Nossas histórias

Mas o que o moço da alfândega vai pensar?

História enviada por Cássia Buarque

Adoro viajar com minhas amigas. A risada é sempre garantida.
No ano passado, viajamos em quatro amigas para passar um final de semana em Buenos Aires.
Ficamos em um hotel bem bacana, próximo à Rua Florida, a principal rua comercial da cidade.
Por coincidência, tinha um sex shop bem na frente do hotel.

Nenhuma de nós tinha ido a um sex shop antes.
Pensamos que poderia ser uma oportunidade para conhecer a loja sem correr o risco de sermos vistas por algum conhecido.
Enquanto tiramos esta conclusão e entramos na loja…
…. estaciona bem na porta um ônibus lotado de brasileiros!!!!

Ahhhh!
Duas das minhas amigas, no desespero de serem reconhecidas, saíram correndo e travaram a porta automática!
Pense no mico, justo para as amigas que pretendiam passar despercebidas num sex shop.
Ok! Passou!
Não era ninguém conhecido e não fomos descobertas.
Lá ficamos por mais algum tempo, perguntando para a atendente sobre os produtos, os brinquedos e esclarecendo muitas dúvidas.
Vou relevar que foi muito instrutivo.

Lembrei que há algum tempo atrás, em uma outra viagem para o exterior, uma querida amiga me pediu um vibrador com pilhas.
Na época eu fiquei meio constrangida e fingi que tinha esquecido da encomenda.
Mas naquela loja a atendente era tão simpática que eu resolvi comprar o presente para esta amiga.
Embrulhamos com laços e fitas.
Dois dias depois, peguei o avião de volta pra casa.

Quando cheguei em casa já fui logo avisando para o meu marido:
– Não abra a mala na frente das crianças porque tem presentes que não são deles.
Ele não entendeu. Foi aí que eu expliquei que tinha visitado a loja e comprado o tal vibrador de presente para aquela nossa amiga em comum.
Ele parou um pouco pra pensar, me deu um olhar meio incrédulo e perguntou:
– Você passou pela alfândega?
Eu respondi que sim.
– Mas você passou a mala pelo raio X?
De novo, eu respondi que sim.
O homem ficou incrédulo!!!
– Mas que vergonha, ele me disse.
– O que o que o moço da alfândega vai pensar ao ver isso na sua mala?????

Hoje eu posso dizer que a minha viagem com as amigas ainda rendeu muitas risadas em casa também!

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Na alegria, na tristeza e sem filhos

História enviada por Roberta Arantes

Vocês não tem filhos?
Algum de vocês tem problema?
O casamento não está indo bem?
Essas são perguntas rotineiras para nós que, casados há mais de 20 anos, não temos filhos.
E o assombro das pessoas aumenta quando falamos que não tivemos filhos por opção.
Como assim, por opção, as pessoas questionam.
Sim, por opção. Escolhemos NÃO TER FILHOS.

Alguns nos olham com pena e perguntam: quem vai cuidar de vocês na velhice?
Outros pensam: devem ser pessoas muito egoístas, não devem gostar de crianças.
Independente do que os outros pensam, imaginam, inferem ou interferem eu acredito e sempre acreditei que a maternidade não é para todas as mulheres.
Acho que a maternidade não é a certeza de felicidade conjugal.
Também acredito que optar por não ter filhos não tem nada a ver com ser ou não egoísta e, sim, com uma escolha do que se quer para a vida.

Nunca fui maternal…
Enquanto minhas irmãs brincavam de boneca eu estava lendo, brincando de escolinha ou de escritório.
Quando comecei a namorar o meu marido descobri que ele também não tinha um desejo louco por ser pai.
Nosso casamento sempre foi baseado no respeito à individualidade de cada um e optamos, desde cedo, a nos dedicar às nossas carreiras. Escolhemos ter liberdade para fazer nossos horários, viajar sempre que fosse preciso e estar disponíveis 100% para buscarmos nosso sucesso profissional.

E assim foi…
Moramos separados (por questões profissionais). Viramos noites, finais de semana e feriados trabalhando, ficamos 10 anos sem tirar férias. Alcançamos cargos executivos de primeiro nível e conforme o tempo foi passando fomos tendo cada vez mais certeza das nossas escolhas.
E em meio a tanto trabalho, tanta correria, ainda aprendemos a valorizar o tempo que estávamos juntos. Aprendemos a nos amar e a amar a vida que tínhamos e vimos que, realmente, no que tínhamos planejado para nós não havia espaço para filhos (por mais que isso pareça sacrilégio para alguns).
E isso não significa que não gostamos de crianças ou que somos egoístas. Gostamos de crianças e muito. Somos os tios mais “pais” que conheço e, mesmo nunca tendo filhos, Deus nos deu a dádiva de conhecer o amor incondicional por meio dos nossos sobrinhos e por eles somos capazes de tudo.

