Dominique

E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil?

Sabe, algumas coisas eu gostaria de ter vivido como por exemplo, o Festival de Woodstock. Apesar de ter 5 anos naquele agosto de 1969, tenho memórias afetivas em relação ao evento. Por certo essas memórias foram construídas em cima do que se escreveu e do que se falou a respeito. Inegavelmente a experiência de Woodstock foi transformadora para os jovens que estiveram naquela fazenda americana por 3 dias. É provável que muito do que vivemos hoje é fruto de Woodstock.

Aí me pego pensando se haveria uma remota possibilidade de um Festival como Woodstock ter acontecido pioneiramente no Brasil. Será? *

Não sei. Entretanto sei que um Festival como o de Woodstock mudaria a cara do Brasil. E essa semana em que todos os veículos estão fazendo matérias do que foi o festival e seu legado, resolvi fazer um exercício. Escrevi um texto como se nosso país tivesse sido sede do maior evento de música do planeta em 1969.


E já na linha do “e se”, aposto que tudo teria acontecido no interior de Minas Gerais. Por que? Porque que outro estado do país tem uma cidade chamada Nanuque?
Existe nome melhor para um Festival do que Nanuque? Soa quase internacional, né não?


Bom, isto posto, vamos a meus delírios?

E se Woodstock tivesse sido aqui
O festival de música que mudou o Brasil faz 50 anos

O Festival – Onde

E foi há 50 anos que um punhado de jovens mineiros em férias por pura falta do que fazer, resolveram produzir um festival de música. Simples assim até porque antes de mais nada, mineiros são empreendedores até quando estão de férias.

Eram muitos os sócios naquele empreendimento. Estudantes de cursos variados da Universidade de Ouro Preto, que acabaram não viajando nas férias de verão.

Em 1969 o Brasil vivia um momento político dos mais difíceis da história. Entradas foram cobradas com o intuito de que o dinheiro arrecadado no Festival fosse enviado para as famílias dos presos políticos da época ou para aqueles exilados.
Com esse mesmo mote conseguiram surpreendentemente que todos os artistas aderissem ao evento e tocassem pela causa sem cachê.

Nanuque não foi a primeira opção escolhida para acolher o festival e sim Araponga, uma cidade na Zona da Mata (vamos combinar que Araponga também seria um nome maravilhoso) entretanto fazendeiros e coronéis de Araponga nunca admitiriam aquela invasão bárbara de jovens contraventores. Uniram-se formando uma comissão e mandaram o filho de um deles, recém saído do Largo São Francisco, impetrar algum mandato de segurança a fim de impedir aquela loucura . Tarefa bem sucedida visto que o Festival foi expulso sumariamente daquela área.

O êxito do jovem advogado espalhou-se rapidamente de tal forma que ele se tornou representante legal de grandes usineiros da região. Daí a se tornar um famoso advogado defendendo crimes cometidos por poderosos endinheirados foi um pulinho. Assim não demorou muito para que Marcio Thomaz Bastos se tornasse Ministro da Justiça.

E se o festival tivesse sido em Nanuque?
Você sabe onde fica Nanuque? 500.000 pessoas descobriram como chegar lá em 1969

Quando

– O evento que aconteceria em janeiro, no verão, teve que ser adiado para agosto por falta de licenças e outras burocracias do estado. Estipulou-se assim que o Festival de Música de Nanuque aconteceria nos dias 15,16 e 17 de agosto de 1969.

Os nascidos depois de 1975 não tem ideia da burocracia, lentidão e “cafezinhos” necessários para que as coisas funcionassem. Se temos hoje o sistema público mais eficiente do planeta, em 69 podíamos dizer que tínhamos o pior. Para os que não sabem, simplificar e digitalizar todos os nossos processos só pode acontecer depois que Roberto Justos entrou na máquina e inclemente, demitiu quem precisava ser demitido, começando assim a azeitar a máquina e principalmente simplificando processos que eram complicados por uma cultura que já não mais nos pertencia.

O Público


– O público presente superou e muito a previsão dos organizadores uma vez que Zélia Cardoso de Melo, responsável pela contabilidade do evento, estimou que 50.000 pessoas estariam no Festival . Pode-se dizer que ela passou perto (kkkk) uma vez que 500.000 pessoas passaram por Nanuque naquele fim de semana de agosto. Por causa de um “errinho à toa” de cálculo como esse Zélia desistiu da carreira de economista e foi tentar a vida como trapezista num circo da cidade.

Os Problemas e as Soluções

Os organizadores não contavam que inesperadamente 450.000 pessoas a mais apareceriam por lá causando um verdadeiro caos.
Mas as soluções apareceram porque afinal de contas os nossos jovens sempre foram muito mais criativos.

A maior de todos as dificuldades foi alimentar durante 3 dias aquele mundo de gente, no entanto o problema da alimentação não teria sido tão grave e desesperador se o responsável pela logística não tivesse fugido com o dinheiro. Ahhh sempre alguém foge com o dinheiro. E nesse caso foi um estudante argentino que não deixou rastros.
– A solução veio de um convento de freiras baristas que ficava às margens do Rio Mucuri e vizinho de um laticínio que doou todas as sobras de queijo. Por fim, o que alimentou  aquelas 500.000 pessoas foi o mineiríssimo pão de queijo feito pelas freiras com uma antiga receita de uma delas .

