Destaque

E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil?

Sabe, algumas coisas eu gostaria de ter vivido como por exemplo, o Festival de Woodstock. Apesar de ter 5 anos naquele agosto de 1969, tenho memórias afetivas em relação ao evento. Por certo essas memórias foram construídas em cima do que se escreveu e do que se falou a respeito. Inegavelmente a experiência de Woodstock foi transformadora para os jovens que estiveram naquela fazenda americana por 3 dias. É provável que muito do que vivemos hoje é fruto de Woodstock.

Aí me pego pensando se haveria uma remota possibilidade de um Festival como Woodstock ter acontecido pioneiramente no Brasil. Será? *

Não sei. Entretanto sei que um Festival como o de Woodstock mudaria a cara do Brasil. E essa semana em que todos os veículos estão fazendo matérias do que foi o festival e seu legado, resolvi fazer um exercício. Escrevi um texto como se nosso país tivesse sido sede do maior evento de música do planeta em 1969.


E já na linha do “e se”, aposto que tudo teria acontecido no interior de Minas Gerais. Por que? Porque que outro estado do país tem uma cidade chamada Nanuque?
Existe nome melhor para um Festival do que Nanuque? Soa quase internacional, né não?


Bom, isto posto, vamos a meus delírios?

E se Woodstock tivesse sido aqui
O festival de música que mudou o Brasil faz 50 anos

O Festival – Onde

E foi há 50 anos que um punhado de jovens mineiros em férias por pura falta do que fazer, resolveram produzir um festival de música. Simples assim até porque antes de mais nada, mineiros são empreendedores até quando estão de férias.

Eram muitos os sócios naquele empreendimento. Estudantes de cursos variados da Universidade de Ouro Preto, que acabaram não viajando nas férias de verão.

Em 1969 o Brasil vivia um momento político dos mais difíceis da história. Entradas foram cobradas com o intuito de que o dinheiro arrecadado no Festival fosse enviado para as famílias dos presos políticos da época ou para aqueles exilados.
Com esse mesmo mote conseguiram surpreendentemente que todos os artistas aderissem ao evento e tocassem pela causa sem cachê.

–Nanuque não foi a primeira opção escolhida para acolher o festival e sim Araponga, uma cidade na Zona da Mata (vamos combinar que Araponga também seria um nome maravilhoso) entretanto fazendeiros e coronéis de Araponga nunca admitiriam aquela invasão bárbara de jovens contraventores. Uniram-se formando uma comissão e mandaram o filho de um deles, recém saído do Largo São Francisco, impetrar algum mandato de segurança a fim de impedir aquela loucura . Tarefa bem sucedida visto que o Festival foi expulso sumariamente daquela área.

O êxito do jovem advogado espalhou-se rapidamente de tal forma que ele se tornou representante legal de grandes usineiros da região. Daí a se tornar um famoso advogado defendendo crimes cometidos por poderosos endinheirados foi um pulinho. Assim não demorou muito para que Marcio Thomaz Bastos se tornasse Ministro da Justiça.

E se o festival tivesse sido em Nanuque?
Você sabe onde fica Nanuque? 500.000 pessoas descobriram como chegar lá em 1969

Quando

– O evento que aconteceria em janeiro, no verão, teve que ser adiado para agosto por falta de licenças e outras burocracias do estado. Estipulou-se assim que o Festival de Música de Nanuque aconteceria nos dias 15,16 e 17 de agosto de 1969.

Os nascidos depois de 1975 não tem ideia da burocracia, lentidão e “cafezinhos” necessários para que as coisas funcionassem. Se temos hoje o sistema público mais eficiente do planeta, em 69 podíamos dizer que tínhamos o pior. Para os que não sabem, simplificar e digitalizar todos os nossos processos só pode acontecer depois que Roberto Justos entrou na máquina e inclemente, demitiu quem precisava ser demitido, começando assim a azeitar a máquina e principalmente simplificando processos que eram complicados por uma cultura que já não mais nos pertencia.

O Público


– O público presente superou e muito a previsão dos organizadores uma vez que Zélia Cardoso de Melo, responsável pela contabilidade do evento, estimou que 50.000 pessoas estariam no Festival . Pode-se dizer que ela passou perto (kkkk) uma vez que 500.000 pessoas passaram por Nanuque naquele fim de semana de agosto. Por causa de um “errinho à toa” de cálculo como esse Zélia desistiu da carreira de economista e foi tentar a vida como trapezista num circo da cidade.

Os Problemas e as Soluções

Os organizadores não contavam que inesperadamente 450.000 pessoas a mais apareceriam por lá causando um verdadeiro caos.
Mas as soluções apareceram porque afinal de contas os nossos jovens sempre foram muito mais criativos.

A maior de todos as dificuldades foi alimentar durante 3 dias aquele mundo de gente, no entanto o problema da alimentação não teria sido tão grave e desesperador se o responsável pela logística não tivesse fugido com o dinheiro. Ahhh sempre alguém foge com o dinheiro. E nesse caso foi um estudante argentino que não deixou rastros.
– A solução veio de um convento de freiras baristas que ficava às margens do Rio Mucuri e vizinho de um laticínio que doou todas as sobras de queijo. Por fim, o que alimentou  aquelas 500.000 pessoas foi o mineiríssimo pão de queijo feito pelas freiras com uma antiga receita de uma delas .

O Pão de queijo com Tubaína

-E foi assim que o pão de queijo ganhou fama internacional dando ao Brasil um quitute para representá-lo como os doces conventuais de Portugal, o faláfel de Israel e da esfiha dos Libaneses.

-A única bebida disponível além das pinguinhas dos alambiques era a dulcíssima Tubaína. E foi certamente em Nanuque que Tubaína caiu no gosto dos jovens. Em 1985 a Holding Tubaína Inc. comprou a Coca Cola tornando-se uma marca mundial.

