Dominique

Coisas de Dominique é onde histórias de mulheres são contadas. Histórias de mulheres que realmente têm o que contar.
Eliane Cury Nahas por vezes transcreve, por vezes traduz coisas que Dominiques (aquelas mulheres com 50 ou mais anos de histórias) contam. Surpreendentemente você se identificará com muitas delas, afinal #SomostodasDominiques

Confusões de uma Dominique brasileira numa academia portuguesa

Lembra do texto que te falei que meu nome do meio agora era Recomeço e o sobrenome Confusão? Não? Então leia aqui para entender melhor o “causo” que vou contar agora. Mas se não estiver afim não precisa, basta saber que me mudei para Portugal recentemente.

Qual é a primeira coisa que fazemos quando chegamos a um novo país?

Depois de procurar onde morar, mobiliar, ver plano de celular, TV, luz, ligar o gás, aprender a pegar transporte público, arrumar os armários, a cozinha, esperar chegar os eletrodomésticos…… ufa! A primeira coisa que se faz é entrar para uma academia!! Afinal de contas meu lema continua sendo “Mens sana in corpore sano” .

Além do que a academia pode ser um ótimo lugar para fazer amigos. Poderia, se eu não tivesse chegado chegando.

Sinceramente, eu acho que não foi tão grave o que aconteceu. Diga-me você a sua opinião.

Fui visitar 3 academias, todas perto o suficiente de minha casa para que eu fosse a pé.

No que diz respeito à malhação, sou exigente. Afinal, sou brasileira e nasci tendo que colocar biquini. Isso não é para qualquer povo não minha gente. É mais pressão do que torre de controle de aeroporto.

De cara descartei uma delas por ser ao lado de uma famosa doceria local. O quê???? Pra que passar por essa tentação? Ainda mais depois de me matar numa aula e, me conhecendo, achar que posso e devo. Nananinanão.

A academia escolhida

Fiz uma investigação minuciosa dos espaços de cada uma delas. Salas, ventilação, vestiários, armários, banheiros, chuveiros, higiene. Acabei por gostar mais da Fuerza Fitness, que era bem equipada e moderninha.

Tenho certeza de que os proprietários ficaram muito honrados com minha escolha, pois depois do detalhado questionário que enviei antes de assinar o contrato, perceberam que sou uma cliente muito rigorosa.

Lá vou eu para minha primeira aula de spinning. Todo primeiro dia dá um friozinho na barriga, não dá? Seja da aula no pré primário, na universidade, na academia ou na aula de tricô.

Quem vamos encontrar? Como seremos recebidas? Será que os outros estão em um nível melhor que o meu? Vou passar vergonha?

Fui guardar meu casaco e minha bolsa no vestiário, resolvi fazer um pipizinho básico just in case e lá fui eu.

A academia estava lotada provavelmente porque era o horário das 7 da noite, e a aula de spinning era das mais concorridas. Apresentei-me ao professor, um espanhol bem gato aliás, e fui pra minha bike.

– “Empecemos … Fuerza … uno dos tres cuatro….”

Ahhh, por isso o nome da academia! Deveriam ser todos Espanhóis.

De cara percebi que a turma era boa e entrosada, além de todos estarem obviamente muito mais bem preparados que eu. Resolvi que sairia de lá carregada, mas terminaria aquela aula. Foco, Foco, Foco!! Concentração.

Ahhh.. Piada.. Deu 20 minutos desci da bike amaldiçoando todos os ibéricos, inclusive o presunto e o bacalhau (que aliás é da Noruega).

Tomando água do lado de fora da sala, ainda ofegante e com a camiseta molhada, reparei no alto-falante da academia. Já era a terceira ou quarta vez que chamavam a Maria Ipi.

Pára! Pára!

Será que por alguma acaso essa seria eu? Nunca te contei que minha mãe muito religiosa, enfiou um Maria no meu nome né? Não… Mas por que contaria se nem eu me lembro dele.

Sim… sim… Sou Maria Dominique Hip. Daí o Mara Ipi, uma vez aque o espanhol provavelmente e logicamente não pronunciou o H do meu inglês Hip.

Afff, dá um desconto, vai. Eu estava tonta do exercício e Maria Ipi para mim era um outro ser..

O espanhol no altofalante já pedia em tom de súplica que a Maria Ipi fosse ao vestiário urgente.

Lá fui eu, confesso que bem curiosa e quando entrei logo vi uma rodinha de pessoas em volta do meu armário. No centro estava uma mulher enrolada na toalha, muito vermelha, possivelmente de raiva, gritando com alguém.

Fui chegando de mansinho, quase que na ponta do pé. Queria saber o que estava acontecendo antes de me apresentar, mas não rolou. Todo mundo me conhecia. Lembra da minha pesquisa minuciosa, quase investigativa? Pois então, não havia quem na academia não conhecesse o tal questionário da brasileira “exigente”.

