Amizade

A grande e variada lista de amigas de uma Dominique

Dominique - Amigas
Amigas hoje em dia são um patrimônio em minha vida.
Tenho, sim, uma melhor amiga.
Isso não quer dizer que não tenha outras.
Melhor amiga ou melhores amigas são raras.
Mas cultivo amizades.
Para o hoje e para o amanhã.
Tenho amigas de várias tribos.
E adoro todas elas.
É claro que não vou contar um segredo para a fulana (amiga-tipo-venenosa). Mas adorarei sentar com ela num final de tarde preguiçoso para jogar conversa fora.
É só saber o que, com quem e onde.
A vida pode ficar sempre muito interessante e divertida.
Quer ver?

#1 Amiga esportista
vai te tirar da cama naquele sábado de sol pra você não se sentir culpada na hora da tomar caipirinhasss.

#2 Amiga que gosta de cinema
vai te contar antes o significado daquela cena, daquele filme dinamarquês, pra você não ficar por fora da conversa sem precisar assistir o filme.

#3 Amiga venenosa
sim, porque afinal de contas, quem é que não gosta de uma fofoquinha inocente, né? Desde que não seja a nosso respeito, claro!

#4 Amiga intelectual
Ela vai te explicar sobre o conflito em Nagorno-Karabakh sem fazer você se sentir uma idiota!

#5 Amiga de direita e de esquerda
porque gostamos de coxinha, de mortadela, de caviar e de quibe, né. Temos nossa opinião, sabemos no que acreditamos, mas gostamos de escutar outros lados da história.

#6 Amiga social
Ela conhece o amigo da amiga do amigo. Você precisa do que mesmo? Você quer ir onde mesmo? Ela conhece! Ela sabe! Ela tem o telefone!

#7 Amiga fashion
Tendências, longo ou curto? Bico largo ou bico fino? Caiu bem? Estou parecendo um colchão amarrado? Meu bumbum tá maior que o estádio do Maracanã nesta calça branca. Ainda bem que eu tenho a Suzi.

#8 Amiga casamenteira
Apps de relacionamentos são tudo de bom. Agora, nada substituí a velha, boa e constrangedora apresentação entre amigos.

#9 Amiga musical
Você realmente precisa de uma amiga assim se a música que você mais escuta ultimamente foi lançada em 1988!

#10 Amiga que gosta de viajar
Uma ótima companheira para aquelas aventuras de desbravar a cidade medieval a pé, sob o sol, o dia inteirinho.

#11 Amiga organizada
Observar como ela faz pode ser uma inspiração pra você fazer…. um terço do que ela faz.

#12 Amiga bagunceira
Dá aquela relaxada, afinal, tem alguém pior que você. Alívio…

#13 Amiga que gosta de beber
Nunca vai te recriminar por que vocês beberam uma – não duassss garrafas de vinho sozinhas.

#14 Amiga que gosta de comer
Sabe aquele olhar de “essa barra inteira de chocolate vai te engordar”? Pois é, ela não tem e até compra outra barra se precisar. E ainda diz, você merece. Você tá magra e linda!!

#15 Amiga espiritualizada
Nos momentos de desespero será ela que vai te impedir de cortar os pulsos. E ainda vai te manda mensagens com #gratidão ou #gentilezageragentileza.

#16 Amiga bem-casada
Tão fofo, né? A gente até acredita de novo naquele “felizes para sempre”.

No fim das contas, amigas são simplesmente amigas e isso já as fazem ser incríveis.

Leia mais:

Que roupa usar no primeiro encontro pós-separação
Será que você sabe quem são seus amigos do peito?

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

3 Comentários
  1. Quanto amigas de tribos diferentes , tivermos mais arejada sera nossa mente. Tenho vários departamentos

  2. Tenho várias tribos. Amizades novas, amizades desde sempre, amigas quase irmãs, primas mais que amigas… Cada uma com suas características, estilos, ritmos, predileções. O legal é perceber que eu sou um patchwork delas todas, com um toque muito pessoal.
    Beijos ao Café Cotoxico, Fono Puc 80, Gatuchas do Costa… Todas muito Dominique.

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Já ouviu falar da expressão “Presente de Grego”? Entenda!

Dominique - presente de grego
Hoje contarei a história do meu amigo grego.

Ser uma Dominique viajante tem a vantagem de uma “grande” bagagem de histórias para contar. Tenho meia dúzia de pen-drives repletos dentro do cérebro. Enquanto não acabar a luz, eu disponho de um vasto cardápio de temas para qualquer roda de conversa. Posso fazer rir ou chorar, dependendo do clima.

