Carreira

Trabalhando com Millennials há 20 anos, eu, uma Dominique

Fui muito delicada no título desse texto chamando de Dominique uma “cinquentona” . Decerto na linguagem corrente o que diriam pelos cantos do co-work em que trabalho hoje é: uma tia que trabalha há 20 anos com moçadinha, com a galera ou com xóvens – claro que xóvens é o jeito que eu acho para descontar um pouco de meu fel.

Fel talvez não seja a palavra adequada nem tampouco amargura, até porque fui eu que decidi trabalhar com tecnologia no início desse século.

Agora me diz, o que uma mulher com seus 36 anos tinha que se meter com streaming no anos 2000? Um mercado em princípio masculino, senão exclusivamente e onde quem detinha o conhecimento eram os moleques. Vale dizer que o conhecimento também era novíssimo e qualquer um poderia falar o que quisesse, fato ou não, porque não haveria muito como checar.

Mas como não tenho noção do perigo nem senso do ridículo, nunca achei que essa não fosse uma área para mim, pois se eu tinha interesse e se me entusiasmava era só eu ir atrás.

Primeiro passo naquele distante ano de 2001, foi começar entender o vocabulário já que as palavras eram todas muito diferentes do meu economês: bits, Bytes, servidor, banda, conectividade, embedar, bitrate, ondemand, multirate, buffering, codecs.

Nunca tinha ouvido essas palavras na minha vida.

Agora, vamos combinar que a a ignorância por vezes é uma benção, mas reconhecer-se ignorante é libertador.

A primeira coisa que falava numa reunião era que não entendia nada de tecnologia. Que eles, os presentes, me desculpassem se falasse alguma bobagem. Os risinhos eram inevitáveis.

Contudo, essa minha declaração inicial fazia com que os caras se desarmassem e como bons samaritanos explicavam o assunto com a paciência de quem fala com uma criança de 5 anos. Respondiam às minhas perguntas que sinceramente nem sei se eram tão idiotas assim, uma vez que tudo era novo.

Desse jeitinho fui perguntando, perguntando, perguntando, até o dia que percebi saber tanto ou mais que eles, mesmo pedindo desculpas por alguma bobagem que eventualmente falasse.

Foi aí que fiz uma grande descoberta. Aquilo tudo era terra de ninguém. Claro que um ninguém no masculino. Mas de ninguém. Aqui um parênteses: além de ser velha para os padrões, tinha o agravante de ser mulher. Se você acha que as empresas e pessoas fazem pouco pela mulher, você não imagina como era no passado, apesar disso nunca ter me incomodado ou me impedido de nada.

Um dia chamei o pessoal da Telefonica para me explicar como bilhetar banda (não queira nem saber o que é isso, não precisa). Eles me explicaram.

Aí, no dia seguinte, chamei o povo da Dédalus (outra empresa). Os meninos me falaram uma outra coisa completamente diferente.

Tive a pachorra de chamar a Diveo (nem perca seu tempo) e pasme. Uma terceira maneira.

Pra resumir, ninguém sabia o que estava falando e ninguém tinha ferramentas adequadas para medir o consumo de banda naquela altura. Era tudo meio que chute.

Aí deitei e rolei. Sério!

Economista que sou, acostumada com planilhas e oriunda do mercado financeiro, aprendi a fazer as contas, aprendi como funcionava a brincadeira. Sempre na minha santa ignorância e pedindo desculpas por possíveis bobagens.

Num determinado momento, alguns anos depois, passei a ser respeitada por meu conhecimento no mercado de streaming, veja só que ironia.

E aí você me pergunta: – E os tais Millennials que escrito lá em cima?

– Ahhh – eu te respondo – eles sempre comigo. Quem você acha que trabalhava na CdClip? 15 (quinzeee) Millennials em começo de carreira. Trabalhando com 15 Millennials imberbes, a CdClip foi referência de mercado por mais de 10 anos na área de streaming.

No final das contas e dos anos, acabamos nos entendendo muito bem na maioria das vezes. Respeitamos nossos espaços e sabíamos exatamente porque estávamos ali: trocávamos dinheiro por trabalho. Sempre com muito amor, claro.

Alguns desses meninos viraram adultos. Outros não.

Posso dizer de boca cheia que ensinei muitos deles a trabalhar. Isso me dá um prazer maior que tudo. Ver que o R. abriu uma startup unicórnio vencedora, que o F. é um estilista famosíssimo dono de uma marca poderosa, que o E. abriu uma bem sucedida produtora que eventualmente até nos presta serviços e que a Y. é Head de Ux de uma empresa digital de enorme porte, me enche de genuína felicidade. Esses são alguns dos “pirralhos” brilhantes dentre muitos. Todos eles adultos hoje. (Desculpe se deixei de falar de você especialmente)

Daqueles que não cresceram, tive poucas notícias. Vai ver por isso mesmo.

Muita coisa aconteceu de 2000 para cá, muita coisa mudou mas parece que os Millennials a cada ano chegam ao mercado mais caricatamente Millennials.

Como sei? Continuo cercada por eles por todos os lados.

Estamos numa época em que Streaming não é mais mistério para ninguém. Isso já aprendemos.

Entretanto eu com minha vocação de tia metida, mais uma vez estou onde não deveria estar, ou pelo menos onde a molecada acha que eu não deveria estar.

Apenas lembrando que já não tenho mais 36, e sim 56. E eles, ai meus sais, eles continuam com 20 e pouquinhos.

O que acontece é que essa nova geração de Millenials se acha. Afffff.

Mais uma vez estou tendo que aprender um monte de palavras novas, e com elas suas aplicações.

Pre-seed, seed, seed-money, alpha, beta, pivotar, MPV, Bootstrapping, Pitch de elevador, Hackaton, SaaS, Cap Table e assim por diante.

Mais uma vez, reconheço minha ignorância e peço desculpas por não saber. Todavia por algum motivo, hoje a reação dessa moçada é diferente daqueles de 20 anos atrás. Eles não têm paciência para explicar, fazem cara de tédio, fazem questão de mostrar explicitamente o quão fora de contexto eu estou.

No co-work que estou instalada é ainda pior. Meus vizinhos irritam-se comigo pelo simples fato de eu estar onde eles estão. Uma tia, não pertence a esse ambiente inovador, moderno, envidraçado, caro e xóven que é o WeWork.

Ahhhh, eles podem saber coisas que eu não sei, mas não sabem um monte de coisas que eu sei.

Não sabem por exemplo, como nós Dominiques aprendemos rápido.

Quando eles menos perceberem, já estaremos com nossas startups virando empresas ou investindo (sim, já podemos ser investidoras também) em startups de outras Dominiques.

– Millennials, meus anjos, aqui vai um conselho e vai de graça :

Da próxima vez que passar por uma “tia”, perceba que ela existe, abra a porta para ela, deixe que ela passe primeiro e não deixe de perguntar qual foi o último gol que ela marcou. Você provavelmente ficará muito impressionado, e quem sabe ela passe a te olhar como possível candidato a vaga recém aberta na empresa dela.

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Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

6 Comentários
  1. Nossa como amei esse artigo! Retornando ao mercado de trabalho aos 44 do 2o tempo atuo na area de direito imobiliaria e fashion law direito da moda, Fui apresentada a startups e vi que nada mais eram que contratos com Clausulas especiais, bem específicas e diferenciadas. Estudei E aprendi jovem advogado…depois Fasjion Law..nova descoberta.e agora blockchain… Chegar aos 4.9 com todo entusiasmo e vontade de aprender é o diferencial da Dominique…nos reinventarmos, recriarmos, reaprendermos.
    Inspiração p todas nós…e os xóvens..Ah os xóvens!! Têm muito que aprender conosco.. e nós com eles!!! Aí está a beleza da vida !!

  2. Como sempre seus textos são brilhantes. Suas narrativas são reais e próprias. Nos meus 71 anos de hoje, não nos de 25 atrás, ainda quero aprender. Ainda passo pelo que vc passou: dialetos meio estranhos da nossa tecnologia sempre na língua pátria de seus criadores por assim manda a evolução americana. E nós seguimos com interesse pq somos Dominiques inteligentes plugadas no futuro. Obrigado por compartilhar com seus leitores suas vivências. Bjs

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Caminhos Cruzados – Calor Infernal. Seria o tal Fogacho?

