Tag: Divórcio

História do dia: Adoro me casar por Lila Leal

Dominique - Adoro me casar
Eu adoro me casar.
Mas antes de escutar a minha história, por favor, não me julguem.
Eu não sou fútil. Também não desisto rápido das coisas.
Dizem que a nova geração, quando a barra aperta, dá o fora rapidamente. Falam que eles não sabem lidar com as frustrações.
Esta também não sou eu.
Nasci em 1970, por isso faço parte da turma que cresceu sem muita expectativa e com muitos problemas econômicos.

Mas vou voltar pra minha história do porquê eu adoro me casar.
Eu já me casei três vezes.
Nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo.
Quando subi ao altar pela primeira vez, era novinha e estava apaixonada.
Nunca acreditei na balela do “ser feliz para sempre”.
Sempre soube que teria dificuldades, problemas sérios, mas que juntos daria pra enfrentar.

Aliás, escutei sobre isso naquele cursinho de noivos, que é obrigatório para quem quer se casar na igreja.
Numa das palestras, um casal começou falando assim:
– Se é difícil casar, é mais difícil ainda se separar.
E foram uns 30 minutos de conversa só sobre problemas de casamento. Dá pra imaginar?

Eu não acho que o segredo para o sucesso esteja em enfrentar os problemas.
No meu caso, o motivo que levou à separação foi outro.
Foi a constatação de que casamos novos, tentamos seguir juntos, mas no nosso processo de amadurecimento tomamos caminhos diferentes.
Quando você conhece uma pessoa muito jovem, você tem uma referência dela.
Quando chegamos aos 30, já éramos outras pessoas. Diferentes, muito diferentes.

Sabem as diferenças irreconciliáveis?
Existem várias delas, das mais simples às mais complexas.
Vão desde diferenças com a divisão das tarefas em casa até na educação dos filhos.
Não tive filhos. Meus problemas giravam sobre expectativa de futuro, hábitos pessoais, amizades, família e problemas financeiros.

Eu demorei um bom tempo para me dar conta disso.
Enfrentei aquelas 5 fases do Luto.
Sim! Porque a dor de se separar é igualzinha à dor do luto!
Primeiro foi a negação. Tentei de todo o jeito não enfrentar o problema.
Segundo foi a raiva. Eu me revoltei, me senti injustiçada.
Terceiro foi negociação. Pensei que se mudasse algumas coisas poderia resolver tudo.
Quarto foi a depressão. Eu me isolei, culpei o mundo e me culpei muito também.
Até que chegou a aceitação.

Enfrentar uma separação é difícil.
Mas isso não é um problema.
Duas pessoas podem SIM amadurecer de formas diferentes e chegar à conclusão de que não querem mais viver juntas.
Na minha opinião, o maior problema está na pressão da sociedade sobre o casamento, no que as pessoas dizem:
– Mas vocês precisam tentar tudo.
– Mas a vida a dois é assim mesmo.

Eu tentei sim, tudo o que pude. Mas não acho que a vida de casada tenha de ser isso.
Eu não concordo que temos de aceitar estas diferenças se isso significa nos machucar, nos fazer sofrer.
A decisão de separar foi minha, difícil de tomar, mas nunca me arrependi de ter tido esta atitude.

Passei uns bons anos solteira.
Achava que já estava descolada no assunto.
Que eu não cometeria os mesmos erros (e acertos).
Ledo engano, né?

Tudo foi muito mais simples. Nós dois já éramos mais velhos.
A fase dos 30 e poucos anos deixa mais claro todas as diferenças.
Eu sabia exatamente como o segundo ex era, o que iria viver.
Mas nesta experiência acabou o amor.
Como prever algo assim?
Fiquei muito tempo sem conseguir entender (ou me entender).

Falaram que existe a diferença da paixão e do amor. Blá, blá, blá…
Escutei muito, de novo.
Mas a verdade é que separar é sofrer muito.
Eu não entrei num segundo casamento pra enfrentar a mesma barra que tinha vivido alguns anos antes.
Mas não deu, mesmo.

Fiquei um tempão sozinha.
Sai com amigos, montei um apartamento superlegal.
Viajei bastante também.
Foi um período gostoso.
Não tive muitos namorados.
Na verdade, nem queria me envolver com ninguém.

Até que chegou o dia em que conheci alguém e me envolvi rapidamente.
Foi uma delícia. Sempre foi muito bom conversar, ficar juntos, viajar.
Anos depois resolvemos morar juntos.
Passaram-se outros anos e nos casamos.
Teve festa e tudo o mais.

