Tag: Aventura

Descobrindo os imensos prazeres de viajar sozinha

Banner_Viajar SozinhaViajar sozinha é algo que estou fazendo há alguns anos, pois quando podia viajar ou tinha a oportunidade, estava sem companhia. Adoro viajar com mais pessoas, porém viajar sozinha tornou-se para mim algo muito especial e vou explicar por quê.

O fato de poder ir aos lugares que queremos conhecer, previamente anotados, torna-se real.

Ou seja, posso fazer o roteiro todo, com os lugares que quero conhecer, no meu ritmo. Seja rápido ou devagar, dependendo da disponibilidade de tempo, faço à minha maneira.

Se estou em um museu e determinada ala não me chama muito atenção simplesmente mudo e vou para outra que me interessa mais, sem discutir.

E se um determinado lugar realmente me fascina, posso ficar bem mais do que imaginado, pois só devo satisfação à mim.

Posso comer o que quero e na hora que quero.

Tem algo mais legal que parar para comer quando se está com fome, sem ficar preso a horários? Posso escolher o restaurante conforme meu gosto e  “bolso” pessoal, comer rápido ou devagar, conforme minha vontade.

Posso dormir e acordar a hora que quero.

Idem à alimentação. O banheiro e quarto são meus. Ponto.

Bem, parece maravilhoso, mas obviamente tudo tem o lado oposto que é, muitas vezes, viajar sozinha não é tão bom quando, por exemplo, vê-se uma paisagem deslumbrante e não tem ninguém ao lado para dizer:

– Olha isso!

Ou quando você se vê diante de uma situação de conflito ou medo….

Para que isso não ocorra é preciso tomar uma série de cuidados.

Vou mencionar alguns itens que acho importante ressaltar e serve como uma lista para quem vai começar a viajar sozinha, principalmente sendo mulher.

Escolha um destino próximo

Para fazer sua estreia viajando sozinha, escolha  uma cidade no seu próprio país ou onde a língua seja a mesma ou parecida, pois você precisará pedir informações a todo instante, então  ficará menos envergonhada se falar e entender corretamente o que estão dizendo.

Além do mais, se tudo der errado e você odiar a experiência, fica mais fácil voltar.

Escolha um período de tempo razoável

Não pense em viajar sozinha por um mês se nunca fez isso. Por mais que goste de sua própria companhia, pode estranhar ficar sempre sozinha ou mesmo ter que conversar com pessoas estranhas o tempo todo.

Escolha o período  de 1 semana a 10 dias, acho um bom termômetro. Se a experiência for boa, vá aumentando à medida que se acostuma.

Não carregue mais coisas do que suas duas mãos podem segurar

Nada pior do que ver aquelas cenas das pessoas sozinhas carregando malas, sacolas e ter que ficar parando a todo instante para descansar. Nada disso. Viajar sozinha tem que ser algo prazeroso, você não foi  pagar promessa.

Algumas pessoas que cruzarem seu caminho podem ser gentis, mas a maioria, já tem suas próprias bagagens para carregar. Então não vacile.

Escolha lugares alegres, históricos ou cosmopolitas para uma primeira vez

Minha opinião é que para uma primeira vez, absolutamente sozinha, é prudente você escolher opções mais leves do que ir a um templo no Nepal, alguma cidade sagrada da Índia ou visitar uma aldeia de crianças na África.

Lembre-se que ao viajar sozinha podem aparecer sentimentos muito variados em contato com culturas muito diferentes ou muito mais “pobres” do que está acostumada.

Melhor ir a lugares onde, em alguns momentos, você possa se “misturar” com outras pessoas, às vezes, sentando ao lado num restaurante ou começando uma conversa numa fila de atração,etc… fica menos penoso para uma primeira vez.

Banner_Viajar SozinhaSeu companheiro será seu celular ou laptop

Sim, esses itens serão seus companheiros para viajar sozinha. Por isso, escolher bem o lugar é fundamental, pois sem wi-fi ficará muito mais difícil, tanto para pesquisar informações bem como se “conectar” com familiares ou amigos. Isso faz toda a diferença em uma viagem. Melhor deixar para escalar algum monte quando estiver mais segura em viajar sem companhia.

Itens femininos

Preciso mencionar que em determinados lugares que visitamos, itens para nós básicos, como absorventes, OB, etc…. não são muito fáceis, então leve sem hesitar caso necessite usar durante o tempo de viagem.

Quanto a alisadores de cabelo, chapinhas etc…. escolha um deles, pois peso é algo imprescindível como já mencionamos.

Armário

Suas roupas devem ser versáteis, leves e fáceis de lavar, caso seja necessário. Mesmo que você viaje para Tailândia ou África você não precisa se vestir como Indiana Jones.

Use suas roupas confortáveis, porém pesquise o lugar para onde vai viajar e respeite também os costumes locais, veja se é necessário cobrir ombros e pernas (locais religiosos) e coloque um xale ou casaquinho para esses fins.

Idem para locais muito quentes, não esqueça de um chapéu para não se expor demais ao sol e depois ficar o restante da viagem parecendo um frango assado.

Da mesma maneira, apesar de você ser uma mulher corajosa, usar roupas condizentes com o local é também não se expor a situações “provocantes “ usando roupas “abusivas” em territórios mais masculinos. Isso chama-se precaução.

Interna_Viajar Sozinha 2Locomoção dentro das cidades

Planejar sua viagem é além de tudo, se antecipar aos detalhes. Se locomover sozinha dentro de determinados lugares merece cuidado.

Quando for abordar um taxista e não gostar muito da fala dele, dê desculpa e não pegue esse táxi. Melhor do que ficar depois todo o trajeto preocupada ou achando que ele a está levando para outro caminho.

Dentro de um táxi ou ônibus, ao conversar com estranhos, não fique falando muito da sua viagem e mesmo que você pareça absolutamente uma estrangeira, sempre mencione uma prima que mora na cidade, pois intimida um pouco.

Fique sempre próxima a outros grupos de turistas, caso esteja em um ônibus ou mesmo visitando às atrações locais. Dá uma certa segurança.

Mas basicamente planeje antes de ir, atenção com os horários de abertura e fechamento das atrações, pois assim você pode traçar previamente o roteiro evitando chegar em locais já fechando ou que não abriram ainda.

Em locais que o metrô seja um pouco assustador tente ficar perto de grupos de mais turistas, pois mesclando-se você se torna menos vulnerável.

Paciência acima de tudo

Você deve ter em mente que em que algumas situações sua paciência será testada, algumas discussões acontecerão e você se sentirá sendo enganada algumas vezes…porém  quando está em um país que não é o seu, deve-se ter calma e paciência. Você se sentirá provocada, mas tente sempre manter a calma e não entre em discussões desnecessárias.

Acho que com essas dicas você pode começar a esboçar sua primeira viagem by yourself. Logo iremos publicar em outro post mais dicas valiosas de viagem!

E não esqueça de nos contar como está a sua preparação! Queremos saber de tuuuuuuuudooooo.

Leia mais:

North Eleuthera – Uma viagem à uma ilha paradisíaca 

A Rússia por uma Dominique! O País da Copa do Mundo – Capítulo I

Maria Mazza

Amo viajar e amo conhecer lugares. Sou administradora de empresas, agente de viagens na Engenhotur e Dominique claro.

