Aconteceu

Um encontro entre Dominiques e a exposição da Tarsila do Amaral

O nosso primeiro encontro do ano foi perfeito em todos os sentidos. Mulheres incríveis – todas Dominiques – saíram do online para conversar e compartilhar no mundo real. O encontro aconteceu no MASP, em São Paulo, que promove um ano inteiro dedicado a nós, no circuito “Histórias das Mulheres, Histórias Feministas”. Pra completar, visitamos a exposição de uma das mais consagradas artistas brasileiras: a Tarsila do Amaral. Quer mais?

O encontro ficou ainda mais interessante porque a consultora de arte e historiadora Daniella Samad acompanhou o grupo. Foi uma verdadeira aula de arte, pra ajudar todo mundo a entrar no clima da exposição. Ela aprofundou a explicação ao longo do roteiro, contextualizando pinturas e adicionando detalhes pra mostrar a riqueza da produção da artista.

Mostra Tarsila Popular

O programa está imperdível. A exposição é a mais ampla já dedicada à Tarsila, reunindo 92 obras da artista que foi uma das figuras centrais da pintura e do movimento modernista brasileiro. Duas de suas telas mais conhecidas estão na mostra: Abaporu, que faz parte do acervo do MALBA, na Argentina, e A Negra.

O enfoque da exposição é o Popular, tema que a Tarsila explorou durante toda a sua carreira. Ela nasceu em uma família rica, filha de fazendeiros no interior de São Paulo. Viveu e estudou em Paris, na França, onde teve aula com pintores renomados como Fernand Léger, artista referência do Cubismo.

Quando voltou ao Brasil, ela se deparou com o conceito da Antropofagia, criado por Oswald de Andrade, no qual intelectuais brasileiros questionavam referências europeias. Jovens, cheios de ideias, queriam criar algo híbrido, porém único. Passaram a incluir em suas criações elementos locais, afros e indígenas.

Tarsila explorou tanto o conceito quanto o tema Popular em muitas de suas criações. Ela retratou paisagens do interior, da fazenda, da favela, mostrando a diversidade de povos e raças. Também representou lendas e mitos, animais e plantas. Sobre isso ela disse: “sou profundamente brasileira e vou estudar o gosto e a arte dos nossos caipiras. Espero, no interior, aprender com os que ainda não foram corrompidos pelas academias”. 

A exposição ficará no Masp até 28 de julho. O ingresso custa R$ 40,00 (inteira), tem a opção de meia entrada e às terças-feiras é de graça. Dá pra comprar online: aqui.

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Uma diferente exposição em Lisboa

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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40 dias sem o quê?

Pronto, acabou o carnaval e hoje começa a Quaresma. Quando eu era adolescente/jovem me lembro de voltar do baile de carnaval por volta das 7 ou 8 horas da manhã e faminta. A minha mãe corria para falar comigo. Não, ela não estava preocupada por eu estar na rua até esse horário. Era para se certificar de que eu não ia comer um sanduíche com presunto ou qualquer outra coisa com carne.

Começava, então, os 40 dias de penitência em casa. Nada de carne (nem peixe!) às quarta e às sextas-feiras até a Páscoa. Para os católicos, a Quaresma é o período de reflexão e arrependimento dos pecados e para mudar algo para sermos melhores. E faz parte dessa penitência deixar de fazer algo (ou comer) que gostamos muito.  

Achoooo que isso servia até “antigamente”.

Sabe porque? É muita coisa pra se arrepender / melhorar / mudar e ainda conseguir atingir a meta em apenas 40 dias. Sério. E olha que eu me desprendi de várias delas e já não me cobro muito mais. O meu range de tolerância sobre o que preciso rever na vida está bem flexível também.

