Dominique

Coisas de Dominique é onde histórias de mulheres são contadas. Histórias de mulheres que realmente têm o que contar.
Eliane Cury Nahas por vezes transcreve, por vezes traduz coisas que Dominiques (aquelas mulheres com 50 ou mais anos de histórias) contam. Surpreendentemente você se identificará com muitas delas, afinal #SomostodasDominiques

A publicidade não fala com as Dominiques. Por quê?

Dominique - Publicidade

Definitivamente a publicidade não fala conosco, Dominiques!

Ahhh… Claro que fala! Tem aquela publicidade do creme contra rugas.

As empresas que fabricam e anunciam esses produtos mágicos de rejuvenescimento também fabricam perfumes, maquiagem, produtos pra cabelo. Mas parece que nós não nos maquiamos. Nós não nos perfumamos.  Nós não lavamos cabelo. Nós só envelhecemos.

A diversidade que eles tanto pregam, LGBT, diversidade racial, igualdade de gêneros e outras, não incluí Dominiques. 

Mas já que é para falar de cremes e rejuvenescimento, falemos. Sobre eles. Prometo que não vou ser panfletária. Vou fazer gracinha, tá?

Nada contra. Nada contra quem usa. Nada contra quem não usa.

O que sempre me incomodou é o tal “rejuvenescimento”. Eu NÃO quero REJUVENESCER!
Quero saber envelhecer . Aliás, envelheço desde o dia que nasci. Você também. Sério.

Tem pessoas que já me confessaram não estão encarando bem o espelho e o envelhecimento.
Morro de pena. De verdade. Porque não há muito o que fazer.
Quem sabe, talvez, tratamentos cosméticos e plásticas.
Mas estes são apenas paliativos para a imagem e o reflexo. E temporários. Efêmeros. Com um custo altíssimo.
Não. Não estou falando de dinheiro.

É duro ver no espelho minha coxa em babados??  PQP, claro que é!

Vou pra musculação xingando e com a certeza que no máximo estarei com a consciência tranquila quando usar maiô na praia. Fiz meu melhor! A perna continuará em babados. E a da maioria das minhas amigas também.

É… Cést la vie!!

Mas garanto!
Ninguém discute um texto de Julio Cortázar como eu.
Ninguém faz um moqueca como minha amiga da casa ao lado.
Ninguém tem um papo tão delicioso como a amiga da casa da frente.

E tomar caipirinha comendo um petisquinho (frito de preferência) com elas na praia, tomando um solzinho, falando quilos de bobagens, não tem preço.

De vez em quando até passa na nossa frente uma daquelas mulheres lá de cima que falei. Num biquíni pequenino. Com um chapéu maior que nosso guarda-sol. Corpaço. Inveja? Talvez. Por segundos.

Mas aí eu penso no que ela fez, ou pior, no que ela deixou de fazer em nome do corpaço e do espelho.
Bom, a inveja continua.
Mas como o bolinho de arroz muito mais aliviada e ainda coloco um tabasquinho.

Dominique - Publicidade

Leia mais:

A casinha do armário e os segredos de uma lembrança
Qualidades ou defeitos? Minha lista dos tipos de homens

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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A casinha do armário e os segredos de uma lembrança

Dominique - Armário
Lembranças de um armário? Sério?

Meu pai, como já contei, era engenheiro inglês e veio para o Brasil a serviço de uma empreiteira locado na construção de Brasília e outras grandes obras.

Naquela época, não havia muito essas grandes especializações de hoje. Engenheiro era engenheiro. Estrada, pontes, cidades, tanto fazia. Era a pessoa que sabia construir.

Isto posto, lembro que meu pai era o consultor de todos os amigos na hora de comprar o primeiro imóvel.

Num sábado ensolarado, lá longe, acho que em 76 ou algo assim, papai me convocou para acompanhá-lo a uma destas visitas técnicas.

Era uma casa. Aos olhos de uma menina, uma casa velha. Apesar de vazia, vi os sinais dos antigos moradores em todos os cantos. Nenhum móvel. Mas pinturas riscadas, pisos andados, armários empenados.

Meu pai técnico que era, analisava cada milímetro para elaborar um relatório preciso e perfeito que fizesse jus a responsabilidade a ele conferida. Avaliar a compra da morada de toda uma família era coisa muito séria, ainda mais em tempos de “pra toda vida”.

Você consegue imaginar o tempo que ficamos por lá?

Bem. Passada a primeira hora, já sem nada para fazer e sabendo que ficaria lá por muito tempo, comecei uma exploração investigativa da casa.

Em cada cômodo analisava os sinais do tempo e imaginava como estes interagiram com as vidas lá vividas.

Cozinha com uma copinha.

Vi ali, com os olhos imaginativos de uma criança, a avó, mãe da dona da casa, separando o feijão que ficaria de molho para o almoço de domingo.

A mãe, dona da casa, ouvia o radinho de pilha enquanto lavava a louça do café e começava a pensar no almoço do sábado.

Na sala, na poltrona, o pai de chinelos, lia o jornal e se preparava para quem sabe lavar o carro.

Sai para o jardim.

Quantos filhos seriam?

Hummm…

Acho que naquele cantinho ficava uma bicicleta. Olha as marcas do guidão no muro. Ahhh… Isso é com certeza coisa de menino.

O quintal tinha um pequeno jardim. Este jardim deve ter sido o orgulho de alguém quando era bem cuidado.