Se temos problemas? Muitos, mesmo.
Já teve dia que fomos conversar num terapeuta de casal.
Sabe que dá certo!
Lembra aquelas diferenças que falei? Desta vez elas não existem.
Eu revejo todos os dias minha história neste terceiro casamento.
E sei que estamos no mesmo caminho.
Também tenho certeza que sobra carinho e amor.

No início eu brinquei que adoro me casar.
Não é que eu leve este assunto na brincadeira, não.
Hoje, depois de tudo o que eu já vivi, posso falar que gostei de casar. porque me permitiu viver e descobrir muitas coisas. Sobre o mundo e sobre mim mesma.
Se eu cresci e amadureci foi muito por estas experiências.
 Hoje, sei lutar pelo que quero e gosto. Eu sei mais claramente o que espero da vida. Sei comunicar isso e tudo mais claramente também para não ter ou tentar não ter problemas.

Emocionante a história da Lila não é mesmo? Casar e muito sério, devemos escolher bem com quem escolhemos dividir a vida.

Leia Mais:

Meu corpo mudou, depois dos 50 meu corpo nunca mais foi o mesmo
Estilistas, atenção – Dominiques também consomem!

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

2 Comentários
  1. Muito boa tds as colocações,e ainda bem.q.vc as resolveu logo, difícil qdo isso n acontece e se.arrasta p uma vida,felicidades no.novo casamento!!!

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Tempo de Travessia – Planejar para momentos críticos

Banner_tempo de travessaAh! Como é difícil encarar os momentos críticos!

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

Fernando Teixeira de Andrade.

Muitas vezes, temos a impressão de que a vida esta lenta, que nada acontece, que vivemos numa rotina sem fim. Na verdade, todos os dias estamos caminhando, todos os dias, construímos nosso caminho, caminhando.

Aprendemos a caminhar, caminhando…

Em certas circuntâncias, só sentimos a vida acontecer, em momentos de transição, etapas da vida em que é necessário deixar para traz as roupas que já tem a forma de nosso corpo, para seguir em frente.

Deixar pessoas, objetos, perfumes, caminhos conhecidos para trás e se jogar no novo. Ai como dói! Em algumas situações não, não é mesmo? Tem mudanças que nunca imaginamos que aconteceriam em nossa vida e mudam tudo para muito melhor, certo?

Esses minutos terríveis, que mudam tudo e sacodem a vida da gente, chamamos de momentos críticos. Originalmente a medicina nomeou de “crítico” aquele espaço mínimo de tempo onde o paciente melhora ou morre. Vou usar aqui o termo de forma menos dramática, mas tão intensa quanto. Já já, vamos ver exemplos pra lá de “sacolejantes”.

Em fases de transição, a vida chacoalha a gente, obriga a tomada de decisão. Para na nossa frente e diz: ou dá ou desce! Nessa hora, é preciso atitude, raça, postura, desprendimento, plano “B” e Planejamento!

Ah! Garota! Pensou que eu não fosse falar de planejamento só porque acordei cheia de poesia? Boba, nasci com esse chip… vou sempre dar um jeito de falar.

Tem uma coisa no mundo que economistas e psicólogos apesar de enxergar de maneira bastante diferente (ao meu ver) deram o mesmo nome, é o tal de ciclo de vida, ou ciclo vital familiar.

Os dois mostram pontos nodais, pontos cruciais da caminhada da maioria das pessoas, onde por vontade, necessidade ou na marra, nossa vida muda.

Vou dar alguns exemplos destes momentos críticos: nascimento, casamento, nascimento dos filhos, adolescência dos filhos, filhos casando, aposentadoria, envelhecimento e morte, entre outros pontos críticos. Você tem alguma dúvida de quanto a vida muda nesses pontos?

Vamos combinar: por mais que a gente um dia tenha desejado casar ou ter filhos, ninguém passa por essa fase na paz… A gente pira, fica ansioso, gasta dinheiro a rodo! Muda tudo! Muda de casa, muda de corpo, muda de nome, muda de caminho, muda o nosso jeito de gastar dinheiro, mudam nossas prioridades, bagunça tudo por mais que seja lindo!

