Aconteceu

North Eleuthera – Uma viagem à uma ilha paradisíaca

Dominique - Ilha
De infinitos campos de abacaxis às praias de areia branca e rosa, enseadas isoladas e quilômetros de costa, Eleuthera e Harbour Island definem as Bahamas.

Grande parte da arquitetura e modo de vida foram influenciados pelos legalistas britânicos que se instalaram aqui em 1700. Este estilo foi adotado desde então pelas outras ilhas das Bahamas, tornando a Ilha Eleuthera e Porto o local de nascimento de todo o país.

Além disso, as ilhas continuam a encantar os visitantes com um toque tropical já que Harbour Island é conhecida como uma das melhores ilhas do Caribe. Se você estiver visitando as Bahamas,  Eleuthera & Harbour Island não devem ser perdidas.

Dominique - Ilha

São aproximadamente 600 ilhas em Bahamas.

Eleuthera é a quarta ilha mais povoada das Bahamas com aproximadamente 11.000 habitantes. A maioria dos que moram aqui, ou pescam por recompensas ou cultivam os hectares de plantações de abacaxi.

Eleuthera é uma ilha de sofisticação casual, abrigando comunidades isoladas, resorts bem desenvolvidos, penhascos rochosos, pântanos baixos e enormes recifes de corais que criam cenários magníficos.

Harbour Island, por outro lado, já foi a capital das Bahamas. Foi recentemente classificado como “A Melhor Ilha do Caribe” pela revista Travel & Leisure em 2015 e também recebeu este prêmio em 2005. Também possui vegetação tropical exuberante e mágicas praias de areia rosa.

Para se chegar em North Eleuthera, a partir dos EUA, parte-se de Miami em um vôo de aproximadamente 35 minutos. American Airlines e BahamasAir fazem o percurso, que aliás é maravilhoso, com aviões menores voam mais baixo propiciando uma vista incrível do mar com céus azuis em vários tons.

Uma pintura!

Dominique - Ilha

Fiquei hospedada no Hotel The Cove Eleuthera que oferece quartos, suítes e comodidades incluindo piscina descoberta, restaurante e sushi bar, serviços de spa, fitness center e instalações para casamentos. Mas o mais fascinante desse hotel é a construção de suas vilas integradas à natureza e praia (tem duas particulares do próprio hotel).

Dominique - Ilha

O hotel tem um restaurante muito bom e todo serviço é a la carte (não há buffet).

O spa oferece massagens e tratamentos variados.

A equipe do hotel pode indicar vários passeios. Resoolvi conhecer Harbour Island, portanto peguei um táxi até o porto e entrei num barco-táxi (USD 5,00) que leva até Harbour Island em poucos minutos.

Harbour Island tem muitas casas de veraneio, as pessoas costumam passar férias por lá, então há restaurantes e algumas lojas. Para conhecer melhor a ilha, vale a pena alugar carros de golfe que facilita sua exploração.

Dominique - Ilha

Fui almoçar no restaurante muito bem indicado, chamado Sip Sip.

Dominique - Ilha

Outro passeio muito diferente é ir para Spanish Wells, uma cidade pequena na ilha de St. George’s Cay. Contratei o barco que atracou no próprio Hotel The Cove que tem uma pequena marina. Aliás a vista dessa marina já vale só ir e conhecer mesmo que não saia de barco.

Dominique - Ilha

A praia aqui tem areia branca e fina e é ótima para um passeio. A água é na maior parte rasa e as crianças pequenas podem brincar perto da costa.

Do outro lado da praia existem porcos que nadam livremente e convivem com os turistas.

Dominique - Ilha

Essas ilhas tem muitas atividades para fazer e passeios que, em sua maioria, prometem um visual sem comparação.

Eu amei essa ilha! Já vou planejar as minhas próximas férias para lá, e você?

Leia Mais:

A ilha – Viajar sozinha para North Eleuthera
A Rússia por uma Dominique! O país da Copa do Mundo – Capítulo I

Maria Mazza

Amo viajar e amo conhecer lugares. Sou administradora de empresas, agente de viagens na Engenhotur e Dominique claro.

1 Comentário
  1. ola tudo bem. muito bom seu comentário em relação a eleuthera. porem tenho uma duvida. Na ilha tem taxi? irei ficar de 04 a 07 de fevereiro, seria melhor alugar um carrinho de golf? com esse carrinho consigo andar na ilha inteira? onde alugo esse carrinho de Golf? irei desembarcar no aeroporto de rock sound e ficar hospedado no unique vilage. com o carrinho consigo ir pra todos os lugares? obrigado.

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A ilha – Viajar sozinha para North Eleuthera

Dominique - Viajar
Costumo viajar sozinha. Sempre gostei, assim faço meus passeios e reconhecimento das cidades, seguindo meus horários e roteiros pré-estabelecidos.

Adoro viajar com mais pessoas também, mas o “ir sozinha” não me assusta.

Desta vez foi diferente. Eu havia emitido já a viagem de um casal amigo, muito querido, que além de outras ciadades iria para uma ilha nas Bahamas chamada North Eleuthera para descansar.

Hotel lindo, mar paradisíaco, um destino realmente surpreendente. Veio o convite por parte deles para me juntar alguns dias na ilha, pois eu estaria em Miami, a meia hora dali.

Pensei, pensei, o que eu faria sozinha numa ilha? Bem, não estaria tão sozinha assim e aceitei. Dias antes de embarcar, meu amigo teve um problema sério de saúde e ficou impossibilitado de embarcar.

E agora?

Eu não teria desculpa alguma para cancelar o hotel e perderia o valor pago, sem falar do bilhete aéreo. Sou agente de viagens e sei bem como cancelamentos são trabalhosos, imagine sem alguma desculpa convincente.

Mas se sou uma mulher ativa, independente, responsável, viajada, por que não? Meus filhos já crescidos me incentivaram a ir, adoro viajar e vou sempre que possível.