Hoje com sua grama alta escondia o caminho de pedras que levava ao portão. Portão baixo que obviamente não tinha a intenção de proteger.

Naquela época, imagino que sua função era apenas de delimitar território ou prover privacidade.

Na grama alta, vi o que identifiquei como sendo marcas de um Velotrol. Provavelmente não era nada disso.

Subi uma escada de madeira estreita que rangia a cada passo. Um corredor pequeno dava acesso aos quartos.

No primeiro à direita, uma marca na parede junto a um prego me pareceu ter a forma de um pequeno oratório. Pronto. Este era o quarto da avó.

Em frente, o quarto com janela para rua. Um pouco mais de espaço. Com certeza, o quarto dos pais.

Ahhh… Um banheiro para todos. (Vocês hão de acreditar, mas naquela época, era comum. E conseguíamos nos virar uma família inteira em um único banheiro).

Aí entrei no quarto que deveria ser dos filhos. Marcas nas paredes mostraram que muitas coisas foram pregadas e arrancadas. Outras tiradas e levadas embora.

Queria saber mais daquelas crianças.

Marcas de bola no teto. Vishhh. A mãe deve ter ficado muito brava. Piso de taco, bem desbotado perto da janela. E menos nos espaços onde as camas devem ter ficado.

Do outro lado de onde deveriam ter sido as camas, vi um armário embutido. Fui até ele, esperançosa.

Quem sabe ao abrir aquelas portas, encontraria objetos esquecidos ou deixados pela família que me presenteassem com detalhes ou pistas para melhor montar minhas histórias.

Abri a primeira porta, confesso que ansiosa. De lá só saiu um cheiro estranho. Cheiro que nunca esqueci. Cheiro de abandono. Prateleiras vazias e empoeiradas.

Abri a segunda e da mesma maneira nada existia além do tal cheiro.

Abri a terceira e última porta, já sem esperança, mas por insistência.

Ao abrir, parei. Fiquei olhando meio que em transe. Um estado nunca sentido antes. O que vi me despertou de um sono. Mas meus olhos estavam hipnotizados. Fixos naquele pôster pregado na porta do armário, estava lá David Cassidy.

Lembra dele? O filho mais velho daquela série Do Re Mi. Não ria. É serio. Pôster do David Cassidy.

Senti umas coisas estranhas acontecendo comigo. Algo como um certo frio na espinha.
Um vazio na barriga que não era fome. Um comichão. Acho que foram meus hormônios se manifestando pela primeira vez na vida, me avisando que eu era mulher. Não sei.

Mas dai pra frente minha vida nunca mais seria a mesma. Nunca mais conseguiria viver sem aquele frio na espinha. Até hoje preciso dele como preciso do ar que respiro.

Ahhh… Tio Miguel não comprou aquela casa. E ainda tenho muito carinho por David Cassidy.

Afinal, o primeiro tesão a gente nunca esquece.

E eu jamais esquecerei daquele armário…
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Qualidades ou defeitos? Minha lista dos tipos de homens

Alguns tipos de homens.
Claro que todos têm vantagens e desvantagens. Qualidades e defeitos.
Mas depois dos 50 anos alguns defeitos ficam mais evidentes.
Não leve esta minha listinha aqui muito a sério.
É mais para darmos risada.
Veja se tem algum tipo que eu não listei e me conte.

Homem Sensível
Já descrevi lá no vídeo. Você viu?
Tá aqui!

Homem Família
Parte boa
Família vem em primeiro lugar!! Sempre…
Parte ruim
Mas é a dele, claro.
Os compromissos com os filhos são sempre mais importantes do que aquele cineminha com você.
A primeira comunhão da neta do irmão mais velho mela aquela viagem pra Ilha Bela que você estava sonhando há meses.

Homem Bom-Garfo
Parte boa
Adora bons restaurantes.
Se você cozinha bem, ja é 60% de garantia da conquista.
Parte ruim
Sempre pensando onde será a próxima refeição.
Seja em restaurante ou na sua casa, trate de sempre ter em mente como alimentar este monstrinho.
Nem sempre este apetite todo se repete na cama.
Eles morrem de medo de indigestão.

Homem Fofo
Parte boa
Te elogia o tempo todo.
Te abraça o tempo todo
Te beija o tempo todo.
Parte ruim
Te dá um apelido tipo tchuca.
Fala com você com voz de nenê.
É pegajoso.

Homem Intelectual
Parte boa
Sempre terá assunto.
Ele será seu Google.
Tem amigos interessantes.
Parte ruim
Ele detestará seus amigos.
Os amigos dele, com o tempo, podem se tornar muito chatos.

Homem Sedutor
Este é uma delícia e um perigo.
Tem por hábito/vício seduzir.
É bom neste esporte.
Parte boa
Você vai ficar encantada.
Se for boa no jogo também, ambos se divertirão muito.
Parte ruim
Ele não faz isso só com você.
Não se apaixone, a menos que ele se apaixone antes.
Tenha certeza disso.

Homem Bonito
Homem bonito? Com mais de 50 anos?
Hummm… Não é tão fácil assim.
Mas tá bom, vai.
Achou um.
Parte boa
É bonito!!
Aproveite!!!
Parte ruim
Ahhh…
Deve ter um monte.
Mas é bonito. Aproveite!!

