Aconteceu

Um evento, um cliente, uma amiga e muitas histórias

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Evento Dominique no Shopping Anália Franco

Hoje assisti algo muitíssimo perturbador. Saí diferente de lá.
Sim. De lá. Apesar de ser um vídeo do Netflix, embarquei na narrativa da pessoa. Foi uma viagem conturbada e emocionante.
Se já assistiu “Nanette” sabe do que estou falando mas se não assistiu digo que é algo necessário na vida da gente.
Uma amiga me recomendou e foi assertiva: – Você tem que ver!!!
Diante de tamanha ênfase não tive alternativa a não ser assistir imediatamente.

Agora, pensando, reconsidero minha recomendação.
Não.
Não é para qualquer um. Só alguém que te conhece muito bem pode fazer tal recomendação porque como me disse Consuelo ao falar dele, “acho que vai te tocar como me tocou. Cresci uma geração diante daquilo tudo”.
E batata!! A história da comediante Hanna Gadsby me pegou.

Como pode, a Consuelo em menos de um ano, me conhecer assim?
Conhecemo-nos por motivos profissionais em agosto/setembro de 2017. Para palestrarmos juntas em dezembro do mesmo ano.
De lá pra cá, nos encontramos poucas vezes, mas mais vezes do que muita amigona que mora São Paulo.
E toda vez que estamos juntas, temos uma sintonia tão boa!! Assunto pra mais de mês. Papos legais, divertidos e por vezes profundos.
Com ela aprendi o que é FOMO. Aprendi também  que somos muito melhores depois de uma taça de vinho.

Nossa primeira palestra rolou tão bem tão bem, que os presentes acreditaram que éramos amigas de infância mesmo.
Tanto que fomos chamadas para uma segunda que aconteceu esta semana.
A Cliente, o Shopping Anália Franco acreditou no projeto Dominique. Na força da mulher de 50, na Consuelo e em mim.
Quando digo A cliente quero dizer que o Shopping Anália Franco tem que ter alma feminina.  Sem sexismos toscos ou feminismos bobos, digo que poucas vezes fui tão bem tratada por um(a)  cliente. O respeito pelo fornecedor (nós) e pelas próprias clientes que estariam ali nos assistindo, é coisa de mulher no melhor sentido Yin e Yang.
O trabalho é importante. O dinheiro também. Mas todo mundo tem que estar feliz!! E estavam.

Elas ofereceram uma tarde inesquecível para 100 mulheres.
Fecharam um restaurante. Só para nós. Um cardápio super pensado. Para a  chegada, o durante e para o depois. Um inebriante espumante embalou nossas conversas.
E mimou. Mimou a todas nós, com gifts. Muitos Gifts. Quem não gosta de ganhar Presentes? Cada uma de nós saiu de lá com pelo menos 7 pacotinhos.
Yes darling. Pelo menos 7 pois algumas sortudas ganharam o sorteio de outras 10 prendas.
Aiiii Que delícia.

Agora quero falar das 100 mulheres que lá estiveram.
Mulheres bonitas. Alegres. E arrumadas.
Gente!! Elas se arrumaram para irem nos ver!!  Amigaaaaaa, olha que gente mais bacana!!
Entramos, Consuelo e eu, e o que vimos foi um monte de sorrisos. Senti uma felicidade no ar que dava pra pegar com a mão.
Meu nervosismo de principiante e foi dando lugar a Lili. Lili é como sou chamada por algumas pessoas. Lili é a amiga, a companheira, a cúmplice.
Mas não estava nervosa apenas por nao ter grande experiência em estar deste lado do palco. Mas pela responsabilidade diante de um cliente que me tratou a pão de ló.

Sou ansiosa sim. Sou controladora também. Tento há anos melhorar, enfim…A coisa é que  alguém acreditou no que eu falei! Alguém comprou meu sonho. E portanto, o mínimo que eu tenho que fazer é corresponder. Era um compromisso firmado!
Olhei tudo nos mínimos detalhes e claro, contei com ajuda de pessoas muito competentes. E agora, publicamente, aproveito para pedir desculpas . Talvez não tenha reconhecido o suficiente a dedicação de minha equipe.  Muito obrigada! Sozinha ninguém faz nada!

Mas como disse, estava nervosa, muito.
Tentei ensaiar e simplesmente não saiu.
Vc pode imaginar meu pânico?
Tentamos novamente. E eu travei de novo.
Comecei a ficar muitíssimo preocupada. Foi quando Consuelo me convidou para almoçar.
Me acalmou. Conversou. Pedimos um vinho que eu tomei sozinha.
Também já conheço um pouco Consuelo e sei bem que ela adicionou uma doçura extra em sua fala e em seu olhar. Vi que estava preocupada, mas ao meu lado, me entendendo, me desculpando e me apoiando.
E deu certo!! Entramos.  Falamos. Conversamos. Rimos. Vibramos.

Bom, o universo retribui. Quem acredita nisso?
O carisma de minha colega de palco é inegável. O carinho que aquelas 100 mulheres dedicaram a nós, mas principalmente a ela é um sinal. Sinal de que algo de muito bom Consuelo oferece a elas. E como disse, tb a conheço um pouco para saber da verdade e da emoção em cada palavra que falou.
As pessoas estavam lá para saber dela, ouví-la, vê-la. Acabaram conhecendo a Lili e sobrou carinho até pra mim.
Vi como Consuelo tratou cada uma daquelas 100 mulheres. Acredite ou não, ela conhecia a história de muitas delas, sem nunca te-las visto.
Minha amiga responde a cada mensagem recebida em seu blog. Ela se envolve na história das Dominiques, ela se interessa e sofre ou torce junto a cada uma delas. E de verdade, até pq só assim conta, né?

Todo discurso de Dominique girou em torno das histórias que temos para contar.
Pedi histórias para as Dominiques. Pedi que me contassem para que eu pudesse dividir com outras e para que nós, humildemente, tentemos mudar o olhar de uma sociedade para uma geração tão diferente de mulheres que somos nós.
Histórias. Muitas e diversas.

Lembra do tal universo que falei lá em cima?
Então. A hora que abri os mimos do shopping, olhe só o que era um deles :

A Shoulder sabe que Dominiques contam histórias!!

Nem se tivéssemos combinado.

