Nossas histórias

Como é…. Pode repetir?

É uma situação que tem se repetido cada dia com maior frequência. Outro dia meu filho acordou tarde e me perguntou se ainda tinha café. Respondi sem pestanejar: Claro que não vi seu boné, menino! E não é só em casa. No trabalho alguém passou avisando que a reunião ia ser no final do dia. Reclamei: Poxa, meio-dia! Tinha combinado de almoçar com uma amiga…É trágico. E é cômico. Mas é trágico quando acontece duas vezes na mesma semana…

Como é difícil a interação de quem escuta pouco com as pessoas! Digo isso por experiência própria. Além de uma mãe quase surda, eu comecei a sentir que a minha audição já não é mais a mesma. É e algo corriqueiro viu? Que acontece com a maioria das pessoas.

O processo não costuma ser repentino. Mas a gente nem percebe. E aí, de repente, começa a trocar alhos por bugalhos.

Pode acontecer em qualquer idade, mas piora com o passar do tempo pelo envelhecimento natural das células. Também pode ser hereditário, como no meu caso.

Fala mais baixo!

Só me dei conta que havia herdado esse problema quando comecei a gritar ao telefone. Alguém me pediu para falar mais baixo e fiquei tão constrangida que perdi o rumo da conversa. Também pudera!

Na boa, o jeito é rir da coisa toda.  Afinal, canja de galinha e bom humor não fazem mal a ninguém. E por falar em humor, quem não se lembra da personagem icônica da televisão brasileira, a Velha Surda, criada pelo humorista Roni Rios? O quadro era baseado nas incompreensões e entendimentos equivocados da Velha Surda na interação com seu amigo Apolônio.  

Eu levo na brincadeira mas eu tenho de confessar. Dá vergonha! Se eu perco a paciência comigo mesma, imagina os outros que têm de lidar com a MINHA dificuldade. O que me consola é saber que faz parte da trajetória de vida e eu não estou só!

São mais de 15 milhões de pessoas no Brasil na mesma situação. E não para por aí não. É um problema mundial!

O mundo está muito barulhento

O ruído a que estamos expostas está deixando todo mundo surdo. É progressivo e um caminho sem volta. Qualquer barulho acima de 85 decibéis é prejudicial à saúde. Um quadro que leva a traumas imperceptíveis até aparecer o popular zumbido.

O importante é detectar cedo e buscar ajuda. Sem vergonha de ser feliz. Se diagnosticada logo e a depender da causa, existem vários tratamentos.  Mesmo que não se consiga curar, pode-se amenizar ou compensar a perda natural. E as novas tecnologias ajudam muito nesse processo.

Hoje os aparelhos (benditos!!!!) de amplificação sonora individual estão muito avançados e estão cada vez menores e mais discretos. O mais importante é aceitar a nossa condição. Seja ela qual for: surda, cega, muda…Bem, muda eu já não sei se aguentaria! Rsss

Precisoooo falar!

Mas oh, eu fiz um teste para te ajudar a identificar se há qualquer probleminha com a sua audição. Dá uma olhada! Se você marcar mais de três que tal procurar um otorrino para fazer um exame?

1.  Não conseguir mais entender direito o que a outra pessoa diz.

2. Achar que o outro está falando muito baixo.

3. Necessidade de aumentar o som da TV ou rádio porque acha que está muito baixo o volume.

4. Dar respostas erradas porque não entendeu nada do que a outra pessoa disse.

5. Pedir para repetir com muita frequência o que a outra pessoa acabou de falar várias vezes.

6. Não conseguir ouvir sons que todo mundo da sua casa consegue ouvir.

7. Surgimento de zumbido no ouvido.

8. Ouvir, mas não entender o que as pessoas falam.

9. Se isolar por que não escuta mais nada do que as pessoas falam.

1 Comentário
  1. Estágio 8 otorrino indicação aparelho auditivo moderno minúsculo mesmo assim desconfortável caríssimo só uso quando saio de casa fora isso continuo”o que disse não entendi” chateada envergonhada me desculpe mas um saco

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Namorei meu personal trainer mais jovem e foi incrível

Algumas mulheres preferem namorar com homens mais velhos. Dizem que têm mais maturidade, dedicam-se mais a relação e é com eles que aprendem muitas coisas, mas a recíproca é verdadeira. Eu garanto: namorar um homem mais jovem é tudo de bom!

Tudo começou quando eu decidi levar a sério uma rotina de academia e contratei um personal trainer para me ajudar nessa missão.  Foi um belo estímulo para incluir a atividade física no meu dia a dia e também para a minha autoestima.

Até aquele momento nunca tinha me passado pela cabeça sair com alguém tão mais jovem: 25 anos a menos que eu.  Muito menos engatar um caso com alguém com quem tivesse relação de trabalho. Porque é assim que eu via a contratação desse tipo de serviço. Simplesmente profissional.  

Eis que todas as minhas teorias caíram por terra ao conhecer M. Lindo, loiro, olhos azuis, 1.90m de pura gostosura e super dedicado. Isso sim é estímulo para treinar!

Eu contava as horas para chegar segundas, quartas e sextas-feiras, quando eu tinha hora marcada com ele.

Até que um dia eu bati o carro e não tinha como ir pra academia (daquelas desculpas que criamos para nos sabotar, lógico). Então ele disse que me pegaria em casa meia hora antes do horário da aula. Para não perder o ritmo. Foi assim que aprendeu onde eu morava e passou muito tempo frequentando o lugar…

Numa dessas caronas, ele pediu para subir para usar o banheiro ou algo assim. E aí não tive como escapar. M. me pegou de jeito e me deu um beijo cinematográfico. Cheguei a perder o fôlego e fiquei meio sem reação, mas quer saber? Decidi deixar a vida me levar, afinal qual o problema ?

