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Que cores combinam com cabelos brancos?

Encontrar as roupas e as cores que combinam com a gente, o nosso corpo e o estilo de vida é um desafio e tanto. De certa forma, é o que nos define esteticamente. Nós, Dominiques, demoramos um tempo para identificar. Acima de tudo, hoje em dia, já sabemos o que nos cai bem e nos deixa confortável. 

Talvez você tenha tido ajuda de um personal stylist. Muitas vezes se aventurou pelas lojas. Frequentemente errou compras. Sempre folheou revista de moda. Tudo isso para chegar a um resultado que agora te agrada. Tudo certo. 

Mas…. agora você passou dos 50 anos e adotou os cabelos brancos. Um novo estilo… Com o envelhecimento, o tom da nossa pele muda bastante sem aquele rosado característico da juventude. Os cabelos brancos também são diferente. E agora? As cores que você determinou para o seu estilo continuam funcionando com um novo tom de cabelo e pele? 

Renovação Technicolor

É, Dominique, talvez uma pequena atualização seja necessária. Mas nada de seguir regras muito rígidas. Longe disso, até porque o gradiente de cores é quase infinito. Ainda assim, tenho a certeza que vários tons vão combinar e você já tem peças no seu guarda-roupas pra compor o novo estilo. Portanto, a dica aqui é rever a sua paleta de cores para selecionar aquelas que nos deixam mais bonita com os novos cabelos brancos.

Recentemente, descobri o termo Coloração Pessoal, que é a análise das cores naturais do nosso tom de pele, olhos e cabelos. Quando usamos as cores certas, a combinação pode certamente iluminar o rosto e até suavizar os traços. Por outro lado, as cores erradas podem nos deixar mais abatidas e até mais velhas! Você conhecia? 

As cores das 4 estações

Uma dos métodos mais conhecidos para achar sua cor pessoa foi desenvolvido pela psicóloga Carole Jackson, nos anos 80, autora do livro “Colour Me Beautiful“. Ela desenvolveu a técnica das 4 estações, que determina qual é a paleta ideal para grupos de pessoas. 

É um pouco mais complexo do que isso, tá, mas resumindo as quatro estações da natureza são usadas para organizar e combinar diversas cores. Ao identificar a sua estação, você encontrará a paleta que combina melhor com a sua coloração natural. A descrição de cada uma delas é: 

  • verão: puro, claro e suave
  • inverno: puro, intenso e profundo
  • primavera: pura, clara e intensa
  • outono: puro, suave e profundo

Acho que essa imagem pode ajudar a visualizar o método:

O ideal é que a análise da sua colorimetria seja feita por um profissional, um especialista em moda. Ele fará a análise considerando rosto, olhos, sobrancelha e até mãos e pés. Além do tom, também é feita uma avaliação do subtom, ou seja, o que define a nossa pele como fria, neutra ou quente. 

Para te inspirar, resolvi fazer uma busca de looks em Dominiques com os cabelos brancos. Se você já adotou o branco, verá como a combinação correta das cores tem o poder de te deixar radiante. E para as mulheres que ainda estão com dúvidas, a seleção pode ajudar a visualizar que é possível valorizar seus pontos positivos, sem parecer mais velha. 

Seleção de looks

Escolhi uma paleta bem colorida para as roupas. Mas tenho de revelar que eu não sou adepta ao visual colorido. Tempos atrás, arrumando meu armário, me dei conta surpreendentemente de que tinha muitas peças preto, branco e azul! A partir daí eu comecei a variar as cores. Estou adorando!

Azul
Amarelo
Bege
Laranja
Rosa
Verde
Vermelho
P&B

Mas vale a pena mostrar também que podemos ficar incríveis usando apenas preto e branco!

Qual cor combina com qual cor?

Também achei no site The Whoot essa diagrama para combinar cores complementares. Achei bem útil!!!

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Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Machado de Assis – Ironias à parte

Estou lendo um livro de contos de Machado de Assis. É um daqueles livros que eu tento economizar para não acabar. Seu texto impressiona por vários motivos, mas principalmente porque é de uma atualidade contundente.