Quando eu estudava francês, em Paris, fiz amizade com muita gente de vários locais do mundo incluindo um grego. O nome dele era Petros.

Petros era um homem atencioso e gentil e gostava de me dar presentes. Vivia me convidando para ir à Grécia com ele nas férias do curso. Pois bem, um dia fomos todos da turminha!

Em Atenas, nos hospedamos na casa da mãe dele que me ensinou a preparar a melhor Moussaka do mundo. Passarei a receita.

Em nossa visita à Acrópoles, meu amigo grego tentou ser nosso guia nos dando algumas boas explicações sobre o local em um inglês bem arranhado, já que todos nós estudávamos francês e ainda não dominávamos o idioma de Molière.

Nossa turma era formada por um alemão (sim, também tenho uma história quando fui acampar com ele e mais 200 alemães em Biarritz no meio da lama), um italiano (jornalista do Corriere Della la Sera que escrevia sobre a máfia italiana – sim, fui visitá-lo em Roma!), uma americana (estudante), um inglês (que vivia do seguro desemprego britânico), eu e os amigos gregos dele que se juntaram à turma.

Após a visita à Acrópoles, Petros me presenteou com um livro sobre o local. Foi muito gentil se o livro não estivesse em grego… Ah, tudo bem, eu podia ver as fotos e até uma das amigas gregas me ensinou o alfabeto. Bacana, né?

Na reunião para decidir quais ilhas iríamos visitar eu votei nas tradicionais turísticas, Mykonos e Santorini, mas fui vencida. A escolhida foi Kos há 12 horas de barco de Atenas. Obviamente não gostei muito e ainda tentei argumentar que eu nunca tinha ouvido falar em “Kos”.

Imediatamente Petros, supergentil, foi até uma banca e me trouxe um guia ilustrado da ilha… Sim, em grego! Pensei ser a única opção de guias da Grécia e agradeci olhando as fotos.

Contaram maravilhas sobre o lugar, que era a ilha de Hipócrates, pai da medicina, etc e tal. Aceitei na condição de que na volta de Kos eu faria uma conexão em Mykonos e ficaria por lá.

E assim fomos para Kos, aproveitamos e nos divertimos bastante até chegar o dia em que eu partiria para Mykonos. Petros, como sempre ultragentil comigo (Tá vai, confesso, ele arrastava uma asa… Tá, as duas), providenciou as passagens de barco para mim, Kos – Mykonos – Atenas e resolveu me acompanhar na viagem. Eu desembarcaria em Mykonos e ele seguiria para Atenas. Excelente!

Durante a viagem, no ferry-boat, havia uma livraria. Interessei-me por um guia sobre Mykonos. Havia edições em inglês, italiano, espanhol e em grego. Quando fiz menção de pegar o dinheiro para comprar, Petros insiste que é um presente. Novamente ele comprou o guia em grego. Então, pensei naquela frase que usamos muito quando o presente é estranho: “Presente de grego”. Logo me veio outra expressão à mente: “Cavalo dado não se olha os dentes”. Agradeci, pois.

Desembarquei em Mykonos com meu bilhete (presentinho do Petros) para voltar à Atenas e pegar meu voo de volta à Paris. Passei 4 dias agradáveis na ilha de Mykonos, sozinha e feliz em conseguir entender as letras do alfabeto.

Foi então que, no dia de minha volta à Atenas, embarquei no ferry-boat e, “com ares de Grace Kelly”, perguntei à recepção onde era a minha cabine.

Oi? Que cabine, linda?

Sim, eu e mais 600 pessoas deitamos no carpete da recepção do ferry-boat, numa espécie de classe “Z” do transporte.

Enfim, voltei à Paris para as aulas de francês. Encontrei-me com o grego, Petros, que me trouxe outro presente: medo, tensão e apreensão depois do trauma do ferry.

Relaxei quando abri a caixa e descobri um cinzeiro de cristal com a imagem de Acrópole. Muito bonito não fosse pelas oito pontas em metal, estranhamente afiadíssimas, em toda a borda do cinzeiro e que furaram meus cinco dedos quando tirei da caixa! É, amiga, furou e sangrou os cinco da mão direita!

Todas as vezes que tomo uma dose de “ouzo” dou um leve sorriso e me lembro de meu amigo e seus presentes de grego.

“KALIMERA, Petros!”