O Pão de queijo com Tubaína

-E foi assim que o pão de queijo ganhou fama internacional dando ao Brasil um quitute para representá-lo como os doces conventuais de Portugal, o faláfel de Israel e da esfiha dos Libaneses.

-A única bebida disponível além das pinguinhas dos alambiques era a dulcíssima Tubaína. E foi certamente em Nanuque que Tubaína caiu no gosto dos jovens. Em 1985 a Holding Tubaína Inc. comprou a Coca Cola tornando-se uma marca mundial.

Este foi o setlist para os 3 dias do Festival de Nanuque

  • Sá, Rodrix e Guarabyra
  • Lo Borges
  • Tete Espíndola
  • Lilian sem o Leno
  • Milton Nascimento
  • MPB4

Para o segundo dia

  • Raul Seixas
  • Tim Maia
  • Mutantes
  • Erasmo Carlos
  • Secos e Molhados
  • Jorge Bem
  • Tony Tornado

E para o último dia:.

  • Alceu Valença
  • Elba Ramalho
  • Gilberto Gil
  • Gal Costa
  • Wilson simonal.
  • Vanusa

Coisas que aconteceram

Tim Maia não apareceu. Deu o cano sem ao menos avisar. Para tapar o buraco na programação, uma das organizadoras colocou para cantar seu namorado uma vez que este tinha grandes aspirações artísticas. Pena  ele estar tão chapado a ponto de esquecer a letra de Blowin’ in the Wind levando a maior vaia. Foi aí que Eduardo Suplicy desistiu de ser vocalista na Banda Nagasaki e por conseguinte qualquer tipo de carreira musical, entrando para a política logo depois do Festival. Chegou a ser Senador da República, sempre entoando Blowin’ the Wind, nos bons e nos maus momentos.

Rita Lee no Festival de Nanuque
E foi com muito custo que Rita Lee conseguiu sua credencial para o Festival de Nanuque

– A segurança do show, não acreditou que Rita Lee era a Rita Lee. Ela teve que cantar Panis e Circenses para o leão de chácara, para que ele deixasse ela subir ao palco onde os outros integrantes dos Mutantes já a esperavam aflitos. Ritinha linda linda linda, tornou-se a musa do Festival de Nanuque e a rainha do Rock’n’roll. Estourou nas paradas de sucesso do mundo inteiro tendo Ovelha Negra em primeiro lugar da Bilboard por meses. Seus shows no Central Park ficaram famosos. Teve convidados como : The Doors, Beatles, Barão Vermelho, Simon and Garfunkel (teve um namorico com o Simon), Secos e Molhados, David Bowie, Cauby Peixoto e por aí vai. E até hoje, Ritinha nega-se a gravar CD de Natal. Talvez graças a ela essa moda tenha caído em desuso há anos! Só temos a agradecer, né?

E a chuva?

– Nuvens carregadíssimas aproximavam-se anunciando senão o apocalipse, uma tempestade indesejada. A turma da era de Aquário juntou-se num mantra com certeza de resultados positivos. Deram-se as mãos e juntos entoaram ritmadamente, como se fossem tambores indigenas – Chu-va não! Chu-va não! Chu-va é pra bur-guês! Aqui só tem nu-dez!. Infelizmente a chuva caiu a despeito dos clamores. Como sempre. E quem se deu bem foi o vendedor de capa de chuva, Luiza, Tia Luiza. Já sabem quem né?

– Acredite se quiser, mas durante aqueles 3 dias, não houve um único incidente violento. Pode-se dizer talvez que o ocorrido no show de Erasmo Carlos tenha sido áspero ou um pouco mais quente, mas jamais agressivo. Tremendão foi o quinto nome da noite, com a platéia já aquecida em todos os sentidos. Quando estava prestes a começar entra no palco um jovem muiiito louco chamado Olavo de Carvalho, fazendo um discurso de protesto contra a prisão de um companheiro de luta, o José Dirceu. Erasmo Carlos não achou engraçado. Muito pelo contrário, irritado grita para Olavo de Carvalho : – Cai fora!! Cai fora de meu palco!! Você não vai F****R com o rock’n roll

Vanusa, encerrou o festival, puxando um Hino Nacional, numa atitude altamente temerária para o período e o público. Porém foi acompanhada por um guitarrista desconhecido que fez alguns riffs em cima do Hino. A galera delirou. Talvez por conta do horário, da embriaguez, da exaustão ou ainda da micro saia da cantora, existe uma grande probabilidade de ninguém ter reconhecido aquela música como sendo o Hino Nacional. Os riffs de Pepeu Gomes foram eternizados assim como ele considerado o maior guitarrista de todos os tempo.