Era um tesão louco quando ele me alongava no final do treino. E cada série de exercício eu queria me esforçar mais. Nunca antes na história desse país eu havia tido tanto resultado numa academia.

E estava feliz com a prorrogação dos treinos para minha cama. Nessas ocasiões, muitas vezes, quem deu as lições fui eu!

Diante dessa aventura que durou pouco mais de um ano, posso enumerar algumas razões para namorar um homem mais novo:

São mais divertidos

São mais otimistas, abertos a novas coisas e, normalmente, sentem-se menos amargurados com a vida, por isso terá encontros mais felizes em vez de ter de ouvir discursos entediantes sobre a vida

Não acham que sabem tudo

Ao contrário dos homens mais velhos, os mais novos não acham que têm o direito de dar lições sobre tudo e todos;

Um bom corpo

Não é necessário fazer qualquer descrição neste ponto…

Muito sexo

Não têm medo de experimentar coisas novas… E, em muitos casos, possuem uma preparação física invejável. Isso pode influenciar (e muito) a vida sexual;

São mais flexíveis

Ainda não têm uma opinião formada sobre tudo e todos, por isso são mais abertos aos argumentos dos outros;

Fazem você sentir-se mais nova

Levam você a restaurantes e discotecas novas, apresentam  músicas e filmes novos e fazem com que tenha vontade de continuar na juventude;

Têm amigos lindos de morrer

Faça o que quiser com esta informação…

Têm menos ‘bagagem’

Sem filhos, sem ex-mulheres, sem preocupações;

São mais românticos

Como são mais novos, existe uma maior probabilidade de terem menos dinheiro que os homens mais velhos, por isso arranjam formas mais criativas (e românticas) de impressionarem as mulheres de quem gostam.

 

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

1 Comentário

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

História do dia: Adoro me casar por Lila Leal

Dominique - Adoro me casar
Eu adoro me casar.
Mas antes de escutar a minha história, por favor, não me julguem.
Eu não sou fútil. Também não desisto rápido das coisas.
Dizem que a nova geração, quando a barra aperta, dá o fora rapidamente. Falam que eles não sabem lidar com as frustrações.
Esta também não sou eu.
Nasci em 1970, por isso faço parte da turma que cresceu sem muita expectativa e com muitos problemas econômicos.

Mas vou voltar pra minha história do porquê eu adoro me casar.
Eu já me casei três vezes.
Nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo.
Quando subi ao altar pela primeira vez, era novinha e estava apaixonada.
Nunca acreditei na balela do “ser feliz para sempre”.
Sempre soube que teria dificuldades, problemas sérios, mas que juntos daria pra enfrentar.

Aliás, escutei sobre isso naquele cursinho de noivos, que é obrigatório para quem quer se casar na igreja.
Numa das palestras, um casal começou falando assim:
– Se é difícil casar, é mais difícil ainda se separar.
E foram uns 30 minutos de conversa só sobre problemas de casamento. Dá pra imaginar?

Eu não acho que o segredo para o sucesso esteja em enfrentar os problemas.
No meu caso, o motivo que levou à separação foi outro.
Foi a constatação de que casamos novos, tentamos seguir juntos, mas no nosso processo de amadurecimento tomamos caminhos diferentes.
Quando você conhece uma pessoa muito jovem, você tem uma referência dela.
Quando chegamos aos 30, já éramos outras pessoas. Diferentes, muito diferentes.

Sabem as diferenças irreconciliáveis?
Existem várias delas, das mais simples às mais complexas.
Vão desde diferenças com a divisão das tarefas em casa até na educação dos filhos.
Não tive filhos. Meus problemas giravam sobre expectativa de futuro, hábitos pessoais, amizades, família e problemas financeiros.

Eu demorei um bom tempo para me dar conta disso.
Enfrentei aquelas 5 fases do Luto.
Sim! Porque a dor de se separar é igualzinha à dor do luto!
Primeiro foi a negação. Tentei de todo o jeito não enfrentar o problema.
Segundo foi a raiva. Eu me revoltei, me senti injustiçada.
Terceiro foi negociação. Pensei que se mudasse algumas coisas poderia resolver tudo.
Quarto foi a depressão. Eu me isolei, culpei o mundo e me culpei muito também.
Até que chegou a aceitação.

Enfrentar uma separação é difícil.
Mas isso não é um problema.
Duas pessoas podem SIM amadurecer de formas diferentes e chegar à conclusão de que não querem mais viver juntas.
Na minha opinião, o maior problema está na pressão da sociedade sobre o casamento, no que as pessoas dizem:
– Mas vocês precisam tentar tudo.
– Mas a vida a dois é assim mesmo.

Eu tentei sim, tudo o que pude. Mas não acho que a vida de casada tenha de ser isso.
Eu não concordo que temos de aceitar estas diferenças se isso significa nos machucar, nos fazer sofrer.
A decisão de separar foi minha, difícil de tomar, mas nunca me arrependi de ter tido esta atitude.

Passei uns bons anos solteira.
Achava que já estava descolada no assunto.
Que eu não cometeria os mesmos erros (e acertos).
Ledo engano, né?

Tudo foi muito mais simples. Nós dois já éramos mais velhos.
A fase dos 30 e poucos anos deixa mais claro todas as diferenças.
Eu sabia exatamente como o segundo ex era, o que iria viver.
Mas nesta experiência acabou o amor.
Como prever algo assim?
Fiquei muito tempo sem conseguir entender (ou me entender).

