Família

5 ideias para (se) divertir as crianças da casa no Carnaval

A brincadeira ao som das marchinhas de Carnaval das matinês é diversão garantida para quem tem criança na família. E a festa pode começar em casa, na escolha e até na confecção da própria da fantasia. Tudo vai depender da habilidade. Melhor, da criatividade!

Mas o importante mesmo é curtir esse momento gostoso de levar o filho ou o neto para curtir a folia. Afinal, eles crescem tão rápido, que logo logo vão querer sair sem a gente. Bem sei!

Gente, tem cada coisa fofa! Eu separei as minhas queridinhas, claro…

Bonequinha de luxo

Puro glamour essa “divinha” do cinema.  Praticamente uma mini Audrey Hepburn. Acho que o cinema é sempre uma inspiração pra gente buscar ideias. E dá pra improvisar em casa com uma saia de tule. Só não pode ter dó de emprestar seus acessórios pra criança, certo?!

Tal mãe, tal filha

A tendência “Tal mãe, tal filha” ficou conhecida há alguns anos depois de várias celebridades americanas e brasileiras adotarem a moda de se vestir com as mesmas cores, estampas ou modelagens que vestiam suas filhas.

E porque não adotá-la também no Carnaval? Olha essa fantasia de mexicana? Eu amei!

Dá pra gente fazer junto com a criança as tiaras com flores de plástico a la Frida Kahlo e improvisar com roupas do armário. Eu falei sobre arranjos de cabelo no Vou cair de cabeça no Carnaval.

Super poderes para todos

Talvez seja a preferida da criançada e está sempre presente nas brincadeiras, né? O que seria da nossa infância sem os poderes desses super-heróis. As capas são as opções mais fáceis e servem para meninos e meninas. Mas se quiser ousar, olha essa versão feminina de Batman e Robin!

Não há limite para a imaginação

Quase toda menina faz ou fez balé e tem aquela roupinha no armário que dá para adaptar e transformar numa linda fada. As asas podem ser feitas com diversos materiais, inclusive, reciclado.

Aí a gente aproveita a experiência para unir o útil ao agradável e dar uma boa aula de educação ambiental. Essa aqui é de sobra de tecido.


Com seu melhor amigo

Aqui até o pet entra na farra! Não ficou uma graça? Que tal pensar numa composição em que a família toda, inclusive o animal de estimação faça parte? Não é bacana?

E quem sabe não pinta um concurso de fantasia pra participar na matinê? Já pensou? Quem aí se anima!

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Estou me tornando a minha mãe. E tenho orgulho disso!

Eu não sei ao certo quando isso aconteceu. O momento em que me tornei a minha mãe. É claro que não foi uma transformação completa, mas quando me olho no espelho vejo muito dela. Não estou falando de aparência não, embora tenha herdado muitos traços também. Falo de atitude, comportamento mesmo. E sabe que não me importo mais.

Sabe por quê? Pensando bem, se ela não fosse como é eu não seria quem eu sou.

Ficou mais fácil perceber isso hoje com meus filhos. Um deles, por exemplo, chegou em casa outro dia com uma tatuagem. Coisa que eu abomino. Não é que me peguei pensando em mil estratégias de retaliação?

– Ahhh, mas ele precisa aprender!

Olha eu aí sendo igualzinha a minha mãe. Seria exatamente o que ela faria comigo. Só que as coisas mudam. Os tempos são outros e hoje talvez ela até tivesse uma atitude diferente. Então resolvi pegar leve com meu filho.

Mas tem coisas que não mudam mesmo. De jeito nenhum.  Nunquinha. Claro que pego um pouco mais leve, dou uma risadinha e pronto.

Esses dias me peguei pensando em quais atitudes eu me pareço mais com a minha mãe. Não achei uma só não, mas uma lista de comportamentos que provam que estou igualzinha a ela. Quer ver?