Alguns destaques

– Todo o evento foi documentado pelo jovem cineasta David Cardoso. Ele com sua Super 8 captou quase tudo e principalmente a essência do festival. Abandonou a faculdade de medicina, tornado-se um cineasta famosíssimo, ganhador de 2 Oscars, 3 Leões, e Palmas incontáveis com filmes sensíveis, profundos e de primorosa produção.

Amaral Gurgel, enviou o modelo Gurgel Itaipu Elétrico para desbravar a lama de Nanuque. Esse viria a ser o primeiro carro 100% brasileiro e primeiro carro elétrico do mundo já em 1969. Gurgel tornou-se o nome mais importante do setor automobilístico mundial. Chamou a atenção da Engesa, industria de tanques brasileira. Engesa e Gurgel juntos fundaram a EspaçoBr que em 1990 vendeu o primeiro voo comercial para a lua para Eike Batista.

Gurgel Itaipu, o carro elétrico Made in Brasil

Médicos? Para que médicos?

– Emergências médicas ocorreram aos montes. Inacreditavelmente nem uma única morte. Ainda mais se pensarmos que os médicos que tínhamos lá eram todos estudantes de universidades de medicina de diversos estados brasileiros. Foram recrutados pelos organizadores do evento e receberam em troca do trabalho, o transporte para Nanuque. Foi aí que Dráuzio Varella viabilizou seu sonho criando os “Médicos sem Fronteiras”.

E se nanuque tivesse sido aqui olha só os médicos
E aqui, alguns dos estudantes de medicina que se voluntariaram para atender a multidão de jovens que estiveram no Festival de Nanuque

E o argentino, hein?

Lembra do argentino que fugiu com a grana da logística? Ele voltou anos depois para o Brasil. Já não era apenas um argentino. Era agora um franco argentino por conta de seu casamento com uma milionária francesa que morrera subitamente deixando Luis Favre viúvo e solitário. E foi por isso que ele resolveu voltar para rever seus antigos colegas do Festival, sendo recebido e hospedado por Marta e Eduardo Suplicy.

Legado

O espírito do Festival de Nanuque, permeou toda a sociedade, facilitando a abertura política mostrando aos militares a maturidade de nossa juventude. A democracia foi restaurada na base da paz, do amor e da flor.

E assim o foi quando em 1971 as eleições diretas para presidente voltaram a acontecer no país. Eleito presidente da nova república democrática, Roberto Campos conduziu o país a liderança do bloco capitalista. Abriu nosso mercado, estimulando nossas industrias e seguindo os mais modernos conceitos da economia liberal.

E tudo na vida é uma questão de ponto de vista. Se o mundo é realmente redondo olha só como ficaria o mapa após Nanuque..

Woodstock no Brasil

Eu vou contar até 5 e quando estalar os dedos todos acordaremos no Brasil de verdade onde o Festival de Nanuque nunca existiu. E nos dias 14, 15 e 16 vamos comemorar os 50 anos do Festival de Woodstock, esse sim um divisor de águas

*Como bem lembrou Henrique Cury, tivemos no Brasil alguns festivais nos moldes de Woodstock como Águas Claras e Iacanga. Ambos aconteceram depois do Festival Americano. E vamos lá, por que você não faz como o Henrique e me manda uma sugestão para acrescentarmos nesse texto? Pode ser um delírio, uma possibilidade, um fato, o que vc quiser. Aí depois eu vou escrever a versão 2 de “E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil” com todos so créditos. Gente, isso pode ficar muito legal, viu?

Nota: Não tive uma grande preocupação com coerência de datas e idades. Aliás com coerência alguma. Por favor não leve esse textinho muito a sério. Foi só diversão. Beijo da Lili pro cê, tá?

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Passeando com o passado

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Mas bah! Será que teria acontecido deste jeito ? não vi tu falando de ninguém tomado chimarrão e nem fazendo um churrasco de pelo menos umas lingüiças.

  2. Muito bom querida! Vá enfrente porque tens muitas riquezas internas para dividir conosco!! Bjo Vera

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O dia que uma cozinha esquentou a Guerra Fria

Chegada do homem a Lua. Corrida espacial. Guerra da Coréia. Corrida armamentista. Não. Não foi nada disso que há exatos 60 anos desestabilizou e enfureceu a União Soviética num dos maiores calores da tão famosa Guerra Fria. Não foi um novo satélite ou um míssel de longo alcance, mas sim uma cozinha. Isso mesmo. Uma cozinha equipada.

Ahhhh, essa história é muito boa. Vamos lá.

 Estados Unidos e União Soviética decidiram publicamente que a melhor maneira de aliviar as tensões que a Guerra Fria impunha a um mundo já desestabilizado era unirem-se em torno da ideia de mostrar ao mundo como cada uma das nações vivia. Mostrar em diferentes exposições como cada uma delas vivia. Criaram assim a  Exposição Nacional Americana, um dito um programa de intercâmbio cultural.

Os soviéticos trariam uma exposição para Nova York em junho de 1959, e os americanos fariam uma exposição em Moscou em julho do mesmo ano. Sendo esta a Guerra Fria, cada lado também viu isto como uma oportunidade para enviar muitos espiões para reunir toda a inteligência que pudessem.