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A Maior Aventura Da Minha Vida – A Ação, Capítulo 4

Dominique - Ação
Voltei à pousada apenas para trocar de roupa pois ainda tinha muita ação pela frente.
Mas Valentina estava me esperando com as malas prontas.
– Dominique! Por que você demorou tanto? Nós vamos sair desta pocilga. Consegui achar lugar num hotel melhor aqui perto.
– Valentina. Você precisa voltar para o Brasil. Agora.
– Quer ficar sozinha com Loup? Quer fazer algo que não quer que eu saiba? Não estou te reconhecendo!
– Não, Valentina! Não é nada disso. Você precisa ir embora. Precisa sair de perto de mim.
Meus olhos esbugalhados devem ter assustado minha best friend.
Ela sentou naquela cama que rangia a cada movimento.
– Muito bem. Pode falar.
– Bom… Quer saber? Vou contar. Vou contar tudo.
E contei.

Valentina ficou em silêncio por uns minutos.
Levantou. Foi até a janela. Voltou-se para mim.
– Você tem certeza que Loup não esta brincando? Algum tipo de trote?
– Não Vale! Não é!
Neste momento Vale diz em uma voz estridente. Não sei se suplicando ou tentando impor.
– Dominique, por favor! Eu preciso participar disso!
– Não! Sua louca! Não… Já chega eu. Você ficará fora disso. Até para me ajudar se eu precisar.

Mudamos de hotel.
Um pouco mais confortável, sem dúvida. Só um pouco.
Quartos minúsculos!
Tão apertados que Valentina preferiu pegar dois, um ao lado do outro.
Mas nem precisava, porque eu ficava pouquíssimo tempo lá.
Só aparecia para dormir. Exausta.
Nos dias seguintes tive que passar por treinamento.
Mal vi Valentina.
Mal vi Loup
Eram plantas da cidade.
Esquemas de ação.
Esquemas de fuga.
Planejamento.
Treinamento.
Condicionamento físico.

Gente, o que eu estava fazendo?
Me perguntavam 20 vezes se eu estava segura de minhas atribuições.
Não. Não estava acreditando que estava envolvida naquilo.
O tempo voava e estava contra nós.
Teríamos uma janela num determinado dia, dali a 3 dias.
Não só o tempo jogava contra.
Tudo jogava contra.
E eu lá naquela loucura.
Roupas camufladas foram providenciadas.
Máscaras daquelas que só ficavam os olhos de fora.
Nunca me imaginei usando aquilo.

As fotos dos alvos estavam em cima da mesa.
Cada um de nós seria responsável por muitas atividades.
E, conforme o dia se aproximava, os ânimos iam ficando acirrados e os nervos à flor da pele.

Na noite anterior ao dia da ação, Loup me procurou.
Já não estávamos mais em Paris. Estávamos próximos ao nosso alvo.
Queria saber se eu estava feliz.
– Feliz? Como assim? Tá louco? Você me meteu nessa loucura.
– Não, querida. Você sabe que isso é importantíssimo para você.

No fundo, bem lá no fundo, eu sabia. Sempre soube. Aquela era mais que uma missão. Era um dever. Devia isso à minha história. Ao meu passado e ao meu futuro. E ao de toda a humanidade.

Chega o dia.
Todos nervosos, mas calmos. Estávamos treinados. Sabíamos o que tínhamos a fazer.
Nos separamos em duplas e fomos rumo à Saint-Die-des-Vosges.
As duplas foram separadas. De trem, de ônibus, de carro.
Chegamos à Vosges e nos posicionamos, aguardando escurecer.

Levamos suprimentos para não precisar sair de nossas posições.
Esperamos. Esperamos.
Eu já não aguentava mais de tanta ansiedade quando foi dado o sinal para agir.
Cada dupla tinha 5 objetivos a cumprir em menos de 54 minutos.
Éramos 4 duplas.
E uma outra organizando e gerenciando a ação.
Eu e Loup. Claro que estava com ele!
Vestidos de preto, camuflados.
Prestes a sair, Loup, num ato extremamente carinhoso, passou a mão em meus cabelos e os amarrou com uma fita vermelha antes que eu pusesse a máscara.
Ele tirou sua boina e deixou à mostra os cabelos que tanto acariciei um dia.
Enfiou a máscara preta.
Saímos.

Ele carregava um cinturão com muitas ferramentas.
Cortou algumas grades.
Invadimos os locais determinados.
Em silêncio.
O perigo iminente, a excitação, o medo, a adrenalina eram explosões de sensações diferentes em minha vida.
Loup me puxava, me segurava, me carregava quando precisava.
Passei por passagens estreitas que ele não conseguiria. Abri portas por dentro.
Enfim, uma dupla em ação. Um casal em perfeita sintonia.
Missão 1 – êxito em 7 minutos.
Missão 2, 3, 4 e finalmente 5!

Loup e Mouton. Dupla mais que eficiente.
Chegamos ao local de encontro, a igreja principal da cidade, 15 minutos antes da hora marcada.
As outras duplas foram chegando.
A última se atrasou. Achou alguns obstáculos sérios.
Estavam com as roupas rasgadas.
Mas não dava tempo de perguntar.
Fizemos a última parte de nossa missão.
Com o requinte de deixar uma mensagem numa placa com letras pintadas em tinta vermelha.

Voltamos à Paris por caminhos separados.
Voltei com Loup. Estava exausta.
Pedi que ele me levasse direto para o hotel.
Valentina deveria estar preocupada.

Acordei depois das 11h com a Vale entrando no quarto com uma pilha de jornais.
Todos não falavam de outra coisa.
– Foi isso? – disse ela apontando para manchete.
Anui com a cabeça.
E comecei a falar sem parar.

– Sim! Isso será notícia por semanas. Meses.
FLAJ. Esta é a sigla daquele grupo. Do nosso grupo.
Sim, sequestramos.
Pratiquei meu primeiro sequestro.
Mas foi em nome da liberdade, Valentina. E principalmente da estética.
Sequestramos Anões de Jardim. Não ria, Vale!

– Como assim, Dominique? Você me contou, mas eu não achei que era isso. Tinha certeza que você estava me escondendo algo.
– Eu não minto para você amiga. Acabamos de formar a FLAJ!
Frente de Libertação dos Anões de Jardim. – Você é muito engraçada, Dominique.
– Tenho o orgulho de dizer que depois de ontem à noite, mais de 6.000 anões de jardim e duendes serão libertados em ações semelhantes pelo mundo.
– kkkkkkk, e o que vocês farão com este batalhão de anões?
– Eles terão vários destinos, mas nenhum que eu possa antecipar, Vale! O de ontem você já viu. Deixamos todos na porta da igreja, numa posição tal que, quando o padre abriu a paróquia parecia que eles estavam lá para entrar e assistir à missa. O bilhete não deixava dúvidas.

Não haverá no mundo mais um anão de jardim preso! Somos a FLAJ! Lutaremos pela libertação de todos e pela estética do mundo livre!

Valentina ouviu tudo entre risos, perguntas e um grande ar de alívio.

Me abraçou e não perguntou o que aquela boina fazia em cima da cadeira.  Sim, ela viu.

