Música

A música que entrará na trilha sonora de minha vida em 2017. Sabe qual?

Eliane - MúsicaMúsicas da minha vida.

Não sei se por uma questão cultural, nacional, social, familiar, de descendência, de ascendência ou uma questão minha mesmo, sempre fui adepta do “homem dominante”.

Ou sempre acreditei que os homens trabalhavam melhor.
Eles e eu, claro.

Por arrogância, prepotência e ignorância, sempre achei que só a “força” masculina combinaria e coexistiria com minha competência.

Comecei minha vida profissional no mercado financeiro. Depois fui para o incipiente e iniciante mercado de tecnologia passando antes pelo setor exportação de frutas.
Note que ambientes predominantemente masculinos.

– Atividade importante é no masculino, certo? Então é pra lá que eu vou – pensava eu.

Nunca me senti menos que um homem.
Ou talvez sabedora da abissal diferença, nunca tenha sequer me comparado e sim me juntado a eles.

Usei o que o feminino me deu de graça. Cabelos compridos e adornos lato senso.
Tenho que confessar que sempre houve de minha parte um certo desprezo pelo feminino e suas atribuições.
Talvez tenha sido apenas defesa. Defesa por estar em um mundo que reconhecia apenas o “O” como significante e significativo.
Nem por isso deixei de casar, ter filhos, etc… ou até mesmo justamente por isso.

E finalmente amadurecemos.
Uma palavra que não gosto. Mas que explica o que acontece quando deixamos de crer e passamos a saber. (A fé religiosa é outra coisa).

Não é da noite para o dia.
No meu caso não foi lendo. Não foi em sala de aula. Foi vivendo.
Foi passando por coisas e conhecendo pessoas e suas atitudes. Homens e mulheres. Tanto faz.
Tanto faz hoje.

Aconteceu quando de repente, de um dia para o outro, do dia para noite, fiz 50 anos.
Foi quando se deu uma revolução de minha vida!
Revolução talvez não seja a palavra. Mudança, revelação,  transformação. Sei lá.
Peguei-me olhando para questões tão diferentes em meu hermético mundo de ternos e gravatas.

Comecei a escrever. A refletir. A empatizar. A solidarizar. A respeitar. A entender.
Sabe com quem?
Yes, darling, com a Mulher!

E assim nasceu Dominique.
Mexendo com minha cabeça, com meu sangue, com minha espinha dorsal.
Entrei de corpo e alma no universo feminino.
Quase que como um pedido de perdão, ela veio com uma enorme necessidade de não ser só minha.
Mais que um projeto, Dominique é uma causa em minha vida. Justo eu…

Mas não foi só isso.

Quis a vida que há 3 anos eu fosse sentar em torno de uma mesa com outras 15 mulheres.
Em volta daquela mesa, antes de nós, sentaram outras 16 mulheres. E antes delas, outras e outras.
Há quase 100 anos, mulheres fundaram e fizeram crescer uma obra filantrópica maravilhosa.
E ironicamente tudo isso aconteceu sem minha participação!
Elas existiram antes de mim! E fizeram um trabalho muito melhor do que eu faço hoje.
Ora, vejam só..
Mulheres todas elas. No século passado.

De repente, de um dia para o outro, do dia para noite, meu horizonte e meu entorno totalmente orientados para o masculino voltaram-se para ELA. Para ELAS.

E aqui, começo a explicar o porque da música neste texto.

Todo ano, ou quase todo, escolho uma música para fazer parte da trilha sonora da minha vida.
2017 estava sem música e, provavelmente, passaria em branco até novembro quando assisti de uma só tacada o seriado Big Little Lies e me apaixonei pelos 7 episódios, pela história, pelos personagens, pela edição e pela música.

No último episódio, ao escutar a voz de Michael Kiwanuka nos créditos de abertura tive a certeza que esta seria a música de meu ano. (Escute e veja no final do texto)

Entendi que as 5 mulheres eram pedaços de mim. Identifico-me com todas as personagens.

Renata e sua masculina competência. E sua agressividade infantil.

A apaixonada Madeline. Cheia de energia de vida.

Jane e seus medos. E sua superação.

Celeste manipulando quando se deixa submeter.

Até mesmo com a Bonnie, riponga alternativa. Sim, no caso, é ela meu lado saudável. A parte boa de mim que mata minha toxidade.

Adorei o título do seriado Big Little Lies. A música na verdade se chama Cold Little Heart. Mas isso é o de menos. A música só me pegou tanto porque a história falou fundo e alto em mim.

História de mulheres. Sobre mulheres. Sobre eu e você.
E ficou a certeza de que precisamos ser solidárias antes de rivais.
Precisamos ser colegas. Companheiras.
Precisamos uma das outras mais do que nunca.

E para isso, no meu caso, tenho que dar créditos à minha maturidade que desrespeitou meus preconceitos, desautorizou meus credos e colocou lentes em meus olhos para que pudesse ver o que não conseguia sentir.

 

Agora me conta, tem alguma música que representa o seu 2017?

Leia Mais:

Sabe qual foi meu desejo na gravidez? Uma música!

QUIZ! MÚSICAS DE SERIADOS. Vamos ver quntas músicas você acerta?

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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8 novas cantoras que adoro e 1 Dominique que ainda encanta!