E já voltando para casa, dando uma carona para Consuelo,  emendamos num de nossos deliciosos papos. E foi quando ela me recomendou Nanette. Ficamos no carro papeando, sabendo que não estaremos na esquina uma da outra nos próximos meses, e que na nossa vida corrida, nao sobrará tempo para papos ao telefone. Então aproveitamos nossos derradeiros minutos juntas. E foi aí que ela desceu do carro, e se despediu de mim com a seguinte frase:

– Muito obrigada por respeitar tanto o trabalho!

Pedi que repetisse pois achei que não tinha entendido direito. Mas era aquilo mesmo.
O respeito a que ela se referia, não era a SEU trabalho. Mas ao trabalho. De uma maneira geral.
Ela não individualizou ou trouxe para ela o meu respeito. Ela fez meu respeito soar muito maior pois referiu-se ao trabalho da maneira como eu o entendo.

Consuelooooooo!! Cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!!!

Veja as fotos do evento no Pinterest

Increva-se aqui e saiba antes quando será o próximo encontro!

Você conhece os Pequenos Encontros & Grandes Histórias da Dominique?

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

11 Comentários
  1. Foi fantástico conhecê-las pessoalmente, vocês são pessoas incríveis, super competentes, experientes e com um astral incrível. Obrigada pela tarde deliciosa, cheia de lindas histórias e trocas de experiências e energias boas! Estou feliz por ser uma nova Dominique!

  2. Lili e Consuelo, pena eu não ter ido desta vez..
    Vcs moram no coração ! Tão legal abrirem um espaço de troca, distração, reflexão,risadas, besteirol,choros, etc, etc..mas acima de tudo ,um espaço NOSSO. Sim, isso é possível, é merecido.
    Obrigada Dominiques, até o próximo encontro mas sempre por aqui, bjs

  3. Pena que não pude estar presente neste evento tão especial ; fiquei morrendo de tristeza por não ter remanejado meus compromissos. Pelas fotos, da pra perceber como foi intenso e e leve , alegre e descontraído o evento. . Parabéns Li ou Super LILI ou simplesmente Eliane e concluindo você É o Retrato vivo desta famosa guerreira Dominique! Mil pra vcs e todas Dominiqiues. Parabéns.

  4. Alessandra querida! Conheci nesse evento um outro significado para a palavra carinho. Que coisa mais bonita. O atral estava tao bom que minha impressao é que todo mundo saiu de lá mais feliz do que entrou. E isso deixou a Consuelo e eu em estado de graça.
    Vamos continuar o contato. Até por isso criei aquela página.
    Quem sabe, né?

    Beijos

  5. Menina… me identifiquei 100% no nosso encontro e também com tudo o que vc escreveu! Fiquei muito feliz com nosso memorável dia e por ter conhecido Dominiques tão incríveis quanto suas histórias! Obrigada pela oportunidade ímpar!

  6. Eu me apaixonei pela Consuelo em 2015 sem saber muito sobre ela… A gente conversava pelo Snapchat e fomos criando uma relação tão legal…. Que quando conheci ela foi tão mágico… Então catei os stories para ver a Consuelo… E matar um pouco da saudade… Vou esperar vocês em Floripa e vou levar minha mãe também…. Obrigada por tanto ensinar… Logo logo sou eu com 50 rsss

  7. Imagino que tenha sido um encontro delicioso e memorável, não a conheço bem mas a Consuelo já acompanho há algum tempo e sei de sua delicadeza e atenção com todos.
    Espero que tenha mais encontros como esse para que possa deliciar nossa alma.
    Parabéns pelo trabalho e pelo respeito ao trabalho.

  8. Lili! Acredito que posso chama-la assim, sera
    Sorry pela falta de alguns sinais e acentos, computador novo e ainda não me acostumei com o individuo rsrs
    Delicia demais ver voce e Consuelo juntas – duas pessoas que me ensinam muito, sem ao mesmo ter ideia de que existo, me ensinam moda, cultura, comportamento, me sinto feliz quando encontro um tempinho e passo por aqui! Fiquei curiosa com uma coisa, talvez voce ja tenha explicado em outro post que não tenha lido – o que e FOMO – kkkk me ensina também
    Obrigada por ser uma Dominique e me ensinar a arte do empoderamento feminino! Forte abraco e um lindo dia p voce!

    1. Olá Paula, que delícia de mensagem!! Saber que fazemos parte da vida de alguém dessa maneira, me deixa muito feliz. Pq a ideia é essa!! É fazermos parte. O sentimento de pertencimento é importante em todos os momentos da nossa vida, mas quando viramos Dominiques é vital sabermos que nao estamos sozinhas.
      E FOMO = Fear of missing out – é o medo de estar perdendo alguma coisa. Saber que alguém está fazendo algo e COMO eu nao estou?? É a ansiedade de querer nao perder absolutamente nada.

      Querida, um grande beijo de sua amiga, Lili.

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Waze é o meu mentor – Ele manda…Eu obedeço e às vezes me dou mal

Dominique - waze
Dizem que o cérebro feminino não tem capacidade para compreender coordenadas geográficas. Sou o melhor exemplar da espécie. A rainha do aplicativo Waze!

Não tenho um resquício de senso de localização. Retorno? Só se for o básico do básico, em U. Mapa? Tenho que virá-lo na posição em que me encontro, pago micos homéricos.

Sem qualquer traço de cerimônia, pergunto o caminho a qualquer transeunte (o que é inaceitável para qualquer homem). E, confesso que é impossível para mim lembrar em qual rua mesmo eu devo virar depois de atravessar o viaduto.

Em compensação conheço cada beco que você não acredita.

Duvido que você já tenha se deparado com um bode colorido passeando pelas ruas arbóreas de Itaquaquecetuba ou cabeças de porcos sendo vendidas na feira em Caieiras. Tirei fotos espetaculares que enriquecem meus álbuns. Uma viagem pelo Vale do Loire ou pela Toscana não me proporcionaria experiência parecida.

A invenção do GPS foi a salvação da lavoura para mim. Assim que lançaram, comprei um a perder de vista. Na época custava uma fortuna, mas um luxo que eu não podia abrir mão.

A engenhoca virou meu mentor. Nunca obedeci a ninguém. Com ele não havia discussão, nem polêmica. Vire aqui, eu virava. Entre à direita, lá estava eu. Sem qualquer questionamento. O melhor exemplo de relacionamento harmônico.