Até pra igreja a coisa está mudando. Esse ano o papa Francisco foi desafiado por um grupo ambiental norte-americano a fazer dieta vegana durante toda a Quaresma. Caso o pontífice aceite o desafio de ficar os 40 dias sem comer produtos de origem animal, a entidade doará US$ 1 milhão para a caridade. Tudo isso para mostrar sobre o impacto da mudança climática tem relação com a alimentação. (Aqui eles se referem ao desmatamento, emissão de gases de efeito estufa, poluição da água, entre outros).

Eu nunca mais tinha feito penitência na Quaresma depois que saí da casa dos meus pais. Sabe de uma coisa? Esse ano vou fazer. Não será por religião ou por arrependimento. Já que é pra melhorar porque não tentar? Refleti bastante e aqui está a lista do que me comprometo rever ou não fazer durante a Quaresma.

Acordar longe das redes sociais

Já virou um vício. Eu já não acordo e me levanto, mas fico uns 20 minutos deitada vendo o Instagram. Assisto os videos do Stories como se fosse fundamental para iniciar o meu dia. Não será apenas pelo conteúdo vazio que circula pelas redes sociais. Mas pra acordar e ficar comigo ainda mais um pouco.  

Tira o celular da minha mão

Dizem que ninguém consegue ficar mais de um minuto sem checar o celular. Tá na hora de realmente reservar um tempo sem celular. Durante o almoço, conversando com pessoas ou passeando em algum lugar, eu vou deixar na bolsa ou virado para baixo.

Irritada, eu?

Talvez o meu maior desafio. Na hora que alguém me irritar, vou pensar um sonoro Glória a Deuxxxx…. Que eu posso dar um sorriso irônico e ir embora. Ou talvez que eu não precise viver com essa pessoa. Ou até que posso ignorar, fazer o que me pedem sem deixar isso me afetar. Mas irritada eu pretendo não ficar mais.

Nada de compras!

Revi minhas roupas, sapatos, bijuterias e sabe o que estou precisando? De nada! Já tinha reduzido as compras e, se adquirisse algo, doava um item usado. Agora o meu objetivo é não comprar nada novo por 40 dias. Essa é a única penitência que só será praticada na Quaresma porque provavelmente precisarei comprar algo no futuro.

Xô cansaço…

Estou (estamos, né!) mais cansada mesmo. Alguns dias parece que faço uma força homérica pra ir à academia, estudar algo novo ou mesmo sair com as amigas. Corpo e cabeça precisam de um descanso. Mas eu preciso fazer atividades que – inclusive – vão me trazer mais disposição.

E você? Tem a intenção de fazer alguma penitência nas Quaresma? Compartilha aqui.

Leia também:

O que não pode faltar na minha lista de ano novo.

2 Comentários

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As 5 coisas que deixei em 2018 e o meu aprendizado

Comecei 2019 me propondo fazer algo diferente. Em vez de fazer a famosa lista de resoluções, resolvi celebrar o que conquistei no ano anterior. Sim, o que eu consegui fazer, mudar ou simplesmente me conformar.

A gente passa anos tentando até que um dia as coisas acontecem. Ou não. E eu te pergunto: e aí? Foi então que eu cheguei a uma conclusão: sou uma imperfeita bem intencionada.

Tenho muitos planos para o futuro. Desejos e vontades. Mas olhando em perspectiva, realmente não consigo colocar grande parte deles em prática. Não é minha culpa, não. Como já disse, eu tenho boas intenções.

É – simplesmente – porque não sou perfeita. Não consigo cumprir certinho todas as tarefas propostas. Estou mais cansada, situações me atropelam inesperadamente ou simplesmente fico de saco na lua e não quero fazer alguma coisa.

Chegar a essas conclusões me trouxe uma paz de espírito inacreditável. Eu sei que falar é muito fácil. Por isso mesmo que estou celebrando. Foram anos tentando até que consegui deixar em 2018 essas 5 coisas. Mereço ou não celebrar?