Os soviéticos foram para Nova York com suas máquinas da indústria e satélites da Era Espacial, exibindo orgulhosamente a tecnologia que derrotaria teoricamente os Estados Unidos no espaço.

E agora? O que fariam os americanos? Levariam um foguete? Mandariam o computador mais moderno para calcular a área de Vladivostok? Qual tecnologia exibiriam os americanos que embasbacasse os Soviéticos e mostrasse toda superioridade americana?

Aiii, como eu invejo a inventividade e a criatividade americana. Eles conseguiram levar multidões a exposição que foi aberta no dia 24 de julho de 1959, irritando profundamente os líderes Soviéticos.

Mas como? Com o quê?

Com uma cozinha. Uma cozinha muito moderna e futurista ilustrando o American Way of Life.

Multidão Russa na expo59
Filas gigantescas para a Exibição americana em Moscou 1959

Multidões foram conferir como a vida de uma americana era mais fácil do que de uma coitadinha de uma dona de casa daquele gelado país.

Lava-Louça sonho de consumo até hoje

O que convence mais do que a tecnologia aplicada no dia a dia para facilitar a vida da gente? Uma geladeira que só faltava falar. Máquina de lavar pratos, que luxo!! Imagine uma soviética que enfrentava o tanque de lavar roupa com sua água gelada num inverno siberiano vendo pela primeira vez uma inacessível máquina de lavar roupa americana. Ahhhh, isso sim era tecnologia.

Soviéticas visitando cozinhas americanas

O que convence mais do que a tecnologia aplicada no dia a dia para facilitar a vida da gente? Uma geladeira que só faltava falar. Máquina de lavar pratos, que luxo!! Imagine uma soviética que enfrentava o tanque de lavar roupa com sua água gelada num inverno siberiano vendo pela primeira vez uma inacessível máquina de lavar roupa americana. Ahhhh, isso sim era tecnologia.

O aspirador de pó robô

Sacada genial dos americanos, mesmo que em alguns momentos suas traquitanas não passassem de ficção científica para época. Imagine você que eles levaram um aspirador de pó robô. É o que chamamos hoje de Roomba, e que me lembro de ter visto primeiramente pelos idos de 2015.

Os americanos não levaram apenas cozinhas para Moscou. Levaram seus carros, obras de art, lanchas, TVs, desfile de moda e tudo que mostrasse as felicidades e alegrias do consumo.

Um filme de Charles e Ray Eames (sim, o da cadeira) que descrevia a vida na América contada através de imagens fixas projetadas em sete telas gigantes de 20 por 30 pés. O filme é composto por 2.200 imagens. Os espectadores são inundados com imagens cuidadosamente selecionadas pela equipe de design de Eames, algumas fotos tiradas por Charles e Ray.

Agora, imagina a hora que os russos perceberam o jogo americano.

Acho que foi daí que surgiu a expressão “só falta combinar com os russos” (a verdadeira origem da expressão está no link). Os caras devem ter babado de raiva. Tanto que Nikita Khrushchev não conseguiu conter sua irritação e entrou num “debate” totalmente televisionado, com Richard Nixon, o Vice-presidente americano, na noite de abertura da exposição. Onde? Na frente da cozinha. E o episódio ficou conhecido como o Debate Na Cozinha

Guerra Fria na Cozinha
Guerra Fria na Cozinha

Os dois homens discutiram sobre tudo em exibição, com Nixon insistindo que o capitalismo americano permitia um padrão de vida muito mais alto. Khrushchev oscilou entre insistir que o americano médio não podia pagar as coisas que Nixon lhe mostrava e depois dizer que, mesmo que pudessem, o povo soviético logo teria esses mesmos bens de consumo.

Aiii meus sais..Quanto mais pesquiso para escrever esse texto, mais maravilhada eu fico. Minha vontade é de escrever e contar outras historinhas que aconteceram há exatos 60 anos em plena Guerra Fria . Mas acho que já está de bom tamanho, né? Caso alguém queira se aprofundar no assunto, coloquei alguns links no final do texto.

Contudo , para terminar PRECISO ainda contar uma curiosidade sobre o evento.

Modelos magérrimas. Bonito para uns, miséria para outros.

As mulheres soviéticas assistiam aos elaborados desfiles de moda admiradas. Mas além das roupas, claro, o que mais impressionou as soviéticas foi a magreza das modelos americanas. Elas estavam penalizadas por perceber que se passava fome na América do Norte.

Leia também:

Onde estão as mulheres na Tecnologia?

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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A Lua Santinho! A Lua!

Dominique - SantinhoSemana comemorativa dos 50 anos do homem nA Lua.

Domingo.

Aquele não seria um domingo diferente na casa de Celinha e Vitor.

Missa, almoço na casa dos pais. Uma passadinha na confeitaria para aquela extravagância que só o domingo permitia. E a caminhada  de volta para casa.

Casadinhos de novo, todo dinheiro poupado era bem-vindo afinal queriam sair do aluguel, pensavam em aumentar a família e assim por diante…

Vitor tinha grandes perspectivas na agência do banco em que começou trabalhar aos 14 anos. Quem sabe até conseguisse fazer faculdade à noite no ano seguinte.