A origem da expressão “presente de grego”
“Páris, filho do rei de Troia, raptou Helena – mulher de um rei grego. Isso provocou um sangrento conflito de dez anos, entre os séculos XIII e XII a.C. Foi o primeiro choque entre o Ocidente e o Oriente. Mas os gregos conseguiram uma artimanha histórica para enganar os troianos:

Deixaram à porta de seus muros fortificados – um IMENSO cavalo de madeira. Os troianos, felizes com o PRESENTE, puseram-no para dentro de seus domínios. E, à noite, os soldados gregos, que estavam escondidos no grande cavalo, saíram e abriram as portas da fortaleza para a invasão, considerada uma das mais engenhosas de todos os tempos. (Fonte: Jornal Tribuna do Norte)

Daí surgiu a expressão “Presente de Grego” para tudo aquilo que surpreende negativamente,

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Será que você sabe quem são seus amigos do peito?
História e Estória – Vizinha, minha parente mais próxima

Cynthia Camargo
Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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Pet é tudo de bom. Você sabe que ele dura muito, né?

Dominique - Pet
Antes de ter um PET é preciso ter consciência de que não é fácil.

Sou cachorreira, meus filhos são cachorreiros, meus primos são cachorreiros, vim de uma família cachorreira (mãe, tios, avós).

Temos um agravante, uma queda pelos fracos e oprimidos, abandonados, sarnentos, cegos, sem perna e mais uma lista de desgraças.

Faço campanha de adoção e já dei muitas entrevistas sobre o assunto para Veja, SBT, Record e sei lá mais aonde.

Bicho não é brinquedo. Sente dor, fome, frio, sede e precisa de amor. E bicho dura em média 15 anos. Dá despesa, se ficar doente, então.

Ah! Ele precisa tomar banho.

Tenho uma vira-lata linda, Lollypop Tereza, com 13 anos. Ela foi o cão chupando manga no asfalto quente quando jovem. Comia pneus de moto, cimento da parede, sapato, óculos, CDs, celular, latia a noite inteira, perdi a conta de quantas comidas roubou da mesa, do fogão, quase aprendeu a abrir a geladeira.

No carro, não podia ver uma bicicleta, moto, outro cachorro, outra pessoa. Passear com ela é um ato heróico ou desumano.

Numa noite de dezembro, estavam na mesa da sala 65 pacotes de guloseimas para o Natal de crianças que iriamos entregar no dia seguinte. Cada pacotinho tinha chocolate, balas, chicletes, pirulito, biscoitos e bombons. Saímos para jantar. Na volta, o ser de 4 patas havia comido todos os 65 saquinhos, com papel e tudo.

Foi para o canto do castigo na lavanderia. No dia seguinte parecia que a bomba atômica tinha explodido no recinto. Nunca vi algo como aquilo, ela teve diarreia e vomitou pela área de serviço inteira. Pensa que ficou doente, nada. Forte como um touro.

Ela era tão safada que eu acho que, antes de adotarmos, ficava na Rua Aurora de meia arrastão e sapato de verniz pink plataforma.

Ela é minha neta, sangue do meu sangue, minha amada, querida.

Tenho certeza que entende o que eu falo e sabe quando estou triste. É a única que fica feliz quando eu chego em casa… Ela conversa, não estou brincando, o idioma dela eu entendo.

Somos mais felizes com a Lollypop, aliás é difícil pensar que um dia ela vai partir. Não gosto nem de pensar como vai ser, o vazio que vai ficar, aquele olhar, aquela alegria.

Eles sentem amor e transmitem amor. É um amor incondicional. Gostam de você independente se você é rico, pobre, alto, baixo, gordo ou magro. Aliás, quase 100% dos moradores de rua tem um companheiro fiel de 4 patas. Eles dividem a comida que ganham com seu amigo.

A prefeitura de São Paulo precisou construir canis nos albergues para que os moradores de rua topassem passar a noite lá. Sem os seus pets, eles simplesmente não vão.

Vale a pena ter um pet? Ah! Se vale. Cada segundo vale ouro, mas recomendo fortemente um check list que deve ser feito e refeito, ao menos 10 vezes, antes de decidir ter um animalzinho.

