Dominique

Coisas de Dominique é onde histórias de mulheres são contadas. Histórias de mulheres que realmente têm o que contar.
Eliane Cury Nahas por vezes transcreve, por vezes traduz coisas que Dominiques (aquelas mulheres com 50 ou mais anos de histórias) contam. Surpreendentemente você se identificará com muitas delas, afinal #SomostodasDominiques

Os 7 Pecados

Dominique - 7 Pecados

Deixa eu te contar uma coisa.
Numa época da minha vida estudei em colégio de padres.
Duro mesmo era conviver com os teólogos que davam aula de religião.
AFFFFFFFFFF.
Acredita que religião valia nota, tinha prova e reprovava???
Sério!!
Perguntas impossíveis de serem respondidas tipo:
Quais são os 7 pecados capitais??? Signifique.
Você acha fácil? Quero ver!
Querida, não conheço ninguém que não recorra ao Google para lembrar dos 7.
Não vale confundir com os 10 mandamentos, hein?!
Aha!! Te peguei, né?
Aliás, tem coisa mais chata e antiquada do que essa noção de pecado?
E ainda por cima 7?
Na minha modestíssima opinião só existe um único pecado.
Isso.
1.
Hum.
Um.
Que é fazer mal ao outro conscientemente.
Sim, porque se você fizer sem querer não pode ser pecado.
Mas os padres/teólogos queriam 7.
E ainda tínhamos de significar!!! Seteee!!
Minha teoria de nada adiantava, e nunca convenceu na hora das prova.
Mas e você? Já achou no Google?
Vou te ajudar a lembrar.
Claro que adaptei um pouquinho, né?

1.Inveja
Olha, eu não me lembro de ter invejado nada de ninguém a não ser magreza! A única coisa que invejo no universo é mulher magra. Mas digamos que essa é a tal da inveja boa. Hahahahahahahahaha, inveja boaaaa…

2.Gula
Genteeee… eu vivo de regime desde o dia em que eu nasci. Para mim, ser gulosa é comer uma fruta a mais no jantar!! Isso não pode ser pecado!! Isso é deprimente!!!

3.Avareza
Ahhhh… sou mesquinha sim. Nas raríssimas vezes em que compro chocolate, compro pra comer como uma louca desvairada atacada. E não tem nada que me irrite mais do que alguém pedir um pedaço!!! Não dou, não dou, não dou!!

4.Ira
Fazer a maior ginástica para minha calça jeans entrar. E depois quebrar 3 unhas para conseguir fechar!!! Aí, usar aquela armadura machucando e cortando a pele o dia inteirinho me lembrando o quanto eu engordei. Raiva. Muita raiva. Muita raiva.

5. Luxúria
Quando eu era pequena meu sonho era que um caminhão da Kibon capotasse na frente da minha casa. E eu me via dentro da caçamba mergulhada num mar de picolés. Isso, sim, era pecado.

6. Preguiça
O-DEI-O me mexer!!! ODEIO!!!
Se pudesse nunca mais calçava um tênis na minha vida!!

7. Soberba
Emagreci 4 quilos. Vesti aquele vestidinho preto super sexy e me olhei no espelho.
Nunca vi mulher mais espetacular que aquela. É impressionante o que 4 quilos podem fazer. Que pecado de mulher!!!

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Arrumar armário pode ser o começo de um novo ciclo

Dominique - Organização

Ordem em armário.
Arrumar prateleiras e gavetas sem fim.
Isso já foi um pesadelo em minha vida.
Não sei quem foi o gênio que disse:
Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar e no mesmo tempo!!
Gente!! Quando consegui entender esta frase, meu mundo mudou!!!
E meu armário também, claro!!!
Ficou muito mais fácil dar ordem em coisas para colocá-las  num espaço que agora eu sei, é limitado!!
Sério.

Tenho dois tipos de ordem em armário.
A light e a RADICAL.
A light é aquela do dia a dia. Quando não consigo mais encontrar a calcinha que quero ou que combine com aquele sutiã. Aí paro e arrumo rapidinho.
Agora a radical…
Ahhhh A radical é outro papo.
Chega um dia que me dá os 5 minutos. Olho meu armário e não consigo mais entendê-lo.
Aí começo a arrumar.
Mas começo da seguinte forma:
Tiro tuuuuddddooo e jogo no chão!!!
De forma que eu não tenha chance de desistir no meio do caminho.
Ou termino ou termino.
E é incrível.
Sempre que faço este tipo de arrumação percebo que estou no fim de algum ciclo de minha vida.
Na verdade, no começo de algo.
Não é consciente. Mas hoje já sei que quando me dá a comichão da devastação de gavetas é porque mudei.

Vou dar aqui algumas dicas que você talvez até já saiba ou já use há tempos!! Mas vai que alguma Dominique se inspire com ela, né?

– Gavetas e camisetas.
Meu armário tem gavetas. Mas sou daquelas que gosta de ver absolutamente tudo que há numa gaveta. Então se eu fizesse uma pilha de camisetas, não veria além da primeira. Se eu as espalhasse não caberiam mais do que 3 ou quatro. Como arrumar e organizar isso??Achei uma solução!! Rolinhos!! Camisetas não amassam. E conseguimos saber qual é qual num rolinho. Olha só quanto espaço economizei!!

Dominique - Organizar

– Lenços Pashminas echarpes e afins
Adoroooo um lenço no pescoço… Adorooo uma echarpe.
Mas como guardá-las?
Ocupar uma gaveta? Empilhá-las?
Bom… Usei o mesmo método das camisetas para as pashminas.
Mas não as coloquei em gavetas. Coloquei em caixas. Caixas que você compra ou caixas que você faz como eu… Não te contei que virei a louca da caixa? Ahhh minha querida… Dei para encapar caixa no meu tempo vago. Mas isso é outra história.
– Para os lenços eu tive uma ideia, modéstia às favas, genial.
Você conhece aquele cabide para pendurar múltiplas calças? Então!!!
Penduro mesmo múltiplos lenços.
Além de ficar superprático, fica superlindo no armário.
O meu eu comprei na Camicado (www.camicado.com.br)

Dominique_organizar

– Uso minhas caixas encapadas para guardar um monte de coisas. Organizar papelada.
Guardar lembranças dos filhos. Mas uso estas caixas para coisas que não vou usar com frequência e que sei que não vou jogar fora. Pois são caixas que não vejo o interior. Uso-as inclusive de maneira decorativa no meu armário.

Dominique - Organizar
– Mas uso também as transparentes de plástico.
Nelas guardo livros, cartões, papéis, grampeadores, coisas de papelaria, coisas de costura, minhas tralhas de artesanato. Ahhh Assim fica fácil de achar. Mas estas eu não deixo à mostra não!

Dominique - Organizar
– Não tenho TOC, mas separo minhas camisas, blusas e calças por cores, estampas e textura por uma simples questão de praticidade na hora de achar e me vestir.

Tenho outras dicas, mas acho que a dica mais importante de todas vem agora.

Aprendi com uma pessoa muito especial. E muito generosa.
Toda vez que colocar algo novo no armário tire algo. E doe.
Tem coisa mais coerente e correta?
Abracei isto de tal maneira que tenho um número exato de cabides em meu armário. Só compro cabide novo quando algum quebra!
E só compro roupa nova, quando sei exatamente qual eu vou tirar. Se não souber, é porque não preciso da nova.