Mas não temos como não admitir que não ter tido filhos nos deu liberdade para pensarmos mais em nós e no que queríamos e hoje, com menos de 50 anos, conseguimos uma independência financeira que nos permitiu parar de trabalhar para curtir, literalmente, a vida. E curtir a vida significa fazer o que gostamos, significa estar em paz com nossa consciência, significa olhar para trás sem qualquer arrependimento ou vazio e ver que nossas escolhas nos trouxeram até aqui…. exatamente onde e como queríamos estar.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

2 Comentários
  1. Esse é um daqueles textos que nos levam, de forma leve e sutil, a uma profunda reflexão. Lindo e muito verdadeiro. Sem dúvida, os tios mais “pais” que eu já conheci e um dos casais mais exemplares que eu tive a oportunidade de conviver. Obrigada, Roberta, por me fazer lembrar o quão grata eu devo ser pelo privilégio de poder escolher, sempre.

  2. E assim, foi… E assim, são!
    Tenho imenso orgulho em fazer parte da vida de vocês e tê-los presentes na vida da minha filha, que tem o privilégio de ser a sobrinha escolhida por Deus para vocês amarem.
    Admiro muito a trajetória de vocês e desejo que continuem alcançando todos os seus objetivos.
    Curtam muito esse status curtindo a vida, vocês merecem.
    Grande beijo,
    Cá e Bibi

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Amigo da escola não pode!

História enviada por Lily K.

Faço parte de uma cultura milenar de mais de 7.000 anos e de onde vieram os fenícios, grandes navegadores…
Minha adolescência foi muito influenciada por tudo isso. Você vai ver.
Estudei em colégio de freiras a minha vida toda: do jardim até o terceiro colegial.
Minha mãe, super linha-dura que era, não me deixava frequentar as turmas e as festinhas da escola.
Para ela, o único ambiente que servia era o do clube da comunidade árabe da cidade, de onde éramos sócios.

Festa do colégio!!!!!
Nem pensar. Eram todas “brasilies”, um termo relativamente pejorativo que nossos pais e avós usavam para se referir a todos que não fossem descendentes de sírios ou libaneses.
Agora, vamos pensar com lógica.
Se eu só podia frequentar o clube, e os outros ambientes não serviam, minhas chances de encontrar um namorado eram reduzidas, né???? Chances zero.
Bom, lá naquele clube, eu encontrei um único namoradinho nos moldes que a minha mãe queria.
Só unzinho! E adivinha? Não durou…

Quando fiz 18 anos minha vida mudou!
Meu pai faliu comercialmente e eu “tive” que entrar numa faculdade pública. Fiz USP.
Fui trabalhar na prefeitura como recepcionista bilíngue, num posto de informações para turistas.
Lá as minhas chances de namorar cresceram exponencialmente e foi o que aconteceu.
Descobri a vida out-of-home e fiquei maravilhada!
Quando me formei fui trabalhar numa agência de propaganda. Que revolução!
Lá, conheci meu marido, também publicitário, com quem tive duas filhas.
Duas filhas maravilhosas e diferentes. Anti-tudo o que fosse comum. Minhas meninas.

Após toda essa introdução eu queria dizer que, por mais que a gente não queira repetir os modelos dos pais, a gente acaba repetindo ou querendo repetir inconscientemente. Está tudo enraizado.
Aí é que entra a moral da história!
Como foi entender que as minhas filhas poderiam ter uma vida diferente da minha e, ainda assim, serem felizes!
Eu – como guardiã das tradições da minha cultura milenar – queria repetir tudo aquilo que a minha mãe tinha ensinado que era o melhor para elas!!!!
Ledo engano…
Começaram as crises e as negociações.

Como é que justo eu, que tinha ensinado para elas que ler era o melhor, que mulher tinha que ter uma profissão, que estudar na USP era o melhor, poderia querer agora que elas estudassem em alguma faculdade mais “light”?
Jura, mãe????
Casar?
Não, mãe, não quero me casar.
Casar com gente do clube????
Muito menos com gente do clube!! Que horror!!! Tá louca, mãe? Aqueles turcos, coxinhas!
Foi muita discussão. Dias e noites.
Como não casar? E mesmo sem casar ser feliz? Como??? Sem filhos?
E eu? Não vou ter netos????

Depois de muitas noites sem dormir eu fui ao psicólogo das duas.
Achei que elas não fossem dar consentimento ou que ele não fosse me aceitar como paciente. Sim, sim… as duas fazem terapia com o mesmo terapeuta.
Mas não! Incrivelmente deu tudo certo e as nuvens que escureciam minha consciência se dissiparam.
Ele nos viu como um todo, uma família procurando sua evolução espiritual, uma paz, com muita clareza.
Ele me fez ver que esse modelo de procurar o moço mais badalado, o bom partido, planejar o lindo casamento, dar uma festa, ter uma linda casa, ter filhos, largar a profissão é um modelo que foi o meu modelo.
Talvez não seja o modelo de uma parte desta moçadinha.
Alguns correm atrás disso porque é o que de melhor a “sociedade recomenda”, mas não o que o coração delas quer e pedem.

