Tag: Cinema em Casa

Lída Baarová: as conseqüências de nossas escolhas

Lída Baarová, disponível na Netflix, é uma daquelas histórias pouco conhecidas que merecem ser contadas e assistidas.

Especial para a TV alemã, o drama biográfico dirigido por Filip Renc, conta a história da atriz tcheca Lída Baarová, que dá o nome ao filme.

Por sentir que sua vocação profissional é a Arte Cênica, e no intuito de satisfazer o desejo da mãe – de vê-la brilhar diante das câmeras – Lída empenha-se em conseguir espaço no universo dramatúrgico.

Aos quase 20 anos e no auge de seus estudos no Conservatório de Praga, ela alcançou seu primeiro papel, mas partiu para a Alemanha em busca da notoriedade, já que não conseguia em seu país natal.

Sua trajetória rumo ao estrelato começa com sua viagem a Berlim para protagonizar ao lado do belo ator Gustav Fröhlich, com quem teve um romance. Foi uma das grandes atrizes européias entre as décadas de 1930 e 1950.

Totalmente focada nos seus sonhos, Baarová se dedica ao máximo para poder falar alemão sem sotaque, algo valioso visto que acabavam de sair do cinema mudo. Conquistou papéis importantes, e com a ascensão se deslumbra com Berlim, e com o sucesso, participando de grandes festas e muito luxo peculiar à alta sociedade. Em contrapartida ficou totalmente indiferente ao que acontecia na horrível Alemanha de Hitler.

O destino da jovem atriz, entretanto, muda depois de conhecer o Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, um dos personagens mais sinistros da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha Nazista, entre 1933 e 1945. O ministro de Hitler, apaixonado pela atriz tcheca, ajudou-a a subir na carreira e ser uma das mais promissoras atrizes da Alemanha.

O longa mostra uma pessoa que busca o sucesso a qualquer preço, que se apaixona pela personalidade, força, poder do Ministro, e que enxerga, na paixão dele por ela, a chance de conquistar mais espaço e mais popularidade. Torna-se visível como Lída estava completamente alienada ao mundo a sua volta.

O ministro alemão relacionou-se por pouco tempo com a atriz já que, após sua esposa descobrir a traição do marido e pedir para que Hitler interviesse, ele foi proibido pelo próprio ditador de ver sua amante.

Vetada para o elenco de diversos filmes alemães como retaliação do governo nazista, e excluída por considerável parte da população de seu país, Lída foi acusada de traição à nação pelo envolvimento com o nazista, e por isso sua vida social e carreira desmoronaram.

Lída teve uma vida difícil após a guerra, transitou na época entre o cinema italiano e alemão, mas quando estava na Tchecoslováquia era tratada como traidora por ter se envolvido com o ministro nazista.

Falando objetivamente, apesar de ser um filme muito interessante, poderia ser dada mais ênfase à relação de Lída Baarová e Joseph Goebbels. Inclusive acho que por ser o atrativo do filme vemos pouco disso na tela e realmente não conhecemos a fundo quem era Goebbels. Como amante extremamente apaixonado toda a relação deles é mostrada rápida demais e falta coragem, poderia ser mais forte.

Lída Baarová, que tinha sido convidada para trabalhar em Hollywood e simplesmente recusou por seu amor a Goebbels, disse no fim de sua vida, com sua presunção costumeira: “Eu poderia ter sido maior que Marlene Dietrich…”

Agora é só dar o play e assista no fim de semana!

Gostei muito ter conhecido a vida de Lída Baarová que é tão pouco conhecida.

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Euforia: Trama delicada sobre o silêncio e a negação de um amor fraterno

Selecionado para a Mostra Un CertainRegard no festival de Cannes de 2018 e destaque da programação do Festival do Cinema Italiano no Brasil, “Euforia” é o tipo de filme que se aprofunda em seus personagens a partir das relações familiares vistas em cena.