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

9 Comentários
  1. Também sou muito organizada e ao longo da vida, a cada mudança de casa, sempre para menor, fui reduzindo as posses . E engraçado, a poucos dias comecei apensar em repassar os armarios!!! acho que tô sentindo mudança no Eu….

  2. Desde criança sempre ganhava roupas usadas , mas roupas boas, das minhas tias pouquinho mais velhas que eu , eu adolescente e elas jovens , então a moda virava elas compravam roupas da moda e eu ganhava as fora de moda rsrsrs , mas minha mãe era costureira e sempre dava um jeitinho , tbm nunca fui muito ligada na moda .
    Enfim até hoje ganho roupas , agora das minhas filhas , pois emagreci e elas engordam e cada uma faz a sua moda .
    Mas tem uma coisa que sempre faço , abro as gavetas e guarda roupas e tudo que não uso , mas em bom estado eu tenho mania de doar pra quem precisa , aí encho sacolas e mando pra quem precisa ,assim fico só com o que eu uso mesmo .
    Passado uns dias recebo , ganho roupas novinhas pra repor aquelas que doei , é muito gostoso doar e receber em dobro .
    Isto funciona comigo desde minha adolescência kkkkk
    Adoro doar e receber tbm .
    Por isto compro pouquíssimas roupas todos os anos.Compro apenas algumas peças no tempo do frio , qdo não ganho lógico né !
    Mas esperimente fazer isto , é como a lei do retorno .
    Compro somente roupas íntimas e meias .Ganho até acessórios , como brincos cintos , pulseiras , perfumes ,cremes e etc.

  3. Ha alguns anos, em uma das minhas várias mudanças de casa, consegui encher uma caixa inteira, das grandes, de sapatos. Outra, de bolsas. Quando estavam sendo transportadas, reparei o espanto dos rapazes da transportadora. Fiquei envergonhada por minha acomodaçao e egoismo, um monte de coisas que eu nao usava mais. Entao adotei, pra valer, o lema de só ter o quê realmente uso. É uma delicia!

    1. Nossa Cynthia…Sei exatamente qual foi seu sentimento com os rapazes. E sei também exatamente qual é o prazer de ter um armário onde todas as peças têm valor pelo uso!! Em alguma outra dimensão seríamos grandes amigas, não acha?

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Transparente

Você fala o que pensa?
[fve]https://youtu.be/JMWFyWP80P8[/fve]
#Transparente #Pensamento #SomosTodasDominique

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Dançar faz muito bem!

Dominique - Dançar faz bem

Por: Claudia Kalil

Eu sempre gostei de dançar.
Danço desde menina, no clube, na escola ou em aulas de jazz e de dança moderna.
Em casa eu não podia ver a televisão ligada.
Se passava o programa do Chacrinha, tava lá eu dançando.
É algo meu, que me realiza e me satisfaz.
Dançar me traz uma grande felicidade, uma grande alegria.

Depois de casada, eu larguei um pouco a dança.
Vieram os filhos, a casa e o trabalho.
Eu me envolvi muito com este cotidiano.
Só que chegou uma determinada altura da minha vida que eu estava:
Leva criança… traz criança.
Aula de canto, aula de natação, aula de inglês, escola, catecismo…
São 3 filhos!
Além disso, cozinha, faz compras, vai ao banco.
Naquela época, eu trabalhava fora e a noite.

Fui ficando muito cansada, estressada mesmo.
Até que um dia eu tive um apagão.
Eu cheguei numa situação em que não sabia onde estava e nem o que estava fazendo naquele local.
Estava em um banco, mas não sabia o que estava fazendo ali.
Daí procurei um médico.
Claro, ele falou pra diminuir o meu ritmo e procurar alguma atividade física para fazer.
Logo pensei em voltar a dançar. Achei que me ajudaria.

Voltei para a academia e há 22 anos faço aulas de dança, como de salão e ritmos.
É uma delícia, nunca mais parei!
A dança é libertadora!
Libera nossos movimentos, desinibe e me ajuda a expressar sentimentos.
Pra mim é a cura da alma.
Foi e é um santo remédio para mim. Até hoje, aos 57 anos, eu danço semanalmente.

No último ano a dança me trouxe uma outra surpresa.
Uma pessoa que conheço há anos resolveu colocar em prática o seu projeto de vida: aprender a dançar.
Ela tem um espaço ótimo e me convidou para dar aula pra ela e um grupo de amigas.
Eu fiquei preocupada porque não tenho formação de professora de dança.
Bom… mas danço há 22 anos.
Então disse a elas que, se quisessem me acompanhar, a gente poderia botar pra quebrar. E foi o que aconteceu.

No último ano, comecei a dar aulas para um grupo de senhoras da minha cidade. A maioria delas com mais de 70 anos pra cima.
Agora eu consigo ver com nitidez o desenvolvimento e a alegria que a dança nos proporciona.
Nós nos reunimos duas vezes por semana para dançar.
E nos divertimos muito!
Além de trabalhar o corpo, queimando calorias e fortalecendo os músculos, a dança alonga e alivia o estresse.
Também trabalha ritmo, memória, porque temos de acompanhar as coreografias.
É fantástico.

Elas cantam… tentam lembrar como dançavam na época de juventude. É um resgate.
É muito interessante.
Isso traz uma realização grande, uma felicidade.
Algumas delas passaram momentos difíceis, de perdas, problemas de saúde, depressão.

É impressionante como elas estão hoje.
E isto só melhora e se fortalece cada dia mais com a amizade.
Nós também fazemos algumas ações beneficentes, como visita a asilos.
Toda esta união nasceu com o objetivo de aprender a dançar.
É assim é até hoje e espero que isto se prolongue por muitos mais anos.
E vamos dançando. A dança é maravilhosa.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

18 Comentários
  1. Tbm prático Dança Circular a sete anos, e hoje chegando os sesenta anos em dezembro, como Dominique diz, a dança só melhora e fortalece a cada dia! Amo dançar, será sempre um amor e minha terapia, nessa vida tão corrida!

  2. Lindas palavras amiga Cláudia, tirando o apagão e colocando travada na coluna….kkkk,nossa história é a mesma e devo minha disposição a dança tb é maravilhoso é o exercício mais completo.

  3. Parabéns pelo artigo Claudinha, muito verdadeiro, sou testemunha ocular dessa sua paixão pela dança, me orgulho muito de vc, e parabens pelo trabalho que realiza junto as Serelepes. Bjs.

  4. Putz,Claudinha.
    Eu sei exatamente como é seu amor pela Dança.
    Minha história, se encaixa um pouco com a sua.
    Vc tá de Parabéns.
    Está feliz e faz muitas outras pessoas felizes também.
    Que Deus, te dê muita saúde pra continuar nesta magia, que é a Dança.
    Um beijo.

  5. Sou uma apaixonada.
    Sempre procuro coreografias legais de músicas também bacanas.
    Jazz dança de salão são show.
    Me faz feliz me leva para uma balada com músicas anos 70 80 e um espumante cara viro uma pomba gira,sério e depois qdo vou dormir parece que estou flutuando.Detalhe chego em casa já deixo a roupa na máquina de lavar.
    E vamos dançar…….bjs

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SAI MAIA ENTRA AFRODITE – ep.2

[vc_row][vc_column][vc_column_text]
– Nena, que noite!!
– Me conta tudo, Carla. T-U-D-O!!
– Menina… One night stand.. na minha idade?? E com um menino??
– Ahh, amiga. Não o conheco, mas não era tão menino assim. De longe, naquela balada escura, me pareceu ter uns 40 anos. Senão mais.. Quantos anos ele tem afinal?
– Não sei. Não perguntei.
– E pensar que você não queria sair de casa, hein, Carlinha!!
– Nenaaaaa que delícia. Que pegada!! E que energia. Eu mereci. Mereci muito esta noite divina dos deuses.

