Tag: Nossas Histórias

O OLIMPO EXISTE – ep.1


Casei, descasei.
Neste meio tempo, vivi uma vida inteira e tive 2 lindos filhos.
Segui todo o modelito.
Separada, comecei outra vida quase que do zero.
Tive meus romances.
Uns mais sérios, outros menos.. e assim fui levando.
Quando fiz 50 anos bateu aquela micro crise básica.
Sempre fui mignon, aparentando menos idade.
Isso ajuda.
Modéstia às favas, pode-se dizer que sou uma mulher bonita.
Gente, estou tentando compor o quadro, ok? Não me exibindo.

Mas não adianta. Mesmo com todos estes predicados a crise bate.
E numa destas noites de baixo astral, baixa autoestima, moral baixo por conta do baixo RG, uma amiga maluquetes (se você não tem deveria ter. JÁ!!) me ligou para sair.
Insistiu. Passou em casa. Ela me amolou tanto que eu concordei.

– Carlinha, nós vamos à uma balada!!
– Balada, Nena? Tá louca? Que preguiça. Vamos no de sempre, vai.
– Não!!!
Bom, chegamos na tal boate (kkkk, sou antiga)
Um aglomerado de gente na porta!!
– Nena será que aconteceu alguma coisa? Tá todo mundo do lado de fora?
– Afffff, Carlinha. Credo… Esse povo todo tá fora querendo entrar!!
– Vamos ficar na fila??? Tá louca? Vamos emboooraaa.
– Querida, aqui eu sou V.I.P. Fique tranquila.

Bom… deixamos o carro com o manobrista, passando à margem daquele monte de gente se empurrando. Entramos por uma porta lateral, onde um leão de chácara (ainda se fala assim??) prontamente abriu a porta com um enorme sorriso ao ver Nena.

Entramos num ambiente escuro. Música insuportavelmente alta. Bate-estaca, obviamente.
Nena grita no meu ouvido.
– Vamos pro CAMAROTEEEE.
Chegamos ao tal camarote que, na verdade, não passava de uma mesa isolada por aquelas fitas amarelas, sabe?
Já tinha umas 10 pessoas no “local do crime”. kkk
Nena começa a me apresentar.
Meus olhos já adaptados à escuridão começam a perceber onde e com quem estou.
Oh my God!!!
Xóveeeenssss
São todos xóvensssssss.
Ela me apresenta para duas meninas. Acho que Tati e Ju. Ou Ale e Gio,tanto faz.
Saias do tamanho de minha clutch e pernas compatíveis!!
Regata? Que nada. Sabe aqueles trapinhos de seda presos por fios que deixam as costas inteirinhas de fora?
Queridaaaa!!! Sutiã, pra que??????????
Aí, os meninos… Ro, Bru, Gui, Rafa, Dani..
Gente, todos eles quase da idade de meus filhos!!
NENAAAAAAAA!!! O que nos estamos fazendo aqui??????
Quando ia para o meu segundo berro de desespero, Nena me dá um copo de sei lá o que e diz:
– Bebe, minha querida. Bebe que tudo vai fazer mais sentido.

Era um drink. Bonito!! Colorido!!! Numa taça linda!!
Experimentei.
Uma delíciaaaaaaa

– Nena o que é isso? O que? Não consegui entender.
– Fala mais alto. GIM COM O QUE???

 

Bom, e foi assim que eu me apaixonei.
Eu estava apaixonada pelo tal Clover Club e suas amoras .
Hipnotizada pelo encarnado de seu drink, comecei a achar a música mais divertida.
Já não me soava tão irritante.
– Gennnteeee e não é que dá pra dançar esse negócio??
Nena chegou pertinho e falou no meu ouvido.
– Carlinha, a noite é sua. Seja a pessoa mais importante, mais bonita, mais desejável, mais desejada desta balada hoje. Nem que seja só para você.

É impressionante o que umas frutinhas vermelhas num drink podem fazer por nossa autoconfiança! Ou seria a clara de ovo?
Bom, fato é que o sorriso apareceu.
A música entrou em meus poros e eu dancei deliciosamente.
Sozinha.
Na verdade, muito bem acompanhada, comigo mesma.
E de meu segundo Clover Club drink, é claro! Cheio de amoras…

Eu não sei dizer ao certo o momento em que eu já não estava mais dançando sozinha.
Deus grego, manja?
1m80 pra mais.
Braços fortes, músculos definidos.
Rosto quadrado.
Nariz de homem, sabe como é?
E colega, cabelo!!!!
Muiiiiito Cabelo!!!
Dançamos muito.
Num determinado momento, aquele Adonis se aproximou e bem pertinho de meu ouvido, perguntou o meu nome.
– Maia. MAIA. – Resolvi brincar. Mesmo que eu comigo mesma em uma piadinha que só eu entenderia.
– Que nome bonito, Maia.
Resolvi também que não perguntaria o nome dele.

O tempo foi passando.
É impressionante a intimidade que a música confere a pessoas que escutam juntas, numa mesma sintonia, não?
Esta intimidade duplica ou triplica se esta música estiver sendo dançada.
Ou seria o álcool o responsável?
Ahh. Sei lá.
Tanto faz.
O fato é que naquela noite, naquela madrugada, Maia e Adonis formaram um casal.