Muitas vezes, passada a euforia da festa, da montagem da casa, dos filhos, o que sobra?
Uma ressaca de ver que nada daquilo a fez realmente ser feliz.
Aí começam a desmoronar as relações.
Separou? Por que? Acabou casando com o casamento ou com o sonho de alguém, né?
Não era isso que eu queria, eu queria algo mais simples….
Queria simplesmente Ser Feliz!
Hoje, não sou nem sogra e nem avó como a maioria das minhas amigas, mas sou uma feliz espectadora de dois seres que buscam a felicidade sem cessar.
Não desistem facilmente e não fazem qualquer negociação com seus valores!
O importante é que eu sei e sinto que elas são muito felizes. Do jeito delas.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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A recompensa da teimosia

Dominique - Nossas História

Enviado por: Marcos Bittencourt

Logo de pequeno me converti ao empirismo. Ao menos atento já vou avisando: não, eu não bebo sangue.
Embora, devo admitir, minha curiosidade já tenha custado algum sangue derramado.
Mas ainda me sobram uns 500 ml, então vamos em frente.
De fato, engatinhava e já revelava este meu lado científico-filosófico, cutucando as tomadas elétricas da casa de meu avô.
Não lembro ao certo o barato que estava procurando, mas a cada uma que testava devia pensar:
– Essa não, essa também não, essa já conheço.
O dedinho servia de condutor e meus parcos cabelos de fio terra. Chocante!!
A casa era grande, de modo que antes dos 14 anos de idade já havia testado todas.
Bom, passados tantos anos daquela enriquecedora e energizante experiência, tenho uma confissão a fazer.
Dói. Dói pra c@¨¨@!*o!!!!
Mas a dor passa, e costuma ser boa conselheira.
Pena que alguns retardados – como eu – demorem um pouco para perceber.
Mas, no fundo, antes de fazer a besteira, a gente ouve uma voz dizendo:
– aí não… bzzzzzzz.
Pois é.
Tantos anos de experiências científico-filosóficas me permitiram concluir que viver é uma experiência dolorosa.
Existem dores de todos os tipos: físicas, emocionais, agudas ou leves, variam em natureza e intensidade.
Tudo depende de como lidamos com elas, que costumam ser inevitáveis (menos para alguns teimosos, né).
Mas aceitar tal inevitabilidade – e reagir às dores que a vida nos traz – nos permite, por outro lado, aproveitar melhor o prazer de viver, mesmo em coisas simples, como o abraço de um filho, o sorriso da pessoa amada, o carinho de um amigo.
Quem tem medo de sofrer ainda não aprendeu a viver.
Desejo a todos, além dos inevitáveis percalços, infinitos e prazerosos momentos.
Experiências CHOCANTES para vocês!!
Bzzzz

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

4 Comentários
  1. Ah que bom não somos um clube de Luluzinhas. Adoro a diversidade. Nos permite compartilhar de textos engraçados, experiências diversas, olhares outros….amei esse texto. Aliás, esse tem sido meu grupo preferido. Inteligente, espirituosó. Cheio de carisma. Beijo.

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O ogro com anorexia

Enviado por: Cecília Michelin

Achando-me mais escaldada no site de relacionamento – filtro mais apurado na troca de mensagens, algumas perguntas-chave, análise da ortografia, mais esperta para sacar se o ser não cai em contradição – eu descubro que temos amigos muito queridos em comum. Assim, crio coragem para marcar o próximo primeiro encontro.

Cara bacana, simpático, boa conversa, divertido, mas não rolou química. Que pena, seria perfeito, mas a gente não manda nisso. Ele liga no final de semana seguinte, convida para jantar, deixo claro que não vai acontecer nada, podemos ser amigos e nada mais. Ele concorda com as condições.

Saímos. Conheci amigos do indivíduo muito bacanas. Isso me faz lembrar que tudo tem o lado bom na vida, menos o LP do Wando, Nelson Ned, Calypso, Wesley Safadão e tantos outros. Salvou a noite. Ouvi música boa, bebi um vinho delicioso, muita risada e conversei até dizer chega.

Mais um convite e deixo explícito que continua o mesmo esquema, não vai rolar nadica. Ele aceita, mas não se conforma muito. Fica de bico. O programa é para almoçar com um amigo, diretor de uma empresa, o encontro também é para falar sobre business. Chegamos ao restaurante, vamos até à mesa, vejo o tal amigo (pelamor diga-se de passagem, que amigo, mas infelizmente casado, logo o lindo passou a ser uma amiga de infância). Aí vem a pérola master, meu acompanhante me apresenta para o amigo bonitão da seguinte forma:

– Fulano, esta é a Cecilia, mais eu ainda não a comi!