Já comentei por aqui algumas vezes. Um dos meus maiores prazeres é escutar música. Bom, hoje eu dia eu digo que gosto de “quase” todos os estilos. Mas sabe que de vez em quando eu cismo com um tipo de música, monto uma playlist no Spotify e passo meses só escutando ela! Não corro mais o risco de arranhar o LP, mas garanto que o pessoal do aplicativo deve me achar meio compulsiva. 

Há algum tempo venho descobrindo aqui e ali algumas novas cantoras com uma voz bem mais suave, diria até que angelical. O mercado musical sempre privilegiou as vozes mais potentes ou algumas mais agudas. Gal Costa, Elis Regina, Marisa Monte, Ana Carolina ou Cássia Eller são artistas com vozes marcantes. 

Sabe que me cativou escutar as novas cantoras com esse timbre mais doce? Eu me sinto mais tranquila. Acho até que adiciona uma certa delicadeza que contrapõe bem com a loucura do dia a dia. Eu adoro uma função do Spotify que é “os fãs também curtem”. Pelo perfil do artista, você visualiza as músicas mais populares, a discografia e, lá embaixo, as recomendações de outros cantores semelhantes.. 

Claro que há intérpretes masculinos com voz mais suave. Mas já disse, né, eu cismei com as vozes femininas. Foi aí que comecei a montar uma playlist dedicada só a elas. A lista é enorme e cada dia descubro novas artistas. Mas eu tenho as minhas preferidas (entre as preferidas) e vou compartilhar com vocês! 

8 novas cantoras com voz suave

Ana Vilela

Ela estourou com a música Trem-bala, que tem acordes simples, mas sua letra tem uma mensagem simples, mas tão bacana. Não sei ainda se ela será artista de uma música só. Espero que não!

Aurora

Atualmente, esta é a minha cantora predileta. Não sei quantas vezes eu escutei essa versão de Life on Mars, do David Bowie. Aurora, que é norueguesa e tem apenas 23 anos, tem uma voz quase etérea.

Billie Eilish

Não são todas as músicas dela que eu gosto, mas Come Out and Play é uma daquelas canções que emocionam. Conheci porque é a trilha sonora de um comercial da Apple, uma animação premiada com uma mensagem tocante. Billie é americana e tem apenas 18 anos!

Fleurie

Eu adoro a voz e as letras da Fleurie. Ela alterna entre músicas mais românticas e outras mais pop. Algumas de suas canções estão em filmes e séries de sucesso. 

Luiza Caspary

Além de adorar algumas de suas canções, a Luiza é uma das poucas artistas no mundo que produz música inclusiva. Alguns de seus cliques são feitos com audiodescrição! 

Ruelle

Ela consegue, com uma voz angelical, ter um toque um pouco sombrio em suas letras. Gosto muito da produção dela e amei a canção em conjunto com a Fleurie.

Tiê

A paulistana Tiê é neta da atriz Vida Alves, que deu o primeiro beijo em uma novela. Tem algumas canções que eu adoro!

 Zaz

A francesa Zaz, com sua voz rasgada, tem suas músicas com um tom mais de balada. Gosto muito várias canções. Uma delas está na trilha da última novela das 6! Adoraria encontrá-la um dia cantando nas ruas de Paris, como nesse clipe!

E uma Dominique que adoro

Não é a toa que a minha seleção acima é de jovens cantoras. A minha busca inicial foi de novas vozes no mundo. Queria realmente conhecer as novas artistas que estão despontando no cenário musical. Mas, claro, que a minha playlist tem uma intérprete Dominique que está na minha lista dos top 10. 

Carla Bruni

Além de uma cantora incrível, é uma Dominique exemplar. Gosto muito do seu repertório e do seu estilo. 

Crédito foto Carla Bruni: TicketMaster

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Minha trilha sonora de 2018

A trilha sonora da Dominique

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Insensatez do coração – a história que Tom Jobim escreveria.

E foi sem querer. Essas coisas não mandam aviso. Não foi porque eu quis. Nem ela.

Era um dia de verão, desses dias que só um país tropical tem. Abafado, úmido e meio cinzento.

Já tinha rodado toda a cidade naquele começo de ano na inglória tarefa de tentar vender, vendedor que sou, mas antes do Carnaval como sabemos, nenhum comprador ousaria comprar.

O melhor que tinha a fazer era resignar-me com um belo chopp gelado para esperar a tempestade que se aproximava chegar e partir.

E ela veio. Com fúria. Delicioso temporal que lavava as ruas, as pessoas e as almas.

Seguro e refugiado dentro daquele boteco, avisei minha esposa que provavelmente chegaria tarde já imaginando as marginais inundadas e o trânsito completamente parado.

Lindinha, minha querida. Um anjo, mas preocupada que só. Nem mesmo o advento do celular e minhas constantes mensagens a tranquilizam. Então, sempre antecipo o problema. Melhor para nós dois.

Isto posto, aprecio a corredeira que se forma em frente ao bar, sem pressa, sem objetivo. Apenas olhando e apreciando.

Quando de repente, interrompendo o barulho da chuva ela entra no bar encharcada. Ela quem? Ela, a mulher mais encantadora que já tinha visto . Não….Não…Ela era simplesmente a mulher mais encantadora que já tinha sentido.

Cabelos negros molhados escorrendo pelos ombros num ousadíssimo vestido grudado no corpo que deve ter sido muito discreto quando seco. Calçava um pé de sandália e o outro trazia na mão. Ahhh… Fora pega de surpresa pela chuva.