Resolvi não contar a minha piadinha interna. Guardei Adonis e Maia só pra mim e minhas memórias.
Este seria o casal eternizado naquela noite e não Paulo e Carla.
Adonis e Maia eram algo que representaria um conto de fadas. Ou melhor, uma noite mitológica.

Sobe som e toquemos a vida!!
E tocando a minha vidinha eu fui.
– Gente, que droga que é ser mulher às vezes né?
Foi uma belíssima experiência. Ok. Mas passou, Carlinha.
Repetia isso para mim mesma, todas as vezes que me pegava curtindo as lembranças.
One night stand é one night stand.
Será que ele pensou em mim alguma vez?

Afffffffff
Menininha menininha… Esquece.
É o que vou fazer!! Vou esquecer!!

E o tempo foi passando.
Mas não vou mentir pra você.
Não passsou tanto assim.
Implorei para que Nena fosse comigo à tal balada no fim de semana seguinte.
Você imagina a produção, né? De lingerie a luzes no cabelo. Tudo novo.
Conforme o sábado foi se aproximando, eu fui ficando mais e mais ansiosa.
Ou seria nervosa?
Será que ele vai lembrar de mim?
Será que ele vai OLHAR pra mim?
Será que ele vai estar sozinho?

Ai que saudade.
– Tá bom amiga? Jura?
– Esta saia não está muito curta?
– Este look ou este?
– A cor ficou boa em mim?
– Carla!! Não consigo mais responder seus whatsapps. Sossegaaaaaaa.

Bom… e é chegado saturday night fever!! Aiii que antigo…
John Travolta. Será que ele já era nascido quando o filme apareceu?
Tanto amolei Nena que chegamos cedo à balada. Horário de tia mesmo.
– Bom… é cedo..

Querida, não vou prolongar esta agonia, nem sua curiosidade.
Não. Ele não apareceu!!
Vou te poupar dos detalhes patéticos desta noite.
Quem sabe um dia ainda consiga rir dela e transformá-la num texto bem-humorado?
Mas ainda hoje, passados muitos anos, odeio lembrar as coisas que senti sentada sozinha naquela mesa.

E aí segunda-feira foi chegando mesmo antes de o domingo acabar.
Como?
Ahhhhh, também tenho os meus truques.
Como explicar para os filhos tamanha melancolia?
Como explicar isso para o universo???
Como eu sou rídicula.
Então me enfiei no trabalho.

E assim os dias foram passando.
E eu trabalhando. Ou me distraindo com o trabalho.
Meio tristonha, mas levando a vida.
Um dia após o outro.

Agora chegou a hora de você perguntar que horas eu o reencontrei!
Porque sim. Claro que eu o reencontrei. Senão não teria escrito outro textão!!
Você acha que escreveria pra te contar que nunca mais o vi???
Ora, me poupe colega!!
Bom, eu o reencontrei sim.

Não… não esbarrei nele no shopping.
Não… ele não descobriu meu telefone.
Nãooooo. Não foi obra do acasooooo.
No sábado seguinte lá estava eu na balada de novo!!!!
E aí de quem falar que foi sorte!!
Foi persistência, gata!!!!
Tanto fiz que uma hora, né?

Todo ritual de beleza novamente.
Todo ritual de ansiedade novamente.
Todo um trabalho de convencimento junto à minha amiga Nena.
– Carla. Já deu. Não aguento mais ir a esta baladinha de babies. 3 sábados seguidos?????
Desta vez tive que prometer pra Nena um fim de semana em Ilha Bela que ela tanto ama e eu tanto odeio.

Vou igualmente te poupar de outros tantos detalhes.
Quando cheguei, ele já estava lá.
Estava pegando uma bebida quando me viu,.
Abriu aquele sorriso que me desmonta.
Não ficou eufórico nem surpreso por me ver.
Nem tampouco saiu correndo de perto de mim.
Estava apenas reencontrando uma amiga.
– Maia…Tudo bem?

Não..Na minha idade não faria mais joguinhos de sedução.
Sabia exatamente pq estava ali.
E deixaria isto claro.

– Tudo. Que bom te encontrar. Na verdade acho que vim justamente para isso.
Ele soltou uma deliciosa gargalhada me agarrando pela cintura e me trazendo mais para perto dele.
Ahhhhhh ele podia não estar eufórico de me ver. Mas estava longe de estar triste.

Bebemos, dançamos e sabíamos como acabaríamos aquela noite.
Mas desta vez, conversamos um pouco.
Ou tentamos.
O tanto que aquele barulho deixou.
– Sou do interior. De Ribeirão Preto. Mas trabalho em São Paulo também. Sou engenheiro agrônomo.
– Ahh, que legal. Eu trabalho com educação.
Não ia falar nem morta que sou pedagoga. Sem ofender ninguém, mas tem profissão mais de tia do que pedagogia?
– Minha adorável professora. E me deu um daqueles beijos deliciosos.

Continuamos nos pegando como adolescentes na pista.
De repente, sem mais nem menos, enquanto dançávamos, ele perguntou minha idade.
respondi o mais rapidamente possível.
Queria me livrar daquele problema. Não queria dar pinta de que estava me preocupando.
– Cinquenta! – falei
– Quanto? não escutei, desculpe. Quarenta?
– Isso. Quarenta e dois. E você?
– Trinta e nove. Vou fazer 39..
Ufa….
3 anos não é lá uma grande diferença, vai.
Aliás, quem disse que 3 anos é diferença????

Mais Episódios da Série:

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][thb_postcarousel style=”style3″ columns=”5″ source=”by-category” cat=”912″ item_count=”5″][/vc_column][/vc_row]

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

4 Comentários
  1. Quem é ou foi Dominique? lembro dessa música na minha infância e fico triste, talvez por que quando a ouvi pela primeira vez eu estava num momento triste, ou porque me faz sentir algo que eu não me lembro, vidas passadas talvez??

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QUAL O CAMINHO PARA O OLIMPO? – ep.3

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Ôôô… felicidade viu!
Pele boa.
Brilho nos olhos.
Riso fácil.
Claro que naquele segundo encontro trocamos telefones.
Mas não anotei em papelzinho desta vez.
Na-na-ni-n-a-não
Gravamos em nossos celulares.
O que?
Menina, com o trabalhão que tive para encontrá-lo depois daquele primeira one night stand, desta vez eu gravei o celular, fixo, trabalho, e-mail, endereço, rg, cpf, número do sapato, matrícula de reservista.
Não perderia meu Paulo/Adonis* de novo.

Ahhh, sim. Nesta noite contei meu nome verdadeiro.
Tentei fazer parecer engraçado ter dito que me chamava Maia e que isso não tinha sido uma mentira.
Apenas uma fantasia. Que Maia era muito mais instigante que Carla.
Não colou muito. Mas também não atrapalhou muito.
E fomos em frente.