Um momento crítico não implica em ser um momento ruim! Implica em um rompimento, deixamos por exemplo a vida de solteiro para a viver a vida de casado, dormimos mulher e acordamos a mãe de alguém, a namorada de alguém, a vó de alguém, a sogra de alguém, a ex funcionaria da empresa X, a ex dona da casa, a dona da casa nova…

Só depois que a gente passa dessa pelas mudanças é que se tem coragem (e tempo) para olhar para trás e tirar as próprias conclusões. Atravessar, implica em transformar e mudar para a maioria de nós mortais, não é uma coisa exatamente fácil.

Respira! Sobrevivemos até aqui? Lindas? Cheias de histórias para contar? Então tá!

Se tem uma coisa que acredito que tantos psicólogos quanto economistas não terão duvidas é que passar por essas fases de transição, os momentos críticos, com uma reserva financeira é mais fácil.

Sim meninas, querendo ou não, o dinheiro nos dará maior tranquilidade para cuidar do que já construímos até aqui, ou nos dará mais fôlego para se manter firme na transição (de carreira por exemplo), nos dará a liberdade para viajar quando a cabeça estiver pegando fogo, ou simplesmente para poder ajudar o filho que está indo viver em outro país.

Em nossa caminhada, aprenderemos que não vale a pena carregar tanto peso, as coisas têm valor pelas histórias que contam, não precisamos acumular cada bibelô, ou presente que ganhamos, precisamos guardar a emoção que sentimos quando os recebemos.

Precisamos ter desprendimento para doar o primeiro brinquedinho do nosso filho ou aquela mesa que só de pensar em mudar de lugar novamente já fica com as pernas bambas…

Perder um emprego, não precisa ser assustador, pode ser libertador. A hora de se aposentar, pode ser muito mais que uma despedida, deve ser comemorada, pra isso temos que ter um dinheiro guardado, seja para manter as contas em dia, seja para nos adaptarmos ao nosso novo cotidiano.

É preciso aceitar com serenidade algumas mudanças. É preciso dar adeus aos filhos que crescem, dar boas-vindas ao emprego novo, ter gratidão pela casa enorme que acolheu tantos momentos mágicos e entrar com o pé direito na vida nova, com a leveza de quem só leva o que é essencial.

Ter um tempo pra si onde se demande menos despesas, compromissos e sobre mais tempo e grana para se fazer o que não se tinha tempo de fazer antes, para pisar em outras areias, sentir outros odores, conhecer outros amores, fazer novos melhores amigos.

Planeje-se financeiramente e cuide-se emocionalmente para que essas travessias aconteçam da maneira mais tranquila quanto o possível.

Estava com saudades, mudei de casa, mais uma transição… só agora tive tempo e coragem de compartilhar essas emoções e de aparecer por aqui

Beijões,

Até a próxima! Paula Sauer

 

Leia mais:

Dominiques, abaixo a infelicidade e que venha a maspassa…a temida menopausa.

Como é chato conviver com um chato – A pior espécie de mala sem alça.

Paula Sauer
Paula Sauer

Economista carioca, que trabalhou por 17 anos em uma instituição financeira, se apaixonou por psicologia econômica e não parou mais, lidar com o comportamento das pessoas em relação ao dinheiro para ela é muito mais do que falar de planilhas e juros, é falar de sonhos, medos e mudanças de hábitos. Paula que também é planejadora financeira não guarda o que estuda só para si, escreve em jornais, blogs e revistas de grande circulação no país. Com mestrado em finanças comportamentais, se realiza em sala de aula, onde aprende e se diverte muito com os alunos.

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Infarto na hora H – Curiosidade tem limite, falta de juízo não!

Dominique - Infarto
Tenho uma amiga, muito, mas muito querida, que se meteu numa encrenca monstro por pura falta de experiência, ingenuidade e um tico de Alice no País das Maravilhas.

Casada por 25 anos com o mesmo homem, primeiro e único. Infelizmente, uma série de mal entendidos e infortúnios ao longo dos últimos 5 anos, levou o casal a pedir o divórcio.

O impacto da solidão a assombrou. Preferia ficar num casamento já destruído a enfrentar a vida sozinha. O terror de se ver só fez com que o juízo que lhe restava escoasse pelo ralo.

No afã de encontrar um companheiro, parceiro, namorado ou algo do gênero, cadastrou-se em um destes aplicativos de relacionamento. Isso há 12 anos, quando não se falava muito sobre encontros através da internet.

Entra no aplicativo, preenche o perfil tomada por um medo surreal, mas sincera em todas as respostas. Absolutamente franca, aberta, clara, até demais da conta.

