Tag: Frustração

Nossos filhos, nossos sonhos? E se as escolhas deles forem diferentes das nossas?

Dominique - Filhos
Muitas mulheres idealizam e imaginam que seus filhos irão fazer escolhas perfeitas que elas consideram adequadas e aceitas socialmente. E esquecem do detalhe mais importante: o fato de que os filhos tem seus caminhos e motivos próprios. E acabam fazendo escolhas que nem sempre correspondem aos projetos dos pais….

Desde cedo os filhos vão internalizando aprendizados, regras, valores e significados extraídos da convivência com a família, amigos, da inserção nos grupos, na escola e com as diversas experiências da vida. Esse repertório é único…basta imaginar que dois filhos, que cresceram e viveram na mesma família, passaram pelas mesmas situações e, mesmo assim, são diferentes na sua forma de ser, agir e ver o mundo. Nossa história de vida e nossos aprendizados são elementos essenciais na forma como decidimos viver.

A relação entre pais, mães e filhos atravessa constantes reformulações ao longo da vida. Os pequenos se limitam a fazer escolhas em algumas esferas da vida e, na maior parte das vezes, são direcionados pelos pais. As crianças se tornam jovens e querem alçar voos com maior independência, arriscar, tomar decisões. Nessa fase, muitos já decidem suas carreiras profissionais, descobrem como desejam se comportar afetivamente e sexualmente, e fazem outras tantas escolhas importantes que podem perdurar vida afora.

Os pais precisam encontrar o sábio equilíbrio entre apoiar e impulsionar os filhos para a autonomia. Essa é uma arte que requer desprendimento, principalmente para compreender que não controlamos tudo, que nossos filhos se tornaram ou se tornarão seres únicos, adultos e independentes (que bom!) e irão fazer escolhas próprias que podem não corresponder ao que a mãe considera certo ou que seja o melhor caminho a ser seguido.

Deve-se confiar nas sementes lançadas na criação dos filhos, acreditando na capacidade de desenvolvimento deles em gerenciar a própria existência. Mesmo que se discorde das escolhas dos filhos, é necessário respeitá-las, pois somente o próprio indivíduo é capaz de avaliar a melhor forma de viver o seu dia-a-dia.

Obviamente que isso se torna muito mais preocupante quando os filhos fazem escolhas destrutivas como o uso de drogas, cometimentos de crimes e outras questões mais graves que necessitam atenção específica e especializada. Tais condutas podem significar que não estão conseguindo conduzir suas vidas com equilíbrio e responsabilidade. Ainda assim, escolhas foram feitas. E as mudanças vão depender de esforço e da força de vontade da própria pessoa para que aconteçam.

Considerar os filhos como extensão dos próprios sonhos pode ser frustrante; torna-se essencial que possamos olhar para as pessoas e aceitá-las como são e desejam ser. Os filhos crescem, evoluem e devem trilhar caminhos próprios e de bem (entendendo que há diversos bons caminhos) para que sejam autônomos e felizes. Cabe às mães refazerem seus projetos, remanejar suas expectativas e seguirem em frente com paz no coração.

Para algumas mulheres talvez esse seja um ponto difícil. A escolha de como os filhos querem viver. E os sonhos dela? E se ela é louca para ser avó e esse filho(a) não quer ter filhos? E se ela sonha com um filho(a) médico(a) e ele(a) decide ser músico(a)? Muitos conflitos surgem nessa hora, porque todos querem ser contemplados nos seus anseios.

Mas se o nosso sonho depende do outro, como podemos decidir sobre ele? Como obrigar os filhos a terem filhos se não querem? Como obrigá-los a estudar medicina se isso os tornará infelizes?

Em algum momento dessa trajetória, os filhos também tiveram que lidar com suas idealizações sobre seus pais. Os filhos também desejaram que os pais fossem diferentes ou fizessem coisas que não fizeram. Relacionamentos são vias de mão dupla…os filhos também tiveram que lidar com os pais que seus pais nunca foram.

A vida é feita de realizações e frustrações. Lidar com a frustração de um sonho não realizado pode ser doloroso, mas é extremamente importante e pode conduzir ao amadurecimento.

A energia emocional ligada ao que não foi realizado conforme idealizamos fica presa, impedindo que outros projetos e sonhos possam surgir e tomar forma. Quando nos desprendemos e superamos, passamos a enxergar novas possibilidades, a respeitar o movimento da vida. A ressignificação abre os caminhos: Quem deseja ser avó pode exercer esse papel com outras crianças da família ou filhos de amigos e que tal assistir a um recital do filho músico? Pode ser divertido descobrir novas afinidades e caminhos!

Como você lidou essa questão com os seus filhos? Conta para mim!

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Alcione Aparecida Messa
Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

3 Comentários
  1. Ótima reflexão! Não sou mãe, mas passei momentos difíceis como filha. Adorei o texto!

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