“Euforia” é o segundo longa dirigido pela italiana Valeria Golino, uma das atrizes mais talentosas do cinema contemporâneo.

Valeria ampara bem suas ambições ao construir uma trama delicada que funciona muito bem.

Matteo (Ricardo Scarmacio) vive um personagem com bastante sensibilidade, é o filho perfeito, porém distante. Publicitário de sucesso, mora numa bela casa em Roma, tem muitos amigos e todos os luxos e conforto possível. Ettore (ValerioMastandrea), por outro lado, foi o que ficou na casa da família, no interior, e sempre levou uma vida mais acomodada. Professor casou cedo com a primeira namorada, e com ela teve um filho. Num primeiro momento é o mundo desse que começa a naufragar, quando recebe uma terrível notícia. Separado, morando com a mãe e com pouco tempo para cuidar da criança. Os dois, no entanto, são irmãos. E quando o caçula recebe a notícia sobre o que está acontecendo com o irmão mais velho, decide fazer tudo o que está ao seu alcance para ajudá-lo. Mesmo que aquilo que lhe é possível de imediato não faça muita diferença na vida do outro.

Desta forma, o grande potencial oferecido por seus personagens são as possibilidades de conflitos entre os irmãos devido às suas características pessoais. Ambos são figuras complexas, principalmente  Matteo, contribuindo para a dúvida sobre como cada acontecimento irá ser interpretado por eles. A cada nova interação entre os irmãos, suas histórias são reveladas aos poucos para o público, preparando-o para um choque capaz de acontecer a qualquer momento, mas muito bem construído até o final do longa.

“Euforia” é acima de tudo, um conto sobre os tempos que vivemos. E se mesmo assim tais rótulos acabam sendo explorados – aquele com todos os bens materiais sofre de solidão e carência, assim como o que enfrenta uma luta diária para seguir adiante tem mais com o que lidar dentro de si do que passa ao seu redor – eles surgem como ferramentas para um discurso superior, de fraternidade e aceitação. São humanos, repletos de falhas e alegrias, tristezas e acertos. E será esse conjunto que fará do banal, algo acima do esperado. Um acerto de pequenos detalhes, que resulta em um conjunto maior do que a soma das suas partes.

Próximo ao desfecho a produção brilha, com a solução encontrada para o conflito dos irmãos. 

Uma bela história sobre reconhecimento e aprendizado sobre a dor, utilizando como pano de fundo o relacionamento de irmãos com vidas distintas. Apesar de vidas conflitantes, ambos se querem bem acima de qualquer coisa.

Par o público mais aberto e disposto a prestar atenção, é suficiente para revelar incômodos e reflexões não tão fáceis assim, um feito notável do longa.

Muito bom!

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Lucy, filme intrigante e envolvente que surpreende!

Com idéias da nova Física, intrigante e envolvente, Lucy surpreende pelo roteiro inteligente

Scarlet Johansson é Lucy no novo thriller de ação de Luc Besson, disponível na Netflix.

 Lucy é uma garota comum, uma americana morando em Taiwan, quando se envolve com um perigoso grupo de traficantes. Feita de “mula” ela transporta uma substância secreta dentro de si, mas o saco se rompe e dá a ela poderes para lutar contra esses criminosos.

lucy-filme-netflix

A premissa do filme é essa, onde Lucy acaba sendo cobaia involuntária de uma droga experimental adquirindo a capacidade de acessar áreas do cérebro ainda inexploradas. Basicamente ela ganha super poderes, e podemos acompanhar o progresso das capacidades cerebrais de uma forma bem visual.

Estudos apontam que os humanos utilizam apenas 10% de sua capacidade cerebral. Mas o que aconteceria se fosse possível usar 20% ou 100%? Ainda que essa teoria esteja sendo revista é interessante considerar essas hipóteses.

Admitindo, desde o princípio, em entrevistas, que essa teoria é errônea, o diretor já pede uma descrença ao espectador.

Besson sabiamente evita o óbvio, adentrando sem medo, na ficção científica, e consegue nos surpreender a cada seqüência.