Patrulha do pensamento

Resolvi me deixar em paz. Sou responsável e cumpro com as minhas obrigações. Isso já basta. Se algo não deu certo, não vou me culpar mais por não ter conseguido o que planejava. Veja que nem estou usando a palavra falhar. Porque não se trata de errar. Revejo (se é possível) os motivos, avalio a minha participação e não me cobro pela parte que não consegui cumprir. Da próxima vez tento de novo.  

Querer menos…

A ambição do que a gente quer às vezes não tem limites. Queremos muitas coisas, o mundo. Mas será que realmente precisamos de tudo isso? Conseguimos dar conta? Não há horas no dia pra executar tudo e a grande expectativa se transforma em uma eterna frustração. Hoje em dia quero muito menos. Não que a minha lista seja minúscula. Só que corte excessos que gastavam a minha energia e, no fim, não me faziam tão bem assim.  

5 quilos

Queria ter deixado uns 8 quilos. Mas foram 5 deles e já estou feliz. De uma vez por todas entrou na minha cabeça a importância dos exercícios físicos e de ter uma dieta balanceada. As permissões de antes não rolam mais, mesmo. Se quero comer um docinho, compro um chocolate maravilhoso que descobri da marca Flormel. Não tem açúcar e é igualzinho o chocolate comum. Comemoro os quilos a menos, mas celebro mais ainda a minha mudança de estilo de vida.  

A louca da fulana

Não me envolvo mais nos problemas daquelas amigas que parecem sugar toda a nossa energia. Depois de tantos anos não tenho mais dó ou piedade. Tá na hora de aprender que a vida não é fácil mesmo. Já dizia Roberto e Erasmo: “é preciso saber viver”. Aprendi aos trancos e barrancos, mas acho que agora vai. Quem não quis evoluir ficou no meu passado. Ajudo quem se ajuda, quem tem boa intenção. Tento tirar do fundo do poço quem caiu de lá, mas quer sair. Mas acabou a paciência pra quem parece gostar da sofrência.

O “Se”

Tenho um amigo que diz que o “se” não joga. Se eu tivesse… se eu falasse… se nada! Não tenho mais arrependimentos. Se deu pra fazer, falar ou qualquer outra coisa mais estou satisfeita. Se não deu, paciência. Não tenho mais energia ou vontade de ficar remoendo o que ficou no passado.

E você? Como foi a sua revisão de ano novo?

Ju Junqueira

Jornalista que trabalha com internet há 20 anos. Divide o tempo entre as inovações tecnológicas e os trabalhos manuais no estilo Do It Yourself. Descobriu que é melhor que fazer meditação.

3 Comentários
  1. Eu TAMBÉM sou imperfeito mais estou me Tornando ((FODA)) em ALGUNS quesitos estou me melhorando a cada dia que Passa estou DEIXANDO de me Levar tão a sério e Principalmente me Afastando de ALGUMAS Pessoas extremamente Tóxicas e sem CARÁTER
    e ((SE)) Continuar FAZENDO somente a minha Parte VOU me transformar num Ser Humano muito Melhor SÓ POR HOJE

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O que não pode faltar na minha lista de ano novo

Não sei se para vocês é assim! Ultimamente o tempo tem passado rápido demais. O Ano Novo sempre vem numa velocidade tremenda. Mal consegui cumprir os meus objetivos propostos para 2018 e já tenho de pensar nas coisas que não podem faltar na lista de 2019.

E agora?

Acho que o lance é não se cobrar muito. A vida não pode ser traçada numa planilha e as resoluções consideradas metas que precisam ser batidas.

E é preciso reconhecer que a gente é o que é: seres imperfeitos, que mudam sim de opinião. Sem carregar culpa.

Às vezes, a gente se transforma aos pouquinhos. Devagar mesmo! E sou dessas que gosta de comemorar cada pequena mudança, cada pequena conquista. Afinal, creio que viemos a este mundo para evoluir.