E assim ganhei uma multa por entrar na contramão. Ele mandou, eu virei. Tentei explicar ao guarda, atitude em vão.

Agora estou empolgadíssima com o Waze e me aventuro pelos quatro cantos de São Paulo.

Desvendei o paradeiro das favelas mais quentes do planeta e enfrentei meus piores pavores. Para que pagar terapia? Siga o Waze. Não dizem que a melhor forma de vencer o medo é enfrentando-o? Comprovei a teoria. Fiz duas descobertas essenciais para minha existência: sou portadora de uma coragem latente no meu íntimo e o Waze é mais sem noção que eu.

Um pouco, não muito, mais esperta, aprendi a domar o infeliz. Uso com parcimônia o maledeto só para identificar para que região da cidade devo me encaminhar. Ainda tenho sérios problemas para distinguir a Zona Norte da Sul, a Leste da Oeste.

Mas eu chego lá.

Quem nunca teve problemas com o Waze não é mesmo?

Leia Mais:

Os 50 trazem de tudo, mas nada como a sensatez e a ousadia!
Penélope Charmosa dos tempos modernos – Uma pré-Dominique com certeza!

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Penélope Charmosa da atualidade – Uma pré-Dominique com certeza!

Penélope Charmosa
Numa manhã de terça-feira, saindo de Vinhedo rumo à São Paulo para trabalhar, vejo em uma rua movimentada da cidade, uma mulher, loira, dava para ver os cabelos embaixo do capacete numa dessas motos enormes. Parecia a Penélope Charmosa!

Foi impossível não grudar os olhos nela tamanha a agilidade que pilotava aquela moto gigante.

Confesso que a persegui por um bom tempo. Não é comum ver uma mulher em cima de uma dessas máquinas enormes e resolvi abordá-la!

Acelerei, fiz um gesto que precisava falar com ela. Sem muito entender, a moça parou a moto, estacionei o carro, desci e me apresentei. Pedi para ela compartilhar sua experiência, coragem e história com nós, Dominiques!

Marcela Scala, tem 36 anos, é enfermeira de Home Care e Enfermeira Autoridade Fiscal na Vigilância Sanitária, em uma cidade no interior, e a sua moto é uma Yamaha Midnight 950 cc. Maravilhosa por sinal!

Dominique - Penélope Charmosa

Pilota desde os 23 anos de idade, idade que tirou sua habilitação, desde então, nunca mais parou.

Ela confessa que sempre teve medo de moto e tem até hoje. Para Marcela, o dia que perder o medo de pilotar uma moto ela para, porque sem o medo vai abusar.

A paixão por moto está no sangue. Seu pai também é apaixonado por moto. Por milhares de vezes ele vai na sua garupa e bora pegar estrada, almoçar em outra cidade. Passeios fantásticos e inesquecíveis!

Para ela, o mundo do motociclismo é encantador, embora os motociclistas tenham fama de mal encarados ou de roqueiros drogados. As pessoas não sabem o significado da caveira que carregam. Aliás, eu não sabia também.

A caveira representa irmandade, igualdade. São todos iguais, independente da cultura, profissão, cor, renda familiar e estão sempre à disposição para ajudar o próximo.

Você sabia que a maioria dos encontros de motociclistas acontece para coletar doações e serviços beneficentes?

Marcela curte mesmo a moto Custom, então a velocidade não é o que a atrai. Os grupos andam em comboio, organizadamente, respeitando o outro e numa velocidade confortável e segura. Ela faz parte do “Nós, os Renegados” em Bom Jesus dos Perdões.

Mas nada se compara à sensação total de liberdade. Em vários lugares, a motociclista, linda e loira, grita mesmo, dentro do capacete, é uma espécie de limpeza de alma. O vento batendo, em meio a uma paisagem encantadora, nossa é indescritível!

Mas, nem tudo são flores, a dificuldade para pilotar uma máquina dessa se deve ao peso da dita cuja. Um desequilíbrio, por menor que seja, já era, jamais conseguirá segurar. A cautela e cuidado são o carro-chefe para ela montar em cima da moto.

Para Marcela é requisito fundamental ter conhecimento muito claro da máquina que se tem nas mãos, seja uma moto 125 cc ou 950 cc.

O limite da moto não existe, basta controlar seu próprio limite e estar ciente da onde a máquina é capaz de alcançar. Em fração de segundos a moto gigante dela chega a 200 km e é o limite da Marcela que controla isso e não um piloto automático.

Mesmo com todo este cuidado e responsabilidade, já sofreu três acidentes, nada grave, algumas leves escoriações. Como todas as mulheres, levantou, sacudiu a poeira e seguiu em frente. É preciso nervos de aço, concordam?

Há também dificuldade para estacionar, moto não tem marcha ré. Não é raro ela não conseguir empurrar a moto com as pernas para ir para trás, mas sempre aparece um cavalheiro simpático e gentil para ajudá-la. Uma das várias vantagens em ser mulher, certo? Sempre tem uma forcinha de um homem. Será que um homem em cima de uma moto grande seria ajudado por outro homem? Viu só, mais um grande negócio mulher pilotar moto!

Como não é comum ver uma mulher pilotando uma máquina desse porte, muitos dos homens que a abordam ficam indignados e surpresos. Para a maioria da ala masculina, esse tipo de moto não é para mulher, o sexo frágil e sensível. Sabe o que ela fala com seus cabelos esvoaçantes? – Pois é, isso é para macho!

Fiquei intrigada em relação ao cuidado com a pele e cabelos, mas ela me tranquilizou. Sem dúvida, a pele fica muitos mais suja, mas nada que um produto de limpeza facial não resolva. E quanto aos cabelos, um coque é a solução!

Eventualmente, Marcela usa a moto para trabalhar quando o carro está no mecânico ou com o marido, mas dá preferência ao carro. O que ela curte mesmo é passear com a moto, se divertir, apreciar a estrada. A locomoção de moto para ir trabalhar foge totalmente aos seus princípios. A cabeça não está focada, preocupação com horários, problemas profissionais, a mente começa a pensar em tantas coisas e um vacilo pode ser fatal.

Quando se está passeando, as intenções são outras e a viagem é mais segura e prazerosa. A cabeça está ali, curtindo o momento.