Todos viraram-se para mim e a mulher enrolada na toalha falava num idioma que eu não entendia. Na verdade gritava. Olhei confusa para os funcionários que tentavam acalmá-la.

Resolvendo a confusão na academia

– Maria Ipi?

– Sim, mas todos me chamam de Dominique Hip – não, não era hora de ser engraçadinha.

– Este é seu armário? – Perguntou o espanhol apontando para um armário com a porta escancarada.

Olho seu interior e vejo minha bolsa e meu casaco. Ué… Quem foi que abriu meu armário?

Dominiqueeeeeee, Hellooo! O excesso de oxigenação do spinning queimou neurônio? Que parte eu não tinha entendido?

Quando voltei de meu pipi, com o cadeado na mão, tranquei o armário ao lado, e adivinhe? Era o armário daquela gringa.

Comecei a pedir desculpas, apesar de ela continuar gritando, só que agora eu estranhamente entendia o que ela falava.

Gente, ela não era gringa! Era portuguesa, da gema, mas estava tão nervosa e falando tão rápido que aos meus ouvidos destreinados pareceu-me sânscrito. Disse que estava atrasadíssima por minha causa, que chegaria atrasada para reunião que aconteceria a 30 km dali mesmo que pegasse um Uber.

– Arrume-se e me espere na porta. Que horas é sua reunião? Daqui 30 minutos? Você chegará.

A aula de spinning foi pinto perto do pique que dei até meu carro.

Ela já estava na porta quando passei, entrou no carro, colocou o cinto. Vi que estava com a maquiagem na mão… Ahhhh, se ela achava que conseguiria se maquiar naquele carro, ela não conhecia meus dotes de direção defensiva.

E Lá fui eu, costurando, furando farol, fazendo absolutamente tudo errado. Imagino que ela deva ter se arrependido amargamente de ter entrado em meu bólido, mas não seria eu a culpada por ela perder aquela reunião.

Chegamos! Chegamos a tempo da ex-gringa ainda passar no banheiro para se maquiar. Foi tanto estresse que acabei nem perguntando o nome dela.

Fiquei uma semana sem aparecer na academia na esperança de que esquecessem de mim, da chave, do episódio, da minha falta de forma física. Enfim, apagassem aquele dia do calendário de todas as dietas e treinos da Fuerza.

Entretanto ao abrir a porta, escuto em alto e bom som um:

— Maria Ipiiiiiii!

Todos se viraram para minha triunfal entrada.

— Maria Ipi, que bom que voltou, a Susana deixou aqui uma nota para você.

— Susana?

No mesmo momento que perguntei me arrependi, posto que só poderia ser a ex-gringa e para explicar quem era Susana, o espanhol contaria toda a história novamente de maneira que os presentes que provavelmente não sabiam de meu pequeno vexame, passariam a sabê-lo.

E assim ele o fez, com uma riqueza de detalhes impressionante, e num tom de voz que deixava claro o prazer que estava tendo em me fazer rememorar o incidente.

Entregou-me o bilhete de Susana.

“Dominique,

Devo dizer que não tivemos um começo alvissareiro. Poderia bem dizer que só podia ser brasileira, mas acho que isso poderia soar preconceituoso. Entretanto, você ter tido a clareza de tentar fazer com que seu erro não me prejudicasse, correndo riscos e levando multas, sim, porque você as levou, tudo para ajudar uma estranha, também poderia bem dizer ser coisa de brasileira. Então, não vou dar nome aos bois nem a países… Quero apenas agradecer seu gesto e sua generosidade. E pensando bem, tivemos o melhor começo que duas amigas podem ter. Vamos tomar um café?”

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

3 Comentários

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Uma Dominique Pulando a Cerca

Foi uma separação difícil. Depois de quase 3 décadas juntos, 5 anos namorando e 22 casados, chegava ao fim aquela união que um dia achei que seria definitiva.

“Recomeço” portanto tornou-se meu nome do meio.

Já que era para recomeçar era para ser em grande estilo. Por uma série de motivos, resolvi que mudaria o estado civil, a cor do cabelo e o país em que morava. Pronto.

Foi dessa forma que “confusão” passou a ser meu sobrenome.

Fazer o quê?

Seja lá por inexperiência, por orgulho em não pedir ajuda, por ansiedade em sair fazendo, ou porque sou assim mesmo, tenho causado uma certa bagunça pelo caminho ultimamente.

Era um agradável anoitecer de fevereiro, em mais um domingo sem filhos. Almocei com uma amiga, e cheguei em casa relativamente cedo. Assisti 2 episódios de minha série do momento e comecei a ficar entediada, melancólica… sei lá.

Aí pensei: Mente vazia oficina do diabo ou do carboidrato.

Se ficar aqui à toa ou vou me entupir de chocolate ou vou pensar mais do que permitem minhas dopaminas e oxitocinas num modorrento final de domingo.