Trocamos algumas mensagens durante a semana.
Confesso. Tive que me conter. Minha vontade era mandar um milhão de mensagens.
Ligar e falar com ele o tempo todo.
Mas me contive.
Ele tinha voltado para Ribeirão Preto, e não sabia direito quando voltaria.
Não sabia? Ou estava me despistando?
Não sabia? Ou não queria me dizer quando voltaria?
Carla, Carla!!
PQP.. 42 anos no lombo e insegura deste jeito???
Ahhh, é… Tem isso.
Não contei para ele, ainda, que tenho 50 anos.
Ahhh, mas ele é tão maduro. Tão sério.
Não me parece que vai se impressionar com nossos 10 anos de diferença.
Não são 10? Ai, como você é preciosista, tá bom… 11 anos!!
12???? Mas por que 12??? Ele não disse que tinha 39 anos?
Ahh é, vai fazer..

Agora, por que esta preocupação toda?
Cazzo… Só se preocupa assim quem quer um relacionamento.
Quem quer namorar… mãozinha dada, cineminha domingo à tarde, troca de presentinhos de dia dos namorados, conhecer os amiguinhos dele, conhecer a família dele……. affffffffffff.
Mas não eram só umas trepadinhas?? (Perdoe o meu francês).
Sim, só isso.

Bom… As escassas trocas de mensagens continuam por mais eternas duas semanas, até que ele me conta que ficará por aqui por 15 dias.
Sabe aquela felicidade que sentimos quando uma calça jeans de 10 anos fecha novamente?
Multiplique por 10.
Não… Por 20!
Eu não me aguentava.
Já comecei a planejar cada detalhe daqueles 15 dias.
Do almoço na chegada do dia 1 à noitada, do café da manhã do dia 2, da surpresa que faria no dia 3…
Mas, pera!
Quando foi mesmo que ele falou que queria me ver?
Ele não falou.
Repassei tooooodaaaas as mensagens.
Não. Ele não falou.
Chamei a Nena.

– Nena, veja se tem alguma entrelinha aqui que diz subliminarmente que ele quer me ver.
– Nop…

Não aguentei.
Liguei!
Ora bolas!!
Que papo é esse de mensagem, SMS, torpedo???
Quero é falar com ele!!!
Liguei mesmo!
Caixa.
Liguei de novo!
Caixa.
Liguei de novo, só que desta vez para a Nena.
E acredite… meio que em desespero.
Ela só não riu porque sentiu que eu estava tristinha mesmo.
Nena me consolou. Conversou. Falou. Pouco adiantou.

E o final de semana chegou.
Nena me arrastou para o cinema.
Chorei até. O filme nem era tão triste. James Bond..
Quando saímos, ligo meu celular e tcharammmm.
Adivinha?
Três ligações perdidas.
1ª – da minha mãe!!!!
2ª – da minha mãe!!!!!!!
Mas não faria você, leitora, chegar até aqui se não tivesse algo muito legal pra contar, né?
3ª – ligação perdida do Paulo/Adonis.

– Neeennnnnaaaaa, mamãeeeee me ligou!!!!
Ela me olha com um certo pesar me vendo retornar a ligação. kkkk.
– Alô? Oi… Tudo bem? … Tudo… Vi que me ligou… É, estava no cinema com uns amigos. Amanhã??? Amanhã almoço com meus filhos…
Nena me olhou espantada.
– Pois é, Nena – expliquei depois – tenho filhos. E é almoço de domingo.
– OK… Te encontro lá umas 17 horas. Beijos…
Pulinhos, pulinhos, muitos pulinhos de felicidade.

No dia seguinte me encontrei com Paulo em seu apartamento.
Ele quase não teve tempo de virar a chave da porta.
Não estava me aguentando de saudade.
Beijei, apertei, afaguei, abracei…
E melhor.
Fui correspondida.

Depois deste domingo, durante aquelas duas semanas, tive que trabalhar, óbvio.
Mas o trabalho, meus filhos, meus afazeres eram só interrupções para o momento do dia em que encontraria Paulo.
Sim querida…
Nós nos encontramos todos os dias.
E todas as noites.
Óbvio que aquilo já era um relacionamento.
Óbvio que eu já estava apaixonada.
Óbvio que a diferença de 12 anos não me incomodava.
Não… Não me incomodava dentro de quatro paredes.
No apartamento dele.
Em nossos jantares a dois.
Mas, por algum motivo, para as pouquíssimas pessoas (duas além da Nena: minha gineco e meu personal) que ousei contar sobre este meu relacionamento, não consegui falar da idade.
Senti vergonha.
Senti medo do julgamento.
Mas tinha certeza que isso com o tempo passaria.
Era uma questão de acomodação.
Eu precisava me acostumar com a ideia.
Ahhh, mas isso se o Paulo estivesse na mesma vibe que eu, né?

Mas… Reload um tantinho o texto.
Relacionamento? Em duas semanas?
Carla, Carlinha, Carlota… Sua romântica. Isso está mais para um affair!!!
E por isso mesmo que fiz muito bem em não contar para os meus filhos.
Tava cada vez mais difícil inventar desculpas.
Mas, também, não os vejo muito preocupados comigo.
Na real, estão pouquíssimo interessados no que faço ou falo, contanto que não atrapalhe os interesses deles.
Essa geração millennial é de lascar, viu?

Voltando.
Fora essas minhas crises, dramas, nóias e neuras posso dizer que nos divertimos muiiitoooo.
Conversamos sobre tudo.
Paulo é um homem culto. Inteligente. Com ideias jovens e frescas, claro.
Ele espantosamente conhece coisas, músicas e costumes da minha época. Isso facilita muito.
Ele lê. Gente!! Ele lê!! Jornal, livro, revista!! Baita diferencial, vai?
Esportista.
Bom… aí eu dava um jeito de ir de bike do lado dele enquanto ele corria.
Cozinhei para ele.
Fiz surpresinhas.
Ele também fez.
Sem falar no sexo, né?
Ahhhh.. Morra de inveja!!!
Lembra como era? Pois é..
Teve dia de eu pedi arrego. Juro…
Foram dias felizes. Muito felizes… Muito.

E chegou o dia de ele voltar para Ribeirão.
Ahaaaaa!!! Tá achando que me matei de chorar, né?
Que fizemos despedidas apaixonadas e chorosas?
Que fui levá-lo até o carro e fiquei olhando ele ir embora??
Nada disso!!!
Sério!!
Nós nos despedimos na frente do Uber que me levaria para a minha casa.
Um beijinho rápido.
Queria perguntar quando ele voltaria.
Mas não consegui.
Quando vi que meus olhos iriam marejar, voltei para dar-lhe um outro beijo junto com um beliscão naquele bumbum lindo!
Com muita vontade!! E vendo a sua cara divertida e surpresa fechei a porta do carro.
– Aceita uma bala, uma água?
– O senhor não teria um Clover Club, teria?

* Se você não entendeu e QUER entender o porquê Paulo/Adonis, veja as histórias anteriores:

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Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Tem mais .?
    Continua está tão bom sua história.
    Sabe que me coloquei em seu lugar e é uma PUTA experiência para ninguém botar defeito.
    Felicidades. Bjs

  2. Adorei e vivenciei cada episódio como os tivesse vivido!
    A narrativa, deliciosamente pseudo-apimentada,deixando que esses detalhes ficassem por conta de cada uma!
    Não vejo a hora de mais narrativas!
    Se reencontraram,voltaram a se amar?
    Não nos mate de curiosidades!