Silêncio geral no ambiente. O ar de cortar com faca. O amigo, pálido, olhos esbugalhados, incrédulo, lança:

– Você não falou isso, falou?

Olhei para o ser, sem apetite (já que não comeu) e vociferei:

– É, meu bem, agora nem vai comer. Digo mais, se estivermos no deserto, eu, você e um camelo, um ano na seca, adivinha com quem será? Com o camelo, claro!

Passei a tarde toda conversando com o tal amigo, cara decente, engraçado, culto e que embora tenha ficado muito sem graça com a situação surreal, soube tirar de letra. O ogro com anorexia ficou mudo, num canto, possesso, quase que batendo o pezinho.

Por mais louco que possa parecer, este ser não é má pessoa. Não sabe, mesmo, é lidar com sentimentos. E, para tristeza geral da nação, há milhares de homens assim, mulheres também. Do jeito ogro dele, queria fazer um “elogio”, essa mulher não é como as outras, eu “não comi”. Só que querendo agradar ou não, perdeu uma enorme oportunidade de ficar calado.

Com a esperança ainda de encontrar alguém normal, conheci em seguida outra criatura tudo de bom, que queria ser feliz para todo o sempre. Semana que vem conto.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Perdoei a minha história

Olá Dominique.

Meu nome é Edna Freitas, tenho 49 anos, sou casada, mãe de 2 rapazes lindos e avó de 2 netinhos. No dia em que eu nasci, minha mãe me deu para outro casal. Fui criada como uma princesa em todos os sentidos.

Mas, mesmo assim, eu sentia uma falta muito grande dentro de mim, que era a de conhecer meus pais biológicos. Tudo o que eu sabia era que minha mãe de sangue tinha ido embora logo após o parto para o Pará e que meu pai se chamava Jorje Mesquita. Essas eram todas as informações que eu tinha deles.

Quando criança eu não ligava muito não, pois eu soube de tudo desde cedo. Mas, na adolescência, eu comecei a me revoltar. Não entendia porque um pai e uma mãe dariam uma criança do seu sangue para desconhecidos e nem porque eles nunca se preocuparam em saber o que aconteceu com esta filha, se ela morreu, se era bem tratada…

Quando meus pais adotivos faleceram coloquei na minha cabeça que iria procurá-los até encontrar. Mas eu tinha um objetivo: dizer umas verdades para eles e passar na cara deles que eu tinha sobrevivido sem eles. Eu tinha muitas palavras duras para dizer. Comecei a busca, colocando em rádios, pedindo informações em todo lugar. Mas era como se eles tivessem sido engolidos pela terra. Ninguém me dava informações sobre nada. Minha raiva só crescia. Quando eu via na TV pais procurando os filhos que deram quando bebês eu odiava todos eles. Eu até me culpava, pensando: “eu sou tão ruim que eles nunca quiseram saber de mim, nem depois de grande”. E por ai ía a minha revolta.

Quando me casei e tive os meus filhos passei a não entender ainda mais. Como um ser humano tem a coragem de dar um filho? Os meus eram a coisa mais linda, a mais importante da minha vida. Eu não suportava a ideia de me separar deles nem para trabalhar, tanto que eu não trabalhei enquanto eles eram pequenos. Não tinha coragem de deixar com ninguém, eu temia que eles fossem maltratados. E minha raiva crescia mais e mais…

Quando completei meus 47 aninhos… em um belo dia desabafando com uma irmã da minha igreja, ela falou a respeito do perdão. Naquele momento eu chorei muito e achei que tinha perdoado. Eu falava como se tivesse perdoado, mas no fundo não. A mágoa continuava lá, escondidinha. Eu já não tinha aquele sentimento de raiva, revolta, então achei que tinha esquecido. Um dia eu estava com uns problemas no casamento. Fui conversar novamente com a mesma irmã, esperando dela uma palavra sobre o meu relacionamento. Ela tocou no assunto de meus pais biológicos. Ela me falou de uma maneira que só sendo da parte de Deus, pois ali esqueci tudo o que estava vivendo.

Fui refletir sobre minha vida, minha história, meus pais biológicos, adotivos e ali encontrei uma brecha aberta do rancor, da mágoa. Nesse dia eu me tranquei no quarto e puxei uma cadeira. Pedi para o Senhor sentar ali naquela cadeira e tive uma conversa com Deus. Foi uma conversa longa e muitas lágrimas rolaram. Este foi o dia que senti que tinha verdadeiramente perdoado os meus pais. Tudo mudou pra mim, fiquei leve, mais feliz, mais amável. Eu já tinha desistido de procurar os meus pais pois foram muitas tentativas. De repente, me deu vontade de procurar novamente, e comecei a minha busca.