Só que ir para uma ilha, ficar em um hotel relativamente pequeno, sem shoppings, centros de compras, nada?

Sempre fui bem prática. Confesso que fiquei dois dias calculando probabilidades e refinando minhas opções para as atividades na ilha estando absolutamente sozinha.

Minha porção (bem pequena, aliás) meio “cigana e aventureira” venceu. Fui.

As pessoas foram muito receptivas em todos os serviços prestados, taxistas, garçonetes, o staff do hotel me deixou muito à vontade. Não me senti excluída ou constrangida por fazer minhas refeições, ir à praia ou fazer passeios sozinha.

Juntei coragem, em alguns momentos, para ir a passeios fora do hotel e até aluguei carrinho de golfe para percorrer outra ilha. A cada etapa que acabava, o mesmo sentimento vinha em minha mente. Gratidão.

Sempre me considerei uma pessoa feliz, mas nesta viagem mais ainda. Nestes dias me senti mais agradecida por conhecer um lugar tão paradisíaco e ter tido a oportunidade de ficar em minha companhia que me fez tão bem! E pensar que quase deixei de conhecer tudo isso por preconceito ou medo.

As oportunidades passam, cabe a nós aproveita-las ou não. Estou fazendo minha parte! Viajar é tão bom!

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Maria Mazza

Amo viajar e amo conhecer lugares. Sou administradora de empresas, agente de viagens na Engenhotur e Dominique claro.

5 Comentários
  1. Mary você voltou mais madura e mais linda ainda! Por dentro e por fora.
    A sensação que tenho é que uma experiência como essa só nos faz crescer intimamente. Parabéns!!!!

  2. Beleza. Já fui duas vezes à Europa sozinha e foi maravilhoso. Estou preparando minha terceira viagem para Portugal, Itália , Espanha e França em agosto. Como sempre na minha ótima companhia. Adooro.

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Não faça gol contra – Dominiques não divulgam fake news

Dominique - Fake News
Como não fazer gol contra, como não fazer o tiro sair pela culatra e como fazer para a sua ideologia não cair no descrédito sendo um joguete de Fake News. Passo a Passo.

Este texto é dedicado a você que levanta bandeiras com fervor, que acredita que está do lado de “pessoas do bem” e que pensa que combate o lado “do mal”!

Seu cérebro tende a buscar notícias que combinem com seu “estilo ideológico”. Sendo assim você segue blogueiras que tem um “estilo fashion” que você curte e se identifica.

Pois bem, você sabe os motivos do fake news? Além de conseguir curtidas no tal blog fake, estas notícias são criadas por duas razões básicas, em termos ideológicos, que estão muito distantes daquilo que você acredita, ideologicamente falando:

1 – A notícia falsa é usada para que você a compartilhe. Então, em seguida, ela é desmentida e você e sua causa caem na incredulidade e sua bandeira fica desmoralizada. Você perde a razão, que supõe que tenha, e que queira convencer seus vizinhos a vestirem sua camisa.

Estas notícias, que você fica contente em ler e em compartilhar, são armadilhas fabricadas justamente pelo seu suposto inimigo. Ele mesmo inventa a calúnia e posta. Você compartilha. A notícia será automaticamente desmentida em questão de horas. Você fica com cara de tacho, tendo caído feito pato na manobra do seu inimigo ideológico.

2 – A notícia falsa é utilizada para desmoralizar o suposto oponente. Vai que cola. E costuma colar pelo que se vê. Mas se você realmente acredita na sua “causa”, não precisa de mentiras, certo? Concluo que você possua argumentos sem a necessidade de apelar ou de fazer o mesmo que tanto condena a mídia: manipular.

Além disso, a notícia falsa é usada para que você compartilhe para que outros façam o mesmo e o blog ou site que publicou a lorota ganha likes e ganha dinheiro com seus clicks, por algumas horas, até a notícia ser desmentida. Você trabalha de graça e gera lucro para o site que não está nem aí com suas verdades e opções ideológicas.

Portanto, ao ler algo que lhe agrade profundamente e que sinta um enorme desejo de curtir ou compartilhar em sua página, verifique antes a veracidade da notícia. Cheque o nome do site/blog, dê um Google para checar se a notícia saiu em mídia de grande circulação, conhecidas e oficiais.

Investigue, pesquise, pondere, reflita. Não compartilhe!! Ao compartilhar, você enfraquece a sua própria bandeira!

Não me importa qual seja a sua, mas me incomoda tanta gente se deixar enganar desta forma.

Dominique também é de utilidade pública! Todas contra o Fake News!

Cynthia Camargo é autora do e-book “#paris – vivências”. Faça download já!

Leia Mais:

Piloto de avião Tereza Paz e uma verdadeira Dominique com asas!
Traição e aprendizado – É sim uma relação possível!

Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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Dominique pra valer viveu intensamente a adolescência – Será que você é?

Dominique
Você é uma Dominique se:

– Chamava balada de discoteca.
– Foi ao parque de diversões da Santo Amaro. No Playcenter, você já era quase mocinha.
– Foi a mingais.
– O segurança te botou para fora do mingau, porque estava no maior amasso com seu namorado.
– Usava o verbo Transar para dizer que tinha beijado sem compromisso. Transar significando trepar é coisa de hoje…
– Assistiu a seriados como A Feiticeira, Agente 86, Família DoRéMi.
– Aliás, por falar em família DoRéMi, percebeu que tinha algo estranho acontecendo com você ao olhar David Cassidy e sentir arrepios.
– Rolezinho de férias era ir para a sorveteria Guarujá no centrinho.
– Não contava nem pra melhor amiga as ousadias com o namoradinho.
– Carnaval era no interior e, não raramente seus pais ou os pais de suas amigas, iam junto e ficavam na mesa só olhando…
– Achava o Kadu Moliterno um gato. Aqueles olhos azuis… e aqueles cabelos.. sim, ele já teve cabelos.
– Ia assistir aos jogos de vôlei no Ibirapuera. Torcia para a “jornada nas estrelas” do Bernard dar certo.
– Ia ao aeroporto de Congonhas ver o time de vôlei chegar em São Paulo. Torcia mais ainda para que o Montanaro desse um mole. E ele sempre dava.
– Well’s, na Rua Augusta. Jack in the Box, na Praça Panamericana. Sábado, comer bomba de chocolate na Brunella. Paquera na Brunellaaaaaaaa.
– Passeios de Caloi 10.
– Esborrachou-se no chão andando de patins.
– Fazia pesquisa e trabalho em grupo usando a Barsa ou ia para a biblioteca.
– Gritava para que seu irmão desligasse a extensão do telefone!
– Não saia sem uma ficha telefônica. Aliás, anotou muito telefone na mão.
– Usou tamancos.
– Usou polainas

E para você? O que uma Dominique com certeza já fez?

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Quiz Anos 80 – A época que deixou saudade para nossa geração
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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

16 Comentários
  1. Sou de Curitiba, me identifiquei com muitas coisas…aqui os capítulos das novelas passavam várias semanas depois do Rio e SP,era sensacional quando minha prima carioca vinha pra cá e contava o que ia acontecer na novela!

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Mr. Miles responde: A praia de Dominique e os ‘inenarráveis prazeres’

Dominique - Praia
Como o leitor perceberá nas próximas linhas, é pouco provável que Mr. Miles tenha sido visto, no fim de semana passado, em lugares como Nice, Brighton, Maresias, Florianópolis, Marbella ou Mar del Plata, grandes campeões de frequência em feriados prolongados. O mais provável – diríamos nós, da redação – é que tenha ido a alguma remota cidade nas Dolomitas ou ao interior da Irlanda, fazendo uso de alguns de seus poucos veículos raros que estaciona nas estrebarias abandonadas do castelo de Lord Atkinson-Bowles, amigo de longa data.

A seguir, a pergunta da semana:

Li sobre os clichês detestáveis. E só para corroborar sua indignação, também abomino a tal praia “paradisíaca”. Mas se o meliante me convidar para um passeio numa praia transcendente que combina com minha egrégia alma, ficarei igualmente incomodada. Na verdade, como diria o bom e velho Buda, a virtude está no meio, certo? Agora lhe pergunto, Mr. Miles. Qual praia imagina me faria sonhar? E como a definiria? 

Dominique Hip, por email

Well, my dear: vejo que você é uma mulher de valores arraigados. Isso é bom, porque adoro iron ladies, mas também é ruim porque não parece admitir qualquer flexibilidade.

Vou tentar, however, definir a praia que a levaria a sonhar a partir de minhas próprias convicções. Descarto, por principio, todas as praias que atraiam multidões – sobretudo nos feriadões. Aliás, é um tipo de viagem que não desejo para ninguém. Costumo chamar essas incursões à costa – que incluem trânsito interminável, fila nas padarias e supermercados e, não raro, falta d’água – de ‘o inenarrável prazer de passar holydays nas praias’. Trashie concorda comigo e estou seguro de que a prezada leitora também.

I presume, darling, que praias de pedra ou cascalho também não sejam as que mais a agradem. Embora, nowadays, existem calçados (deselegantes, I must say) que protegem os pés de objetos perfuro-contundentes, inclusive pedras e corais.

Estamos, as you see, quase caindo no lugar extremamente comum das praias desertas de areias brancas e águas transparentes, que eu prefiro chamar de lugares agradáveis do que de paraísos – conforme expliquei anteriormente.

O sol que me perdoe, mas uma sombra é fundamental! Especialmente se oriunda de uma amendoeira ou outra árvore de copa frondosa. Espero que esse cenário a agrade também. Não me agrada, na provecta idade que tenho, caminhar rumo a qualquer praia carregando guarda-sóis e deselegantes cadeiras de alumínio. Pela mesma razão não carrego caixas de isopor ou coolersIn factdear Dominique, confesso que adoro ver praias, suas formas delicadas, seus limites muitas vezes brutais. Mas nem sempre me agrada utilizá-las. Pensei a respeito e acho que essa atitude tem relação com o longo tempo que passei no Sahara durante a Segunda Grande Guerra, acompanhando Monty (N.da R.: Bernard Law Montgomery, marechal inglês que combateu as tropas de Rommel, na África). Ainda hoje, passados tantos anos, noto pequenos montículos de areia em meus lençóis.

Nevertheless, é claro que mergulho quando o calor está insuportável, é claro que o contato com a água me dá imenso prazer e, repetindo uma resposta que, my God, tenho que dar repetidas vezes a muitos leitores, é evidente que não me banho com terno e chapéu coco.

Quanto à sua questão, da qual, por razões óbvias, tenho me esquivado, arrisco dizer que a praia que a faria sonhar seria tranquila, agradável, sem ondas fortes – mas sem a pasmaceira das lagoas –, não tão deserta que a impedisse de avaliar os frequentadores, nem tão movimentada que atrapalhasse sua vista para o mar. Acredito, as well, que a presença de uma companhia valiosa, em qualquer das muitas acepções dessa palavra, completaria a definição da praia de seus sonhos. E, humildemente, gostaria de me oferecer para, alguma vez, ser um candidato à companhia valiosa, talvez o início de uma nova viagem.”

Será que a Dominique curtiu a praia do Mr Miles?

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Todos têm direito a uma segunda chance, até mesmo os cupidos!
Loucuras que Dominiques já fizeram por uma paixão

Mr. Miles

É o homem mais viajado do mundo. Ele esteve em 183 países e 16 territórios ultramarinos. Colunista do caderno Viagem do Estadão

4 Comentários

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Vou mudar de país e agora terei o mundo para chamar de meu

Dominique - Mundo
De repente, aquela inquietação e ansiedade, quase incontroláveis, estavam de volta mais fortes do que nunca. Uma necessidade maluca de buscar respostas como nos meus 16 anos.