# A louca da localização

Peço pros amigos mandarem mensagem quando chegam em casa. E pros filhos também! Bendito Whatsapp, né gente? Imagina ter de ficar ligando pra todo mundo pra ter algum sinal de vida? Porque era assim na época da mamãe…

# Vai sempre fazer frio

Digo pra todo mundo levar uma blusa pra sair. Todo mundo mesmo! Virou meio mania, sabe? Outro dia o filho de uma amiga ia pra balada e me peguei recomendando ao garoto levar um casaco… Oh my God!

# Ai minhas manias…

Tenho hábitos estranhos como separar duas buchas para lavar louças: uma delas só para os copos. E deixo isso anotado para quem quiser ver. Não ouse misturar as duas. Tenho a impressão de que o copo não ficará bem limpo. TOC? Que seja!

# Gentileza gera gentileza

Não me conformo com falta de gentileza.Taí uma coisa que não faço questão de mudar. Tem de ser gentil sim! Seja homem ou mulher. Minha mãe sempre prezou pelas pequenas gentilezas como abrir a porta do carro pra ela. E eu também.

# Mas quem é mesmo?

Troco nomes. Eu sei que isso é imperdoável, mas não é por mal. E os nomes nem costumam ser parecidos. Chamo Marta de Solange e assim por diante. Não sei de onde tiro isso. Cismo que a pessoa tem cara de Marta mesmo chamando Solange e aí lascou-se.

# Sem memória

Repito a mesma história um monte de vezes. Repito e repito e repito. Sempre como se fosse a primeira vez. E fico surpresa quando o ouvinte não faz cara de surpresa. Por que será, né?

# Pra sempre bebês

Faço a receita de bolo preferida dos meus filhos (e muitas outras coisas para agradá-los), mas não quero que sejam mimados. Tento ser dura, mas muitas vezes eu não me aguento. Será que sou eu que estrago os meninos? 🙂

# É filho de quem?

Pergunto o sobrenome. Se eu conheço alguém, logo quero saber o nome completo e a cidade onde nasceu. Se somos da mesma cidade, já tento logo descobrir se temos alguém conhecido em comum. Com os amigos dos meus filhos é a mesma coisa.

E vocês? Já pararam pra pensar quais são suas semelhanças com as mães de vocês? Conta aqui pra mim.

Leia mais sobre mães em De mãe para filha: viver e ser feliz.

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  1. Palavras da minha mãe e agora minha:

    VAI PRA UM HAPPY HOUR de novo? Em plena quarta feira??????
    Amanhã eh dia de branco!!!! Rsrsrsr
    #saudadrsMartha Stussi

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O que fazer e o que nunca fazer nos preparativos de casamento dos filhos

Esse será o grande ano, com o casamento da sua filha ou filho? Aproveita, colega. Mas vamos combinar que esse aproveitar aí tem um limite, hein. Claro que a participação dos pais nos preparativos do casório é sempre bem-vinda.

Alguns filhos cultivam uma grande consideração por esse rito de passagem. Querem a participação da família em todas as etapas. Em outros casos, é a família que gosta da solenidade do casamento, sendo em uma grande festa ou em uma celebração mais simples.

Não importa o tamanho da festa, Dominiques. Antes de arregaçar as mangas para trabalhar, é bom pensar como deverá ser a sua participação durante todas as etapas. Pra ajudar, fiz a minha lista do que fazer (e o que nunquinha fazer) nos preparativos. Vamos lá:

Planejamento

Você pode participar, sim. Mas escute o que os noivos esperam tanto da cerimônia, quanto da festa. Vai ser diferente do que você fez para você ou até imaginou para a festa dos filhos. Pode ter certeza! Mas você pode contribuir, sim. Se tiver alguma ideia mais barata, dica de fornecedor bacana ou se vir que alguma coisa pode sair errado. Esteja sempre por perto.

Lista de convidados

Os noivos determinam a quantidade de convites por família e quem será convidado. Não tente se justificar pra tentar incluir mais uma pessoa na festa. Principalmente se for uma pessoa que o casal não vê há anos! Essa regra também vale se os pais estiverem pagando. A festa dos noivos e eles vão incluir as pessoas mais importantes para eles e para a família.