Este foi o setlist para os 3 dias do Festival de Nanuque

  • Sá, Rodrix e Guarabyra
  • Lo Borges
  • Tete Espíndola
  • Lilian sem o Leno
  • Milton Nascimento
  • MPB4

Para o segundo dia

  • Raul Seixas
  • Tim Maia
  • Mutantes
  • Erasmo Carlos
  • Secos e Molhados
  • Jorge Bem
  • Tony Tornado

E para o último dia:.

  • Alceu Valença
  • Elba Ramalho
  • Gilberto Gil
  • Gal Costa
  • Wilson simonal.
  • Vanusa

Coisas que aconteceram

– Tim Maia não apareceu. Deu o cano sem ao menos avisar. Para tapar o buraco na programação, uma das organizadoras colocou para cantar seu namorado uma vez que este tinha grandes aspirações artísticas. Pena  ele estar tão chapado a ponto de esquecer a letra de Blowin’ in the Wind levando a maior vaia. Foi aí que Eduardo Suplicy desistiu de ser vocalista na Banda Nagasaki e por conseguinte qualquer tipo de carreira musical, entrando para a política logo depois do Festival. Chegou a ser Senador da República, sempre entoando Blowin’ the Wind, nos bons e nos maus momentos.

Rita Lee no Festival de Nanuque
E foi com muito custo que Rita Lee conseguiu sua credencial para o Festival de Nanuque

– A segurança do show, não acreditou que Rita Lee era a Rita Lee. Ela teve que cantar Panis e Circenses para o leão de chácara, para que ele deixasse ela subir ao palco onde os outros integrantes dos Mutantes já a esperavam aflitos. Ritinha linda linda linda, tornou-se a musa do Festival de Nanuque e a rainha do Rock’n’roll. Estourou nas paradas de sucesso do mundo inteiro tendo Ovelha Negra em primeiro lugar da Bilboard por meses. Seus shows no Central Park ficaram famosos. Teve convidados como : The Doors, Beatles, Barão Vermelho, Simon and Garfunkel (teve um namorico com o Simon), Secos e Molhados, David Bowie, Cauby Peixoto e por aí vai. E até hoje, Ritinha nega-se a gravar CD de Natal. Talvez graças a ela essa moda tenha caído em desuso há anos! Só temos a agradecer, né?

E a chuva?

– Nuvens carregadíssimas aproximavam-se anunciando senão o apocalipse, uma tempestade indesejada. A turma da era de Aquário juntou-se num mantra com certeza de resultados positivos. Deram-se as mãos e juntos entoaram ritmadamente, como se fossem tambores indigenas – Chu-va não! Chu-va não! Chu-va é pra bur-guês! Aqui só tem nu-dez!. Infelizmente a chuva caiu a despeito dos clamores. Como sempre. E quem se deu bem foi o vendedor de capa de chuva, Luiza, Tia Luiza. Já sabem quem né?

– Acredite se quiser, mas durante aqueles 3 dias, não houve um único incidente violento. Pode-se dizer talvez que o ocorrido no show de Erasmo Carlos tenha sido áspero ou um pouco mais quente, mas jamais agressivo. Tremendão foi o quinto nome da noite, com a platéia já aquecida em todos os sentidos. Quando estava prestes a começar entra no palco um jovem muiiito louco chamado Olavo de Carvalho, fazendo um discurso de protesto contra a prisão de um companheiro de luta, o José Dirceu. Erasmo Carlos não achou engraçado. Muito pelo contrário, irritado grita para Olavo de Carvalho : – Cai fora!! Cai fora de meu palco!! Você não vai F****R com o rock’n roll

– Vanusa, encerrou o festival, puxando um Hino Nacional, numa atitude altamente temerária para o período e o público. Porém foi acompanhada por um guitarrista desconhecido que fez alguns riffs em cima do Hino. A galera delirou. Talvez por conta do horário, da embriaguez, da exaustão ou ainda da micro saia da cantora, existe uma grande probabilidade de ninguém ter reconhecido aquela música como sendo o Hino Nacional. Os riffs de Pepeu Gomes foram eternizados assim como ele considerado o maior guitarrista de todos os tempo.

Alguns destaques

– Todo o evento foi documentado pelo jovem cineasta David Cardoso. Ele com sua Super 8 captou quase tudo e principalmente a essência do festival. Abandonou a faculdade de medicina, tornado-se um cineasta famosíssimo, ganhador de 2 Oscars, 3 Leões, e Palmas incontáveis com filmes sensíveis, profundos e de primorosa produção.

– Amaral Gurgel, enviou o modelo Gurgel Itaipu Elétrico para desbravar a lama de Nanuque. Esse viria a ser o primeiro carro 100% brasileiro e primeiro carro elétrico do mundo já em 1969. Gurgel tornou-se o nome mais importante do setor automobilístico mundial. Chamou a atenção da Engesa, industria de tanques brasileira. Engesa e Gurgel juntos fundaram a EspaçoBr que em 1990 vendeu o primeiro voo comercial para a lua para Eike Batista.

Gurgel Itaipu, o carro elétrico Made in Brasil

Médicos? Para que médicos?

– Emergências médicas ocorreram aos montes. Inacreditavelmente nem uma única morte. Ainda mais se pensarmos que os médicos que tínhamos lá eram todos estudantes de universidades de medicina de diversos estados brasileiros. Foram recrutados pelos organizadores do evento e receberam em troca do trabalho, o transporte para Nanuque. Foi aí que Dráuzio Varella viabilizou seu sonho criando os “Médicos sem Fronteiras”.

E se nanuque tivesse sido aqui olha só os médicos
E aqui, alguns dos estudantes de medicina que se voluntariaram para atender a multidão de jovens que estiveram no Festival de Nanuque

E o argentino, hein?