Eu não conseguia tirar os olhos dela. Acho até que fui deselegante pois num determinado momento ela se virou de súbito me encarando.

-Olá. Precisa de algo? Você está ensopada – disse eu tentando disfarçar.

-Obrigada, não há muito o que fazer, a não ser esperar a chuva parar.

E sentou-se em minha mesa sem cerimônia, pedindo um chopp para me acompanhar no delicioso exercício de olhar a chuva.

E foi assim. De repente, sem aviso e sem pedir permissão que meu coração caiu de amores por essa mulher tão diferente. Ahhh coração mais desavisado. Foi logo se apaixonando.

E a paixão cega. A paixão desnorteia. A paixão ilude. Mas a paixão é irresistível quando já se está a bordo.

Entreguei-me aos caprichos daquela morena. E a submeti aos meus. Contava os minutos para estar com ela. Tudo que eu pensava era nela. Tudo que eu fazia, era para esperar o momento de estar com ela.

E chegou…o Carnaval, a Páscoa, o inverno. E aquele amor que mais era um vício, não arrefecia nem esfriava.

Até um dia que cheguei em casa e não encontrei minha lindinha. Ué..Ela sempre me esperava acordada com o jantar pronto mesmo quando eu tinha “reunião” com “clientes”.

Liguei para seu celular e nada. Liguei de novo. E de novo.

Comecei a ficar preocupado. Depois de horas sem notícia, fiquei muito preocupado. Meu coração não se aquietava. Ele estava apertado… A Morena me mandava as habituais mensagens de fim de noite, mas não tinha cabeça para responder.

Saí de carro atrás de minha lindinha. Madrugada a fora e nem sinal de minha esposa.

Comecei a suspeitar que algo muito errado estava acontecendo. Refiz meus passos.

Será que ela tinha desconfiado de alguma coisa? Será que eu tinha dado alguma bandeira?

Bem, eu andava realmente meio desligado, muito tempo no celular trocando mensagens com minha morena. No mundo da lua dos apaixonados, aquele mundo para poucos corações. Impaciente por vezes talvez. Mas será que ela percebeu alguma coisa?

Sim, parece que percebeu sim.

Depois de 5 dias sem notícia alguma e de meu enorme desespero, ela apareceu em casa para pegar pertences.

Quando a vi entrando, meu coração quase saiu pela boca. Não sabia se a abraçava e a enchia de beijos ou de porradas pela preocupação que me causou (Obviamente jamais bateria nela, foi apenas maneira de falar).

Ela entrou, acenou com a cabeça e passou por mim como se lá eu não estivesse. Fui atrás tentando abraçá-la e perguntando o que tinha acontecido.

Ela me olhou com um desprezo que nunca tinha visto ou sentido vindos de ninguém.

Ela descobriu meu affair. E eu neguei. Neguei e neguei.

Eu sei..eu sei…Clichê..Baita clichê. Mas fazer o quê?

E continuei negando até que ela já sem forças para argumentar, simplesmente saiu.

Foi embora me deixando lá com minhas verdades e com minhas mentiras.

Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado..
Fez chorar de dor
O meu amor
Um amor tão delicado

Ah, porque você foi fraco assim?
Assim tão desalmado
Ah, meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não
Pede perdão
Não é nunca perdoado

Insensatez por Tom Jobim e Vinícius. Agora escute a música com cuidado. Vai escutar outra música, tenho certeza.

Primeira Publicação – 25 de janeiro 2019

Leia também outros textos que escrevi sobre Tom Jobim:

Passeando com o passado

Relatos de uma mulher apaixonada

E uma playlist no Spotify só com Tom – Fiz especialmente para hoje.

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

15 Comentários
  1. Adorei sua imaginação que me levou ao sentimento da paixão e do fruto proibido!
    Muito sentimento e conexão com a música e com o Tom. Também fico feliz por ter tido a chance de ver o Tom ao vivo Show Dominique comtineuvnos enviando essa maravilhas do que refresca a mente e nos ajudam a acalmar o espírito. Bjs

  2. Adorei a homenagem!
    Q privilégio ter visto esses genios e escutado essas poesias q transmitem casos comuns de forma tão peculiar e única. Aliás Eliane, Dominique está genial na abordagem de temas tão casuais com simplicidade,coloquialidade e bom humor. Parabéns!

    1. Olá Ivana!!! Tb tive o privilégio de assistir esses monstros!! Ahhh como eu amo um bom show!! E obrigada pelo elogio. Na verdade eu que agradeço seu tempo para ler meus rabiscos!! Beijocassss

  3. Meninas, cresci escutando Bossa Nova. Que previlégio! Esses gênios queridos são riquezas brasileiras, são curativos, alegria, emoção, cultura, tudo junto!
    Só que antes disso tudo a nossa Bossa é paixão…
    Tá explicada a “Insensatez”,o “Infinito enquanto dure”, o “Perdão cansa de perdoar”, etc.
    Só que daí têm os ônus né, com os quais nossos gênios não estavam muito preocupados !
    Bom pra nós, que herdamos esse trabalho lindo e poderemos para sempre dar boas viajadas !