Sem noção, marca um encontro com um cara, aparentemente bonitão, que morava no interior. Graças ao bom e santo Deus foi num shopping de São Paulo o que na história não refrescou muito.

O furor uterino era tanto que, sem mais delongas, topou ir a um motel. Aquela vontade insana, ovários em polvorosa, adormecidos há anos, não permitiram nenhum traço de bom senso.

Sem julgamento ou rótulos, OK? Quem nunca entrou numa fria por falta de juízo? Pode até não ter sido neste tema, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra, não é não?

Bem, chegam no motel que ela não ia há anos, o ambiente convidativo, uma bebidinha, anos na seca, começa o rala e rola. O que acontece? Não, não é o que você imagina! O infeliz sofre um infarto! Isso mesmo, ataque do coração antes de consumar o ato…se ainda tivesse sido depois, vá lá que seja!

Ela abre a carteira do dito cujo, não tem carteirinha de convênio, nem cartão de débito, nem de crédito e apenas uma cédula de R$ 50,00. Ops, pega o celular dele, afinal tem que chamar alguém da família. Aparelho travado.

Um corre-corre danado, ela em desespero, chama ambulância e leva para onde? O pai dela havia falecido há cerca de 10 anos e ela conhecia bem o Hospital Santa Cruz, relativamente perto de onde estavam.

Entra a ambulância fazendo o maior alvoroço no estabelecimento do prazer – deve ter atrapalhado a performance de vários casais – temos que convir que é algo inusitado uma sirene dentro de um motel.

Ela vai com o cara para o hospital. Infarto, cateterismo, angioplastia, UTI. Quando enfim conseguiu ver o acamado, descobre que ele não tem família, não tem dinheiro, nem lenço, nem documento.

Dias depois, ao receber alta, o médico chama minha amiga, a “suposta” esposa e dá orientações bem claras. Ele não pode viajar por quinze dias. Repouso absoluto. Como assim? Aonde fica? Na casa dela com os filhos adolescentes, claro! Até hoje não consegui concatenar as ideias e entender o que ela explicou aos pimpolhos.

Pois é. Levou a criatura para casa que ficou durante uma longa e interminável quinzena. Ele se recuperando deitado em sua cama de casal e ela no sofá da sala. Ele com direito a café da manhã, almoço e jantar.

Se a história já é um capítulo à parte no conto dos absurdos, resta uma questão de extrema importância: se o ser humano não tinha convênio, não tinha dinheiro, nem cartões de crédito, quem pagou a conta do hospital? Quem quase teve um infarto fui eu quando ela revela o ápice da surrealidade, seu ex-marido bancou as despesas hospitalares!

O infartado jurou que iria devolver o dinheiro. Faz 12 anos, 4 meses e 28 dias.

Infarto no motel? É o cúmulo do azar, concorda?

Leia mais:

Churchill: as 96 horas que antecedem o importante “Dia D”
O dia em que percebi o primeiro último dia da minha vida

Marot Gandolfi
Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

2 Comentários
  1. Não sei se é um conto. Mas é uma situação muito plausível e fácil de acontecer, não com um desfecho tão dramático e inusitado! Todo cuidado é pouco!

  2. Ótima história é ótimo texto Marot!!! Proponho uma campanha de Dominiques para irmos atrás dele!!!

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Ao procurar um novo amor, é preciso paquerar-se também!

Dominique - Novo
O divórcio já não tem o estigma que tinha antigamente, já não representa algo vergonhoso e que se evita. Faz parte da vida, como uma escolha das pessoas de prosseguirem a vida sem estarem mais juntas. Isso é legítimo e nobre! E procurar um novo amor faz parte deste recomeço.

Segundo o IBGE, o número de divórcios em que pelo menos um dos cônjuges tem mais de 50 anos, quase dobrou desde 1990. Tais dados se referem aos divórcios oficiais, sem incluir as separações informais.

A vida passa a ter uma nova configuração, novas rotinas, novos horários, quando o casamento ao qual se investiu energia e afeto (e paciência também!) termina, e nesse momento, a mulher vive uma nova fase. Um espaço afetivo pode se abrir com o término emocional, o fechamento interno da relação que ocorre em tempo diferente do término oficializado juridicamente.