Roupas

Não use – nunca, em hipótese nenhuma – roupa clara. Branco é só pra filha ou nora, lembre-se. Pergunte qual é o tom ou as cores que a noiva gostaria de ver no altar. Tá na moda o estilo americano de ter madrinhas usando o vestido na mesma cor e até no mesmo tecido. Tente se encaixar aí pra deixar o seu visual harmonioso. Ah, e se a noiva convidar para a prova do vestido, vá! Mas cuidado com as críticas e seja delicada.

Caras e bocas

Nada de cara feia ou comentários indelicados. É comum “passar a história da sua vida” pela sua cabeça, relembrando da infância do seu filho ou filha. Mas ele está formando uma nova família. Se você não aprova, também não faça cara de velório. Respeito pela escolha e compartilhe o momento importante. Também não fique totalmente de fora. Estar por perto é importante para os filhos.

Fotos

A festa é dos noivos. Nada de querer aparecer em todas as fotos ou ficar direcionando os fotógrafos para registrar apenas os momentos com a sua família.

Lua de mel

Aqui não precisa falar que não apenas a escolha do lugar, como a viagem, é exclusiva dos noivos, né. Uma prima distante encontrou as cunhadas passeando no mesmo destino de lua de mel. Mas isso é história para outro post.

E você? Tem dicas para compartilhar com outras Dominiques?

Outras histórias sobre casamento:

Convidada de casamento.

Casei com o homem da minha vida. Daquela vida.

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Marron-Glacê – A Receita da minha avó

Tenho pensado muito na vovó. Lembrado de nossas histórias. Outro dia estava escrevendo sobre a lenda de São Martinho e sua relação com castanhas portuguesas, e adivinha? Lembrei de quando minha avó fazia em casa Marron-glacê para o ano todo na época de natal.

Marron-Glace
Receita de Marron-Glacê de minha avó. Escrita por ela em seu sagrado e organizado caderninho.

Minhas amigas Dominiques gostaram do texto e das receitas. Mas algumas, para minha surpresa, pediram a receita da vovó.

Fui procurar e achei. Com a letrinha dela, com as observações, e até o desenho de como amarrar as castanhas na gaze. 

Colega, essa época já é punk. Imagina esse reencontro com o caderno da vovó? Nossa, como me lembro dele. Na verdade deles. Ficavam todos em uma gaveta, embaixo da bancada de trabalho na cozinha. Os de capa azul eram os para receitas salgadas. Os verdes para doces. Ou vice-versa. 

Acho que já contei que quando era pequena, dormia todos ou quase todos os finais de semana com ela. E domingo de manhã, preparávamos o almoço da família. Quer dizer, eu com 4,5,6,7,8 anos era sua “auxiliar”. Tinha um banquinho de madeira em que subia para alcançar a bancada. E lá, do alto do meu banquinho, recebia minhas tarefas. E a primeira delas sempre era pegar o caderno.  

  • Ayouni, pega o caderno azul.  Hoje vamos fazer Salpicão que seu tio adora.    E lá ia a vovó fazer a maionese em casa!!! Sério!! 
Que delícia está sendo lembrar desses momentos. Mas bem, vamos ao Marrom Glacé.

Menina.. Jura que você quer fazer em casa??? Você tem ideia do trabalho? Quando achei a receita, comecei a ler. Reli porque achei que não tinha entendido. Mas não. É isso mesmo. São diaaaaaassssss….

Há 50 anos até entendo ela fazer. Hoje só pode ser em amor a castanha ou ao fogão né?

Mas você pediu e aqui está. 

Receita de Marron-Glacê da vovó Helena

Ingredientes:

  • 6 Kg de castanhas (yesssss…ela fazia para dar de presente e para ter de estoque em casa durante o ano)
  • 6 kg de açúcar (quem disse que era light?)
  • Lascas de erva doce
  • 2 Limões cortados em 4 – um para cada caldeirão – (isso, você leu certo. caldeirão)
  • Duas favas de baunilha
  • Rolos de gaze e barbante

Modo de fazer:

Descascam-se as castanhas que devem ser grandes e frescas.

Num caldeirão colocar água para ferver com um pedaço de limão. Mergulhar as castanhas na agua fervente de 6 em 6 para não deixar a agua esfriar e conseguir controlar esse rápido cozimento. (é minha linda, O trabalho só começou. De 6 em seis!!!!