Então pelo bem geral de Portugal e do Brasil resolvi fazer algo. Mas o quê? Com o olhar perdido na direção do horizonte… Péra. Que horizonte? A porta de vidro que separa a sala do terraço estava imunda!!

Genial! Limpar vidro é um ótimo exercício.

Armei-me com todo instrumental disponível no mercado e fora dele (jornal, quem não conhece o truque de limpar vidros com jornal?) e marchei rumo ao inimigo. Vestida com minhas roupas de guerra, aquela legging manchada de cândida, a camiseta do camarote daquele carnaval que passou e o agasalho de moleton que já viveu dias mais agitados. Meus cabelos estavam apanhados com uma piranha num coque mal-ajambrado.

Tudo minuciosamente pensado para assustar o inimigo de cara.

Esfregão e balde em punho, lá fui eu. Abri a porta de minha sala que dá para o terraço, saí para fora e no instante que pisei na varanda daquele aprazível apartamento lisboeta, escuto o delicado som daquela imunda porta de vidro se fechando em minhas costas. Parecia que ela estava zombando de mim. Sério. Esperou eu sair imponentemente com meu arsenal, para aí, devagarinho, traiçoeiramente se fechar.Click.

Ai, my God! E agora? Pânico! Pânico!

Já estava escurecendo e esfriando muiito. Não passava vivalma naquela rua esquecida por Zeus e por Cristiano Ronaldo.

Não!! Claro que a porta não abre pelo lado de fora! Senão nem estaria aqui escrevendo esse textão né?

Comecei a gritar mas gritei para ninguém por que quem em sã consciência sairia numa noite de fevereiro com temperaturas próximas a 6 graus quando longe do sol?

Estratégica que sou pensei nas opções possíveis.

  1. Passar a noite ali, esperar amanhecer. Alguém apareceria pela manhã na rua e eu pediria para chamar o bombeiro. Se tivesse sobrado voz ou se eu não tivesse morrido de hipotermia. E de fome. Sim, sou muito exagerada.
  2. Tirar minhas roupas e fazer uma “Teresa”. Ahhh, você não sabe o que é uma “Teresa”? Não me diga que nunca esteve presa? Ahh..Fala verdade!! Tô brincando. Teresa é uma corda feita de lençóis ou de roupas para que princesas fujam das torres onde se encontram aprisionadas. Por mais romântico que te pareça essa ideia, não é a solução uma vez que meu ap é no 3º andar. Tá louca? E já pensou? Mesmo que desse certo. Imagina eu chegando ao rés do chão em pelo, agarrada a uma Teresa? Não. definitivamente não rolaria!
  3. Ligar para minha mãe. kkkkkk Você acha que se eu tivesse levado o celular eu ainda estria naquele terraço?
  4. Existia uma possibilidade factível, de difícil execução, entretanto com chances de sucesso. Eu teria que pular a cerca para o apartamento de um de meus vizinhos de andar.

Vamos ao plano.

Primeiro as boas notícias : Eu não tinha apenas um vizinho, tinha dois, um de cada lado sendo que um deles estava totalmente escuro, entretanto o outro brilhava resplandecente luzes indicativas do destino. Que felicidade achar um caminho.

Agora as notícias nem tão boas assim: Não seria tão fácil pular para o vizinho porque na verdade não era um cerca a ser transposta, e sim uma parede, portanto o único jeito possível seria passar de um ap para o outro pelo lado de fora.

Desafiando todas as leis da gravidade e minha vertigem lá fui eu.

Vou te poupar dos detalhes e malabarismos que fiz, apenas acredite que foi patético, desajeitado e indigno. A aterrisagem beirou o desastre, mas entre mortos e feridos salvaram-se todos.

Aprumei-me e comecei o reconhecimento. Já acostumada com a escuridão facilmente identifiquei os móveis naquele terraço. Olhei pelo vidro pala sala iluminada e vi uma senhora beeem senhora mesmo com seus cabelos brancos combinando com sua camisola de flanela rosa e a manta xadrez que a aquecia enquanto assistia TV.

E agora? Como abordá-la sem matá-la de susto? Imagine uma pessoa surgir da escuridão, no seu terraço sem mais nem menos. Acho que nem Freddy Krueger passaria incólume por isso.

Pensei, pensei, pensei por quase 3 minutos (tava frio, gente, poxa vida!) e resolvi que não tinha jeito a não ser bater no vidro.

E de mansinho, com muita delicadeza, aproximei-me da porta de vidro e dei três batidinhas de leve: toc,toc,toc. Foi tão de leve que Dona Senhora nem se mexeu. Claro que ela já não deveria estar escutando lá grandes coisas, pois também não escutou minha gritaria pedindo por socorro nem tampouco minha estabanada chegada em sua morada.

Percebi que precisaria me fazer notar.