Só naquela noite, eu sabia bem.
Quer dizer. Eu sabia mais ou menos.
– My God. O que eu estou fazendo? – Me perguntei diversas vezes
– Você está se divertindo muitoooooooo, respondia  Maia, meu alterego temporário.

Adonis segurava o meu corpo com a segurança de um Zeus.
Aiiii, como era bom isso.
Aquele toque.
Aquela pele.
Aquele cheiro.
Aquela força.

Naquela pista eu já tinha saído do comando fazia algum tempo.
Deixei-me conduzir na dança e madrugada afora.
Tive medo que alguém ouvisse meus pelos se levantando, arrepiados cada vez que Adonis respirava perto de meu pescoço.
Eu sentia a respiração dele. Estava ofegante muitas vezes.
Quando, enfim, fomos para a saída da boate, eu não ofereci nenhuma resistência.
Vi apenas a Nena piscando, para sinalizar que não esperaria por mim. Eu já tinha arrumado carona.

Daí pra frente, as coisas foram acontecendo como toda a naturalidade e simplicidade que o sexo de boa qualidade merece!!
As brincadeiras no carro.
A entrada no apartamento dele.
O começo.
As brincadeiras na cama.
As muiiitaaasss e deliciosas brincadeiras.
A visão do Olimpo.
O banho.
A volta ao Olimpooooooo.
Tudo com muita intimidade.
Inclusive o soninho nos braços de Adonis.

Acordei meio assustada, mas possuidora de 100% da minha memória recente.
Assustada, mas muitooo feliz.
Quando estava me levantando para pegar minhas coisas e chamar um Uber, ouvi:
– Por que a pressa? Ainda é tão cedo. Vem cá, gatinha.
– Ahhh, Adonis. Eu preciso ir pra casa. Não avisei ninguém…
– Posso fazer uma pergunta? Por que você me chamou de Adonis a noite toda? Este não é o meu nome.
– Ahh querido… Não foi por mal.
Dei um beijinho. Saí da cama e rapidamente me vesti. Não via a hora de ir embora.

Já sozinha no Uber, na segurança da minha solidão e meu silêncio, abri um largo sorriso de prazer pela noite vivida.
Consegui viver uma noite de sonhos.
Não perguntei o nome do meu Adonis.
Não perguntei nada, na verdade.
Desta maneira, evitei a pergunta seguinte.
Sem nomes. E, principalmente, sem idades.
Ao sair do Uber, propositalmente deixei lá o papel onde Paulo anotou seus telefones e contatos com beijos carinhosos para Maia – a Deusa grega da fertilidade.

Você quer saber o que aconteceu com Maia? Leia aqui o episódio 2

Mais Episódios da Série:

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

1 Comentário
  1. Gostei. Corajosa, há se eu tivesse metade da corage dela. Amei a história. . Parabéns Dominique de todas nós mulheres. …

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Reencontrei o amor da minha vida num velório

Esta é minha história. E imagina só o inusitado.
Recebo o telefonema avisando que um querido amigo tinha falecido. Apesar de recém-operada da coluna, nada a fazer senão ir ao velório, né? Solidariedade é fundamental nestas horas. Mas inchada da cirurgia, com dores horrorosas, tudo o que eu queria era conforto. Como poderia saber que encontraria lá o homem que foi o grande amor da minha vida?
Pois é. E foi assim, inchada, com aquela roupa confortável, mas que engorda pra burro, aquele sapatinho de velha que o improvável aconteceu. Lá estava ele. Não é justo!!!

Quando o vi, ele já estava saindo, lindo e mais charmoso ainda com cabelos grisalhos. 40 anos depois, o tempo não passou para ele.

Daquele dia em diante, ele não me saiu do pensamento. Precisava revê-lo. De qualquer maneira. E isto aconteceria na missa de 7º dia! Batata!!

Fiz uma megaprodução e, para minha decepção, ele não foi.
Mas como não sou de desistir, inventei uma desculpa e liguei para a filha do falecido. Descobri coisas que talvez preferisse não saber. Ele é casado com uma empresária top,  o cara vive com a mulher-maravilha e, segundo a moça, absolutamente apaixonado por ela. Meu mundo caiu. Resolvi que o melhor a fazer era tentar esquecer essa história.

Bom… Como disse lá em cima, solidariedade nestes momentos é importante. Fui visitar a viúva uns dias depois,  mas o destino tramou a meu favor, desta vez, linda e cheia de confiança, graças a deus… Adivinha? Descendo do carro dou de cara com ele. Sabe-se lá o motivo, mas não nos falamos.

Fiquei completamente enlouquecida. Você pode imaginar. Consegui seu celular, nem conto como… Três dias depois, me enchi de coragem e liguei. Tremendo, disse:
– Aqui é a Julia. Te vi duas vezes e resolvi ligar para confirmar se era você mesmo.
Meio sem-graça ele fala:
– Como vai? Reconheci sua voz outro dia.
Completamente atônita completei com o absurdo:
– Então tá, é você mesmo, beijo.
Desliguei só o celular, porque continuei ligada nele 24 horas por dia.
Passados uns dias e imbuída de mais coragem ainda, mandei uma mensagem convidando-o para um café e levei um fora hollywoodiano.
– Melhor não Julia, já se passaram tantos anos, não gostaria de mexer nisso não.
Affffff.