Não, não foi um surto! Mas um processo.

Cheguei aos cinquenta e, finalmente, entendi que já passei da metade da vida. E, agora, ao invés de planejar um futuro colorido e distante como na adolescência, a questão passa a ser outra: O que fazer para tornar mais digna a vida que me resta?

Como para 100% da população do planeta, a vida foi me dando rasteiras. Uma, duas, várias. Uma após a outra. Quando dei por mim, percebi que na realidade, tinha dado início a um percurso sofrido para responder a uma só questão. O que a minha Alma quer de verdade?

Bem, diferenciar o que a Alma quer (sim, Alma com A maiúsculo) e não o que preenche o Ego, velho companheiro, tem sido uma das tarefas mais complexas da minha vida.

Passei a viver uma estranha bipolaridade. Enquanto parte de mim precisa desesperadamente de estabilidade e conforto, a outra, quer ir pra longe e correr o mundo buscando não sei o quê, não sei onde…. Ou será que sei?

O processo é mais ou menos assim: você lê tudo sobre dietas e tratamentos de beleza, mas consome seus dias comprando e colecionando incríveis livros de receita. Aqueles cujas fotos fazem a gente sentir o gosto e o cheiro das calorias.

Já exausta de tanto cair de bunda e levantar pra cair de novo, resolvi finalmente deixar a Alma falar. E ela gritou: desapega e vai para o mundo ver o que não viu!

O sonho adolescente voltou maduro e apoiado nas tecnologias, nas redes sociais, no desejo cada vez maior de aprender coisas novas, de buscar um jeito mais simples de viver. Ganhou roteiro, formato, cor e, principalmente, pressa, muita pressa.

Uma odisseia que ainda não terminou. Reorganizar a vida, fechar ciclos, deixar ir, pensar e repensar. Superar os piores pesadelos e os melhores sonhos, desapegar do cheiro dos livros, do jeito do colchão, dos 1355 enfeites e recordações, do álbum de fotos da família, do quadro que teima em ficar torto na mesma parede todo santo dia e, é claro, das pessoas. O maior de todos os bens dessa primeira metade da vida e que incluem mãe, filhos, marido e amigos preciosos. Um exercício contínuo e difícil de fazer.

Mas o fato é que o “BRAZIL ZIL ZIL” também deu seu empurrãozinho. Como quase todas as pessoas por aqui, tive meu tsunami profissional. Fruto das mazelas políticas e econômicas e de ter acreditado em mais um “vôo de galinha” que fez, a todos nós, cair de cara no chão. O meu país – sem perspectiva, perdido em seus valores e sua história – fez brotar a semente de coragem para que eu me transformasse oficialmente numa estrangeira.

Por duas vezes, precisei adiar a partida para o velho mundo por motivos diversos. Mas a cada adiamento em que a dificuldade aumenta, a vontade de partir dobra. Pensar, planejar, pensar de novo. Juntar dinheiro, desfazer de bens da vida inteira, ajustar contratos, preparar documentação, pesquisar, pesquisar e pesquisar.

Em meio a todo esse processo tive uma das maiores surpresas. Minha filha, cujo primeiro posto agora é ser a mãe do meu neto, simplesmente comunicou em tom solene:

– Mãe, a Família Adams vai para Portugal!

– O que? Como? Mas essa ideia é minha, respondi.

Um estranho frio na espinha. Uma mistura de alegria pela coragem dela fazer o caminho de volta com sua pequena família, e, ao mesmo tempo, de medo pelo que pode vir pela frente nas rotas que ela estabeleceu e é claro, não são as que tracei pra mim.

Como num piscar de olhos, enquanto eu continuo catando meus pedaços e me reconstruo aprendendo a desapegar e criar novos valores, ela já fez o que precisava e está pronta para partir bem antes que eu… E vai me esperar por lá.

É óbvio que pensar que ter por perto o sorriso do meu neto me conforta e estimula mais do que nunca a fazer tudo o que precisa ser feito, e o quanto antes.

Tudo ganhou mais cor e faz mais sentido. A cada dia vou percebendo o que realmente importa. Preciso de bem menos do que sempre tive para viver: menos bens, menos objetos, menos roupas, sapatos, perfumes, panelas, mimimis.

Mas nunca, jamais, de menos afeto!

E quando perguntam o que vou fazer por lá é a Alma quem responde: vou reaprender a viver.

Meu personagem para os próximos anos? Talvez uma avó mochileira colecionadora de histórias e de gente, a buscar novas experiências para ser útil.

Ainda sinto pulsar forte em mim o sonho de lecionar e, principalmente, ser aluna em uma universidade europeia. Aos poucos, vou desenhando uma nova jornada cuja única bagagem que pretendo deixar crescer é a da espiritualidade e do conhecimento.

Hoje, só sei o que não sei. E me sinto liberta para o fim e o recomeço.

Agora, finalmente, terei o mundo pra chamar de meu. Namastê.

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Contar amigos é o mesmo que contar com amigos?
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25 Comentários
  1. Olá, me identifiquei muito com você. A diferença é que faço 60 e não tenho netos, mas vivo entre Brasil e Portugal. Porém está chegando o tempo que não viverei mais no Brasil e sim em Lisboa. Apesar de ter já vivido em Cascais por 5 anos de 91 a 96, hoje Portugal é outro país, bem diferente da época que vivi lá. Se tenho medo da mudança? Tenho e muito porque terei menos futuro e no Basil está todo o meu passado.
    Beijos!