Celinha trabalhava como recepcionista em um consultório médico.

Tinha certeza que o investimento que estava fazendo no curso de datilografia seria seu grande diferencial para promoções e quem sabe, eventualmente, secretariar algum executivo.

Estavam quase conseguindo comprar uma TV. Mas a geladeira, com certeza foi prioridade. O telefone teria que esperar muiiito. Viveriam por um bom tempo dos recados dos generosos vizinhos, Seu Manoel e Dona Veridiana.

Chegaram em casa. Ligaram o rádio. Aquela noite a TV faria muita falta. Era o tão esperado dia em que o homem pisaria na Lua.

Não se falava em outra coisa. Muitos não acreditavam.

Será mesmo que era tudo armação?

Será mesmo que o homem conseguiu chegar até lá?

Bom, o negócio era ligar o rádio. E tentar imaginar tudo.

Celinha começa a preparar com carinho as marmitas do dia seguinte e a separar a roupa de Vitor. Afinal, ele deveria ser o mais bem arrumado do banco.

Ela fazia questão. Tinha que ser a esposa mais esmerada. Quando toca a campainha.

Era Santiago, filho dos generosos vizinhos, Seu Manoel e Dona Veridiana.

– Boa noite, Vitor, vim convidar vocês para assistirem o pouso da Apollo 11 lá em casa.

– Ahhh, Obrigada Santinho – este era seu apelido, apesar de ser um rapaz de 20 e poucos anos com mais de 1m80 – Mas vai ser tarde. Não queremos incomodar seus pais.

– Minha mãe quem teve a ideia. Este pode ser o evento mais importante do século, Vitor. Você sabia que é a primeira vez que o mundo inteirinho vai ver algo acontecendo ao mesmo tempo? Não é tremendo? Vamos lá, Celinha?

– Ahhh, Vitinho, por favor… Vamos! Amanhã todas as meninas estarão falando sobre isso no trabalho.

– Tá bom… Mas, Celinha, pega aquele milho.

Chegaram à casa de seus vizinhos que já estavam no sofá com a TV ligada, bacias de mandiopã espalhadas pela mesinha e uma jarra de suco de uva.

Receberam os jovens vizinhos com afetuosos sorrisos e todos se acomodaram para o grande acontecimento.

Mas a verdade é que a coisa demorou.

E nada da águia pousar.

A coisa já estava ficando chata.

Celinha não tinha muita paciência para estas esperas e já estava preocupada com o horário. Tinha que acordar cedo. Cedíssimo!

Então, resolveu se mexer pra ver se o tempo passava mais rápido. Foi para a cozinha lavar a louça tentando poupar a anfitriã de um trabalho futuro.

Distraída, olhando para a escuridão que a janela a sua frente proporcionava, com o som da TV ao fundo, levou um susto quando uma pessoa de repente, apoiou-se do lado de fora na mureta da janela.

-Affff, Santinho, que susto! O que você esta fazendo aí?

– Cansei de ficar lá dentro e vim te ver. Você e a Lua. Por que ver pela TV quando posso ver ao vivo? Justo hoje que tenho a oportunidade de te ver de pertinho, vou ficar longe?

– Meninooooo. Tome tento!

– Ahhh, vá dizer que não percebe que fico pendurado deste lado olhando você no seu quintal limpando suas janelas?

– Santinho, volta pra sala…

– Você é uma uva, Celinha. – E ele saiu da janela do mesmo jeito que entrou.

Celinha volta para sala rubra.

Claro que via aquele moço – que não era nem tão moço assim, afinal os dois tinham 23 anos – secando cada movimento seu do outro lado do muro baixo que dividia suas casas.

Claro que se sentia envaidecida por despertar estes olhares.

Claro que talvez até inconscientemente provocava o menino com movimentos mais demorados que o necessário ou com botões de blusas acidentalmente desabotoados. Mas jamais imaginou que ele poderia falar daquele jeito com ela. Era uma coisa inocente em sua cabecinha.

Bom… Sentadinha ao lado do maridão tentou se concentrar no que o speaker falava, nas imagens e também nos palpites do Seu Manoel.

Tentou puxar assuntos com Dona Veridiana, mas esta já cochilava e não estava muito presente.

Santinho sentado de frente para Celinha, ignorava solenemente o conteúdo televisivo.

Olhava descaradamente para ela. Para suas pernas!

Tamanho foi o constrangimento e desconforto de Celinha que se levantou e perguntou se alguém queria algo já que dona Veridiana descansava um pouquinho.

– Ô meu amor… Que tal mais um belisquete? Será que dá para estourar aquela pipoquinha?

– Claro…

Na cozinha, agachada, procurando uma panela apropriada embaixo da pia, quase berrou quando sentiu uma mão em seu ombro.

– O que você esta fazendo?

– Vim ver se você precisava de ajuda.

– Não. Não preciso – disse Celinha levantando-se de um salto.