Segue a vida.
Viajei para o Canadá para visitar minha filha e tentar, em vão, colocar a cabeça em ordem, estava em processo de separação. Por obra do destino, no meio de uma baita confusão no aeroporto que não vale a pena contar, mandei uma mensagem para minha agente de viagens e foi parar no celular dele. (?!?!)
João Alexandre não entendeu nada, mas muda de ideia:
– Bom, mas já que ligou, que tal aquele tomarmos aquele café?

Chegou pontualmente.
O que falar nessa hora? Tanta coisa para contar, um passado inteiro para ser remexido. Perguntei:
– Vamos para onde?
Sem pestanejar ele propõe:
– Para um motel. É o único lugar que ficaremos à vontade e sem correr risco de sermos vistos.

Por mais apaixonada e saudosa, fiquei desapontada. Logo de cara me leva para um motel, está pensando o que?
Falamos de filhos, casamento, disse que estava me separando. Ele falou que seu casamento era estável, nem bom, nem ruim, dentro dos conformes.

Abriu a carteira e para meu total espantou, tirou uma fotografia minha, com 15 anos. Segundo ele, nunca me esqueceu. Mostrei a foto que carrego no meu celular e ele começou a chorar. Choramos juntos. Como pode um amor tão bonito se perder assim na vida?

Passamos a se falar pelo Whatsapp todos os dias. Meu marido já havia saído de casa. Ele ficava sem graça de ter a mulher por perto.
Aos 53 anos, me sentia radiante ou, como ele falou, exuberante!

No segundo encontro, uma explosão de tesão acumulado, impossível descrever. O melhor sexo da minha vida!
Continuamos a nos encontrarmos, duas vezes por semana, às vezes, três.
Culpa, remorso, raiva, ciúme, tudo que um relacionamento a três pode causar, passamos em cinco meses.
Também vivi todo amor que é possível e impossível.

Tentamos nos afastar por algumas vezes sem sucesso, pois a paixão era enorme. Mas por outro lado, o sofrimento também. Então, num determinado ponto, não aguentei mais a situação. Escrevi a carta mais difícil da minha vida:

João Alexandre, meu amor,
talvez a gente se encontre novamente com o coração mais maduro e decidido, não era para ser agora.
Não me tenha mal. Tentei o mais que pude, não consegui.
Amo você demais para dividi-lo, isso tem me consumido tanto que não consigo disfarçar mais.
Sei que sou difícil, às vezes, chata, carente e até arrogante. Não me culpe, a vida me fez assim. Sempre na defensiva, com medo de perder, nem sabia o que, mas com muito medo. Sabia que tinha muito a perder, descobri que era o meu coração que já nem existia mais.
Te encontrar foi um bálsamo, uma miragem, um oásis no meio do deserto que eu habitava.
Como sonhei depois daquele encontro, me permiti, pela primeira vez, depois de tanto tempo, sonhar.
Fui em busca desse sonho, encontrei e hoje abro mão dele, não por birra, nem raiva ou qualquer tipo de sentimento pequeno que não seja esse amor enorme que não cabe no meu peito, que me tira o chão e o fôlego, que me despiu de corpo e alma como nos filmes de amor. Só esqueci que nos romances um dos dois sai dilacerado e sou eu quem está assim.
O amor só aumentou nesses cinco meses, não estou mais dando conta dele, está grande demais para ser vivido por mim sozinha.
Sozinha vivi a vida, sofri e me despi de ser eu mesma, hoje não consigo mais.
Oxalá não tivesse dignidade, nem amor próprio, tampouco me importasse com as outras pessoas envolvidas nesse laço que eu dei e só eu posso desatar.
Hoje ouvindo você falar com tanta ternura no celular com sua mulher, senti uma dor tão grande que não consigo mais parar de pensar no mal que estava fazendo a vocês dois.
Não tenho o que oferecer para você a não ser esse amor louco e sem medidas que não cabe na sua vida, não agora.
Talvez um dia a gente se encontre por aí, quem sabe em um velório ou numa festa, com os corações cicatrizados, feridas saradas e com maturidade para sentar e conversar ou até para dar um abraço gostoso sem medo e sem remorsos.
Não era para ser, se traz angústia não está certo, não culpo ninguém por isso, eu procurei essa história para minha vida e posso assegurar que foi a melhor coisa que eu fiz nesses longos 35 anos.
Amar você me fez forte, tomar decisões adormecidas, criei asas, voei nas suas asas e isso foi muito importante e muito bom, mas também muito sofrido. Sofrimento, meu caro, não quero mais para minha vida, já paguei minha cota.
Não me queira mal, o meu amor por você é real, puro e verdadeiro.
Já falei uma vez e vou lembrar que se um dia você estiver disponível, agora ou daqui a alguns anos podemos ter esse recomeço, sem medo e sem culpa.
Morar na casinha ou em qualquer lugar, não importa, o importante é estarmos juntos inteiros, sem horas marcadas, sem magoar ninguém e sem nos magoarmos.
Hoje apago você da minha vida, sigo com um vazio enorme e uma dor dilacerante no peito, me perdoe se o fiz sofrer, só queria fazê-lo feliz.
Vou sentir falta das nossas conversas, do nosso sexo e até das nossas brigas.
Até um dia.
Até talvez.
Até quem sabe?
Beijo
te amo.