  2. Acabo de me aposentar e meu principal projeto é tornar a minha vida melhor e mais agradável. Aprendendo coisas novas, viajando e praticando muito o desapego. Alem disso procurando me cercar de coisas e pessoas agradáveis e principalmente buscando mais a minha espiritualidade e o amor ao próximo.

    1. Que legal Hilda. Acho que somos uma geração de mulheres realmente diferenciada!!! E quantas possibilidades temos hoje! A internet facilita tudo!Olha fiz curso até de brigadeiro gourmet, tarot, acupuntura energética, florais de bach, um monte de coisa que não tem a ver com minha área de trabalho, mas quem sabe posso utilizar no futuro…ou não ..tudo vale… aprender é uma delícia!
      beijos
      Cris

  3. Nem mesmo a liberdade, tão almejada, faz sentido se vc olhar em volta e não tiver com quem compartilhar! Vale filhos, amigos, companheiro.Felicidade é um estado de espírito completo onde quer que esteja!

  4. Adorei ! Sinto exatamente assim , que preciso de menos coisas materiais para ser feliz mas que preciso mais que nunca realizar todos meus sonhos , rápido sem perder um minuto
    Atuar fortemente em buscas de meus desejos como uma menina cheia de sonhos !!!!
    Estou curtindo muito 50 e poucos anos

    1. É isso aí…ainda somos meninas cheias de sonhos e isso é vitamina pra viver!

      50 e poucos anos é tudo de bom!!!Em alguns momentos damos algumas balançadas mas faz parte do processo.Bora viver!

  5. Meninas, a decisão não foi e nem tem sido fácil não. Vou escrever mais contando essa saga. Fico imensamente feliz com o incentivo e a identificação de todas vocês.Não tinha ideia que a minha história pudesse impactar dessa forma.Muita gratidão e um beijo a cada uma de vocês.

    Cris Bighetti

    1. Neide, saiu do fundo do coração. Forte eu não sei, mas verdadeiro pode ter certeza.Nem eu esperava que impactasse tanta gente.Agora quero compartilhar tudo com vocês, cada passo!
      beijos

    1. Ana, não é fácil.Mas como dizia minha avó, pior que a morte é a agonia. O mais difícil é tomar a decisão e aos poucos, passo a passo ir tomando providências, atitudes e criando estrutura. Com cinquenenta e tantos anos temos o direito de decidir, voltar atrás, repensar, decidir de novo e mudar tudo. O que é bom pra uma mulher não quer dizer que seja o ideal pra outras.Penso que o autoconhecimento , esse sim, é nosso cúmplice.
      beijão
      Cris

  6. No seu texto, apenas dois pontos temos diferente, já passei dos 50 (tenho 55) e não tenho um neto. Ler o que você escreveu (tão bem por sinal), foi como se eu estivesse escrevendo, cada ponto e cada vírgula, até o sonho de cursar uma faculdade na Europa, temos em comum.Tenho pensado nisto todos os dias, só me resta agora, “planejar, pensar de novo. Juntar dinheiro,preparar documentação, pesquisar, pesquisar e pesquisar” e ter coragem.

    Gostaria muito de agradecer por ter colocado neste texto, tudo que eu sinto e não tive a coragem de escrever e por me ajudar a fortalecer a minha decisão.
    Muito sucesso em novo caminho, que Deus te abençoe. Abs

    1. Josy, eu que agradeço seu carinho. Também passei dos 50. Mas esse foi um processo que começou quando cheguei lá e não parou mais…nem sei se pára algum dia, espero que não.
      Boa sorte pra você! coragem!
      Cris

  7. Cris, uma amigamada me marcou no seu depoimento: ela me viu ali. E eu me reconheci nas suas palavras, na sua inquietude, no seu encontro com sua Alma. Estou em processo – mas ainda me falta coragem. Ainda não me sinto liberta para o fim, apesar de ansiar o recomeço. Mas suas palavras alimentaram um pouco mais meu desejo. Que seu novo caminho seja lindo, seja leve, seja pleno.

    1. Oi Cida! Que bom que se identificou.O mais importante é a gente escutar o nosso interior pois nem sempre é preciso voar para tão longe, mas para dentro da gente. beijão

  8. Identifiquei-me em grande parte com vc. Não cheguei aos cinquenta, já passei; estou chegando aos setenta.
    Torno minha sua pergunta: o que fazer para tornar mais digna e gratificante a vida que me resta?
    Pensar, pensar, pensar.Muita inquietude. Começar a planejar, juntar dinheiro, desapegar.Pesquisar, pesquisar, pesquisar.
    E mais: CORAGEM.

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E aí – Alto padrão é um elogio ou desqualificação?

Dominique - Alto Padrão
Sabe aquela história de executivos que perdem o emprego aos 50 anos e não conseguem se recolocar o mercado de trabalho simplesmente porque são muito qualificados?
Não são poucos os casos. Tenho vários bem próximos a mim inclusive. E acontece com mulheres e homens. A tendência, se a conduta das empresas não mudar, é que o número de desempregados superexperientes aumente muito já que a longevidade está cada vez maior.

O que causa mais estranheza é que o mercado precisa de profissionais experientes, que resolvam e não caiam de quatro diante da primeira crise, que tenha embasamento, equilíbrio e discernimento, certo? Mas esta pessoa custa e as empresas não estão dispostas a pagar.

Muitos destes profissionais, ciente de que os boletos batem à sua porta todo santo dia implacavelmente, estão sim dispostos a ganhar menos, não raro, muito menos. Pouquíssimos conseguem um emprego mesmo para receber um terço do salário que ganhavam.

E o discurso é quase sempre o mesmo, o empregador não tem coragem de oferecer um salário tão baixo para um profissional experiente. Acreditam que ninguém aceitaria uma proposta tão indecorosa.

Fazendo um paralelo, a situação é a mesma para várias das Dominiques que pensam em começar de novo no quesito relacionamento.