Apenas um ano depois eu encontrei o meu pai, com 86 anos, velhinho e morando de favor com uma irmã. Muito humilde. Foi muita emoção. De repente eu não quis nem saber o porquê de eles terem me dado. Minha mãe biológica já havia falecido. Eu trouxe ele para morar comigo. Hoje estamos juntinhos, e ele é tratado como um príncipe. Ele já disse que nunca imaginou um dia viver o que está vivendo agora. Ele me disse que não tinha nada, e nem ninguém, e que hoje tem uma filha, um genro que mais parece um filho, dois netos lindos e dois bisnetos.

E hoje sou completamente feliz.

Esta é a minha história.

Beijos

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

5 Comentários
  1. Acredito no perdão genuíno, aquele que é dado com o coração limpo sem nenhum resíduo de mágoa, tristeza…É divino esse perdão! Somente aqueles que realmente vive a palavra, consegue essa bênção. Lindo!

  2. Olá,um dia abençoado à todos,quero agradecer por esta oportunidade de poder contar minha história.Perdão não é uma opção
    É comum escolhermos o que vamos perdoar, baseados naquilo que acreditamos ser “perdoável” ou não. Algumas pessoas acreditam, por exemplo, que quando alguém comete o mesmo erro conosco mais de uma vez, não merece ser perdoada. Então elas criam uma espécie de “escala de perdão”. Mas a Bíblia nos mostra que perdoar não é uma opção, mas uma ordem de Deus. Veja o que Jesus disse: “Tomem cuidado. Se o seu irmão pecar, repreenda-o e, se ele se arrepender, perdoe-lhe. Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: ‘Estou arrependido’, perdoe-lhe” (Lucas 17:3-4).A melhor atitude de toda a minha vida foi perdoar meus pais.É saúde p os meus ossos.

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Alcance da Perfeição

História enviada por: Cecilia Michelin

Sabe quando a pessoa atinge a perfeição? Quando elabora o curriculum vitae. É mais ou menos a mesma coisa ao preencher o perfil em sites de relacionamento.

Relutei em entrar nestes sites por puro preconceito. Alguns amigos insistiam para me inscrever. Outros achavam um absurdo. Como pensar em ter um encontro com alguém que você não conhece? Se você está num bar, conhece um ser humano, acha que é humano em princípio, troca telefone, marca um jantar, isso faz com que você conheça a criatura?

Como a maioria dos meus amigos é casada e não vou à baladas, nem a barzinhos à caça, a saída para conhecer gente é o site de relacionamento.

Tem, então, início a primeira etapa da aventura, o perfil.

Lembrando que faz 20 anos que estou fora da pista – e que na “minha época” não existia nada disso – não vejo problema em preencher a altura, a cor dos olhos, cabelo, idade, escolaridade, religião, profissão, hobbies. Aí vem a descrição detalhada da sua pessoa, quem você é. Caraca, como é estranho escrever como a gente é, mas não demorou em perceber que é muito mais estranho para os outros quando você fala a verdade.

Recebi inúmeras mensagens assim: como você é franca e objetiva. E acho que isso não foi um elogio. Eu só disse que não estava a fim de sair uma noite para transar e que também não queria morar junto com ninguém, cada um no seu quadrado. Muito direta, né? Espantei muita gente, mas também evitei vários babacas, ainda assim tive que lidar com alguns. Vivendo e aprendendo.

Pensa que acabou? Que nada. Tem uma etapa muito mais bizarra que é preencher os requisitos do seu “par perfeito”. Como ele deve ser? Idade, altura, cor de pele, cabelo, profissão, religião, hobbies, escolaridade, onde mora, estado civil. Seria maravilhoso se isso funcionasse assim!

Não demorou em perceber que o perfil não é tão levado a serio. Nem por eles, nem por elas. Conversando com amigas, descobri que várias mentem a idade, sem a menor necessidade. Motivo: se falam que têm 50 não passam no filtro dos homens de 50 que querem mulheres abaixo das 5 décadas. E eles? Também mentem a idade. E descaradamente.

Marquei um encontro com um cara que tinha uma conversa bem interessante. Cheguei ao lugar e o indivíduo estava bem diferente da foto, parecia ter adquirido a H1N1. Pensei em sair dali e ir direto para uma clínica de vacinação, afinal não posso me dar ao luxo de adoecer, tenho muito trabalho para entregar. Conversa vai, conversa vem, o dito cujo se entrega, não dava mais para sustentar a farsa:

– Tenho 65 anos, menti um pouquinho, só 12 anos.

Olhei para o ser com cara de uva passa e vociferei:

– Por que? Eu não tenho problema algum com homens mais velhos, inclusive no meu “filtro” estão homens de 50 a 65, mas tenho total aversão à mentira.

O encontro mal começou e acabou ali.