Homem Dependente
Este, geralmente, foi filhinho da mamãe.
Mamãe sempre lavou passou e cozinhou para ele.
Mamãe sempre soube o que era melhor para ele.
Parte boa
A esta altura do campeonato, mamãe já não deve existir mais.
Se existir, caia fooooraaa. Nem leia o resto.
Se ele precisava tanto de mamãe, vai precisar muito de você.
Se você é do tipo que gosta de controlar o jogo, achou seu homem.
Parte ruim
Você nunca será a mamãe.
Acredita em assombração?
Não? Pois bem, ela existe e vai viver no meio de sua cama.

Homem Vaidoso / Metrossexual
Parte boa
Gostoso sair com alguém em ordem.
Estará sempre limpinho e cheiroso.
Parte ruim
A minha amiga Helena Perim já diz e eu concordo:
Nunca saio com ninguém que a nécessaire seja maior do que a minha!
Ele provavelmente vai cobrar de você a mesma vaidade.
Se empatarem neste quesito, legal!
Agora, já pensou ele reclamando que você está desarrumada?
Que não vai sair com você vestida para ir à feira?

Homem Egoísta
Parte boa
Normalmente é muito educado, conhece muitas pessoas, sabe o que é bom.
Parte ruim
Tudo o que faz no fundo é visando seus interesses, ou seja, te convida pra jantar em tal lugar pois ele é quem gosta de tal comida nesse restaurante.
Idem viagem.
Idem amigos.
Quando você se encher de fazer só o que ele quer, ele vai dizer que sempre deu opções!!

Homem Possessivo
Parte boa.
Vai fazer de tudo para te conquistar.
Ele sabe o que quer.
Você.
Não poupa esforços para te ter e te conquistar.
Ele vai organizar passeios, jantares, viagens. Você não terá que pensar em nada. Só terá que estar disponível.
Vai te mimar e te encher de presentes.
Parte Ruim
Mas a palavra conquistar tem um sentido mais amplo e literal.
Se conquistada, você passa a ser propriedade dele. Só dele.
Você terá que estar a disposição dele 24 horas por dia.
Só dele.
Só dele!!!
Amigos devem esquecer que você existe.
Aliás, até filhos ele prefere que você não tenha. Ou esqueça que já teve um dia.
Pode ficar muito raivoso quando as coisas saem do controle.

Homem Espiritualizado
Parte Boa.
Foi o Universo que os uniu.
Rapidamente ele te lê.
Sabe seu signo e ascendente sem que você diga.
Diz que vc é alma gêmea e soube disso desde o primeiro minuto que te viu.
Provavelmente se conheceram em outras vidas.
Parte ruim.
Tudo de ruim que acontece com vocês é culpa dos astros ou dos deuses.
Quando não gosta de algum amigo seu, diz que não suporta a enegia de tal pessoa.
Quando vocês brigam diz que você está possuída e transformando a vibe do lugar.
Ele nunca é responsável por nada. Sempre são os astros ou os espíritos.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Liberdade foi o maior presente que eu ganhei de aniversário

Ahhhhh, a liberdade. Foi esse o presente que ganhei de aniversário quando fiz 50 aos!

E esse vídeo diz muito. Mas não diz tudo. Então completei com o texto.

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=UPEcgyJfB4U[/fve]

Não sou novata em redes sociais.
Mas sempre fui muito cautelosa.
Nunca me expus.
Nunca escrevi nada que pudesse me “comprometer”.
Fotos, então, nem pensar….
Sempre prezei demais pela minha privacidade.
Hoje, vejo que não existe um real porquê de todo esse pavor em me revelar.
Acabo de chegar aos 50. E, neste momento, sinto a necessidade de me expor: minhas ideias, meus sentimentos, a mim mesma.

De que vale uma vida se não compartilhada?
Ainda mais agora que liguei um baita de um FODA-SE.
Sério. Falo, escrevo, posto, publico, grito, insinuo o que eu quero!!!
Doa a quem doer. Mas não vai doer não. Prometo.

Quero falar coisas da minha vida.
Passada, presente e futura.
Só da minha vida, tá?
Mas o que é que eu posso fazer se você faz parte dela?

Relaxa… Já falei que não vai doer.
Afinal, a liberdade que conquistei provavelmente está a seu alcance também.
Tome-a e use-a. Ou não.
Meus amigos me conhecem bem.
Se eu os chamo de AMIGOS, gostam de mim.
Os conhecidos, com certeza, me toleram.
Mas se estão na minha listinha de “amigos”, e ainda não me bloquearam, é porque falo coisas que fazem sentido.

Até agora pelo menos. Veremos…Veremos…
Dizem que a tal liberdade trazida pela idade é uma ceifadora de conhecidos…
Afffff… Já vão tarde.
Que fiquem só os amigos e os transparentes.

 

Ficha TécnicaVideo : Liberdade foi o maior presente que eu ganhei de aniversário

Dominique de hoje : Carla Pagani
Direção : Cris Mariz
Roteiro : Eliane Cury Nahas
Produção executiva : Rita Urcioli E Claudio Odri
Figurino : Tigresse

Leia um pouco mais sobre essa mulher contemporânea que somos todas nós

 

 

 

 

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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MeNoPaUsA: uma palavra carregada de estigmas!

Dominique - Menopausa
Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa.
Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa.
Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa.