É por isso que não vejo problemas em repetir algumas resoluções. Sou brasileira e não desisto nunca! No final todo mundo quer é a mesma coisa: ser feliz…

Não que emagrecer ou aprender um idioma seja sinônimo de felicidade. São apenas complementos que dão aqueleeeee impulso para me sentir poderosa. Pra mim, algo que não pode ficar de fora nunca.  

Então veja minha listinha, seus níveis de dificuldades e inspire-se.

E não se cobre tanto! Se não der pra fazer tudo logo logo 2020 pinta por aí! Com um monte de novos desafios para fazer a gente crescer mais um tantinho.

1.     Perder peso. SEMPRE

2.     Comer, beber ou aprender algo novo. FÁCIL

3.     Guardar dinheiro. NUNCA SAI DA LISTA

4.    Ser feliz mesmo sem guardar dinheiro 🙂 MUITO POSSÍVEL

5.     Definir uma meta atlética acessível como uma meia-maratona internacional ou aprender a nadar no mar. DESAFIADOR

6.    Apaixonar-me. DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

7.     Ler mais. FÁCIL

8.    Beber menos. MUITO DIFÍCIL

9.    Ampliar o trabalho voluntário. SÓ QUESTÃO DE VONTADE

10.E, FINALMENTE, rir de si mesma se não conseguir cumprir TODAS as metas acima!!!!

Ufa! E vocês, que consideram indispensável na sua lista de resoluções para o ano novo? Conta pra mim?

Que tal voltar aqui ao final de 2019 e ver quais foram as principais dificuldades para cada uma?

1 Comentário
  1. Adorei as suas dicas! acabei de ler agora, e acho que pode dar uma ajuda na lista de desejos e sonhos para 2021!! Há alguns que também pode acrescentar na lista que são passar mais tempo de lazer com a família, amigos; conhecer mais pessoas; ter um hobbie como dança ou fotografia beijinho

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O Universo Conspira – Parte 2

Querida Dominique. Esta é a segunda parte do Texto O Universo Conspira Contra ou a Favor. Você pode ler este aqui somente somente. Mas para melhor compreensão, recomendo que leia o primeiro.

E no domingo, lá vou ao Super Mercado, resgatar meu cartão esquecido.  Até agora não acredito nas coincidências.

E como eu tenho que maximizar meu tempo sempre, já que estava no super, claro que  aproveitei e fiz umas comprinhas para semana.

Aí então, procuro a responsável pelo achados e perdidos. Agradecendo muito acabei contando toooodaaa a história pra simpática mocinha que o guardava. Quando terminei ela me mostrou uma foto.

– É este o senhor?

–  Sim sim!!!

– Nossa. Que sorte a senhora teve. Ele é um conhecido bandido da região. As câmeras de segurança já o filmaram assaltando a mão armada e furtando dezenas de vezes. Mas é simplesmente impossível pegá-lo. Ele é um gato. Some pelas sombras.

Saí de lá ainda atordoada com aquelas informações. Muitas fichas caíram simultaneamente.

Ao me aproximar de meu carro, vi um papel no para-brisa.

Peguei e era um bilhete endereçado a mim!

Dominique.

A essa altura já sabe quem eu sou. E provavelmente também já descobriu que o “Dr” e a “esposa” trabalham comigo. 

Naquele memento que me encontrou atrás da árvore, você percebeu quantas viaturas de polícia passavam pelo local? 

Sim, eu tremia. Tremia de excitação e nervoso após um roubo espetacular (desculpe a falta de modéstia). Esperava o momento certo para entrar naquela casa abandonada e desaparecer com meus colegas que me esperavam.
Aí você apareceu. A “boa samaritana” não pode deixar um homem passando mal. Não.. Que coisa!!!

Tivemos que improvisar muito. E improviso não é para amadores. Até que uma hora você finalmente foi embora.

E deu tudo certo. Só que não, né? Você tinha que voltar aqui hoje?