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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SAI MAIA ENTRA AFRODITE – ep.2


– Nena, que noite!!
– Me conta tudo, Carla. T-U-D-O!!
– Menina… One night stand.. na minha idade?? E com um menino??
– Ahh, amiga. Não o conheco, mas não era tão menino assim. De longe, naquela balada escura, me pareceu ter uns 40 anos. Senão mais.. Quantos anos ele tem afinal?
– Não sei. Não perguntei.
– E pensar que você não queria sair de casa, hein, Carlinha!!
– Nenaaaaa que delícia. Que pegada!! E que energia. Eu mereci. Mereci muito esta noite divina dos deuses.

Resolvi não contar a minha piadinha interna. Guardei Adonis e Maia só pra mim e minhas memórias.
Este seria o casal eternizado naquela noite e não Paulo e Carla.
Adonis e Maia eram algo que representaria um conto de fadas. Ou melhor, uma noite mitológica.

Sobe som e toquemos a vida!!
E tocando a minha vidinha eu fui.
– Gente, que droga que é ser mulher às vezes né?
Foi uma belíssima experiência. Ok. Mas passou, Carlinha.
Repetia isso para mim mesma, todas as vezes que me pegava curtindo as lembranças.
One night stand é one night stand.
Será que ele pensou em mim alguma vez?

Afffffffff
Menininha menininha… Esquece.
É o que vou fazer!! Vou esquecer!!

E o tempo foi passando.
Mas não vou mentir pra você.
Não passsou tanto assim.
Implorei para que Nena fosse comigo à tal balada no fim de semana seguinte.
Você imagina a produção, né? De lingerie a luzes no cabelo. Tudo novo.
Conforme o sábado foi se aproximando, eu fui ficando mais e mais ansiosa.
Ou seria nervosa?
Será que ele vai lembrar de mim?
Será que ele vai OLHAR pra mim?
Será que ele vai estar sozinho?

Ai que saudade.
– Tá bom amiga? Jura?
– Esta saia não está muito curta?
– Este look ou este?
– A cor ficou boa em mim?
– Carla!! Não consigo mais responder seus whatsapps. Sossegaaaaaaa.

Bom… e é chegado saturday night fever!! Aiii que antigo…
John Travolta. Será que ele já era nascido quando o filme apareceu?
Tanto amolei Nena que chegamos cedo à balada. Horário de tia mesmo.
– Bom… é cedo..

Querida, não vou prolongar esta agonia, nem sua curiosidade.
Não. Ele não apareceu!!
Vou te poupar dos detalhes patéticos desta noite.
Quem sabe um dia ainda consiga rir dela e transformá-la num texto bem-humorado?
Mas ainda hoje, passados muitos anos, odeio lembrar as coisas que senti sentada sozinha naquela mesa.

E aí segunda-feira foi chegando mesmo antes de o domingo acabar.
Como?
Ahhhhh, também tenho os meus truques.
Como explicar para os filhos tamanha melancolia?
Como explicar isso para o universo???
Como eu sou rídicula.
Então me enfiei no trabalho.

E assim os dias foram passando.
E eu trabalhando. Ou me distraindo com o trabalho.
Meio tristonha, mas levando a vida.
Um dia após o outro.

Agora chegou a hora de você perguntar que horas eu o reencontrei!
Porque sim. Claro que eu o reencontrei. Senão não teria escrito outro textão!!
Você acha que escreveria pra te contar que nunca mais o vi???
Ora, me poupe colega!!
Bom, eu o reencontrei sim.

Não… não esbarrei nele no shopping.
Não… ele não descobriu meu telefone.
Nãooooo. Não foi obra do acasooooo.
No sábado seguinte lá estava eu na balada de novo!!!!
E aí de quem falar que foi sorte!!
Foi persistência, gata!!!!
Tanto fiz que uma hora, né?

Todo ritual de beleza novamente.
Todo ritual de ansiedade novamente.
Todo um trabalho de convencimento junto à minha amiga Nena.
– Carla. Já deu. Não aguento mais ir a esta baladinha de babies. 3 sábados seguidos?????
Desta vez tive que prometer pra Nena um fim de semana em Ilha Bela que ela tanto ama e eu tanto odeio.

Vou igualmente te poupar de outros tantos detalhes.
Quando cheguei, ele já estava lá.
Estava pegando uma bebida quando me viu,.
Abriu aquele sorriso que me desmonta.
Não ficou eufórico nem surpreso por me ver.
Nem tampouco saiu correndo de perto de mim.
Estava apenas reencontrando uma amiga.
– Maia…Tudo bem?

Não..Na minha idade não faria mais joguinhos de sedução.
Sabia exatamente pq estava ali.
E deixaria isto claro.

– Tudo. Que bom te encontrar. Na verdade acho que vim justamente para isso.
Ele soltou uma deliciosa gargalhada me agarrando pela cintura e me trazendo mais para perto dele.
Ahhhhhh ele podia não estar eufórico de me ver. Mas estava longe de estar triste.

Bebemos, dançamos e sabíamos como acabaríamos aquela noite.
Mas desta vez, conversamos um pouco.
Ou tentamos.
O tanto que aquele barulho deixou.
– Sou do interior. De Ribeirão Preto. Mas trabalho em São Paulo também. Sou engenheiro agrônomo.
– Ahh, que legal. Eu trabalho com educação.
Não ia falar nem morta que sou pedagoga. Sem ofender ninguém, mas tem profissão mais de tia do que pedagogia?
– Minha adorável professora. E me deu um daqueles beijos deliciosos.