O marido dela também pilota, mas adora ir na garupa. Aliás, ela acha que pilota melhor que ele. Claro, né! Mulher é mais atenta, perfeccionista, responsável e linda! Quando fazem viagens longas é perfeito. Eles revezam para aliviar o desconforto da garupa. Assim, a viagem fica mais tranquila e gostosa.

Amei conhecer esta Penélope Charmosa dois tempos modernos!

Marcela é a Penélope Charmosa dos tempos modernos! Ousada, corajosa, responsável e feminina demais! Uma pré-Dominique.

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Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

4 Comentários
  1. Marcela realmente é gata, tive o prazer de trabalhar com ela e presenciar ela em cima dessa linda moto, garanto que me deu inveja, pois amo moto, mais sem coragem para tentar, prefiro as menores,kkkkkk

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Passado ficou para trás para viver excitantes histórias no presente

Dominique - PassadoSempre fui motivo de piada. Eu tinha uma esquisitice, dom, falta do que fazer ou um espaço infinito desocupado no cérebro. O passado sempre me perseguiu.

Lembrava, até há pouco tempo, de todas as datas, TODAS. Aniversários, casamentos, mortes, primeiro beijo, começo do namoro, término, que roupa eu estava na tal festa, no tal encontro, noivado, formatura, incluindo as dos outros. Isso mesmo, dos outros.

Em qualquer reunião ou festa, a diversão do povo era aguardar ansiosamente a boba da corte chegar, esta que vos fala.

Rolava uma espécie de bingo. Um frenesi. Eles se revezam para elaborar a questão

– Quando é o aniversário de fulano que você não vê há 20 anos? E da mãe do fulano? E da quinta namorada?

Quando não lembrava, o que era raro, BINGO!

Minha tia tinha o mesmo vício. No trabalho ninguém usava agenda.

– D. Apparecida quando beltrano foi para São José do Rio Preto?

Ela respondia sem pestanejar.

– E quando sicrano foi contratado?

– Dia 25 de abril.

Batata! A danada acertava todas.

Aos 60 anos, apresentou os primeiros sintomas de Alzheimer. Esquecia uma ou outra coisa. Anos depois, além de esquecer as datas, não lembrava sequer o que comeu minutos antes no almoço. Triste, muito triste.

Sempre tive orgulho de guardar na memória detalhes do primeiro beijo (para falar a verdade, nem tinha muito detalhe para lembrar, porque ficou anos luz de distância de ser memorável). Recordar o primeiro namorado de verdade, de encontros até então inesquecíveis, de músicas que me marcaram.

Conversando com minha best friend percebi que apaguei do meu HD loiro um monte de coisa, mas coloca monte nisso.

Fiquei preocupada. Perdi a conta de quantos aniversários esqueci neste ano. Uma heresia.

Será o sinal de algo muito tenebroso? I don’t know.

Fiz um baita esforço para recordar o que comi ontem no jantar e não tenho a menor ideia. Comecei a roer as unhas dos pés, porque esqueci de que tenho mãos.

Minha memória não é mais de elefante. Está mais para pernilongo.

Mas, como tudo tem um lado bom na vida, menos o LP do Wando, MC Gui e Valeska Popozuda, me dei conta que ocupei muito espaço, por muito tempo, no meu HD com memórias que foram sim importantes naquele tempo.

Não que eu queira ou faça algo para esquecer o passado. Sou o que sou pela história que vivi, ele me fez chegar até aqui, mas o que vale é o AGORA. Só vivemos o momento de AGORA, nada do que passou e nada do que virá.

Será que a mente da gente é tão poderosa para dar uma forcinha como essa…deletar arquivos antigos para que novos possam ser gravados?

Assim, cheguei a uma conclusão. Parar de me penitenciar pelos esquecimentos e entender isso como um espaço para gravar novas aventuras, emoções e histórias!

Nem sempre esquecer o passado e ruim não acha?

Leia Mais:

Avoada, eu? Agora existe oficina de memória, Dominiques!
O waze é o meu mentor – Ele manda… Eu obedeço

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Os 50 trazem de tudo, mas nada como a sensatez e a ousadia!

Dominique - Sensatez
Não gosto de nada morno. 8 ou 80. Fervendo ou gelado. Salgado ou melado, jamais sonso.

Sempre fui exagerada na opinião de quem me cerca.

Ultrapassar limites o tempo todo sempre foi minha praia, missões impossíveis então, nem se fale.

Tudo extremo. Trabalho, amor, paixão, ajuda ao próximo, atividade física – que dura pouco, mas quando acontece é intensa.

“Exagerado” do Cazuza era minha canção tema.

Brecha na agenda? Nunca tive. No ameaço de ter um mísero vão, encaixava algo imediatamente.

Sedentária por natureza, envergonhada perante aos meus amigos, sem falar nos discursos infindáveis dos médicos, decidi começar uma atividade física. Depois de inúmeras tentativas fracassadas, decido fazer algo que me dê o mínimo de prazer. Por que cargas d’agua escrever não queima calorias? Afinal escrever também libera endorfinas.

Eureca! Vou jogar tênis. Comprei uniforme, raquete, tênis apropriado, munhequeira, contrato o professor. Faço uma aula teste e para minha agradável surpresa, foi o máximo.

Poderia fazer duas vezes por semana como qualquer pessoa normal, certo? Errado. Estou falando de mim. Durante um ano tive aula 5 dias por semana. Comecei a jogar bem, arrisquei alguns “aces” e ganhei uma lesão no ombro e detonei a sacroilíaca pela primeira vez. Resultado: fiquei meses sem conseguir escovar o cabelo e os únicos exercícios foram sessões infinitas de fisioterapia.

Sem uma gota de energia, me atirava na cama – deitar era lento demais para mim – caia como uma pedra e em segundos em sono profundo. Nem assim desligava. Acordava, acendia o abajur, pegava na minha mesinha de cabeceira o meu caderninho manchado com a xícara de chá que insistia em levar para a cama todas as noites, mas desmaiava antes de sorver metade do líquido. Anotava milhões de ideias, trabalho, crônicas, um modelito para uma festa, um arranjo para a sala de jantar, uma ação social para melhorar a vida de uma comunidade carente. O céu era o limite.