Lembra do argentino que fugiu com a grana da logística? Ele voltou anos depois para o Brasil. Já não era apenas um argentino. Era agora um franco argentino por conta de seu casamento com uma milionária francesa que morrera subitamente deixando Luis Favre viúvo e solitário. E foi por isso que ele resolveu voltar para rever seus antigos colegas do Festival, sendo recebido e hospedado por Marta e Eduardo Suplicy.

Legado

O espírito do Festival de Nanuque, permeou toda a sociedade, facilitando a abertura política mostrando aos militares a maturidade de nossa juventude. A democracia foi restaurada na base da paz, do amor e da flor.

E assim o foi quando em 1971 as eleições diretas para presidente voltaram a acontecer no país. Eleito presidente da nova república democrática, Roberto Campos conduziu o país a liderança do bloco capitalista. Abriu nosso mercado, estimulando nossas industrias e seguindo os mais modernos conceitos da economia liberal.

E tudo na vida é uma questão de ponto de vista. Se o mundo é realmente redondo olha só como ficaria o mapa após Nanuque..

Woodstock no Brasil

Eu vou contar até 5 e quando estalar os dedos todos acordaremos no Brasil de verdade onde o Festival de Nanuque nunca existiu. E nos dias 14, 15 e 16 vamos comemorar os 50 anos do Festival de Woodstock, esse sim um divisor de águas

*Como bem lembrou Henrique Cury, tivemos no Brasil alguns festivais nos moldes de Woodstock como Águas Claras e Iacanga. Ambos aconteceram depois do Festival Americano. E vamos lá, por que você não faz como o Henrique e me manda uma sugestão para acrescentarmos nesse texto? Pode ser um delírio, uma possibilidade, um fato, o que vc quiser. Aí depois eu vou escrever a versão 2 de “E se Woodstock tivesse acontecido no Brasil” com todos so créditos. Gente, isso pode ficar muito legal, viu?

Nota: Não tive uma grande preocupação com coerência de datas e idades. Aliás com coerência alguma. Por favor não leve esse textinho muito a sério. Foi só diversão. Beijo da Lili pro cê, tá?

Leia Também :

Woodstock – Estilo Boho Hippie de se vestir

Passeando com o passado

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Justiça e Punição

A comparação de Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes), longa que comento hoje, com o argentino O Segredo dos Seus Olhos é inevitável. Por isso, antes de falar sobre o remake americano, vale esclarecer que são filmes muito próximos, não porque contam a mesma história, mas porque retratam nas entrelinhas as crises que assombram seus países de origem.

Se no longa argentino temos uma ligação entre um crime não solucionado com a política na Argentina após a morte de Perón, aqui a ponte se conecta com uma América tentando se recompor após o atentado terrorista de 11 de Setembro.

Quem não assistiu o magnífico argentino verá Olhos da Justiça como um grande filme.

Em Olhos da Justiça, um grupo de profissionais responsável por uma divisão do FBI – especializada em ações terroristas logo após o 11 de Setembro – é abalado pelo assassinato da filha de Jess (Julia Roberts), uma das investigadoras do departamento. Logo, o outro investigador da divisão e amigo da mãe da vítima, Ray (Chiwetel Ejiofor), e a procuradora Claire (Nicole Kidman) empreendem uma caçada ao responsável pelo crime que dura mais de uma década e transforma a vida dos três personagens.

Realizando uma reflexão sobre as cicatrizes que a violência deixa em seus personagens, Olhos da Justiça, de Billy Ray, aborda um ponto de vista pertinente sobre justiça e punição, deixando claro no seu desfecho quem serão aqueles que de fato sofrerão as conseqüências do crime por toda a vida.

 O longa obedece a cartilha do drama policial norte-americano, mas sem ofender ninguém. 

O que vai saltar de fato aos olhos será o empenho do trio principal. Cada ator defende com unhas e dentes seus respectivos personagens, e a dinâmica entre eles dá vida e garante o interesse na trama. O desempenho de cada um é impressionante.

Julia Roberts está maravilhosa no papel da agente Jess. Percebe-se claramente o sofrimento do seu personagem através do rosto dela. A variação da alegria, quando cenas de flashback de Jess e sua filha são mostradas, e tristeza e melancolia nos dias de hoje são claríssimas. Além, obviamente, da raiva e ódio demonstrados por quem tenha cometido o crime.

Outro que deixa claro em suas expressões e gestos, os sentimentos pelos quais o personagem que interpreta passou desde que o crime ocorreu e o impacto desse até o presente momento é Chiwetel Ejiofor. Nicole Kidman como sempre parece escolher personagens que se pareçam com ela de certa forma.

Contradizendo a todos, Olhos da Justiça surpreende como um bom thriller dramático, que se sustenta por si só, surgindo como um digno descendente do original. 

Olhos da Justiça é realmente um bom suspense.

Aqui fica a dica.

Assista o trailer:

Outros filmes com os mesmos atores:

Big Little Lies – uma série que você não pode perder

Filmes rodados na Itália


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Woodstock, as roupas hippies e o novo estilo boho

A década de 60 foi uma época de grandes mudanças sociais e culturais. A moda refletiu toda a novidade, com roupas em novas linhas, cores e formas. O estilo hippie – que ganhou o mundo após o festival Woodstock – foi tão marcante que até hoje inspira estilistas. Mas agora está representado em outro estilo e se chama Boho. 

O nome é derivado da palavra “bohemian”, que em português significa boêmio. O boho representa um pouco mais do que um jeito de se vestir. É um estilo de vida, com mais liberdade, descontração e despreocupação. As roupas no estilo boho misturam várias influências, como hippie, cigana ou vintage, muitas delas em tecidos leves e mais fluídos.  

Para comemorar os 50 anos de um dos mais influentes festivais de música do mundo, fiz duas seleções. Para relembrar, encontrei fotos que mostram os estilos de roupas nos três dias do festival. E para fechar, fiz a minha seleção favorita de roupas no estilo boho. Venha ver!