Era o dia. Dia de apresentar o projeto para a última instância de aprovação: o presidente da empresa. Tinha muita confiança no trabalho. Era excelente. Matador.

Mas não custava um cuidado extra na hora de me arrumar. Já sabia há semanas o que vestiria. Aquela calça escura, muito bem cortada, nem justa nem larga. Escolhi uma blusa decotada de alças finiiiinhass, daquela seda que é quase um bijou de tão delicada, como diria minha avó. Branca. Branquíssima. Tinha que, de alguma maneira, valorizar aquele colo bronzeado e tão tratado.

Um cinto mais largo que o normal, com uma fivela bacanuda, era o toque de informalidade da roupa. Agora o blazer. Seriedade é fundamental. Não basta ser. É preciso parecer! Peguei meu melhor blazer, aquele que se compra uma vez na vida. Digamos que seja uma daquelas peças definitivas que você nunca mais comprará, sabe como é?

Um colar extravagante. Mas não muito. Afinal, sou uma profissional antenada e moderna. E, para arrematar o look, aquele sapato preto podre de chic e de salto altiiiiiisssiiimo. Uma escova lisa superbem feita que só a Neuzinha sabe fazer. Maquiagem leve, com uma pele sedosa contemplando e valorizando todas as marcas dos meus 50 anos. Uma última conferida geral e até o espelho, rotineiramente imparcial, aplaudiu o resultado!

Encontro as outras duas pessoas do escritório já no cliente. Sala de reunião pomposa. Devem ter trazido uma montanha inteira de Carrara para fazer aquela mesa. Cadeiras brancas de couro é coisa de gente que não tem medo de ser feliz, né? Bom…

Chega o presidente com sua entourage. Cumprimentos, cinco minutos de amenidades e começa o show. Estou confiante. O projeto é forte. Minha apresentação, apaixonada! Vejo o interesse na postura dos espectadores. Tenho controle total sobre a audiência.

Sei disso. Três décadas na profissão me deram esta sensibilidade.

Que delícia. Chego ao último slide e um enorme obrigada sorri na tela. As luzes se acendem. Começam as dúvidas. Não há pergunta que eu não tenha resposta.

Estou tão segura que reclamo jocosamente do ar condicionado. Que calor amigos. Será que não podemos aumentar um pouquinho este ar? Uma moça muito prestativa atende ao meu pedido. Mas se passam alguns minutos, e continuo sentindo um calor que na verdade só aumenta.

Começo a transpirar. Olho em volta, e vejo que todos estão à vontade em seus espaços. De repente, sinto algo inexplicável. É como se um vulcão dentro de mim entrasse em atividade. Uma explosão de calor dos pés à cabeça. Minha primeira reação automática é tirar o blazer.

Mas, péra.
Não posso tirar!!
A blusa é de alcinha!
Meus braços!!!!
Lembra que falei lá em cima que tenho 50 anos?
Nãooooo!
Mas não dá.

Está começando a aparecer no meu rosto esta revolução térmica. Vou tirar o casaco. Dane-se o braço! Mas aí noto que aquela minha blusinha branca de palha de seda, tão delicada, não só está molhada, mas encharcada de suor e pateticamente grudada ao corpo. Desespero!

Escuto ao longe meu nome. Quando dou por conta, todos estão olhando para mim, aguardando minha resposta. Mas qual foi a pergunta? Olho desesperada para meu colega. Ele assume e responde. Ufaaa…

O presidente interrompe e pergunta se eu estou bem. Constrangedoooorrrrrrr. Abro um largo sorriso e continuo o assunto de onde meu colega parou. Porém, continuo pingando. De vulcão passei a me sentir uma cachoeira.

Cataratas!

Meu Cabelo molhou!
Ai meu Deus…
Meu cabelo ‘nãoooooo’!
10,9,8,7,6,5,4… Pufffff!
O pixaim! O pixaim!
Começando pela nuca.
Sabe aquele cabelinho danado de ruim que a gente tem perto da nuca?
Pois é…
O meu é especial! Ele encrespa e arma com um gigantismo assustador.

Ainda falando e tentando ser natural, discretamente enfiei a mão na minha bolsa em busca de uma piranha, grampo, fivela, durex, clips, fita isolante, arame farpado, qualquer coisa para prender o que já se podia chamar de juba naquele momento.
Obviamente minha concentração e foco já tinham ido pro Iguaçu. Não sabia o que estava acontecendo.

Bem, na verdade sabia sim. Tive meu primeiro fogacho. É esse o nome? PQP!! As fichas começam a cair na velocidade que as gotas escorriam pela minha testa. Olho em volta, para ver se alguém estava reparando. E ora veja, sim… todos estão! Saco!

As mocinhas, novinhas, com um sorrisinho no canto da boca. Até imagino o que estão pensando. “Aí tia… ficou nervosa?? Tá que nem minha mãe. Velha suando é dose!” Os homens da mesa fingem que não estão notando. Mas não conseguem parar de olhar para meu cabelo pingando, e minha base matte da Mac derretendoooooo… Matte… tá bom..

E pensam que são discretos! Os colegas, ambos homens, boquiabertos ao perceberem que, pela primeira vez, me viam insegura e titubeante. A coisa só piorava. Quanto mais tentava disfarçar, mais suava. Viscoso, ciclo vicioso dos infernos. Interminável show de horror.

Mas, na ponta da mesa, vejo uma mulher que não tinha notado ainda. Também pudera… Como notá-la? Ela tinha quase 60 anos! Sim, sim, sim, sim… sou péssima!! Mas, ao cruzar com seu olhar, vi imediatamente um sorriso de acolhimento. Um sorriso de entendimento e compreensão.

Uma generosidade que naquele momento acho que nem Madre Tereza seria capaz.

Ela pediu a palavra. E começou a comentar o projeto. Tirou os olhares de cima de mim. Deixei de ser o foco. Juro, não lembro uma única palavra que ela disse. Consegui respirar, me acalmar e, lentamente, voltei ao normal. Normal é maneira de dizer, né? Meus cabelos… ai, ai, ai… Recomposta, olhei com cumplicidade para minha mais nova amiga de infância, retomei a palavra serenamente.

Finda a reunião, vieram as congratulações e as despedidas. Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse agradecer aquela santa. Mas não lembrava o nome dela.
Angela?
Não! Não, não era com A.
Mas era nome de música.
Gabriela?
Dindi??
Li-gi-aaaa…
Ufaaa…
Tom não me deixaria na mão!
– Lígia! Chamei com uma intimidade que só parceiras de infortúnio podem ter.

Ela olhou para mim, abriu um sorriso e veio em minha direção.
– Lígia – falei novamente com grande cumplicidade
– Antes de mais nada, obrigada! Não sei como retribuir sua gentileza durante a reunião!
– Ora, ora, não há de quê! Já estive em seu lugar.
– Mas, Lígia, ninguém me contou que seria assim.
– Não. Ninguém conta. E, pior, poucas de nós são solidárias. Nem nesta nossa fase da vida. Parece que não reparamos ou não queremos ver nas outras as mazelas que logo serão nossas.
– Lígia, querida, independente do projeto, vamos manter contato.
– Vamos sim. Será um prazer. Mas meu nome é Luiza!

E foi assim que senti meu primeiro fogacho.

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Vamos falar sobre reposição hormonal?

12 dicas para lidar com o calor da Maspassa

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

23 Comentários
  1. Your article helped me a lot, is there any more related content? Thanks! https://www.binance.info/en-ZA/register?ref=B4EPR6J0
  2. oi bom dia!passo por esta situação,percebi q era os sintomas da menopausa porquê,qualquer vento sentia frio,agora estou sempre suando, desanimada, não queria usar o chá da Folha de amora,porque emagrece mas vou tomar,se não der certo vou tentar a soja,q contém isoflavona estou sempre cansada,o pior pra mim é tomar alguma coisa q me faça perder peso,

  3. Sou uma felizarda.
    Ou uma exceção para confirmar a regra?
    Nunca senti nada no climatério.
    Nunca fiz reposição hormonal.
    Nem tive cólicas qdo menstruava.
    Estou agora com 86 anos.