Não é porque vou repetir mil vezes essa palavra que me livrarei de seus significados nefastos, sem falar nos sintomas.
Você está oficialmente na menopausa 12 meses após parar de menstruar. Este é o fato biológico.
Agora, vamos aos significados.
Mas que significados?
Ah, de que a mulher na menopausa, acabou.
Ficou velha.
Não serve mais.
Que agora o negócio é ser avó e cuidar de netos.
Que sexo é… Sexo? Ela não deveria nem pronunciar essa palavra.
Sériooooo, amiga.
É isso que o inconsciente coletivo GRITA quando escuta a palavra MENOPAUSA.
Você pode ser a clone da Nicole Kidman com o corpão da Luiza Brunet. Se contar que está na menopausa, acabou.
Vão te olhar como se fosse a Dona Benta.

A mulher Menopausada (existe até esta qualificação) carrega uma série de predicados pejorativos já determinados e pré-existentes.

Enfim…Dominique - Menopausa
Tabu. Dos piores. Quer ver?
Faça uma experiência.
Saia você, seu marido/namorado/companheiro com mais um casal. Mas um casal de amigos que vocês tenham bastante intimidade.
Em certo momento, puxe o assunto da menopausa. Mas encha a boca para falar menopausa… Você verá o constrangimento dos rapazes. Eles olharão para baixo, tentarão mudar de assunto, farão alguma piadinha provavelmente grosseira ou condescendente…

Uma amiga outro dia, sentou na cama e falou:
– Afff, que calor insuportável. Acho que deve ser a menopausa chegando.
Disse que o marido imediatamente sentou ao lado dela, fez cara séria e perguntou:
– Você quer falar sobre isso? Está bem? Podemos conversar…
Fofo… Mas uma reação completamente exagerada para um comentário tão banal.

Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa.
Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa.
Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa. Menopausa.

Agora vamos aos sintomas.
Os sintomas todos, até onde sei, sentimos é na pré-menopausa, no famoso climatério. Que, aliás, rima com cemitério. Não é um horror?
Climatério na verdade é um período de grandes impropérios.
Preciso falar deles?
– Calores, mau humor, bom humor, mau humor, bom humor, insônia, peso, peso, peso… Ahhh, está tudo no vídeo. (AQUI)
Mas meninas, tenho boas notícias!
Nós mudamos.
Nós podemos tomar remedinhos mágicos.
Nós podemos fazer tratamentos bacaninhas.
Nós podemos um monte de coisas até para aquelas que não podem tomar remedinhos.

E quer saber, climatério hoje em dia tá rimando mais é com adultério, tá?
Brincadeiraaa. Desculpem-me pelo despautério.
Mas não quis perder a rima nem a piada.

Verdade é que, talvez, a medicina tenha avançado mais do que nossa anatomia.
Você já parou para pensar que há uns 100 anos a mulher talvez não chegasse a tal menopausa?
Ela nascia, procriava muito. Ou morria no parto ou morria muito, muito, muito velha. Isto é, aos 50 e poucos. Agora, passaremos um terço da nossa vida ou mais nessa condição.
Acho que daqui alguns séculos, talvez na nossa idade, estejamos engravidando, sei lá…

Mas voltando a meu tema: a tão estigmatizada menopausa.
Fiquei aqui pensando com meus botões.
A mulher mudou.
Os tratamentos apareceram.
Os sintomas amenizaram.
Tudo está diferente, menos o estigma de velha senhora menopausada.
Aí acho que achei uma simples e singela explicação.
A palavra!
Isso. A palavra é carregada de significados ruins.
A palavra MENO-PAUSA. Menopausa.
E se mudássemos a palavra menopausa?
Mudássemos para qualquer outra.
Tipo,  sei lá… Margarida talvez.
E aí Dominique, como está sua Margarida?
Ou Mafalda?

Alguma palavra que não remetesse a absolutamente nada.
E que déssemos novo significado a ela.
A partir de agora, significaria a fase em que a mulher está livre de usar O.B.!
Ou a fase em que não precisa mais se preocupar em engravidar.
Camisinha só para sexo seguro.
DIU never more.
Ou a fase que a mulher se sente um mulherão.
Livre e desprendida!
Totalmente Dominique!

Dominique - Menopausa
O que você acha?
Que palavra você daria para este período biológico e natural da vida que substituiria esta que começa com M…?
Proponho um desabafo coletivo que nos faça rir.
Que tal usar o bom humor para mudar um pouco a percepção do outro sobre nós?
Vamos pensar em um novo nome para combinar com nossa nova atitude?
Dê sua opinião aqui nos comentários!
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

7 Comentários
  1. Menospausa. Porque essa não é uma época de PAUSAR nada! Sim, passamos por todas esses sintomas nada, mas NADA agradáveis. Sim todos, TODOS nos vêem com outros olhos (tipo fim da linha). Sim, todos os médicos dizem que tudo o que estamos sentindo é consequência da danada. Mas somos Dominiques ou não? Já passamos por tantas coisas. Bora encarar de frente? Bora derrubar todos esses estigmas?
    Quem sabe LIBERDADE não seja um nome mais bonitinho?

  2. Perfeito… nunca descreveram tão bem o que estou passando agora! Parabéns pela sensibilidade! E se usássemos a palavra “melhor pausa”… melhor no conhecimento do corpo, melhor nas escolhas e melhor na aceitação de quem a gente realmente é e quer?! Fica a sugestão!!!