Continuamos nos pegando como adolescentes na pista.
De repente, sem mais nem menos, enquanto dançávamos, ele perguntou minha idade.
respondi o mais rapidamente possível.
Queria me livrar daquele problema. Não queria dar pinta de que estava me preocupando.
– Cinquenta! – falei
– Quanto? não escutei, desculpe. Quarenta?
– Isso. Quarenta e dois. E você?
– Trinta e nove. Vou fazer 39..
Ufa….
3 anos não é lá uma grande diferença, vai.
Aliás, quem disse que 3 anos é diferença????

Mais Episódios da Série:

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

4 Comentários
  1. Quem é ou foi Dominique? lembro dessa música na minha infância e fico triste, talvez por que quando a ouvi pela primeira vez eu estava num momento triste, ou porque me faz sentir algo que eu não me lembro, vidas passadas talvez??

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QUAL O CAMINHO PARA O OLIMPO? – ep.3

Ôôô… felicidade viu!
Pele boa.
Brilho nos olhos.
Riso fácil.
Claro que naquele segundo encontro trocamos telefones.
Mas não anotei em papelzinho desta vez.
Na-na-ni-n-a-não
Gravamos em nossos celulares.
O que?
Menina, com o trabalhão que tive para encontrá-lo depois daquele primeira one night stand, desta vez eu gravei o celular, fixo, trabalho, e-mail, endereço, rg, cpf, número do sapato, matrícula de reservista.
Não perderia meu Paulo/Adonis* de novo.

Ahhh, sim. Nesta noite contei meu nome verdadeiro.
Tentei fazer parecer engraçado ter dito que me chamava Maia e que isso não tinha sido uma mentira.
Apenas uma fantasia. Que Maia era muito mais instigante que Carla.
Não colou muito. Mas também não atrapalhou muito.
E fomos em frente.

Trocamos algumas mensagens durante a semana.
Confesso. Tive que me conter. Minha vontade era mandar um milhão de mensagens.
Ligar e falar com ele o tempo todo.
Mas me contive.
Ele tinha voltado para Ribeirão Preto, e não sabia direito quando voltaria.
Não sabia? Ou estava me despistando?
Não sabia? Ou não queria me dizer quando voltaria?
Carla, Carla!!
PQP.. 42 anos no lombo e insegura deste jeito???
Ahhh, é… Tem isso.
Não contei para ele, ainda, que tenho 50 anos.
Ahhh, mas ele é tão maduro. Tão sério.
Não me parece que vai se impressionar com nossos 10 anos de diferença.
Não são 10? Ai, como você é preciosista, tá bom… 11 anos!!
12???? Mas por que 12??? Ele não disse que tinha 39 anos?
Ahh é, vai fazer..

Agora, por que esta preocupação toda?
Cazzo… Só se preocupa assim quem quer um relacionamento.
Quem quer namorar… mãozinha dada, cineminha domingo à tarde, troca de presentinhos de dia dos namorados, conhecer os amiguinhos dele, conhecer a família dele……. affffffffffff.
Mas não eram só umas trepadinhas?? (Perdoe o meu francês).
Sim, só isso.

Bom… As escassas trocas de mensagens continuam por mais eternas duas semanas, até que ele me conta que ficará por aqui por 15 dias.
Sabe aquela felicidade que sentimos quando uma calça jeans de 10 anos fecha novamente?
Multiplique por 10.
Não… Por 20!
Eu não me aguentava.
Já comecei a planejar cada detalhe daqueles 15 dias.
Do almoço na chegada do dia 1 à noitada, do café da manhã do dia 2, da surpresa que faria no dia 3…
Mas, pera!
Quando foi mesmo que ele falou que queria me ver?
Ele não falou.
Repassei tooooodaaaas as mensagens.
Não. Ele não falou.
Chamei a Nena.

– Nena, veja se tem alguma entrelinha aqui que diz subliminarmente que ele quer me ver.
– Nop…

Não aguentei.
Liguei!
Ora bolas!!
Que papo é esse de mensagem, SMS, torpedo???
Quero é falar com ele!!!
Liguei mesmo!
Caixa.
Liguei de novo!
Caixa.
Liguei de novo, só que desta vez para a Nena.
E acredite… meio que em desespero.
Ela só não riu porque sentiu que eu estava tristinha mesmo.
Nena me consolou. Conversou. Falou. Pouco adiantou.

E o final de semana chegou.
Nena me arrastou para o cinema.
Chorei até. O filme nem era tão triste. James Bond..
Quando saímos, ligo meu celular e tcharammmm.
Adivinha?
Três ligações perdidas.
1ª – da minha mãe!!!!
2ª – da minha mãe!!!!!!!
Mas não faria você, leitora, chegar até aqui se não tivesse algo muito legal pra contar, né?
3ª – ligação perdida do Paulo/Adonis.

– Neeennnnnaaaaa, mamãeeeee me ligou!!!!
Ela me olha com um certo pesar me vendo retornar a ligação. kkkk.
– Alô? Oi… Tudo bem? … Tudo… Vi que me ligou… É, estava no cinema com uns amigos. Amanhã??? Amanhã almoço com meus filhos…
Nena me olhou espantada.
– Pois é, Nena – expliquei depois – tenho filhos. E é almoço de domingo.
– OK… Te encontro lá umas 17 horas. Beijos…
Pulinhos, pulinhos, muitos pulinhos de felicidade.