  4. Minha menopausa foi antecipada, quimioterapia e radioterapia aos 34 anos e aos 40 iniciou tudo; calores, falta de libido, engordei pra caramba, mas até hoje estou dando a volta por cima e vivendo bem, graças a Deus.

  5. Minha menopausa foi fabricada, esterectomia,aos 41 anos, não passei por muitos sintomas, mas tive uma depressão horrível e tbm não tinha ninguém para me ajudar, foi barra mas superei. O que eu não entendo é porque o maior inimigo de uma mulher na maioria das vezes é outra mulher

  6. Baita texto! Amei, mas o que me assusta é a falta de cumplicidade entre as mulheres (mais jovens) e o que mais me surpreende é exatamente cumplicidade entre as Dominiques, Luisas, Ligias. Meninas, fiquem espertas, vcs chegarão lá e tomara que com nossa elegância e bom humor.

  7. Tenho 54 anos e no ano passado comecei a ter os temíveis calorões mais intensamente. Nao faco reposição hormonal e sempre achei que não ia passar por isso pois minha mãe me contava que não teve nenhum sintoma da menopausa. Durante o inverno é tranquilo mais já estou me preparando para o verão. Haja lenço e leque, não saio de casa sem…

  8. É a vida, a vida das mulheres! Mas, é bonita é bonita e é bonita! Vamos em frente, voltando a usar lenço (de algodão) leques, ar condicionado no mais gelado
    e vento muito vento.

  9. Adorei. Sei bem o que é isso. Falavam que era só no início e depois diminuiria mas que nada. E com esse verão de 40 graus do Rio eu derreto. Cabelo só curtinho. Dizem que a amora faz bem. Realmente diminui. Mas ser mulher é sofrer no paraiso. Então quanto mais relex menos suor e o calorão diminui. Qto a solidariedade só tive de quem passou por essa situação. É tentar brincar e ir levando.

  10. Tenho 59 anos e já passei por muitas situações desagradáveis, os fogachos aconteciam nos melhores momentos, nas reuniões com amigos, com a família na mesa, na faculdade da terceira idade, parece não ter fim. Faço reposição hormonal há 10 anos e só tenho trégua no inverno que diminuem um pouco mas no verão eu sofro. Não sei até quando vai durar e super entendo quem passa por isso. Força mulheres!

  11. Simplesmente verdade tudo o que foi exposto. Discordo apenas de que não fui informada sobre esse cemitério,ironizando o climaterio, rs. Minha falecida mãe sofreu muito,falava sempre sobre essa famigerada fase, mas eu, jovem, pensava que fosse um certo exagero.
    Mas não é não! Pior fase que estou vivendo é essa. Situações como a do texto são rotineiras no meu dia a dia. Maquiagem fica borrada, cabelo que é muito liso, fica oleoso com o suor. Não faço reposição hormonal. Optei por produtos naturais. Nada adiantou.
    O que fica, são as sensações de forte calor, depois frio. Uma tristeza sem fim. Vontade de largar tudo e sumir do mapa. Solidão.
    Realmente, eu acho que nós mulheres poderíamos ter uma velhice menos conflituosa. Uma sacanagem com a gente.

  12. Oi já vai fazer 5 anos que estou com esse fo cachos não tem remédio que cure e horrível não sei o que fazer e ainda tem hipotiroidismo tome hormônio se alguém encontrar algum remedio q cure me avise Abraço Obrigada.

  13. Sensacional!!! Gargalhei lendo seu texto porque me vi nesse cenário…. Parabéns, você conseguiu colocar muito bem o que é o estado dá menopausa e com muita bom humor. Beijos

  14. Além de não serem solidárias ainda exclamam, “nossa, não, eu ainda não estou “”nessa”” idade…
    “Nossa, vc não faz reposicao?”…
    “Credo, é menopausa precoce ?”
    Aí gente eu já escutei cada uma…

  15. Adorei! Já passei por muitos momentos desses! O pior são os olhares de ironia que rola aqui em casa. Rolavam, rolavam! Porque, Dominique, acredite em mim, isso passa! Enquanto esse dia mágico não acontecesse, o melhor é manter esse seu bom humor.

    1. Quando me dei conta estava lendo e estava presa aos textos. Sou bem mais velha, nos anos 50 ja tinha 11, mas estou encantada com
      o que li. Parabéns! Nasceste para escrever com certeza. E eu vou te acompanhar pela leitura. Um abraco

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A música que entrará na trilha sonora de minha vida em 2017. Sabe qual?

Eliane - MúsicaMúsicas da minha vida.

Não sei se por uma questão cultural, nacional, social, familiar, de descendência, de ascendência ou uma questão minha mesmo, sempre fui adepta do “homem dominante”.

Ou sempre acreditei que os homens trabalhavam melhor.
Eles e eu, claro.

Por arrogância, prepotência e ignorância, sempre achei que só a “força” masculina combinaria e coexistiria com minha competência.

Comecei minha vida profissional no mercado financeiro. Depois fui para o incipiente e iniciante mercado de tecnologia passando antes pelo setor exportação de frutas.
Note que ambientes predominantemente masculinos.

– Atividade importante é no masculino, certo? Então é pra lá que eu vou – pensava eu.

Nunca me senti menos que um homem.
Ou talvez sabedora da abissal diferença, nunca tenha sequer me comparado e sim me juntado a eles.

Usei o que o feminino me deu de graça. Cabelos compridos e adornos lato senso.
Tenho que confessar que sempre houve de minha parte um certo desprezo pelo feminino e suas atribuições.
Talvez tenha sido apenas defesa. Defesa por estar em um mundo que reconhecia apenas o “O” como significante e significativo.
Nem por isso deixei de casar, ter filhos, etc… ou até mesmo justamente por isso.

E finalmente amadurecemos.
Uma palavra que não gosto. Mas que explica o que acontece quando deixamos de crer e passamos a saber. (A fé religiosa é outra coisa).

Não é da noite para o dia.
No meu caso não foi lendo. Não foi em sala de aula. Foi vivendo.
Foi passando por coisas e conhecendo pessoas e suas atitudes. Homens e mulheres. Tanto faz.
Tanto faz hoje.

Aconteceu quando de repente, de um dia para o outro, do dia para noite, fiz 50 anos.
Foi quando se deu uma revolução de minha vida!
Revolução talvez não seja a palavra. Mudança, revelação,  transformação. Sei lá.
Peguei-me olhando para questões tão diferentes em meu hermético mundo de ternos e gravatas.

Comecei a escrever. A refletir. A empatizar. A solidarizar. A respeitar. A entender.
Sabe com quem?
Yes, darling, com a Mulher!

E assim nasceu Dominique.
Mexendo com minha cabeça, com meu sangue, com minha espinha dorsal.
Entrei de corpo e alma no universo feminino.
Quase que como um pedido de perdão, ela veio com uma enorme necessidade de não ser só minha.
Mais que um projeto, Dominique é uma causa em minha vida. Justo eu…

Mas não foi só isso.

Quis a vida que há 3 anos eu fosse sentar em torno de uma mesa com outras 15 mulheres.
Em volta daquela mesa, antes de nós, sentaram outras 16 mulheres. E antes delas, outras e outras.
Há quase 100 anos, mulheres fundaram e fizeram crescer uma obra filantrópica maravilhosa.
E ironicamente tudo isso aconteceu sem minha participação!
Elas existiram antes de mim! E fizeram um trabalho muito melhor do que eu faço hoje.
Ora, vejam só..
Mulheres todas elas. No século passado.

De repente, de um dia para o outro, do dia para noite, meu horizonte e meu entorno totalmente orientados para o masculino voltaram-se para ELA. Para ELAS.

E aqui, começo a explicar o porque da música neste texto.

Todo ano, ou quase todo, escolho uma música para fazer parte da trilha sonora da minha vida.
2017 estava sem música e, provavelmente, passaria em branco até novembro quando assisti de uma só tacada o seriado Big Little Lies e me apaixonei pelos 7 episódios, pela história, pelos personagens, pela edição e pela música.

No último episódio, ao escutar a voz de Michael Kiwanuka nos créditos de abertura tive a certeza que esta seria a música de meu ano. (Escute e veja no final do texto)

Entendi que as 5 mulheres eram pedaços de mim. Identifico-me com todas as personagens.