Peguei o avião no dia seguinte tentando não deixar rastros e pistas.
Cheguei em casa, saudosa e feliz.
Contei dos museus que visitei.
Dos monumentos e das esquinas de Paris.
Todos acharam tudo meio esquisito.
Mas estranho mesmo foi ver que a única coisa que comprei nessa viagem foi um anão de jardim.
Anão de jardim que não coloquei em casa, mas numa praça que frequento com as crianças.

E não há semana que não apareça “misteriosamente” outro anão naquela praça.

Ela hoje se chama a Praça dos Duendes Libertos.

Você não faz ideia de quanta gente tem/tinha anão de jardim preso aqui em São Paulo.

Quem diria que a ação seria a libertação de anões de jardim? Só a Dominique mesmo!

Clique aqui e receba os 4 episódios  desta empolgante aventura em seu em seu e-mail.

https://mailchi.mp/9fbe24bba760/a-maior-aventura-de-dominique

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

18 Comentários
  1. PARABÉNS PELA CORAGEM DE SE METER NUMA AVENTURA DELICIOSA…PARABÉNS PRA VALENTINA….ISSO SE CHAMA AMIZADE!!!!
    SURPRESA COM FINAL, MAS FOI DIVERTIDO…..E O LOUP O QUE FAZ DA VIDA???
    BJS

  2. Nunca imaginei um final desse achei legal e acredito que o casamento dela melhorou. Pq ela fez algo pra ela.
    Depois de tantos anos abrindo mãos de tantos sonhos.
    Parabéns Dominique

  3. Sensacional !!!!
    que criatividade….
    Final INESPERADO , confesso.
    melhor assim …o mundo que vivemos já é muito complicado
    e cheio de maldade….
    Adorei …espero que escreva outra história !!!
    Je t’adore !!!!@

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A Maior Aventura de Minha Vida – O Encontro, Capítulo 3

Chegamos dia 20. Fomos direto para a pequena pensão na Rive Gauche.
Charmosa, tipicamente francesa, com uma senhoria hospitaleira e gentil.
#SQN – Só que não mesmo!
Baita espelunca dos infernos.
Valentina me olhou com aquela cara de nojo, mas era o que meu dinheirinho contado dava para pagar.
Bom, ficaríamos lá por aquela noite, depois resolveríamos.
Me arrumei sob o olhar curioso e atento de Valentina.
Claro que dei uma caprichada.
Claro que coloquei uma roupa tipo francesinha descolada.
Claaaaaaarrrrrrooo que arrumei meus cachos com esmero.
Mas tudo isso sem segundas intenções. Apenas não querendo fazer feio naquele encontro com um colega a quem não via há muito tempo.
Me dirigi ao Lanterna Vermelha.
Na verdade, Torche Rouge era nosso ponto de encontro. Como me lembrava bem daquele café.

Era dia 20. Não marcamos hora!
Aliás, não tínhamos marcado nada.
Nem sei se o reconheceria.
Gente, como sou louca!
Tudo pode não ter passado de um trote. De uma piada.
E eu vim até aqui?
Louca.
Já pensou o carão, Dominique?
Chegar lá e não ter ninguém?
Ou pior, chegar lá e não ter lá. Não ter nada. Não existir mais o Torche Rouge?
Too late.
Muito tarde para arrependimentos.
Peguei o metrô e fui.

E não é que o Torche estava lá do mesmo jeito que o deixei?
Quer dizer…… Um tantinho mais decadente.
Mas Paris me parecia inteira meio assim.

Nossa! Ou eu era muito romântica ou muito pouco exigente.
Isso aqui é um botequinho de quinta.
Mas vamos lá.
Já passavam das 15h.

Entrei, sentei e pedi um café com meu francês que ainda estava muito bom apesar dos anos.
Estava sozinha no estabelecimento.
Eu e aquele senhor atrás do balcão, com cabelos ensebados e olhar desconfiado.
Levei um livro.
Não li sequer a primeira página. Não tinha concentração. A menor.
Também não tenho ideia de quanto tempo se passou até que Loup chegasse.

Ele entrou, adaptou-se à luz menor de dentro do boteco e me avistou.
Nos reconhecemos de imediato.
Levantei.
Não sabia se dava um beijo, estendia a mão, se falava alguma coisa.
Ah, não precisei. Ele sabia o que fazer.
Me abraçou apertado e disse naquele francês delicioso, aquela voz rouca de tanto Gitane fumado:

– Dominique, Ma Mouton. Tu es toujours spetaculaire!

Foram horas colocando a vida em dia.
Loup olhou desolado para minha xícara de café e afastando-a, pediu uma garrafa de vinho.
E depois a segunda.
Não. Não senti o tempo passar.
Não. Não queria sair daquele lugar.
Estava me sentindo… Estava me sentindo…
Na verdade, não estava me sentindo. Estava anestesiada. Inebriada.
E um tantinho bêbada também.
Eita sensação gostosa!
Loup se levanta, paga a conta, me puxa como se fosse a coisa mais natural do mundo acompanhá-lo.

– Bem Mouton, chegou a hora de você saber porque te chamei.
Tinha até me esquecido que estava ali por conta de um chamamento ou algo assim.
Caminhamos em silêncio por 30 minutos. Não tinha ideia de onde estava.
Mas estava indo com meu Loup.
Meu Loup?

Chegamos num predinho afastado, não tenho a menor ideia onde.
Ele toca a campainha do 3C.
A porta se abre sem que precisemos nos anunciar.
Em vez de subirmos para o 3º andar, descemos para o porão.
Lá, ele bateu na porta, em ritmo cadenciado. 3 batidas curtas, uma pausa e mais 4 batidinhas de leve.
Abriu a porta um homem com seus 40 anos. Cara amarrada.
Me olhou de cima abaixo e falou num francês rápido e mal humorado.
– Precisava mesmo trazê-la?
– Prometi isso a ela muitos anos atrás.

Olhei para ele confusa.

– Você não se lembra, minha querida ovelha dos cabelos crespos? Você me disse que um dia gostaria de viver uma aventura de verdade. Coisa de gente grande. Pois bem. Chegou a hora.
Sim, me lembrava remotamente. Mas eu tinha 21 anos KCT! Do que ele estava falando? Do que EU estava falando?
Aquele porão esfumaçado tinha uma mesa no centro. Com um mapa de uma região da França.
Alguns alfinetes espetados em pontos próximos.
Uma lousa com algo que me parecia um esquema tático de jogo de futebol.
Em torno da mesa, mais 7 homens e 3 mulheres.
Ninguém ficou muito feliz em me ver.
Portanto, muda fiquei.
– Já estamos atrasados LOUP! Disse a mais bonita das moças.
Eles começaram a falar.
Aos poucos comecei a entender.
Mas não poderia ser.
Aquilo era impossível.
Loup não teria me chamado para vir do Brasil para aquilo!

Não sei se de nervoso ou por estar achando tudo aquilo um filme de ficção, estourei na gargalhada.

Ninguém riu.

– Gente, é sério isso?
– Sim, Dominique (pela primeira vez ele me chamava pelo meu nome). Precisamos fazer isso. É por nosso país. E por nossos ideais. Você está acompanhando o que Jacques Chirac está fazendo?
– Mais ou menos. Temos nossos próprios problemas lá embaixo. E não são poucos. Conhece FHC? Lula? Bem, mas porque eu? Por que você quer me envolver nesta loucura?
– Porque um dia você pediu e, além disso, precisamos de uma estrangeira. Alguém com um olhar de fora. Que difunda nossa filosofia depois desta primeira ação.
– E se eu não aceitar?
– Não existe essa possibilidade. Você não percebeu?
– Como?
– Não. Ninguém vai te fazer mal. Mas se você recusar, ficará presa aqui até o final da ação.

