Vexame 1 – A Saga – A culpa é sempre do creme de leite

Dominique - Vexame
Vexame, situação embaraçosa, B.O. Famoso Boletim de Ocorrência. Gíria para dizer que pisamos na bola. Que deu ruim. Bafão.

Quem nunca? Que jogue a primeira pedra aquela mulher que nunca rodou a baiana num momento de pura ira e percebeu depois que não tinha a menor razão.
Quem nunca subiu na mesa fazendo a dancinha da garrafa (na frente da futura sogra).
Quem nunca teve um ataque de ciúmes de rasgar a camisa do namorado e saber depois que a mulher que viu com ele, de longe na banca de revista, era a Tia Amélia.

Como já somos amigas de infância, vou contar aqui alguns de meus B.O.’s.
Claro que não os piores.
Só os mais divertidos.
Porque vamos combinar que têm uns que JAMAIS contaremos e jamais esqueceremos.
Nem os outros. Affff!

Um belo dia, já casada com meus dois filhos nascidos, tive um desentendimento qualquer com meu irmão mais velho e resolvemos jantar para, civilizadamente, resolver nossa querela.
Bacana, né?
Marcamos num restaurante pertinho de onde trabalho. Fui a pé.
Claro que eu estava um tantinho tensa.
Algumas conversas nunca são fáceis, ainda mais com pessoas tão queridas.
Ele também não estava com cara de muitos amigos. Pedimos um vinho.
Pedi uma massa. Ele um peixe, o que já me deixou com uma baita dor na consciência!

PQP.

Conversa dura na primeira taça de vinho.
Lavação de roupa suja na segunda.
Entendimento na terceira.
E felizes planos para o futuro na quarta.
Nenhum dos dois estava bêbado. Mas o sentimento era de alívio.
Jantamos. Tomamos café (eu ainda dormia nessa época).

Ele me ofereceu uma carona até meu escritório para que eu não andasse sozinha à noite.
Assim que entrei no carro, meu mundo deixou de ser meu.
Ele girava à revelia de minha vontade.
Ele falava alguma coisa, mas eu não escutava mais do que um deformado e distante Uoumm Uoumm Uoumm Uoumm…
Embicou o carro na garagem do prédio e sei lá como consegui falar:
– Não entra não. Me deixa aqui, porque eu vou subir para pegar minhas coisas.
– Tem certeza?
– Claro…Beijo e super tks.

Burrrrraaaaaaa. Porque não falei que estava passando mal?
Porque não falei que não ia conseguir dirigir?
Porque não falei nada?
Era meu irmão, cazzo!

Passava das 22h. Cumprimentei o porteiro/segurança da noite e passei a catraca rumo ao elevador.
– Oi Marcão! Acende a luz por favor. Está tão escuro aqui.
– Mas a luz está acesa D. Dominique.
– Como assim? Não estou nem enxergando o botão do elevad……

A outra coisa que me lembro é de estar no chão e o Marcão do meu lado.

– Dona Dominique acorda. Pelo amor de Deus, o que aconteceu? Acorda Dona Dominique. O que eu faço?

Abri os olhos..Entendi que tinha desmaiado.
Tadinho do Marcão. Um afrodescendente de grande porte. Um armário. Estava completamente apavorado! Lívido!

– Marcão, por favor, me ajude a chegar na minha sala. Só isso. Já vou melhorar. É só um mal estar.

Levantei-me e nesse momento percebi que estava sem meus sapatos que devem ter saído do meu pé a hora que desmaiei.
Aliás, sapatos liiindooos, saltos altíssimos, quase agulha que combinavam com minha saia lápis.
Yesssss, eu estava de saia para complicar toda a cena.
Amiga… Imagina isso…
Entramos no elevador. Eu amparada no meu enorme anjo da guarda.
Adivinha?
Pufffff. Apaguei de novo.
A outra coisa que me lembro é do coitado do MArcão quase chorando me carregando no colo na porta da minha sala.
Pedi que ele me ajudasse a chegar em minha poltrona.

Gente eu estava uma pasta.
Liguei para meu irmão que deveria estar há duas quadras de lá e pedi que voltasse.
Marcão desceu para seu posto rapidamente.
Alberto chegou, expliquei rapidamente o que estava acontecendo.
No meio da frase corri para o banheiro.
Passei muito, muito muito mal.
Tão mal que num determinado momento, vejo maninho ligando pra maridão.
– Meu, vem pra cá que sua mulher tá passando mal. Eu não vou dar conta sozinho.
Olhei pra ele com cara de madrasta, mas fraca demais para responder a essa covardia.
– Sinto muito Dominique. Muita bucha pra eu segurar sozinho.

Não deu 15 minutos e Guilherme entra na sala. Vai direto no pescoço de Alberto.
– O que você fez com sua irmã? Brigou com ela????
– Calma, Calma! Ela só bebeu demais.
– Não foi nada disso!
Aí eles lembraram de olhar para mim.

Sentada na minha tão querida poltrona, exaurida, cabelo grudado no rosto de tanto suar frio, branca como um papel. Olhar parado, só esperando a onda seguinte de enjoo para correr ao banheiro.
Não. Aquilo não pode ter sido um porre.
Aquilo foi uma intoxicação. Brabésima. Creme de leite estragado provavelmente.
Bom…Nada tão grave assim.

Agora, mais vale a versão do que fato, não é mesmo?
Lembra do Marcão?
No dia seguinte, o prédio inteiro estava sabendo que eu tinha chegado de porre à meia noite e que ele teve que me carregar no colo.
E que depois dois homens brigaram por minha causa.
E o que era aquilo em cima da recepção, perguntavam meus vizinhos curiosos?
– A prova do crime.
Meus sapatos eram exibidos como troféu no balcão da recepção.
Marcão, Marcão, que bela versão, hein?

Quem vexame hein Dominique? Derrubada pelo creme de leite…

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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