Renata e sua masculina competência. E sua agressividade infantil.

A apaixonada Madeline. Cheia de energia de vida.

Jane e seus medos. E sua superação.

Celeste manipulando quando se deixa submeter.

Até mesmo com a Bonnie, riponga alternativa. Sim, no caso, é ela meu lado saudável. A parte boa de mim que mata minha toxidade.

Adorei o título do seriado Big Little Lies. A música na verdade se chama Cold Little Heart. Mas isso é o de menos. A música só me pegou tanto porque a história falou fundo e alto em mim.

História de mulheres. Sobre mulheres. Sobre eu e você.
E ficou a certeza de que precisamos ser solidárias antes de rivais.
Precisamos ser colegas. Companheiras.
Precisamos uma das outras mais do que nunca.

E para isso, no meu caso, tenho que dar créditos à minha maturidade que desrespeitou meus preconceitos, desautorizou meus credos e colocou lentes em meus olhos para que pudesse ver o que não conseguia sentir.

 

Agora me conta, tem alguma música que representa o seu 2017?

Leia Mais:

Sabe qual foi meu desejo na gravidez? Uma música!

QUIZ! MÚSICAS DE SERIADOS. Vamos ver quntas músicas você acerta?

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Você não tem mais desculpas para voltar a estudar.

Nunca mais fale que já não tem idade para voltar a estudar. Chega a ser uma infâmia para nós, Dominiques! Não estou exagerando na bronca, não, viu! É que há tantas opções para aprender que também haverá uma resposta pra cada desculpa. 

Voltar a estudar não significa – necessariamente – voltar aos bancos de uma sala de aula. Nem fazer uma faculdade ou pós-graduação. Estou falando sobre expandir os conhecimentos em algo que gosta ou descobrir novos horizontes. É sair da rotina e botar a “cachola” pra funcionar! (Ainda se fala cachola???)

Você pode retomar os estudos por diferentes razões. Pode ser apenas para aprimorar um hobby. Se quiser mais, pode transformar esse hobby em uma oportunidade de trabalho. Você pode aprender algo totalmente novo ou até retomar um plano antigo de estudar, que estava guardadinho em algum lugar do passado. 

Isso sem contar que é uma ótima maneira de conhecer novas pessoas, fazer um grupo diferente e aprender com eles. Se você busca mudar de carreira ou ampliar as chances de trabalho, um caminho certeiro é investir na educação. Mas também não tem problema se o curso é apenas para se divertir! 

Pra quem quer começar a estudar, que tal buscar cursos online? Além da disponibilidade imensa em cursos, você ainda pode participar das aulas de qualquer lugar…. até da praia!

Cursos gratuitos 

e-Aulas da USP 

A Universidade de São Paulo é uma das mais prestigiadas do Brasil e agora tem um espaço online de cursos de graça! Sim, não é preciso ser aluno ou ex-aluno pra acessar os videos. Tem desde aulas para o público do ensino médio, passando pela graduação e cursos de pós-graduação. Para aprender ou para relembrar. Vale o investimento em tempo!

FGV

A Fundação Getúlio Vargas é famosa por oferecer um dos melhores cursos de Administração no Brasil. Imagine aprender de graça com os grandes mestres da instituição? Não é graduação ou pós, mas são cursos online de curta duração. Não tem processo seletivo, para participar basta fazer a inscrição. Uma super oportunidade pra atualização profissional. 

Unesp

A Universidade Estadual Paulista também oferece uma plataforma de cursos online gratuitos. São mais de 70 cursos nas áreas de exatas, humanas e biológicas. Alguns cursos oferecem a certificação, mediante um pagamento de uma taxa. Vale muito a pena conferir. 

Coursera

O Coursera é uma plataforma gratuita de cursos, criada por um grupo de universidades dos Estados Unidos. Não é qualquer faculdade, mas grandes instituições como Stanford, Princeton, Michigan e Pennsylvania. A USP e a Unicamp também fazem parte deste prestigiado consórcio. Há cursos disponíveis em português e vários com legenda. Tem opções gratuitas e pagas, inclusive cursos de graduação ou outras certificações. Um mundo de conhecimento. 

edX

O edX é a plataforma de cursos que reúne o outro grupo de universidades de elite americana, como Harvard, MIT ou Berkeley. São cursos gratuitos ou pagos, que podem ser de certificação, graduação ou apenas atualização profissional. Nos cursos gratuitos, é possível pagar uma taxa para fazer a prova e receber o certificado. A única desvantagem aqui é que as aulas são em inglês. 

Cursos pagos

eduK

Plataforma de ensino online mais popular no Brasil. Oferece cursos completos, do básico e do avançado. É possível assistir algumas aulas grátis ou pagar uma mensalidade que varia de R$ 19,90 a R$ 29,00. Além dos cursos online, oferece outras atividades como aulas ao vivo, em que é possível interagir com os instrutores. Eles também compartilham materiais para donwload. É possível começar uma nova carreira!

Udemy

Não é uma escola, mas um marketplace de cursos. Funciona assim: eles oferecem uma ferramenta para professores venderem os seus cursos online. É uma das maiores escolas online do mundo, com mais de 100 mil cursos. Não existe uma pré-seleção para fazer parte. Os instrutores, em geral, são profissionais do mercado. Então o caminho para escolher um curso é assistir a pré visualização e ler os comentários de ex-alunos. O investimento é baixo, a partir de R$ 20,00

Mais sobre o tema estudar:

Uma mudança de vida e, por fim, de carreira.

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O Último Tango – Uma história de amor, e paixão pelo tango

Uma história de amor, e paixão pelo tango

Disponível no Netflix, hoje comento o documentário musical, O Último Tango.

A história conta a trajetória de amor entre os dois mais famosos dançarinos de tango e a paixão que ambos nutriam pela dança. María Nieves (81) e Juan Carlos Copes (84) se conhecem quando tinham 14 e 17 anos. Dançaram juntos por mais de 50 anos. Em todos esses anos eles se amaram, se odiaram, e passaram por várias separações dolorosas, mas o amor pela dança sempre os uniu novamente. Juan e María contam sua história a um grupo de jovens bailarinos, e coreógrafos de Buenos Aires, que transformam os mais belos e dramáticos momentos das vidas do casal em incríveis coreografias de Tango.

O fio condutor são as recordações de Nieves. De maneira franca ela conta como se apaixonou por Copes, como se tornaram figuras icônicas. E não tem problema em falar das dores dos vários rompimentos amorosos com Copes, da separação artística em 1997, dos rancores e das injustiças que sofreu.

Um aspecto sempre presente nas falas dela é o amor incondicional pelo tango, a única coisa que manteve a dupla unida quando só no palco eram capazes de sorrir.

Os depoimentos de Copes são mais curtos e menos numerosos. São também muito mais frios do que os dela. A sisudez de Copes mostra uma aparente segurança que se encaixa no perfil dominador e machista do bailarino. Com distanciamento ele dá sua versão dos fatos, que nem sempre coincide com o que Nieves diz. Mas os dois concordam que Copes inventou um estilo próprio de dança, cheio de virtuosismo. Uma de suas características principais é a movimentação das pernas que María realizava com perfeição. Os depoimentos são viscerais e com uma honestidade comovedora.

Vemos ali pessoas que se entregaram de coração e viveram o Tango ao máximo.

O documentário faz uma bela homenagem sem ser arrastado ou brega. Germán Kral, diretor argentino radicalizado na Alemanha, fez um belo trabalho com esse projeto, deixando com que María e Juan brilhem como grandes estrelas que são. Todo o filme, como não podia deixar de ser, é acompanhado por uma belíssima trilha sonora recheada de muitos tangos.

A música envolvente, que denota muita paixão, romantismo e sensualidade, é o motor do filme argentino.

O roteiro, também escrito pelo diretor, está muito bem amarrado e traça a linearidade que vai desde a infância até a vida atual de Nieves. E isso é feito mesclando-se imagens de arquivo, danças e encenações. É tudo tão bem costurado, que nos deixa completamente hipnotizados pela história dessa mulher e de sua vida.

Aqui fica a dica!

Eu adorei!