Não estava acreditando. Gente! Tinha me metido numa ação misteriosa internacional?
Não…isso não era sério. Não podia ser.

Mas amiga, Era. Foi!

Quem diria que o encontro no Lanterna Vermelha iria causar tanta confusão!

Querem saber o final da história agora???? Clique aqui e receba por e-mail em minutos. https://mailchi.mp/9fbe24bba760/a-maior-aventura-de-dominique

 

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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A Maior Aventura de Minha Vida – Operação Paris, Capítulo 2

“Mouton, Preciso de você. Pegue avião. Paris dia 20. Te espero no Lanterna Vermelha. Você pediu. Não esqueci. Urgente. Loup”

Loup. Paixonite aguda daqueles meses em Paris.
Estudávamos na mesma classe, no curso de urbanismo e planejamento.
Idealistas que só.
Mudaríamos nossas cidades e o jeito que as pessoas viviam.
Transporte urbano, avenidas largas e arborizadas, prédios baixos, cidades civilizadamente pequenas.
Ahhhh se Loup soubesse como está São Paulo hoje.
Vai ver até sabe.
O que ele não sabe é que eu do meu sonho de urbanista, passei a fazer pequenas e grandes concessões a fim de pagar contas no final do mês.
Enfim. Esta é a vida.
A vida como ela é, segundo Nelson Rodrigues.

Mas e o telegrama, hein?
Aquele convite estranho. Não era um convite. Era uma ordem.
E ainda por cima, dizendo que eu que tinha pedido!!!?

Mas o que pedi meu Deus?
E há tanto tempo?
Dei risada. Enfiei o papel na gaveta e fui dormir.
Imagine. Pegar um avião dali 10 dias para Paris. Para encontrar não sei quem. Para fazer não sei o que.
Kkkkkkkkkk. Só rindo mesmo.
Nem comentei com Guilherme tamanho o despautério.
Vai dormir Dominique, amanhã você levanta às 6h da matina. 
Amanhã nada. Daqui 4 horas.
E quem disse que consegui dormir?
Nao conseguia parar de pensar. E de lembrar.

Liguei para Valentina assim que fiquei sozinha.
Tipo 7h05.
– Deve ser muito muito importante, né, Dominique?
– Sim. E Vale. O Lobo. O Lobo me mandou um telegrama.
– Afffff…O que você bebeu a esta hora da manhã?
Contei pra ela toda a história.
Tive que lembrá-la de minha estada em Paris décadas antes.
De meus affairs.

– Lembrei, Dominique. Mas vamos combinar que muita água rolou de 85 para cá, né? Ia ser duro lembrar de prima. Mas legal. E porque você está tão animada?
– Porque estou pensando em ir.
– Hahahahahahaha… Até parece. Boa essa. O que o Guilherme achou da ideia? kkkkkkkkkkkk.
– Eu não contei para ele ainda. E nem sei se contarei.
– Vai ser fácil, Dominique. Superfácil. ” GuiGui, vou semana que vem pra Paris. Encontrar Lobo, meu ex. Para um chamado misterioso.”
E ele vai responder: “Claro, Dominique. Quer que eu pague a passagem? Quer ir de Concorde?”
– O Concorde nem voa mais pro Brasil, Valentina.
– Eu sei. Foi só uma piada.

Por dias Valentina tentou demover-me daquela insanidade.
Mas cada minuto que passava tinha mais certeza que precisava ir.
Não sei bem porque. Ou sei. Sei lá.
Tem coisa que é melhor não pensar muito.
Nosso emocional tenta enganar nossa consciência com os mais variados argumentos.
Quanto mais lógica eu queria parecer, mais descabida era aquela viagem.
Não importava.
Estava decidida. Eu iria.

Mas o que diria ao Guilherme?
E mais? Com que dinheiro?
Louca sim, desvairada jamais.
Não ousaria mexer na poupança da família. Nunca.
Masssssssss……..Sempre tem um mas, né?
Mas eu tinha um pezinho de meia meu, só meu.
Guardava um dinheirinho para uma emergência qualquer, um problema de saúde, uma amiga num sufoco precisando de ajuda, achar o vestido perfeito. Essa reserva daria para sobreviver alguns dias em alguma pensão comendo baguete com queijo todo dia.
Faltava a passagem.
Só a passagem Dominique? Não é pouca coisa. É muita coisa.
Falta mais. Falta contar pro Guilherme.
Uma coisa de cada vez.

Primeiro Guilherme.
Sentei com ele naquela mesma noite.
Comuniquei que iria à Paris na semana seguinte. Seria por pouco tempo, uma semana, 10 dias. Era uma necessidade. Algo que vinha da minha alma.
Ele ficou mudo. Não disse nem que sim, nem que não. Ficou atônito olhando para minha cara.
Levantou e sem falar uma só palavra foi para o quarto.
Sabia que não seria fácil.
Consegui a grana emprestada com meu irmão que não me poupou de um enorme sermão.
Enfim. Comprei a passagem e, dia 19, de malas prontas, me despedi das crianças de do Guilherme.

Este, nesse momento, apesar de não ter mais tocado no assunto durante todos aqueles dias, me deu um abraço apertado e um envelope com Francos. Dinheiro muito bem vindo que, além de poder me salvar de algumas roubadas, me mostrava todo carinho de meu marido.

Peguei um táxi. Sozinha. E confesso, com muito medo. E uma culpa que só aumentou diante da generosidade de Guilherme.

Naquele momento quase contei do telegrama. Mas não. Não deveria. Pra que colocar minhocas na cabeça de meu marido sobre algo tão bobo e inocente? Ele seria capaz de não entender que Loup foi algo do passado.

Dominique. O que você está fazendo? Volta pra casa! – dizia meu insuportável grilo falante.
Mas alguma coisa me impelia ir adiante.
Minha curiosidade?
Meu passado?
Minha saudade?
Minha libido?
Minha loucura?
Minha ânsia por aventura?
Ou simplesmente nostalgia de uma vida de solteira e a vontade de fingir que era livre como antes?

Nao sei. Cheguei no balcão da VARIG carregando minha mala SEM rodinhas, preocupada, assustada e um pouco amedrontada. Na verdade apavorada.
Não viajava todo dia. Nem todo mês. Nem todo ano.
Não tinha tanta experiência assim. Estava nervosa.
– Dominique!
Virei e vi Valentina atrás de mim com uma mala.
– Você não acha que deixaria você sozinha nessa aventura, né? Vamos juntas pro céu ou para o inferno! Diversão garantida!
Meu nervosismo se transformou em pura alegria. E em minutos, excitação.

O que vai acontecer com a Dominique em Paris? Roendo as unhas de ansiedade!