  4. Querida Eliane !
    Até senti a chuva , bebi o chope e conheci a morena .
    Alguns amigos homens , mais sensatos , dizem-me que rezam para que isto nunca lhes aconteça … eles sabem que o coração é assim mesmo e que no segundo em que uma mulher lhes causar esta paixão, tudo o que está estabelecido na sua vida cairá por terra .
    Pelo caminho , todos sabemos , quanto é saborosa essa “insensatez “ enquanto a mastigamos e o sabor rola na nossa boca …
    obrigada !
    Adoro ler os teus textos !

    1. Nossa Ze Valério. Não poderia ter tido um complemento melhor para o texto do que seu comentário. Além de suuuper verdadeiro, sensato e incrivelmente sensível, vc escreveu de maneira lindíssima. Amei…

  5. Amei a história principalmente por adorar a música e os compositores. Que gostoso poder entender a música. Agora muito mais.

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E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil?

Sabe, algumas coisas eu gostaria de ter vivido como por exemplo, o Festival de Woodstock. Apesar de ter 5 anos naquele agosto de 1969, tenho memórias afetivas em relação ao evento. Por certo essas memórias foram construídas em cima do que se escreveu e do que se falou a respeito. Inegavelmente a experiência de Woodstock foi transformadora para os jovens que estiveram naquela fazenda americana por 3 dias. É provável que muito do que vivemos hoje é fruto de Woodstock.

Aí me pego pensando se haveria uma remota possibilidade de um Festival como Woodstock ter acontecido pioneiramente no Brasil. Será? *

Não sei. Entretanto sei que um Festival como o de Woodstock mudaria a cara do Brasil. E essa semana em que todos os veículos estão fazendo matérias do que foi o festival e seu legado, resolvi fazer um exercício. Escrevi um texto como se nosso país tivesse sido sede do maior evento de música do planeta em 1969.


E já na linha do “e se”, aposto que tudo teria acontecido no interior de Minas Gerais. Por que? Porque que outro estado do país tem uma cidade chamada Nanuque?
Existe nome melhor para um Festival do que Nanuque? Soa quase internacional, né não?


Bom, isto posto, vamos a meus delírios?

E se Woodstock tivesse sido aqui
O festival de música que mudou o Brasil faz 50 anos

O Festival – Onde

E foi há 50 anos que um punhado de jovens mineiros em férias por pura falta do que fazer, resolveram produzir um festival de música. Simples assim até porque antes de mais nada, mineiros são empreendedores até quando estão de férias.

Eram muitos os sócios naquele empreendimento. Estudantes de cursos variados da Universidade de Ouro Preto, que acabaram não viajando nas férias de verão.

Em 1969 o Brasil vivia um momento político dos mais difíceis da história. Entradas foram cobradas com o intuito de que o dinheiro arrecadado no Festival fosse enviado para as famílias dos presos políticos da época ou para aqueles exilados.
Com esse mesmo mote conseguiram surpreendentemente que todos os artistas aderissem ao evento e tocassem pela causa sem cachê.

Nanuque não foi a primeira opção escolhida para acolher o festival e sim Araponga, uma cidade na Zona da Mata (vamos combinar que Araponga também seria um nome maravilhoso) entretanto fazendeiros e coronéis de Araponga nunca admitiriam aquela invasão bárbara de jovens contraventores. Uniram-se formando uma comissão e mandaram o filho de um deles, recém saído do Largo São Francisco, impetrar algum mandato de segurança a fim de impedir aquela loucura . Tarefa bem sucedida visto que o Festival foi expulso sumariamente daquela área.

O êxito do jovem advogado espalhou-se rapidamente de tal forma que ele se tornou representante legal de grandes usineiros da região. Daí a se tornar um famoso advogado defendendo crimes cometidos por poderosos endinheirados foi um pulinho. Assim não demorou muito para que Marcio Thomaz Bastos se tornasse Ministro da Justiça.

E se o festival tivesse sido em Nanuque?
Você sabe onde fica Nanuque? 500.000 pessoas descobriram como chegar lá em 1969

Quando

– O evento que aconteceria em janeiro, no verão, teve que ser adiado para agosto por falta de licenças e outras burocracias do estado. Estipulou-se assim que o Festival de Música de Nanuque aconteceria nos dias 15,16 e 17 de agosto de 1969.

Os nascidos depois de 1975 não tem ideia da burocracia, lentidão e “cafezinhos” necessários para que as coisas funcionassem. Se temos hoje o sistema público mais eficiente do planeta, em 69 podíamos dizer que tínhamos o pior. Para os que não sabem, simplificar e digitalizar todos os nossos processos só pode acontecer depois que Roberto Justos entrou na máquina e inclemente, demitiu quem precisava ser demitido, começando assim a azeitar a máquina e principalmente simplificando processos que eram complicados por uma cultura que já não mais nos pertencia.

O Público


– O público presente superou e muito a previsão dos organizadores uma vez que Zélia Cardoso de Melo, responsável pela contabilidade do evento, estimou que 50.000 pessoas estariam no Festival . Pode-se dizer que ela passou perto (kkkk) uma vez que 500.000 pessoas passaram por Nanuque naquele fim de semana de agosto. Por causa de um “errinho à toa” de cálculo como esse Zélia desistiu da carreira de economista e foi tentar a vida como trapezista num circo da cidade.

Os Problemas e as Soluções

Os organizadores não contavam que inesperadamente 450.000 pessoas a mais apareceriam por lá causando um verdadeiro caos.
Mas as soluções apareceram porque afinal de contas os nossos jovens sempre foram muito mais criativos.