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VISITANDO JOCASTA- ep.4

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Dominique - Homem mais novoPaulo e Carla.
Carla e Paulo.
Não vou te manter em suspense.
Se você leu os 3 textos anteriores merece saber que não houve sofrimento após aquela despedida.
Se você não leu, vai entender que Paulo e eu somos um casal que vivemos em cidades diferentes.
Depois daquela despedida, Paulo continuou me tratando como se estivesse na porta ao lado.
As mensagens eram muito frequentes e as ligações diárias.
Os vínculos estavam formados.
As rotinas também.

Ele ficava 15 dias em Ribeirão Preto e 15 dias aqui.
E assim as quinzenas foram passando.
Os 15 dias daqui eram dias plenos.
Tinha momentos tão felizes que eu parava de respirar, e tentava congelar aquelas cenas em minha memória ou em meu coração.
E dizia que queria guardar aquele sentimento para poder sentir mais tarde.
Não era possível ser tão feliz em um espaço tão curto de tempo.
Paulo se divertia.
Os 15 dias que ele passava longe eram uma grande contagem regressiva, que só aumentava o prazer da expectativa e do reencontro.
Ele chegava sexta-feira à noite ou sábado de manhã.

Naquele final de semana ele chegou na sexta-feira e, como sempre, despenquei em seu ap quase que imediatamente após a sua chegada.
Eita, como a saudade faz bem.
Bom, matada a fome, fomos comer alguma coisa. Mas na cozinha.
E foi aí que ele me falou, aliás com muita naturalidade.
– Amanhã almoçamos juntos, né?
– Mas é claro!! Tenho que voltar pra casa para algumas coisinhas com meus filhos, mas o almoço é com você.
– Ahhh, que bom. Vai conhecer minha mãe então. Ela vem para São Paulo para ir a um show, acho que um musical, e vamos almoçar juntos. Vou fazer um risotinho aqui para nós. Falei que você estaria aqui.

Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!

Genteeee!! Como???
O que foi que ele falou??
Mãe????? Ele tem mãe???
Tá bom, eu sabia que ele tinha. Mas para mim ela era uma entidade, tipo boto cor de rosa.
Existe, mora longe, sei histórias, mas tenho pouquíssimo interesse.
Mas e agora???
Não quero conhecer a mãe dele.
Não quero almoçar com o boto!!
Muito menos aqui na casa dele!!!

O que ela deve pensar do filhinho estar namorando uma mulher 15 anos mais velha!!!
É. 15. Não te falei? Upss..
Então, um dia tive que contar para ele que não tinha 42. E sim 50.
Ele aproveitou para me falar que não tinha 38 e sim 35.
Mas aí já era tarde demais.
Claro, né? Não sou tão bobinha assim. Nem ele.
Claro que nós dois sabíamos que a diferença não eram só aqueles 3 anos.
Mas isso era um assunto menor. Ou tão maior que evitávamos.
Sempre preferi ficar sozinha com Paulo. Ou ir a lugares românticos e fora do meu circuito.
Ele não se incomodava.
Mas não deixava de sugerir lugares badalados, barzinhos da moda. Eu evitava. Preferia não ser vista com ele.
Acho que não estava preparada.
Não contei para os meus filhos. Quer dizer…
Eles sabiam que eu estava namorando.
Mas disse que não era nada sério, que quando chegasse a hora nos reuniríamos todos.

Aí agora, cara colega, você aí desse outro lado do monitor vai dizer:
– Que bobagem!!!
Ahh, é! Até parece…
Tudo que eu queria é que fosse, sim, uma bobagem, um preconceito ultrapassado ou da minha cabeça.
Então fui a campo. Cheguei a fazer alguns ensaios para sentir o que viria do mundo.
Primeiro, obviamente, troquei muitas e muitas ideias com a Nena.
Quando ela percebeu que a coisa estava deixando de ser uma brincadeira e que já tinha virado um relacionamento começou a me fazer perguntas incômodas.
Contei que tinha aberto meu coração e dito minha verdadeira idade. Ele a dele. E que aquilo foi motivo de risadas, os 15 anos, eu digo.

– Carla, isso tá muito estranho. Muitooo. O que ele faz mesmo?  Trabalha com que? O apartamento é dele?  Menina…………. Olha lá!Você não está bancando nada para ele está???  Você sabe quem ele é realmente?
Afffffffff
Eu sei que ela não falou por mal.
Sei também que ela, assim como eu, não vê problema em mulheres que ganham mais que o homem.
Mas sei lá. Se minha melhor amiga falou comigo deste jeito…
O preconceito existe.

Vou te poupar de descrever o tipo de comentário ou pensamento que passa na cabeça das pessoas quando veem um casal assim.
Mas continuei tentando aceitar a diferença na aceitação do outro.
Então chamei a Paula.
Paula, minha amiga super super descolada e moderninha e open minded.
Tinha certeza que ela falaria tudo o que eu queria ouvir.
E ela disse:
– Carlaaaa, minha linda!! Parabéns!!!!  Querida, isso é muita competência!!! Esta é uma das melhores coisas que pode acontecer com uma de nós Dominiques: ter um relacionamento com homem mais novo. Ainda mais se for este TUUUUUDDOOO o que você está falando.  Coisa mais linda… Aproveite muito.

Respirei fundo, numa alegria quase infantil, e abri um largo sorriso, adorando o apoio e prestes a contar toda a nossa história de amor como uma adolescente (porque, afinal, tudo o que eu queria era dividir com o mundo aquele meu louco amor). Foi quando ela completou…
– Só tome cuidado para não se apaixonar!!! Não queira brincar de casinha e sonhar com happy family! Affair com homens mais novos tem prazo de validade.
Prazo de validade.
Esta frase ressoava na minha cabeça. Martelava.

Mas era ouvir a voz dele, ler uma mensagem, sentir seu toque, que tudo isso passava.
Verdade é que na cama nunca senti esta diferença.
Não sei se porque não tínhamos espelho no teto.
Também se tivéssemos sou míope graças a Deus.
Mas sempre dei conta do recado.
Com galhardia.
Ahhh… uma mulher sabe disso. Sabe quando agrada.
E era plenamente correspondida.
Pois é…
Mooorra de inveja!!!
Namorar menino tem lá suas vantagens… Muitas!

Mas, agora, voltando ao tal almoço??
Conhecer a sogra?? Gente!! Nãoooo!!!!
Tinha que arrumar alguma desculpa para não ir.
Mas o que?
Dor de cabeça? Nahhh
Cólica? Nahhhhh
Casamento do primo mais novo? kkkkkkkk Nahhhh

Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!

Pensei até em pagar alguém para quebrar uma das minhas pernas. Talvez as duas.
Mas tive essa ideia muito em cima da hora e não achei ninguém disponível.
Como dizia meu pai: o que não tem remédio remediado está.
E na falta de remédio melhor para situação, dá-lhe Rivotril.
Você tem ideia do tormento que foi me arrumar para aquele almoço?
Sim, você deve ter.
Roupa mais chiquezinha ou mais descolada?
Salto alto ou sapatilha?
Bolsa?
Uso maquiagem? Claro, né Carla!!!!
Hellooooo… 50 anos!!
Paulo ligou perguntando se eu queria que ele me pegasse.
– Não querido. De jeito nenhum. Vou com meu carro.
– Ahhh, já chegou? Que bom… Quer que leve algo? Nada mesmo? Ok..