Existe em seus contos, sem exceção, uma dramaticidade irônica ou por vezes uma ironia dramática. Sim, sim, são coisas diferentes, entretanto, sutilezas e entrelinhas tornam os desfechos magníficos, sem falar das expressões bordadas que fazem pensar até o mais distraído dos leitores. Quer ver um exemplo?

“A vida é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra.”

Do conto, Teoria do Medalhão, um de meus preferidos até agora.

Injusto dizer isso, uma vez que amei A Cartomante, A Chinela Turca, Mariana, Cantiga de Esponsais e olha que estou no começo do livro.

A ironia contida em Teoria do Medalhão é sublime, coisa digna de mestre. Fiquei pensando para quem e por que Machado de Assis escreveu aquela cutucada. Seja quem for, deve ter atingido o fígado.

Trata-se de um pai a aconselhar seu filho, que completa 21 anos, profissionalmente. Segundo o discurso paterno, para se tornar um medalhão (pessoa de destaque), o filho deveria renunciar à possibilidade de ter ideias próprias evitando qualquer atividade que propiciasse o movimento independente do intelecto. Sempre usar frases feitas do mesmo modo que pensamentos já consolidados. Nunca, em tempo algum, causar estranheza em suas falas para que jamais fosse destacado pelo diferente.

“Longe de inventar um ‘Tratado científico da criação dos carneiros’, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos.”

Machado de Assis, provavelmente, fala aqui de políticos ou até mesmo de figuras da sociedade, que aquiescem mudas, sem nunca se posicionarem inclusive diante do inescrupuloso. Aponta, com sua ironia impar, a mediocridade reinante no século XIX. Que bom que estamos no século XXI, né?

Ainda na mesma década, do mesmo século, apenas 3 anos depois, o autor escreve A Cartomante, um conto de humor cáustico, com final imprevisível com um narrador sutilmente manipulador.

A história começa com Rita contando a seu amado, Camilo, que esteve em uma Cartomante. A primeira coisa adivinhada, era que existia um bem-querer, mas que havia também por parte dela o medo de ser esquecida. Garantiu-lhe a vidente que isso não aconteceria.

Camilo, apaixonado, riu muito da ingenuidade de sua amada, mostrando-se totalmente cético em relação a esse tipo de recurso.

Rita é casada, porém, não com Camilo, mas com Villela, portanto, é um caso de adultério e para piorar, os homens são amigos próximos o que só deixa a trama mais dramática.

Um dia, Camilo recebe bilhete do amigo/marido para que fosse a seu encontro com urgência. Camilo sabia. Camilo tinha certeza de que uma tragédia se avizinhava, contudo, no caminho, ao passar pela casa da tal cartomante, resolveu parar e contrariando sua razão e por puro desespero foi consultar-se.

A mulher fez seu trabalho com esmero, e falou o que o cliente queria ouvir, restaurando-lhe a desejada segurança de que tudo estava bem.

Mas não estava. Seus instintos primários estavam certos. A Cartomante era uma grande picareta e seu affair havia sido descoberto.

Morreu ele, morreu Rita.

Isso a vidente não previu. Sabe por quê? Porque ela só consegue ver o que contamos para ela.

Isso valeu para os séculos XIX, XX e continua valendo em XXI, cada vez mais.

Você chegou a ler um texto sobre esse assunto que escrevi há muito tempo?

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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  1. Avatar Geuma C. Nascimento disse:
    Seu comentário está aguardando moderação. Esta é uma pré-visualização, seu comentário ficará visível assim que for aprovado.
    Que escrita extraordinária! … rolei de rir… hahahaha Amei… Parabéns Eliane!

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Faça 15 minutos de meditação diária e sinta os resultados

Dominique - Meditação

Não sei se é bom porque virou moda ou se virou moda porque é bom demais, mas o mundo todo aconselha a meditar. O médico, o psicólogo, a vizinha, o padeiro, até o japonês do pastel da feira outro dia me deu uma dica de meditação.