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Spotify – Siga DominiqueHip

Música para os ouvidos!
Dominique está no Spotify com as melhores playlist’s para o dia a dia.

Playlist: Ouvi na rádio!!!Muito!

Dominique - Spotify

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Sabe aquele show que marcou a sua vida? O meu foi esse…

Dominique - Shows

Acho que já falei um par de vezes que sou louca por música. Mais do que louca, né?
Bom, para moçada de hoje, deve ser estranho ouvir que, numa remota década de 70 e até de 80, não passávamos nem perto dos roteiros dos grandes shows internacionais.
Os discos, LPS, chegavam ao Brasil com meses e, às vezes, anos de atraso.

Imagine a minha felicidade quando soube que, em maio de 1977, a banda Genesis tocaria no ginásio do Ibirapuera!

Na verdade, a felicidade maior foi do irmão mais velho de minha amiga, Valentina, e de seus amigos. Eu até conhecia o grupo, mas pouco.
Na época tinha uns 12 ou 13 anos.
Implorei para que meus pais me deixassem ir.
E eles só deixaram porque o Carlito, irmão da Valentina, estava indo.

Nos encontramos na casa da Valentina e, por algum motivo, chegamos no Ibirapuera atrasados. O show já tinha começado.
Se nós meninas tínhamos 13, os responsáveis meninos que estariam tomando conta de nós tinham uns 15 anos, no máximo.

Moral da história, ao passarmos pelos portões, antes mesmo de entrarmos no ginásio do Ibirapuera, já estávamos sozinhas.
Querida, você bem sabe, naquela época não existia celular.
A maioria das pessoas ali eram intimidadores rapazes de 16, 17, 18 anooos!
Valentina e eu, sozinhas, na porta do ginásio, em nosso primeiro show de rock, ouvindo os emocionantes acordes finais de Squonk.

Era uma fria noite de maio. Yes darling… Naquela época fazia frio.
E resolvemos entrar exatamente na hora que Phil Collins arriscava algumas palavras em português.

Dominique - Shows

Impressionante como algumas coisas ficam registradas na memória.
Ele com cabelo! Sério!
Usando uma roupa clara larga.
Um cara com um baixo ou guitarra duplo, sei lá…
Fumaça… Muita fumaça… Tudo meio escuro.
Óbvio que não tinham lugares marcados.
Você entrava e se empoleirava onde achava espaço. E lembra que nós chegamos atrasadas?
E mais, não sabíamos direito como nos comportar.
Primeiro show.
Duas meninas.
Eu confesso, estava hipnotizada, excitada e com certo medo.
Na verdade, muito medo.
Medo de que Dominique?
Não sei ao certo. Sentia que aquela noite seria muito importante em minha vida.
Às vezes, você passa pelas situações sem realmente saber o peso que elas terão em seu universo.
Mas eu sabia.
Eu sentia. Sentia que aquela noite era um divisor de águas.
Dominique - ShowsAssistir um show ao vivo pela primeira vez foi estonteante.
Arrepiei.
Emocionei.
Paralisei.
Rock progressivo. Ou você ama ou você morre de medo.
E eu comecei a amar naquela noite.
Loooongaaasss músicas.
Quase épicas. Apoteóticas.
Cada melodia contava uma história com começo, meio e fim em seus acordes, com letras ou sem.
Na verdade, naquela noite comecei verdadeiramente a amar música.
Não só aquela que ouvia.
Mas música em geral.
Entendi tudo.

Assistir ao vivo o show dos Genesis aos 13 anos mudou minha vida…

Hoje ia escrever sobre os shows que marcaram minha vida. Era para ser um trechinho sobre cada show.
Mas acabei escrevendo muito e apenas sobre o primeiro show de minha vida. Sei lá. Fui escrevendo e foi dando vontade de escrever mais.
Precisa mais?

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Somos 2, dentre muitos… Eu tinha 16! Como também marcante, lembro Q foi a primeira vez Q vimos Laser como espetáculo visual agregado a um show; e nós assistentes, riscávamos as pedras de nossos Bics e Crickets, formando uma constelação mágica. Nunca mais tive experiência próxima dessa; nem no primeiro Rock in Rio em 1985!!!
  2. Sou mais velhinho e o primeiro show no Brasil de uma grande banda internacional foi do Alice Coooper(tinha todos os discos) foi 1974 Palácio das convenções Anhembi não tinha grana mas o show fez tanto sucesso que fizeram um show no Pavilhão de exposições do Anhembi com 80 mil pessoas uns dizem 100 mil
    Bem mais barato fui e não esqueço até hoje épico

  3. Meu show inesquecível foi Hollywood Rock 1988 no estádio do Morumbi. Eu tinha vinte aninhos, era uma menina. E lá se foram 30 anos, uau!
    Inesquecível!!! Lulu Santos, Marina e o tão esperado Supertramp. Por ter sido o primeiro, teve um sabor diferente. Nunca esquecerei essa experiencia maravilhosa!

    1. Sou mais velhinho e o primeiro show no Brasil de uma grande banda internacional foi do Alice Coooper(tinha todos os discos) foi 1974 Palácio das convenções Anhembi não tinha grana mas o show fez tanto sucesso que fizeram um show no Pavilhão de exposições do Anhembi com 80 mil pessoas uns dizem 100 mil
      Bem mais barato fui e não esqueço até hoje épico

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Voltando de viagem

Voltando de viagem.
Fim da semaninha de férias.
Olha a dica pras “colegas”!