Em seguida, ainda quentes, tirar com delicadeza a pele das castanhas.

Depois de todas já sem pele, embrulhamos em gaze duas a duas. 

Colocar os pacotinhos nos caldeirões e cobrir com água já fervendo. Deixar cozinhando no fogo baixo por 2 horas. 

  • Dia 1. Assim que completar o tempo indicado acrescentar o açúcar, e cozinhar por mais 90 minutos. Nos primeiros 20 minutos  fogo forte e depois fogo baixo. Sempre fervendo. Neste momento juntar as favas e lascas de baunilha que também deverão estar num saquinho de gaze. Completados os 90 minutos desligar o fogo, tampar a panela e deixar descansar por 12 horas.
  • Dia 2. Após 12 horas de descanso, cozinhar por mais 90 minutos. No começo fogo alto e depois baixo, mas sempre fervendo. Completados os 90 minutos desligar o fogo, tampar a panela e deixar descansar por 12 horas.
  • Dia 3. Gataaaaa….Vai repetir o procedimento de novo. Sério. Após 12 horas de descanso, cozinhar por mais 90 minutos. No começo fogo alto e depois baixo, mas sempre fervendo. Completados os 90 minutos desligar o fogo. 
Deixe esfriar. Tire a gaze com muiiiito cuidado para não quebrar as castanhas. Essa é uma operação realmente delicada.

Aí é só colocar em potes esterilizados. Você sabe esterilizar potes? Ahhhha vovó sabia. Tá na receita. 

Mas sabe o que eu acho? Você não precisa fazer 6 kgs . Faz um kg só. E come no dia, ou no dia seguinte. E depois se der certo, faz mais um kg. Porque fazer o próprio Marron-glacê é mesmo um luxo!!

Eu infelizmente, não tenho a habilidade necessária. E apesar de ter sido “assistente”da vovó fui uma péssima aluna. Se por acaso você experimentar a receita, me conta como ficou? Vai me fazer tão feliz….


Você conhece a história do Marron-glacê? Veja aqui

Dica da Dominique:  se você ama Marron-Glacê e não está afim de ter essa  trabalheira, a Dora, minha amiga faz o melhor Marron (para os íntimos) que já comi. Vou pedir para ela deixar o e-mail dela nos comentários. 

Marron-Glacê
Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

5 Comentários
  1. Tem que dar trabalho mesmo pra fazer, pq um marrom glacé é uma iguaria ímpar, um carinho na alma!!! Parabéns a quem se propõe a ele!!

  2. Minha tia também fazia o marrom glacê a receita dela veio da Itália,ela passou pra mim a nossa é quase igual só que leva cinco dias para ficar pronta minha tia morreu com noventa e três anos e ainda fazia é muito gostoso.

  3. Yaouni Eliane , essa é mesma receita que fazemos a 40 anos !! Sempre com a supervisão de minha mâe, que aprendeu com minha avó que era muito amiga da sua avó D Helena
    D Helena sempre me foi muito especial, mulher de fibra e de um capricho ímpar
    Deixo aqui meu contato para as Dominique’s 99185 2144 ❤️❤️❤️❤️

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Uma mudança de vida e, por fim, de carreira

Eu me lembro exatamente o momento em que tudo começou.  Já aconteceu de você olhar distraidamente para um espelho e não se reconhecer nele?

Um dia a empresa resolveu me enviar para um congresso no exterior. O evento era dali a duas semanas e o meu passaporte estava vencido. Corri para renovar o passaporte.

Tirei uma foto em algum lugar qualquer (não era o sistema atual para fazer o passaporte) e aí veio o choque: quem é essa mulher na foto? Foi nisso que eu me transformei? Cabelo horrível, sem nenhuma maquiagem ou cuidado, exalando uma aura de “eu não sou nada”…

Era assim que as pessoas me viam? Comprei uma maquiagem básica, ajeitei como pude o cabelo e tirei uma nova foto. Ficou um pouquinho melhor.