Nós, Dominiques, somos ligadas no 220v, assobiamos, chupamos cana, descendo escada, mascando chiclete, de salto alto, passando batom. Por que, raios, é uma dificuldade tão grande meditar?

Simplesmente porque não estamos acostumadas a parar. Nosso cérebro, ao contrário dos homens, pensa em milhões de coisas ao mesmo tempo.

Eu me vi numa sinuca de bico, dor e ansiedade, nenhum remédio mais fazendo efeito. Nem os tratamentos alternativos foram bem sucedidos.

Quando o mundo todo fala e você não escuta, quem está errado? Pois é. Definitivamente achava uma balela essa coisa de meditação. Só para gente zen, vegetariana e com tempo sobrando. Santa ignorância!

Criei coragem. Baixei um app gratuito, há centenas deles, com meditação guiada. Este, em especial, é da Arte de Viver, uma filosofia de vida liderada por Sri Ravi Shankar, um indiano superfofo, líder humanitário, mestre espiritual e embaixador da paz.  Ele prega uma sociedade livre de estresse e de violência e, com isso, vem unindo milhões de pessoas em todo o mundo através de projetos de serviço social e também de cursos da Arte de Viver.

Há dois anos fiz um curso, Hapiness, e pude conhecer melhor os benefícios da meditação, da yoga e de uma alimentação saudável.

Também neste lugar, conheci pessoas de  todas as idades buscando um pouco mais de serenidade e paz no meio deste caos urbano que vivemos. Pesquisei bastante antes de ir sobre viver a vida com mais propósito, alegria e tranquilidade.

Por que meditação guiada? Porque se depender da minha pessoa, passados os primeiros 60 segundos, vou fazer a lista de supermercado, a agenda de amanhã e depois de amanhã, lista de aniversários, relacionar as roupas para mandar para a costureira, ter uma ideia de um novo projeto e ai então a meditação já foi por água abaixo.

Como é difícil não pensar em nada! Mas depois que a gente consegue não tem dinheiro que pague. Imagine você conseguir simplesmente não se preocupar com nadica por alguns instantes.

Tanto faz se está sol ou chovendo, frio ou calor, se estou atrasada, se acabou o leite, se não entreguei aquele relatório, se a fatura do cartão de crédito chegou, mas o pagamento ainda não, se o Temer roubou, se o Lula roubou, se o Aécio roubou… Mas se o Papa Francisco roubou, eu me mato. É o único ser em quem confio de olhos fechados.

O tempo da meditação é só seu e ali não cabe nenhum pensamento ou preocupação. Parece fácil? Nada, mas é possível, desde que você leve a ferro e fogo.

Não consigo fazer a meditação sentada, minhas hérnias de disco na lombar não permitem. Faço deitada, mas presto bem atenção nas orientações do meu mestre guru. Quando surge um pensamento, faço como um controle remoto, aperto o botão e o deixo passar. É só não prestar atenção no infeliz (mesmo que seja um pensamento bom), naquele momento NÃO PODE PENSAR. No começo é bem estranho, depois entra no automático.

O principal para entrar na vibe é realmente fazer a tal respiração. É impressionante como prestar atenção ao inspirar e expirar fundo realmente baixa a adrenalina. Depois é só seguir as orientações do Guia.

Tá e daí? Que diferença a meditação faz na vida?

Notei depois de algum tempo que não perdi mais o sono, que presto mais atenção em coisas que antes passavam batido, que perco a paciência muito menos e, a melhor de todas para mim, as enxaquecas diminuíram em intensidade e frequência.

Não preciso ir a um parque, à beira de um rio, praça, montanha. Faço no meu quarto, mas é claro que se tiver oportunidade de fazer em frente ao mar vai ser magnífico, já fiz e realmente é uma sensação difícil de descrever.