Mulheres que se separam nessa fase da vida podem querer reconstruir suas vidas afetivas. Os cinquenta anos presenteiam as mulheres com mudanças corporais e hormonais intensas. Algumas mais cedo, outras mais tarde, mas todas se deparam com a necessidade de estabelecer um relacionamento com a maturidade, adaptando sua identidade ao novo estilo de vida quando se separam.

Atualmente, muitas mulheres na faixa dos 50 anos querem namorar, encontrar um parceiro(a) interessante, se divertir… São seres desejantes, com subjetividade, experiência, sonhos, sentimentos e sensualidade transbordantes. E desejam explorar sua sexualidade também.

Isso me lembra o filme “Simplesmente Complicado”, estrelado por Meryl Streep e Alec Baldwin. O filme conta a história de uma casal separado há alguns anos e que em um determinado momento da vida voltam a viver algo especial, cheio de aventuras e diferente do que já viveram anteriormente. Mesmo duas pessoas que já se relacionaram podem se reconectar e descobrir algo a experimentar em uma nova fase.

Existe idade para o amor? Não existe. Mas acredito que essa resposta tenha um sentido bem pessoal. As possibilidades estão por aí, desde que haja o desejo e que a pessoa se permita viver um novo relacionamento, a qualquer idade.

Aos 50 anos, as pessoas podem ter se estabelecido profissionalmente ou vivido um grande amor, mas pode ser que não. Podem não ter a vida definida em diversas áreas e estejam buscando construir seus projetos. Não há vidas perfeitas. Todos nós temos dificuldades, traumas e situações mal resolvidas que fazem parte da nossa história (em maior ou menor grau e intensidade), os quais precisamos integrar e elaborar para seguir em frente, de forma a não se tornarem limitadores do nosso comportamento e das nossas metas.

A forma como nos vemos e como nos percebemos é símbolo da nossa autoestima (aquela velha conhecida, com quem nem sempre estamos de “bem”) e na confiança que sentimos e transmitimos. E quando a insegurança bate, os questionamentos aparecem…mas os desejos continuam vivos?

Quando nossos objetivos estão confusos ou estamos receosos, com medo, as inseguranças surgem. E tudo vira motivo para evitarmos o enfrentamento, não é? Quem nunca achou que o problema era das outras pessoas, do corpo, do ambiente, das situações? Explicações que encontramos para não nos implicarmos e não nos tornarmos protagonistas da nossa vida.

Perguntar-se se já é a hora de buscar um relacionamento é um começo! As inseguranças vão se suavizando, ao definirmos o que queremos. Como agir na hora da paquera ou onde ir? Vá para dentro de si! Esse realmente é o primeiro lugar bacana para se procurar o amor. O amor-próprio, acima de tudo.

As estratégias de paquera (que você nem lembra como são por estar “fora do mercado” há um tempo) surgem naturalmente junto à abertura interna que se dá ao novo e ao que se apresenta em nossa vida. Deixar fluir e confiar na própria espontaneidade, compreendendo os defeitos e qualidades próprios e do outro são atitudes que propiciam um encontro genuíno.

Nem todos os encontros levam a um namoro. Mas pessoas novas podem se tornar novos amigos(as) e apresentar outros novos amigos que podem se revelar grandes e novos amores.

Coragem, desejo e disposição são os ingredientes indispensáveis ao encontro e também ao novo amor!

Leia mais:

Cordeiro bonzinho? Lobo feroz? Qual teu tipo de homem?
Casados há 24 anos e ainda namoram? Conta outra, pelamor!

Alcione Aparecida Messa
Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

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Todo rompimento necessita de mudanças!

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Procurando um novo lar 

Separação ou divórcio nos remetem a grandes mudanças que vêm acompanhadas de momentos doloridos e difíceis. Dependendo da situação, envolve depressão e um período de luto.

Independente da maneira como ocorre o rompimento, após um tempo é preciso pensar em renovação. Acho que em geral as mulheres começam por mudanças no visual, apelando para um novo corte de cabelo e um “pulinho” ao shopping, aproveitando a perda de uns quilinhos por conta do sofrimento, para experimentar aquelas peças que não caiam tão bem, meses antes.

Mas voltando ao assunto desta a coluna: o que decoração tem a ver com separação? Muita coisa. Se permanecemos no mesmo endereço, ou se nos mudamos com mala e cuia, passado o furor da renovação no cabeleireiro e nas lojas, é importante renovarmos também o que nos cerca, para exorcizar o passado, para nos dar ânimo para um recomeço e enfatizar a mudança que planejamos para essa nova etapa da vida (sempre cuidando para não estourar o orçamento, pois isso seria arranjar problema e não solução).