As mulheres no Woodstock

Meus looks favoritos do estilo boh

Roupas para Dominiques

Boné ou chapéu: sabendo usar eles podem ser estilosos

A moda é não combinar roupas e sapatos

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A Dominique que existe em cada uma de nós !

Por: ViCk Sant´Anna

Meu nome é Virgínia, mas me chamam de ViCk desde meus 16 anos quando conheci outra Virginia que tinha este apelido também. Aí eu gostei e adotei para mim. Gosto do meu nome de batismo, principalmente por ser uma homenagem à minha avó paterna que nem cheguei a conhecer. Ela também foi homenageada pelo meu avô paterno, Álvaro de Lima, que fundou o bairro Vila Virginia em Ribeirão Preto, minha cidade.

Faço ballet desde os 7 anos de idade e me formei aos 18. Mas acabei abandonando assim que me formei para fazer faculdade de publicidade e propaganda. Sempre gostei da área de comunicação.  

Foi no trabalho que conheci o meu marido, em 1992, quando construímos juntos uma produtora de vídeo.  Um encontro profissional e também um encontro de almas. Juntos, atendíamos a grandes cliente. Fazíamos videos treinamentos para a área de RH de grandes empresas. Fazíamos tudo praticamente sozinhos no início. Desde  atendimento, roteiro, gravação edição, aprovação e entrega. 

Os anos passaram e quatro anos depois ganhamos o nosso maior presente: Felippe! Com 18 anos de “namoro” e um filho de 13, em outubro de 2010 oficializamos o nosso casamento. Hoje nosso filho tem 21 anos e cursa o penúltimo ano da faculdade de Direito. Mesmo ele ainda morando conosco, a temida sensação do “ninho vazio” já me angustia, apesar de saber que faz parte da vida. 

Por este motivo, me dedico ao meu blog e a dança que ilumina os meus dias. Meu blog, o ViCkNeWs (ww.vicknews.com) foi criado em 2011. Nele, faço de minhas postagens algo que de alguma maneira seja útil para que minhas leitoras mudem o seu comportamento de maneira positiva. Além dos posts dos eventos que acontecem na cidade, sempre busco compartilhar com minhas leitoras algumas atividades que as façam recuperar aquele brilho muitas vezes perdido na rotina do dia a dia, no passar dos anos.

Uma paixão: o ballet

Escrevo desde uma nova cor de esmalte, um tratamento novo para os cabelos, uma massagem,uma make ou uma atividade física que dê prazer. Foi assim com meus posts sobre minha iniciação na corrida, no pilates, e mais recentemente, no pole fitness. Mas a atividade que mais me devolveu o brilho, que vai sendo perdido a cada ano que passa, foi o meu retorno ao ballet.

Depois de formada já há alguns anos, retomei esta atividade que sempre foi a minha verdadeira paixão. E meu post sobre este retorno repercutiu de maneira muito positiva. Consegui alcançar um desejo interno que muitas tinham de retornar também a esta arte. E várias leitoras retornaram depois de ler meus posts não só no blog como também em minhas outras redes sociais.

Por mais para baixo que eu esteja em alguns dias, o simples fato de ouvir o piano e me exercitar na barra me devolve todo o brilho necessário para seguir em frente e enfrentar todos os desafios. A mensagem que deixo não só nestes posts, mas também na matéria que fiz sobre o mesmo tema em uma das revistas em que tenho coluna, é de nunca deixar de acreditar nos seus sonhos e buscar realizá-los, independentemente idade e medida. Deixar os preconceitos de lado e se entregar ao que realmente as faz brilhar, um pouco mais a cada dia.

Foi através do blog que eu conheci as Dominiques e me encantei. Estou prestes a completar os temidos 50 anos e foi tão bom para mim encontrar Dominiques tão lindas e seguras de si no evento no restaurante no Shopping Anália Franco. Estou acostumada a conviver com mulheres mais jovens que eu, tanto blogueiras quanto as colegas de dança.

As amigas da mesma idade parece estarem sempre numa competição de quem está mais rica, mais gorda, mais enrugada, mais infeliz. A maioria está se separando, o que não é o meu caso. Mas me fez tão bem conhecer vocês, Dominiques, tão lindas e seguras de si. Quero ser uma de vocês e já me sinto uma.

Quero deixar aqui meu depoimento de como é para mim ter retornado a dança depois de tantos anos. Hoje é a dança que me devolve o frescor dos meus 20 anos. Não há nada que me tire o prazer que ela proporciona. Nem os fios brancos que começam a aparecer nem as ruguinhas que o botox ajuda a esconder. Se em alguns momentos me sinto invisível por não me sentir a vontade nas rodas dos mais jovens, é na sala de aula e no palco que me sinto iluminada. Não apenas pelos refletores mas internamente, mas  pela luz que sinto transmitir. 

Não nego que me incomodo com o espanto de muitas conhecidas quando sabem que eu insisto em continuar dançando. Mas vou continuar, até quando minha alma desejar e minhas pernas aguentarem. E espero influenciar mais “Dominiques” a fazerem o que as fizer feliz.

Amei conhecer as Dominiques e, apesar de não morar em São Paulo (sou de Ribeirão Preto), farei todo o possível para estar nos próximos encontros. Ah, também seria maravilhoso ter vocês por aqui…

“Se eu ajudar uma pessoa a ter esperança, não terei vivido em vão” –  Martin Luther King

#SomosTodasDominique

Sobre o evento Somos Todas Dominique

Um evento, um cliente, uma amiga e muitas histórias

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Memórias Secretas – busca pela vingança de algo que não se pode esquecer jamais

Hoje a minha dica é o filme Memórias Secretas, disponível na Netflix, que fala sobre o Holocausto de uma forma diferente do que estamos acostumados a ver.

 Memórias Secretas usa a guerra como mote, mas se passa muitas décadas depois do principal evento do século XX, porém o ocorrido ainda está muito mais presente nos principais personagens.