No dia seguinte me encontrei com Paulo em seu apartamento.
Ele quase não teve tempo de virar a chave da porta.
Não estava me aguentando de saudade.
Beijei, apertei, afaguei, abracei…
E melhor.
Fui correspondida.

Depois deste domingo, durante aquelas duas semanas, tive que trabalhar, óbvio.
Mas o trabalho, meus filhos, meus afazeres eram só interrupções para o momento do dia em que encontraria Paulo.
Sim querida…
Nós nos encontramos todos os dias.
E todas as noites.
Óbvio que aquilo já era um relacionamento.
Óbvio que eu já estava apaixonada.
Óbvio que a diferença de 12 anos não me incomodava.
Não… Não me incomodava dentro de quatro paredes.
No apartamento dele.
Em nossos jantares a dois.
Mas, por algum motivo, para as pouquíssimas pessoas (duas além da Nena: minha gineco e meu personal) que ousei contar sobre este meu relacionamento, não consegui falar da idade.
Senti vergonha.
Senti medo do julgamento.
Mas tinha certeza que isso com o tempo passaria.
Era uma questão de acomodação.
Eu precisava me acostumar com a ideia.
Ahhh, mas isso se o Paulo estivesse na mesma vibe que eu, né?

Mas… Reload um tantinho o texto.
Relacionamento? Em duas semanas?
Carla, Carlinha, Carlota… Sua romântica. Isso está mais para um affair!!!
E por isso mesmo que fiz muito bem em não contar para os meus filhos.
Tava cada vez mais difícil inventar desculpas.
Mas, também, não os vejo muito preocupados comigo.
Na real, estão pouquíssimo interessados no que faço ou falo, contanto que não atrapalhe os interesses deles.
Essa geração millennial é de lascar, viu?

Voltando.
Fora essas minhas crises, dramas, nóias e neuras posso dizer que nos divertimos muiiitoooo.
Conversamos sobre tudo.
Paulo é um homem culto. Inteligente. Com ideias jovens e frescas, claro.
Ele espantosamente conhece coisas, músicas e costumes da minha época. Isso facilita muito.
Ele lê. Gente!! Ele lê!! Jornal, livro, revista!! Baita diferencial, vai?
Esportista.
Bom… aí eu dava um jeito de ir de bike do lado dele enquanto ele corria.
Cozinhei para ele.
Fiz surpresinhas.
Ele também fez.
Sem falar no sexo, né?
Ahhhh.. Morra de inveja!!!
Lembra como era? Pois é..
Teve dia de eu pedi arrego. Juro…
Foram dias felizes. Muito felizes… Muito.

E chegou o dia de ele voltar para Ribeirão.
Ahaaaaa!!! Tá achando que me matei de chorar, né?
Que fizemos despedidas apaixonadas e chorosas?
Que fui levá-lo até o carro e fiquei olhando ele ir embora??
Nada disso!!!
Sério!!
Nós nos despedimos na frente do Uber que me levaria para a minha casa.
Um beijinho rápido.
Queria perguntar quando ele voltaria.
Mas não consegui.
Quando vi que meus olhos iriam marejar, voltei para dar-lhe um outro beijo junto com um beliscão naquele bumbum lindo!
Com muita vontade!! E vendo a sua cara divertida e surpresa fechei a porta do carro.
– Aceita uma bala, uma água?
– O senhor não teria um Clover Club, teria?

* Se você não entendeu e QUER entender o porquê Paulo/Adonis, veja as histórias anteriores:

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Tem mais .?
    Continua está tão bom sua história.
    Sabe que me coloquei em seu lugar e é uma PUTA experiência para ninguém botar defeito.
    Felicidades. Bjs

  2. Adorei e vivenciei cada episódio como os tivesse vivido!
    A narrativa, deliciosamente pseudo-apimentada,deixando que esses detalhes ficassem por conta de cada uma!
    Não vejo a hora de mais narrativas!
    Se reencontraram,voltaram a se amar?
    Não nos mate de curiosidades!

    1. Sheila, hoje tem mais texto. Que bom que esta gostando da história da Maia e do Adonis. Somos todas deusas merecedoras do Olimpo, nao acha? Beijocas querida..

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VISITANDO JOCASTA- ep.4

Dominique - Homem mais novoPaulo e Carla.
Carla e Paulo.
Não vou te manter em suspense.
Se você leu os 3 textos anteriores merece saber que não houve sofrimento após aquela despedida.
Se você não leu, vai entender que Paulo e eu somos um casal que vivemos em cidades diferentes.
Depois daquela despedida, Paulo continuou me tratando como se estivesse na porta ao lado.
As mensagens eram muito frequentes e as ligações diárias.
Os vínculos estavam formados.
As rotinas também.

Ele ficava 15 dias em Ribeirão Preto e 15 dias aqui.
E assim as quinzenas foram passando.
Os 15 dias daqui eram dias plenos.
Tinha momentos tão felizes que eu parava de respirar, e tentava congelar aquelas cenas em minha memória ou em meu coração.
E dizia que queria guardar aquele sentimento para poder sentir mais tarde.
Não era possível ser tão feliz em um espaço tão curto de tempo.
Paulo se divertia.
Os 15 dias que ele passava longe eram uma grande contagem regressiva, que só aumentava o prazer da expectativa e do reencontro.
Ele chegava sexta-feira à noite ou sábado de manhã.