O ritmo do filme é bem desenvolvido, sem muita enrolação. Basicamente é uma grande demonstração de super poderes possíveis utilizando apenas a mente.

Johansson se sai maravilhosamente no papel, lidou com grande comprometimento nesse projeto, e constrói com detalhes a progressão entre Lucy inicial e as demais, com diferentes porcentagens da capacidade cerebral desenvolvida. A atriz confere vida a este projeto coerente, insano e divertido, marcado por uma saudável vontade de trazer algo diferente aos blockbusters de ação e ficção científica. Aliás, diga-se de passagem, esses realmente, não gosto mesmo.

Lucy consegue ser sério às vezes, hilário em outros momentos, e quem diria, até poético em alguns instantes. 

O ritmo dinâmico da obra é, porém, constantemente quebrado pela intercalação com cenas focadas no professor Norman (Morgan Freeman), que, longe dali, apresenta uma palestra sobre as possibilidades do uso do cérebro. O longa procura realizar constantes paralelos entre dois focos narrativos, e Freeman, como de costume, consegue nos cativar com sua sincera interpretação.

A fotografia consegue através de seus constantes closes, retratar o melhor de Scarlet, que definitivamente convence no papel.

As músicas que compõe a trilha são perfeitas para o andamento da história, combinando perfeitamente com cada cena, inclusive contando com momentos selecionados de silêncio. Besson coloca música pop rock nas perseguições de carros, e logo depois usa trechos de música clássica. 

Definitivamente, Lucy é um filme empolgante com reais ambições, tanto artísticas quanto comerciais.

O filme vai agradar a quem gosta de divertir-se com novas idéias e especular sobre a natureza humana.

Com efeitos especiais, além de perfeitos e muito bem usados, Lucy é lindo, bonito de se ver, divertido e interessante.

Realmente adoro o cinema francês em qualquer gênero.

Amei!


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Viver Duas Vezes comove com lindo road movie

María Ripoll, diretora do longa Viver Duas Vezes, mais uma vez apresenta uma comédia dramática, agora apostando nas doses de emoção. Lançado em 2020, é o mais recente filme falado em língua espanhola e uma produção original da Netflix.

Emílio (Oscar Martínez) é um ex-professor de matemática que vive sua vida na companhia de seu inseparável Sudoku. A situação complica, porém, quando ele é diagnosticado com Mal de Alzheimer. Preocupado em esquecer seu amor de infância, Emílio convence sua família a partir em busca da amada.

A viagem, que ocupa a parte central do filme, acaba se tornando o momento em que todos os personagens devem enfrentar todos os enganos que eles mesmos cometeram. Porém, precisam encontrar coragem para mudar suas vidas, ou começar uma nova.

Apesar de se passar na Espanha, a história poderia ocorrer em qualquer lugar do mundo.

Viver Duas Vezes é um típico road movie, sentimental e emocionante, que apesar de não ter pretensões conta com atuações magistrais da dupla de protagonistas. Dentro da dor que é uma doença degenerativa, aprendemos muito sobre o poder da reconciliação e na união de forças.

O elenco tem uma química incrível. Oscar Martínez (Relatos Selvagens) está simplesmente espetacular como ex-professor rebelde, sistemático, mas com alma. O ator consegue muito bem ordenar a evolução da doença de modo que a deixe crível e realista.

Sua neta, encenada pela pequena e adorável Mafalda Carbonell, ponto alto da produção, esbanja carisma, graça e sagacidade, além de acrescentar muito na relação entre os dois, tornando esses elos muito mais cativantes.

Já Inma Cuesta é a filha/mãe resiliente e evolutiva, que precisa ajudar um pai debilitado, ao mesmo tempo em que enfrenta uma turbulência no casamento com seu marido, vivido pelo bonitão Nacho López: um esquecível coach que pouco tem a fazer na trama.

O que mais funciona é o elenco carismático que consegue nos colocar em uma verdadeira montanha-russa de emoções.