Fala a verdade, na altura do campeonato, somos mais exigentes e menos tolerantes. Acho que preferimos menos em quantidade, mas com mais qualidade. Daí o nível de exigência ser mais apurado.

O que temos de mais precioso na vida agora é o tempo. Para que perder um só segundo que seja com quem ou com o que não vale a pena? Nem a pau Juvenal! Mas, muitas de nós, estão dispostas a recomeçar e não é por carência não!

Claro que só posso falar por mim. Adoro namorar. Andar de mãos dadas, fazer amor, morrer de rir e até ter uma pitadinha de ciúme tenho um pouco saudade de ter. Mas não é com qualquer um. Tem rolar química. Rolar papo. Pelo amor do santo padre ter que explicar a piada.

Depois de acabar com um namorado, entrei num app de relacionamento, destes que rastream por GPS quem cruzou o seu caminho.

Deu match com vários caras, mas com poucos a conversa desenrolou. Aliás, o papo, depois da foto, é o primeiro filtro para mim. Dependendo do andar da carruagem, a coisa acaba nos primeiros parágrafos.

Não conheci nenhum amor, não tive nenhuma paixão, mas conheci alguns homens educados e divertidos.

Escutei de três homens, preste atenção, três, que sou qualificada demais. Você deve estar pensando que eu me acho a última Coca-Cola gelada do deserto. Não, garanto a você, que eu não me acho.

Para tentar decifrar a colocação, fui a fundo na conversa. Um deles tentou me explicar:
– Você tem nível.
– Não entendi, como assim?
– Você demonstra ser independente financeiramente, articulada, parece ser bem resolvida, sabe se vestir, bonita. Seu padrão é muito alto.
– Continuo não entendendo. Tenho centenas de amigas assim, isso não é um diferencial!
– É sim. Seu padrão é acima da média nos app, logo você deve ser muito exigente. A maioria dos homens não procura mulher assim.
– E o que eles buscam?
– A maioria que está nos aplicativos busca sexo e você não se encaixa nos parâmetros.
– Quem disse que eu não gosto de sexo, meu filho? De onde você tirou isso?
– Não falei que você não gosta de sexo. Mas com você não dá para ser só sexo. Você vem junto com aquele caminhão de coisas que os homens não querem, isso sem falar que acompanhar você não deve ser nada fácil.

Enfiei minha viola no saco e fui embora.

Em tempo, vale aqui uma ressalva, tenho alguns amigos, poucos, que estão firmes em relacionamentos que começaram através de aplicativos, logo há exceções.
Por um tempo fiquei pensando no teor surreal da conversa. Ter ou ser de um alto padrão é um elogio ou uma desqualificação?
20 dias foram suficientes para eu bloquear meu perfil.
E vamos que vamos!

E ai? Para você ser considerada alto padrão e elogio desqualificação? Diz para mim.

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Jamais diga desta água não beberei – Sim eu fiz uma tatuagem – Parte 1

Dominique - Tatuagem
Nunca tive medo de envelhecer, acho pouco provável que aconteça comigo.

Nenhuma encanação com rugas ou marcas de expressão, já as tenho e convivo bem com cada uma delas.

Gosto de me cuidar. Ser escrava da vaidade, jamais.

Tenho sede mesmo é de viver. Sorrir com os olhos, sempre.

De tempos em tempos, a vida me prega surpresas ao dobrar uma esquina e quando menos espero, vivendo na velha e boa zona de conforto, não tem outra escapatória, senão mudar.

É uma epopeia e tanto enfrentar o pavor da mudança? Lidar com o desconhecido é uma aventura que a maioria dos seres humanos não tem preparo para vivenciar, por mais Dominique que seja. Mas é justamente este o grande lance! Ta aí o pulo do gato.

Aos 50 vivi esta fase: MUDANÇA. De visão, paradigma, ideias preconcebidas, verdades absolutas e, por que não, também de opiniões.

Não é feio mudar, perigoso é permanecer sempre com a mesma ideia, a ponto dos olhos não sorrirem mais. Sim, o primeiro sorriso é com o olhar. Por muito tempo minhas pupilas ficaram sob lentes escuras, meio assim no lusco fusco, mas algo mudou quando fiz 50.

Nesta fase de balanço, morte de crenças e renascimento, subi o primeiro degrau rumo à transformação. Veja só que surreal, fiz uma tatuagem. Quem diria, eu que detestava tatuagem.

Há muito tempo não sentia o que era transgredir uma regra. E, a maioria destas regras quem impôs fui eu! Cá pra nós, sei como ninguém ser cruel, principalmente quando é comigo mesma.

Sabe o que senti? Liberdade, uma adolescente. Foi tão bom, doloroso e incrivelmente fascinante. Por que? Simplesmente porque mudei de ideia. Além da tatoo ter ficado linda e chiquérrima. Isso não tem preço, tem valor e quanto valor!

Continuo em busca do novo, de sensações e emoções diferentes, não precisam necessariamente serem doloridas como a tatuagem, mas sempre inéditas.

Tenho como propósito fazer a diferença para melhor na minha vida e na de quem eu cruzar, então vambora, bola pra frente que atrás vem gente!

Você ja passou por uma mudança de opinião como essa da Marot com a tatuagem? Conta para mim!

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Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

5 Comentários
  1. Thank you for your sharing. I am worried that I lack creative ideas. It is your article that makes me full of hope. Thank you. But, I have a question, can you help me?
  2. Ah, Dominiques.