Falaram que existe a diferença da paixão e do amor. Blá, blá, blá…
Escutei muito, de novo.
Mas a verdade é que separar é sofrer muito.
Eu não entrei num segundo casamento pra enfrentar a mesma barra que tinha vivido alguns anos antes.
Mas não deu, mesmo.

Fiquei um tempão sozinha.
Sai com amigos, montei um apartamento superlegal.
Viajei bastante também.
Foi um período gostoso.
Não tive muitos namorados.
Na verdade, nem queria me envolver com ninguém.

Até que chegou o dia em que conheci alguém e me envolvi rapidamente.
Foi uma delícia. Sempre foi muito bom conversar, ficar juntos, viajar.
Anos depois resolvemos morar juntos.
Passaram-se outros anos e nos casamos.
Teve festa e tudo o mais.

Se temos problemas? Muitos, mesmo.
Já teve dia que fomos conversar num terapeuta de casal.
Sabe que dá certo!
Lembra aquelas diferenças que falei? Desta vez elas não existem.
Eu revejo todos os dias minha história neste terceiro casamento.
E sei que estamos no mesmo caminho.
Também tenho certeza que sobra carinho e amor.

No início eu brinquei que adoro me casar.
Não é que eu leve este assunto na brincadeira, não.
Hoje, depois de tudo o que eu já vivi, posso falar que gostei de casar. porque me permitiu viver e descobrir muitas coisas. Sobre o mundo e sobre mim mesma.
Se eu cresci e amadureci foi muito por estas experiências.
 Hoje, sei lutar pelo que quero e gosto. Eu sei mais claramente o que espero da vida. Sei comunicar isso e tudo mais claramente também para não ter ou tentar não ter problemas.

Emocionante a história da Lila não é mesmo? Casar e muito sério, devemos escolher bem com quem escolhemos dividir a vida.

Leia Mais:

Meu corpo mudou, depois dos 50 meu corpo nunca mais foi o mesmo
Estilistas, atenção – Dominiques também consomem!

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

2 Comentários

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

50 anos em 5 – A emocionante história de uma Dominique

Dominique - Anos
Não vou usar meu nome verdadeiro, porque minhas histórias são impublicáveis. Pelo menos durante os anos que eu estiver viva. Usarei então um pseudônimo, Carmen Strada.

Eu tinha 14 anos quando o conheci. Ele tinha 22. Por motivos que Freud e Jung explicaram muito bem, agarrei-me a esse homem como a uma tábua de salvação achando àquela altura da vida que ninguém nunca jamais ia me querer, portanto tinha que ser ele.

Perdi a virgindade com esse mesmo homem aos 15 anos. E aos 20, com a autorização do meu pai (sim, naquela época, menores de 21 precisavam da autorização dos pais) casei-me com esse que viria a ser mais tarde o pai dos meus filhos. Tenho dois rapazes. Lindos. Um completou 23 e o outro terá em breve 22. A idade que ele tinha quando me quis. Não consigo imaginar meus filhos hoje namorando uma menina de 14. Sem mais comentários.

Anos depois, após muito abuso, intimidação, ameaças, assédio moral, críticas diárias, humores alternando entre o ódio à minha pessoa e a adoração, ciúme doentio, muito controle e autoritarismo, comecei a chorar diariamente e não parava mais. Chorava embaixo do chuveiro, lavando a louça, dirigindo, sentada à mesa do jantar, na cama acordada no meio da noite, enfim…

Tentei tudo que estava ao meu alcance: conversas até de madrugada, e-mails que ele nunca respondeu, cartas que ele rasgava e jogava fora sem nem ao menos ler (“eu já sei tudo que está escrito”) e por fim terapia. Primeiro individual, somente eu, porque ele se recusava a fazer a de casal. Depois que percebeu a ameaça que significava essa terapia desqualificando qualquer coisa que viesse do meu terapeuta, ele aceitou que frequentássemos uma terapeuta para nós dois. Sempre repetindo que não acreditava em terapia, que estava ali só porque “minha mulher mandou, porque quem está com problemas é ela, eu não tenho problema algum”. Vou poupá-los dos detalhes dessa época porque são tristes demais. Conto numa outra ocasião.

Então um belo dia, 30 anos depois, numa sexta-feira 13, um raio atingiu meu cérebro e eu disse basta. Fui trabalhar pedindo que ele arrumasse um lugar para ficar, porque ao voltar no final do dia não queria mais vê-lo no apartamento. Ele não se foi. Depois de seis meses de inferno na terra, dormindo por baixo do lençol e ele por cima, não conseguindo mais ficar sequer no mesmo ambiente, me dirigindo a ele aos gritos (tudo que eu vinha engolindo foi vomitado de volta), sentindo dores por todo o corpo, sofrendo de insônia e dores de cabeça horríveis, decidi que era melhor eu sair de casa. Procurei apartamento mobiliado para alugar e depois de visitar um com meus filhos, ambos afirmaram que morariam lá comigo, arrumei uma bolsa com o essencial e parti.

Nesse momento, acho que caiu a ficha para ele que não seria possível a reconciliação e ele ficou mal. Meus filhos, vendo o pai daquele jeito, com 16 e 17 anos, comunicaram que iriam ficar com o pai, porque ele estava precisando mais deles. Ok, tudo bem, alguns dias, uma semana no máximo e eles estariam comigo. Só que não. Achei que já tinha sofrido tudo que era suportável. Meus filhos nunca vieram morar comigo. Vinham jantar, almoçar, encontravam comigo, nos víamos ou falávamos todos os dias, mas sempre voltavam para dormir com o pai. Perguntei por que eles não podiam dormir uma noite que fosse comigo e eles responderam que isso ia magoar o pai. Rebati que assim eles estavam magoando a mim. A resposta foi: “você é forte, o pai não”.