Amanhã o terceiro capítulo. Mas se estiver muiiito curiosa, no grupo fechado da Dominique no Facebook, tudo é publicado antes. Que tal?

www.facebook.com/groups/dominique

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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A Maior Aventura de Minha Vida – O Chamamento Capítulo 1

Dominique - Aventura
Sim… Vivi uma aventura digna de livro.
Um roteiro para filme. Hollywood claro.
Nasci em 1964.
Sempre li muito a respeito dos jovens franceses e brasileiros desta década, principalmente os de 1968.
Como será que eu teria me comportado se tivesse sido uma jovem naquele ano?
Será que teria feito a diferença?
Será que estaria com Gabeira no sequestro do embaixador americano?
Será que estaria na briga da Maria Antônia ao lado do Chico? Ou ao lado de meus amigos Mackenzistas?

E se eu tivesse nascido na França?

Seria uma das namoradas de Daniel Red? Essa sim, uma grande aventura, hein?
Bem, verdade é que fui jovem na década de 80 e nada, absolutamente nada fiz de revolucionário, além de uma ou duas passeatas pelas “Diretas Já”.
Ahhh, e muitos shows de rock. Isso sim que era ser subversiva e roquenrow (como diria Ritinha Lee).

Mas 68 e seus movimentos sempre me fascinaram.
Fui fazer um curso depois da faculdade na França por 6 meses. Lá fiz muitos amigos arquitetos e de belas artes.
Todos de esquerda, ou não.
Revolucionários, ou do contra. Como preferir.
Tentei manter contato ao longo dos anos, mas a verdade é que estes laços esmaecem e a roda gira.

Casei-me.
Tive meus dois filhos.
Minha vida de solteira e ideais foram trocados por noitadas acordada com bebês, trabalhos insanos para ganhar uns trocos para fraldas descartáveis que custavam uma verdadeira fortuna e finais de semana catando brinquedo pela casa.
Meu dia se resumia a trabalho, apoio à carreira de marido, cuidar de filhos e da casa. Veja bem, não estou reclamando. Isso não era ruim em absoluto. Muito ao contrário.

Até que um dia recebo um telegrama.

Telegrama, lembra o que é isso?
Quem me mandaria um telegrama em pleno final de milênio?
Mais exatamente 1997.
Abri ansiosa.
Mas aquilo que estava lendo não fazia muito sentido.

Não fazia sentido algum.
Todas as palavras eram com apenas 4 letras e eu não conhecia o sentido da maioria.
Afffff… Li, reli e não entendi.
Era endereçado à Mouton e assinado por Loup.
Claro que não  dá para entender Dominique. Isso é em código!
Uma mensagem cifrada.

Já tinha visto aquilo antes. Mas onde?
Passei o dia com aquele telegrama em minha bolsa.
Pegava de vez em quando.
Dava uma olhada.
E aquela sensação de ter algo na ponta da língua, sabe?
Mas nada.

Até que de noite, vendo uma reportagem sobre o Tour de France, onde aconteceu um bololô de bikes, caiu a ficha.

Aquele telegrama foi escrito num código inventado pela minha turminha de amigos franceses.

Inventamos num dia chuvoso, num dia de inverno modorrento do lado de fora e, divertidíssimo, do lado de dentro.
Aquele código serviria para driblar parte dos colegas que moravam naquela mesma “república”.
E pra que o usávamos?
Para nos encontrarmos sem que os outros soubessem.
Para avisar onde estava escondido o chocolate ou a última garrafa de vinho.
Ou até para contar quem estava dormindo com quem.
Coisas importantes assim.

Lembrei de todas as bobagens que fizemos naquela época com um sorriso no lábio e uma saudade olfativa, gustativa, tátil e sexual que chegaram a me cutucar.
Gente, como os sentidos eram aflorados naquela época, não? Qualquer vinho era bom.
Qualquer passeio era uma aventura.
Qualquer queijo forrava o estômago.
Qualquer lã esquentava e não dava alergia.
Qualquer beijo acendia o tesão.

Mas alguns beijos e tesões simplesmente incendiavam.
Na verdade tinha O beijo que incendiava.
Nunca vou me esquecer daquele rapaz, quase homem, com cara e atitude de lobo. Na cama e fora dela.

Ainda com as lembranças daquele passado tão distante enevoando meu presente, peguei aquele papel já roto de tanto manuseio.

Comecei deliciosamente a decifrá-lo.

Anotando em meu bloquinho, palavra por palavra.
Depois de quase 3 horas, finalmente a mensagem.
“Mouton, Preciso de você. Pegue avião. Paris dia 20. Te espero no Lanterna Vermelha. Você pediu. Não esqueci. Urgente. Loup”

Mouton, ovelha em francês.

Era assim que ele me chamava por causa de meus cabelos encaracolados.
Loup tradução para Lobo.

O segundo episódio será publicado amanhã aqui e nas redes sociais no final da tarde. Mas se estiver muito curiosa entre no Grupo Fechado da Dominique porque lá publicamos tudo antes!

https://www.facebook.com/groups/dominique/

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Caminhos Cruzados

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

19 Comentários
  1. Parece legal!envolvente e não precisa ser de 64 ou 68 p per ceber. Pode ser de 52 como eu. Sabe porque? Pq Vida, Amor, Aventura, Segredo não tem idade. Mouton…loup…carinho.

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Eu quero menos check-ups e muito mais check-ins!

Pronto. Está decidido. Quero fazer menos check-ups e mais check-ins! É isso mesmo. Acabei de renovar o meu passaporte e estou disposta a me organizar para rodar mundo afora. E sabe que não é preciso gastar tanto dinheiro assim para se divertir numa viagem?

Te digo que o planejamento é tudo!  Tem muita Dominique viajando e conhecendo lugares incríveis e so-zi-nhas! Além disso, compartilham moradia e conhecem pessoas… Nada da frieza dos elevadores dos hotéis.

Então, por que não?

Vamos combinar que a companhia de uma amiga pode ser fantástica, mas também pode se tornar um desastre dependendo do humor de ambas. E se estiver sem namorado, melhor ainda…

As possibilidades de encontrar alguém nessa jornada são enormes!

No começo é natural ficar receosa sim! Afinal, eu sou do tempo em que mulher viajar sozinha seria inviável…Mas nada mais natural que acompanhar as mudanças do mundo.

É o caso dos Nômades Seniores, cuja aventura rendeu até livro.  

Pra ter mais tranquilidade resolvi pesquisar bem direitinho as aventuras mais em conta e como viabilizar essa viagem solitária. E achei muita coisa legal, inclusive gente que faz da diversão um projeto.

Como escrevem Debbie e Michael Campbell no site, eles são de Seatlle, Washington, uma ótima cidade pra se chamar de lar. Mas que ficou pequena demais pros sonhos desse casal quando estavam à beira da aposentadoria.

“Sentimos que tínhamos mais uma aventura em nós , então em julho de 2013 alugamos nossa casa”.

Eles também venderam o veleiro e um dos carros para reduzir as coisas e as despesas. Então deram adeus à família e partiram para explorar o mundo.  O objetivo era viver o cotidiano nos lares de outras pessoas, da mesma forma que fariam se tivessem se aposentado em Seattle. “Até agora a experiência tem sido tudo que esperávamos”.

Os números falam por si. Desde que partiram, utilizaram mais de 200 vezes os serviços do Airbnb visitaram mais de 250 cidades em 80 países, incluindo toda a Europa, Turquia, Israel, Rússia, México, África, Cuba, Oriente Médio, Ásia Central, Nova Zelândia, Austrália e Ásia. O resultado foi a venda da casa em Seattle para se tornarem verdadeiramente nômades.