 

Trailer:

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VR, RA, IOT, Nuvem – Vamos entender essa sopa de letrinhas?

Você está em uma conversa num círculo variado de pessoas e de repente começam a falar siglas e termos que você nunca ouviu falar. De repente, você se sente um alien no meio de tantas expressões diferentes. Você se reconheceu nessa situação? Se sim, esse texto é pra você!

Primeiro recado é: não se sinta assim. Não é só você que passa por isso. Depois da internet, e com a melhoria dos sistemas de conexão, muitas coisas foram inventadas. Não só aparelhos novos, mas serviços novos antes só imaginados em filmes de ficção científica. As novidades invadiram o ambiente corporativo, o lazer e a ciência.

Pra você não ficar mais de fora das conversas, vamos explicar 5 novidades tecnológicas e as suas aplicações.

VR – sigla para Realidade Virtual

É uma tecnologia que recria em uma tela (que está num óculos) um ambiente virtual totalmente diferente do real. Você fica tão imerso nesse novo ambiente que se sente parte dele.

É uma criação toda especial, que pode ser usada para ensinar, entreter e até na saúde. Médicos já estão aplicando a tecnologia para ajudar pessoas com deficiência física na recuperação de movimentos.

Há vários óculos disponíveis no mercado. Um deles é o Google Glass. Aqui no Brasil tem a Oculus. Você pode baixar os ambientes em aplicativos para celular. Basta digitar VR e selecionar entre as opções. Mas você precisa da tela para visualizar.

Realidade Aumentada

É uma tecnologia que permite que os objetos do mundo virtual se misturem com o mundo real. Lembra nos filmes de ficção quando a pessoa aparecia de forma tridimensional num ambiente? Mais ou menos isso. Hoje a RA é muito usada em jogos, em ações de marketing e até em treinamentos, apoio no dia a dia do trabalho e vendas. A experiência interativa da RA permite interagir no mundo real com situações ou objetos que não existem realmente. É possível, por exemplo, ler um livro impresso e com a ajuda de um aplicativo de RA “brincar” com itens mencionados na história. Você pode visitar um apartamento ainda em construção e simular a sua decoração. Não é um vídeo, uma vez que você pode interagir com as imagens.

Na nuvem

Já escutou a expressão “minhas fotos estão na nuvem”? É simples, significa apenas que o armazenamento das imagens não está no computador da pessoa, mas num grande computador externo chamado de servidor.

Ele tem a capacidade de armazenar uma quantidade enorme de dados e arquivos. Pode ser gratuito ou pago, dependendo do uso. O Google Drive, por exemplo, é uma aplicação na nuvem. Você pode subir uma imagem no serviço e outra pessoa pode baixá-la de qualquer lugar do mundo.

No nosso dia a dia a vantagem de usar a nuvem é justamente a de ter acesso de qualquer lugar a arquivos que antes estariam no computador. Além disso, pode complementar o espaço de armazenamento do seu computador.

Assistente virtual

Você pode ter a sua própria assistente pessoal, mas que não existe no mundo real, apenas no virtual. Basta você perguntar alguma coisa e ela responde! As assistentes virtuais mais comuns hoje são: a Siri, do Google, a Alexa, da Amazon e a Cortana, da Microsoft. São um tipo de robô que responde a comandos de voz.

Elas estão ficando cada vez mais inteligentes, uma vez que aprendem com as milhares de interações com as pessoas. As assistentes virtuais podem apenas responder ou ainda executar ações em casa, como por exemplo, tocar uma música ou programar um computador. Em aplicações mais elaboradas podem também ligar um alarme de segurança ou acender a luz.

IOT – sigla para a Internet das Coisas

Aqui o sentido é literal: as coisas da sua casa ou escritório podem estar conectadas a internet para executar diversas tarefas. Um exemplo é a ligação da assistente virtual com um sistema de segurança. Ao comando de voz, o alarme que está conectado a internet recebe o comando para ligar ou desligar.

Cada vez mais desenvolvida, a IOT poderá ajudar muito no dia a dia de casa ou do trabalho. Imagina, por exemplo, um sistema que avisa que determinado alimento acabou na geladeira ou que liga os equipamentos em determinado horário. É como viver dentro do desenho dos Jetsons.

Você tem alguma dúvida que não está aqui? Manda aqui que vamos atrás da resposta pra compartilhar com todas as Dominiques.

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6 dicas legais da Internet

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Torne-se uma expert em digital com essas 6 dicas!

Você está online o dia todo. Provavelmente circulou a maior parte do tempo entre o seu e-mail e as suas redes sociais. Quando precisa usar alguma ferramenta diferente, pronto! Não sabe qual pode ajudar e nem pra quem perguntar. É assim com você também? Por isso fizemos essa listinha de 6 sites com serviços e ferramentas super úteis e o melhor, gratuitos.

Vamos lá:

Ferramentas do Google: Você já deve ter ouvido falar do Google Drive. É possível gravar imagens e compartilhar com outras pessoas. Mas conhece todo o potencial da ferramenta? Com o e-mail do Google você não precisa mais ter programas como Word, Power Point ou Excel, por exemplo. As versões do Google Drive são gratuitas e se chamam Documentos, Apresentações e Planilhas. Essas são apenas as básicas. Há, ainda, Desenhos e Formulários. Você acessa o seu Drive no canto direito da página, num ícone com nove quadradinhos, perto da sua foto.

PowTon – Quer elevar as suas apresentações profissionais a um outro nível? Esse é o site que vai te ajudar a montar slides de forma criativa, usando inclusive interatividade e até animações. Super simples pra mexer, você pode fazer a inscrição usando o login social (seu perfil de rede social). O site já disponibiliza alguns templates prontos, que você pode customizar como quiser. Essa dica vale a pena salvar em seu favoritos.

Typeform – O Google Drive oferece uma versão simples de formulário. Mas você pode criar um formulário ainda mais profissional e lindo, que vai parecer ter sido programado especialmente para a sua pesquisa. A ferramenta para construir um formulário criativo é o Typeform. E o melhor, é super fácil de usar. Com uma conta ativa você pode usar os templates disponíveis ou criar do zero uma pesquisa. É bastante intuitivo, não precisa ser PHD pra usar a ferramenta. Você pode conferir.

Freepik – Quer usar uma imagem ou um desenho lindo em seu site ou apresentação. Pois saiba que copiar qualquer imagem do Google pode infringir os direitos autorais de alguém. Mas não se preocupe. O Freepik é um banco de imagens gratuito, com milhares de fotos e desenhos que você pode baixar sem problemas. O site fornece também arquivos em vetor ou .psd, que são arquivos profissionais de imagens. Em alguns casos, é preciso apenas indicar o autor da imagem.

IMDB – Internet Movie Data Base ou Banco de dados sobre cinema na internet é “O” site para quem ama cinema ou televisão e quer saber mais sobre as produções e os artistas. O site reúne dezenas de dados, como imagens, vídeos, artistas, história, prêmios, curiosidades, popularidade e muito mais. O aplicativo do celular ainda mais fácil de ser usado. É essencial quando você assiste a um filme ou série e quer tirar aquela dúvida na hora sobre qualquer informação.

Canva – Quer criar uma imagem especial para o Facebook ou Instagram ou um folheto? O Canva é a ferramenta que vai fazer você se sentir como um diretor de arte. Ele possibilita criar vários outros formatos de imagens, como capa de facebook, currículo, papel timbrado, certificado, capa de livro, infográfico… ufa! Você precisa entrar para verificar tudo o que é possível criar nessa ferramenta. Muito fácil e intuitivo de usar. Você pode personalizar todas as suas criações a um nível profissional.

Todas as indicações são de ferramentas fáceis e simples de serem usadas. Não é preciso ser um expert em internet, viu. Basta gastar um tempinho mexendo para descobrir como usar e pronto. Aos poucos, você vai ganhando domínio sobre a aplicação e fazendo criações ainda mais produzidas.

Imagem: Designed by Freepik

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Uma mudança de vida e, por fim, de carreira

Eu me lembro exatamente o momento em que tudo começou.  Já aconteceu de você olhar distraidamente para um espelho e não se reconhecer nele?

Um dia a empresa resolveu me enviar para um congresso no exterior. O evento era dali a duas semanas e o meu passaporte estava vencido. Corri para renovar o passaporte.