Passei três meses indo em casa todos os dias. Fazia a cama, as compras de supermercado, deixava a comida pronta e antes que o pai deles chegasse eu ia para minha casa. Sei que parece louco, mas meu senso de dever de mãe não me permitiu agir diferente. A dor da falta dos meus filhos, da minha família era como se eu tivesse amputado um braço ou uma perna. Não sei de onde tirei forças para sobreviver. Até autoflagelo e pensamentos suicidas eu tive. Quando eu achava que pior não podia ficar, ficava.

Mas eu sobrevivi. Nos divorciamos pouco antes de eu ir morar na Europa, onde trabalhei por um ano. Incrível meu empregador ter topado fazer esse investimento em mim a essa altura da vida. Até consegui sair do aluguel e hoje pago o financiamento do meu próprio apartamento.

Cinco anos se passaram. Cinco anos em que vivi situações que jamais imaginei viver. Depois de uma vida inteira sendo a mulher de um único homem, consegui dar a volta por cima e conheci outros. Cada um mais diferente que o outro. Vivências incríveis. Fiz novas amizades. Amizades valiosas que muito me ensinaram e me ajudaram nessa caminhada.

Hoje sou Dominique. Fiz 50 anos em 2017 e tenho vontade de contar histórias espetaculares que vivi ou que acompanhei de outras mulheres. Será que terei coragem de contar tudo?

Anos de sofrimento que fizeram uma mulher se reinventar, parabéns Dominique!

Leia Mais:

Algumas trocas são presentes que não tem preço, mas tem valor
Breve reflexão sobre a beleza – muito além do que imaginamos

7 Comentários
  1. Mulher de coragem! A história da minha màe foi parecida, não no tocante às faixas etárias dos dois, mas as agressões verbais. Físicas, nunca, graças a Deus! E eu resolvi que ser solteira seria melhor! Não tinha a mínima vontade de ter filhos, estudei, trabalhei 35 anos, cuidei de minha mãe até sua passagem, aos 92 anos! Ah, meu pai faleceu com 54 anos. Sinceramente?!? Penso que minha mãe começou a viver a partir de então! Mas cuidou dele até o fim! Será que sou uma Dominiqye?!? Vicênio com certeza é!

  2. Uma história densa como não pode deixar de ser as histórias de nós mulheres de meio século, quem sabe lendo essas histórias eu me aventure a contar a minha. ..por enquanto ainda não tenho forças suficientes para relatar

  3. Nossa Senhora! Não consegui ler sem chorar, fiquei imaginando as entrelinhas que vc não contou. Imaginei a situação da minha mãe que viveu uma história tão sofrida quanto à sua. E por que não dizer a minha história e de tantas mulheres com as quais convivi e convivo. Pois cada uma de nós, passou ou passa em algum momento por sentimentos e dores semelhantes, pois vivemos numa sociedade predominantemente machista.Parabéns pela sua coragem! Avante, Dominique!

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Hora do homem mostrar que é forte e bem-humorado!

Dominique - HomemSou casado há mais de 30 anos e, depois de todo esse tempo, achei que o casamento não traria grandes surpresas. Tudo isso mudou no período que antecedeu a chegada da menopausa. Sei que o período é complicado para as mulheres, mas vocês não fazem ideia de como ele pode abalar a autoestima e a segurança do homem. Nem todos que passam por essa experiência sobrevivem!

Casamentos longevos me levam sempre para uma analogia com aquele seriado Jornada nas Estrelas (Star Trek) que nos levava à fronteira final, onde homem algum tinha ido ainda. A cada episódio temos uma surpresa que desafia a lógica e nos testa como espécime desenvolvido. Qualquer semelhança com casamentos duradouros não é mera coincidência! Tenho um amigo que prefere chamar essa experiência como The Dark Side of the Moon, numa referência ao disco do Pink Floyd cuja audição tem efeitos terapêuticos para ele.

Os casamentos da minha geração se estabeleciam em cima de alguns projetos. Quem casa quer casa. À medida que o tempo passa, a trama se complica com a chegada dos filhos. Eles passam a ser nosso projeto, da escola à faculdade, vem um longo caminho cheio de aventuras previsíveis. Nosso objetivo é sobreviver e garantir uma boa educação deles. Um belo dia eles casam ou simplesmente saem de casa e aí os limites daquela fronteira final ficam à nossa disposição. É nesse período já complicado que o universo misterioso te convida a entrar na Zona da Menopausa onde nada parece o que é.

A cultura popular, nosso desconhecimento e o preconceito reduzem esse período à variações de temperatura. Na prática entramos numa área confusa que manda sinais descontrolados e invertidos. Não foram poucas vezes que, embora casado há mais de trinta anos, fui surpreendido por um “não” que na realidade era um “sim”. Nesse período, sobram variações bruscas de humor, sarcasmo e ironia se alternam e fica difícil entender quando é um ou outro.

No meu caso, para agravar o quadro, minha mulher ficou mais sensível do que o habitual. Seu senso de humor se não desapareceu totalmente fica, na maior parte do tempo, meticulosamente escondido. São dias tensos e a minha sensação é de procurar coisas num paiol de pólvora com um fósforo acesso. As explosões são frequentes e inevitáveis.