Ahh Dominique, Dominique. Que cabecinha, hein? Pegou seu cartão? 

Quando te vi chegando e conversando com a funcionária do super mercado, logo percebi que entenderia tudo. Já sabe até como faço para desaparecer na fumaça.

Mas não vou me alongar. Vou ser direto.

Não vá a polícia. Sim, isto é uma ameaça!

Querida, sei muito a seu respeito. Muito mais que nome apenas. 
Como? A pasta. A pasta que você esqueceu no bar. Lembra o que tinha dentro

Gelei nesse momento. A pasta.
Olhei na direção do bar. Os 2 balconistas me encaravam  com um sorriso no canto da boca. Fiquei paralisada. Eles também estavam no esquema. Voltei para o bilhete.

Tenho certeza que chegou a pensar que o  universo conspira pra quem faz o bem, né? Típico!
Querida. Me esqueça que te esquecerei, ok?

Beijos carinhosos nos filhotes,  Clarinha e João.

Ah,  não compre mais maçãs nesse lugar pois não são de  boa procedência.

De seu sempre bandido,

Arimateia.

Bem querida amiga Dominique. O que dizer disso?
O que dizer de uma história como essa?
Ela acaba aqui?

Não fique brava comigo, mas a minha história acabou no episódio anterior. Sim, sério.
Acabou a hora que soube que tinham achado meu cartão. Todo esse capítulo eu inventei.
Inventei e num primeiro momento era tudo um texto só.

Esse texto, está escrito há mais de três semanas. Mas eu simplesmente não conseguia publicá-lo.
Algo estava me incomodando.

Mas vamos por partes.

Por que mudei o final?

Primeiro eu acho  que fazer o bem não merece recompensa.

Calma, calma. Deixe-me explicar:
Foi incrível realmente terem me devolvido minha pasta e meu cartão. Mas no fundo no fundo, eu não queria ter sido recompensada por fazer algo que era minha obrigação, entende?
E quando me vi escrevendo, simplesmente minha consciência não me deixou parar no fim da história.

Depois que finalizei com a parte inventada, sorri para mim mesma.  Ahhhh, o texto ficou tão melhor com a parte malvada, não é mesmo? 

Texto pronto, história boa e era só publicar. Mas não o fiz.

Mas por que não publiquei de prima? O que me incomodou?

Bem, como é que eu poderia publicar algo mentiroso desse jeito?
Na versão malvada de  meu texto, eu acabei sendo prejudicada e muito, apesar de ter feito o bem.
Mas na minha vida de verdade eu não fui prejudicada. Muito pelo contrário.

Apesar de não ter feito mais que minha obrigação,  eu fui muito ajudada. Então por que passar a ideia de que o mundo é ruim? Por que passar a ideia que nada vale a pena?

O mundo já tem maldade suficiente e gente ruim demais para eu transformar um homem passando mal em um bandido, um casal bondoso  e um mocinho atencioso de um bar em cúmplices criminosos.

Não. Não consegui.

Espero sinceramente que consiga entender a mim e o caminho tortuoso de minha cabecinha complicada.  Mas fica aqui a mensagem. Faça o bem. O universo conspira sim.

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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O universo conspira sempre. Contra ou a favor

                                                        “A vida é cheia de  infinitos absurdos que nem sequer precisam de parecer verossímeis, porque são verdadeiros.“
                                                                   Luigi Pirandello

Não sei nem por onde começar.  E  acho que você é capaz de nem acreditar. Não sei se EU acreditaria se alguém me contasse mas aconteceu de verdade e foi comigo.

Bom…Vamos lá..Que o universo me ajude.

