma que não é nada tão grave, mas tem me incomodado muito. Estou viciada em ficar online. Eu acordo e já vou ver as notificações perdidas no celular. É recado de WhatsApp, comentários em redes sociais ou notícias.  

Cheguei ao cúmulo de acordar mais cedo só pra passar mais tempo online. Daí carrego o celular para todo o canto comigo e vou dormir com ele. Estes dias li que a média dos brasileiros no celular é a mais alta do mundo, de 4 horas e 48 minutos. Isso sem contar que checamos mais de 85 vezes por dia a tela.

Não que eu fique mais tranquila, mas o vício de ficar online é mundial. Os médicos até cunharam um termo para qualificar esse comportamento. Chama-se FOMO (fear of missing out), que é o medo de perder algo. É como uma ansiedade por querer ficar conectada o tempo todo e não perder nada do que está acontecendo com todos e no mundo.

Detox Digital

Até pouco tempo atrás, tudo estava controlado. Nunca deixei de fazer nada socialmente para ficar online. Mas comecei a ter alguns problemas físicos. Primeiro foi a visão. A luz da tela passou de um incômodo para um grau maior na miopia. Comecei, também, a ter dor de cabeça.

Logo vieram as dores físicas. Todos os dias tenho dores no pescoço por ficar com a cabeça rebaixada. Depois foi a dor no punho, por causa do movimento de ficar subindo e descendo a tela com um dedo. Hoje eu sinto uma fisgada no ombro e no pescoço.

Não preciso falar mais nada, não é mesmo? O vício é um hábito e que precisa de repetição para ser consolidado. O jeito é me conscientizar e mudar esse hábito. Fui atrás de como posso controlar essa ansiedade e compartilho aqui com vocês:

8 passos para a desintoxicação digital

Ter um horário limite para ficar online.

Isso vale para o período da manhã e da noite. E mais: antes de dormir, vale colocar o celular no silencioso para evitar que as notificações causem ansiedade ou atrapalhem o sono.

Ignorar o celular nos momentos sociais

Deixar o celular na bolsa ou virado para baixo quando estiver com outras pessoas. Estes dias ouvi que é uma declaração de amor estar com alguém sem ficar olhando no celular (a que ponto chegamos!).

Silenciar e bloquear notificações

Você pode silenciar os grupos do WhatsApp por até um ano. Também é possível bloquear as notificações, como as de redes sociais. Você só lerá as mensagens quando acessar os aplicativos. Caso precise delas, não tem problema deixar acumular por um tempo.

Longe da mesa

No café da manhã, no almoço e no jantar não colocar o celular sobre a mesa. Além de prejudicar a concentração na alimentação, tem o risco de comer muito mais!

Mais lazer

Manter na rotina outros hábitos de lazer, como ler, sair com família e amigos ou praticar exercícios físicos. Pode incluir na conta o tempo de ir e voltar dos passeios.  

Velhos hábitos

Já pensou em voltar a usar despertador ou câmera fotográfica? Já justifica deixar o celular um pouco de lado também, né. Vale também substituir as compras online pela presencial. Que tal pegar as sacolas e para ir ao supermercado do bairro?

Fale e escreva mais!

Mas não pelo celular, ok. Se precisar resolver algum assunto com alguém no trabalho, vá conversar com ela. É bom bater um papo e tomar um café. Volte velhos hábitos como mandar cartões e carta. Já falei aqui sobre o valor inestimável que é receber um cartão de Natal.

Já tomei consciência e já identifiquei os passos para mudar de hábitos. Será que vou conseguir? Torçam por mim!

Mais histórias sobre celular

Comodidade, hábito ou perda de memória?

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Comodidade, hábito ou perda de memória? Experimente ficar sem celular!

Dominique - Celular
Arrisco-me a perder este emprego já que a Dominique me contratou para falar sobre viagens, mas decidi falar sobre a sensação de estar na mão de algo ou alguém. Gostaria de estar com o celular na mão, não na mão do celular. Lembra da expressão “Miolo Mole”? Então, senta que lá vem um exemplo.

Tive uma experiência daquelas de filmes, quando a mocinha se dá conta de que é refém de uma situação, misturado aos filmes de ficção científica, em que computadores dominam a humanidade com um toque do desenho “Wall-E” e os seres humanos vivem em uma poltrona reclinada ambulante, porque não são mais capazes de caminhar usando as próprias pernas.