TOCTOCTOCTOC…

Dona Senhora já com uma carinha de pânico olhou para a janela e ao me ver grudada ao vidro, encolheu-se colocou os braços em frente do rosto como quem não quisesse ver mais nada. E assim ficou. Comecei a falar mas acho que por conta de toda a situação as palavras saiam de forma descontrolada num tom indesejado.

— Não se assuste. Abra a porta, me deixe entrar por favor. Eu explico. Mas abra a porta.

Imagine isso dito com uma voz meiguinha. Agora imagine isso dito aos berros. Pois é. Eu não estava melhorando a situação.

Depois de algum tempo, tendo eu me acalmado, consegui balbuciar pedidos de desculpas quase congelando, apresentei-me e justifiquei-me. Ela compreendeu. Gentilmente abriu a porta da varanda, deixou que eu entrasse em sua casa, e imediatamente, sem cerimônia, abriu a porta de sua casa e deixou que eu saísse.

Não posso reclamar de Dona Senhora, vai. Quem é que abriria a porta pruma louca no meio da noite? Acho que nem o Freddy Krueger. Querer que ela me convidasse prum chazinho já seria demais, né?

Bem, cá estava eu, do lado de fora de meu apartamento sem poder entrar porque obviamente não estava com as chaves.

Eu cheguei a te falar que estava de meias? Sim, só de meias, sem sapatos. Ué, por que haveria eu de ir a meu terraço lavar janela de sapato?

Pois é. Agora é tarde.

Sem chave, sem sapato, sem celular, sem dinheiro, sem amigos ou conhecidos naquele prédio sem porteiro. Não ousaria acordar algum outro morador e ficar mais conhecida ainda em Portugal. Não com essa fama.

Saí do prédio de meias pois lembrei da pequena loja de conveniência que tinha na esquina. Se não me enganava era uma loja 24 horas.

Claro que me enganei e ela estava fechada.

Sentei no meio fio já sem forças e sem ideias. Comecei a pensar se tudo aquilo estava valendo a pena.

Não!! Eu não choraria!!

E quem disse que eu consigo controlar? A água brota de meus olhos sem que eu tenha a menor ingerência sobre ela, e em qualquer situação. Por que haveria ela de se intimidar naquela fria e deserta noite lusitana? Quando senti as primeiras lágrimas em minhas faces, mas antes mesmo de sentir o gosto delas, uma mão delicadamente pousou em meu ombro.

Tamanha foi a delicadeza do toque que não me assustei, apenas virei o rosto para encontrar Dona Senhora parada atrás de mim enrolada em seu xale. Com aquele delicioso português, disse.

-Ó menina, trate de levantar e vir para dentro. Vou fazer-lhe um chávena de chá bem quente enquanto liga para um chaveiro que há de demorar a chegar uma vez que é domingo.

Dona Senhora na verdade chama-se Dona Benvinda.

História baseada em fatos reais.

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Quando eu crescer e envelhecer pra valer quero ir para um asilo

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

15 Comentários
  1. Avatar Ninah Martinho disse:
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    Amei sua narrativa, parabéns…

  2. Avatar Neide O. Aranha disse:
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    Amei demais❤❤❤❤

  3. Avatar Mercedes disse:
    Seu comentário está aguardando moderação. Esta é uma pré-visualização, seu comentário ficará visível assim que for aprovado.

    Senti em mim, o pavor dela por ter ficado trancada ao lado de fora, totalmente despreparada para enfrentar uma situação tão repentina e sem possibilidades de ser ajudada por ninguém. tomando de coragem foi até a vizinha e quase sem poder falar, devido muito frio, mas aos poucos foi conseguindo reanimar suas energias e assim a história segue, vou aguardar a publicação do seu final, por que achei muito,legal e espero Qye terá um fim delicioso e bem positivo. Obrigada.

    1. Amei! Na verdade conheço essas portas portuguesas. Morei 9 meses em um apartamento desses e tinha o maior cuidado para não ficar presa na varanda, kkkkkk. Basta um descuido e pronto. Vc não entra.

  4. Adorável seu estilo, sua historia.
    Passei por uma situação semelhante. Eram onze horas da manhã e meu bebê estava dormindo no berço. Fiquei presa no corredor, diante da minha porta. Minha vizinha do lado abriu-me a sua casa, e pulei do terraço dela para o meu, Igualzinho você!

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O dilema das Dominiques que não tiveram filhos!

Durante muitos anos a mulher viveu o grande dilema sobre ter ou não ter filhos ou qual seria o melhor momento para tornar-se mãe. A bem da verdade, não! Vive, ainda. Apesar das mudanças enormes comportamentais, a nossa sociedade ainda tem um viés pró-natalista. 

Muitos – e aí incluo homens e as próprias mulheres – carregam o conceito de que uma mulher tem de ser mãe. Há um imaginário que – se ela não teve filhos porque não pode conceber – ela é infeliz ou não realizada. Não raro, muitas até são questionadas do porquê não adotaram uma criança. 