Nesse pequeno círculo familiar estabelecido na obra, representando uma sociedade que exercita cada vez menos a empatia, um terreno frio em que o contato humano se tornou algo raro, a mensagem transmitida no belíssimo final é de pura esperança, falando diretamente à emoção de se perceber necessário na jornada de outros, certificar-se que sua passagem tocou de maneira profunda a vida de quem amamos.

Dirigido com extrema sensibilidade, Viver Duas Vezes é daqueles filmes que ficam na cabeça dias após ter visto.

Aborda um tema complicado com leveza e muito humor, sem ser superficial, desaguando num oceano de lágrimas no final.

Lindo!

Lindíssimo!

Amei! 

Assista o trailer

https://youtu.be/KHiEH1dOwiw

Mais filmes da Espanha

A Odisséia dos Tontos

No Fim do Túnel


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Drama romântico, salpicado com mistério, Jane Eyre é a frente de seu tempo

O já badalado diretor norte-americano Cary Fukunaga, em seu segundo trabalho, demonstrou talento ao dirigir mais essa adaptação do clássico romance de Charlotte Brontë, publicado em 1847. O filme Jane Eyre, lançado em 2011 nos Estados Unidos, está agora no catálogo da Netflix. 

Ambientado na Inglaterra Vitoriana, o longa narra a história da jovem órfã Jane Eyre, que após uma infância triste e muito difícil, vai trabalhar como governanta em uma mansão. Ela inicia um romance com o patrão Edward Fairfax Rochester. Mas segredos sobre o passado de Rochester podem comprometer para sempre o amor entre eles.

Funcionando como um bom drama romântico do século XIX, com toques de suspense, e tom melodramático por se tratar de um romance com tragédias, um amor forte, e um passado triste dos protagonistas, o filme é a combinação perfeita para qualquer público. 

Para viver a protagonista, Fukunaga convidou a jovem e talentosa atriz australiana Mia Wasikowiska, que tem uma excelente performance como a batalhadora Jane Eyre. A personagem é conhecida por ser uma mulher forte, que sobrepujou grandes dificuldades, e lutou para ser ouvida, para fazer o que achava certo, em um período no qual as mulheres não tinham direito a voz.

O filme explora os traumas da personagem pelos longos silêncios e expressões faciais contidas e assustadas da atriz, e uma postura de inferioridade diante de tudo a sua volta. Michael Fassbender, de nacionalidade alemão e irlandês, um dos melhores novos atores em atividade compõe o seu Rochester prepotente e ambíguo, mas aos poucos vai revelando suas atitudes apaixonadas.

A diferença de idade entre os dois funciona perfeitamente para criar o clima de romance. Ele sempre ameaçador e misterioso e ela, a novinha vulnerável, fazendo a química do casal funcionar.

Com um elenco de apoio acima da média, com destaque para a sempre respeitável Judi Dench e o talentoso Jamie Bell, ambos britânicos.

Jane Eyre é um romance de época (com pitadas bem vindas de suspense) que acredita na dupla protagonista para prender a atenção do público.

Um fato que merece ser ressaltado é o figurino. A excelente reconstituição de época em que o filme se passa, os detalhes e cada acessório são notáveis, os costumes e postura dos personagens também não passa despercebido criando assim o cenário perfeito para o longa.

O filme investe em flashbacks, atores de talento e uma estética que beira o gótico para ambientar elegantemente esse romance fantástico.

Se você ainda não viu esse filme, veja e se surpreenda com os segredos e reviravoltas que acontecem na vida das personagens do longa assim como me surpreendi.

Adoro esses romances dramáticos franceses do século XIX, parece que já vivi nessa época. 

Aqui fica uma bela dica principalmente se você é uma amante do gênero.

Belo entretenimento, um achado na Netflix.