Mas não fui com meu carro não. Resolvi pegar um táxi.
Fiquei com medo de me perder, de bater, de não chegar.
Moro no Itaim e o Paulo, em Perdizes. Não é tão longe, masssss…..
Você sabe como é mulher nervosa.
Foram os 4 minutos mais angustiantes da minha vida.
Sim, sim, eu sei.. Num sábado sem trânsito este percurso não daria menos de 25 minutos.. Mas nunca uma porra de uma viagem de taxi passou tão rápido.
PQP.
Enfim.
– Chegamos – disse o motorista diante de uma mulher paralisada no banco de trás.
Paguei. Peguei minha bolsa e a garrafa de vinho e os chocolates chiquetérrimos que comprei para hora do cafezinho e me encaminhei para portaria.
– Boa tarde dona Carla. Pode subir. Seu Paulo está te esperando.
– Ahh, obrigada seu Zé. A mãe dele já chegou?
– Dona Mariana? Já sim!!

Não sei porque, mas gelei.
Fiquei pálida.
Percebi que estava suando frio. Devo ter borrado a maquiagem.
Pedi que seu Zé avisasse pelo interfone que eu tinha chegado.
Na verdade, estava ganhando tempo e tentando recobrar o ritmo normal da minha respiração.
Quando minha tontura diminuiu, meu suor secou e o meu batom fixou eu abri a porta do elevador e subi.
Paulo estava na porta me esperando.
Não deixei que ele me beijasse na boca. Na verdade, acho que ele nem tentou.
Segurava minha bolsa de um lado como se ela fosse um escudo antibombas, e os chocolates como se fossem um terço.
Dona Mariana estava nos esperando na sala com um largo sorriso.

– Mãe, esta é a Carla.
– Olá, Carla. Já ouvi muito falar de você.
– É um prazer finalmente conhecê-la – disse dona Mariana com o mesmo largo sorriso e com os beijinhos tradicionais.
Muito carinhosamente me convidou para sentar num sofá que eu tanto conhecia.
Disse que amava chocolates, e que aqueles eram especiais.
Fui ficando um tiquinho mais à vontade.
Paulo, obviamente, dono da situação ou pelo menos dono do espaço se movimentava pelo apartamento me servindo uma coca zero, entrando e saindo da cozinha vigiando seu risoto. Mas percebi nele também uma leve tensão.
Mas o papo fluiu.
Fluiu bem.
Falamos amenidades.
– Agora entendo porque o Paulo é tão maduro e culto, dona Mariana.
– Dona? Dona não, vai… Mariana

Senti que ela parou a frase de sopetão. Senti que ela se reprimiu.
Tenho certeza que faltou o “afinal somos quase da mesma idade”…
Tenho certeza!!
Ou será que foi nóia?
Foi nóia. Claro!!!
Estava sendo super bem tratada.
Me sentindo quase que acolhida.
Bom.
Almoçamos.
E a conversa continuou amena.
Pairava no ar talvez um quase imperceptível desconforto.
Talvez um cuidado excessivo.
Não sei.
Mas normal para pessoas que se conhecem.
Sobremesa.
Cafezinho. Chocolates.
Começou a faltar assunto.
Então bora falar do tempo, né?
– Nossa, mas como está quente, não?
– Este verão está especialmente quente, vocês não acham?
– E dizem que Ribeirão Preto é ainda pior, não é Mariana!! Como você aguenta?
– Ahh, Carla. Fica pior nesta nossa idade. Mas depois de um tempo, nós nos acostumamos com a menopausa e os calores diminuem.
Silêncio…………………………………..
Acho até que meus olhos chegaram a marejar.

Mais Episódios da Série:

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Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

9 Comentários
  1. Eu tenho 50 anos e o meu marido 36 estamos juntos a 15 anos , quando nos conhecemos eu tinha 36 e ele 22 , mas isso nunca foi um problema pra nós e foi e é Ele quem tem as responsabilidades financeiras em casa

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DANEM-SE OS DEUSES. ODEIO MITOLOGIA – ep. 5

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Dominique - Homem mais novo
Entro no Uber batendo a porta com força.
– Água, bala?
– Não, obrigada.
– Quer que aumente o ar condicionado?
– Não!!!! Não estou com calor!!!
Sobrou pro coitado do Cleber, motorista.

E você acredita que o boto, ops, a tal Dona Mariana, sim, agora ela será dona para sempre, mãe do Paulo, ainda teve a pachorra de ao se despedir dizer:
– Carla, venha para Ribeirão com Paulo. Vou adorar!
Gente!!! Esta mulher, que insinuou na frente de meu namorado que meus calores são culpa da menopausa e não do aquecimento global!!!
Lembrando que eu sou 15 anos mais velha que o Paulo.
Não consigo mais lembrar uma única palavra do que ela falou depois da frase infeliz que continha a palavra menopausa!
E óbvio.
Acusei o golpe.
Fazer o quê???
Tinha que ir embora dali. Tinha que escapar daquele olhar julgador.
Então menti. Tentei manter uma certa classe e dignidade.
Você quer algo mais digno do que filhos? Então…Usei os meus!
Disse que meus filhotes me esperavam .
E saí quase que pela janela.

Cheguei em casa, coloquei meu roupão, minhas pantufas, tirei a maquiagem e me joguei na cama.
Ouvi o celular tocar algumas vezes mas não tive força nem vontade para atender.
Não sei se peguei no sono ou se entrei em alfa.
Mas assustei tempos depois com o estridente toque do interfone.
– Dona Carla. Tem um moço aqui. Disse que é amigo da senhora. Paulo. Pode subir?

Uiiii!!! Ela já me deixou em casa algumas vezes, mas nunca tinha entrado. Nunca convidei e ele nunca quis.
E agora?
– Pede pra subir, por favor.

Corri para ver se os meninos estavam em casa. Não. Ufa! Um problema a menos.
Fui abrir a porta e lembrei das pantufas e do roupão.
E da falta de maquiagem.
E da possível cara de choro.
E do cabelo desgrenhado.
Bom. Era melhor mesmo que ele me visse in natura mesmo.
Até pq não daria tempo para nada. Já tinha ouvido a porta do elevado abrir.
Mas pantufas, ninguém merece, né?
Joguei-as longe e fiquei descalça.
Abri a porta.
Lá estava Adonis.
Meu Adonis. Aquele homem lindo. Com pegada. Apaixonante.
Lá estava também o Paulo, filho de Dona Mariana, 15 anos mais novo.
Olhamo-nos na porta. Afastei para que ele entrasse.
Ao invés disso ele me abraçou.
Aquele abraço gostoso.
Não..Não foi um abraço gostoso.
Foi um abraço restaurador.
Gente, o que esse homem tem?
E não é que mesmo naquele estado lastimável que eu estava comecei a me animar???
Ele perguntou baixinho, quase num sussurro se eu estava bem.
Não respondi.
Nesta hora, eu já estava completamente entregue.
Cheguei meu corpo junto ao dele. Mais. Se é que era possível.
Precisava senti-lo.
Ahhh, e como senti.
E ele, aproveitou-se de sua força masculina e apertou o abraço.
Afastei-me abri meu roupão sem cerimônia e deixei que ele caísse no chão.
Falei, nua e totalmente exposta.
– Esta sou eu.
Carla, 50 anos.
Com muitos cabelos brancos que você nunca viu.
Com a pele flácida.
Menstruando ainda, mas não sei até quando.
Com fogachos.
Com algumas gorduras acumulando nas costas.
Me matando de fazer ginástica e dieta.

