Tag: 2019

Elisa y Marcela – um amor à frente de seu tempo

Baseado na história real do primeiro casal homossexual a se casar na Espanha, Elisa y Marcela, nova produção da Netflix, foca na relação das duas mulheres que se apaixonaram em 1901 e passaram suas vidas lutando para conquistar direitos básicos enquanto fugiam de perseguições.

Desde o início, a ambientação do longa é toda construída em torno da força do patriarcalismo e da religião da época.

Seu primeiro ato se estabelece principalmente na escola católica em que as meninas estudam administrado por freiras, onde Elisa também reside. Enquanto isso, Marcela vive com os pais. Seu pai acredita que mulheres não devem ler livros para não “aprender demais”, além de agir de forma autoritária com a esposa e a filha.

Após tais parâmetros serem estabelecidos, o filme guia-se por aspectos oriundos desses pensamentos, o qual mostra uma sociedade regida por comportamentos arcaicos.

Conservadorismo e preconceito

Homofobia, costumes antiquados e preconceito velado e explícito são discutidos nesse filme, dirigido por Isabel Coixet, uma das mais importantes cineastas espanholas. E com muita inteligência, a diretora traça paralelos entre a história de Elisa e Marcela com o conservadorismo tosco que ainda toma conta do mundo.

As atuações de todo o elenco são bem satisfatórias, mas realmente Natalia de Molina (como Elisa) e Greta Fernández (como Marcela) roubam a cena desde os primeiros minutos do longa, construindo uma tensão sexual e uma proximidade emocional que se expressa em pequenos olhares e gestos e nos aproxima do sentimento vivido pelas personagens. As cenas de sexo são claramente construídas aqui para serem poéticas e expressar a pureza de um relacionamento afetivo sincero.

O filme possui um visual lindo. A bela fotografia traz um ar todo diferente para o longa. Além disso, o figurino é bem adequado para a época, gerando uma boa caracterização junto ao cenário para a Espanha de 1901. A trilha sonora é teatral, e cada cena parece um ato perfeitamente orquestrado por personagens que parecem apenas rodear as duas desde o colégio, a casa, a igreja e a prisão.

As escolhas da diretora tornam Elisa y Marcela um registro sensível de incontestável importância.

É fundamental, afinal, exercitar a memória coletiva e resgatar histórias de mulheres icônicas. Só pela sua temática o filme já atesta sua singularidade e relevância.

É nessa saga de amor, desobediência, coragem e busca por liberdade que se baseia o filme de Isabel Coixet (diretora do também lindo A Livraria, filme que, aliás, já comentei aqui)

Filmado todo em preto e branco, o longa imortaliza Elisa e Marcela agora no cinema, recuperando suas histórias desde que se conheceram até um possível desfecho na Argentina.

As duas jovens ficaram famosas em 1901 por escolherem viver esse amor escandaloso e imoral num país que só aprovaria o casamento homoafetivo em 2005. 

Muito bonito!

Vale a pena conferir a dica!

Confira o trailer

Outros filme da Espanha

A Próxima Pele

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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A Educação é a maior das soluções

Em sua primeira experiência na direção de um longa-metragem, Chiwetel Ejiofor esbanja sensibilidade no drama “O Menino Que Descobriu o Vento”, filme original produzido pela Netflix. O ator, que também é roteirista e um dos protagonistas do filme, ganhou notoriedade atuando em “12 Anos de Escravidão”.

Com roteiro adaptado do livro homônimo escrito em 2009 por William KamKwamba, o longa narra a história real ocorrida em 2001 com a família do próprio William (interpretado por Maxwel Simba, em seu primeiro filme).

William, um garoto nascido em um vilarejo no Malawi, cresceu vendo os pais e vizinhos trabalhando como agricultores para sobreviverem. Seus pais, apesar da vida pobre, lutavam para custear os estudos dos filhos para que William e a irmã Annie pudessem ter um futuro melhor.

Mas esse cenário muda quando o governo começa a comprar terrenos próximos e derrubar árvores, em função do desenvolvimento industrial, o que influencia nas mudanças climáticas na região, fazendo com que tenham chuva em excesso e também longos períodos de seca.  