Assista o trailer

https://youtu.be/9uBndXKKB_g

Mais filmes da literatura clássica

Madame Bovary

Mary Shelley

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  1. Can you be more specific about the content of your article? After reading it, I still have some doubts. Hope you can help me.
  2. Thanks for sharing. I read many of your blog posts, cool, your blog is very good.
  3. Oi boa tarde. Gostaria de saber o nome do filme sobre Jane eyre

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Negação – liberdade de expressão e o abuso da mesma

Baseado em fatos reais, o longa dirigido pelo inglês Mick Jackson e produzido pela BBC narra a trajetória da historiadora norte americana Deborah Lipstad (Rachel Weisz). Após publicar um livro que desconstruía o discurso dos chamados negadores do Holocausto, ela foi acusada por difamação pelo inglês David Irving (Timothy Spall), o mais controverso historiador e assumidamente negador daquele fato histórico. O longo entrou recentemente no catálogo da Netflix.

Negação, apesar de ocorrer majoritariamente numa corte, o que está em julgamento não é uma defesa pessoa. Mas, sim, a veracidade, a memória e a preservação de um ato fundamental para a consciência histórica.

O assunto está na ordem do dia. Negação, que reconstrói um embate jurídico ocorrido em 1966 sobre o Holocausto, debate temas atuais: as verdades alternativas, a intolerância religiosa e a supremacia das crenças sobre fatos históricos.

O diretor explora bem os meandros da estranha justiça britânica, mostrados aos olhos da americana cética, enquanto lida com as diferenças culturais da ré e os ingleses. 

O texto de David Hare, a partir do livro da própria Deborah Lipstad, vai direto ao ponto sem rodeios, é objetivo e conclusivo dando o recado de forma direta.

Negação tem um roteiro bem costurado, que não deixa espaço para hesitações e trechos a serem limados.

Negação possui aquele estilo famoso de filmes de tribunal e tem a duração perfeita, o que é apenas mais um ponto positivo em meio a tantas qualidades.

Sem elementos a mais ou a menos, a obra, por tratar de um assunto bem específico na vida dos personagens, é especialmente sustentada pelas atuações de Rachel Weisz e Timothy Spall. Ambos encarnam seus papéis com a confiança e a presença dignas de Oscar.

Tanto Weisz como Thimothy exalam tanta sinceridade em cada frase. O real julgamento está acontecendo diante de nossos olhos o que, logicamente, faz com que a torcida por Lipstad seja ainda mais forte. Quanto a David Irving, só nos resta encará-lo com uma perplexidade sem fim. Afinal, o responsável por este caso inacreditável que só quer enxergar o que é valido para si mesmo.

Weisz não exagera na emoção, jamais descambando para o melodrama, tão comum nesse de filme. A sua raiva contida é bem-vinda. Mas é Spall, o acusador, que dá o tom emocional (e irracional) do filme. Seu neonazista, racista, misógino e extremista é tão fascinante quanto grotesco. Um dos melhores trabalhos de uma carreira formidável.

Em tempos repletos de covardes ocultos atrás das cortinas digitais, que deturpam a todo instante o significado de ter direito à livre expressão e de pensamento, Negação é um lembrete poderoso que opiniões equivocadas, ainda que dê direito, têm conseqüências. 

Aqui fica a dica.

Um ótimo entretenimento.

Eu adorei!!!

Assista o trailer

Outro filme com Rachel Weisz

A Favorita


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Alicia Vikander é a alma de Pássaro do Oriente, thriller psicológico sobre traumas e culpas

Filme que entrou recentemente para o catálogo da Netflix, “Pássaro do Oriente” é instigante, conta com elenco competente e entrega um bom suspense.

Baseado no livro “Delito sem Provas”, escrito por Susana Jones, o longa se passa na Tóquio de 1989 e acompanhamos Lucy Fly (Alicia Vikander), uma tradutora vivendo no Japão para fugir do passado.