Têm coisas MUITO IMPORTANTES a serem observadas quando estamos procurando por uma nova “toca”, principalmente se teremos que “lamber as feridas” e nos recuperar para uma vida solo (ao menos por um tempo). O novo endereço deve proporcionar um espaço ACOLHEDOR.

Esse conceito é muito subjetivo, mas uma coisa importante e que as pessoas nem sempre se dão conta é quanto à INSOLAÇÃO DO IMÓVEL. Se as janelas estiverem dispostas na fachada sul, não haverá sol entrando nesses cômodos.  A iluminação natural faz muita diferença: deixa o ambiente mais alegre e aconchegante, influenciando diretamente em nosso humor.

Também é importante observar se o espaço do apartamento irá comportar nossas vidas. Sempre temos alguns móveis de estimação que queremos levar junto, ou alguma atividade para a qual terá que ser previsto um espaço especifico. Em geral, apartamentos mais antigos são mais espaçosos do que apartamentos novos, mas em contrapartida, os novos têm revestimentos de banheiros e cozinhas que talvez não precisem de renovação.

Tenho uma amiga que está em processo de separação. Ela é que vai mudar de endereço. Ela tem dois pequenos apartamentos que lhe rendem aluguel. Outro dia ela me pediu para dar um pulo num dos apartamentos, o que estava sem inquilino, para lhe dar umas dicas de como decorá-lo, pois ela pensou em se mudar para lá. Eu a dissuadi do intento assim que entrei no apartamento. O espaço era mal planejado e nada acolhedor, além de ser todo voltado para a fachada sul (sem nem um raio de sol adentrando os ambientes). “Minha amiga, aluga esse apartamento para uma pessoa bem jovem, que tudo o que ela tenha para fazer aqui dentro é dormir. Se vieres para cá, tua separação dura 15 dias, após o que, voltas voando para o teu casamento, por pior que ele seja, pois vais te deprimir aqui dentro”.

Nem sempre é o tamanho do apartamento que define se o mesmo é adequado ou não, mas sim a sua planta (além da insolação) que, se bem planejada, irá possibilitar uma decoração com resultado prático e acolhedor: um pequeno terracinho é uma delícia, uma cozinha integrada com o living proporciona um espaço mais informal, uma iluminação artificial aconchegante e os toques de cores e peças simpáticas, que tenham a ver com a personalidade da nova moradora, irão ajudar a encarar essa nova etapa da vida. Dá trabalho procurar pelo lugar certo? Dá. Mas é melhor encarar essa tarefa do que se precipitar e depois se arrepender.

Dando uma personalidade ao novo lar

Depois de encontrado o “ninho” ideal, é partir para a cara que será dada a ele. A vantagem numa vida solo é a liberdade total para imprimir sua personalidade ao ambiente. Há várias tendências de estilo em decoração e é importante tomar tempo para descobrir qual o seu.

Algumas mulheres são pragmáticas, preferindo ambientes mais despojados e práticos, com um ar contemporâneo onde predominam as cores neutras, madeira natural e elementos de design. Esse é um estilo atemporal, que dificilmente cansa.

Outras mulheres são românticas e preferem um ambiente bem feminino e aconchegante, com cores em tons pastel. As audaciosas gostam de se cercar de cores fortes e harmônicas, com mistura de estilos cheios de personalidade e objetos inusitados.

Algumas tendências de estilos vêm com nomes esquisitos:
O estilo Shabby Chic é bem feminino e aconchegante, utilizando cores suaves como azul, verde e off white. Inspirado em casas de campo inglesas e francesas, mistura peças antigas (ou com aspecto de antigas) e modernas, não podendo faltar almofadas e flores, com resultado aconchegante.

O estilo Boho Chic (Bohemian + Soho +Chic) mistura basicamente peças e cores inspiradas nas culturas hippie e oriental, com uma profusão de cores e objetos, resultando num ambiente romântico e informal, com jeito boêmio (meio cigano) e contemporâneo.

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Turna Beck

Turna Beck é arquiteta da Sabendo Decor // Fones: 11-949921000/11-37585128 // turna@thbeck.com.br

1 Comentário
  1. Me identifiquei muito com esse texto,pois estou vivendo esse momento na minha vida. Adorei as dicas. Quero dar a minha cara para a minha nova casa. O texto diz tudo!
    Além de ideias tem um jeito de compreender a situação.

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