Naquele final de semana ele chegou na sexta-feira e, como sempre, despenquei em seu ap quase que imediatamente após a sua chegada.
Eita, como a saudade faz bem.
Bom, matada a fome, fomos comer alguma coisa. Mas na cozinha.
E foi aí que ele me falou, aliás com muita naturalidade.
– Amanhã almoçamos juntos, né?
– Mas é claro!! Tenho que voltar pra casa para algumas coisinhas com meus filhos, mas o almoço é com você.
– Ahhh, que bom. Vai conhecer minha mãe então. Ela vem para São Paulo para ir a um show, acho que um musical, e vamos almoçar juntos. Vou fazer um risotinho aqui para nós. Falei que você estaria aqui.

Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!

Genteeee!! Como???
O que foi que ele falou??
Mãe????? Ele tem mãe???
Tá bom, eu sabia que ele tinha. Mas para mim ela era uma entidade, tipo boto cor de rosa.
Existe, mora longe, sei histórias, mas tenho pouquíssimo interesse.
Mas e agora???
Não quero conhecer a mãe dele.
Não quero almoçar com o boto!!
Muito menos aqui na casa dele!!!

O que ela deve pensar do filhinho estar namorando uma mulher 15 anos mais velha!!!
É. 15. Não te falei? Upss..
Então, um dia tive que contar para ele que não tinha 42. E sim 50.
Ele aproveitou para me falar que não tinha 38 e sim 35.
Mas aí já era tarde demais.
Claro, né? Não sou tão bobinha assim. Nem ele.
Claro que nós dois sabíamos que a diferença não eram só aqueles 3 anos.
Mas isso era um assunto menor. Ou tão maior que evitávamos.
Sempre preferi ficar sozinha com Paulo. Ou ir a lugares românticos e fora do meu circuito.
Ele não se incomodava.
Mas não deixava de sugerir lugares badalados, barzinhos da moda. Eu evitava. Preferia não ser vista com ele.
Acho que não estava preparada.
Não contei para os meus filhos. Quer dizer…
Eles sabiam que eu estava namorando.
Mas disse que não era nada sério, que quando chegasse a hora nos reuniríamos todos.

Aí agora, cara colega, você aí desse outro lado do monitor vai dizer:
– Que bobagem!!!
Ahh, é! Até parece…
Tudo que eu queria é que fosse, sim, uma bobagem, um preconceito ultrapassado ou da minha cabeça.
Então fui a campo. Cheguei a fazer alguns ensaios para sentir o que viria do mundo.
Primeiro, obviamente, troquei muitas e muitas ideias com a Nena.
Quando ela percebeu que a coisa estava deixando de ser uma brincadeira e que já tinha virado um relacionamento começou a me fazer perguntas incômodas.
Contei que tinha aberto meu coração e dito minha verdadeira idade. Ele a dele. E que aquilo foi motivo de risadas, os 15 anos, eu digo.

– Carla, isso tá muito estranho. Muitooo. O que ele faz mesmo?  Trabalha com que? O apartamento é dele?  Menina…………. Olha lá!Você não está bancando nada para ele está???  Você sabe quem ele é realmente?
Afffffffff
Eu sei que ela não falou por mal.
Sei também que ela, assim como eu, não vê problema em mulheres que ganham mais que o homem.
Mas sei lá. Se minha melhor amiga falou comigo deste jeito…
O preconceito existe.

Vou te poupar de descrever o tipo de comentário ou pensamento que passa na cabeça das pessoas quando veem um casal assim.
Mas continuei tentando aceitar a diferença na aceitação do outro.
Então chamei a Paula.
Paula, minha amiga super super descolada e moderninha e open minded.
Tinha certeza que ela falaria tudo o que eu queria ouvir.
E ela disse:
– Carlaaaa, minha linda!! Parabéns!!!!  Querida, isso é muita competência!!! Esta é uma das melhores coisas que pode acontecer com uma de nós Dominiques: ter um relacionamento com homem mais novo. Ainda mais se for este TUUUUUDDOOO o que você está falando.  Coisa mais linda… Aproveite muito.

Respirei fundo, numa alegria quase infantil, e abri um largo sorriso, adorando o apoio e prestes a contar toda a nossa história de amor como uma adolescente (porque, afinal, tudo o que eu queria era dividir com o mundo aquele meu louco amor). Foi quando ela completou…
– Só tome cuidado para não se apaixonar!!! Não queira brincar de casinha e sonhar com happy familyAffair com homens mais novos tem prazo de validade.
Prazo de validade.
Esta frase ressoava na minha cabeça. Martelava.

Mas era ouvir a voz dele, ler uma mensagem, sentir seu toque, que tudo isso passava.
Verdade é que na cama nunca senti esta diferença.
Não sei se porque não tínhamos espelho no teto.
Também se tivéssemos sou míope graças a Deus.
Mas sempre dei conta do recado.
Com galhardia.
Ahhh… uma mulher sabe disso. Sabe quando agrada.
E era plenamente correspondida.
Pois é…
Mooorra de inveja!!!
Namorar menino tem lá suas vantagens… Muitas!