O fato é que aquela foto serviu para me acordar, e como se eu não tivesse espelho em casa, fez com que eu me olhasse de frente. Não devia ser assim.  Em que ponto do caminho eu me deixei para trás, junto com minha alegria?

O passaporte ficou pronto, eu fui para o Congresso e foi assim que desembarquei para minha primeira visita a Londres. Eram dois dias de evento, mas eu precisava ficar no mínimo cinco dias para que a passagem tivesse uma tarifa decente.

Mesmo com pouco tempo, planejei bastante a viagem. Então a primeira coisa planejada não deu certo: meu celular não foi habilitado para ligações no exterior (bom, essa história tem quase 10 anos…). Gastei quase 50 libras para ligar do hotel para casa para avisar que havia chegado, que estava tudo bem e que eu não ia ligar mais porque era muito caro.

E foi aí que o milagre aconteceu. Fiquei sozinha. Por cinco dias. Cinco dias inteiros. Sem conexão com a família, sem conexão com o trabalho. Sozinha. Para levantar e dormir quando queria. Para ir aonde queria. Comer o que queria. Comprar o que queria. Sem dar nenhuma satisfação a ninguém. Sem ter que negociar nada com ninguém. Sem ter que ceder nada para ninguém. Egoísmo? Liberdade pura!

Você com você mesmo. Fui ao teatro, visitei museus, sites históricos, fui a Windsor… Londres é a melhor cidade do mundo. Esses cinco dias pareceram um mês inteiro de férias para mim. Consegui me desligar completamente das coisas.

O começo da metamorfose

Quando eu voltei, algo muito estranho começou a acontecer. Era como se, a exemplo do que aconteceu com Alice no País das Maravilhas, eu tivesse mudado de tamanho e o espaço que eu tinha disponível não era mais o suficiente para mim.  Eu precisava de mais espaço, o meu espaço. Viajar é mesmo uma das melhores coisas que existem. E eu precisei ir a Londres encontrar… eu mesma!

A primeira coisa que mudou de tamanho foi a família. Mas não foi um processo rápido. Demorou dois anos para eu entender que o tipo de relacionamento que eu tinha significava para minha vida, e mais dois anos para preparar uma boa separação, em que todos fossem preservados e pudessem seguir em frente construindo suas vidas.

Depois reduzi ainda mais. De quatro pessoas, uma empregada e três cachorros grandes, passaram a ser de três pessoas, uma empregada e um cachorrinho. Uma dura realidade que eu tive que enfrentar ao entender que naquele meu novo mundo não era possível carregar mais do que devia sob pena de não sobrar de novo mais nada de mim.

A segunda coisa que mudou de tamanho foi a residência. Nós havíamos construído uma boa casa na Serra da Cantareira, com um grande jardim, onde moramos durante 9 anos. Apesar de ser uma casa deliciosa, o acesso era muito difícil e tudo tinha que ser resolvido de carro, o que causava uma grande restrição. No processo de separação eu decidi sair da casa e vir para São Paulo. Escolhi um apartamento perto da nova escola das crianças para que eles tivessem independência para ir e vir

Um detalhe importante sobre o apartamento: comprei mobiliado, muito bem mobiliado, o que me proporcionou uma mudança quase minimalista. Muita coisa foi doada, vendida, descartada (de forma sustentável) e só veio para a casa nova aquilo que era essencial.

É importante destacar que essas reduções de tamanho nem de longe significaram uma redução de mim mesma. Pelo contrário, a cada tamanho físico que eu ia reduzindo, o meu espaço pessoal e de realização ia crescendo, pelo fato de não ter que arcar com compromissos que pesavam e não contribuiam com meus anseios.

Uma nova graduação a essa altura da vida!

A terceira coisa a mudar de tamanho foi o meu currículo. Com mais tempo e mais dinheiro disponíveis (as coisas ficaram melhor divididas na separação), voltei para o banco da escola para realizar um antigo sonho: estudar Direito. Uma graduação a essa altura da vida!

Eu pensava que essa seria a minha carreira na aposentadoria, que estava se aproximando. Talvez um concurso público. Eu nem sequer imaginava o que a vida ainda reservava para mim. 