Falando em mesinha de cabeceira, o tal bloquinho ficava em cima de oito livros, sonho de consumo para horas vagas – a réplica da Torre de Pisa. Mês a mês, a tal pilha crescia vertiginosamente.

Recentemente entrei numa nova maratona. Mudei de casa, de cidade, acabei o namoro, assumi mais trabalho. 14 horas por dia ligada no 220 v. Fiquei felizinha da silva e de brinde ganhei uma lesão na sacroilíaca novamente (fruto de carregar muitas caixas na mudança) e uma crise de enxaqueca que durou mais mais de dois meses.

Inconformada diante da situação, choraminguei no ombro de uma amiga-irmã:

Não entendo o que aconteceu. Eu sempre fui assim. Desde os 19 anos trabalho como uma louca!

Ela, sem a menor cerimônia, fala o que eu precisava ouvir:

– Eu sei querida. Você sempre foi hiperativa, mas você nunca teve cinquenta e dois anos.

Aquilo foi um chute no ovário. Pensei em romper a nossa amizade de 35 anos. Mas ela, como sempre, está certa. Venho testando meus limites há anos.

Já que o tempo é implacável quem sabe a tal maturidade seja acompanhada pela sensatez.

E estou me surpreendendo comigo mesma. Dosando melhor o tempo, curtindo o ócio, cozinhando e sabe o que aconteceu? Meu trabalho melhorou, estou produzindo com mais qualidade, curtindo mais a vida. Tenho feito inclusive um certo esforço para ficar alguns momentos com a mente vazia, não pensar em nadica. Eu nem sabia que isso era possível! E faz tão bem para a alma, mente e corpo.

Chegar aos 50 nos me deu maturidade para analisar o que me faz bem e o que não faz. Nem sempre consigo me livrar do que me chateia, irrita, incomoda, mas saber como lidar com isso é que o X da questão, é inteligência e bom senso.

Também me sinto mais ousada. É preciso um bocado de ousadia para decidir ficar sozinha em casa, no interior, afastada, num fim de semana inteiro e achar delicioso. Na primeira vez precisei de uma dose cavalar de coragem e, em pouco tempo, passei a adorar.

Os 50 trazem perdas. Sim, algumas, mas não são nada relevantes comparada à liberdade, sensatez e ousadia que só o tempo nos premia. Se olhar bem no fundo, com sensibilidade para sacar, o volume de ganhos é enorme!

Você já passou por algo parecido nessa fase da vida? Vou dizer que a sensatez ajuda muito.

Leia Mais:

Meu corpo mudou, depois dos 50 meu corpo nunca mais foi o mesmo
O que fazer na hora dos jogos? – Parte II, a missão

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Ela se casou por causa de um speed dating!

Dominique - Speed dating
A minha amiga Andrea não participou de um speed dating. E nem eu.
Naquela noite, nós estávamos comemorando o meu 40º aniversário.
Chamei vários amigos em um bar aqui em São Paulo.
Era um bar pequeno e eu reservei a área externa.
Achei que o bar funcionaria normalmente na parte interna e no quintal. Casais, amigos, pessoas circulando… Mas não!
Naquele dia, o salão estava sendo usado para um evento chamado speed dating.
Eu (e a maioria dos meus amigos) só tinha visto isso em filmes.

Pra quem não conhece, speed dating é um evento organizado para apresentar pessoas que não se conhecem, mas têm algo em comum. A rapidez, como diz o nome speed, está no formato como tudo acontece. Num dia, 15 casais vão se conhecer por meio de conversas superrápidas, de 4 minutos em média. Após este tempo, um sino toca e as pessoas mudam de mesa. Tudo coordenado!

Naquele dia, enquanto as mulheres permaneciam sentadas, os homens trocavam de mesa e de bate-papo após os 4 minutos. Pode até parecer pouco tempo, mas os organizadores do evento atestam que 3 minutinhos já bastam para saber se rolou ou não uma química entre um casal. Agora faça as contas…em 1 hora qualquer um dos participantes têm 15 chances de conhecer alguém que valha a pena!

Posso dizer que a minha festa de aniversário foi muito divertida. Como o salão era todo envidraçado, nós acompanhamos várias conversas do speed dating. Fizemos apostas, torcemos muito para dar certo para vários deles. Também conversamos muito sobre novas meios de conhecer pessoas bacanas.

E é aí que começa a história da minha amiga Andrea. Ela é dois anos mais nova do que eu e já estava solteira fazia algum tempo. Queria conhecer alguém, mas não sabia onde ir. Nunca tinha pensado em usar a internet ou participar de eventos pra conhecer alguém. Na verdade, ela me confessou que tinha um certo receio. Dirigindo de volta pra casa, ela repensou sobre isso. Por que não experimentar, não tentar? Se nunca fez, não sabe se vai dar certo.

Pode parecer história de filme. Mas foi verdade. Chegando em casa ela se cadastrou no site de relacionamentos Par Perfeito. Sim, naquela mesma noite. Depois, ela se arrependeu. Tentou se descadastrar, mas o mês já estava pago. Uns dois dias depois, uma paquera aconteceu. E foi assim que a minha amiga conheceu o Marcus, com quem ela se casou 4 anos depois.

Adoro essa história. Ela não participou do speed dating, mas se dispôs a tentar algo de novo. Hoje em dia, são várias as opções pra diversificar o círculo de conhecidos e, se der sorte, conhecer alguém legal. Já escrevi aqui sobre apps e sites de relacionamento. Vale a pena tentar.

O Speed Dating Brasil é outra forma e diferente das antigas agências de encontros. Eles promovem encontros em São Paulo, Campinas, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Também organizam festas e viagens. Alguns eventos são temáticos e todos mostram a idade dos participantes. Um dos encontros é chamado Elas Gostam dos Mais Novos, com a participação de mulheres entre 37 e 53 anos e homens entre 28 e 40 anos.

Você já tinha ouvido falar do speed dating? Se sim, conta para mim conta como foi!

Leia Mais:

12 dicas para lidar com os calores da maspassa, a maledeta da menopausa
E agora, José? Somos eu e tu e tu e eu

Ju Junqueira

Jornalista que trabalha com internet há 20 anos. Divide o tempo entre as inovações tecnológicas e os trabalhos manuais no estilo Do It Yourself. Descobriu que é melhor que fazer meditação.