A história é simples: o nonagenário Max (Martin Landau), um sobrevivente de Auschwitz, prepara uma vingança contra o nazista responsável pela morte de sua família nos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial.

Porém preso a uma cadeira de rodas e respirando com ajuda de aparelhos, ele não tem como executar o plano por conta própria. Para isso ele conta com a ajuda de Zev (Christopher Plummer), colega do asilo onde está internado, que tem início de demência. Contudo, Max o incumbe da missão de achar o assassino que matou a família de ambos. 

Drama, aventura e comédia

Então temos um drama histórico (o Holocausto) com pitadas de aventura (a caçada vingança) e levemente carregado de uma comédia involuntária (um senhor de quase noventa anos, sem memória, andando por inúmeras situações quase tragicômicas).

Atom Egoyan é um cineasta preocupado com a História. Em Memórias Secretas ele tem à sua disposição a parte mais crucial de um evento como esse: a pessoa, o homem, aquele que viveu na pele cada um desses episódios que, para alguns, estão apenas nos livros escolares.

No entanto, ele consegue construir uma trama tão bem elaborada e desenvolta que termina por funcionar também como um instigante drama de suspense, em que cada reviravolta pode levar sua experiência a um desfecho até então imprevisto.

Ao mesmo tempo em que o roteiro envolve o público em um suspense dramático, o roteirista consegue arrumar saídas para aliviar o peso da trama.

O veteraníssimo Christopher Plummer premia o público com uma brilhante interpretação. O personagem aparece quase o tempo todo e em toda cena há uma presença diferente e tudo que o personagem pede é colocado no limite, sem cair no exagero.

Vale o destaque também para o policial. O vigor que Dean Morris coloca no personagem é suficiente para nos brindar com uma das melhores e mais intensas cenas do filme. A cena em questão desperta tensão, incômodo e interesse. Muito por causa da atuação desses dois. O restante do elenco também é estrelar: o outro veterano Martin Landau tem aparições precisas e convence a todo o momento.

Um filme pequeno, mas que vai se agigantando durante seu desenvolvimento, até chegarmos a um desfecho arrebatador, que irá tomar qualquer um de surpresa pelo intrincado jogo de quebra-cabeças cuja última peça irá se encaixar, revelando um quadro inacreditável. Promete deixar refletir.

Memórias Secretas é um filme que apesar de algumas falhas, merece ser visto.

Confirma mais no trailer:

Outros filmes sobre guerrra:

Suite Francesa – amor proibido em tempos de guerra

The Post – a guerra secreta


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Leitura compartilhada e booktubers: as novidades no mundo literário

O brasileiro lê muito pouco. Infelizmente, as estatísticas mostram que a média nacional é de 2,4 livros por pessoa, por ano. Mas nem esses dados, a crise ou correria do dia a dia desmotivaram ávidos leitores em todo o país a incentivar a leitura. Que bom! Porque é a energia deles que trouxe novidades para o mundo da literatura. 

O hábito de ler não precisa ser mais uma atividade individual ou solitária. Os grupos de leitura estão na moda se espalhando por aí. A internet ofereceu ainda mais possibilidades. Já ouviu falar dos “booktubers”? São canais no YouTube especializados em resenhas de livros. O Instagram também tem perfis exclusivos para incentivar as discussões literárias. 

Como as Dominiques amam essas novidades, fiz uma seleção dos melhores grupos, canais e perfis nas redes sociais. 

Clubes de Leitura

O Leia Mulheres é um clube que incentiva a leitura de obras escritas por mulheres. Muito importante, já que o mercado editorial ainda é restrito e não oferece tanta visibilidade para autoras. Tudo começou com o projeto #readwomen2014 e a leitura compartilhada feita por um pequeno grupo, em São Paulo. O projeto cresceu, viou o Leia Mulheres e agora está presente em muitas cidades brasileiras. O site traz a relação completa dos grupos. Para participar, basta ler o livro indicado e participar dos encontros. 

O Leituras Compartilhadas é um clube de leitura presencial que se reúne há mais de 3 anos em São Paulo. O formato do encontro é uma roda de conversa para discutir e trocar impressões do livro escolhido no mês. Ao final do evento, os organizadores apresentam as sugestões de próxima leitura e a votação acontece ali mesmo. Dizem que a decisão do livro é uma batalha! As leituras acontecem na terceira sexta-feira do mês, na Livraria da Vila, em Pinheiros. 

No YouTube e no Instagram

O advogado Pedro Pacífico mantém o perfil @book.ster no Instagram e o canal Bookster no YouTube para compartilhar dicas e resenhas de livros. Mesmo com o cotidiano corrido, ele tenta mostrar que é possível sim adotar o hábito diário de ler. 

As amigas Denise Schnyder e Livia Piccolo criaram o perfil Livrogram no Instagram e no You Tube para compartilhar comentários sobre livros e dicas. No YouTube, elas também promovem leituras, fazem entrevistas e participam de eventos literários. 

No instagram, o perfil Um Livro por Dia diariamente uma sugestão de livro. Tem novidades e clássicos.

A professora Rita Zerbinatti mantém o perfil Cheirando Livros no Instagram para compartilhar o seu amor pela leitura e pelo café!

No canal do YouTube Tiny Little Things, a professora Tatiana Feltrin compartilha dicas de livros e incentiva a leitura ao comentar diversos tipos de obras.

Em seu canal no YouTube, a Pam Gonçalves tem um repertório imenso de atividades relacionadas à leitura. Tem videos especiais sobre séries de livros. Ela também divulga a sua rotina de escritora e comenta e-books. 

No canal Ler antes de Morrer, a jornalista Isabella Lubrano compartilha vídeos exclusivos sobre as principais obras da literatura brasileira e universal. A meta dela é ler e resenhar 1001 livros. Na torcida. 

O canal Literature-se é feito por uma estudante de Estudos Literários apaixonada por livros. A Mell Ferraz também dá preferência para obras e autores menos conhecidos. 