Sempre fui um bom ouvinte. Nessa fase nem isto faço adequadamente. Ouço histórias despretensiosas com ar atencioso de sempre e temeroso das minhas participações. Em 99% dos casos eu escolho sempre a resposta ou o desfecho errado. As reações vão da indignação irada que se transforma em raiva agressiva e termina em choro, à resignação sarcástica, que termina em critica à minha insensibilidade ou falta de atenção às coisas dela. Dias de trovão!

A situação se agrava na cama. Lembra-se da Enterprise, a nave da Jornada nas Estrelas? Pois é, às vezes, sua cama se parece com a nave sob ataque, sem comando e com a tripulação amotinada, navegando por rotas desconhecidas.

Acreditem, não é um período fácil para nós também! Somos movidos pelo desejo primal do sexo. Racionalizamos até a página dois e depois tomamos medidas radicais. Contemporizamos e negociamos, mas sem a paciência de um monge. Longe disso! Afinal, somos de Marte e, às vezes, precisamos de sexo. Difícil entender isso?

Sei que não é difícil entender essa necessidade. O complicado é achar uma boa solução. Em casa, o sexo ficou burocrático. Minha mulher, tentando entender as necessidades básicas do marido, aparece para o jogo, mas sem o brilho de outros tempos.

Cá para nós, casamentos longevos e estáveis só duram porque caíram na rotina necessária que transforma a cumplicidade do casal na licenciosidade de amantes ocasionais. Para nós, quando a menopausa se aproximou esse acordo latente foi colocado em cheque. Os hormônios colocam a Enterprise no meio de uma tempestade de meteoros.

Essa é uma fase complicada e sensível para as mulheres.

Pensei que havia me preparado para ela. Fui ler, pesquisei e conversei com outros homens que viveram, vivem ou viviam a mesma etapa no casamento. No Clube do Bolinha você encontra de tudo! Daqueles que nem perceberam a mulher entrar e sair dessa fase àqueles com tendência kamikaze que entraram junto, de corpo e alma nessa travessia.

Luis Augusto Montaigne

Ex-Bancário, ex-publicitário, ex-jornalista e sempre empreendedor, atento às boas oportunidades que a vida oferece. Observador curioso, pensador ocasional e eterno aprendiz!

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

E como é que os homens veem a parceira na menopausa?

Dominique - Homens

Perdi essa. Homens são de Marte e mulheres são de Vênus. Porque não tive essa ideia antes? O cara é gênio. Disse o óbvio e ganhou muita grana, com certeza.

O chavão é verdadeiro. O universo é movido por opostos. Positivo e negativo, prótons e elétrons, homens e mulheres… A mesmice não conduz a lugar algum.
Antes que me chamem de homofóbico, quando digo homens e mulheres falo de temperamento, não de opção sexual.

Nos casais, a mesmice é paralisante porque o tempero de uma relação a dois se encontra nas diferenças. Frio e calor, vinho e água, praia e campo, todos os gostos e preferências têm espaços em uma relação. Se os dois gostam sempre das mesmas coisas, em absolutamente tudo, perde a graça, né?
Definitivamente somos diferentes e isso é ótimo!

A natureza nos impele às diferenças. Ela é sábia até no modo como envelhecemos. Garotos sentem mais calor do que meninas. O cobertor é puxado para o lado delas na cama. À medida que vamos envelhecendo a coisa se inverte. O homem puxa o cobertor para ele e, por vezes, a mulher não se importa. Deve ser a menô.
Pareço íntimo dela, não? Mentira, as mulheres e suas vicissitudes ainda são, para mim, um grande enigma. Mas é isto que as torna tão interessantes, não é mesmo?
Embora conviva com uma, a companheira de uma vida, por mais de trinta anos, ainda tenho muito que aprender. Tenho disposição, vontade e, acima de tudo, respeito pelas diferenças.

Estou dando voltas, né? Bom, vamos falar do que interessa… Sexo. Para o homem é fácil, salvo nas enfermidades o interesse e apetite sexual se mantém por quase toda a vida. Basta um clique e pronto, o garotão lá de baixo se manifesta.
Nas mulheres parece que a coisa é um pouco diferente. Precisa de mais chamego, mais atenção, carinho, sei lá o que mais. A danada da menô definitivamente exige mais paciência do homem, nada que não se possa superar com amor e carinho.

É, nem sempre é fácil para nós. Às vezes, ficamos perdidos no meio de tantos mistérios femininos. Como saber qual a dose certa de vinho para regar uma boa noite a dois? Na dose certa, bingo! Na dose errada é desastre na certa… Ou não surte efeito ou, pior, vira DR. Elas bebem e a gente que fica de porre! Bacco, ajude-me!

Tá, mas não posso reclamar muito. O mundo é mais fácil para o homem. Mesmo quando a coisa esmorece sempre se pode contar com uma ajudinha extra. O azulzinho está aí para isso. As mulheres, ao que consta, precisam dos hormônios, mas não sem riscos para a saúde.

É, gosto de sexo. Mas amo minha mulher. Se para tê-la ao meu lado por mais tempo for preciso fazer algumas concessões à menô, que seja.

Vive la différence!!!
Marcos Bittencourt

Marido, pai, admirador de Dominique e, nas horas vagas, advogado.