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Histórias da praia 2 – Ela e seus deliciosos segredos

Dominique - PraiaO pessoal brinca que sou eu que abro a praia, acendo o sol, ligo as ondas, penteio a areia e ensaio os cardumes de peixinhos para darem showzinhos para a criançada. Isso porque sou sempre a primeira a chegar a praia.

Acordo cedo. Muito cedo.

Quando o primeiro raio de sol insinua-se pela fresta de minha veneziana, pulo da cama, coloco biquini, tomo meu café como se fosse uma bebida sagrada e vou andar na praia.

Você não tem ideia do prazer que é andar num dia de verão, 7 horas da matina, ouvindo música, sempre com ela –  passei pelo walkman, discman, Ipad, Iphone – numa praia completamente deserta.

Uma felicidade que nunca consegui descrever.

Jamais capturei a beleza destes momentos em foto alguma.

E não há vez que eu não fique emocionada. É nesse momento que eu sinto a presença de Deus. São nessas caminhadas que eu tenho certeza de Sua existência e de Sua companhia.

Como vou muito cedo, sempre tenho a praia só pra mim. E como se tivéssemos feito um pacto de sermos uma da outra naquelas horinhas.

Ahhhh, mas vez por outra, alguém aparece.
E me sinto traída.
Enciumada.
Com um sentimento de ter sido invadida.
E obviamente um tanto ridícula também.

Isso começou acontecer com mais frequência num determinado ano, lá atrás. E na grande maioria das vezes, era sempre a mesma pessoa.

Uma mulher. Mais ou menos da minha idade. Morena. Mais ou menos como eu.
Isso aconteceu por muito tempo. Não sei precisar. De tanto nos cruzarmos e de tantos bom dias, começamos a andar juntas.

Acho que nem sabíamos nossos nomes, pois os encontros eram muito casuais e as conversas de uma espontaneidade e verdade que talvez fosse melhor continuarmos estranhas íntimas.

Falávamos de sentimentos, de comportamento, de filhos, de casamento, de amizades com uma liberdade que talvez só nos permitimos justamente por não sabermos nossos nomes.

Até que um dia, descobrimos que nossos filhos, eram superamigos na praia. Estavam sempre juntos! Na verdade, foram eles que nos contaram.

– Mãe, você sabia que você anda todo dia com a mãe deles na praia?

Gente, existe amizade mais gostosa do que uma que foi estabelecida assim?

Descobri depois que ela se chamava Maria.

E conhecia minha queridissima vizinha Maria Eduarda – Duda, que frequentava aquela praia desde 197X, quando não se tinha porque usar salto, nem como ter um ventilador.

Foi Duda quem me falou logo que nossas casas ficaram prontas num condomínio com 10 casas, sendo a maioria dos moradores casais da nossa idade com filhos idem:

– Estamos na euforia do começo. De nos conhecermos. Muita coisa vai acontecer com o tempo. Daqui 10 anos muitos já não estarão aqui e muitos já nem juntos estarão.

Aquelas palavras me pareceram um tanto fora de contexto num momento em tudo era lindo e todos eram tão felizes.

Mas foram palavras proféticas. Muita coisa mudou ao longo destes anos todos. Mas muita coisa não.

Sabe a impressão que eu tenho depois de tanto tempo e tantas caminhadas?

Desculpe a pretensão, mas para estar naquela praia há de se merecer.

Há de se amar tanto a ponto dela não ter coragem de te fazer sair.

É ela quem manda. Sempre mandou.

Sim meninas. Somos grandes merecedoras da nossa praia. Beijocas

Leia Mais:

Histórias da Praia 1 – Amigas na reunião de condomínio
A despensa da minha avó, uma recordação que guardo com carinho

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Sobrevivi aos anos 80 e 90…com cabelos crespos

Dominique - Cabelos
Você pode estar pensando aí:
– Mas permanente era moda nos anos 80. Muitas mulheres usavam cabelos crespos.
Era moda sim, mas para as mães.

Não para nós, adolescentes.
Ou pelo menos eu não conheço nenhuma mãe que tenha liberado a filha pra entrar naquela química toda.
A minha mãe fez permanente. Mas ela tinha cabelo liso.
Eu não. Nasci com o cabelo bem crespo. Dizem que é pelo lado do meu pai, descendente de francês e austríaco.
Sei lá, pra mim é só resultado da mistura do brasileiro mesmo!

Nos anos 70 ter cabelos cacheados não foi um problema.
Eu era criança e as pessoas achavam “fofinho’.
E tinha a Narizinho, a primeira delas, a Rosana Garcia. Lembra dela?
Mas as duas décadas seguintes foram um inferno para mim.

Os anos 80 foram a década do exagero.
Os penteados da moda eram o pigmaleão e o mullet.
Era moda, todo mundo usava, e eu também usei.
Cabelos crespos com mullet. Dá pra imaginar?
Tiravam sarro de mim, brincavam que eu parecia um poodle.

Eu queria usar o que estava na moda. Seguir a tendência.
Eu não me encontrava naquelas meninas que representavam as adolescentes na mídia ou nas revistas.
Além disso, quem tinha cabelos crespos, não usava assim. Eles eram escovados. Quer ver?

Foi só a Rosana Garcia tornar-se adolescente que pentearam o cabelo dela.
A mesma coisa aconteceu com a irmã dela, a Isabela Garcia. Puxavam o cabelo, penteavam pra trás que ficava só a marquinha das ondas.
Até a Débora Bloch, que tinha me influenciado com a Bete Balanço de cabelos crespos, alisou depois.
Na revista Capricho, as modelos da moda, como a Piera, tinham todas cabelos lisos.

Dominique - cabelos crespos

Eu vi muitas amigas penteando ou alisando o cabelo.
Mas eu não tive coragem. Não me encontrava em alguém com cabelos lisos. Só não era eu.
Deixei o mullet de lado e o meu cabelo crescer.
Eu fui segurando as pontas.

Dai chegaram os anos 90… pra contrapor aos exageros da década anterior.
Tudo era o oposto. E os cabelos armados, com permanente, tornaram-se completamente lisos.
E aí fiquei completamente deslocada.
Quase ninguém usava cacho. Foi um festival de chapinha, progressiva e tudo o mais que deixasse os cabelos esticados.