Separei aqui alguns apps de meditação gratuitos. Abra, veja e teste. Veja qual você melhor se adapta e não desista na primeira tentativa, insista, os benefícios realmente são grandes e valem a pena.

  • Sattva
  • Medita!
  • Calm
  • 5 minutos – Eu medito
Se você nunca meditou, faça um teste e depois me conte o que achou!
9 Comentários
  1. Comecei a meditar há 4 meses e acho sensacional .
    Sou super agitada e nunca pensei que fosse gostar tanto e me fazer tao bem .
    Sinto uma melhora enorme na minha qualidade de vida .
    Recomendo fortemente a pratica da meditação ,

    1. Oi, Rosalina. Para conseguir baixar os aplicativos, você precisa encontrá-los na App Store (Se seu celular for Iphone) ou na Google Play (Se for Android).

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Passei o Carnaval de 2020 no Brasil. Eu e o Corona.

Como ficar longe do Carnaval carioca?

Depois que você o conhece, não existe lugar no mundo que queria estar em fevereiro que não seja nos arredores da Sapucaí. Não, ninguém vive por 25 anos no Rio de Janeiro impunemente. Falei isso no texto anterior quando expliquei que voltei a morar em Portugal recentemente.

O plano perfeito: fugir do frio europeu dessa época do ano, aproveitar o verão brasileiro, ver os meus filhos, os meus amigos, os meus lugares prediletos, enfim, esganar a saudade até matá-la e ainda de quebra, pular o Carnaval de 2020. Obviamente para fazer tudo isso nada menos do que 30 dias, ou seja, fevereiro e ainda alguns dias de março.

Ter deixado o meu apezinho em Ipanema, ajuda muito a esticar as minhas temporadas em Terra Brasilis.

Lá fui eu no voo das 10h da manhã da minha querida TAP. Adoro voos diurnos. Assisto todos os filmes que estou atrasada, já que não durmo mesmo, e quando chego no destino ainda tenho a noite inteira para descansar. É colega, foi-se o tempo….

Bem, tudo lindo maravilhoso e como dizem, tudo de bom nesse país tropical abençoado por Deus.

Chegavam notícias de uma distante Itália tomada pelo COVID-19, mas no Brasil era tudo samba, choro e futebol.

Desfiles, blocos, bailes, trios elétricos. Teve de tudo. Lindo. Lindo. Águias de Ouro ganhou o desfile em São Paulo e Viradouro no Rio. Claro que eu estava na arquibancada sambando, pulando, nos 2 dias de desfile, na apuração quarta-feira torcendo para a Grande Rio (verde/vermelho, minha gente), assim como no desfile das campeãs no sábado seguinte. Quando digo que amo Carnaval, acredite!

E passou o Carnaval de 2020.

Menina, uns dias depois na semana seguinte, acordei toda dolorida. Culpei as minhas 5 décadas e tralalá e a vida mansa que andava a levar em Cascais. Tomei um relaxante muscular e fui para praia.

O Mate e o biscoito Globo não caíram bem. Bateu aquele enjoo chato, mas como ir embora justo agora que todo o mundo tinha chegado? Rio 40 Graus. Aguenta Barbara… Faça jus a seu nome!

Troquei o mate pelas caipirinhas e o enjoo foi melhorando. Ou a tontura aumentando. Sei lá.

Cheguei em casa me sentindo quente. Ahhhh não! Todos esses anos morando no Rio e vou ter febre de sol? Isso é coisa de principiante!

Descansei aquela tarde toda e fui tomar um choppinho com a turma ignorando o meu mal-estar.

Lá no boteco, soubemos do primeiro caso de COVID diagnosticado no Brasil, e coincidentemente no mesmo dia do primeiro em Portugal também. Estava tranquila em ambos os casos, pois foram em São Paulo e no Porto. So far away from Ipanema, right?

Voltei para o meu ap. e tive uma noite do cão. Minha febre voltou. Uma tosse chata e um mal-estar medonho.