Que bom que projetos assim existem. 

Como disse Mario Vargas Llosa: “um mundo sem literatura se transformaria num mundo sem desejos, sem ideais, sem desobediência, um mundo de autômatos privados daquilo que torna humano um ser humano: a capacidade de sair de si mesmo e de se transformar em outro, em outros, modelados pela argila dos nossos sonhos”.

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Portugal por Uma Portuguesa Tropicalizada

Você conhece Portugal? Conhece mesmo? E os portugueses, seus hábitos? A cultura portuguesa ? Como uma portuguesa tropicalizada lhe digo que algumas dicas podem ser bem úteis ou pelo menos interessante de se saber para quem quer ir além do óbvio.

Contei no meu primeiro post (leia aqui) que apesar de portuguesa falo “brasileiro”* porque fui casada com um carioca. Mas ter sido casada com um brasileiro, ensinou-me muito mais do que o “brasileiro” que cá em Portugal aprende-se também assistindo a novelas.

Tropicalizei-me. E o que quer dizer isso? Quer dizer que entendo tanto um lado, bem como outro. Assim sendo digo que podemos até ser povos irmãos porém existem diferenças abissais de comportamento e hábitos.

Geralmente o brasileiro, por ser muito descontraído no trato em geral, não percebe a formalidade do português, e isso assusta demais num primeiro momento. Os portugueses, é claro.

No Brasil tratar o outro por “você” é de uma enorme informalidade, certo?

Pois aqui não. “Você “é um tratamento que distancia o outro. Só será próximo de alguém quando este lhe tratar por “tu“. Você perceberia a diferença de tratamento entre “- Estás boa?” – e “Está bem?” ? Não, né? Pois. Quando alguma amiga lhe perguntar se estás boas, considere essa sua amiga mesmo. Antes disso você é para ela uma conhecida.

Esta é apenas uma das sutis diferenças. Nada sério, nem melhor nem pior. Algo a se saber como outras coisinhas que quem sabe terei oportunidade de contar-lhes .

Uma coisa importantíssima é a saudação. O jeito que se aborda uma pessoa, seja ela quem for. No Brasil, se você precisa de uma informação, como começa educadamente a frase? Deixa eu adivinhar:

-Por favor, poderia me informar como faço para ir até a Rua do Cais?

OU

-Com licença, o senhor poderia me informar onde é a Rua do Cais, por favor?

Educadíssimo dirá você. Mas não. Se um português for abordado algum dessa maneira, com certeza ele dirá num tom de repreensão:

-Bom dia! No que posso ajudar?

E ainda acrescentará com certeza: Humpfff !!Brasileiros..

Aposto que você não sabe o que estava errado, né? Aliás, não está errado, dirá você. Mas para o português estava errado sim! Toda saudação há de se começar por bom dia, boa tarde ou boa noite. TODA!

Ahhh, entendeu né? Será? Então diga o que há de descabido na frase abaixo.

–Bom dia! Moça, você poderia me informar onde é a Rua do Cais?

Aqui é ainda pior. É capaz da moça lhe virar as costas e sair andando pisando firme e muito ofendida.

Acontece que na terra dos Lusíadas moça é sinônimo de mulher de reputação duvidosa. Aqui, quando se referir a uma jovem mulher, é sempre rapariga por mais estranho que possa nos parecer.

Acertando a saudação, o português é tão solicito que é capaz de lhe levar até a Rua do Cais, mesmo que esse não seja seu caminho. A gentileza faz parte do ser português.

Lusitanos têm um orgulho monstruoso por terem descoberto o Brasil, e desse gigante ter lhes pertencido . Pense bem, o Brasil tem um território de 8.516.000 km². Isso é 90 vezes o tamanho de Portugal (95.000 km²). 90 vezes!! Achamos as proporções todas coisa descomunal. Os tempos de deslocamento seja pela distância ou pelo trânsito são para os portugueses coisa inimaginável. E aí vem um brasileiro e diz que em 15 dias consegue conhecer Portugal de cabo a rabo (ahhh rabo aqui é bumbum. Não é tão feio assim falar rabo para mencionar nossas delicadas nádegas). Mas quem fala isso, denota enorme desconhecimento ou quem sabe até ingenuidade. É impressionante como há coisas a serem vistas, conhecidas e descobertas num país de dimensões tão pequenas. Há história em cada pedacinho de chão onde pisaram Eça de Queiroz, Luis de Camões, Saramago, Fernando Pessoa…

Vishhh, todo meu ufanismo parece estar aflorando nesse texto. Desculpe, mas sou portuguesa e somos orgulhosos demais de nosso país. E tenho certeza que vai concordar comigo que do seu país e dos seus irmãos, só você pode falar mal. Pois. Assim somos nós também.

E apesar de muitos acharem que o português não tem senso de humor, temos sim!!

Talvez um humor diferente do Brasileiro ou até mesmo do latino. Pode parecer pretensão, mas acho que fazemos rir da maneira que fazem os britânicos.

Olha só uma maneira gira (legal) de você conhecer um pouquinho mais de Portugal com muito senso de humor. Vale a pena assistir mesmo que já tenha visto esse vídeo que foi feito para rebater o tal ‘America First’ de Donald Trump há 2 anos. Garanto risadas.

America First, Portugal Second

Olha, tem tanta coisa para falar da Terrinha que acho que vou fazer uma série de textos. O que acha? Se começar a ficar chato me avisa, ok?

*Para os portugueses, os brasileiros falam o brasileiro português brasileiro. E eles sim, falam português.

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Uma Lenda Portuguesa: A História do Galo de Barcelos

Barbara Godinho

Sou uma Portuguesa meio tropicalizada. Moro em Lisboa, já fui curadora de museu e exposições. Hoje trabalho com turismo. Apaixonei-me pelo projeto Dominique e cá estou a colaborar.