Não era mais adolescente e já tinha a certeza absoluta que queria continuar com os meu cachos.
Mas a sociedade, de uma hora pra outra, tornou-se cachofóbica.
Escutei brincadeiras de todos os lados.
Um dia um namorado me disse:
– Por que você não alisa seu cabelo pra ficar mais moderna um pouco?
De outra pessoa, também escutei:
– Não entendo por que você quer ficar feita, usando este cabelo.
Só não me importava quando me chamavam de Juju Plant, por causa dos cabelos do Robert Plant, da banda Led Zeppelin. Neste caso, achava até um elogio!

Claro que o tempo vai passando. Uma década inteirinha.
Mas eu sabia que gostava do meu cabelo daquele jeito.
Não iria mudar e pronto.
Em vez de ficar no meio dos cachofóbicos, fui procurar e encontrei outra turma.
Simplesmente ignorei os comentários das pessoas e também as referências de mulheres “lisas” que via na mídia.

Claro que eu não tinha esta autoestima toda, pra simplesmente dar um “beijinho no ombro” e deixar pra lá o que as pessoas diziam. Várias vezes pensei, repensei… Várias vezes eu achei que estava sendo turrona, que poderia estar insistindo num erro. Mas nada também me fez mudar de opinião. Gostava do meu cabelo enrolado, me sentia bem assim, me sentia eu.

Anos…muitos anos mais tarde, eu escutei de uma amigo:
– Nossa, sempre te achei poderosa, você que sempre assumiu os seus cabelos crespos.
Sorri por dentro. Sabe como é? Fiquei feliz com o comentário.

Você também tinha cabelos crespos nesta época? Conta para mim as suas aventuras capilares!

Leia Mais:

A Rússia por um russo, Uma visão diferente do país dos Czares Capítulo II
A despensa da minha avó, uma recordação que guardo com carinho

Ju Junqueira

Jornalista que trabalha com internet há 20 anos. Divide o tempo entre as inovações tecnológicas e os trabalhos manuais no estilo Do It Yourself. Descobriu que é melhor que fazer meditação.

17 Comentários
  1. Nossa!… Parecia que estava lendo um relato da minha infância. Amava meus cachos e a Rosana Garcia era uma inspiração. Minha mãe fazia em meu cabelo o penteado igual ao da Lucélia Santos em “A Escrava Isaura” e era um sucesso; adorava a atenção que recebia. Mas, chegaram os anos 80 e com ele os cabelos de Lady Di, o mullet, o New Wave gel, as musas da infância com os cabelos alisados, o preconceito com os cabelos cacheados, a veneracao ao cabelo alisado, e o tal Wellin, creme alisante, com aquele fedor nauseante. E como eu me negava aos caprichos da moda alisada, minha mãe bem achou de cortar o meu cabelo super curtinho. Sofrimento em dobro: sem cacho e quase sem cabelos. Ate’ que um dia dei um basta na tesoura da mamãe e, enquanto as meninas desfilavam as cabeleiras da Glorinha da Abolicao, eu encarei a minha mistura cacheada de Tancinha com Tina peper. AMO MEUS CACHOS!!!!!

    1. Dulce, minha mãe cortou meus cabelos curtíssimos aos 12 anos. Eram crespos. Estou falando de 1976 ou algo assim. Fiquei parecendo um menino. Sabe qual o resultado disso? Aprendi arrumar meu cabelo sozinha!! Nunca mais dei trabalho pra ninguém. E hoje sou uma senhora de 53 anos com looongos cabelos loiros…Bem.nem tão longos assim e nem tão senhora assim….kkkkkk
      Beijocas minha querida!! e salve nossos cachos e nossas madeixas !!!

    1. Sueli,

      Claro que tem nosso apoio. E se vc cortar e não gostar, espera um pouquinho que cresce.
      Eu sempre tive cabelos médios e compridos. Aos 35 cortei tão curto que passava máquina na nuca. Adorei na época (que eu era bem magrinha) e minha cara não parecia uma bolacha Trakinas kkkk. Agora não sei…
      Mas em todo o caso, assumi os cabelos naturais…e estou AMANDO.

      beijos

  2. Oi…me identifiquei.Nasci, cresci crespa.Nos anos 80, não tinhamos cremes, para domar a cabeleira.Ouvi muito absurdo, pois alem dos cachos, tinha cabelo comprido.
    Não conseguiram me levar pra chapinha, bem que tentaram,amo, meus cachos.Sempre procuro por produtos que enrolem mais.Na minha cidade ja procurei, pelo nova linha da Dove, e não encontrei.E viva os cachos…

    1. Vera, a adolescência é de matar….a gente não se aceita, quer fica igual a todas as outras, quanta bobagem! É uma dádiva a aceitação (nao resignação) e autoconfiança, mas, ao menos, para mim, ela chegou de verdade com a maturidade, por volta dos 43 e só vem melhorando, graças a Deus, já era hora.
      beijo grande

  3. Sofri isso tb só que me dobrei e na época fazia aqueles alisamento que queimavam o couro cabeludo.Mas a maturidade nos ensina e aprendi a gostar de min do jeito que sou me dar valor sendo gordinha e de cabelos cacheados.

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Histórias da Praia 1 – Amigas na reunião de condomínio

Dominique - Praia Ahhhh…Sabe aquela resposta que dei para Mr Miles contando minhas memórias e meu amor por praia?
Menina, me deu uma vontade de te contar como é a minha praia! Mais, me deu vontade de contar histórias que vivi lá estes 23 anos. Ihhhh, o que não falta é causo bão.

Meu maior esporte na praia é papear.
Claro que não tenho estes papos sozinha, né?
Formamos uma turminha.
Você não imagina a montanha de papos deliciosos.
O monte de bobagens que falamos.
Somos amigos há muitos anos.
Nossos filhos cresceram juntos.
Acompanhamos de perto ou de longe sabores e dessabores um da vida do outro.

Nascimentos, mortes, casamentos, fofoquinhas, emagrecimentos, calvices, filhos rebeldes, listas de faculdade, formatura, problemas, namoradinhas e namoradinhos, separações, segundos casamentos.

Novas mulheres no lugar daquelas que gostávamos, novos vizinhos, receitas novas, projetos compartilhados. Demos várias voltas ao mundo planejando viagens sem nunca termos saído daquela areia.