    Amei a matéria e como não acredito em acasos, veio na hora certa, pois estou ensaiando desde o ano passado. E conto mais, ter 50 e mais alguns não tem preço, quebrando barreiras, liberdade de ser e querer… E o mais importante é sentir-se absoluta. Somos todas Dominiques. Beijos

  3. Oi. Tenho 65. Sempre fui muito séria!! KKKK!!!De não sair da linha !! Fazer tudo certinho sempre!! Masss fiz minha primeira tatuagem aos 58. E depois dos 60 fiz mais 2 !! Adoro!! Ficaram lindas!!!Ia fazer nas costas! Mas EU queria um lugar que pudesse vê-las!! Então fiz no ombro!Adoro!! Abraços

  4. Qué máximo!!! Duas coincidências: Tb fiz uma tatoo dias antes dos 50.
    Meu propósito é igualmente fazer diferença na vida das pessoas.
    Ao final, descobri que ambas estão ligadas de alguma forma.Qdo marcamos ou qdo nos deixam marcados, o que fica é uma “tatuagem invisível”.

  5. Oi . Tenho 68. E todos os dias encontro oportunidades de mudar. Pra melhor é claro. Como vé leio todas as publicações de Dominique e me acho uma. Ah a vida ta ai pra se viver intensamente né meninas? Um grande abraço

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Eu pulei as 7 ondas. Não pedi nada, mas ganhei muito!

Dominique - Ondas
Passei o fim de ano na praia. Há anos não conseguia estar no Réveillon em frente ao mar, curtindo as ondas, como sempre adorei.

Não gosto do Natal, exceto quando meus filhos eram crianças. Sei lá, acho uma data nostálgica, um pouco triste e comercial demais da conta. Mas o Réveillon, nossa, sempre esperei ansiosamente.

Perdi a conta de quantas simpatias já fiz, comer romã e guardar os caroços por um ano, chupar doze uvas e esconder os caroços na carteira, colocar folha de louro junto ao dinheiro, passar a virada em cima da cadeira apoiada somente no pé direito, com em um homem, vestir calcinha amarela, rosa, vermelha, verde, tomar banho de sal grosso e ervas e por aí vai!

O problema é que toda a passagem de ano era uma frustração sem limite. Eu alimentava tantas expectativas e nada acontecia que para mim a data perdeu completamente a importância. Assim, há um bom tempo o encanto pelas promessas e desejos no dia 31 de dezembro caiu por terra.

Dois anos atrás, por opção, passei o Réveillon sozinha, ou melhor, com minha fiel companheira, a viralata Lollypop Tereza. Nada de depressão, nem tristeza. Completa paz. Foi também uma quebra de paradigma. Descobri que 31 de dezembro é um dia como outro qualquer. Sabe quando você tem medo de algo e de repente tem que enfrentar? Descobri que o monstro não era tão feio, nem tão grande…nem era monstro, veja só.

Este ano foi diferente. Eu estava muito bem comigo mesma. Tranquila, em completa paz de espírito e, para surpresa geral, sem nenhuma, nenhumazinha, expectativa. Está certo que em frente ao mar tudo é melhor, é o lugar que mais gosto nesta vida, ainda vou morar na praia.

Coloquei uma calcinha nova, um vestido de renda branco (já usado algumas vezes) e fui para a praia às 23h30.

Olhei para o mar e fiz o que nunca tinha feito no dia 31. Somente agradeci. Agradeci profundamente por tudo que me aconteceu e vem acontecendo na minha vida.  Não pedi absolutamente nada. Eu estou como estou, porque sou fruto de tudo que vivi e isso vem me ajudando a ser uma pessoa do bem que é o real propósito da minha existência. Problemas, quem não tem? Mas meu sentimento foi de total gratidão.

A única coisa que fiz enquanto agradecia foi pular as 7 ondas. Não resisti ao oceano e sua magia de braços abertos na minha frente.

E assim acabou o meu ano…e começou o outro sem que eu pudesse sequer respirar fundo para tomar fôlego.

Dia 01, decidi parar de fumar. Dia 04, meu namoro acabou. Dia 05, recebi uma proposta para alugar meu apartamento em São Paulo (eu nem lembrava que estava para alugar). Dia 08 decidi mudar para minha casa em Valinhos, no interior de São Paulo. Dia 09, meu filho conta que vai mudar de país. Tá bom pra você ou quer mais?

Agora, 30 dias depois, estou morando em outra cidade, troquei de carro, troquei de estilo de vida, venho para São Paulo toda semana para trabalhar e enfrento novos desafios.

Não dá para negar que é um tanto quanto complicado acompanhar tanta novidade, um caminhão de mudanças drásticas, mas em compensação é uma oportunidade e tanto para aprender de uma vez por todas que ninguém tem controle sobre nada, até euzinha que sempre achei ser a rainha do caqui no quesito controle.

Agora, vivo um dia de cada vez e tento usufruir os presentes que a vida está me entregando todo santo dia. E não tem sido poucos.

Bora aproveitar a vida, porque como dizia John Lennon “a vida é o que acontece enquanto você está fazendo outros planos”, que na verdade, descobri recentemente, ele não é o autor da frase. O autor é Allen Saunders, escritor, jornalista e cartunista americano. Mas o que importa aqui é o conteúdo, certo?

Pular 7 ondas ou fazer qualquer outra simpatia só dá certo se você agradecer por tudo que aconteceu em sua vida durante ano, não acha?

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Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

1 Comentário
  1. Isso é a tal maturidade. Viver o agora está uma frase banalizada
    Mas é exatamente o que temos de certeza: o instante agora que numa respiração já passou…e viva a maturidade de poder e saber exercitar o aqui e agora.

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Amiga pra valer é tão gostoso quanto café com leite

Dominique - Café
Nasci virada para lua. Faço parte de uma família com F maiúsculo, formada por pessoas muito queridas que são pau pra toda obra, faça chuva ou faça sol.

Minha sorte não acaba por aí. Tenho uma irmã que não é de sangue. Que grande asneira este lance de sangue. Tipo A, O, B, AB tanto faz. Tem gente que eu tenho certeza que nem sangue tem.