A maior de todos as dificuldades foi alimentar durante 3 dias aquele mundo de gente, no entanto o problema da alimentação não teria sido tão grave e desesperador se o responsável pela logística não tivesse fugido com o dinheiro. Ahhh sempre alguém foge com o dinheiro. E nesse caso foi um estudante argentino que não deixou rastros.
– A solução veio de um convento de freiras baristas que ficava às margens do Rio Mucuri e vizinho de um laticínio que doou todas as sobras de queijo. Por fim, o que alimentou  aquelas 500.000 pessoas foi o mineiríssimo pão de queijo feito pelas freiras com uma antiga receita de uma delas .

O Pão de queijo com Tubaína

-E foi assim que o pão de queijo ganhou fama internacional dando ao Brasil um quitute para representá-lo como os doces conventuais de Portugal, o faláfel de Israel e da esfiha dos Libaneses.

-A única bebida disponível além das pinguinhas dos alambiques era a dulcíssima Tubaína. E foi certamente em Nanuque que Tubaína caiu no gosto dos jovens. Em 1985 a Holding Tubaína Inc. comprou a Coca Cola tornando-se uma marca mundial.

Este foi o setlist para os 3 dias do Festival de Nanuque

  • Sá, Rodrix e Guarabyra
  • Lo Borges
  • Tete Espíndola
  • Lilian sem o Leno
  • Milton Nascimento
  • MPB4

Para o segundo dia

  • Raul Seixas
  • Tim Maia
  • Mutantes
  • Erasmo Carlos
  • Secos e Molhados
  • Jorge Bem
  • Tony Tornado

E para o último dia:.

  • Alceu Valença
  • Elba Ramalho
  • Gilberto Gil
  • Gal Costa
  • Wilson simonal.
  • Vanusa

Coisas que aconteceram

Tim Maia não apareceu. Deu o cano sem ao menos avisar. Para tapar o buraco na programação, uma das organizadoras colocou para cantar seu namorado uma vez que este tinha grandes aspirações artísticas. Pena  ele estar tão chapado a ponto de esquecer a letra de Blowin’ in the Wind levando a maior vaia. Foi aí que Eduardo Suplicy desistiu de ser vocalista na Banda Nagasaki e por conseguinte qualquer tipo de carreira musical, entrando para a política logo depois do Festival. Chegou a ser Senador da República, sempre entoando Blowin’ the Wind, nos bons e nos maus momentos.

Rita Lee no Festival de Nanuque
E foi com muito custo que Rita Lee conseguiu sua credencial para o Festival de Nanuque

– A segurança do show, não acreditou que Rita Lee era a Rita Lee. Ela teve que cantar Panis e Circenses para o leão de chácara, para que ele deixasse ela subir ao palco onde os outros integrantes dos Mutantes já a esperavam aflitos. Ritinha linda linda linda, tornou-se a musa do Festival de Nanuque e a rainha do Rock’n’roll. Estourou nas paradas de sucesso do mundo inteiro tendo Ovelha Negra em primeiro lugar da Bilboard por meses. Seus shows no Central Park ficaram famosos. Teve convidados como : The Doors, Beatles, Barão Vermelho, Simon and Garfunkel (teve um namorico com o Simon), Secos e Molhados, David Bowie, Cauby Peixoto e por aí vai. E até hoje, Ritinha nega-se a gravar CD de Natal. Talvez graças a ela essa moda tenha caído em desuso há anos! Só temos a agradecer, né?

E a chuva?

– Nuvens carregadíssimas aproximavam-se anunciando senão o apocalipse, uma tempestade indesejada. A turma da era de Aquário juntou-se num mantra com certeza de resultados positivos. Deram-se as mãos e juntos entoaram ritmadamente, como se fossem tambores indigenas – Chu-va não! Chu-va não! Chu-va é pra bur-guês! Aqui só tem nu-dez!. Infelizmente a chuva caiu a despeito dos clamores. Como sempre. E quem se deu bem foi o vendedor de capa de chuva, Luiza, Tia Luiza. Já sabem quem né?

– Acredite se quiser, mas durante aqueles 3 dias, não houve um único incidente violento. Pode-se dizer talvez que o ocorrido no show de Erasmo Carlos tenha sido áspero ou um pouco mais quente, mas jamais agressivo. Tremendão foi o quinto nome da noite, com a platéia já aquecida em todos os sentidos. Quando estava prestes a começar entra no palco um jovem muiiito louco chamado Olavo de Carvalho, fazendo um discurso de protesto contra a prisão de um companheiro de luta, o José Dirceu. Erasmo Carlos não achou engraçado. Muito pelo contrário, irritado grita para Olavo de Carvalho : – Cai fora!! Cai fora de meu palco!! Você não vai F****R com o rock’n roll

Vanusa, encerrou o festival, puxando um Hino Nacional, numa atitude altamente temerária para o período e o público. Porém foi acompanhada por um guitarrista desconhecido que fez alguns riffs em cima do Hino. A galera delirou. Talvez por conta do horário, da embriaguez, da exaustão ou ainda da micro saia da cantora, existe uma grande probabilidade de ninguém ter reconhecido aquela música como sendo o Hino Nacional. Os riffs de Pepeu Gomes foram eternizados assim como ele considerado o maior guitarrista de todos os tempo.