Panela no fogo. Óleo quente. Milho na panela. E o delicioso barulho do estourar dos grãos de milhos. Um. Dois. Cinco. De repente aquele barulho de muitos e muitos ao mesmo tempo. E foi justo neste momento que Santinho abraçou Celinha por trás e beijou-lhe a nuca. Cochichando em seu ouvido algo que a fez corar e quase desfalecer.

Desvencilhou-se dele com certa agressividade.

Virou-se para ele. Olhou demoradamente e profundamente dentro de seus olhos e falou quase que gritando:

– Preciso de uma tigela para pipoca!

Entrou na sala, quase que jogando a tigela de pipoca para Vitor e avisando.

– Não vou aguentar ver até o final. Estou morrendo de sono… Vou pra casa dormir. Fica aí você, amor.

– Mas meu bem… Falta pouco agora.

– Não precisa ir comigo. Moramos aqui do lado. Fica querido. Assiste até o fim. Eu é que não estou me aguentando em pé. Boa noite, gente!

E saiu daquela casa como se estivesse saindo de uma casa em chamas. Correu.

Enquanto isso, a pipoca era devorada e a ansiedade crescia à medida que a nave se aproximava de seu destino.

Por algum motivo macabro, os locutores começaram a lembrar do acidente que matou 3 astronautas do programa 2 anos antes. Isso só fez foi aumentar a tensão de todos…

E começa uma estranha contagem regressiva feita por um dos astronautas. Até que todos escutam…

And the eagle has landed.

Junto com estas palavras ecoaram nas ruas urros, berros de felicidade e de comemoração.

O que ninguém reparou é que um destes gritos, que se misturou aos outros, foi de extremo gozo e prazer.

Assim como ninguém reparou em Santinho entrando em casa pela porta dos fundos, enquanto Vitor se preparava para ir dormir com sua Celinha.

Quem diria que essa história sobre o primeiro homem na lua iria acabar assim? Esse Santinho. E sempre A Lua como bom cenário.

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Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Semana dos 50 anos do homem na Lua

Você comeu Mandiopã?
Você tomou Fanta Laranja?
Dormiu de touca para ficar com cabelo liso e acordou para virar?
Usou calça boca de sino?
Então você foi uma das felizardas que assistiu o homem chegando a lua há exatos 50 anos.

Uiaaaa. Isso realmente deve ter sido o maior feito do homem.
E da mulher.
Sim querida, porque foram muitas de nós envolvidas no processo.
E não só como esposas.
Lembro direitinho onde estava dia 20 de julho de 1969 assistindo ao grande feito.

Estava em frente a uma TV branco e preto, deitada no chão da sala com meu irmão ao meu lado. Meu pais provavelmente estavam no sofá, mas só lembro de meu irmão. Será que tínhamos ideia da magnitude do que acontecia ou era apenas um deslumbramento infantil com mais uma história de super heróis e viagens espaciais completamente normais e possíveis em nossos universos?

Muitas histórias rolaram em torno deste acontecimento.
Esta semana vou tentar falar sobre a Lua, seus visitantes, seus observadores, seus encantos.
E vamos combinar que a vida da gente nunca mais foi a mesma depois disso.
Ex: ovinho frito na Teflon.
Vou começar com este vídeo que conta toooooda a historinha de como foi que o homem pisou na lua pela primeira vez.

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O áudio original de Neil Armstrong falando – Foi um pequeno…

Texto publicado originalmente dia 16 de julho de 2017

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Show da Barbra Streisand com Kris Kristofferson – Mais que sonho

Chegamos finalmente ao Hyde Park para o show da Barbra Streisand depois daquela viagem épica que contei aqui. Tudo muito organizado, nem pareciam ser quase 70.000 pessoas.

Pulseirinha British Summer Time

Colocaram-nos pulseirinhas como nas baladas. Moderninho.

Público show da Barbra

Os maridos  perguntaram qual o número de nossas cadeiras e se eventualmente sentaríamos todos juntos. Dedé e eu ficamos mudas e fomos caminhando para o gramado. Passamos por pessoas sentadas em mantas espalhadas pelo chão, num delicioso piquenique gigante. Foi aí que contamos que não haveria cadeira e que portanto pelas próximas 4 horas ficaríamos em pé.

Naquele momento senti que corria risco de perder senão um marido toda minha credibilidade conquistada ao longo de 32 anos de casamento.

Dear Mrs Streisand, capriche!! Tudo isso precisa valer a pena.

Bryan Ferry no esquenta de BS

Depois de uma hora  começa o esquenta com nada menos que Bryan Ferry. Eita coroa em forma viu? O cara tá com 73 anos e gato. Charmoso pra burro. Cantando as mesmas músicas de sempre, mas que conhecemos e  respeitamos. Aliás ele é um senhor a se respeitar a história apesar de ter se casado com a namorada do filho. Ou até mesmo por isso. Quem sou eu para julgar, né? O que me interessa nele é seu talento para minha paixão. A musica.

E ele cumpriu sua missão. Esquentou mesmo o público.

Pelo menos eu esquentei. Dancei, cantei, balancei bracinhos, fiz amizade com as pessoas do meu lado. Entrei no clima.