A protagonista conhece a garçonete Lily (Riley Keough) e o fotógrafo Teiji (Naoki Kobayashi), iniciando um estranho relacionamento com o rapaz e se sentindo, ao mesmo tempo, atraída e incomodada por Lily. Tudo vira de cabeça para baixo quando sua nova amiga desaparece e ela se torna suspeita de um suposto assassinato. 

A relação da protagonista com Lily e Teiji também cria um interessante jogo de mistério e sedução. Inicialmente uma amizade, os personagens de Vikander e Kobayashi desenvolvem uma tensão sexual crescente, apenas com poucos diálogos e troca de olhares. Não apenas a beleza dele a atrai, como também, a sinceridade e a aparente falta de timidez, tão tradicional nos jovens japoneses, a conquistam.

É incrível como uma história com 106 minutos de seqüências lentas, que se desenvolvem de maneira subjetiva, ou seja, de difícil entendimento consiga passar tão rápido. O espectador não se cansa.

Embora o roteiro seja pausado e complexo, as cenas constantemente voltam a acontecimentos passados da história, de modo a torná-las cada vez mais explicadas. Assim pode-se acompanhar o desenvolvimento da narrativa.

Além da maturidade artística, “Pássaro do Oriente” é a mais incitante e hipnotizante produção, do conceituado cineasta, diretor e roteirista inglês, Wash Westmoreland.

Além do suspense do clima sexy oitentista, o filme é visualmente atraente.

Vencedora do Oscar por “A Garota Dinamarquesa”, a sueca Alicia Vikander se destaca ao transmitir toda a personalidade disciplinada da tradutora através de pequenos atos, por exemplo, como ela se arruma e como ela amarra o cabelo. Vikander impressiona com seu domínio do idioma japonês.

A atriz é quem apresenta emoções que mais se aproximam da sobriedade, enquanto o galã japonês (Kobayachi) se impõe com sua presença física e voz profunda, sempre acompanhada de um sorriso sutil e olhar penetrante.

Riley Keough – na vida real neta do roqueiro Elvis Presley – é a força solar em “Pássaro do Oriente”, sensual e radiante, servindo como contraponto, tanto para Lucy quanto para Teiji. 

A fotografia é assombrosa de tão elegante, realmente magnética, especialmente nas cenas noturnas. Com takes ricamente construídos e bem centralizados – se passando na cidade de Tóquio, a cidade é quase uma personagem por si só.

A trilha sonora é primorosamente orquestrada, evocando emoções do que aquilo que está na tela merece.

Envolvente e bem construído, “Pássaro do Oriente” acaba por ser uma excelente surpresa no catálogo da Netflix.

Aqui fica a dica de um filme que adorei! 

Vale a pena conferir!

Confira o trailer

Filmes no Oriente

Assunto de Família

Parasita

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História de um Casamento – com atuações precisas de Scarlett Johansoon e Adam Driver, Noah Baumbach mostra como o amor é complicado

História de um Casamento, dirigido pelo diretor americano, Noah Baumbach é uma produção original Netflix, provável candidato ao Oscar em diversas categorias.

O longa já lidera o número de indicações do Globo de Ouro nas categorias de melhor filme dramático e melhor atriz e ator para Scarlett Johansson e Adam Driver. Laura Dern concorrente como atriz coadjuvante, além de além de melhor roteiro e melhor trilha sonora original.

O filme foca num casamento por meio de um retrovisor, à medida que os dois parceiros, um diretor de teatro de Nova York e uma atriz com um passado e um potencial futuro em Hollywood, seguem em direções opostas. Sua veracidade inspirou comparações com seu próprio casamento com a atriz nascida em Los Angeles, Jennifer Janson Leigh, da qual ele se divorciou em 2013.

Como tantas histórias infelizes, esta também começa por algo que passa por felicidade, começando com declarações de amor. No entanto, logo o espectador será forçado a se desfazer de ilusões e encarar o que tem pela frente – um casal em crise. 

Do casamento ao divórcio

Enquanto o lado racional de Nicole e Charlie pedia uma separação amigável, a realidade é outra. Se um casamento exige comprometimento, um divórcio é a sua negação.