Alguns destaques

– Todo o evento foi documentado pelo jovem cineasta David Cardoso. Ele com sua Super 8 captou quase tudo e principalmente a essência do festival. Abandonou a faculdade de medicina, tornado-se um cineasta famosíssimo, ganhador de 2 Oscars, 3 Leões, e Palmas incontáveis com filmes sensíveis, profundos e de primorosa produção.

Amaral Gurgel, enviou o modelo Gurgel Itaipu Elétrico para desbravar a lama de Nanuque. Esse viria a ser o primeiro carro 100% brasileiro e primeiro carro elétrico do mundo já em 1969. Gurgel tornou-se o nome mais importante do setor automobilístico mundial. Chamou a atenção da Engesa, industria de tanques brasileira. Engesa e Gurgel juntos fundaram a EspaçoBr que em 1990 vendeu o primeiro voo comercial para a lua para Eike Batista.

Gurgel Itaipu, o carro elétrico Made in Brasil

Médicos? Para que médicos?

– Emergências médicas ocorreram aos montes. Inacreditavelmente nem uma única morte. Ainda mais se pensarmos que os médicos que tínhamos lá eram todos estudantes de universidades de medicina de diversos estados brasileiros. Foram recrutados pelos organizadores do evento e receberam em troca do trabalho, o transporte para Nanuque. Foi aí que Dráuzio Varella viabilizou seu sonho criando os “Médicos sem Fronteiras”.

E se nanuque tivesse sido aqui olha só os médicos
E aqui, alguns dos estudantes de medicina que se voluntariaram para atender a multidão de jovens que estiveram no Festival de Nanuque

E o argentino, hein?

Lembra do argentino que fugiu com a grana da logística? Ele voltou anos depois para o Brasil. Já não era apenas um argentino. Era agora um franco argentino por conta de seu casamento com uma milionária francesa que morrera subitamente deixando Luis Favre viúvo e solitário. E foi por isso que ele resolveu voltar para rever seus antigos colegas do Festival, sendo recebido e hospedado por Marta e Eduardo Suplicy.

Legado

O espírito do Festival de Nanuque, permeou toda a sociedade, facilitando a abertura política mostrando aos militares a maturidade de nossa juventude. A democracia foi restaurada na base da paz, do amor e da flor.

E assim o foi quando em 1971 as eleições diretas para presidente voltaram a acontecer no país. Eleito presidente da nova república democrática, Roberto Campos conduziu o país a liderança do bloco capitalista. Abriu nosso mercado, estimulando nossas industrias e seguindo os mais modernos conceitos da economia liberal.

E tudo na vida é uma questão de ponto de vista. Se o mundo é realmente redondo olha só como ficaria o mapa após Nanuque..

Woodstock no Brasil

Eu vou contar até 5 e quando estalar os dedos todos acordaremos no Brasil de verdade onde o Festival de Nanuque nunca existiu. E nos dias 14, 15 e 16 vamos comemorar os 50 anos do Festival de Woodstock, esse sim um divisor de águas

*Como bem lembrou Henrique Cury, tivemos no Brasil alguns festivais nos moldes de Woodstock como Águas Claras e Iacanga. Ambos aconteceram depois do Festival Americano. E vamos lá, por que você não faz como o Henrique e me manda uma sugestão para acrescentarmos nesse texto? Pode ser um delírio, uma possibilidade, um fato, o que vc quiser. Aí depois eu vou escrever a versão 2 de “E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil” com todos so créditos. Gente, isso pode ficar muito legal, viu?

Nota: Não tive uma grande preocupação com coerência de datas e idades. Aliás com coerência alguma. Por favor não leve esse textinho muito a sério. Foi só diversão. Beijo da Lili pro cê, tá?

Leia Também :

Woodstock – Estilo Boho Hippie de se vestir

Passeando com o passado

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Mas bah! Será que teria acontecido deste jeito ? não vi tu falando de ninguém tomado chimarrão e nem fazendo um churrasco de pelo menos umas lingüiças.

  2. Muito bom querida! Vá enfrente porque tens muitas riquezas internas para dividir conosco!! Bjo Vera

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Show da Barbra Streisand com Kris Kristofferson – Mais que sonho

Chegamos finalmente ao Hyde Park para o show da Barbra Streisand depois daquela viagem épica que contei aqui. Tudo muito organizado, nem pareciam ser quase 70.000 pessoas.

Pulseirinha British Summer Time

Colocaram-nos pulseirinhas como nas baladas. Moderninho.

Público show da Barbra

Os maridos  perguntaram qual o número de nossas cadeiras e se eventualmente sentaríamos todos juntos. Dedé e eu ficamos mudas e fomos caminhando para o gramado. Passamos por pessoas sentadas em mantas espalhadas pelo chão, num delicioso piquenique gigante. Foi aí que contamos que não haveria cadeira e que portanto pelas próximas 4 horas ficaríamos em pé.

Naquele momento senti que corria risco de perder senão um marido toda minha credibilidade conquistada ao longo de 32 anos de casamento.

Dear Mrs Streisand, capriche!! Tudo isso precisa valer a pena.