[fve]https://www.youtube.com/watch?v=ygOjwT5OAz0[/fve]

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

1 Comentário
  1. As vezes é chato mesmo, pior ainda se a viagem é pra praia grande no litoral Paulista. … mas e se esta viagem for o sonho realizado de ano novo? Um pouquinho de empatia pelo óbvio do próximo cai bem né. …

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O passo a passo da minha caixinha de chita

Dominique - Chita

Uma artesã acidental

Dizem por aí que virei a louca da capa de chita.
Não posso ver uma caixa, um caderno, uma latinha, que já saio encapando.
Não é bem assim. Quer dizer… É.
Há tempos, descobri que PRECISO fazer alguma atividade manual.
Preciso para parar de pensar.
É nesta hora, que não vejo TV.
Que não estou na frente do computador ou do Celular.
É a hora que não estou recebendo nenhum tipo de informação.
Quem sabe, só escutando música.
Concentrada na tarefa manual. Não penso em mais nada.

Será que isso pode ser um tipo de meditação?
Os xiitas dirão que não.
Mas eu preciso deste break de sinapses histéricas tanto quanto do ar que respiro.
Aí, um belo dia, eu descobri umas chitas lindaaas numa lojinha perto do meu escritório. Sempre gostei de cores!! Estampas!!
Comprei! Não resisti. Comprei um metro de cada estampa!!
Bom… E agora? O que fazer com quase 10 metros de chita?

Affff Dominique… Só você mesmo.
Uma coisa leva a outra.
E pronto.
Desenvolvi minha própria técnica,
Que aliás, vai ter artesã morrendo de rir quando olhar isso aqui.
Porque além de ser completamente sem jeito, sou completamente estabanada.
Você vai ver também que meus acabamentos são horrorosos. Ainda não consegui chegar lá.
Mas estou no processo.
Acho importante mostrar que ninguém nasceu sabendo.
Vou mostrar também meus erros.
E meus acabamentos porquinhos.
E quem sabe um dia, a evolução disso.
Que tal?

Bom… Vamos lá?

Material:

• Caixa
• Chita
• Cola branca
• Cola de tecido
• Pregadores de roupa
• Tesoura
• Manta acrílica
• Fita dupla face
• Pincéis

Dominique - Chita

Modo de fazer:
Caixa escolhida. Eu na verdade, só encapo a tampa. Por 2 motivos:
– Fica mais charmoso.
– Se eu encapar a caixa mesmo, não sei a técnica para fazer com que a caixa feche. Os tecidos em cima e em baixo fariam muito volume (já testei e não deu certo).

Medida a tampa 30cm x 17cm x 5cm

Manta Acrílica
Porque uso manta acrílica? para dar aquele gordinho em cima. Fica charmoso. Com cara de caixa de loja, mas não é necessário não.
– Corte um pedaço de manta acrílica quase do tamanho da tampa 31cm x 17cm.
Passe cola branca na tampa da caixa e vá colando a manta acrílica.
Corte as sobras.
Agora ajeite o tecido do avesso, claro né?

Dominique - Chita

O Tecido – A chita
O tecido para esse tamanho de caixa vai ser de 50cm x 35cm.
Você precisa ter tecido para fazer a lateral, a dobra e o acabamento.
Marque onde vai cortar, de um picote e rasgue com a mão. É a melhor maneira de cortar.

Dominique - Chita

Acabamento – Bainha
Agora para termos um acabamento bacaninha, gosto de fazer um tipo de bainha. Um tipo. Claro que não vou passar na máquina, né santinha?
Aí, uso uma cola de tecido que vem num tubinho e com bico fininho. Veja na foto. Super fácil.
Vou passando, virando e vai colando na hora.
Não fica aqueeeeela perfeição, mas quem diria que um dia iria me preocupar com acabamento interno? Então, tá ótimo.

Dominique - Chita

Montagem – dobraduras
Bom meninas, agora vai começar a brincadeira de verdade!!!
Já apanhei muito para fazer essa parte. Mas sempre me divirto. E achei um jeito que acabou dando certo.
Tecido no avesso. Tampa centralizada.
Cole pedaços de fita dupla face em uma das laterais. Estique o tecido e grude na fita. Claro que você já tirou todos os papeizinhos.

Às vezes, faço todo este trabalho antes, em todos os lados sem as fitas apenas usando pregadores de roupa , só para ver se vai dar certo, se não vai faltar tecido em nenhum lado, se não fiz nenhuma burrada. Sabe como é?

Começo pelas laterais maiores da caixa. depois para as menores.
E os cantos são sempre um enooooormeee problema. Pelo menos para mim.
Mas acabei me virando. Puxa daqui, estica dali e fica tudo lindo. Você vai ver.
Na foto número 6, você vê que voltei a usar a tal cola de tecido. Sabe pra quê? Para justamente esconder as sobras de tecido e tentar arrumar os cantinhos.
Por fim, pregador de roupa para secar apertadinho.

Dominique - Chita

Dominique - Chita

Desastre 
E aqui, só para ilustrar. Este é apenas um dos desastres que acontece toda vez que sento para fazer minhas “artes”.
Sabe aquele tubinho de cola de tecido com biquinho fino? Pois então… Apertei demais e saiu bico. Meio tubo de cola e quase estragou tudo. Ainda bem que deu para arrumar.