Como uma boa escorpiana, não desisto. Deu “match” com um bonitão. Conversamos bastante por whatsapp e decidimos, então, nos encontrar, sempre em um lugar público com bastante gente, regra 1 ou 2, mas uma regra imprescindível. O gato chega um pouquinho atrasado, mas tão bonito e simpático que está perdoado. A primeira coisa que ele fala:

– Ai que bom! Uma mulher igual à foto, você é de verdade.

Arregalei os olhos, não entendi direito, mas dei um sorriso de ponta a ponta ao ver aquele lindinho na minha frente.

Pois é. Todos nós, homens e mulheres, somos carentes de gente normal. Uma companhia legal para conversar, morrer de rir, não falar nada, mas assistir uma maratona de uma série da Netflix juntos, colocar o carro na estrada num sábado sem saber exatamente para onde ir e parar numa praia no litoral norte de São Paulo, descolando uma pousada supergostosa.

Não falo de amores impossíveis, nem paixões arrebatadoras. Falo de viver a vida agora, aos 50, que estamos lindas, inteiras, maduras, sem frescuras, sem amarras ao passado, resolvidas, independentes, cansadas de homens babacas e muito a fim de um cara que seja bacana para curtir este tempo, o que temos de mais valioso agora, o tempo.

A peregrinação por este cara continua.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

5 Comentários
  1. Cecilia, boa tarde

    Obrigado pelo seu texto, ajudou-me demais a decidir, definitivamente, não entrar em sites de relacionamento. Estou separado faz uns oito meses e nos meus 55 anos de vida construí um patrimonio que considero de valor incalculável: Minhas amizades, tanto as masculinas quanto femininas e se for sair para conhecer alguém, ter uma conversa inteligente e divertida, num jantarzinho “honesto”, optarei por uma amiga. Aliás, recentemente isso aconteceu e lhe asseguro que foi delicioso, pulamos a parte das apresentações e já usamos este tempo para engatarmos uma conversa leve, sincera e, para mim, com gostinho de quero mais. Adorei o caso do ogro e desejo que em breve relate um onde encontre não um príncipe (pois estes invariavelmente são muito chatos) mas sim um 1º Ministro, por exemplo. Alguém que mescle as formalidades da nobreza com a liberdade dos camponeses. E que sejam felizes para… O tempo que quiserem ser.

  2. -eu tenho uma idade no registro mas a minha verdadeira é 54 sou do signo de escorpião,para as pessoas desse signo relacionamento é coisa séria. Sou uma pessoa que me apaixono fácil,sou uma pessoa que gosto de silêncio as vezes ” saio do meu mundo real e entro no imaginário sou reflexiva,sou muito cuidadosa com as pessoas que vivem ao meu redor..quem ama cuida ”
    Preservo muito minhas amizades sou seletiva,

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E 4 anos depois… #sqn

História enviada pela Tereza Cristina.

Em maio de 2010 aconteceram duas coisas que mudariam minha vida: eu vendi a minha casa, e seria a primeira vez na vida que eu iria morar sozinha, e acabei um namoro com uma pessoa de quem eu gostava muito.

Fiquei uns três anos sem sair com ninguém, curtindo a minha solidão e, ao mesmo tempo, usufruindo da minha nova vida e da pessoa que me descobri: forte e uma excelente companhia para mim mesma!

Um dia, em novembro de 2013, numa visita à minha nora que fazia brownies e bolos de Natal pra vender, o sócio dela me perguntou:

– Tia, você é tão bonita, por que está sozinha?

Eu pensei – por que eu tô sozinha?, e ri comigo mesma.

Respondi:

– Eu estou sozinha porque não consegui arrumar ninguém que realmente me interesse e porque, depois do meu ultimo relacionamento, eu resolvi que não queria mais ninguém.

Ele me disse:

– Tem um site de relacionamento bárbaro, que acabou de ser lançado, chamado Tinder. Eu estou saindo com uma pessoa muito legal que eu conheci lá.

Eu respondi:

– Ai, meu amor, eu não tô mais com vontade de sair com alguém. Eu já estou ficando velha. Não tenho vontade. E homem só quer mocinha pois uma mulher resolvida como eu assusta os homens. Melhor continuar sozinha.

Ele insistiu comigo:

– Não, tenta. O aplicativo está conectado ao Facebook e você pode ver, de repente, se vocês têm amigos em comum.

Eu pensei – por que não?, e disse:

– Então me coloca lá!

E o Beto me cadastrou no bendito do Tinder.

Apareceram várias pessoas. Nunca vi tantos homens aparecendo na minha vida, respondendo e curtindo o meu perfil.

Até que apareceu uma pessoa que eu fiquei interessada. Um homem charmoso, com idade compatível, mas sem amigos em comum.

Devia ter por volta dos 60 anos, falava várias línguas: italiano, francês, inglês. Aliás, ele é italiano de nascença e eu sempre tive uma queda por italianos.