No entanto, uma característica bem norte-americana surge com a entrada dos advogados em cena, transformando o que seria uma separação amigável numa batalha campal.

Franco e apaixonante, o filme nos leva a picos emocionais inimagináveis. Sensível, ele relata com precisão os desgostos de duas pessoas que decidiram separar suas vidas terminantemente.

Esse é um filme que vale a pena ser discutido não só pela sua qualidade, com um roteiro extremamente sensível, bem atuado e precisamente captado pelo diretor de fotografia. Mas pela perspicácia com que trata o tema escolhido.

E nesse contexto, Scarlett e Driver cativam nossos olhares, fascinando-os com sua densidade e entrega dos personagens. Vivendo os dramas e dissabores de Nicole e Charlie, ambos se tornam a combinação perfeita na telona. Eles têm uma química que extrapola, invadindo a mente do espectador que atento observa duas pessoas ideais se perderem de si mesmas.

Um show de interpretação

Scarlett está brilhante em passagens admiráveis (o relato dela no primeiro encontro com a advogada é primoroso). Mas o fato é que a câmera de Baumbach está mais interessada nas reações dele, e menos dela. Assim Adam Driver acaba descobrindo um terreno fértil para mergulhar de cabeça, hipnotizando o púbico de tanta emoção. Prepare o coração, e muitos lençinhos.

Laura Dern dá um show particular com toda a sua excelência, brilhante no papel da advogada Nora, maquiavélica e belicosa, ainda que a composição que oferece não esteja muito distante daquela vista na série Big Little Lies. 

Para enfrentar essa fera, Charlie contrata um velho profissional humanista (Alan Alda), mas depois se vê obrigado a substituí-lo pelo igualmente sanguinário (Ray Liotta), único capaz de nivelar-se a terrível Nora.

História de um Casamento é o passaporte da Netflix rumo ao Oscar, prometendo uma linda jornada que pode e deve render indicações a Scarlett Johansson e Adam Driver.

Belo! Belíssimo! Eu amei!

Assista o trailer

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Concorrentes Oscar 2020

A Odisséia dos Tontos

Parasita

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Diário de uma Paixão é uma encantadora e emocionante história de amor impossível à moda antiga

Ambientado no final da década de 1930, Diário de uma Paixão, dirigido por Nick Cassavets, é um filme sobre um amor impossível, simples, direto e que desenvolve nada mais do que o clima de amor entre os dois personagens principais.

Diário de uma Paixão é um filme sobre um amor intenso e comovente, exemplo do gênero com todas as dificuldades possíveis para o amor romântico, assim como sua luta incansável pela superação.

Noah (Ryan Gosling) e Allie (Rachel MacAdams) se encaixam perfeitamente no estereótipo. Ela rica, ele pobre, com diferenças sociais. Amor de verão não apoiado pela família da moça. Separação precoce com cartas sendo escondidas.

Anos depois da separação, o menino pobre amadurece e a menina rica afortunada aguarda o dia de seu casamento com um filho da alta sociedade. Nunca mais se veriam se o destino não os reunisse no mesmo cenário que um dia os assistiu amando. 

O que ele tem de especial e diferencial é o fato de ser um filme com ótimas escolhas e por ter uma direção impecável. É sem dúvida uma renovação da velha história contada de forma muito competente pelo ainda novato diretor.

Em Diário de uma Paixão a força toda está concentrada na emoção.

Não só o par central tem uma química fabulosa em cena, como o filme consegue ser consistentemente superior ao seu material, criando cenas de genuína ressonância emocional, e quem diria com absoluta sensualidade – as cenas de sexo entre Noah e Allie são incomumente convincentes, orgânicas, vaporosas.

O longa é mesmo Rachel e Ryan, mas por melhor que ele seja ao lado de MacAdams – e o casal é de uma intensidade que eletrifica a tela – o filme sem dúvida é dela.