Sim, inegavelmente eu estava com o tal COVID19, corona ou o raioqueoparta. Acontece que essa não era uma possibilidade para mim naquele instante, por não reconhecer os sintomas, já que por ser tudo muito recente, a divulgação de prevenção e dos cuidados ainda estava por acontecer. Eu simplesmente não tinha como saber. Quando liguei para o meu filho, alguns dias depois, já mal conseguia respirar.

Fui internada as pressas na UTI. Os protocolos eram inexistentes, até porque, infelizmente, fui a primeira pessoa no Rio a ser entubada, acredita?

Ninguém fuma por 30 anos impunemente e isso sem dúvida, deve ter contribuído para ter tido aquela pneumonia tão agressiva. A falta de ar e a sensação de asfixia são aterrorizantes assim como passar por tudo isso sozinha num leito de UTI. Mesmo sedada a maior parte do tempo sobrou medo e solidão. Os médicos e enfermeiros, apesar de atenciosos, não conseguiam esconder o medo quando se aproximavam. Era tudo muito novo, e ninguém esperava encontrar aquele vírus logo após o Carnaval de 2020.

Vou poupar-lhe dos detalhes desse horror, mas foram quase 20 dias de hospital. Para você ter uma ideia da luta que travei contra o vírus, perdi quase 8 quilos nesse tempo internada.

Sabe quando na minha vida consegui perder 5 quilos que fossem, em 20 dias? Nem no auge das minhas paixões e muito menos das desilusões.

Fato é que quase morri. Saí do hospital ainda precisando de cuidados e assim sendo, desmarquei o meu voo de volta que seria dia 15 de março.

Assim que eu desmarquei, Portugal entrou em estado de calamidade, ou seja, fechou as fronteiras e cancelou todos os voos.

Bem, o que não tem remédio, remediado está. No Brasil fui ficando, tratando de recuperar-me a esperar pelo momento de voltar.

O começo do confinamento foi muito conturbado por conta da minha doença e recuperação de maneira que só comecei a sentir o isolamento de fato, no final de abril.

Abril. Maio. Junho.

Chega, né? Tá bom! Queria voltar para Portugal, pois lá, no começo de junho, eles começaram a voltar ao normal. Fizeram por merecer e já estavam liberados e livres. Ou quase.

Enquanto isso, a coisa no Brasil só piorava.

A TV brasileira fazia questão de contar os seus mortos dentro da minha sala de estar. Muito triste. Essa mesma TV esfregava na minha cara a incompetência e mau-caratismo do ser humano. Desolador. Um enorme desencontro de informações e uma enorme aflição por conta de um total desgoverno.

Confesso que já estava a beirar a depressão, e também, não é para menos com tudo que já tinha passado até ali.

Então comecei a procurar ocupação. Fiz cursos, pães, novenas, lives, meetings, músicas, dei ordem em armário e o resto até que me dei conta da minha imunidade.

Se teve algo de bom nesse episódio todo, foi o fato de eu já estar imunizada. Realmente não sei se valeu o preço altíssimo que paguei, mas uma vez pago, ser livre para poder ir e vir e não sentir aquele medo que paralisa é catártico.

Comecei com caminhadas pelo calçadão e inscrevi-me para possíveis trabalhos voluntários em hospitais, os quais fui chamada para um ou dois apenas. Passei eu mesma a fazer as minhas compras no mercado com visitas diárias a padaria.

Foi aí que os telefonemas começaram. Muitas amigas, mas muitas mesmo, ligaram para avisar que esse vírus poderia ser contraído por mais de uma vez. Insistiam que nada garantia que eu estava imune.

Aquela preocupação em massa intrigou-me demais. Infelizmente, pior que isso, começou a incomodar, pois, sutilmente, passaram a me controlar.

Na-na-ni-na-não! Aqui não violão!

Percebi que tinha a turma da dor de cotovelo, e para essa um abraço!!

Mas tinha outro povo que estava tão apavorado, mas num grau tão grande de histeria que realmente acreditava contra todas as evidências, que eu deveria ficar em casa trancada, mesmo estando imune. A esses, perguntei quando, na opinião deles, estaríamos liberados. Silêncio.