Veja o que fazem os Tiozinhos Mochileiros. Julio e Rosi voltaram a viajar com a mochila nas costas depois que os filhos cresceram, como quando eram jovens sem preconceitos. E os filmes, como esse aqui embaixo, são exibidos em um canal no Canadá.

Pra não dizer que são só os gringos que têm coragem. Li outro dia a história da aposentada Josefa Feitosa, de Fortaleza (CE), que se “autocondenou à liberdade”, como ela mesmo diz.

Já visitou cerca de 40 países.

E diz que só volta ao Brasil para renovar o passaporte.  Divorciada, mãe de três filhos e avó de um neto, resolveu se desfazer de casa, móveis e roupas. Tudo o que tem agora cabe dentro de uma bagagem.

Assim como mantém um diário de viagem no Facebook , batizada Jô: minha casa é onde minha mala está, a aposentada também registra a vida em cadernos, desde os anos 1980. No roteiro, experiências em Auroville, a cidade onde se vive sem dinheiro na Índia, na noite de Amsterdã, nas praias de Zanzibar e no leito do rio Nilo, no Egito.

Ok! Tudo bem. Eu concordo que os casos acima são um pouco radicais, mas dá pra conciliar as viagens e manter a rotina do lar. Eu penso que uma temporada viajando e outra em casa pode ser uma boa alternativa.

E, olha, depois de tudo que li, cheguei a conclusão que viajar não é apenas rejuvenescedor; também pode ser intelectualmente estimulante. Eu, ao menos, sou naturalmente propensa às novas experiências e aventuras. É uma oportunidade para mudar as coisas da monótona rotina do dia-a-dia.

E você? Se aventuraria?

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As flores, os nudes e as atitudes na arte de Georgia O’Keeffe

O que deve ter sido posar nua nos anos 20?
Imagine uma mulher na casa de seus 30 anos, ser fotografada nua por seu amante (ela solteira, ele casado) há 100 anos.

Ele, fotógrafo e quase 25 anos mais velho que ela completamente encantado por aquela mulher. Ela, artista, sensível e completamente apaixonada por seu mentor e marchand.

    O’Keeffe e Stieglitz Apaixonados

Ele, um dos mais famosos galeristas de sua época, logo reconheceu em sua amada todo potencial artístico. Apaixonou-se pela mulher, pela artista, pela obra e pela alma de Georgia O’Keeffe. Estava tão encantado que não bastava tê-la para si.  Era preciso materializar esse sentimento em fotografia que era o que melhor fazia Alfred Stieglitz.
Mas também não bastava admirar as imagens daquele lindo corpo maduro, do rosto forte e das sombras e luzes que revelavam pele e pelos. Era preciso que o mundo visse também toda aquela beleza de sua “criatura”. O mundo precisava saber que ela era dele.

O’Keeffe, na série de nude.

Assim convenceu Georgia O’Keeffe de que uma exposição das suas imagens em papel de revelação seria tão importante quanto de suas flores gigantes pintadas em tela. Qualquer mulher que já se apaixonou vai entender porque O’Keeffe permitiu essa exposição sem medir consequências.

Mas consequências, como assim? O que poderia acontecer com nu artístico?Se até hoje falar, posar, exibir ou até mesmo insinuar sexualidade e sensualidade incitam o machismo e o puritanismo em muitos de nós imagine em 1918.

 

Amo esta foto que deu origem a minha coleção de pernas cruzadas.

Bem, a exposição foi um enorme sucesso e um escândalo em igual proporção estigmatizando o trabalho daquela artista, que viria a ser considerada a Mãe da Arte Moderna Americana. Suas flores gigantes foram alvo de interpretações freudianas por parte dos críticos, que as relacionaram com vulvas.

Por mais que O’Keeffe negasse veementemente qualquer relação de sua obra com genitálias, ela só conseguiu se desvencilhar desse rótulo anos mais tarde quando sua pintura vinda de seu refúgio no Novo México, mostrou-se tão impressionante e potente quanto suas flores.

                                  Críticos sexualizaram obras de O’Keeffe

Ahhh, esqueci de dizer que quem não gostou nadinha da tal exposição foi a esposa de Stieglitz. Fez o que chamaríamos hoje de barraco. Todos sabiam que era exatamente isso que o apaixonado criador estava esperando para poder enfim viver seu grande amor com sua criatura. Casaram-se.

                   Stieglitz. &  O’Keeffe

Quanto mais crescia a notoriedade da obra de Georgia O’Keeffe, mais alucinado por ela ficava Alfred.
Até aparecer em sua galeria uma outra promessa. Bem mais nova. Preciso falar mais? A nova promessa não vingou nem como artista nem como amante mas fez com que a decepção e tristeza de Georgia a levassem para longe de NY. Não se separou de seu marido apesar de poucas vezes ter voltado para a cidade. Acabou viciando-se em solidão. Em seu rancho era plena. Observava o mundo ao seu redor de perto e com fome.

Sentava-se sozinha para assistir a luz e a sombra sobre o deserto e as montanhas. E se perguntava o que eu poderia fazer com aquilo: “Tudo isso me interessa muito mais do que as pessoas, parece que elas quase não existem.”

Ahhh, uma loner…

           Georgia O’Keeffe

O’keeffe encontrava inspiração na natureza ao seu redor. A fauna a flora maneira como a luz refletia sobre as pedras, a hipnotizavam.

Em uma das 25.000 mil cartas (isso, vinte e cinco mil) trocadas com Stieglitz, ela descreve em detalhes a cena que ela via pela janela:

A terra rosa e as falésias amarelas ao norte a lua pálida prestes a se pôr no céu por de lavanda da manhã atrás de uma muito longa e bonita planície coberta de árvores ao oeste. As colinas rosas e roxas em frente aos cedros verdes abafados e esfarrapados e a sensação de muito espaço.

Genteeeee, que coisa mais linda!! Você não consegue quase que ver o que ela descreveu? Veja algumas pinturas do lugar e me diga se não é isso mesmo.

     As flores gigantes de Georgia O’Keeffe

E por que resolvi escrever tudo isso hoje?
Sou louca por sua obra e achei que seria uma maneira interessante de homenagear a primavera mostrando suas lindas e coloridas flores.

               Não me canso desses exageros

E qual não foi minha surpresa que pesquisando para escrever esse texto, descobri que esse 2018 é o ano do centenário da exposição de suas fotos.

Adooorooooo essas coincidências…

Veja também:

Pasta do Pinterest com muiiitos trabalhos de Georgia O’Keeffe

SP_Arte

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

3 Comentários
  1. Grata por nos levar em suas histórias e pesquisas . Qtas vidas interessantes tivemos em nossa humanidade … amores, encontros , desencontros … e .. a arte sempre rondando seres de Luz , Sofrimentos, desencontros … e… grandes Amores … deixaram heranças… as mais Inciveis Obras para a Humanidade . VIDA !!!!… entrelaçadas por diversas formas de AMOR

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O mundo é sexo! Sexo em Paris, então! Veja esta lista.

Banner_O mundo é sexoEu tenho um amigo, daqueles que temos desde a adolescência, onde a intimidade é tanta que podemos falar e conversar com pudor zero. Isso é tão bom e tão essencial na minha vida!