Uma pessoa muito, muito legal. Nós começamos a nos falar. Até que um dia ele me convidou para jantar fora. Era comecinho de dezembro.

Eu aceitei o convite e fui jantar com ele. Foi muito gostoso. Nós saímos mais algumas vezes. Saímos com amigos dele, com amigos meus. Fui até ao batizado do neto dele.

Um dia ele me perguntou:

– Quer passar o final do ano comigo?

Eu pensei – e agora? Vou ou não vou?

Pedi para pensar um pouquinho. Como eu ia fazer para falar aos meus filhos que eu – uma mulher de 50 e poucos anos – queria passar o réveillon com uma pessoa que eles não conheciam?

É complicado ter filho homem. Filho homem é um pouco mais possessivo, um pouco mais ciumento. Contei que ia passar o Réveillon com uma turma de amigos para eles não fazerem muitas perguntas!

Daí decidi ligar pra duas amigas minhas, daquelas amigas irmãs, que são minhas amigas desde os meus 12 anos e contar toda a história que até aquele momento era segredo. Tinha um certo preconceito de sair com uma pessoa que encontrei num aplicativo de encontros….. acho que uma certa vergonha.

– E ai? O que vocês acham? Vou ou não vou?

Elas aprovaram na hora, me perguntaram o que tinha a perder…

A minha preocupação não era sobre o que eu iria ganhar ou perder. Tinha dúvidas porque eu não o conhecia direito. Tudo bem que ele era um gentleman, um amor. Mas eu estava desabituada, fazia tempo que eu não dormia com ninguém. Como eu ia fazer?

Elas disseram:

– Não, você vai sim!

Decidi que eu ia e disse:

– Então tá bom, se eu vou vocês vão ter de me ajudar porque precisamos de enxoval.

Liguei outra vez pro moço e confirmei que ia acompanha-lo na viagem pra Trancoso.

Ele, supergentil, me pediu pra passar nome completo e documentos pra providenciar as passagens e tudo o mais.

Sai com as minhas amigas pra fazer um enxoval. Roupa pro réveillon, uma roupa pra cada dia, lingeries, camisolas, biquini, saída de praia… levei uma mala que parecia de um mês!

As minhas amigas me deram outras dicas: que era pra eu acordar um pouquinho mais cedo que ele pra pentear o cabelo e passar um blush… que isso era pro moço me ver bonita! Que pra não acordá-lo eu devia dormir com o celular deixo do travesseiro, com um som baixinho de despertador.

Depois de tudo pronto, chegou o dia da viagem.

Chegamos super em cima da hora no aeroporto. Ele viu o horário errado na passagem. O vôo era as 4 horas e nós chegamos lá umas 3h15. O atendente falou que a gente podia embarcar, mas as malas não!

Bom, perdemos o avião. Foi bem desagradável. Então eu pedi pra falar com o gerente da companhia aérea. Eu expliquei que era a nossa primeira viagem juntos, praticamente uma lua de mel, e perguntei o que ele poderia fazer pra ajudar a gente. Imaginem, era dia 29 de dezembro e estava tudo lotado!

Ele foi bacana e nos arranjou um vôo no dia seguinte cedinho. Daí fui pra casa dele, porque ficaria mais fácil para sair cedo pro aeroporto.

Nós saímos para jantar e, na volta, o moço olha pra mim e me diz:

– Já que não aconteceu nada até agora, e a gente já está saindo há um mês, vamos deixar pra acontecer em Trancoso.

Eu pensei que era perfeito. Dormimos de conchinha, foi supergostoso. No dia seguinte acordamos cedo, tomamos café e viajamos. Deu tudo certo. Chegamos em Ilhéus, alugamos o carro, e seguimos pra Trancoso. Ficamos numa pousada maravilhosa!

Fomos pra praia, tomamos drinks, almoçamos.

Então outra novidade. O moço é alérgico ao sol.

Sim, eu ficava tomando sol e ele ficava numa tenda, daquelas tipo balinesa, cheia de almofadas.

No primeiro dia, voltamos da praia e tomamos banho. Enquanto ele descansava um pouco eu li. Nós nos arrumamos, saímos para jantar e bebemos vinho.

Eu estava esperando a grande noite e…

Nada!

Dormimos de conchinha…. e nada!

Nada no primeiro dia, nada no seguindo dia…

Resultado. Eu passei 8 dias em Trancoso, voltei queimada, linda e intacta.

O moço não transou comigo.

A viagem foi deliciosa (tirando este probleminha técnico!), tanto que no avião ele me convidou para passar o carnaval em New York, cidade que adoro!

Ele é uma pessoa ótima, carinhosa, um papo delicioso. Uma companhia agradabilíssima…

Só que é impotente.

Ele nunca comentou comigo e eu nunca perguntei.

Voltei pra São Paulo.