1 Comentário

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Reencontrei o amor da minha vida num velório

Esta é minha história. E imagina só o inusitado.
Recebo o telefonema avisando que um querido amigo tinha falecido. Apesar de recém-operada da coluna, nada a fazer senão ir ao velório, né? Solidariedade é fundamental nestas horas. Mas inchada da cirurgia, com dores horrorosas, tudo o que eu queria era conforto. Como poderia saber que encontraria lá o homem que foi o grande amor da minha vida?
Pois é. E foi assim, inchada, com aquela roupa confortável, mas que engorda pra burro, aquele sapatinho de velha que o improvável aconteceu. Lá estava ele. Não é justo!!!

Quando o vi, ele já estava saindo, lindo e mais charmoso ainda com cabelos grisalhos. 40 anos depois, o tempo não passou para ele.

Daquele dia em diante, ele não me saiu do pensamento. Precisava revê-lo. De qualquer maneira. E isto aconteceria na missa de 7º dia! Batata!!

Fiz uma megaprodução e, para minha decepção, ele não foi.
Mas como não sou de desistir, inventei uma desculpa e liguei para a filha do falecido. Descobri coisas que talvez preferisse não saber. Ele é casado com uma empresária top,  o cara vive com a mulher-maravilha e, segundo a moça, absolutamente apaixonado por ela. Meu mundo caiu. Resolvi que o melhor a fazer era tentar esquecer essa história.

Bom… Como disse lá em cima, solidariedade nestes momentos é importante. Fui visitar a viúva uns dias depois,  mas o destino tramou a meu favor, desta vez, linda e cheia de confiança, graças a deus… Adivinha? Descendo do carro dou de cara com ele. Sabe-se lá o motivo, mas não nos falamos.

Fiquei completamente enlouquecida. Você pode imaginar. Consegui seu celular, nem conto como… Três dias depois, me enchi de coragem e liguei. Tremendo, disse:
– Aqui é a Julia. Te vi duas vezes e resolvi ligar para confirmar se era você mesmo.
Meio sem-graça ele fala:
– Como vai? Reconheci sua voz outro dia.
Completamente atônita completei com o absurdo:
– Então tá, é você mesmo, beijo.
Desliguei só o celular, porque continuei ligada nele 24 horas por dia.
Passados uns dias e imbuída de mais coragem ainda, mandei uma mensagem convidando-o para um café e levei um fora hollywoodiano.
– Melhor não Julia, já se passaram tantos anos, não gostaria de mexer nisso não.
Affffff.

Segue a vida.
Viajei para o Canadá para visitar minha filha e tentar, em vão, colocar a cabeça em ordem, estava em processo de separação. Por obra do destino, no meio de uma baita confusão no aeroporto que não vale a pena contar, mandei uma mensagem para minha agente de viagens e foi parar no celular dele. (?!?!)
João Alexandre não entendeu nada, mas muda de ideia:
– Bom, mas já que ligou, que tal aquele tomarmos aquele café?

Chegou pontualmente.
O que falar nessa hora? Tanta coisa para contar, um passado inteiro para ser remexido. Perguntei:
– Vamos para onde?
Sem pestanejar ele propõe:
– Para um motel. É o único lugar que ficaremos à vontade e sem correr risco de sermos vistos.

Por mais apaixonada e saudosa, fiquei desapontada. Logo de cara me leva para um motel, está pensando o que?
Falamos de filhos, casamento, disse que estava me separando. Ele falou que seu casamento era estável, nem bom, nem ruim, dentro dos conformes.

Abriu a carteira e para meu total espantou, tirou uma fotografia minha, com 15 anos. Segundo ele, nunca me esqueceu. Mostrei a foto que carrego no meu celular e ele começou a chorar. Choramos juntos. Como pode um amor tão bonito se perder assim na vida?

Passamos a se falar pelo Whatsapp todos os dias. Meu marido já havia saído de casa. Ele ficava sem graça de ter a mulher por perto.
Aos 53 anos, me sentia radiante ou, como ele falou, exuberante!

No segundo encontro, uma explosão de tesão acumulado, impossível descrever. O melhor sexo da minha vida!
Continuamos a nos encontrarmos, duas vezes por semana, às vezes, três.
Culpa, remorso, raiva, ciúme, tudo que um relacionamento a três pode causar, passamos em cinco meses.
Também vivi todo amor que é possível e impossível.

Tentamos nos afastar por algumas vezes sem sucesso, pois a paixão era enorme. Mas por outro lado, o sofrimento também. Então, num determinado ponto, não aguentei mais a situação. Escrevi a carta mais difícil da minha vida:

João Alexandre, meu amor,
talvez a gente se encontre novamente com o coração mais maduro e decidido, não era para ser agora.
Não me tenha mal. Tentei o mais que pude, não consegui.
Amo você demais para dividi-lo, isso tem me consumido tanto que não consigo disfarçar mais.
Sei que sou difícil, às vezes, chata, carente e até arrogante. Não me culpe, a vida me fez assim. Sempre na defensiva, com medo de perder, nem sabia o que, mas com muito medo. Sabia que tinha muito a perder, descobri que era o meu coração que já nem existia mais.
Te encontrar foi um bálsamo, uma miragem, um oásis no meio do deserto que eu habitava.
Como sonhei depois daquele encontro, me permiti, pela primeira vez, depois de tanto tempo, sonhar.
Fui em busca desse sonho, encontrei e hoje abro mão dele, não por birra, nem raiva ou qualquer tipo de sentimento pequeno que não seja esse amor enorme que não cabe no meu peito, que me tira o chão e o fôlego, que me despiu de corpo e alma como nos filmes de amor. Só esqueci que nos romances um dos dois sai dilacerado e sou eu quem está assim.
O amor só aumentou nesses cinco meses, não estou mais dando conta dele, está grande demais para ser vivido por mim sozinha.
Sozinha vivi a vida, sofri e me despi de ser eu mesma, hoje não consigo mais.
Oxalá não tivesse dignidade, nem amor próprio, tampouco me importasse com as outras pessoas envolvidas nesse laço que eu dei e só eu posso desatar.
Hoje ouvindo você falar com tanta ternura no celular com sua mulher, senti uma dor tão grande que não consigo mais parar de pensar no mal que estava fazendo a vocês dois.
Não tenho o que oferecer para você a não ser esse amor louco e sem medidas que não cabe na sua vida, não agora.
Talvez um dia a gente se encontre por aí, quem sabe em um velório ou numa festa, com os corações cicatrizados, feridas saradas e com maturidade para sentar e conversar ou até para dar um abraço gostoso sem medo e sem remorsos.
Não era para ser, se traz angústia não está certo, não culpo ninguém por isso, eu procurei essa história para minha vida e posso assegurar que foi a melhor coisa que eu fiz nesses longos 35 anos.
Amar você me fez forte, tomar decisões adormecidas, criei asas, voei nas suas asas e isso foi muito importante e muito bom, mas também muito sofrido. Sofrimento, meu caro, não quero mais para minha vida, já paguei minha cota.
Não me queira mal, o meu amor por você é real, puro e verdadeiro.
Já falei uma vez e vou lembrar que se um dia você estiver disponível, agora ou daqui a alguns anos podemos ter esse recomeço, sem medo e sem culpa.
Morar na casinha ou em qualquer lugar, não importa, o importante é estarmos juntos inteiros, sem horas marcadas, sem magoar ninguém e sem nos magoarmos.
Hoje apago você da minha vida, sigo com um vazio enorme e uma dor dilacerante no peito, me perdoe se o fiz sofrer, só queria fazê-lo feliz.
Vou sentir falta das nossas conversas, do nosso sexo e até das nossas brigas.
Até um dia.
Até talvez.
Até quem sabe?
Beijo
te amo.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

1 Comentário

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Dançar faz muito bem!

Dominique - Dançar faz bem

Por: Claudia Kalil

Eu sempre gostei de dançar.
Danço desde menina, no clube, na escola ou em aulas de jazz e de dança moderna.
Em casa eu não podia ver a televisão ligada.
Se passava o programa do Chacrinha, tava lá eu dançando.
É algo meu, que me realiza e me satisfaz.
Dançar me traz uma grande felicidade, uma grande alegria.

Depois de casada, eu larguei um pouco a dança.
Vieram os filhos, a casa e o trabalho.
Eu me envolvi muito com este cotidiano.
Só que chegou uma determinada altura da minha vida que eu estava:
Leva criança… traz criança.
Aula de canto, aula de natação, aula de inglês, escola, catecismo…
São 3 filhos!
Além disso, cozinha, faz compras, vai ao banco.
Naquela época, eu trabalhava fora e a noite.

Fui ficando muito cansada, estressada mesmo.
Até que um dia eu tive um apagão.
Eu cheguei numa situação em que não sabia onde estava e nem o que estava fazendo naquele local.
Estava em um banco, mas não sabia o que estava fazendo ali.
Daí procurei um médico.
Claro, ele falou pra diminuir o meu ritmo e procurar alguma atividade física para fazer.
Logo pensei em voltar a dançar. Achei que me ajudaria.

Voltei para a academia e há 22 anos faço aulas de dança, como de salão e ritmos.
É uma delícia, nunca mais parei!
A dança é libertadora!
Libera nossos movimentos, desinibe e me ajuda a expressar sentimentos.
Pra mim é a cura da alma.
Foi e é um santo remédio para mim. Até hoje, aos 57 anos, eu danço semanalmente.

No último ano a dança me trouxe uma outra surpresa.
Uma pessoa que conheço há anos resolveu colocar em prática o seu projeto de vida: aprender a dançar.
Ela tem um espaço ótimo e me convidou para dar aula pra ela e um grupo de amigas.
Eu fiquei preocupada porque não tenho formação de professora de dança.
Bom… mas danço há 22 anos.
Então disse a elas que, se quisessem me acompanhar, a gente poderia botar pra quebrar. E foi o que aconteceu.

No último ano, comecei a dar aulas para um grupo de senhoras da minha cidade. A maioria delas com mais de 70 anos pra cima.
Agora eu consigo ver com nitidez o desenvolvimento e a alegria que a dança nos proporciona.
Nós nos reunimos duas vezes por semana para dançar.
E nos divertimos muito!
Além de trabalhar o corpo, queimando calorias e fortalecendo os músculos, a dança alonga e alivia o estresse.
Também trabalha ritmo, memória, porque temos de acompanhar as coreografias.
É fantástico.

Elas cantam… tentam lembrar como dançavam na época de juventude. É um resgate.
É muito interessante.
Isso traz uma realização grande, uma felicidade.
Algumas delas passaram momentos difíceis, de perdas, problemas de saúde, depressão.

É impressionante como elas estão hoje.
E isto só melhora e se fortalece cada dia mais com a amizade.
Nós também fazemos algumas ações beneficentes, como visita a asilos.
Toda esta união nasceu com o objetivo de aprender a dançar.
É assim é até hoje e espero que isto se prolongue por muitos mais anos.
E vamos dançando. A dança é maravilhosa.

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

18 Comentários
  1. Tbm prático Dança Circular a sete anos, e hoje chegando os sesenta anos em dezembro, como Dominique diz, a dança só melhora e fortalece a cada dia! Amo dançar, será sempre um amor e minha terapia, nessa vida tão corrida!