2 Comentários
  1. Adorei! Agora sei que tenho cometido muitas gafes das quais meus amigos virtuais portugueses, se divertiram e riram muito…Mas…Quantas palavras eles me obrigaram consultar o google? Então estamos quites …Adoro meus amigos portugueses!!!❤❤

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Elisa y Marcela – um amor à frente de seu tempo

Baseado na história real do primeiro casal homossexual a se casar na Espanha, Elisa y Marcela, nova produção da Netflix, foca na relação das duas mulheres que se apaixonaram em 1901 e passaram suas vidas lutando para conquistar direitos básicos enquanto fugiam de perseguições.

Desde o início, a ambientação do longa é toda construída em torno da força do patriarcalismo e da religião da época.

Seu primeiro ato se estabelece principalmente na escola católica em que as meninas estudam administrado por freiras, onde Elisa também reside. Enquanto isso, Marcela vive com os pais. Seu pai acredita que mulheres não devem ler livros para não “aprender demais”, além de agir de forma autoritária com a esposa e a filha.

Após tais parâmetros serem estabelecidos, o filme guia-se por aspectos oriundos desses pensamentos, o qual mostra uma sociedade regida por comportamentos arcaicos.

Conservadorismo e preconceito

Homofobia, costumes antiquados e preconceito velado e explícito são discutidos nesse filme, dirigido por Isabel Coixet, uma das mais importantes cineastas espanholas. E com muita inteligência, a diretora traça paralelos entre a história de Elisa e Marcela com o conservadorismo tosco que ainda toma conta do mundo.

As atuações de todo o elenco são bem satisfatórias, mas realmente Natalia de Molina (como Elisa) e Greta Fernández (como Marcela) roubam a cena desde os primeiros minutos do longa, construindo uma tensão sexual e uma proximidade emocional que se expressa em pequenos olhares e gestos e nos aproxima do sentimento vivido pelas personagens. As cenas de sexo são claramente construídas aqui para serem poéticas e expressar a pureza de um relacionamento afetivo sincero.

O filme possui um visual lindo. A bela fotografia traz um ar todo diferente para o longa. Além disso, o figurino é bem adequado para a época, gerando uma boa caracterização junto ao cenário para a Espanha de 1901. A trilha sonora é teatral, e cada cena parece um ato perfeitamente orquestrado por personagens que parecem apenas rodear as duas desde o colégio, a casa, a igreja e a prisão.

As escolhas da diretora tornam Elisa y Marcela um registro sensível de incontestável importância.

É fundamental, afinal, exercitar a memória coletiva e resgatar histórias de mulheres icônicas. Só pela sua temática o filme já atesta sua singularidade e relevância.

É nessa saga de amor, desobediência, coragem e busca por liberdade que se baseia o filme de Isabel Coixet (diretora do também lindo A Livraria, filme que, aliás, já comentei aqui)

Filmado todo em preto e branco, o longa imortaliza Elisa e Marcela agora no cinema, recuperando suas histórias desde que se conheceram até um possível desfecho na Argentina.

As duas jovens ficaram famosas em 1901 por escolherem viver esse amor escandaloso e imoral num país que só aprovaria o casamento homoafetivo em 2005. 

Muito bonito!

Vale a pena conferir a dica!

Confira o trailer

Outros filme da Espanha

A Próxima Pele

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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O desafio das Dominiques de comprar um simples sutiã

Quem imaginaria que comprar um simples sutiã tornaria-se um problemão para mulheres com mais de 50 anos? A dificuldade não é na compra em si, mas em achar um sutiã que seja adequado ao corpo de uma Dominique e B.O.N.I.T.O. Dá até a impressão que quem cria as peças acha que toda mulher mais velha é simples, recatada e do lar. Não, não e não. Quero me sentir confortável, bonita e sexy. Por que não? 

Não é pedir muito. Sabemos que indústria de lingerie não presta muita atenção nas Dominiques nos seus lançamentos. As criações e as campanhas são sempre direcionadas para as mulheres mais jovens. São peças bonitas e gosto de muitas delas. Mas os modelos não levam em consideração as mudanças no corpo e formato dos seios das mulheres mais velhas. E é aí que começa o nosso desafio.

O melhor estilo de sutiã

O primeiro cuidado é com a gordurinha extra. É comum acontecer o aumento de peso, principalmente após a menopausa. O melhor modelo de sutiã deve ter uma tira lateral mais larga. A base alongada pode ser trabalhada, como nesse modelo em renda. 

Sutiã Dominique

Com a idade os seios ficam mais flácidos, porque o tecido perde a densidade e a elasticidade. Para as Dominiques com seios menores, um modelo com bojo que levante e separe pode ser uma boa opção. O bojo não precisa ter enchimento, pra aumentar o tamanho dos seios. A estrutura serve apenas pra moldar. 

sutiã roxo Dominique

Mas se você quiser dar um up também em volume, pode escolher um modelo que garanta a cobertura total dos seios, com um bojo mais volumoso. A dica aqui é comprar um sutiã que considere as duas medidas: das costas e do tamanho dos seios. E lembre: o bojo não pode apertar ou marcar os seios.  

sutiã roxo e dourado Dominique

As Dominiques com seios grandes podem optar por um modelo que dê sustentação, mas que não tenha nem bojo e nem enchimento. O sutiã pode ter um reforço interno pra garantir a firmeza. Alguns modelos têm aro, o que não agrada muitas mulheres. Uma opção com tecido duplo pode resolver. Se a alça for mais larga, melhor. Será mais confortáve. 

O sutiã em modelo triângulo é a dica coringa para a Dominique que quer se sentir sexy, mas também confortável. A lingerie ideal considera a somatória de base larga, bojo em tamanho adequado e o lindo decote.