Bryan Ferry no esquenta de BS

Depois de uma hora  começa o esquenta com nada menos que Bryan Ferry. Eita coroa em forma viu? O cara tá com 73 anos e gato. Charmoso pra burro. Cantando as mesmas músicas de sempre, mas que conhecemos e  respeitamos. Aliás ele é um senhor a se respeitar a história apesar de ter se casado com a namorada do filho. Ou até mesmo por isso. Quem sou eu para julgar, né? O que me interessa nele é seu talento para minha paixão. A musica.

E ele cumpriu sua missão. Esquentou mesmo o público.

Pelo menos eu esquentei. Dancei, cantei, balancei bracinhos, fiz amizade com as pessoas do meu lado. Entrei no clima.

Gravei uns videozinhos que entretanto ficaram muiiiito ruins. Como não tenho o menor senso do ridículo vou publicar a maioria deles. Mas no final do texto, publicarei a setlist do show com vídeos bem melhores que outras pessoas gravaram.

Agora, o que é a dispersão, não é mesmo?

Parei de escrever um pouquinho para fuçar a história do casamento B. Ferry com a ex do filho e acabei sabendo até o que aconteceu com os pais da terceira mulher que se suicidou depois que casou com o dono da boate inglesa do século passado. Em resumo fiquei quase duas horas navegando para coisa nenhuma! Ai que raiva!!

Mas voltando.

Sai Ferry. Entra a orquestra ou banda, sei lá. Era um monte de gente e um monte de instrumentos.

Eles tocam um pout pourri que prenuncia o que vem para frente certamente muito animador.

E entra Barbra. A simples presença dela já causa arrepios e não só em mim. Foi uma comoção geral.

Ela  usa um kaftan rosa, mas bem rosa, estampado com mangas amplas, da estilista Zandra Rhodes . Como sei?

Num determinado momento do show, ela deu créditos aquela senhora baixinha de cabelos pink com uma roupa super pink que estava em pé ao meu lado. Yess…A tal Zandra Rhodes estava do nosso lado e só percebemos quando todo mundo virou para olhá-la.

Um detalhe sobre a roupa de Barbra: Um Kaftan solto, bacanérrimo, mas solto. Inegavelmente o tempo passa para tooooodas nós , capicce?

BS and a teacup
Barbra e sua xícara de chá

Começa um delicioso bate papo tão descontraído que me senti na sala de visitas da artista embora estivesse de pé (lembra?) . Ela contudo, senta-se junto a um bule e uma xícara de chá e começa a falar de sua vida carreira e músicas.

De cara conta que o motorista que a levou do aeroporto ao hotel, perguntou-lhe se ela iria a Pride Parade. E ela respondeu:

– Por que iria? Vou encontrar todo mundo no dia seguinte no meu show no Hyde Park.

E foi verdade.

Vou abrir um parênteses aqui para falar do público. Não é vantagem nenhuma mas acho que a Dedé e eu éramos das mais novas de lá. Nem por isso as mais animadas.

Muita muita muita gente na casa dos 60/70 anos. Muitos casais heteros, gays e afins. O arco-íris inteirinho estava lá representado por uma geração que viveu Woodstock e por outra que foi a discotecas .

Muita gente chorando a cada música, a cada história.

Obviamente existe além de tudo uma memória afetiva que Barbra Streisand nos traz em  suas músicas ou principalmente em sua voz.

Vê-la e ouví-la é um daqueles privilégios que não há como agradecer ou retribuir ao universo.

Não sei se pareço uma tolinha deslumbrada, mas me sinto impelida a dividir essa experiência. Deslumbrada estou mesmo. Na verdade embevecida.

Ela contou que o último show que fez em um parque tinha sido em 1967!! Isso mesmo, há 53 anos no Central Park.  Mas que felicidade ela ter topado o cantar novamente num parque, desta vez para 66.000 pessoas.

Tudo isso entremeado com historia de sua carreira, fotos no telão, e muita música.

Ela então começa a falar de Nasce uma Estrela. Ahh como eu me lembro deste filme. Assisti naquele cinema da Paulista, acho que era o Gazeta, sentada na escada do cinema que naquela época não tinha lotação máxima. Me debulhei em lágrimas, na primeira vez, e em todas as outras sessões a que fui.

Ela começa a falar de Kris Kristofferson. De seu parceiro.

Ela e o diretor estavam a procura do ator para o papel, ator/cantor. Não fizeram um casting propriamente dito. Foram a bares se não me engano pela Califórnia.

Young KK

Mas quando ela viu Kris cantando num palco improvisado teve a certeza que era ele.

Aquele homem rústico de vozeirão DESCALÇO no palco. O que a pegou foi justamente o fato de ele estar descalço com o violão em punho.

Muitos suspiros, e mais ainda quando ela o chama e ele entra no palco, Bonitão, muito bonitão.

BS e KK

Barbra, de mãos dadas com Kris, diz que se arrepende muito de ter cortado uma cena do filme, e Tcharan! A cena aparece no telão! Gente, uma cena inédita de nasce uma estrela. Mas por uma falha técnica, o áudio estava totalmente fora de sync e ficou incompreensível. Falha imperdoável da produção de uma Diva.

Entretanto, justamente por ser uma verdadeira diva, usou o bom humor para lidar com a situação. Veja aqui nesse vídeo que gravei da tal cena.
Cena do filme Nasce uma Estrela que Barbra Streisand arrepende-se de ter cortado.

Depois disso, convidou Kris a cantar com ela Lost Inside of You. Esta foi a parte triste do show. 