  • No começo é muito provável que ele destrua seu sofá ou algum sapato seu. Está disposto a lidar com isso?
  • Até ele aprender a fazer no lugar certo, fará xixi e cocô no lugar errado. Como você vai fazer?
  • Ele come ração. Mesmo que você opte pela marca mais em conta isso vai gerar uma despesa. Você tem como arcar com isso?
  • O mesmo vale para o banho. Ele precisa ao menos de 1 banho a cada 15 dias.
  • Se ele ainda não for castrado, você vai precisar castrar, faz parte da responsabilidade de ter um pet e não povoar mais ainda este mundo de animais abandonados. Isso custa.
  • A área em que ele faz as necessidades precisa ser limpa duas vezes ao dia ao menos. Quem vai fazer isso? Esqueça se seu filho disser que vai fazer, ele não vai. Sobrará para você.
  • A água deve ser trocada todo dia.
  • E quando você viajar, aonde ele vai ficar? Mesmo que seja só um dia!

Se o seu filho quer um brinquedo, NÃO DÊ UM PET.

Se você for ter um filho, acostume seu PET com o novo integrante.

Sua vida, sem dúvida, será mais divertida, dinâmica, feliz com um PET.
Minha vida é mais completa com a Lollypop Tereza.

Leia mais:

Será que você sabe quem são seus amigos do peito?
História e Estória – Vizinha, minha parente mais próxima

Marot Gandolfi
Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

2 Comentários
  1. Marot, passei a entender teu amor por cachorros depois que virei “vó” de um shihTzu. Amo incondicionalmente esse quadrúpede, de nome Buddy! Pena que ele mora longe. Morro de saudade. Minha filha chega a ficar com ciúme do cachorro, tal o meu amor por ele.

    Beijos

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Será que você sabe quem são seus amigos do peito?

Dominique - AmigosNasci virada para a lua. Nos ambientes mais inóspitos, a vida tem me presenteado com amigos megamasterblasterhipersuperqueridos.

SL (linguajar da minha filha = Sei lá) se é sorte. A única coisa que sei que é bom D+ (outra nomenclatura do rebento = Demais).

Amizade à prova de qualquer babado. Criaturas especiais que não vejo há anos e quando as encontro parece que nos vimos na semana passada. Que vontade louca de abraçar… Abraço de urso, bem apertado, quebra costela.

Gente de verdade que saca a léguas de distância quando algo não está lá muito bom e liga na hora certa, sem cobrança, sem interrogatório, só para dizer um “Oi, estou aqui, OK?” E só este “Oi” faz a diferença.

Que graça teria passar uma vida inteira sem ter colecionado amigos do peito? Nenhuma!

Conheci recentemente uma pessoa que não acredita em amizade e quer saber? Isso está absolutamente refletido em seu jeito amargo de ser. Não tem com quem falar, compartilhar, chorar de rir, chorar de chorar, confidenciar, falar mal da vida alheia… Ninguém para segurar sua mão.

Dando-me o direito de ser completamente piegas, a vida é uma gangorra e seja no alto ou lá embaixo, estão eles, implacáveis.

Sabem que a gente mete os pés pelas mãos, que vai quebrar a cara. Dão um toque. Nada. Alertam, sinal amarelo. Nadinha. Chacoalham, sinal vermelho. Nada. Quando enfim o bolo desanda, oferecem o colo e o ombro e não ousam a falar “Eu te disse”. Não estão nem aí se tem ou não razão. Só não abrem mão de ver a gente bem, ponto pacífico, sem discussão.

Amigo de verdade é aquele que vem. Faça chuva ou faça sol. Você liga e pede seu pronto comparecimento. Ele não pestaneja. Em cinco minutos está lá, na sua frente, firme e forte. Se quem está chamando é amigo mesmo das duas uma: ou ele está precisando de mim ou é uma boiada daquelas, um ou outro estarei lá.

Dedico este texto singelíssimo a todos os meus amigos do peito. Eles são sabem quem são.
Marot Gandolfi
Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

3 Comentários
  1. Fico tão contente que você tenha gostado Elisângela, foi escrito com muita emoção, porque realmente sou uma pessoa de muita sorte em ter os amigos que tenho. Beijo grande para vc

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História e Estória – Vizinha, minha parente mais próxima

Dominique - amizade

Você sabia que a tal da estória não existe?
Verdade, menina!!
O que existe é única e tão somente história*.
Sabe o que isso quer dizer?
Que tudo o que acontece conosco é pra valer.
É de verdade.
É pra sempre.

Outro dia, uma amiga muito querida disse que invejava a quantidade de coisas que eu tinha para contar.
Que minha vida era muito cheia de acontecimentos.
E que ela não teria nada para falar, muito menos para escrever.
Retruquei.
– Todos temos muitas histórias. Muitas histórias importantes, interessantes. E sempre dignas de serem contadas. E todas, sim, com H.
Ela prometeu que tentaria lembrar de algo interessante para me contar.
– Ok… Vou esperar.