A dica final para o sutiã ideal de uma Dominique é a cor. Sim, porque amamos cores e tecidos diferentes. Nada de modelos bege em tecido liso… que sem graça! Por isso, a seleção feita aqui só considerou sutiãs coloridos e, claro, o pretinho básico. Os sutiãs não são especiais para Dominiques, mas estão mais próximos do melhor modelo. As imagens são da loja Loungerie.

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O dia que uma cozinha esquentou a Guerra Fria

Chegada do homem a Lua. Corrida espacial. Guerra da Coréia. Corrida armamentista. Não. Não foi nada disso que há exatos 60 anos desestabilizou e enfureceu a União Soviética num dos maiores calores da tão famosa Guerra Fria. Não foi um novo satélite ou um míssel de longo alcance, mas sim uma cozinha. Isso mesmo. Uma cozinha equipada.

Ahhhh, essa história é muito boa. Vamos lá.

 Estados Unidos e União Soviética decidiram publicamente que a melhor maneira de aliviar as tensões que a Guerra Fria impunha a um mundo já desestabilizado era unirem-se em torno da ideia de mostrar ao mundo como cada uma das nações vivia. Mostrar em diferentes exposições como cada uma delas vivia. Criaram assim a  Exposição Nacional Americana, um dito um programa de intercâmbio cultural.

Os soviéticos trariam uma exposição para Nova York em junho de 1959, e os americanos fariam uma exposição em Moscou em julho do mesmo ano. Sendo esta a Guerra Fria, cada lado também viu isto como uma oportunidade para enviar muitos espiões para reunir toda a inteligência que pudessem.

Os soviéticos foram para Nova York com suas máquinas da indústria e satélites da Era Espacial, exibindo orgulhosamente a tecnologia que derrotaria teoricamente os Estados Unidos no espaço.

E agora? O que fariam os americanos? Levariam um foguete? Mandariam o computador mais moderno para calcular a área de Vladivostok? Qual tecnologia exibiriam os americanos que embasbacasse os Soviéticos e mostrasse toda superioridade americana?

Aiii, como eu invejo a inventividade e a criatividade americana. Eles conseguiram levar multidões a exposição que foi aberta no dia 24 de julho de 1959, irritando profundamente os líderes Soviéticos.

Mas como? Com o quê?

Com uma cozinha. Uma cozinha muito moderna e futurista ilustrando o American Way of Life.

Multidão Russa na expo59
Filas gigantescas para a Exibição americana em Moscou 1959

Multidões foram conferir como a vida de uma americana era mais fácil do que de uma coitadinha de uma dona de casa daquele gelado país.

Lava-Louça sonho de consumo até hoje

O que convence mais do que a tecnologia aplicada no dia a dia para facilitar a vida da gente? Uma geladeira que só faltava falar. Máquina de lavar pratos, que luxo!! Imagine uma soviética que enfrentava o tanque de lavar roupa com sua água gelada num inverno siberiano vendo pela primeira vez uma inacessível máquina de lavar roupa americana. Ahhhh, isso sim era tecnologia.

Soviéticas visitando cozinhas americanas

O que convence mais do que a tecnologia aplicada no dia a dia para facilitar a vida da gente? Uma geladeira que só faltava falar. Máquina de lavar pratos, que luxo!! Imagine uma soviética que enfrentava o tanque de lavar roupa com sua água gelada num inverno siberiano vendo pela primeira vez uma inacessível máquina de lavar roupa americana. Ahhhh, isso sim era tecnologia.

O aspirador de pó robô

Sacada genial dos americanos, mesmo que em alguns momentos suas traquitanas não passassem de ficção científica para época. Imagine você que eles levaram um aspirador de pó robô. É o que chamamos hoje de Roomba, e que me lembro de ter visto primeiramente pelos idos de 2015.

Os americanos não levaram apenas cozinhas para Moscou. Levaram seus carros, obras de art, lanchas, TVs, desfile de moda e tudo que mostrasse as felicidades e alegrias do consumo.

Um filme de Charles e Ray Eames (sim, o da cadeira) que descrevia a vida na América contada através de imagens fixas projetadas em sete telas gigantes de 20 por 30 pés. O filme é composto por 2.200 imagens. Os espectadores são inundados com imagens cuidadosamente selecionadas pela equipe de design de Eames, algumas fotos tiradas por Charles e Ray.

Agora, imagina a hora que os russos perceberam o jogo americano.

Acho que foi daí que surgiu a expressão “só falta combinar com os russos” (a verdadeira origem da expressão está no link). Os caras devem ter babado de raiva. Tanto que Nikita Khrushchev não conseguiu conter sua irritação e entrou num “debate” totalmente televisionado, com Richard Nixon, o Vice-presidente americano, na noite de abertura da exposição. Onde? Na frente da cozinha. E o episódio ficou conhecido como o Debate Na Cozinha

Guerra Fria na Cozinha
Guerra Fria na Cozinha

Os dois homens discutiram sobre tudo em exibição, com Nixon insistindo que o capitalismo americano permitia um padrão de vida muito mais alto. Khrushchev oscilou entre insistir que o americano médio não podia pagar as coisas que Nixon lhe mostrava e depois dizer que, mesmo que pudessem, o povo soviético logo teria esses mesmos bens de consumo.

Aiii meus sais..Quanto mais pesquiso para escrever esse texto, mais maravilhada eu fico. Minha vontade é de escrever e contar outras historinhas que aconteceram há exatos 60 anos em plena Guerra Fria . Mas acho que já está de bom tamanho, né? Caso alguém queira se aprofundar no assunto, coloquei alguns links no final do texto.

Contudo , para terminar PRECISO ainda contar uma curiosidade sobre o evento.

Modelos magérrimas. Bonito para uns, miséria para outros.

As mulheres soviéticas assistiam aos elaborados desfiles de moda admiradas. Mas além das roupas, claro, o que mais impressionou as soviéticas foi a magreza das modelos americanas. Elas estavam penalizadas por perceber que se passava fome na América do Norte.

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Onde estão as mulheres na Tecnologia?

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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