Já a mulher que fala abertamente que não quer ser mãe por opção a história é outra. É praticamente inadmissível fazer uma afirmação dessas. Muitas são tachadas como individualistas, egoístas, ambiciosas ou mesmo imaturas. 

Os bons ventos trazem perspectiva de mudança para essa nova geração. “Mas ainda há um grande impacto sobre a visão que a mulher tem de si mesma. Como constituir uma identidade dessa forma”, questiona a psicóloga e pesquisadora Helena Lyrio-Carvalho. Em seu doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ela busca compreender mulheres que não têm filhos, por opção ou infertilidade. 

Helena traz do consultório a bagagem de estudar questões sobre a feminilidade. É, inclusive, um convívio muito próximo com mulheres vivendo esses dilemas. Como é um tema muito amplo, ela optou em sua dissertação do mestrado por estudar as mulheres que decidiram ser mães tardiamente. 

50 anos de transformações!

No doutorado, ela seguiu a mesma linha de pesquisa e, agora, busca entender os dilemas, as dificuldades e os desafios de muitas Dominiques sem filhos. “O universo feminino está em transformação. Há duas gerações uma mulher não teria essa escolha”, afirma. 

Ela cita o o filósofo francês Gilles Lipovetsky para explicar que “nosso meio século mudou mais a condição feminina do que todos os milênios anteriores.” Vejam só… os últimos 50 anos! Bom, nós Dominiques sabemos muito bem sobre essas grandes mudanças. 

Mas como explica, ainda é preciso aprofundar-se nas questões psicológicas. Para isso, ela volta a citar Lipovetsky, em seu livro A terceira mulher – Permanência e Revolução do Feminino, “cada vez mais a mulher se constitui como sujeito diante de um mundo aberto e aleatório, estruturado por uma lógica de indeterminação social e de livre governo individual, análoga à que organiza o universo masculino. A existência feminina compõe-se agora de escolhas, por meio das quais a mulher se reafirma como protagonista de sua própria vida.”

Infelizmente temos de lembrar que as mudanças não atingem as mulheres de todas as classes sociais e ou regiões de maneira uniforme. “Essa é uma mudança que vem em ondas”, explica. Mas em algumas culturas – como a muçulmana ou africanas – talvez essa mudança demore ainda mais a acontecer. 

Protagonistas de verdade!

Se há pouco anos atrás essa discussão talvez nem estivesse acontecendo, está certamente na hora de repensarmos todos esses estereótipos.  Muitas coisas ainda precisam mudar para as mulheres tornarem-se realmente protagonistas. Podemos até ajudar!

Nós, Dominiques, vivenciamos todo esse dualismo da mudança de gerações. Somos as filhas das mulheres que tinham por padrão apenas o modelo de mãe e esposa. Alguns conceitos antigos – como a 3ª jornada de trabalho – ainda permeiam o dia a dia de muitas mulheres. 

Sabemos que não é bem assim. Hoje o mundo oferece inúmeras opções de realização para uma mulher. Certamente, ser mãe é apenas uma delas. Se no passado não havia alternativa, hoje temos. E as mulheres que não têm filhos podem viver sem culpa!

Dominiques para a pesquisa

A Helena está buscando Dominiques entre 50 e 55 anos para contribuir em sua dissertação de doutorado. Ela estabeleceu essa faixa etária porque, após os 50 anos, a condição de não ser mãe já está consolidada e muitas passaram ou estão passando pelo período difícil da menopausa. 

Quem topar participar, contribuirá para que a sociedade e os agentes de saúde – dentre esses os psicoterapeutas – possam ter uma visão mais ampla da mulher no mundo atual. A pesquisa é voluntária e confidencial, inclusive foi aprovada pelo Conselho de Ética da PUC-SP. 

Caso você aceite esse convite, ou deseje mais detalhes sobre o estudo, entre em contato com a Helena pelo e-mail hclcarvalho@uol.com.br ou pelo WhatsApp (11) 99105.9547. 

Mais desafios para as Dominiques

A beleza e os desafios de recomeçar aos 50 anos

Envelhecer pode ser um barato!

1 Comentário
  1. Reforço o meu convite à participação na pesquisa que estou desenvolvendo. Assim, aquelas que tiverem entre 50 e 55 anos, morarem na Grande São Paulo e não tiverem filhos, por opção ou condição infértil, poderão contribuir para que ampliemos nossa compreensão sobre nós mesmas e nossas amigas Dominiques. Um grande abraço!

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Manual de sobrevivência de uma Dominique numa quarentena

Data estelar 2365.25

12 de março de 2020, começou minha quarentena voluntária.

Estamos vivendo uma Pandemia do tal coronavírus (me recuso a escrever o nome dele em maiúscula, é só um vírus gente!).

A turma tá meio em pânico, com uma certa razão. Esse bicho tá se propagando mais rapidamente que meme do Fabio Assunção.

O único jeito que temos de ajudar é tentar não nos mexermos. Sério!!