Dominique - Chita

PRONTO!!!
E eis aqui minha caixinha pronta. Não ficou bonitinha?

Dominique - Chita

Se você fizer uma, manda a foto pra mim? Deixa eu ver?

Se tiver um jeito mais fácil de a caixinha de chita me ensina, pleasee?

Leia Mais:

Faça você mesma um leque de presente para as amigas
DIY pra organização: desta vez vai!

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

3 Comentários
  1. Gostei da suas dicas fiz um porta papel higiênico kkk com pernas de calça velha calça jeans rasgou virou um shortinho pra ir despojada praia e usar em casa mesmo . gostei do artesanato ia .vc é original realista e incentivar a prática de fazer pra gente mesma algo personalizado seu estilo.parabens .

  2. Amei sua disposição para ensinar o que aprendeu sozinha. Eu faço decoupage com guardanapo e uso para o acabamento lixa de unha, mas já vi alguns vídeos onde as artesãs usam esta técnica também para o tecido, não sei na prática se dá certo pois nunca trabalhei com tecido. Parabéns seu trabalho ficou de muito bom gosto. Beatriz

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Eba! Vamos esquiar nas férias? Ou não…

Dominique - Esquiar

Oba, o inverno chegou!

Hora de esquiar no final de semana na estação mais próxima.
Mas, não há estação mais próxima. Sequer há no país.
Ahhh… Então, vamos planejar a viagem e como não dá para ser um único final de semana tem que ser no mínimo 7 dias para compensar. E só!
Porque com os preços tão altos não dá mais para voltar esse ano.
Caríssimo!
Como pode uma viagem pra América Latina ser mais cara que 15 dias no verão europeu (calor, cultura, museu, história, civilização… Além de muitos loiros)????
Destinos possíveis: Chile ou Argentina – bom, diante das opções, optemos.

Vamos arrumar a mala…
Bora pedir emprestado as roupas das amigas mais abonadas, porque afinal de contas quem pode pagar essa grana toda além da viagem?
Mas vale a pena.
É tão lindo! É tão legal…
Apesar da viagem ser muito cansativa – avião, aeroportos brasileiros e argentinos (sim, a opção é Argentina) e 4 horas de uma estradinha lazarenta – Tudoooo muiiitooo linddooo!
Friozinho gostoso… Que delícia.
Vamos ao hotel.

Quartinho pequeno, né?
Ahh, mas quem precisa de quarto grande?
Não se pretende ficar no quarto mesmo.
A melhor coisa a fazer é marcar imediatamente aula particular com aquele instrutor de esqui saído diretamente dos filmes do James Bond.
Suíço obviamente.
Você finalmente acha a escolinha e a recepcionista mal humorada pergunta qual sua expertise.
– Ahhh, já esquiei umas 3 vezes sendo que a última foi há 6 anos!!!
Ela te olha com um baita desdém, quase desprezo.
Joga na sua frente a tabela de preços dos pacotes de aulas particulares.
Affffffffff. Olha estes preços!!
Mas quem converte não se diverte, né? Já dizia o velho ditado de amigas viajadas.
Agora você simplesmente não pode vender seu carro para pagar 6 aulas de esqui.
Então, pede para a mocinha os valores das aulas em grupo.
A balconista, sim, não passa de uma balconista, sarcasticamente te passa o preço para 5 aulas em um grupo de 10 pessoas.
Avisa também que só haverá aula se nevar.
– Como assim? Se nevar???
– Ah, não te falaram?
– Não!!!
– Não há neve suficiente. As pistas estão fechadas. Culpe o aquecimento Global, culpe o que quiser, mas esquiar perto demais dos trópicos dá nisso.
Bom… Só resta ficar na torcida…

Mas neva… E neva muito…
Quanta felicidade!!!!
Aquela paisagem linda… Aquele frio, que já não é friozinho, mas friozão, que delicia.
No dia seguinte, neve suficiente, botas, esquis e pools alugados, vamos a aula.
Você obviamente é a mais velha do grupo.
Muiiito mais velha. Mas fica fria.
Você tá linda nessa roupinha “cor de pêssego” da sua amiga. Você não achou que ela ia te emprestar a preta e branca novinha dela, né?
E eis que chega o instrutor.
Argentino.
Uns 40 anos.
Cara de quem bebeu todas ontem.
Cabelo ensebado que não vê água há dias.
Roupa velha e furadinha…
Sacou o estilão? Então.
Aí você dá aquele suspiro, mas não desanima. Afinal, a paisagem é linda e o frio é delicioso.

Começa a aula.
Você percebe que os colegas de turma, na verdade coleguinhas, são bem mais habilidosos que você.
Afinal, eles praticamente nasceram com o esqui no pé.
E no seu país não neva, né?
Além disso, há o fator idade, flexibilidade e gravidade.
Maldita gravidade!!!
Mas esse professor podia ser mais delicado. Ele berra muito.
Por que será que ele não tem paciência com alunas mais velhas?

Nossa que frio!
Ai… Esse tombo doeu.
Ufa. Por hoje é só.
Tudo que você consegue pensar é numa bebida quente, uma dose de qualquer coisa com teor alcoólico acima de 45% e o seu Dorflex.