– E esta aqui também sou eu.
Carla, 50 anos.
2 filhos.
Um ex marido.
Resolvida
Experiente
Sem TPM.
Boa de cama.
Independente.
E um pouco flácida. Já falei isso né?

Paulo ficou ali. Em silêncio. Me olhando.
Não falou nada.
Apenas me olhava.
Nua. No meio da sala.
Não sei quanto tempo passei nesta agonia.
Até que quase gritando pedi pelo amor de deus que ele falasse alguma coisa.

– Sim, eu vou falar:
Esta é Carla.
Mulher deliciosa.
De quem eu gosto. Gosto muito
Que eu adoro cada pedacinho.
Carla, que tem 50 anos.

Ahhh colega..
O que aconteceu ali depois foi sexo.
Foi a mais pura definição de sexo selvagem.
Eu estava magoada.
Estava triste.
Sabia que teríamos que ter aquela conversa que estávamos evitando.
A realidade bateu a minha porta da maneira mais abrupta possível.
Enxerguei na mãe dele a crueza e talvez a crueldade que me aguardavam.
Ou não. Apenas o retrato dos fatos.
E isso além de me magoar me enfureceu.
Foi um mix de sentimentos.
Todos muito fortes.
Não sei se isso ou aquilo ou tudo isso, me fez querer desta vez um sexo mais bruto.
Foi diferente. Foi forte. Foi bom.
E proibido para menores.
Não sei se foi romântico. Talvez sempre seja. Não sei.
Mas logo depois me bateu a preocupação que meus filhos poderiam chegar a qqer minuto.
Saímos de casa.
Fomos a um restaurante tranquilo, meio decadente mas muito acolhedor no centro da cidade.
Precisávamos de tranquilidade para conversar.
– Mas Carla, precisa ser hoje.
– Precisa. Garçom, Um Clover Club para mim por favor. E outro na sequencia.

Bom. Aqui falei de todos aqueles temas tão batidos e banais que já conhecemos quando se trata de relacionamentos entre mulheres mais velhas com homens mais novos.
– Vc vai querer ter filhos.
– Qdo vc tiver 50 eu vou ter 65
– Nossos interesses são diferentes
– seus amigos/meus amigos
– meus filhos/sua mãe
– mulheres mais novas/ meu ciúme
– Preconceito. Preconceito. Preconceito
Etc..etc..Etc..
Disse ainda que talvez fosse melhor para ambos que terminássemos aquela história ali.
Naaaaaooooooo!!! Como estas palavras foram sair de minha boca!!
Mas saíram.
Ele me olhou fixamente e perguntou se era isso realmente que eu queria.
Pq se fosse ele respeitaria. BláBláBláBlá
Claro que não era, mas ele topou cair fora muito rápido!!
Fiquei meio grilada (grilada é antigo pacas, né?)
Conversamos..Conversamos…
Ficamos quase até sermos postos para fora.
Eu já devia estar pink de tantos clovers que bebi.
E no final, tudo combinado e nada resolvido. Mas eu ainda com aquele grilo me incomodando.
Paulo me deixou em casa. Não ousei perguntar se o boto ainda estava por lá.
Domingo, ele sabia, era dia que eu passava com meus filhos.
Então apenas pedi para que ele tirasse aquele dia para reflexão.
Que não me ligasse nem de dia nem de noite. Falaríamos na segunda feira.

E menina, assim ele o fez!!!
Putz grila…
Nem uma mensagem. Nem um recadinho!!!
O domingo arrastou-se modorrentamente.
Parece que filho/a saca quando você está mais sensível para tentar te tirar do sério!!
Mas sobrevivi.
Ao domingo, aos filhos, a falta de mensagens do Paulo e a quilos e quilos de chocolate.

Tomei meu banho pensando no que seria mais saudável:
Tentar dormir com remédinho ou com vinho?
A primeira resposta que me veio a cabeça foi : Ambos!!
Calma!!!Foi apenas uma piada interna.
Tomei uma taça de vinho por puro prazer e capotei.
Ahh querida…Tá pra nascer o Adonis que me tire o sono!!
Tá certo que dormi agarrada ao celular. Mas dormi.

Acordei no dia seguinte, com um recadinho dele
– Bom dia,gata. Vamos continuar aquela conversa? Preciso me localizar. Te espero em casa hoje para jantar, pode ser?
Respondi
Mais uma vez cara colega, vou te poupar dos detalhes do meu dia.
Aquele grilo cricrilou o dia inteiro..Ninguém merece um fantasma destes

Cheguei no Paulo.
Ele me serviu uma taça de vinho e foi direto ao assunto.

– Carla, não vou fazer nada contra sua vontade. Se não quiser continuar, paramos aqui…

Ihhhhhhhh..Lá vem aquela história de novo..

E continuou.
– Mas não vou desistir de vocė deste jeito.
Ontem vc falou, hoje eu falo.
Alguma vez já te ocorreu que talvez não queira ter filhos?
– Ahhh, vc fala isso agora.
– Eh Carla, eu falo isso agora. Pode ser que eu mude de ideia. Difícil. Mas vamos deixar de viver nossa história hoje por causa de um talvez?

Quando eu ia contra argumentar ele levantou a mão em um gesto autoritário e pediu com voz suave:
– Deixa eu falar, minha gata?

E quem resiste, né? Falaaaa Adonisssssss

– Você tem qualidades que me encantam: é decidida, inteligente, responsável, divertida. Problema tem que ser grande para ser problema…Adoro isso em vc. é de uma independência que inspira. Você é Feminina. E sim, uma delícia.
Não Carla. Não sei se é pra sempre. Mas agora quero você comigo.

– Querido,  você está preparado para barra de namorar uma mulher mais velha? O preconceito existe.  E é enorme. Começando por sua mãe.

– Não Carla. Começando por você.  Tenho respeitado seu timing este tempo todo. Não conhecer seus amigos nem você os meus amigos.  Para vc não cabe família em nosso universo, cabe? Seus filhos sabem que eu existo? Então Carla, antes de mais nada, quero saber se você está preparada para esta barra.

Ai meus sais.
Sim, sim. Sou preconceituosa. Minha geração o é. Duro admitir.
Mas pior, pior mesmo é dizer não e virar a página a este Colosso.
Não. Não. Não vou me infringir tanto sofrimento.

Naquela noite resolvemos viver um dia de cada vez. Nos nossos ritmos.
Mas juntos. Essa foi a melhor parte.

Aí amiga, vc deste outro lado do monitor se pergunta, mas e depois?
Depois?
Que depois?

Mais Episódios da Série:

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Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

11 Comentários
  1. Puxa! Que delícia de história! ! ! Só quero saber uma coisa: vai ter continuação? Rsrs Por favor! Por favorzinho! ! ! Rsrsrs Seus textos são ótimos! Ao ler sinto como se estivéssemos conversando pessoalmente! Muito interessante isso! Poucas vezes na vida pude ter essa sensação ao ler algo! Obrigada, Dominique! ! ! Grande abraço!