Alguns amigos se foram, outros apareceram, construí e retomei amizades realmente significativas. Ampliei minhas atividades culturais e sociais. Tive vários encontros e desencontros, cada vez mais com a certeza de preservar o meu espaço e a minha identidade.

Mas as coisas não pararam de mudar de tamanho não. Vivendo todas essas transformações, inevitavelmente o processo iria acabar chegando ao trabalho. E chegou o dia, depois de trabalhar 20 anos na mesma empresa, a qual sou extremamente grata por ter me permitido construir tudo o que fiz na vida, que não foi mais possível ter uma relação produtiva para os dois lados, e eu fui “saída”.

Confesso que quando vi o envelope com a minha carta de demissão (era preciso coragem para demitir uma profissional com tanto tempo de casa, resultados e salário alto) tive a mesma sensação de quando peguei a sentença do juiz sobre o divórcio: liberdade, enfim! E claro, desafio! E eu lá tenho medo de desafio?

Como já sabia que meu tempo de empresa não duraria muito, já havia iniciado, antes mesmo de sair, um plano de investimento em imóveis, que me traria uma renda importante para o dia-a-dia. Era claro para mim que quando saísse da empresa seria muito difícil uma recolocação no patamar que eu estava, tanto pela idade quanto pelo salário.

E eu nem queria mais trabalhar no mundo corporativo daquela forma, pois 25 anos já bastavam. Foram muitos bons anos, alguns não tão bons assim, mas a minha mudança de tamanho requeria liberdade e autonomia, criação e inovação, e aquele espaço não me permitia isso.

Meu currículo não parou de crescer: em paralelo ao meu curso de Direito, dediquei-me à formação em Coaching e em poucos meses já estava atendendo de forma remunerada. Como eu era uma profissional experiente, administradora de formação com uma longa carreira corporativa, rapidamente consegui estabelecer uma boa posição com um plano agressivo.

E claro, essa decisão também resultou em outra redução de tamanho: por mais bem-sucedida que seja essa iniciativa, ela não vai alcançar o patamar de ganhos que eu tinha na carreira corporativa, principalmente em função de todos os benefícios. O orçamento doméstico teve que ser adequado à nova realidade.

Sem problema algum. As adequações foram feitas aos poucos. Durante dois anos ainda mantive a empregada mensalista, que só depois se tornou nossa faxineira, com os filhos já crescidos e com um bom grau de autonomia, inclusive ajudando nos cuidados da casa.

Tenho um carro de luxo, remanescente dessa época em que o seu poder na corporação também é medido pelo carro que você exibe na garagem. Ele fica a maior parte do tempo na garagem. Fiz uma opção pelo transporte público e só utilizo o carro quando o deslocamento é muito complicado pela rede pública ou quando tenho que transportar coisas e pessoas.

Um dos meus cachorros grandes, uma labradora, a última que restou da casa da Serra, veio morar conosco no apartamento. E a vida me deu uma nova chance de cuidar dela e ter seu amor incondicional.

E o melhor de tudo: encontrei na profissão que escolhi para essa nova fase o verdadeiro sentido para o trabalho que é ajudar as pessoas a se realizarem, a ter uma vida melhor. A esta altura já são centenas de pessoas com quem pude contribuir. Tenho uma grande quantidade de projetos em andamento, liberdade e autonomia para criar e inovar.

Pode ser que algumas pessoas que me conheceram alta executiva me encontrem andando de ônibus, jeans e tênis, e pensem “coitada, quem te viu e quem te vê”. Elas não sabem que por trás daquela simplicidade está uma alma repleta de felicidade e realização, que encontrou seu propósito no mundo.

Como disse o poeta, Fernando Pessoa,  “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Patricia Martins de Andrade é Master Coach, Administradora e Bacharel em Direito, MBA em Gestão da Segurança Empresarial. 25 anos de carreira corporativa, investidora do mercado imobiliário e owner da ybr coaching desde 2013, onde já conduziu mais de uma centena de programas individuais e treinamentos em grupo com centenas de pessoas. Mãe da Helena, do Matheus, da Flora, a labradora, e do Kako, o ShihTzu.

 

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