Gravei uns videozinhos que entretanto ficaram muiiiito ruins. Como não tenho o menor senso do ridículo vou publicar a maioria deles. Mas no final do texto, publicarei a setlist do show com vídeos bem melhores que outras pessoas gravaram.

Agora, o que é a dispersão, não é mesmo?

Parei de escrever um pouquinho para fuçar a história do casamento B. Ferry com a ex do filho e acabei sabendo até o que aconteceu com os pais da terceira mulher que se suicidou depois que casou com o dono da boate inglesa do século passado. Em resumo fiquei quase duas horas navegando para coisa nenhuma! Ai que raiva!!

Mas voltando.

Sai Ferry. Entra a orquestra ou banda, sei lá. Era um monte de gente e um monte de instrumentos.

Eles tocam um pout pourri que prenuncia o que vem para frente certamente muito animador.

E entra Barbra. A simples presença dela já causa arrepios e não só em mim. Foi uma comoção geral.

Ela  usa um kaftan rosa, mas bem rosa, estampado com mangas amplas, da estilista Zandra Rhodes . Como sei?

Num determinado momento do show, ela deu créditos aquela senhora baixinha de cabelos pink com uma roupa super pink que estava em pé ao meu lado. Yess…A tal Zandra Rhodes estava do nosso lado e só percebemos quando todo mundo virou para olhá-la.

Um detalhe sobre a roupa de Barbra: Um Kaftan solto, bacanérrimo, mas solto. Inegavelmente o tempo passa para tooooodas nós , capicce?

BS and a teacup
Barbra e sua xícara de chá

Começa um delicioso bate papo tão descontraído que me senti na sala de visitas da artista embora estivesse de pé (lembra?) . Ela contudo, senta-se junto a um bule e uma xícara de chá e começa a falar de sua vida carreira e músicas.

De cara conta que o motorista que a levou do aeroporto ao hotel, perguntou-lhe se ela iria a Pride Parade. E ela respondeu:

– Por que iria? Vou encontrar todo mundo no dia seguinte no meu show no Hyde Park.

E foi verdade.

Vou abrir um parênteses aqui para falar do público. Não é vantagem nenhuma mas acho que a Dedé e eu éramos das mais novas de lá. Nem por isso as mais animadas.

Muita muita muita gente na casa dos 60/70 anos. Muitos casais heteros, gays e afins. O arco-íris inteirinho estava lá representado por uma geração que viveu Woodstock e por outra que foi a discotecas .

Muita gente chorando a cada música, a cada história.

Obviamente existe além de tudo uma memória afetiva que Barbra Streisand nos traz em  suas músicas ou principalmente em sua voz.

Vê-la e ouví-la é um daqueles privilégios que não há como agradecer ou retribuir ao universo.

Não sei se pareço uma tolinha deslumbrada, mas me sinto impelida a dividir essa experiência. Deslumbrada estou mesmo. Na verdade embevecida.

Ela contou que o último show que fez em um parque tinha sido em 1967!! Isso mesmo, há 53 anos no Central Park.  Mas que felicidade ela ter topado o cantar novamente num parque, desta vez para 66.000 pessoas.

Tudo isso entremeado com historia de sua carreira, fotos no telão, e muita música.

Ela então começa a falar de Nasce uma Estrela. Ahh como eu me lembro deste filme. Assisti naquele cinema da Paulista, acho que era o Gazeta, sentada na escada do cinema que naquela época não tinha lotação máxima. Me debulhei em lágrimas, na primeira vez, e em todas as outras sessões a que fui.

Ela começa a falar de Kris Kristofferson. De seu parceiro.

Ela e o diretor estavam a procura do ator para o papel, ator/cantor. Não fizeram um casting propriamente dito. Foram a bares se não me engano pela Califórnia.

Young KK

Mas quando ela viu Kris cantando num palco improvisado teve a certeza que era ele.

Aquele homem rústico de vozeirão DESCALÇO no palco. O que a pegou foi justamente o fato de ele estar descalço com o violão em punho.

Muitos suspiros, e mais ainda quando ela o chama e ele entra no palco, Bonitão, muito bonitão.

BS e KK

Barbra, de mãos dadas com Kris, diz que se arrepende muito de ter cortado uma cena do filme, e Tcharan! A cena aparece no telão! Gente, uma cena inédita de nasce uma estrela. Mas por uma falha técnica, o áudio estava totalmente fora de sync e ficou incompreensível. Falha imperdoável da produção de uma Diva.

Entretanto, justamente por ser uma verdadeira diva, usou o bom humor para lidar com a situação. Veja aqui nesse vídeo que gravei da tal cena.
Cena do filme Nasce uma Estrela que Barbra Streisand arrepende-se de ter cortado.

Depois disso, convidou Kris a cantar com ela Lost Inside of You. Esta foi a parte triste do show. 

Aquele monumento que povoou sonhos de minha adolescência, não conseguia cantar. Balbuciava as palavras. Provavelmente lhe faltou voz e memória e talvez tenha sobrado emoção. Não sei. Mas o público ficou penalizado evidentemente.