As manhãs de sábado são minhas. Só minhas. São as horinhas que faço tudo aquilo que não tive tempo de fazer durante a semana: Pintar o cabelo, caminhar no parque, comprar os presentes que geralmente estou um mês atrasada, ir tomar café com uma amiga, arrumar algo da casa. Você pode substituir essa vírgula por um enorme OU, pois nunca consigo fazer mais que uma dessas coisas por sábado. Mas vou me virando e me divertindo.
Sempre que possível evito lugares fechados, shoppings etc.. Adooooooro comércio de rua.
Aos sábados então…

Estacionei na rua. Milagreeee, achei uma vaga!! Não era tão perto dos lugares que precisava passar mas e daí?

E olhando vitrine, sem pressa nenhuma, começo a executar minha lista de tarefas, uma a uma. Quase tudo que precisava fazer estava por ali.

Tarefa 1. OK
Tarefa 2. Ok
Tarefa 3 OK

E com que prazer ticava minha listinha!

Até que, andando rumo à tarefa 4, vejo um homem apoiado numa árvore, tremendo, respirando ofegante.

– O senhor está passando mal? Posso ajudá-lo?
E ele falando com muita dificuldade, disse que a pressão deveria ter caído. Nesse momento achei que ele ia desmaiar.

– O senhor aguente aí que eu vou buscar socorro.
– Eu já estou melhor – mentiu ele tentando se escorar na árvore.

Olhei em volta e o alto portão da casa que era dona daquela árvore estava entre aberto. Espiei pela fresta e lá dentro em pé estava um casal.
– Por favor, vocês teriam um copo d’água para uma pessoa que está aqui fora passando mal?

O homem saiu, e ao ver a cena, imediatamente começou a conversar com Sr Arimateia. Sim, Arimateia.
Mediu o pulso, puxou o olho pra baixo, sempre conversando com o Sr Arimateia.

– Como assim? Veio a pé de Cotia até aqui?? E está indo até a rodoviária? O senhor já andou mais de 12 km e vai andar pelo menos mais 10km. Eu sou médico e lhe digo, o senhor abusou.

Não acredito!! O homem era médico. Isso que eu chamo de sorte.

A esposa acudiu com uma garrafa de água que tinha no carro. Pediu desculpas, mas não moravam lá. A casa estava vazia pois eles tinham se mudado havia alguns meses para um apartamento. Então, perguntei ao casal  se eles esperariam eu comprar algo para a pessoa comer.

Saí em direção a um bar que  lembrava ter visto. E andei. Andei.  Nessas horas não aparece um boteco na frente da gente.

Ufa, achei. Comprei  e comecei meu caminho de volta daquele jeitinho afobado. Foram umas boas 4 ou 5 quadras.

Quando estava quase chegando escutei alguém berrando.
– Dona, Dona… A senhora esqueceu isso.
Era o mocinho que tinha me atendido no bar, correndo atrás de mim para entregar minha pasta com muiiiitos papéis, papéis importantes e documentos que deixei em cima do balcão!  Afffffff Dominique, Dominique.
Mas que fofo o rapaz.
Agradeci rapidamente, porque também eu estava numa missão.

Quando cheguei o trio já estava do lado de dentro da casa, no jardim.
Enquanto seu Arimateia comia seu lanche, foi contando sua história. Sua triste história.
Não vem ao caso contá-la aqui. Mas ele estava tentando chegar na cidade de Formiga em MG. Sem um tostão. Só com a passagem para BH.
Fiquei comovida.
A senhora do médico também ficou e falou que ele não se preocupasse, pois chegaria até a rodoviária de Uber.
Ele não aceitou. Relutou. Fez que ia embora.

O Dr me chamou de lado. Disse que aquele cidadão realmente tinha passado mal. Mas que talvez não devêssemos insistir porque aquilo tudo parecia mais alguma fantasia.  E que ele , como médico, veria o que fazer. Se preciso, levaria pessoalmente.
– Bem, se é assim. Acho que vou indo.

Meu carro estava estacionado pertinho do bar. E lá vou eu novamente caminhando de volta. Aiiii meus sais.

