Tag: François Ozon

O premiado filme francês Jovem e Bela

Jovem e Bela conquistou o Festival de San Sebastián e concorreu a Palma de Ouro em Cannes 2013. O longa, escrito e dirigido por François Ozon, cineasta tão obcecado com o universo feminino quanto o espanhol Pedro Almodóvar, é um belo estudo psicológico de personagem.

Durante as férias de verão com a família, Isabelle vive a sua primeira experiência sexual. Ao voltar para casa, a adolescente divide seu tempo entre escola e o novo trabalho, como prostituta de luxo.

As dificuldades comuns a tantos adolescentes, somado as ilusões que acompanham a descoberta sexual da jovem e bela garota, são revistas em minúcia pelo diretor. Sua abordagem imparcial, bem humorada e elegante, tem como principal virtude a notável atuação da novata Marina Vacht, que conduz o filme enquanto hipnotiza com sua inegável beleza.

Sem problemas financeiros, o que leva a garota à prostituição?

Ozon questiona a maneira como as mulheres são direcionadas ao explorar a beleza e sensualidade como suas principais mercadorias. Ozon não está preocupado em levantar teses e nem julgar a adolescente.

Com seu olhar melancólico, Isabelle, poucas palavras e uma sutileza inacreditável ajuda a criar na cabeça do espectador o enigma proposto pelo diretor, com uma personagem amoral, desprovida de consciência ou culpa, desassociando sexo de emoção, e com suas incoerências, que se não precisa do dinheiro, o utiliza como uma ferramenta para proteger seus sentimentos.

Com um belo roteiro dividindo o filme em quatro atos representando as quatro estações do ano, cada um deles com um ponto de vista sobre a adolescente, respectivamente, do irmão, do cliente, da mãe e do padrasto.

Com ótimas interpretações e a experiência de Ozon, o longa tem um bom ritmo, causando ao espectador uma tentativa de compreender sua protagonista da primeira até a última cena.

“Jovem e Bela” é pontuado por música de François Hardy, cantora francesa dos anos 1960/1970, que, como Isabelle, transmite uma melancolia introspectiva e enigmática.

Numa ausência intencional de profundidade, Ozon contempla a adolescência sem julgar nem tentar explicar. Na cena final, porém, a aparição de Charlotte Rampling impõe ao espectador o sentimento que, a juventude finda, a beleza guarda seu absoluto mistério, e apenas o tempo poderá revelar algum sentido para as precoces experiências.

Vale a reflexão!


Outros filmes franceses:

Festival Varilux de Cinema Francês

Diário de uma camareira

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Frantz: drama pós guerra mostra preconceitos em um filme emocionante

Indicado ao César 2017, o “Oscar Francês” (nas categorias de Melhor Filme, Diretor, Atriz Estreante, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora Original, Som, Montagem, Fotografia e Figurino).

Ozon opta por uma narrativa clássica (ao contrário dos outros filmes) com uma certa dose de tensão e suspense o que torna o longa extremamente interessante.

Ambientado em uma pequena cidade alemã após a Primeira Guerra Mundial, Frantz narra inicialmente o luto de Anna (Paula Beer) pela perda de seu noivo, morto em uma batalha na França.

Um dia ao levar flores ao túmulo de seu amado, Anna percebe a presença de um jovem francês, Adrien Rivoire (Pierre Niney), soldado que se apresenta como amigo de Frantz durante o período em que esteve em Paris. No entanto, qual seria a real natureza do relacionamento entre Frantz e Adrien?

A presença do jovem soldado, logo após a derrota alemã causa desconforto e perturbação na cidade.

Ozon mostra o ódio latente entre as nações naquele período. Adrien é rechaçado na cidade por ser francês.

O roteiro é muito bem construído, com diálogos magníficos e poéticos.
O uso do preto e branco predominante no longa retrata a realidade, e a fantasia retratada pela cor, dá um ar diferenciado e único para a história contada, que ganha ainda mais força nas atuações poderosíssimas dos atores.

Os jovens estreantes Paula Beer (Anna) e Pierre Niney (Adrien) se destacam pela atuação grandiosa, e admirável habilidade de demonstrar sentimentos intensos e fortes sem o uso das palavras, desenvolvendo personagens com conflitos pesados, que carregam a culpa, a mentira, o arrependimento, a tristeza, mas ainda assim capazes de atitudes de carinho e bondade genuínos.

Ozon constrói sua trama com uma estética visual impecável que recria a época, primordial para a imersão do público.

Impecáveis também a direção de arte, design de produção e figurino.
Frantz é uma obra incisiva que fala sobre a culpa e a omissão da verdade .

Um belo filme que não à toa ganhou notoriedade entrando para a lista dos melhores filmes do ano.

Aqui fica minha dica.
Não percam!
Bom programa!!!

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