Eu já havia me dado conta de que comecei a emburrecer desde que iniciei o uso do “Waze” e, muitas vezes, me “dá um branco” de onde estou, para onde estou indo e qual o caminho, ainda que o tenha percorrido desde que nasci. Não, não é a idade, ao menos ainda, contudo é a facilidade que está me emburrecendo. Meu músculo cerebral está atrofiando por falta de uso ou pelo uso excessivo do celular e seus aplicativos que facilitam nossa vida.

Eu e meu marido fomos levar nossa filha para a casa de uma amiga. Como era a primeira vez, pedi que ela acionasse o “waze” para me indicar o caminho. Enquanto eu seguia cegamente as instruções, conversava amenidades com o meu marido, sem a menor atenção ao percurso. Parei o carro no momento em que o aparelho avisou: “Você chegou ao seu destino”. Observei o número do prédio e em tom responsável e atento (só que não) questionei minha filha se era aquele mesmo. Após a afirmativa dela, deletei o número do prédio de minha cabeça. Para que usar minha memória se eu compro um aparelho que vem com uma memória? Ótimo, ela saltou do carro e o “Waze” nos indicou como sair dali.

Em casa, mais tarde, meu marido me perguntou se eu havia prestado atenção ao caminho, nome da rua, número do prédio, andar, apartamento. “Não” – eu disse com naturalidade! “Relaxe”! Vou agora mesmo enviar um “WhatsApp” para ela pedindo o endereço: A mensagem não foi. Mandei um “SMS”: Não entregue. Liguei: Caixa Postal. Liguei para a amiga: Caixa Postal. Liguei para a mãe da amiga: Caixa Postal. Tentei pelo “Messenger”: Serviço desconectado. Facetime? Safari? Então reparei que estava “Sem Serviço”. Sem serviço? E, agora? Como assim?

Meu marido observou o celular dele que indicava a mesma coisa: “SEM SERVIÇO”.
Lembrei que eu tinha um aparelho fixo e tentei ligar para a minha filha, a amiga e mãe da amiga: Caixa Postal.

Se eu tinha o número de telefone fixo delas? Nem me passou pela cabeça este tipo de “inutilidade”. Nem eu mesma sabia o número fixo de minha casa desde que trocamos o serviço da Vivo pelo da “NET que ninguém usa” (recebo apenas chamadas de telemarketing). Agora, se eu mesma não fui capaz de decorar o número de telefone de minha casa, o que diria minha filha que nasceu na era digital. Como ela me telefonaria?
Pânico. Cara de paisagem. Eu e meu marido nos encarando sem reação.

Ele decidiu, então, que usaria o próprio cérebro, as habilidades desenvolvidas e as que vieram de fábrica, como memória, capacidade intelectual, raciocínio lógico, senso de direção, intuição, capacidade visual e sensorial e saiu em busca da filha perdida, destemidamente e seguro de que seria capaz. Fez uma baita musculação para despertar a inteligência e conseguiu chegar ao destino.

Ficou tão, tão, tão nervoso em perceber o quão na mão de um aparelhinho – que envelheceu um ano – estavam nossas vidas que acabou se atrapalhando no momento de anunciar-se na portaria. É que nossa filha tem amigos que possuem os sobrenomes “Doria”, “Kassab” e “Russomano”. Na hora da adrenalina e do “branco” e a falta de acesso à “internet”, ainda conseguiu ser perspicaz: Disse ao porteiro, em tom firme e confiante, que buscava moradores que possuíam o sobrenome do prefeito de São Paulo! Quanto a ser o “atual”, o “ex”, ou o “quase”, deixou nas mãos do porteiro deduzir, como a uma charada.

Nossa filha, a amiga e a mãe da amiga também estavam sem sinal. Então, questionei minha filha se ela sabia de cor o número do RG dela, da casa da avó, de alguma amiga… “Não sabe”.

Estamos totalmente dependentes do celular!

Assumi a missão de resgatar a inteligência da família, fui até a banca de jornal, comprei uma dúzia de palavras-cruzadas, chamada oral de números e total atenção e confiança em nossa capacidade de ir e vir e a não usar o “Google” para pensar por nós!
#ficaadica!!!!

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Cynthia Camargo
Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

2 Comentários
  1. Realmente por causa dessa fácilidado da net estamos esquecendo de nos comunicar com as pessoas pessoalmente etc..

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