Mas, agora, voltando ao tal almoço??
Conhecer a sogra?? Gente!! Nãoooo!!!!
Tinha que arrumar alguma desculpa para não ir.
Mas o que?
Dor de cabeça? Nahhh
Cólica? Nahhhhh
Casamento do primo mais novo? kkkkkkkk Nahhhh

Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!Pânico!

Pensei até em pagar alguém para quebrar uma das minhas pernas. Talvez as duas.
Mas tive essa ideia muito em cima da hora e não achei ninguém disponível.
Como dizia meu pai: o que não tem remédio remediado está.
E na falta de remédio melhor para situação, dá-lhe Rivotril.
Você tem ideia do tormento que foi me arrumar para aquele almoço?
Sim, você deve ter.
Roupa mais chiquezinha ou mais descolada?
Salto alto ou sapatilha?
Bolsa?
Uso maquiagem? Claro, né Carla!!!!
Hellooooo… 50 anos!!
Paulo ligou perguntando se eu queria que ele me pegasse.
– Não querido. De jeito nenhum. Vou com meu carro.
– Ahhh, já chegou? Que bom… Quer que leve algo? Nada mesmo? Ok..

Mas não fui com meu carro não. Resolvi pegar um táxi.
Fiquei com medo de me perder, de bater, de não chegar.
Moro no Itaim e o Paulo, em Perdizes. Não é tão longe, masssss…..
Você sabe como é mulher nervosa.
Foram os 4 minutos mais angustiantes da minha vida.
Sim, sim, eu sei.. Num sábado sem trânsito este percurso não daria menos de 25 minutos.. Mas nunca uma porra de uma viagem de taxi passou tão rápido.
PQP.
Enfim.
– Chegamos – disse o motorista diante de uma mulher paralisada no banco de trás.
Paguei. Peguei minha bolsa e a garrafa de vinho e os chocolates chiquetérrimos que comprei para hora do cafezinho e me encaminhei para portaria.
– Boa tarde dona Carla. Pode subir. Seu Paulo está te esperando.
– Ahh, obrigada seu Zé. A mãe dele já chegou?
– Dona Mariana? Já sim!!

Não sei porque, mas gelei.
Fiquei pálida.
Percebi que estava suando frio. Devo ter borrado a maquiagem.
Pedi que seu Zé avisasse pelo interfone que eu tinha chegado.
Na verdade, estava ganhando tempo e tentando recobrar o ritmo normal da minha respiração.
Quando minha tontura diminuiu, meu suor secou e o meu batom fixou eu abri a porta do elevador e subi.
Paulo estava na porta me esperando.
Não deixei que ele me beijasse na boca. Na verdade, acho que ele nem tentou.
Segurava minha bolsa de um lado como se ela fosse um escudo antibombas, e os chocolates como se fossem um terço.
Dona Mariana estava nos esperando na sala com um largo sorriso.

– Mãe, esta é a Carla.
– Olá, Carla. Já ouvi muito falar de você.
– É um prazer finalmente conhecê-la – disse dona Mariana com o mesmo largo sorriso e com os beijinhos tradicionais.
Muito carinhosamente me convidou para sentar num sofá que eu tanto conhecia.
Disse que amava chocolates, e que aqueles eram especiais.
Fui ficando um tiquinho mais à vontade.
Paulo, obviamente, dono da situação ou pelo menos dono do espaço se movimentava pelo apartamento me servindo uma coca zero, entrando e saindo da cozinha vigiando seu risoto. Mas percebi nele também uma leve tensão.
Mas o papo fluiu.
Fluiu bem.
Falamos amenidades.
– Agora entendo porque o Paulo é tão maduro e culto, dona Mariana.
– Dona? Dona não, vai… Mariana

Senti que ela parou a frase de sopetão. Senti que ela se reprimiu.
Tenho certeza que faltou o “afinal somos quase da mesma idade”…
Tenho certeza!!
Ou será que foi nóia?
Foi nóia. Claro!!!
Estava sendo super bem tratada.
Me sentindo quase que acolhida.
Bom.
Almoçamos.
E a conversa continuou amena.
Pairava no ar talvez um quase imperceptível desconforto.
Talvez um cuidado excessivo.
Não sei.
Mas normal para pessoas que se conhecem.
Sobremesa.
Cafezinho. Chocolates.
Começou a faltar assunto.
Então bora falar do tempo, né?
– Nossa, mas como está quente, não?
– Este verão está especialmente quente, vocês não acham?
– E dizem que Ribeirão Preto é ainda pior, não é Mariana!! Como você aguenta?
– Ahh, Carla. Fica pior nesta nossa idade. Mas depois de um tempo, nós nos acostumamos com a menopausa e os calores diminuem.
Silêncio…………………………………..
Acho até que meus olhos chegaram a marejar.

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Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

9 Comentários
  1. Que coragem! Fiquei me imaginando nessas situações, não consegui me inserir nesses contextos….deu medo….mas, que privilégio o seu, poder viver uma história dessas…maravilha.

  2. Maravilha, e qdo sai o prox capítulo? Me identifiquei Muito, me voltar no tempo lembrando alguém muito especial q por medo e insegurança mandei embora d minha vida…

  3. Eu tenho 50 anos e o meu marido 36 estamos juntos a 15 anos , quando nos conhecemos eu tinha 36 e ele 22 , mas isso nunca foi um problema pra nós e foi e é Ele quem tem as responsabilidades financeiras em casa

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