Quanto menos sairmos de casa, menos expostos estaremos ou menos possibilidades de transmitirmos teremos.

Quem pode, obviamente, deve fazer um esforcinho e tentar sair o mínimo possível. É o que estou fazendo.

Como parece que a coisa vai longe, pelo menos mais alguns meses com muita gente em quarentena voluntária ou não, resolvi fazer um manual de sobrevivência para Dominiques.

Fiz até fiz um videozinho explicando , veja aqui.

Bem amiga, vamos ao manual?

1. Caça à guloseima escondida. Isso mesmo. Vamos buscar cada chocolate, bombom, sorvete, M&M, tudoooo e vamos fazer a alegria de alguma criança do prédio. Se vamos ficar em casa, não podemos ter essas coisas por perto. Tá Louca???

2. Vamos fazer listas. Muitas listas. Elas são importantíssimas para administrarmos bem nosso tempo. Aqui estão as minhas listas:

  • tudo que preciso fazer em casa
  • tudo que é possível comprar/fazer pela Internet
  • tudo que preciso para meu trabalho
  • deixar espaço para listas que eu for lembrando.

3. Ahhh, você deve estar falando que vai assistir a toooodos os filmes da Netflix e cia. Queridaaaaa… é uma quarentena. Tudo bem que não são 40 dias, mas são pelo menos 15.

Acho que vai chegar uma hora que vai encher a paciência ficar vendo filmes e séries né? Mas em todo caso, vou fazer uma listinha de resenhas da Elzinha.

4. Importantíssimo!!

A partir do momento que você entrou em quarentena, desligue a Globonews!! Meuu, canal mais chato, martelando o tal corona 24 horas na cabeça da gente.

5. Ordem em armário! ÔÔ delícia. Fala verdade? Ter tempo para jogar tudo no chão e ir arrumando?? E que tal aproveitar para desapegar? Vamos tentar? Eu vou.

Tem um monte de texto no nosso blog pra quem quiser e tiver disposição de organizar um pouquinho a casa.

6. Gente, jogar a toalha não, né? Se você não é a paciente, dignidade!!

Não é porque estamos em casa que vamos ficar de pijamas com aquele birote no cabelo. Não!! Temos que estar minimamente ajeitadas, até para conseguirmos olhar no espelho. E se conseguimos, vamos combinar que fica mais fácil e mais gostoso para o outro também.

Então já sabe. Roupa, sapato, quem sabe até um brinco e um pinguinho de maquiagem?

7. Ainda no capítulo arrumadinha. Claro que manicure e cabeleireiro não são prioridades nesse momento. Mas olha só, deixar as unhas respirarem por uns dias é fenomenal para a saúde de nossas queridinhas. Portanto, tire o esmalte, passe um creminho para hidratar as coitadinhas e VIVA a LIBERDADE!!!

8. Dois dias sem esmalte e você está se sentindo a pior das mortais né? Ahaaa, eu tenho a solução. Existem umas unhas autocolantes que já vem pintadas que quebram o maior galho…Não faça essa cara!! Elas são sensacionais. Foi minha amiga Sandra que me ensinou a usá-las numa emergência, e você está numa emergência. Tem dois tamanhos, curta e média. Eu uso a média porque a base de minha unha é enorme. Quer saber? Compre os dois tamanhos e veja o que ficará melhor.

A primeira vez que vc for colocá-las, vai demorar uns 30 minutos. Mas vai compensar. Me conta depois, tá?

9. Cabelo. Ahh aí, se você como eu, não sabe pintar sozinha, tá complicado. Aí sinceramente acho que teremos que arrumar corajosas voluntárias que queiram se sacrificar e que entendam o que é uma mulher com a raiz do cabelo branca.

Eu não acho que seja a hora de assumir e deixar de pintar. Essa é uma decisão importantíssima que deve ser tomada conscientemente, a luz da sanidade, sob condições normais de temperatura e pressão e jamais por causa da ameaça da privação.

Vamos pensar juntas numa solução para isso!

10. Como sobreviver a homens doentes? Isole-os!! Tranque-os num quarto. Passe a comida pela frestinha. Menina, imagine aqui em casa, marido e dois filhos homens doentes. Bate na madeira.

11. Cursos on line. Chegou a hora colega. Tá cheinho de cursos on line de tudo que vc pode imaginar, pagos ou gratuitos. Até mesmo tutorias simples, como por exemplo como fazer um marcador de livro de crochê. Tá aqui ó.

12. Gente, vamos ler? Livro, de verdade, daqueles que viramos a página. Lembra como é isso? Eu sei..eu sei..Tá faltando foco. Pra mim também. Mas se o livro é bom, tempo é o que não nos falta.

Aqui ideias de artesanato que eu adorooo fazer. Coisas que já publicamos aqui no site da Dominique.

Já pensou acabarmos a quarentena e percebermos que ficamos sentadas no sofá olhando pro celular os 15 dias???