Fiquei extremamente triste, achei que o problema era comigo. Falei com as minhas amigas e descobri que o problema não é só comigo. Tem vários homens que depois dos 60 anos tem problemas. O moço deveria ter algum problema sério, porque alguns tomam viagra, mas ele não!

Resultado: nós voltamos, mas não liguei mais pra ele. No quarto dia, ele me ligou e perguntou se aconteceu algo estranho. Pra ele nós estávamos namorando, estávamos saindo há um mês, tínhamos passado o Natal e o réveillon juntos e ainda tínhamos combinado o carnaval…… Tadinho!!!

Eu respondi que não, e disse que ele também não tinha me ligado. Ele disse que estava ocupado nos negócios. Eu disse que também estava ocupada com os meus netos. Infelizmente não fui muito sutil e ele percebeu a minha decepção.

A gente se fala até hoje, mas nunca mais saímos. Eventualmente nos falamos ao telefone e, as vezes, vejo fotos no Facebook.

Esta é a minha história da virada do ano de 2013 pra 2014. A viagem foi muito gostosa, mas extremamente frustrante.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Primeiro encontro pós-separação

História enviada pela Cecilia Michelin

Separação é sempre dolorosa, mesmo que a gente não veja a hora que aconteça. É um luto. Tem as fases e concordo, neste caso, que tem que ter. Tem sim que passar pelas fases da negação, revolta, dor, desespero, aceitação para… ufa… chegar na enfim fase que bom que agora passou. Separar não é legal, mas, em alguns casos, é necessário para se reencontrar.  Ninguém casa querendo se separar, eu imagino.

Bem, esta crônica não é para falar sobre isso, mas sobre o primeiro encontro pós-separação.  Passadas as fases que mencionei acima, já refeita, me vi pronta para recomeçar. Mas como é isso agora? 50 anos, faz 24 que eu não namoro com ninguém, não tenho o “primeiro encontro”. Como entender os primeiros sinais, como rola a coisa?  Será que eu sei ainda? É como andar de bicicleta?

Bem, saio com o dito cujo. Bonitão, faz questão de mostrar o carrão, o que me incomoda um pouco, porque eu não curto estas coisas, o exibir, mas vamos lá. Leva-me a um restaurante italiano, ganha um ponto porque prestou atenção na minha conversa anterior, é minha cozinha preferida. Tudo caminhando bem, conversa trivial.

Até que começa o seguinte diálogo surreal, na verdade um monólogo:

– Tenho 58 anos, mas pego mulher de 34. Vc duvida? – declara o dito cujo.

– Nossa, que demais! – Falei zombando do infeliz.

– Bem, é o seguinte, eu quero uma companhia para o social, disse o ser.

– Oi – falo eu, com o garfo entre os dentes, quase deixando o nhoque cair.

– Eu quero uma mulher para me acompanhar nos eventos, jantares, festas, estas ocasiões – vociferou a criatura.

Eu só olhei.

– Não precisa ver todo final de semana – ele continuou.

Eu continuei calada, o que é bem raro para minha pessoa. O cara estava praticamente fazendo um briefing detalhado, quase lendo as cláusulas de um contrato.

– E quero uma mulher limpinha – grunhe o homem de 1.95 cm.

Quase cai da cadeira e respondi:

– Como assim?

– Porque tem muita mulher porca!

Quando eu caí da cadeira e pensei que o mundo tivesse acabado, veio a bomba master:

– Eu me depilo total, porque eu respeito a mulher que estiver comigo. Espero que ela faça o mesmo – declarou o animal.

Silêncio absoluto.

Como o ser humano fala isso na primeira vez que sai com você sem tem a menor liberdade com sua pessoa? Eu nem tinha levado o segundo nhoque a boca ainda! O problema não é a depilação, muito menos ser limpinha, mas são os argumentos e a técnica usada para a conquista! Senhor, me salve!

Esta foi a minha experiência no primeiro encontro pós-separação, 3 anos after, mais para trote de calouro. Fala sério! Estou correndo até agora sem olhar para trás e isso faz 9 meses.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

5 Comentários
  1. Muito legal o relato e tenho certeza que este homem existe, Hoje tudo vem por contrato , falta sensibilidade e educação, sem censura …..falar na mesa de depilação???? É um rôbo , não é humano

  2. Ceusss … mais sorte na próxima!… ou então simplesmente usufrua do prato uma ou duas vezes, como geralmente se faz por aí. O que não chega a ser uma idéia péssima e pode ser bem pitoresco…kkkk

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Celia Aun Gregorin

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A delícia de fazer 50 anos é não fazer mais personagens. Você começa a aproveitar mais e a se permitir mais. Algumas exigências deixam de ser tão importante. Você não precisa ser “a mais legal”, “a mais engraçada” ou “a mais inteligente”. É legal ser. Mas eu não deixo de fazer mais nada por causa disso.

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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