  2. Lindas palavras amiga Cláudia, tirando o apagão e colocando travada na coluna….kkkk,nossa história é a mesma e devo minha disposição a dança tb é maravilhoso é o exercício mais completo.

  3. Parabéns pelo artigo Claudinha, muito verdadeiro, sou testemunha ocular dessa sua paixão pela dança, me orgulho muito de vc, e parabens pelo trabalho que realiza junto as Serelepes. Bjs.

  4. Putz,Claudinha.
    Eu sei exatamente como é seu amor pela Dança.
    Minha história, se encaixa um pouco com a sua.
    Vc tá de Parabéns.
    Está feliz e faz muitas outras pessoas felizes também.
    Que Deus, te dê muita saúde pra continuar nesta magia, que é a Dança.
    Um beijo.

  5. Sou uma apaixonada.
    Sempre procuro coreografias legais de músicas também bacanas.
    Jazz dança de salão são show.
    Me faz feliz me leva para uma balada com músicas anos 70 80 e um espumante cara viro uma pomba gira,sério e depois qdo vou dormir parece que estou flutuando.Detalhe chego em casa já deixo a roupa na máquina de lavar.
    E vamos dançar…….bjs

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Mudar o rumo da própria história

Eu sempre quis mudar o rumo da minha história, mesmo sem ao menos saber o que era ser Dominique.
Tentei essa mudança várias vezes, mas sem sucesso.
Até que, aos 31 anos de idade, resolvi voltar a estudar.
Tinha deixado os estudos 12 anos antes.
Mas estava sempre atenta ao que se passava ao meu redor…

Quando falei sobre essa ideia, a resistência apareceu, por parte do marido, que foi logo dizendo:
– Você tem os filhos para criar, casa para cuidar!
– Ah, “papagaio velho” não aprende a falar…
E com o meu jeitinho de quem não quer, mas querendo, fui dobrando essa resistência.

Entre criar os meus filhos e cuidar da casa, eu me desdobrei ao máximo que pude para realizar meu sonho engavetado: ser professora!
Minhas irmãs Gisélia e Gizelma ficavam a noite com os meus filhos para que eu pudesse fazer ir às aulas.
Foram três anos de luta e perseverança, mas recheados também de alegria e otimismo pela vitória que estava prestes a ser conquistada.

E não é que no último ano do curso era o marido quem fazia questão de ficar com os filhos?
Era sim! Kkkkkkkkkkkkk!!!!
Pois é, dei conta de tudo direitinho, inclusive do “papagaio velho” que não aprendia a falar e que aprendeu muito bem, modéstia a parte (sou eu)!

Tanto que agora, mesmo aposentada, ainda dou aulas particulares, “ensinando” muitos “papagaios” a “falar” para que possam também, num futuro próximo, mudar o rumo de suas histórias de vida!

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Funk: um grande up na relação

História enviada por Cecília Michelin

Moro em um bairro residencial há 20 anos. No começo, era uma paz tibetana, som de pássaros, folhas ao vento e um ou outro carro passando. Nem o cara da pamonha de Piracicaba, nem da Cândida tinham descoberto o paraíso. De alguns anos para cá, o silêncio ensurdecedor deu lugar a músicas, se é que posso considerar aquilo uma melodia, com o ritmo de bate estaca, urros e palavras que eu não sabia o significado. A vizinhança vem reclamando. O povo liga para o Psiu, Polícia, Anvisa (quem sabe o bar seja fechado por falta de higiene e para a música), até o Papa Francisco já foi acionado.

Descobrimos que é um elemento que tem uma mesa de som com alto-falantes gigantescos dentro do carro. Ele não tem um carro com som. O som dele é que tem um carro. Estaciona a viatura na frente de um bar e liga o inferno. E, todos, perto e longe, são obrigados a compartilhar do pagamento de promessa. Não preciso nem explicar que as canções não são exatamente letras de Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Marisa Monte, Nando Reis ou Adriana Calcanhoto. Como o ditado “dance conforme a música” tem todo o sentido, às vezes, a solução é aceitar que dói menos.

Lânguida, deitada no sofá da sala, acompanhada por meu marido (agora ex) e meu sogro, tento heroicamente assistir um filme. Em vão! Mesmo com legenda é impossível prestar atenção. Resolvi dar uma trégua e prestar atenção na letra da obra-prima. Jesus do céu quase corri três dias sem olhar para trás. Nem vem ao caso o tamanho da baixaria, mas a maioria das coisas que o ser cantava, homenageando sua experiência sexual com a parceira popozuda (ele fez questão de bradar isso a cada refrão), eu nem sequer tinha ouvido falar.

Ora essa! Casada há 15 anos e tem coisa que ainda não sei neste seara?
Ah, me indignei e falei:
– Marcelo, tem posição que este cara está cantando que você nunca fez comigo. Como pode?
Um raio caiu na minha cabeça. Ele me fulminou e só não me jogou da janela, porque tem tela e está pela hora da morte trocar o material. Meu sogro, com cara de uva passa, sai assim meio de lado como um egípcio, fantasiado de árvore, para ninguém perceber. Era um cara muito engraçado, bem-humorado e teria entrado na brincadeira se não fosse a cara amarrado do maridão.

De vez em quando, o cidadão inescrupuloso volta com seu carro a atormentar metade da torcida do São Paulo, Corinthians, Palmeiras e, confesso, que às vezes tento prestar atenção na letra para ver se faço um up grade nas fantasias eróticas!

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>