Não!!! Afasta esse celular e vamos viver, mesmo que dentro de casa!!.

P.S. Eu acho que esse é um trabalho em andamento. Cada hota tenho uma nova ideia, e vou adorar se você me der algumas. Vamos fazer um grande manual colaborativo para Dominiques? Sempre com bom humor, of course!.

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

13 Comentários
  1. Acho que se ainda não há infectados ou isolados, criar uma rotina durante a quarentena é ótima opção.
    Acordar, ir pra esteira, bike ou treino.
    Café da manhã/ Banho.
    Checar e-mails, WhatsApp, ligações, notícias, home office de um modo geral.
    Num dia incrementar cardápio da semana, noutro ajeitar armários, enfim, coisas que acabamos passando tempos sem organizar e fazem bastante diferença.
    E no final do dia, tentar reunir todos pra um filminho seria demais!

  2. É simples. Com uns sacos de 100 litros, colocar os indesejados. E aqueles super bons tratar como temos nos tratado contra o corona vírus: um bom pano com álcool gel nas capas e bordas. E usar luvas de borracha, aquelas dos médicos. Nas prateleiras que forem esvaziadas um pouco de lustra móveis. Ah, e uns beijinhos nos preciosos da boa literatura ( kkkk). Brincadeira…
    Voilá…..

  3. Oi Dominique, tenho centenas de livros, mas, digamos, um terço é porcaria ou o assunto já não interessa. Então que tal uma biblioteca só com bons ( e limpinhos) livros. E o bacana é que podemos fazer um pouco por dia, sem estresse.

  4. Aproveitando para colocar os documentos em ordem. As pastas já estão lá faz tempo. Armários, me aguardem. Minha pilha de livros também. Longos momentos de love com o maridão.

  5. Adoro seus texto! 🙂 eu colocaria alguma coisa com músicas… criar playlists e até dançar um pouquinho para fazer algum exercício físico… dançar antes do banho e tomar banho com música – é uma terapia! Fique bem! Xoxo Nora 🙂

  6. Estou organizando minhas fotos num pendrive para nosso grupo da terceira idade alegria de viver!!@

  7. Faça trabalhos voluntários em casa, estou fazendo vestidinhos para a fraternidade sem fronteiras, que manda para a África. Quem não souber costurar faça crochê, tricô, todos temos alguma habilidade é só desenvolver.

  8. E não vamos esquecer q está na hora de mexer no IR. Então vamos separar os papéis e colocar a mão na massa

  9. Pensei em duas coisas:

    Reunir material para um Projeto Profissional,

    Ver muitas fotos antigas, em papel, de família, amigos…

    Dá para encontrar com amigos que moram perto eu acho. Duas pessoas ou três numa cozinha, não é aglomeração…

    Dá pra rolar uma Happy Hour um vinho com livro no final da tarde,

    Tirar do papel uma ideia de um projeto de trabalho voluntário;

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Uma história de Recomeço – Meu melhor casamento

Dominique apaixonou-se perdidamente por Mateus e foi correspondida.

Mateus era quase 15 anos mais velho que Dominique, já tinha tido uns 3 casamentos e incontáveis filhos de cada um deles.

Nada disso importava para Dominique. Desde aquela primeira conversa no bar Supremo, encantou-se com o papo, a cultura, a ousadia e até mesmo com a aparência e o jeito despojado chique.

Mateus era de família tradicionalíssima paulista, descendente de algum barão do café, daqueles com 5 sobrenomes.

Dos gloriosos tempos da política com café com leite, sobraram além das histórias, uma única fazenda em Itapira.

Dominique, neta de humildes imigrantes, não ligava para os narizes torcidos dos amigos de Mateus. Muito pelo contrário, fez com que todos eles e elas a admirassem com o tempo.

Mateus era um homem cheio de qualidades, encantadoras qualidades. Porém tinha um defeito que quando acentuado, passa a ser grave.

Ele era ávaro, pão duro mesmo, chegando a beirar a mesquinhez.

Isso incomodava Dominique que ao longo dos 15 anos de relacionamento nunca pediu um centavo sequer para o namorado e igualmente retribuiu-lhe a atitude.

Dividiam todas as contas, fosse no dia a dia, fosse em viagem. Com o passar dos anos, Dominique começou a achar esse um bom arranjo. Sentia-se mais dona de seu nariz se é que dava para ela sentir-se mais.

Tinha apenas uma coisa que Mateus não economizava. Era na comemoração do dia em que se conheceram.

Todo dia 10 de novembro Dominique podia contar com uma surpresa.

Sempre começavam com um drink no Bar Supremo, onde se conheceram. De lá poderiam ir para um Hotel 5 estrelas, para o aeroporto rumo a uma viagem surpresa para Galápagos ou para um romântico picnic em algum rooftop.

Assim compartilharam os gostos pela música, livros, animais, espetáculos, boa comida, e pela família.