Planos com o que faríamos se ganhássemos na mega sena da virada. Piadas novas. Piadas velhas repetidas que continuamos rindo. Solidariedade. Trocas. Castelos na areia. Alguns porres inesquecíveis. Outros que adoraríamos esquecer. Aceitamos, partilhamos e sempre queremos mais.

Nessa praia, temos um sino perto de nós. O trato é: sempre que passar uma mulher bonita e gostosa, corremos para tocar o sino!

Amigaaa, esse sino é suuupeeersilencioso. Pois é… Praia tipo família, mulherada meio baranguinha no melhor dos sentidos, se é que me entende.

Ninguém muito encanada com o bumbum perfeito. Ou quase ninguém.
Somos todas muito limpinhas. E arrumadinhas. Quer dizer, nem tão arrumadinhas assim. Tenho lá meus trapinhos…

Agora, vamos combinar que onde não tem isso, também não tem aquilo né? Nossos companheiros reinam absolutos do alto de suas barriguinhas.

Como falei lá em cima, quero contar aqui, algumas histórias que já passamos e conversas que já tivemos. Mas sempre que começo, faço um preâmbulo tão grande que acabo deixando para o texto seguinte. Afffffff

Bom, então vou começar contando de uma reunião de condomínio que tivemos aqui em São Paulo, antes das 10 casas ficarem prontas. Estávamos elaborando o nosso regulamento ou regimento interno.

Conheci a maioria de meus vizinhos nesta reunião. E de cara tive uma enorme simpatia por Lais. Estávamos detalhando cada parágrafo de nosso regimento, quando Lais pede a palavra:
– Gente, será que precisamos de tudo isso? Somos apenas 10 famílias. Será que não conseguimos nos reger pelo bom senso? Pelo senso comum?

Na hora concordei. Do alto de meus 34 anos anos achei que aquela moça estava coberta de razão. O que poderia dar errado numa turma daquelas?

Bem, até hoje, considero Lais, minha amiga do “Bom senso”. Quando preciso de uma opinião ponderada, é a ela que recorro.

Porém sinto muitíssimo em contar que essa regrinha não funcionou bem para as 10 famílias. Cheguei à conclusão que bom senso não é um conceito comum a todos. Que interesses pessoais ditam e direcionam o tal senso algumas vezes. E que sim, é melhor que esteja escrito.

Nem sempre conversar resolve. A maturidade chega para alguns. Não para todos.

Mas mesmo assim, essa parte é minoria.
Você acredita que minha turma é tão legal, que até mesmos os barracos foram divertidíssimo? Bem, nem todos, mas alguns deles foram sim.
é claro que estes eu vou contar.
Aguarde!!

Me conta quais são as suas histórias de praia… pode ser de campo também!

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Histórias da praia 2 – Ela e seus deliciosos segredos
A despensa da minha avó

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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A despensa da minha avó, uma recordação que guardo com carinho

Dominique - AvóHoje, meu filho chegou de uma viagem e me trouxe de presente “amardim”.

– Olha o que eu achei, mãe. Veja se essa é igual a que a sua avó te dava.

Abri ansiosa o pacote com aquele celofane laranja tão típico para experimentar aquela iguaria.

Dominique - Avó

Uma pasta de damasco puro prensada. Bem fininha. Veio dobrada ao meio e como sempre, “rasguei”, sim rasguei, uma tira do amardim.

Fechei os olhos e tentei sentir todo o azedinho de minha infância, mas o que vi quando fechei os olhos foi a despensa da vovó.

Era um lugar sagrado, onde ela guardava iguarias das mais deliciosas e diferentes. Todos os tipos de temperos, doces, manteiga em lata, balas de goma, farinhas, nozes, lata de azeite “estrangeiro” que ela furava com alfinete, Maizena, vidros de geleia de mocotó, sabão de côco em pedra e outros itens de sobrevivência não perecíveis. Ali era um lugar idílico cheio de cores e cheiros que despertavam minha imaginação e curiosidade.

Adorava entrar com ela naquele lugar.

Mas não era qualquer um que entrava ali. Aquela caverna com seus tesouros era trancada por uma chave, que ficava no sagrado molho de chaves da vovó.

Desde de muito cedo aprendi o que era molho de chaves.

Que criança de 4 ou 5 anos sabe que o coletivo de chave é molho? Pois bem, não só eu sabia, como reconhecia o barulho do molho da vovó à distância.

Já reparou que cada molho de chaves tem um barulho característico? Engraçado, né?

O da minha mãe tinha um. O do meu pai outro. Eu sabia de longe quem estava chegando pelo barulho das chaves.

Hoje não mais. Mal consigo escutar aliás, que diria reconhecer o tilintar dos metais.

Mas voltando a despensa da vovó. Ela tinha um cheiro. Um cheiro maravilhoso e completamente peculiar e único.

Fiquei impressionadissima ao ler o livro de Milton Hatoun “Relato de um Certo Oriente”.  Ele descreve os cheiros da infância dele em Manaus.

Como pode alguém descrever cheiros? E pior, como pode outro alguém reconhecê-los?
Pois bem, Hatoun descreveu os cheiros de seu passado. E eu reconheci todos. Acho até que voltei a senti-los enquanto lia o livro.

Ah como era bom entrar com minha avó naquele espaço encantado. Eu olhava direto para prateleira à direita perto da porta. Ela sorria para pegar o amardim que comprava só pra mim, rasgava um pedaço e colocava em minha boquinha aberta como se eu fosse um passarinho. Azediiiiisssimo. Aí que delicia.

O tempo passou e o amardim ficou doce. E grosso. E estranho. Apesar da embalagem ser exatamente a mesma ainda.

Não sei porque ainda como. É sempre uma enorme decepção. Uma pasta cheia de açúcar tão distante de minha infância.

Abri os olhos, vi meu filho e entreguei a ele o meu maior sorriso e disse:

– Nossa filho! Muito obrigada! Este amardim é azedíssimo, igualzinho ao da minha infância.  Abracei e beijei a pessoa que voltou a colocar doce na minha boca tantos anos depois.

Não que tenha alguma importância, mas não. O doce não era igual ao de minha avó. Mas o carinho dele foi.

Que saudade da minha avó! Qual é a sua melhor lembrança de infância?

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Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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