Tenho cá para mim, minhas teorias a respeito, entretanto, todas polêmicas demais para esse Brasil polarizado, ainda mais se for eu, uma portuguesa, a dizê-las.

Foi aí que a TAP, a minha querida TAP confirmou o meu voo de volta para o dia 23 de junho. Ahhhh, que felicidade. Eu acho.

Finalmente o Carnaval de 2020 chegaria ao fim.

Arrumei as minhas coisas numa ansiedade infantil. Ameacei fazer um bota-fora só para colocar terror na mulherada, mas acabei por despedir-me por telefone mesmo só daqueles que tinha certeza não me alertariam para o risco de eu entrar num avião.

Continua…Vai ter outro texto só para contar como foi meu regresso. Ou você pensa que foi fácil?

Leia Também:

Por que Barbara Godinho decidiu voltar para a sua Terra Natal?

Barbara Godinho
Barbara Godinho

Sou uma Portuguesa meio tropicalizada. Moro em Lisboa, já fui curadora de museu e exposições. Hoje trabalho com turismo. Apaixonei-me pelo projeto Dominique e cá estou a colaborar.

1 Comentário
  1. Texto maravilhoso! Me identifiquei em gênero, número e grau. Também sou Covid Free! Não passei, graças a Deus, por suas agruras de internação, muito menos UTI. Mas posso imaginar seu sofrimento. Agora, quanto à cobrança, inspeção dos outros e a raiva em todoS quererem me cobrar o tal “fica em cada”, aff! Ninguém merece! Pelo nos não merecemos, né? Viva a imunidade! Fui, peguei e venci!!
    Beijo, Barbara e Passeie Bastante!

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Voltar a Minha Terra Natal

Faz tempo que não escrevo para Dominique. É capaz que nem lembre mais de mim, aquela portuguesa tropicalizada que casou com um brasileiro do Leblon.

Bem, como disse em outro texto que escrevi, por conta de um casamento de mais de 2 décadas, falo um português bem brasileiro além de outros detalhes.

Depois de 25 anos morando no Brasil, os filhos cresceram, o casamento acabou e não vi mais sentido em continuar longe da minha terra natal. Não necessariamente nessa ordem.

Resolvi voltar para Portugal, onde estavam parte da minha família e amigos de infância.

Claro que ao longo desses anos todos que morei no Brasil, visitei Portugal com uma certa frequência, não a desejada, mas a possível quando se está a criar filhos e fazendo a vida. Mesmo quando passávamos grandes temporadas, um mês ou mais, parecia ser apenas uma breve passagem. Pouco a pouco passei a ser turista no lugar em que nasci.

Não digo que foi fácil ficar tão longe dos meus por tanto tempo, mas também não foi uma tragédia, até porque eu que escolhi essa vida de expatriada, por assim dizer. Sendo que fui muito bem recebida pela família do meu ex, sem nunca esquecer que era família DELE e que no final das contas sangue sempre fala mais alto.

Fiz amigas e algumas super amigas de quem jamais me separarei mesmo com um oceano de distância, entretanto, reconheço, que mesmo com todas as mais modernas ferramentas de comunicação, o bom mesmo é o tête a tête sendo que alguns assuntos só mesmo se pudermos cochichar, sabe como é?

Entre os muitos motivos para meu regresso talvez o mais importante seja minha mãe, que, apesar da estupenda saúde, já passa dos 80 anos e não suportaria a dor que passei por estar longe quando o meu pai faleceu. Está na hora de ajudar os meus irmãos nesse sentido.

De mais a mais, parece que quando envelhecemos começamos a querer ficar perto de nossas lembranças mais longínquas para que elas não esmaeçam ou até mesmo desapareçam nas falhas de nossas memórias.

Como foi minha volta a minha terra natal? Mais difícil do que imaginei.

Bem, não é só desligar um botão e ligar outro.