Bem, mas o tema não é sobre a amizade. Eu perguntei a ele o que ele havia achado de meu novo livro. Estava ansiosíssima, porque ele é daqueles que fala mesmo se for uma porcaria e, também, ele é uma das únicas pessoas que pode dizer isto sem que eu fique braba! Hahaha!

– James, o que você achou do livro?

– Falta sexo! O mundo é movido a sexo!

– …hummmm

É claro que, imediatamente, escrevi um capítulo inteiro sobre o tema! Quer saber? Eu ia falar se você quisesse saber para comprar o livro, mas, como uma Dominique simpática, vou postar aqui o tal capítulo, tá?

Paris é uma cidade que inspira romance, já muito sabido por motivos óbvios. Mas ela também inspira, e muito, o sexo! Porquoi pas?

A prostituição em Paris, por exemplo, está presente há 1.200 anos e, diferente dos dias de hoje, era muito mais importante. Prostitutas tornavam-se amantes fixas de reis, aristocratas e tinham um status quo bem mais interessante do que nos dias de hoje. Fato é que é uma das únicas profissões que subsistem, porque aquele meu amigo disse tudo: O mundo é sexo.

Obviamente nem todo mundo tem o costume ou hábito de pagar pelo serviço. Por isto, uma vez em Paris, longe dos olhos de conhecidos, entregue ao momento e a aventura, inspirado pelos cenários da cidade é natural que o corpo relaxe do estresse com menos rotina, pressão e ainda com menos expectativas e cobranças em um novo ambiente trazendo uma sensação de libertação. Aliado ao anonimato, liberdade e ao estímulo de um novo ambiente podemos ter certas sensações e impulsos, ne´est ce pas? Assim fica mais fácil a entrega a novos prazeres.

Bem, uma pesquisa publicada no jornal francês, Le Fígaro, feita com 2.007 parisienses acima dos 18 anos revela que: um a cada dois homens e uma a cada seis mulheres já fizeram sexo com mais de uma pessoa ao mesmo tempo; 68% dos entrevistados costumam ter uma noite de amor sem compromisso, contra 50% das mulheres; muitos disseram não saber nem ao menos o nome da pessoa com quem saiu.

Paris também é a cidade da infidelidade, onde 58% dos homens e 36% das mulheres admitiram já ter sido infiel ao cônjuge, sendo que alguns ainda admitem que são infiéis constantemente. A metade dos entrevistados admite já ter experimentado sexo sadomasoquista. Wow!!!

Interna_O mundo é sexoSeja você adepto, curioso ou debutante, eis uma listinha e um roteirinho básico na cidade da luz vermelha, que nunca dorme, além de aplicativos mais utilizados pelos adeptos.

Se for falar de um bairro, o mais libertino de todos não é mais Pigalle, e sim o Marais. Dizem que mais da metade dos bares tem um salão aos fundos onde o sexo rola livremente e gente de toda a Europa vem somente para isto.

Le Berveley – Cinema pornô com filmes em 35mm onde na maioria das vezes o público acaba interagindo. Li em algum lugar que era mais ou menos uma projeção em 3D (se é que me entende!). Diariamente das 10h às 22h. 14, rue de la Ville Neuve, 75002

Le Club 41 – Para os novatos e mais pudicos (mas nem tanto) dizem que devem ser iniciados em algo menos escandaloso. O Club 41 cobra 22 euros por um drinque, mas em compensação o sexo é free, com quem você quiser, a dois ou em grupo. Começa à meia-noite! 41, Rue Quincampoix, 75004

Le Keller – É preciso alertar que este clube é de sadomasoquistas, apesar de você não ser obrigado a nada e nem poder obrigar ninguém a fazer o que não quer, mas avisar sobre o que se trata se faz mais do que necessário. Não, não precisa levar seus instrumentos de tortura, porque eles são fornecidos lá mesmo. Só pedem que respeitem o dress code que é ultra sexy, roupas e calças de couro e tal… A entrada custa 10 a 13 euros com direito a uma cerveja. A diversão em questão é free… – abre às 21h. 14, rue Keller – 75011

Les Chandelles – Swing Chique – Tudo começa em um jantar em casal e depois escolher as salas de festa e os quartos de amor. Tudo muito chique e bonito. Jantar excelente em sistema de buffet. Você pode fazer o que quiser desde que permita e que a outra pessoa ou outras também consintam. Se estiver sozinho ou sozinha terá que pagar 110 euros para entrar. Se for em casal somente pagarão pelo consumo. Começa às 22h30 e aos domingos a partir das 16h (tipo matiné!!!!).  1, rue Thérèse, 750011.

Folies Pigalle – Balada ao ritmo “tecno” a casa acolhe a todos: heteros, homos, travestis e afins e todo mundo se diverte junto a começar na noite anterior até ao meio-dia do dia seguinte! Ali dentro tudo pode acontecer! 1. place Pigalle – 75009

Digamos que está ali em Paris, sozinha, como não quer nada, mas querendo alguns bons momentos de aventura sem compromisso. Está jogada lá em sua cama de hotel e mexendo no seu celular… Só clicar e ver se tem alguém disponível (com o seu perfil) pensando na mesma coisa e decidir se você vai ou ele vem…  Prontinho! Tá arranjada uma festinha!

Happn – com 3 milhões de usuários e bem utilizado pelos franceses; também usado para “ménage à trois”!

YesforLov – Antes da festinha, não deixe de passar por esta loja diferente de tudo o que você já viu em termos de cremes e brinquedinhos!

American Dream – Agora, se o seu negócio é só mesmo divertir-se de forma picante, porém light, sem se comprometer, eu aconselho dar uma espiada na mistura de strip-tease feminino, masculino e outros e todo o tipo de performances entre um drinque e outro com boa comida Tex-Mex, Bar de Sushi e mais de mil metros de pura diversão! 21, Rue Daunou, 75002

Amiga, na boa, sai desse sofá enquanto há vida! Vamos?

Quer mais? Só no livro! Baixe agora mesmo!

Guia da Boa Viagem Paris Legal 

 

Leia mais:

Ele pediu para a espoca ser garota de programa – Apimentando a relação

E subimos ao paraíso – 2o andar da Boutique Sensual

 

 

Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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Waze é o meu mentor – Ele manda…Eu obedeço e às vezes me dou mal

Dominique - waze
Dizem que o cérebro feminino não tem capacidade para compreender coordenadas geográficas. Sou o melhor exemplar da espécie. A rainha do aplicativo Waze!

Não tenho um resquício de senso de localização. Retorno? Só se for o básico do básico, em U. Mapa? Tenho que virá-lo na posição em que me encontro, pago micos homéricos.

Sem qualquer traço de cerimônia, pergunto o caminho a qualquer transeunte (o que é inaceitável para qualquer homem). E, confesso que é impossível para mim lembrar em qual rua mesmo eu devo virar depois de atravessar o viaduto.

Em compensação conheço cada beco que você não acredita.

Duvido que você já tenha se deparado com um bode colorido passeando pelas ruas arbóreas de Itaquaquecetuba ou cabeças de porcos sendo vendidas na feira em Caieiras. Tirei fotos espetaculares que enriquecem meus álbuns. Uma viagem pelo Vale do Loire ou pela Toscana não me proporcionaria experiência parecida.

A invenção do GPS foi a salvação da lavoura para mim. Assim que lançaram, comprei um a perder de vista. Na época custava uma fortuna, mas um luxo que eu não podia abrir mão.