Amanheceu.
Já????? Hora de levantar e ir para mais uma aula.
Já?????
Todos os músculos do corpo doem.
O Dorflex fez lá seu efeito, mas passou, assim como as 4 doses de bourbon e os 2 conhaques tomados para embalar o sono.
Mas vamos lá. Afinal, tá pago.

PQP. Que frio!!!!!
Mas a paisagem é linda.
O professor mal-humorado avisa que hoje o grupo descerá a menor montanha, verde obviamente.
Pegar a cadeirinha com frio, luvas, esquis pools, gorro, botas, óculos…
Resistir a tal da gravidade é uma tarefa impossível de ser executada com graça e charme.
Um horror subir e descer dessa traquitana, além de ser um enorme sacrifício.
Pronto! Começa a Primeira descida.
Não durou muito, né? Caiu de cara…
Caiu de novo, e de novo.
E assim sucessivamente.
Chegou. Onde mesmo?
Ai, lá vem o hermano gritando:
– Corre pra fila da cadeirinha!

Lá vai você novamente, mas a bota está pesando uma tonelada.
Darliiinnnggg. Lembrou por que faz 6 anos que você não vinha esquiar?
Aí você sobe naquele objeto de tortura que eles chamam de ski lift (o único lift que queremos é o face lift!!!).
Na hora de descer da cadeirinha, já nem se incomoda em tentar fazê-lo esquinado.
Vai rolando mesmo que é mais fácil.
Coloca-se em pé com o pingo de dignidade que lhe resta.
Respira fundo, conta até 3 e vai.
E não é que está esquiando?!?!
Que sensação maravilhosa!!!!
O vento no rosto!!!
A liberdade!!!
Mas espera….
Tá escutando o pentelho do teacher berrando alguma coisa?
– Hai que hacer la cuña!!! Hai que hacer la cuña!!!!!!!!
Ops… Too late for the cuña!
Nesta altura não sobrou nada da colega que já está esborrachada logo ali depois da curva.
E depois deste tombo cinematográfico só lhe resta recolher além de seus pedaços espalhados pela neve, seu orgulho e voltar para o hotel.

Está acabada né amiga?
Vai para o quarto toma outro Dorflex e dessa vez banho com arnica.
Antes passa na lojinha, compra uma garrafa de vodka e leva pro quarto.
Aliás, que quartinho mixuruca.
Além de pequeno, cheira mofo!
Mas você está tão cansada e dolorida que não vai nem sentir, principalmente depois do coquetel analgésico/caninha.
Batata… Capotou!

Dia seguinte…
Aquelas dores do dia anterior não são nada comparadas as de hoje. Aliás, as dores de parto normal não são nada comparadas com essas.
Dói o corpo inteiro.
As pernas roxas.
As costas parecem que foram pisoteadas.
Sentar não é uma alternativa.
Esquiar nem pensar!!!!
Ainda faltam 5 dias para o final de sua viagem.

Bom, então vamos tentar aproveitar o hotel, até porque esse quarto é pequeno demais
Gente, como esse povo tem coragem de cobrar por essa espelunca???
Vista-se e vá desfilar!
Mas quem disse que você consegue colocar o pé no chão?
Acaba de perceber que arrebentou o joelho, né?
A essa altura caro leitor/amigo, você já deve ter adivinhado que a lesão foi séria.
De volta para São Paulo, começa a via crucis: ortopedista, ressonância, cirurgia e… Repouso.

Nada de caminhadas, pedaladas e, muito menos, corridas por incríveis 12 meses!
A primavera vai chegar e vai passar…
Assim como o verão…
E você sentadinha, lembrando como era linda a paisagem de sua viagem de esqui.
Entendeu? Captou?
Gelada.
Cai fora.
Esquiar? Nem pensar!

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

4 Comentários
  1. Adoro viajar. Mas nunca nada radical em viagens . Aquela montanha russa maluca em Las Vegas, nunca. Esquiar em Insbruck na linda Áustria , jamais. Nem comer certas coisas . Noooooossa aquela salada russa em Madrid. Um dia antes do retorno, diarreia, vomito. Achei que não conseguiria voltar, com filhos pequenos ainda. Aff. Aff. Eca. Sem contar que tentaram me assaltar no Rio de Janeiro. Eu numa circular, na janela, o loirinho ( lembro dele ainda). pulou, na tentativa de roubar minha corrente de ouro, fininha, lindinha. Só arranhou meu pescoço , graças a Deus. Dai o povo solícito do ônibus, me fez guardar td. Brinquinho, correntinha, aneizinhos….que coisa, há mais de 30 anos e o Rio de Janeiro continua lindo.!!!!!kkkkkkk

  2. Dominique, concordo totalmente com você. Ir esquiar, para quem não nasceu num país que neva toneladas todo o inverno ou não é frequentadora assídua das mais badaladas estações de esqui, todo ano, é uma furada. Cada vez que fui esquiar com filhos e marido (eles adoravam, claro) eu torcia todo dia, ao acordar de manhã, que toda a neve da montanha tivesse derretido, mas infelizmente ela continuava lá, branca e gelada. Eu ia junto, para não ser tachada de chata e sem espírito esportivo e fazia o sacrifício de sentir medo cada vez que tinha que descer do lift e me equilibrar sobre os esquis, montanha abaixo. Até que quebrei uma perna, no que foi, logicamente, a última vez que me impus “deliciosas férias de inverno” numa estação de esqui.

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