Partidas são partidas e recomeços, geralmente, são edificantes, todavia, esse bom sentimento vai surgir apenas no final do processo, quando já conseguimos ver o tal “recomeço” com distanciamento histórico.

Para tentar sofrer menos, resolvi que não cortaria totalmente os vínculos com o Rio de Janeiro. Como se isso fosse possível para quem tem 2 filhos cariocas! Decidi manter um pequenino flat na cidade maravilhosa.

Procurei morada perto do conselho onde nasci e cresci. Agora, ninguém vive na Cidade Maravilhosa por 25 anos impunemente, de maneira que morar perto da orla, mais que um luxo, tornou-se uma necessidade. Assim sendo, mudei-me para Cascais, onde fui generosamente acolhida e não me arrependo uma vírgula da minha escolha.

Tal e qual, ninguém fica longe de Portugal por 25 anos impunemente. As diferenças culturais assimiladas por mim, se faziam notar a todo instante.

Só para ilustrar: nunca perdi o meu sotaque lusitano, sendo que em qualquer lugar que chegasse no Brasil, a primeira coisa que sempre ouvi foi a inevitável pergunta acompanhada de um simpático sorriso – É portuguesa? Ora pois! Sim, sou. Como adivinhou? – brincava eu de maneira coquete.

Agora pasme! No meu regresso a terra natal, qual não é meu espanto quando vejo que os meus conterrâneos julgam-me brasileira justamente pelo meu sotaque. Como assim? Exatamente!

No Brasil sou considerada portuguesa e em Portugal acreditam que sou brasileira. Como disse, esse é o preço a pagar por “abandonar” não um, mas dois países ao longo da minha vida.

Quando casei e finquei pé no Rio, uma das coisas que mais senti falta eram de referências.

As mulheres com quem lá convivi conheciam-se da vida toda, e faziam questão de mencionar o passado, aquele que justamente eu não fazia parte, a cada 5 minutos. O pediatra das crianças era o pediatra que outrora tinha sido delas. Chamavam as mães uma das outras de tia, apesar de não terem laços sanguíneos algum. Passaram férias juntas em Búzios, Angra e Cabo Frio. Morriam de rir ao relembrar o Circo Voador e os seus shows na década de 80. Sentia-me uma alienígena.

Com o tempo, construí as minhas próprias memórias, virei tia de amigos dos meus filhos e acabei por conhecer o Circo voador. Foram muitos bons momentos e outros nem tanto, aliás como a vida deve ser.

A minha adaptação ao meu velho novo mundo lusitano correu bem apesar de um pouco solitária no princípio, afinal a vida de todos e de tudo que eu conhecia não tinha parado por 25 anos a minha espera. Por fim, tudo deu certo, já estou climatizada e completamente inserida. Sinto-me pertencente novamente.

Como o meu trabalho é e sempre foi remoto, posso passar temporadas no Brasil quando a saudade aperta assim tenho a ilusão de ter sempre o melhor dos dois mundos.

Penso que sou uma pessoa muito feliz com essa vida que escolhi, pois, sofro para ir, e mais ainda para voltar. Isso só pode significar que sou muito feliz em ambas as minhas pátrias, na terra natal e na terra escolhida. Sou uma grande privilegiada.

Bem, a história que ia contar aqui era outra, mas acabei numa digressão sem fim e o meu último Carnaval no Brasil vai ficar para o próximo texto. Assim pelo menos comprometo-me a escrever semana que vem, tá?

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Barbara Godinho
Barbara Godinho

Sou uma Portuguesa meio tropicalizada. Moro em Lisboa, já fui curadora de museu e exposições. Hoje trabalho com turismo. Apaixonei-me pelo projeto Dominique e cá estou a colaborar.

2 Comentários
  1. Bom conhecer a sua história. Me dá um pouco de alento. Só que fiz o caminho inverso e resolvi vir envelhecer num lugar sobre o qual não tenho memórias. Estou a tentar construí-las. Assim, vou seguindo por cá.

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