A engenhoca virou meu mentor. Nunca obedeci a ninguém. Com ele não havia discussão, nem polêmica. Vire aqui, eu virava. Entre à direita, lá estava eu. Sem qualquer questionamento. O melhor exemplo de relacionamento harmônico.

E assim ganhei uma multa por entrar na contramão. Ele mandou, eu virei. Tentei explicar ao guarda, atitude em vão.

Agora estou empolgadíssima com o Waze e me aventuro pelos quatro cantos de São Paulo.

Desvendei o paradeiro das favelas mais quentes do planeta e enfrentei meus piores pavores. Para que pagar terapia? Siga o Waze. Não dizem que a melhor forma de vencer o medo é enfrentando-o? Comprovei a teoria. Fiz duas descobertas essenciais para minha existência: sou portadora de uma coragem latente no meu íntimo e o Waze é mais sem noção que eu.

Um pouco, não muito, mais esperta, aprendi a domar o infeliz. Uso com parcimônia o maledeto só para identificar para que região da cidade devo me encaminhar. Ainda tenho sérios problemas para distinguir a Zona Norte da Sul, a Leste da Oeste.

Mas eu chego lá.

Quem nunca teve problemas com o Waze não é mesmo?

Leia Mais:

Os 50 trazem de tudo, mas nada como a sensatez e a ousadia!
Penélope Charmosa dos tempos modernos – Uma pré-Dominique com certeza!

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Penélope Charmosa da atualidade – Uma pré-Dominique com certeza!

Penélope Charmosa
Numa manhã de terça-feira, saindo de Vinhedo rumo à São Paulo para trabalhar, vejo em uma rua movimentada da cidade, uma mulher, loira, dava para ver os cabelos embaixo do capacete numa dessas motos enormes. Parecia a Penélope Charmosa!

Foi impossível não grudar os olhos nela tamanha a agilidade que pilotava aquela moto gigante.

Confesso que a persegui por um bom tempo. Não é comum ver uma mulher em cima de uma dessas máquinas enormes e resolvi abordá-la!

Acelerei, fiz um gesto que precisava falar com ela. Sem muito entender, a moça parou a moto, estacionei o carro, desci e me apresentei. Pedi para ela compartilhar sua experiência, coragem e história com nós, Dominiques!

Marcela Scala, tem 36 anos, é enfermeira de Home Care e Enfermeira Autoridade Fiscal na Vigilância Sanitária, em uma cidade no interior, e a sua moto é uma Yamaha Midnight 950 cc. Maravilhosa por sinal!

Dominique - Penélope Charmosa

Pilota desde os 23 anos de idade, idade que tirou sua habilitação, desde então, nunca mais parou.

Ela confessa que sempre teve medo de moto e tem até hoje. Para Marcela, o dia que perder o medo de pilotar uma moto ela para, porque sem o medo vai abusar.

A paixão por moto está no sangue. Seu pai também é apaixonado por moto. Por milhares de vezes ele vai na sua garupa e bora pegar estrada, almoçar em outra cidade. Passeios fantásticos e inesquecíveis!

Para ela, o mundo do motociclismo é encantador, embora os motociclistas tenham fama de mal encarados ou de roqueiros drogados. As pessoas não sabem o significado da caveira que carregam. Aliás, eu não sabia também.

A caveira representa irmandade, igualdade. São todos iguais, independente da cultura, profissão, cor, renda familiar e estão sempre à disposição para ajudar o próximo.

Você sabia que a maioria dos encontros de motociclistas acontece para coletar doações e serviços beneficentes?

Marcela curte mesmo a moto Custom, então a velocidade não é o que a atrai. Os grupos andam em comboio, organizadamente, respeitando o outro e numa velocidade confortável e segura. Ela faz parte do “Nós, os Renegados” em Bom Jesus dos Perdões.

Mas nada se compara à sensação total de liberdade. Em vários lugares, a motociclista, linda e loira, grita mesmo, dentro do capacete, é uma espécie de limpeza de alma. O vento batendo, em meio a uma paisagem encantadora, nossa é indescritível!

Mas, nem tudo são flores, a dificuldade para pilotar uma máquina dessa se deve ao peso da dita cuja. Um desequilíbrio, por menor que seja, já era, jamais conseguirá segurar. A cautela e cuidado são o carro-chefe para ela montar em cima da moto.

Para Marcela é requisito fundamental ter conhecimento muito claro da máquina que se tem nas mãos, seja uma moto 125 cc ou 950 cc.

O limite da moto não existe, basta controlar seu próprio limite e estar ciente da onde a máquina é capaz de alcançar. Em fração de segundos a moto gigante dela chega a 200 km e é o limite da Marcela que controla isso e não um piloto automático.

Mesmo com todo este cuidado e responsabilidade, já sofreu três acidentes, nada grave, algumas leves escoriações. Como todas as mulheres, levantou, sacudiu a poeira e seguiu em frente. É preciso nervos de aço, concordam?

Há também dificuldade para estacionar, moto não tem marcha ré. Não é raro ela não conseguir empurrar a moto com as pernas para ir para trás, mas sempre aparece um cavalheiro simpático e gentil para ajudá-la. Uma das várias vantagens em ser mulher, certo? Sempre tem uma forcinha de um homem. Será que um homem em cima de uma moto grande seria ajudado por outro homem? Viu só, mais um grande negócio mulher pilotar moto!

Como não é comum ver uma mulher pilotando uma máquina desse porte, muitos dos homens que a abordam ficam indignados e surpresos. Para a maioria da ala masculina, esse tipo de moto não é para mulher, o sexo frágil e sensível. Sabe o que ela fala com seus cabelos esvoaçantes? – Pois é, isso é para macho!

Fiquei intrigada em relação ao cuidado com a pele e cabelos, mas ela me tranquilizou. Sem dúvida, a pele fica muitos mais suja, mas nada que um produto de limpeza facial não resolva. E quanto aos cabelos, um coque é a solução!

Eventualmente, Marcela usa a moto para trabalhar quando o carro está no mecânico ou com o marido, mas dá preferência ao carro. O que ela curte mesmo é passear com a moto, se divertir, apreciar a estrada. A locomoção de moto para ir trabalhar foge totalmente aos seus princípios. A cabeça não está focada, preocupação com horários, problemas profissionais, a mente começa a pensar em tantas coisas e um vacilo pode ser fatal.

Quando se está passeando, as intenções são outras e a viagem é mais segura e prazerosa. A cabeça está ali, curtindo o momento.

O marido dela também pilota, mas adora ir na garupa. Aliás, ela acha que pilota melhor que ele. Claro, né! Mulher é mais atenta, perfeccionista, responsável e linda! Quando fazem viagens longas é perfeito. Eles revezam para aliviar o desconforto da garupa. Assim, a viagem fica mais tranquila e gostosa.

Amei conhecer esta Penélope Charmosa dois tempos modernos!

Marcela é a Penélope Charmosa dos tempos modernos! Ousada, corajosa, responsável e feminina demais! Uma pré-Dominique.

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Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

4 Comentários
  1. Marcela realmente é gata, tive o prazer de trabalhar com ela e presenciar ela em cima dessa linda moto, garanto que me deu inveja, pois amo moto, mais sem coragem para tentar, prefiro as menores,kkkkkk

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