Tirei uma foto em algum lugar qualquer (não era o sistema atual para fazer o passaporte) e aí veio o choque: quem é essa mulher na foto? Foi nisso que eu me transformei? Cabelo horrível, sem nenhuma maquiagem ou cuidado, exalando uma aura de “eu não sou nada”…

Era assim que as pessoas me viam? Comprei uma maquiagem básica, ajeitei como pude o cabelo e tirei uma nova foto. Ficou um pouquinho melhor.

O fato é que aquela foto serviu para me acordar, e como se eu não tivesse espelho em casa, fez com que eu me olhasse de frente. Não devia ser assim.  Em que ponto do caminho eu me deixei para trás, junto com minha alegria?

O passaporte ficou pronto, eu fui para o Congresso e foi assim que desembarquei para minha primeira visita a Londres. Eram dois dias de evento, mas eu precisava ficar no mínimo cinco dias para que a passagem tivesse uma tarifa decente.

Mesmo com pouco tempo, planejei bastante a viagem. Então a primeira coisa planejada não deu certo: meu celular não foi habilitado para ligações no exterior (bom, essa história tem quase 10 anos…). Gastei quase 50 libras para ligar do hotel para casa para avisar que havia chegado, que estava tudo bem e que eu não ia ligar mais porque era muito caro.

E foi aí que o milagre aconteceu. Fiquei sozinha. Por cinco dias. Cinco dias inteiros. Sem conexão com a família, sem conexão com o trabalho. Sozinha. Para levantar e dormir quando queria. Para ir aonde queria. Comer o que queria. Comprar o que queria. Sem dar nenhuma satisfação a ninguém. Sem ter que negociar nada com ninguém. Sem ter que ceder nada para ninguém. Egoísmo? Liberdade pura!

Você com você mesmo. Fui ao teatro, visitei museus, sites históricos, fui a Windsor… Londres é a melhor cidade do mundo. Esses cinco dias pareceram um mês inteiro de férias para mim. Consegui me desligar completamente das coisas.

O começo da metamorfose

Quando eu voltei, algo muito estranho começou a acontecer. Era como se, a exemplo do que aconteceu com Alice no País das Maravilhas, eu tivesse mudado de tamanho e o espaço que eu tinha disponível não era mais o suficiente para mim.  Eu precisava de mais espaço, o meu espaço. Viajar é mesmo uma das melhores coisas que existem. E eu precisei ir a Londres encontrar… eu mesma!

A primeira coisa que mudou de tamanho foi a família. Mas não foi um processo rápido. Demorou dois anos para eu entender que o tipo de relacionamento que eu tinha significava para minha vida, e mais dois anos para preparar uma boa separação, em que todos fossem preservados e pudessem seguir em frente construindo suas vidas.

Depois reduzi ainda mais. De quatro pessoas, uma empregada e três cachorros grandes, passaram a ser de três pessoas, uma empregada e um cachorrinho. Uma dura realidade que eu tive que enfrentar ao entender que naquele meu novo mundo não era possível carregar mais do que devia sob pena de não sobrar de novo mais nada de mim.

A segunda coisa que mudou de tamanho foi a residência. Nós havíamos construído uma boa casa na Serra da Cantareira, com um grande jardim, onde moramos durante 9 anos. Apesar de ser uma casa deliciosa, o acesso era muito difícil e tudo tinha que ser resolvido de carro, o que causava uma grande restrição. No processo de separação eu decidi sair da casa e vir para São Paulo. Escolhi um apartamento perto da nova escola das crianças para que eles tivessem independência para ir e vir

Um detalhe importante sobre o apartamento: comprei mobiliado, muito bem mobiliado, o que me proporcionou uma mudança quase minimalista. Muita coisa foi doada, vendida, descartada (de forma sustentável) e só veio para a casa nova aquilo que era essencial.

É importante destacar que essas reduções de tamanho nem de longe significaram uma redução de mim mesma. Pelo contrário, a cada tamanho físico que eu ia reduzindo, o meu espaço pessoal e de realização ia crescendo, pelo fato de não ter que arcar com compromissos que pesavam e não contribuiam com meus anseios.

Uma nova graduação a essa altura da vida!

A terceira coisa a mudar de tamanho foi o meu currículo. Com mais tempo e mais dinheiro disponíveis (as coisas ficaram melhor divididas na separação), voltei para o banco da escola para realizar um antigo sonho: estudar Direito. Uma graduação a essa altura da vida!

Eu pensava que essa seria a minha carreira na aposentadoria, que estava se aproximando. Talvez um concurso público. Eu nem sequer imaginava o que a vida ainda reservava para mim. 

Alguns amigos se foram, outros apareceram, construí e retomei amizades realmente significativas. Ampliei minhas atividades culturais e sociais. Tive vários encontros e desencontros, cada vez mais com a certeza de preservar o meu espaço e a minha identidade.

Mas as coisas não pararam de mudar de tamanho não. Vivendo todas essas transformações, inevitavelmente o processo iria acabar chegando ao trabalho. E chegou o dia, depois de trabalhar 20 anos na mesma empresa, a qual sou extremamente grata por ter me permitido construir tudo o que fiz na vida, que não foi mais possível ter uma relação produtiva para os dois lados, e eu fui “saída”.

Confesso que quando vi o envelope com a minha carta de demissão (era preciso coragem para demitir uma profissional com tanto tempo de casa, resultados e salário alto) tive a mesma sensação de quando peguei a sentença do juiz sobre o divórcio: liberdade, enfim! E claro, desafio! E eu lá tenho medo de desafio?

Como já sabia que meu tempo de empresa não duraria muito, já havia iniciado, antes mesmo de sair, um plano de investimento em imóveis, que me traria uma renda importante para o dia-a-dia. Era claro para mim que quando saísse da empresa seria muito difícil uma recolocação no patamar que eu estava, tanto pela idade quanto pelo salário.

E eu nem queria mais trabalhar no mundo corporativo daquela forma, pois 25 anos já bastavam. Foram muitos bons anos, alguns não tão bons assim, mas a minha mudança de tamanho requeria liberdade e autonomia, criação e inovação, e aquele espaço não me permitia isso.

Meu currículo não parou de crescer: em paralelo ao meu curso de Direito, dediquei-me à formação em Coaching e em poucos meses já estava atendendo de forma remunerada. Como eu era uma profissional experiente, administradora de formação com uma longa carreira corporativa, rapidamente consegui estabelecer uma boa posição com um plano agressivo.

E claro, essa decisão também resultou em outra redução de tamanho: por mais bem-sucedida que seja essa iniciativa, ela não vai alcançar o patamar de ganhos que eu tinha na carreira corporativa, principalmente em função de todos os benefícios. O orçamento doméstico teve que ser adequado à nova realidade.

Sem problema algum. As adequações foram feitas aos poucos. Durante dois anos ainda mantive a empregada mensalista, que só depois se tornou nossa faxineira, com os filhos já crescidos e com um bom grau de autonomia, inclusive ajudando nos cuidados da casa.

Tenho um carro de luxo, remanescente dessa época em que o seu poder na corporação também é medido pelo carro que você exibe na garagem. Ele fica a maior parte do tempo na garagem. Fiz uma opção pelo transporte público e só utilizo o carro quando o deslocamento é muito complicado pela rede pública ou quando tenho que transportar coisas e pessoas.

Um dos meus cachorros grandes, uma labradora, a última que restou da casa da Serra, veio morar conosco no apartamento. E a vida me deu uma nova chance de cuidar dela e ter seu amor incondicional.

E o melhor de tudo: encontrei na profissão que escolhi para essa nova fase o verdadeiro sentido para o trabalho que é ajudar as pessoas a se realizarem, a ter uma vida melhor. A esta altura já são centenas de pessoas com quem pude contribuir. Tenho uma grande quantidade de projetos em andamento, liberdade e autonomia para criar e inovar.

Pode ser que algumas pessoas que me conheceram alta executiva me encontrem andando de ônibus, jeans e tênis, e pensem “coitada, quem te viu e quem te vê”. Elas não sabem que por trás daquela simplicidade está uma alma repleta de felicidade e realização, que encontrou seu propósito no mundo.