Kris Kristofferson e Barbra – A gravação é minha novamente..afffff

Barbra foi amiga, cantando, a sua parte e a dele. Encurtou a música, abraçou e beijou Kris e quando ele saiu, ela falou:

-Oh My God. What a man. E aqueles dentes? Vocês já viram homem com sorriso assim?

E dessa maneira voltou a nos alegrar.

Bem, Barbra fez questão de mostrar fotos de sua noite de estreia de Funny Girl em Londres, com a Princesa Margareth indo aos backstage. Foi ovacionada. Assim como quando apareceu sua foto com a Rainha Elizabeth.

Depois mostrou fotos dela em outros momentos com a princesa Diana . Impressionante a força que Lady Di ainda tem. O público veio a loucura.

Não sei se propositalmente ou não, na sequências vieram uma ou duas fotos dela com o príncipe Charles, e a frieza era de congelar. Tenho cá pra mim que o inglês não é lá muito fã desse príncipe. Mas eu sou apenas uma brasileirinha que não entende nada de realeza.

Num determinado momento ela chama alguém, que realmente acho que nunca vi quer mais gordo quer mais magro. Um cara bonitão num smoking, e deslumbradamente encantado de estar ali.

Talvez você o conheça já que é o ator/cantor de Fantasma da Ópera, Miss Saygon e sei lá mais o que.

Ele se chama Ramin Karimloo.

Ela perguntou:

– Mas você está de smoking. Por que? Por que veio tão chique?

– Porque você é Barbra Streisand.

Ai gente, essa resposta me pegou. Achei tão bonitinha!!

E ela disse que ele segurasse a plateia que ela ia se trocar.

Ele cantou. E cantou bonito.

Aí volta nossa Diva num vestido preto de tafetá. Amplo e decotado. Longo, porém curto na frente. Siiimmmm, ela com 77 anos tem perna para vestido curto.

Avisa que nunca cantou ou sequer ensaiou com aquela roupa, e que Deus a ajude.

Realmente a roupa não se comportou muito bem, pois ficava o tempo todo mais curta do que deveria. Porém quando ela sentava, e fechava as mangas como a um xale, deixando apenas uma das pernas cruzadas a mostra era arrasador.

E aí, cantaram juntos. Foi a vez do fã ser generoso com o ídolo.

Ramin diminuiu e muito seu canto para que a voz de La Streisand soasse grande. Generoso e muito legal, pois todos percebemos que naturalmente sua voz e seus agudos estão impressionantemente belos para uma mulher de 77 anos, assim como suas pernas.

E da-lhe música.

E da-lhe história

E dá-lhe surpresa. Talvez a maior da noite.

Ninguém sabia, nem mesmo boa parte da produção. Mas Lionel Richie,  deu uma canja. Yesss. Não sou fã dele, mas não foi ruim vê-lo ao vivo. Nada nada.

Lionel Ritchie e Barbra Streisand na surpresinha da noite – Memories.

E foi por aí. Genteeee, já tava dando quase 4 horas que eu estava em pé. Ok..Ok..é um preço pequeno a se pagar, mas a limitação é física.

Fiquei olhando as amigas de Jane Joplin e me perguntando se elas beberam uma água diferente da minha durante o show. Estavam todas inteiras e lépidas.

Verdade seja dita, quando Barbra Streisand falou que Antonio Banderas estava por ali cheguei a ficar animadinha e até passei discretamente meu batom. Ahhhhh como sou bobinha.

Bem, ainda tinha muita história pra contar do Show da Barbra, mas não sei se você está tão interessada assim.

Saímos em êxtase do parque. Nem ligamos quando percebemos que teríamos que andar uns 6 km as 22h30 até nosso hotel pois não havia qualquer tipo de condução disponível naquela hora para acomodar 66.000 fãs.

No entanto, houve ainda um momento tenso! Foi quando a Dedé percebeu que não tinha nada aberto prum lanchinho. Ahhhh…Dormir com fome não estava nos planos né?

Barbra Streisand – Todas as músicas que cantou no show. Aqui em vídeos que outros fãs gravaram, aliás muito melhor que eu.

Leia também: Show da Barbra – Como cheguei até lá

Astor Piazzolla – o Show que faltou

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Comentar o quê? Faltam palavras. Só agradecer o presente esta manhã. Obrigado pela linda estória contada.

  2. Gente… foi mesmo incrível! Valeu todo esforço físico, valeu cada centavo pago, momentos que vamos guardar no coração pra sempre!
    Um evento muito Dominique não só considerando a faixa etária mas a wibe do público em total sintonia com a dela. Todos cheios das mais deliciosas “memories “, cheios de vontade de curtir e se entregar à emoção das músicas, das estórias contadas, das sacadas bem feitas…as 4 horas voaram, sério. E o que achei mais legal é que nós demos pra ela tanto prazer quanto recebemos dela. Foi uma troca. Artista e público. Foi demais.
    FinalizAMOS cantando todos juntos:
    ”People who need people…are the luckiest in the world..”. Não podia ser melhor.
    Isso é muito Dominique ❤️Já sdds Lili bjsss

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