Ahhh, a família é um assunto a parte. Filhos, muiiitos filhos. A quantidade de filhos cá e lá, foi motivo mais do que razoável para nunca terem morado juntos.

Os filhos de Dominique formaram-se, casaram e levavam uma vida de acordo com a possibilidade de cada um. Achavam bom a mãe ter uma companhia. Bom para ela e muito melhor para eles que não sentiam o peso da culpa pela ausência.

Já os filhos de Mateus, competiam sempre com o apoio de suas respectivas mães. Estavam sempre brigando entre si e com o pai. O motivo era sempre o mesmo. $$$$

A primeira vez que Dominique foi a fazenda em Itapira, achou que não sairia viva de lá, fosse pelo estado precário da fazenda, fosse pelo ódio que viu nos olhos dos “enteados”.

Aquela fazenda estava caindo aos pedaços. fazia anos que não via uma mão de tinta. Bolores nas paredes. Teto com goteira. E os colchões? Ela tinha a impressão que eram recheados com palha. Porém o delicioso feijão feito naquele aconchegante fogão a lenha compensava as desventuras.

Não. Mentira. Não compensava nada. Dominique queria era seu ar condicionado e seu colchão de molas. E distância regulamentar dos filhos de Mateus.

Com o tempo, muito jeitinho e dividindo as despesas, convenceu o amor de sua vida a reformar a sede, ao mesmo tempo que conseguiu afastar um pouco aqueles sangues suga de seu namorido.

Com sua visão comercial, fez com que Mateus arrendasse um pedaço da fazenda para garantir a renda e trabalhasse a terra remanescente tornando-a minimamente produtiva.

Nesses anos todos, Dominique nunca parou de trabalhar, e continuou aumentando seu patrimônio. Porém com suas frequentes idas para Iatpira, desgastava-se demais no dia a dia de seus negócios. Nenhum filho queria trabalhar com ela e nem ela os queria por perto. Achou mais fácil contratar uma secretária e um administrador. Mais fácil e mais barato.

Com o tempo, ambos foram se mostrando de grande valia e igual confiança, lembrando que o FAX, aquela invenção mágica e meio incompreensível, facilitava absolutamente tudo. A vida podia ser dividida antes e depois do FAX.

Dessa maneira Dominique foi se sentindo cada vez mais segura para passar mais tempo na fazenda curtindo seu Mozão.

Juntos viram o Brasil ganhar duas copas do mundo.

Passaram pela presidência, um José, 2 Fernandos, 1 Itamar e um Luis.

Assistiram juntos Vale Tudo, Rainha da Sucata, Pantanal (que rendeu uma viagem para conhecer aquele paraíso).

Dominique foi uma das primeiras assinantes da imberbe Tv a Cabo brasileira pois amava assistir sitcom. The Nanny, Murphy Brown, Seinfeld, Will and Grace e muitas outras, sendo que a preferida de Mateus era a Família Dinossauro, vai saber por que.

Cinema não era muito a praia do casal, mas não se furtavam a um Blockbuster no vídeocassete e depois no DVD. Telma e Louise, Tomates Verdes Fritos, A Lista de Shindler, mostraram que Mateus era um homem muito sensível por suas muitas lágrimas vertidas.

Estavam atentos ao advento da Internet. Entenderam já em 90 e pouco que aquilo mudaria o mundo. E mais uma vez, Dominique foi das primeiras a ter a tão desejada Banda Larga em casa. Foi nessa época que Mateus quase se mudou para casa da namorida. Amava a Internet da casa dela e ele não assinaria Speedy tão cedo. Qual a necessidade dele ter se ela já tinha? E vai saber se esse negócio de Internet ia dar certo mesmo?

Vibraram com o Protocolo de Kioto e derreteram juntos em 98 com a chegada daquele El Nino avassalador no mesmo ano.

Decoraram todas as Letras dos Mamonas Assassinas fazendo a alegria dos netinhos que já podia se dizer, eram de ambos.

Estavam juntos naquele 11 de setembro. Especularam se aquela escalada terrorista teria a ver com os fundamentalistas iranianos, afegãos, líbios. Ou com a Aliança soberana entre EUA e a Alemanha reunificada.

Os ataques terroristas mobilizavam o casal. Eram noites e noites tentando entender motivações, aspectos sociais, financeiros e até mesmo ocultos em cada episódio.

Mateus não chegou a saber do atentado terrorista em Madri no dia 11 de março de 2004.

Depois de lutar incansavelmente por quase 2 anos contra um câncer, na madrugada daquela quinta feira, desistiu. Fechou os olhos segurando a mão de sua maior e melhor companhia.

Dominique nunca se sentiu tão sozinha. Não sabia ao certo se agradecia aqueles 15 anos de felicidade, ou os amaldiçoava por terem lhe dado parâmetro. Ela finalmente sabia o que era ser feliz e não aceitaria nada menos que isso. Nada menos do que teve com Mateus.

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Uma Dominique viúva aos 40 anos

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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