  2. Tenho um Adonis à 18anos
    Ele é 22 anos mais novo comecei levando na curtição hj somos um casal
    Meu filho mais velho é 02 anos mais velho q ele no começo foi estranho com meus filhos eles não aceitavam muito bem hj são muito amigos e eu não deixei q a idade me impedisse de viver este relacionamento.
    Em tempo hj tenho 63 anos e feliz da vida

  3. Belíssima história, você não sabe o quanto me ajudou, realmente não podemos nos preocupar com o depois, melhor deixarmos o tempo mostrar como será ,e viver o presente com toda intensidade que merecer. Parabéns por se deixar viver!!

  4. Foi exatamente uma história dessas que vivi e vivo plenamente até hoje! Conheci meu marido quando ele tinha apenas 18 anos e eu….33! Ele um adorável e lindo surfista bronzeado com longos cabelos e um sorriso de matar! Uma alma antiga e sempre brinco que ele vai ficar velho antes de mim! Hoje estou com 55anos e ele tem 40! Modéstia à parte, eu passo por 45 fácil (isso ajuda um pouco). Estamos casados e temos um moço lindo de 16 anos. Não é fácil, nenhum casamento é! Mas existe amor, companheirismo, cumplicidade, amizade, desejo, humor, discussões….. Tudo normal, independente de nossas idades! Nunca tive problemas com isso! Quem não aceitou muito bem, foi minha mãe, mas depois de conhecê lo melhor, tudo se encaixou!

  5. E depois?????
    Porquê tem que existir o depois,pra quê? Se viver o hoje basta!
    Mas,claro,e depois,e depois?Angustiante ter que esperar para saber ODepois!
    Mas ,claro,esperarei para saber se realmente O Depois existe!!!

  6. Adorei!!!!apoio totalmente a idéia de ” vamos viver o agora pq o depois pode nem existir”……
    Acredito q nossa felicidade não pode estar nas mãos de ng … .somente nas nossas.. somente nós podemos nos fazer felizes….e a opinião dos outros não deve importar …. preconceito é aquilo q nós mesmos criamos e acabamos por acreditar….uma grande bobagem….

  7. Fico me perguntando: não é essa a atitude de homem decidido, que não desiste, que é o sonho de todas nós que estamos vivendo a mesmo experiência?
    Os medos são os mesmos…o tempo trouxe maturidade, força, decisão, mas quando se trata de sentimento, somos adolescentes inseguras. Eu, 50 anos. Ele, 34 anos.

  8. Me identifiquei com essa estória . Há quase 2 anos Vivo um relacionamento com um homem 20 anos mais novo. No início era apenas sexo pois ele, separado e com filhos tinha namorada. Nossos encontros eram esporádicos mas ele terminou o namoro e ultimamente tem me procurado mais vezes e ate me chama pra sair. Quase sempre nego pois tenho receio de que as pessoas nos vejam juntos pois moramos em uma cidade pequena. Gosto dele, mas desde o início deixei claro que seria um relacionamento fora do convencional. Ainda estamos juntos mas não sei até onde isso vai nos levar. Beijo..sua estória é linda.

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Passeando com o passado

Dominique - Tom Jobim

Há um tempo fui conhecer o Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro.
Gente… Que coisa… Maravilhoooosooo!!!
Uma casa dos anos 50, com um painel de azulejos de Portinari, jardim de Burle Marx, enfim..
Andar pela casa, lembrando do filme de João (o Mordomo) e imaginando Waltinho em cada um daqueles ambientes.
Ohhhh my Gooooddd, aquele gato.

A casa já teria valido o passeio por si só e por toda minha fértil imaginação.
Mas tinham as exposições.
De repente, do lado de fora da casa, uma exposição me chama a atenção.
Vejo enorme o ano de 1964 impresso nas paredes daquela casa menor.
Eu me aproximo e leio – “Em 1964 – A arte e cultura no ano do golpe”.
Imediato interesse, afinal este não é só o ano do golpe, mas o ano de meu nascimento.

Que delícia ver e saber o que rolava naquele tempo.
Começo a exploração e me deparo com obras de Millôr para a minha surpresa.
Ele já escrevia em 64!!!
Muita pretensão a minha achar que ele começou a brilhar quando eu comecei a pensar, né??
Continuo deslumbrada!
Olho para uma das paredes e a foto de um moço muito atraente me hipnotiza.
A pessoa me era muito familiar.
Tão bonito.
Tão sedutor.
Parecia alguém muito próximo.
Ahhh…
Tom Jobim.

Tom Jobim em 64 era ooooooooooooo gato!!
Waltinho Sales que me desculpe, mas o Tom é fenomenal e ocupa todos os espaços daquela casa apenas com uma foto.
Tá legal, no meu caso vamos ver pesos completamente diferentes para o músico e para o cineasta, uma vez que cinema nunca foi minha primeira arte, nem a segunda, nem a terceira.
Sou daquelas que está sempre atrasada com cinema.
Mas Tom toma proporções tão grandes dentro e fora de mim.
A sua música, minha primeira arte. Que virou nossa música.
Tivesse eu nascido 10 anos antes, Tom não escapava.

E por falar em escapar e para fechar não sei se baita egotrip ou baita senso de humor do dono daquela casa, mas todas as maçanetas foram moldadas de acordo com a mão de Walther pai, ou seja, ele tinha sua mão em todas as portas.
Adorei esse detalhe.
E antes de ir embora, fiz questão de empunhar uma das maçanetas.
Quis não apenas me despedir, mas também agradecer a Walther Salles pelo legado.
Meu ego também não é pequeno.

Ai ai Tom Jobim, se pudesse voltar do tempo…

Leia Mais:

Uma música para chamar de minha
Minha lista de pequenos prazeres

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Uma música para chamar de minha

 

Quando fiz 50 anos comecei a escrever despretensiosamente sobre agruras, desventuras e comédias que passei a viver nesta nova fase.
Talvez por isso tantas mulheres dizem que se identificaram com minhas histórias.
Às vezes consigo escrever coisas que elas não conseguiam expressar.
Isso foi um grande susto para mim. E um grande mistério. Por que??
Bom… Não sei…
Mas escrevi isso tudo até aqui para contar uma outra histórinha. (Tenha paciência… Sou prolixa!!)
Vamos lá:

Já falei um zilhão de vezes que amo música.
E, por conta deste meu amor, amigos vivem me mandando arquivos com novidades ou coisas que gostam.
Um dia, recebi um arquivo de um amigo.
Escutei uma vez.
Aí, escutei a segunda.
E uma terceira.
Sabe aquela música que você gosta de cara e não sabe por que?
Ela veio sozinha no meu Whatsapp. Sem nome, sem lenço ou documento.
Mandei um zap para este meu amigo agradecendo e pedindo detalhes daquela linda música.

Ele perguntou se eu tinha gostado e eu respondi sem pensar, brejeiramente, que ela tinha a minha cara.
Rogério Naccache abandona as mensagens e me liga neste momento para contar que era uma composição dele.
Tinha composto após ler textos e comentários do meu blog.
Após começar a ter uma outra visão desta nossa geração e de como eu estava tentando traduzi-la.
Quase tive um treco.
Ele disse que logo logo precisaria de uma trilha sonora.
Estourei na gargalhada.
Mas ele, muito sério, disse que aquela música poderia ser a minha trilha…
Fosse para um filme, fosse para minha vida.
Quer ouvir?

Gostou da minha música? Porque eu amei!

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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