Corta.
Fecha o plano.
Fecha o olho…
Te convido para voltar no tempo comigo.
1990.

Eu – com minhas argolas enoooormes, meu jeans de cintura altíssima, cabelos cheios e ondulados com aquela indefectível tiarinha – assistindo e me divertindo muito com a novela Que Rei Sou Eu. Feliz da vida que meu nenê ja estava finalmente dormindo e eu teria aquele tempinho só pra mim antes de o maridão chegar.
Estava sentada no chão para não sujar o sofá, meio esgotada, meio hipnotizada, quando toca o telefone.
Fixo, é claro.
1990, pessoal!! Só fixos e orelhões…

Era minha vizinha querida, que tanto me ajudou naqueles meus primeiros anos de mãe e de esposa.
O primeiro banho do pequeno, pedi que ela ficasse ao lado da banheirinha.
Just in case!
Vai que eu deixasse o nenê escorregar, né? Ela estaria lá para salvar!

Ela, mãe experiente de 3 filhos adolescentes.
Sempre que tinha um tempo, descia para um café.
Sempre que podia, descia para um dedo de prosa.
Naquela fase em que você não sai de casa, sabe?
Um bálsamo.
Amiga deliciosa.

No meu primeiro dia naquele apartamento, ela desceu para me conhecer e disse:
– Vizinha, saiba que o parente mais próximo é sempre um vizinho.
Na verdade, aquilo foi uma profecia.
Por muitos anos, nós nos complementamos como se um apartamento fosse a extensão do outro, apesar de serem em andares diferentes.
Nós nos socorremos mutuamente.
Nós nos consolamos.
Nós nos divertimos.

Mas voltando novamente ao toque do telefone – que era fixo…
Minha amiga. Minha querida amiga. Minha referência para tantas coisas, com a voz embargada me conta uma rápida história.
Escuto muda.
Continuo escutando em silêncio, enquanto lágrimas correm pelo meu rosto sem que eu tenha nenhum controle.
Desligo.
Em alguns minutos, tento pensar no que posso fazer para ajudá-la.
Preciso fazer. Preciso agir para não deixar a dor me imobilizar.

Deixo o nenê em segurança com o meu marido que acaba de chegar e saio correndo em busca de um supermercado aberto.
Compro, compro, compro.
Passo na casa da minha mãe, pego e entulho meu carro com tudo o que coube.
Volto, pego o que falta das coisas das crianças e subo.
Tento arrumar o que é impossível de ser arrumado.
Tento esperar sem saber ao certo o que fazer.

Minha amiga entra depois de um tempo, sabe-se lá se minutos ou horas.
Ela entra com um triste, mas acolhedor sorriso no rosto.
Entra carregando um pacotinho em seus braços.
O pacotinho não me parecia pesado.
Ela o carregava com muita delicadeza, mas com muita destreza.
E com o maior carinho e ternura que já vi.
Era seu sobrinho, quase recém-nascido.
Um mês ainda incompleto.

Em um trágico acidente, Ricardo tinha sobrevivido, ileso. Seu irmão de 5 anos também.
Seu pai, muito machucado, estava no hospital e se recuperaria bem em alguns meses.
Já sua mãe. Não consigo achar palavras para escrever. Espero que você tenha entendido o que aconteceu.
Vi minha amiga e seus filhos acolherem um recém-nascido.
Vi minha amiga reaprender a trocar fraldas.
Vi minha amiga reaprendendo a cuidar de bebê.
Vi Regina criar Ricardo.
Vi muito, mas muito amor, nesta história
E juro, cada vez que escuto Ricardo chamando Regina de mãe, me arrepio até o último fio de cabelo.
Hoje, Ricardo é um homem lindo, engenheiro, e que já já vai levar mais netinhos para minha amiga cuidar e amar.

Bom Regina, estou esperando você me contar aquelas histórias que você não tem, lembra?

*A palavra mais correta e socialmente aceita é história. A palavra estória aparece em dicionários e no vocabulário ortográfico da Academia Brasileira de Letras, mas não é unanimemente aceita, sendo o seu uso condenado por muitos, por se considerar uma “invenção” brasileira e sem necessidade de existir.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 52 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

4 Comentários
  1. Quando o facebook vai atender meu pedido de um botão de emocionada! Arrepiada com olhos marejados no meio de uma clínica aguardando minha consulta. Não tem como disfarçar.

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