Lembrei-me do moço que veio correndo devolver minha pasta. Ahhh, que bonitinho.
Estava tão atrapalhada que nem agradeci direito. Então resolvi passar lá e dar uma caixinha simbólica junto com minha gratidão. Claro que estava sem um centavo na carteira, como sempre. Opa! Mas no supermercado em frente tem caixa. Quer saber? Vou lá tirar dinheiro, aproveito e compro um pacote de maçãs e levo para o Sr Arimateia.

Affffff… Entro no super mercado, tiro dinheiro do caixa eletrônico. A porra da história da biometria da mão nunca funciona de primeira. Pego a graninha. Compro o saquinho de maçãs. Pago. Passo no boteco.

Ufa… Quero meu carrooooooooo.
E fui motorizada para a casa daquela árvore. Quando cheguei tudo estava fechado e sem sinal de vivalma.

Peguei uma das maçãs que não tinham mais dono. Estava com fome, afinal já eram 14h.

Aiiiiii… O aniversário da minha sobrinha!!!!!
Saí correndo.
Cheguei esbaforida como sempre.
Família inteirinha reunida, menos meu filho e meu sobrinho que viajaram para um casamento no interior.

Sabe aqueles almoços gostosos e alegres?
Então… Estava assim. Conversa animada, sorrisos bonitos.

Só percebi no meio do almoço que aquele meu sobrinho ausente, tinha me mandado uma mensagem.

Não acreditei quando li.

Eu ainda não tinha nem percebido que estava sem o cartão.

Mas quem? Como? Onde? Como assim? Coisa mais louca, né?

Que sorte. Já pensou justamente em dezembro ter que cancelar meu cartão, pedir outro, esperar chegar, decorar senha nova, etc.. Ou pior, alguém mal intencionado tê-lo achado.

Buscaria o cartão no dia seguinte sem falta.

Agora, que coisa, né?  Meus documentos e meu cartão foram perdidos, achados e DEVOLVIDOS.

Isso é realmente incrível. E mais incrível ainda as circunstâncias em que o foram. Alguém arrisca algum palpite?

Então…Deve ter sido o tal Universo Retribuindo.

Esse texto poderia acabar aqui. O que você diria se acabasse aqui?

– Poxa.. Que coisa! É realmente o universo….

Mas  acontece que o texto não acaba aqui.

Agora,  se você está satisfeita com esse final, não clique no link abaixo.

Este link leva para a continuação dessa história.

Mas repito, se está satisfeita e acredita que o Universo realmente retribuiu a uma gentileza, fique por aqui.

Bem, parece que você é realmente curiosa, hein?

Então clique AQUI NA CONTINUAÇÃO do texto Universo conspira parte 2.

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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  1. Your point of view caught my eye and was very interesting. Thanks. I have a question for you.
  2. Can you be more specific about the content of your article? After reading it, I still have some doubts. Hope you can help me.

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A lenda de Sao Martinho e as Castanhas Portuguesas

Em novembro, dezembro, quando era pequena, lembro de ir com minha avó ao mercado municipal comprar castanhas portuguesas. Comprávamos quilos e quilos desta deliciosa semente.

Minha avó as fazia de diversas maneiras: assadas, cozidas, mas a que mais me impressionava era o tal Marrom Glacê. Levava dias para prepará-lo e minha função era embrulhas as castanhas duas a duas em gaze para irem ao fogo.

Isso, sei lá porque, era necessário embrulha-las naquele pano furadinho. Depois colocava-se em potes que ela esterelizava num processo complicadíssimo de ferve, seca, ferve e seca.

E pronto!! Um belo laço dourado no vidro e tinha aí o presente que muitas amigas esperavam da vovó todos os anos.

E quis a vida que este ano, 2018, eu estivesse em Portugal justamente no dia 11 de novembro, e com minha mãe.

Aqui, hoje é dia de castanhadas porque é dia de São Martinho.

E vamos a lenda..