Aquele monumento que povoou sonhos de minha adolescência, não conseguia cantar. Balbuciava as palavras. Provavelmente lhe faltou voz e memória e talvez tenha sobrado emoção. Não sei. Mas o público ficou penalizado evidentemente.

Kris Kristofferson e Barbra – A gravação é minha novamente..afffff

Barbra foi amiga, cantando, a sua parte e a dele. Encurtou a música, abraçou e beijou Kris e quando ele saiu, ela falou:

-Oh My God. What a man. E aqueles dentes? Vocês já viram homem com sorriso assim?

E dessa maneira voltou a nos alegrar.

Bem, Barbra fez questão de mostrar fotos de sua noite de estreia de Funny Girl em Londres, com a Princesa Margareth indo aos backstage. Foi ovacionada. Assim como quando apareceu sua foto com a Rainha Elizabeth.

Depois mostrou fotos dela em outros momentos com a princesa Diana . Impressionante a força que Lady Di ainda tem. O público veio a loucura.

Não sei se propositalmente ou não, na sequências vieram uma ou duas fotos dela com o príncipe Charles, e a frieza era de congelar. Tenho cá pra mim que o inglês não é lá muito fã desse príncipe. Mas eu sou apenas uma brasileirinha que não entende nada de realeza.

Num determinado momento ela chama alguém, que realmente acho que nunca vi quer mais gordo quer mais magro. Um cara bonitão num smoking, e deslumbradamente encantado de estar ali.

Talvez você o conheça já que é o ator/cantor de Fantasma da Ópera, Miss Saygon e sei lá mais o que.

Ele se chama Ramin Karimloo.

Ela perguntou:

– Mas você está de smoking. Por que? Por que veio tão chique?

– Porque você é Barbra Streisand.

Ai gente, essa resposta me pegou. Achei tão bonitinha!!

E ela disse que ele segurasse a plateia que ela ia se trocar.

Ele cantou. E cantou bonito.

Aí volta nossa Diva num vestido preto de tafetá. Amplo e decotado. Longo, porém curto na frente. Siiimmmm, ela com 77 anos tem perna para vestido curto.

Avisa que nunca cantou ou sequer ensaiou com aquela roupa, e que Deus a ajude.

Realmente a roupa não se comportou muito bem, pois ficava o tempo todo mais curta do que deveria. Porém quando ela sentava, e fechava as mangas como a um xale, deixando apenas uma das pernas cruzadas a mostra era arrasador.

E aí, cantaram juntos. Foi a vez do fã ser generoso com o ídolo.

Ramin diminuiu e muito seu canto para que a voz de La Streisand soasse grande. Generoso e muito legal, pois todos percebemos que naturalmente sua voz e seus agudos estão impressionantemente belos para uma mulher de 77 anos, assim como suas pernas.

E da-lhe música.

E da-lhe história

E dá-lhe surpresa. Talvez a maior da noite.

Ninguém sabia, nem mesmo boa parte da produção. Mas Lionel Richie,  deu uma canja. Yesss. Não sou fã dele, mas não foi ruim vê-lo ao vivo. Nada nada.

Lionel Ritchie e Barbra Streisand na surpresinha da noite – Memories.

E foi por aí. Genteeee, já tava dando quase 4 horas que eu estava em pé. Ok..Ok..é um preço pequeno a se pagar, mas a limitação é física.

Fiquei olhando as amigas de Jane Joplin e me perguntando se elas beberam uma água diferente da minha durante o show. Estavam todas inteiras e lépidas.

Verdade seja dita, quando Barbra Streisand falou que Antonio Banderas estava por ali cheguei a ficar animadinha e até passei discretamente meu batom. Ahhhhh como sou bobinha.

Bem, ainda tinha muita história pra contar do Show da Barbra, mas não sei se você está tão interessada assim.

Saímos em êxtase do parque. Nem ligamos quando percebemos que teríamos que andar uns 6 km as 22h30 até nosso hotel pois não havia qualquer tipo de condução disponível naquela hora para acomodar 66.000 fãs.

No entanto, houve ainda um momento tenso! Foi quando a Dedé percebeu que não tinha nada aberto prum lanchinho. Ahhhh…Dormir com fome não estava nos planos né?

Barbra Streisand – Todas as músicas que cantou no show. Aqui em vídeos que outros fãs gravaram, aliás muito melhor que eu.

Leia também: Show da Barbra – Como cheguei até lá

Astor Piazzolla – o Show que faltou

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Comentar o quê? Faltam palavras. Só agradecer o presente esta manhã. Obrigado pela linda estória contada.

  2. Gente… foi mesmo incrível! Valeu todo esforço físico, valeu cada centavo pago, momentos que vamos guardar no coração pra sempre!
    Um evento muito Dominique não só considerando a faixa etária mas a wibe do público em total sintonia com a dela. Todos cheios das mais deliciosas “memories “, cheios de vontade de curtir e se entregar à emoção das músicas, das estórias contadas, das sacadas bem feitas…as 4 horas voaram, sério. E o que achei mais legal é que nós demos pra ela tanto prazer quanto recebemos dela. Foi uma troca. Artista e público. Foi demais.
    FinalizAMOS cantando todos juntos:
    ”People who need people…are the luckiest in the world..”. Não podia ser melhor.
    Isso é muito Dominique ❤️Já sdds Lili bjsss

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