O elenco de Diário de uma Paixão reuniu boas revelações com talentos comprovados, além de Ryan Gosling e Rachel MacAdams, os veteranos James Garner e Gena Rowlands, mãe do diretor entregam performances comoventes.

Espere por cenários belíssimos muito bem fotografados, com uma linda cena de beijo na chuva, um passeio inesquecível entre árvores, patos, e muito mais. Inclusive a abertura foi magistralmente trabalhada, quase toda contra o sol, aproveitando bem as silhuetas, em conjunto com o paradisíaco cenário que rodeia os personagens principais.

Ambientado no final da década de 1930, o longa retrata fielmente um filme de época, dos figurinos elegantes às noções mais conservadoras da vida em sociedade.

Diário de uma Paixão é bonito, sensível e irresistível. Ganhou vários prêmios, no entanto foi entre os jovens que ele realmente mostrou sua força.

Uma história contada com dedicação e carinho, com cenas de muito encanto e uma trilha sonora não menos envolvente. Uma obra que merece ser vista com alma, e o coração bem abertos.

Mas confesso que é melhor reservar um lencinho para o final do filme.

É muito lindo!

Amei!

Assista o trailer

https://youtu.be/_m_6gawr2OE

Outros romances imperdíveis

A Promessa

Resgate do Coração


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Resgate do Coração – comédia romântica com pitadas natalinas

Como sugere em seu título original, “Holiday in The Wild”, o filme se propõe a trazer um conto natalino. No entanto, a festa de final de ano é pouco relevante. O foco se dá em Kate (Kristin Davis), uma dona de casa, esposa de um rico empresário de Nova York, que abdicou de sua carreira profissional de veterinária para se dedicar a família. Assim que seu filho parte para a universidade, ela recebe a notícia que seu marido quer o divórcio.

Abalada com o fim do relacionamento de décadas, Kate resolve ir para a África e curtir uma viagem que seria originalmente uma segunda lua de mel do (ex) casal. Durante um desvio pela Zâmbia, ela ajuda seu piloto Derek Holliston (Rob Lowe) a resgatar um bebê elefante órfão. Os dois permanecem cuidando dele em um Santuário de elefantes local, e Kate decide ficar para o Natal.

A atriz Kristin Davis (série Sex and The City) tem uma carreira muito mais marcada por seriados do que por produções na telona. No longa, ela é boa a que se propõe.

Davis e Lowe fazem um ótimo casal na tela, a química funciona e os atores entregam um genuíno carinho entre seus personagens. O roteiro constrói com eficiência a maneira com que eles se aproximam, não parecendo forçado, nem repentino demais.

Uma Dominique em Zâmbia

O acerto do filme é evidenciar que o caso de amor da mulher de 50 +, desencantada após ser cruelmente desprezada pelo marido, e a missão daqueles estranhos na Zâmbia, o relacionamento vivido com Rob Lowe é apenas conseqüência natural. 

Pode-se tirar de muito bom em Resgate do Coração a mensagem do terror – que ainda resiste nos dias atuais – relacionado à caça de elefantes, para obter suas enormes presa brancas, o marfim.

Kristin Davis, na vida real, trabalhou no programa de resgate e reabilitação de elefantes órfãos. Este projeto para a Netflix teve uma carga especial, algo perceptível no brilho em seu olhar nas várias cenas em que contracena com os animais. 

A delicadeza com que a atriz trata a relação com o elefante órfão, repetindo o ato materno de marcar na parede o crescimento do filho, torna crível a sua jornada, praticamente abandonando a vida social na cidade grande.

O filme consegue ser adorável e ser uma obra com reais sentimentos. Maravilhosamente sessão da tarde, oferece vários elementos para quem gosta de curtir uma narrativa que pode até ser simples e de fácil digestão, no entanto está repleto daquele sentimento de uma boa comédia romântica.

Prepare seu balde de pipoca e divirta-se no feriado com esse filme bonitinho demais!

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Comédias românticas para feriado

Alguém tem que ceder

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