Como disse o poeta, Fernando Pessoa,  “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Patricia Martins de Andrade é Master Coach, Administradora e Bacharel em Direito, MBA em Gestão da Segurança Empresarial. 25 anos de carreira corporativa, investidora do mercado imobiliário e owner da ybr coaching desde 2013, onde já conduziu mais de uma centena de programas individuais e treinamentos em grupo com centenas de pessoas. Mãe da Helena, do Matheus, da Flora, a labradora, e do Kako, o ShihTzu.

 

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Piloto de avião Tereza Paz é uma verdadeira Dominique com asas!

Dominique - Piloto
Teresa Paz é uma Dominique, não há dúvida!

Mulher, mãe, esposa, filha, linda, decidida, independente, cheia de iniciativa, ousada e muito, mas muito corajosa. Ela é uma piloto de aviação comercial.

Confesso que nunca havia pensado na estratégia que uma mulher ativa, assim como nós, precisa fazer para administrar tudo que fazemos a milhares de pés de altura.

Formada em Comunicação e Artes pelo Mackenzie, Teresa acredita que sua paixão pelos céus tenha sido herdada da avó que tinha o sonho de voar e do espírito aventureiro dos pais.

Até 1982, no Brasil, não havia mulheres pilotos na aviação comercial e as empresas existiam no mercado há 60 anos no país! Na Azul, onde trabalha hoje, apenas 54 dos mais de 800 pilotos são mulheres. Boa notícia, não há diferença entre os salários. Ufa, até que enfim!

Dominique - Pilotos

Teresa começou a voar em 1995 e conheceu seu marido, piloto também. Juntos há 25 anos, ela atribui o sucesso do casamento a ambos exercerem a mesma profissão. E olha que os dois tem diferenças que poderiam arruinar qualquer união, por muito menos casamentos são desfeitos. Ele é judeu e ela católica. Ele sãopaulino e ela corinthiana.

E, como a vida é cheia de surpresas, quem se dá melhor é quem se adapta às mudanças, Teresa não foge à regra. Ao entrar na Varig, engravidou três meses depois. Não estava nos planos, mas surpresas são sempre bem vindas! Para se ter uma ideia do pioneirismo, a empresa não tinha plano de licença maternidade para pilotos, ela foi inaugurou. Como a pressurização é prejudicial à gestação, ela trabalhou em terra durante 11 meses, revisando manuais e dando aulas sobre segurança de vôo.

Amigos, vizinhos, cachorro, papagaio falavam que ela desistiria. É uma tarefa hercúlea ser mãe e piloto ao mesmo tempo? Praticamente impossível! Aí é que fica mais gostoso. Desafios, é isso que a move.

Quando sua bebê completou 4 meses, Teresa ficou 40 dias na Holanda em treinamento. Espalhou fotos da pequena pelo quarto inteiro do hotel que funcionava como um estímulo. Para tentar me fazer compreender o que passou neste período, ela fez um paralelo com um meme que circulou no Dia Internacional das Mulheres, o desenho de uma mãe com uma garotinha que pergunta – Mãe, o que é desistir? E a mãe responde – Não sei filha, nós somos mulheres!

Os avós dos dois lados e uma babá foram essenciais para o sucesso da missão. Até hoje, para sair tudo dentro dos conformes, ela vê a escala de vôos do marido, a sua escala e aí sim faz a escala de trabalho da sua secretária do lar. Uma piloto não pode se dar ao luxo de ser desorganizada até para poder lidar melhor com os imprevistos.

Ela e marido eram pilotos na Varig, em 2005, quando a empresa quebrou. Ambos desempregados por um ano. Viveram um perrengue e tanto com duas filhas pequenas. E, como toda Dominique, Teresa partiu para a luta. E não é que sua licenciatura em Comunicação e Artes veio a calhar? Passou a ser facilitadora de aulas de segurança de vôo, teóricas e em simulador. Deu aulas na Índia, em Paris. Não estava voando como piloto, mas nunca perdeu a chance de estar no ar.

Para ganhar mais algum, vendeu panos de prato, artesanato, aprendeu a pintar pregadores para fechar embalagens, entre outras coisinhas! Fala a verdade, você se reconhece aqui, concorda? Ah! Esta Teresa é Dominique de corpo e alma.

Neste ano de desemprego que não terminava nunca, um belo dia chega em casa, aflitíssima, porque não conseguiu comprar quase nada no supermercado e encontra o maridão jogando gamão com alguém do outro lado do planeta. Teve um surto e soltou: – Pelo amor de Deus, pega esta moto velha na garagem e vai ser motoboy! Já vi este filme com outros autores.

Com um sorriso contagiante e os olhos brilhando, Teresa confessa que o marido é seu maior fã. Ele a admira e não esconde isso de ninguém. É recíproco.

Falando em admiração, as filhas se enchem de orgulho da mãe, da sua profissão e de como ela dá conta de tudo sem perder a ternura. Talvez, a rotina que não é rotina de Teresa seja justamente o que fortaleceu a amizade, o compaheirismo a responsabilidade e a independência entre as meninas, Natalia, com 21 anos e Michaela, com 17.

Certa vez, a diretora da escola disse que a Teresa era uma mãe muito mais presente do que outras que estavam 100% ao lado dos filhos. Pai, mãe e filhas preservam a qualidade do relacionamento. Quando estão juntos, estão juntos. Não tem celular, facebook, instagram.

Era sua folga, no dia que conversei com a Teresa e ela estava cuidando da mãe, uma senhora encantadora e querida, D. Alzira, com 92 anos, que fez questão de me mostrar suas mãos impecáveis, as unhas pintadas de vermelho maravilhoso, só que ela não revela o nome da cor do esmalte para ninguém copiar!

Desde a mãe ficou doente, há 2 anos, Teresa reveza com a irmã os cuidados com D. Alzira. Estes momentos são unicos, uma forma de retribuir tudo que recebeu e também de mostrar para as filhas o verdadeiro significado de família.

Ela acredita ter uma genética privilegiada, herdada da mãe que até dois anos atrás, antes de quebrar o fêmur, andava de bicicleta e nadava. Talvez sua saúde de ferro se dê também pela atividade física constante. Teresa pode esquecer até o batom, mas a corda está sempre na mala. A maioria dos hotéis tem academia, mas just in case, pula corda por horas a fio no quarto até pingar de suor. Para quem fica 8 a 9 horas sentada, não há genética que resista. Atividade física é obrigação.

Dominique - Piloto

Apesar de não consumir medicamento, quando precisa são poucos os medicamentos que pode tomar. Os pilotos são instruidos a não usar nada que afete o sono, cognição, atenção ou coordenação motora. Em 10 anos na Azul, se pediu duas DMs (despensa médica) foi muito. E uma delas, foi quando seu pai faleceu.

As pessoas em geral vêem a aviação com um certo glamour que não existe. É um trabalho como outro que exige estudo, dedicação, pressão, reciclagem. Imagine se há energia sobrando, depois de 9 horas de vôo, para ir para uma balada, city tour, compras! Eles chegam exaustos no hotel e precisam descansar para enfrentar o dia seguinte.

E, como toda a família, colecionam casos hilários como a ida ao show dos Jonas Brothers no estádio do Morumbi em SP. Ela com vôo marcado, o maridão em terra, teve que encarar a aventura de levar duas garotinhas, uma com 10 e outra com 6, mas apenas duas cadeiras cativas! Claro que ele sofreu por antecipação durante uma semana e na hora foi quem mais se divertiu.

Com duas meninas é quase que impossível não rolar balé! E por que não a apresentação do ensaio final marcada nos 45 do segundo tempo? As mães convidadas a participar. Teresa nos ares. Maridão em terra assume o leme e vai para o ensaio. No final, as mães são chamadas para dançar na frente. A filha, minúscula, arregala os olhos para o pai que, não teve dúvida, foi lá pra frente e dançou muito melhor do que qualquer mãe ali presente!

E o preconceito por ser uma mulher piloto? Ah! Como existe, embora venha diminuindo muito com o tempo.