Aos 6 anos, a senhora que trabalhava na minha casa precisou sair. Mandou a filha dela em seu lugar. A garota tinha apenas 12 anos. Minha mãe matriculou-a na escola e crescemos juntas. Nunca mais nos separamos, nem com os caminhos tortuosos que a vida nos surpreendeu.

Minha infância foi divertidíssima com esta criatura. Aprontávamos todas e mais algumas. Confiava a ela os meus mais picantes segredos, se é que aos 10 anos temos segredos tão picantes assim.

Ela esteve presente em todas as fases da minha vida. Absolutamente todas.

Quando engravidei, solteira, aos 17 anos, ela soube em primeiro lugar.

No dia em que os amigos da minha irmã chegaram para dar a notícia que ela havia morrido, foi para ela que olhei aterrorizada primeiro. Dormiu comigo naquela noite e não desgrudou um só segundo.

Soube de todos meus namorados e paixões não correspondidas, das correspondidas também. Cedeu seu colo e ombro tantas e tantas vezes que é impossível enumerar. Perdi a conta faz tempo.

A morte bateu mais uma vez à minha porta. Em plena festa de 60 anos do meu tio, minha mãe morreu dançando, do jeitinho que merecia, se divertindo à beça. Quem chegou algumas horas depois mesmo não tendo carro na época? Ela. Novamente dormiu comigo, se é que conseguimos pegar no sono. Não arredou o pé até o final. Sempre ao meu lado.

Minha filha nasceu. Ela curtiu cada segundo. O amor que nutre por meus filhos é incondicional, é madrinha, tia, mãe também. O que o sangue tem a ver com isso? Eu afirmo, nada.

De novo, a morte chega perto. Desta vez leva meu pai. Ele ficou doente por alguns meses. Além de outros entes queridíssimos que me ajudaram muito, quem revezava comigo no hospital e depois em casa? Ela. Meu pai se foi. Antes de partir pediu para ser enterrado junto da minha mãe em Piracicaba. Quem estava comigo o tempo todo, a noite inteira e foi comigo para o interior? Ela.

Figurinha carimbada esta doce criatura. Não pode ver um enterro que já fica saltitante. Papa defunto!

Muitos devem pensar que esta mulher tem tempo livre e vida fácil para estar à minha disposição sempre. Exatamente o oposto. Mora onde Judas perdeu os ossos. As botas, as meias, as unhas e a pele ele perdeu quilômetros antes. Leva duas horas e meia para chegar à minha casa. Acorda todos os dias às 4h30 para chegar antes das 8h no trabalho. Na volta é a mesma via crucis.

Descanso no final de semana? Nem por sonho. Há anos adotou uma senhora, ex-moradora de rua, que não tem ninguém, absolutamente sem eira nem beira. É difícil definir a idade da velhinha, um bom chute é por volta de 95 a 100 anos. O amor entre as duas é uma lição de vida como nunca vi na minha longa existência. Não dá para explicar, só para sentir.

Passamos por um estresse uma única vez nestes 46 anos. Minha cachorra, Lollypop Tereza, vinha enlouquecendo meu ex-marido. Como homem decente estava pela hora da morte, era a cachorra ou ele. Quem se ofereceu para ficar com a maluca? Ela.

A cachorra também causou na sua casa. Trucidou a porta do carro, comeu o pneu e as correias da moto do filho, não uma vez, mas duas. Roeu o cimento da parede do quintal. Completamente insana.

Uma bela tarde, ela chega em casa com a alucinada de 4 patas a tiracolo e diz – Toma que o filho é teu. Quem pariu Mateus que crie! Brigamos, mas foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Meu anjo canino voltou para o lar de onde nunca deveria ter saído e hoje vive pacificamente no seio da família. Tudo bem rouba um franguinho ali, outro aqui, mas vamos levando.

Dominique - Café

Já rodei a baiana profissionalmente algumas vezes por causa dela. Esta minha irmã é uma negra linda. Eu morava num prédio metido à besta. Um dia ela chegou para me visitar, o porteiro avisou pelo interfone e de repente a campainha da porta de serviço tocou. Abri e me deparei com ela. Achei estranho e perguntei – O elevador social quebrou? Ela disse – Não. O porteiro me mandou subir por aqui. Surtei. Surtei de verdade. Desci numa velocidade tal que em apenas 30 segundos estava na frente do infeliz. Eu que sempre fui tão gentil e educada com todos no edifício, falei tanto na orelha daquele ser inescrupuloso e finalizei deixando claro que isso dá cadeia, é preconceito. Na minha casa ninguém decide por onde as pessoas entram.

No bota fora do meu filho, ela estava presente, claro. Uma das pessoas convidadas cumprimentou todo mundo e pulou a vez dela. Não era a primeira vez que fazia isso. Ignorei, cheguei à conclusão que a melhor tática para lidar com gente assim é abstrair e fingir demência. Apesar de não ser rancorosa, nunca perdoei. Ela magoou a minha irmã.

A única pessoa com quem posso conversar sobre as minhas lembranças de infância, das rotinas da minha casa, do dia a dia com meus pais, é com a minha irmã de não sangue.

Temos um combinado. Vamos envelhecer juntas. Uma vai cuidar da outra. Este acordo que não será quebrado sob nenhuma hipótese me faz encarar o futuro com alegria. Temos planos e vamos nos divertir uma barbaridade na terceira, quarta, quinta idade.

Quando eu crescer quero ser igualzinha a ela. Levando em consideração que já estou com mais de meio século, pelo andar da carruagem, terei que deixar este desafio para a próxima vida.

Se isso não é amor, então o que é? O que o sangue tem a ver com este relacionamento? Que diferença faz se eu sou branca e ela é negra? Quer mistura melhor do que um delicioso e quentinho café com leite?

É isso. Somos café com leite. Leite integral tipo A e café torrado e moído na hora. Servido nas melhores cafeterias da cidade. Você tem alguma amizade assim?

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Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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