A história mostra todas as questões que levaram o povo do vilarejo à miséria, e esse se torna o ponto alto do filme.

Assim como a fome, a educação é outro tema base do roteiro. William é uma representação perfeita de que o comprometimento é o melhor companheiro que a educação pode ter.

“O Menino Que Descobriu o Vento” é um daqueles filmes de cortar o coração em que não há nada que esteja ruim que não possa ficar pior e que, ainda assim, nos mostra como aos olhos sonhadores de uma criança ainda há esperança para a humanidade.

As atuações, todas de extrema importância em seus papéis. Destaco Maxwel Simba, que nos traz um William curioso, inteligente e emotivo, mostrando com clareza os sentimentos e nos arrancando lágrimas e sorrisos. Ele tem um daqueles rostos adoráveis que nos faz querer acompanhar cada expressão.

Ejiofor também brilhante como Trywell KamKuamba, dando emoção para algumas das cenas mais fortes do filme. Ainda, no papel de Agnes KamKuamba, mãe de William, a atriz franco-senegaleza Aïssa Maïga traz a visão importantíssima da mulher num mundo duro, dominado pelos homens e suas mesquinharias e merece aplausos pela sua atuação.

Os cenários são muito bem feitos e nos transportam para o próprio vilarejo de Malawi, com suas casas rústicas e estradas de terra. O diretor de fotografia utiliza a desolação das secas nas paisagens em meio à narrativa com planos abertos mostrando toda a aridez ao redor da aldeia. São pouquíssimas cenas noturnas, dado que o importante aqui é capturar, com a claridade da luz do sol, cada traço de emoção genuína do elenco.

Outros filmes na Netflix:

Jovem e Bela

A Livraria

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O que não pode faltar na minha lista de ano novo

Não sei se para vocês é assim! Ultimamente o tempo tem passado rápido demais. O Ano Novo sempre vem numa velocidade tremenda. Mal consegui cumprir os meus objetivos propostos para 2018 e já tenho de pensar nas coisas que não podem faltar na lista de 2019.

E agora?

Acho que o lance é não se cobrar muito. A vida não pode ser traçada numa planilha e as resoluções consideradas metas que precisam ser batidas.

E é preciso reconhecer que a gente é o que é: seres imperfeitos, que mudam sim de opinião. Sem carregar culpa.

Às vezes, a gente se transforma aos pouquinhos. Devagar mesmo! E sou dessas que gosta de comemorar cada pequena mudança, cada pequena conquista. Afinal, creio que viemos a este mundo para evoluir.

É por isso que não vejo problemas em repetir algumas resoluções. Sou brasileira e não desisto nunca! No final todo mundo quer é a mesma coisa: ser feliz…

Não que emagrecer ou aprender um idioma seja sinônimo de felicidade. São apenas complementos que dão aqueleeeee impulso para me sentir poderosa. Pra mim, algo que não pode ficar de fora nunca.  

Então veja minha listinha, seus níveis de dificuldades e inspire-se.

E não se cobre tanto! Se não der pra fazer tudo logo logo 2020 pinta por aí! Com um monte de novos desafios para fazer a gente crescer mais um tantinho.

1.     Perder peso. SEMPRE

2.     Comer, beber ou aprender algo novo. FÁCIL

3.     Guardar dinheiro. NUNCA SAI DA LISTA

4.    Ser feliz mesmo sem guardar dinheiro 🙂 MUITO POSSÍVEL

5.     Definir uma meta atlética acessível como uma meia-maratona internacional ou aprender a nadar no mar. DESAFIADOR

6.    Apaixonar-me. DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

7.     Ler mais. FÁCIL

8.    Beber menos. MUITO DIFÍCIL

9.    Ampliar o trabalho voluntário. SÓ QUESTÃO DE VONTADE

10.E, FINALMENTE, rir de si mesma se não conseguir cumprir TODAS as metas acima!!!!

Ufa! E vocês, que consideram indispensável na sua lista de resoluções para o ano novo? Conta pra mim?

Que tal voltar aqui ao final de 2019 e ver quais foram as principais dificuldades para cada uma?

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