Uma amiga da Teresa, há 5 anos, passou por uma situação que foi parar no Jornal Nacional. A piloto já na cabine vê que um passageiro está falando e gesticulando com o despachante (o funcionário responsável por entregar os viajantes à aeronave), empatando a fila. Quando enfim o homem entrou no avião, ela foi falar com o despachante que, relutante, conta que o homem ficou muito bravo quando descobriu que o piloto era uma mulher.

A comandante resolveu chamar o passageiro à cabine para acalmá-lo e explicar que não há nenhuma diferença entre os sexos, todos os pilotos passam pelos mesmos treinamentos, todos os anos, teóricos e práticos, envolvendo segurança de vôo, portanto, têm a mesma competência.

O homem olhou bem para ela e disse – Muito bacana, agradeço sua explicação, mas se eu soubesse que o avião seria pilotado por uma mulher não teria comprado a passagem. Só vou mesmo porque tenho uma reunião. Acho um absurdo a companhia aérea não ter avisado.

A piloto, sem titubear, virou para o homem e disse: – Não tem mais a reunião não. O senhor não vai no meu avião. E pediu delicadamente para ele descer da aeronave. Os pilotos são a autoridade máxima no avião e tem a autonomia para tirar quem quiser do vôo se isso representar algum perigo ou tumulto. E,cá pra nós, este ser tinha tudo para transformar aquela viagem em um inferno.

Teresa, por vezes, é alvo de olhares desconfiados. Na chegada ao destino, quando sai da cabine, quem mais se surpreende são as mulheres que, não raro, comentam – Ah! Se meu marido soubesse que era uma piloto ele não teria entrado no avião. E, ela, sorridente e gentil, como sempre, finaliza com classe – Mas como a senhora sabe do que nós, mulheres, somos capazes, tenho certeza que o tranquilizou. Adoro estas espetadadelas! Tudo a ver com Dominiques.

A rotina de um piloto não é branda. São cobrados e muito cobrados. Quando reprovados no simulador há apenas mais uma chance. Reprovação na segunda vez é demissão.

E, a rotina para uma piloto é maior árdua ainda, afinal as mulheres são acumuladoras de tarefas, uma espécie de empilhadoras de pratos chineses.

Fora a solidão quando se está em terra, mas longe de casa, tanto que o alcoolismo é comum na aviação e, quase sempre detectados pelos colegas, levam pilotos e copilotos a se afastarem do trabalho.

Teresa é uma prova de que não há almoço grátis. Tudo requer esforço, dedicação e cuidado. Mas fazer aquilo que se ama não tem preço, seja com os pés fincados no solo ou a milhares de pés de altura.

Você já imaginou ser piloto de avião? A Teresa tem uma fibra que só as Dominiques tem, concorda?

Leia Mais:

Vou mudar de país e agora terei o mundo para chamar de meu
Todos têm direito a uma segunda chance, até mesmo os cupidos!

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

6 Comentários
  1. Parabéns pela reportagem, tive o prazer em 2015 fazer um voo de Belo Horizonte a Goiânia sob o comando da comandante Teresa e olha que ela pousou o avião direitinho rsssssssssssss, brincadeiras a parte foi um excelente voo parabéns a ela que é um exemplo. Nesse voo estava eu e minha ex chefe e quando ela ouviu a comandante Teresa se identificar ela disse: É uma mulher que vai pilotar, meu Deus. E eu respondi: Uai vc não é engenheira rsssssssss. Parabéns a comandante Teresa.

  2. Costumo dizer q se n fosse mulher, teria inveja de quem é,eu sou uma pessoa q c tds dizem ligada no 550…6.6 faco mil coisas, vou a academia tds os dias, minha terapia, meu horário so meu,mas levado a serio, amo atividades fisicas, cozinho, costuro,acordo pensando em fazer 10 coisas, e quase sempre FAÇO,as x n da tempo de fazer tds, mas n me puno c antigamente, aprendi a ser menos exigente comigo, hj p ex deixei de ir a fisio p almoçar c amigos, e assim vou vivendo sendo feliz c mulher ⚘

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Acredite: vale a pena investir o seu tempo no LinkedIn

Imagine abrir o arquivo do Word e começar a digitar o seu curriculum vitae. Bom, apenas imagine, porque fazer isso já é coisa do passado.

É que o LinkedIn tornou-se a principal rede social profissional e você pode construir o seu currículo lá. Depois, basta fazer um download das informações em pdf e pronto! Você tem em mãos um arquivo para ser enviado ou impresso.

Ok! Se você quiser fazer um arquivo e ter o LinkedIn ao mesmo tempo tudo bem. Mas lembre-se: o trabalho para manter os dois arquivos atualizados será dobrado. Tem tempo sobrando? Se é pra investir seu tempo nisso, use pra construir um currículo completo e eficiente direto no LinkedIn.

Agora que você já sabe onde, vamos para o como criar o currículo. Não se aflija! Não é complicado. Agora será uma questão de como escrever. É sempre bom lembrar que hoje em dia as pessoas não prestam muita atenção. E textão, então, quase ninguém lê.

Vamos às dicas?

  • criar o perfil é muito simples. Basta acessar www.linkedin.com, digitar seu nome completo, e-mail e uma senha. Pseudônimo não é permitido, ok! Pronto, perfil criado.
  • imagem vale muito, sim, principalmente no universo corporativo. Escolha uma foto que represente você como profissional. Nada de fotos de festas ou férias.
  • preencha todas as informações de contato, inclusive telefone e e-mail. Também podem entrar em contato por esses meios.
  • dedique parte do seu tempo para escrever um ótimo resumo. Alguns recrutadores podem parar aí e nem continuar a ler o seu currículo.
  • evite as buzzwords, que são as palavras de efeito só pra impressionar. Sério, não impressionam mais ninguém!
  • mostre o que você já realizou e, se for possível mensurar, os resultados obtidos. Por exemplo: aumentei em X% o número de clientes ou a rentabilidade da área cresceu de X para X.
  • se não for possível mensurar tudo bem. Dê exemplos do que você fez e como fez tanto no trabalho com em atividades complementares.
  • evite falar sobre o que você é, foque no que você faz. Lembra das buzzwords? Palavras como eficiente, motivado ou organizado não adicionam nenhum valor. Que empresa procura uma pessoa diferente disso?
  • existe uma área no perfil do LinkedIn chamada Competências. Adicione seus pontos fortes lá. Há itens como Conhecimento do Setor ou Competências Interpessoais. Capriche e aproveite para pedir recomendações de amigos!
  • a seção Experiência organiza as informações sobre onde e quando você trabalhou nas empresas. Você pode adicionar uma pequena descrição. Novamente, foque no que você realizou durante seu tempo na empresa. Se tem documentos para compartilhar, pode incluir!
  • complete o seu currículo com informações sobre a sua Formação Acadêmica e Conquistas, que incluem idiomas, prêmios, certificados, entre outros.
  • a seção Experiência de Voluntariado é bastante valorizada em empresas estrangeiras.
  • por fim, peça aos amigos e antigos colegas por Recomendações pelo seu desempenho e habilidades. Faça também recomendações e ajude outros. Você aprova os conteúdos antes da postagem, então pode ficar tranquila.
  • não divulgue o seu currículo antes de estar completo.

Depois de tudo pronto, você precisa manter o seu perfil atualizado. Sim, é mais uma rede social para você entrar sempre e postar conteúdo. Mas no LinkedIn você pode criar uma estratégia e se organizar.

Mais dicas?

  • o seu perfil será seu branding pessoal. Algumas vezes será o primeiro contato de uma empresa com você. Por isso, evite compartilhar informações pessoais.
  • relacione-se com a sua rede por meio de postagens regulares. Você não precisa escrever postagens longas e nem super produzidas. Bastar fazer um comentário ou compartilhar informações sobre assuntos pertinentes ao seu universo de trabalho.
  • participe de grupos de temas importantes para o seu meio de trabalho. Entre uma ou duas vezes por semana nos grupos e comente postagens de terceiros. Você pode se aproximar de pessoas interessantes.
  • o LinkedIn oferece uma plataforma de conteúdo para a publicação de artigos. Se você tiver material relevante, aproveite para postar e compartilhar com a sua rede!

Esse é um roteiro básico para você começar uma recolocação profissional no mercado. Claro que há várias outras dicas, que vamos compartilhar outro dia. Boa sorte!

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