Neste mundo globalizado em que vivemos São Martinho não é um santo português, veja só. Nasceu na Hungria no ano de 316 DC.

Era pagão, virou cristão..etc.. (estou resumindo, tá gente?)

E numa noite de chuva gelada de novembro, ele em seu cavalo, encontra um mendigo encharcado e desesperado.  Cheio de compaixão, o jovem desceu do cavalo e, com a ajuda da sua espada, cortou a sua capa militar ao meio e deu uma das metades ao mendigo.

De repente o frio parou e o tempo aqueceu. Este acontecimento acredita-se que tenha sido a recompensa por Martinho ter sido bom para com o mendigo.

Hoje em dia, sempre que em novembro, mês cinzento de outono, abre-se os sol, diz-se que chegou o Verão de São Martinho.

São Martinho tornou-se padroeiro dos mendigos, alfaiates, peleteiros, soldados, cavaleiros, curtidores, restauradores e produtores de vinho.

Frases e Provérbios de São Martinho

  • Por S. Martinho semeia fava e o linho.
  • Se o inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
  • No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
  • No dia de S. Martinho, castanhas, pão e vinho.
  • No dia de S. Martinho com duas castanhas se faz um magustinho.
  • Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.

E agora que tal algumas receitas com as divinas castanhas portuguesas?

1. Castanhas Assadas – Casal Mistério

Primeiro que tal o básico, mas um básico bem feito?

Como comprar castanhas:  escolha as mais duras, as mais brilhantes e, de preferência, sem aqueles pequenos buraquinhos que, às vezes, têm à volta. Outra dica: não se esqueça de lhes fazer um corte longitudinal, ou, se preferir, pode cortá-las em forma de cruz. Não interessa a forma como as corta, desde que as corte, senão o seu forno vai parecer o início da Terceira Guerra Mundial.

Ingredientes

(para 6 a 8 pessoas)

  • 1 kg de castanhas

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Cubra a assadeira do forno com papel de alumínio. Com uma faca bem afiada, faça um corte em forma de cruz em cada castanha. Coloque as castanhas na assadeira e deixe-as assar durante 25 a 30 minutos, ou até ficarem amarelas e começarem a abrir. Retire do forno e tape as castanhas com um pano de cozinha. Deixe arrefecer até conseguir pegar nelas. Depois, retire o pano e descasque as castanhas antes de servir.

Nota: Esta receita não inclui sal, mas tem quem goste de polvilhá-las com sal fino (para agarrar melhor) antes de as colocar no forno.

2.COMPOTA DE CASTANHAS – site SAPO
Com apenas quatro ingredientes, pode apreciar o sabor deste fruto típico português  ao longo de todo o ano.
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INGREDIENTES

Castanhas 600 g
Açúcar 500 g
Flor-de-sal 5 g
Sumo de laranja 1/2 laranja

PREPARAÇÃO

Leve as castanhas a cozer em água e sal. Depois de cozidas, escorra-as bem, retire-lhes a casca e leve ao fogo com o Açúcar

Deixe ferver durante quatro minutos.

Triture e deixe ferver durante mais quatro minutos.

Deite em frascos previamente esterilizados

3. Mont Blanc – Do site Panelinha

INGREDIENTES

  • 1 kg de castanha portuguesa
  • 1,250 litro de leite
  • 4 colheres (sopa) de açúcar
  • 3 colheres (sopa) de manteiga
  • 1 colher (sopa) de chocolate em pó
  • 1 colher (sopa) de rum
  • 250 ml de creme de leite fresco
  • morangos ou cerejas para decorar (opcional)

MODO DE PREPARO

  1. Lave as castanhas sob água corrente. Com uma faca afiada, faça um corte em cruz na base de cada uma.
  2. Numa panela grande, coloque as castanhas e cubra com água. Leve ao fogo alto. Deixe cozinhar por 1 hora e 30 minutos. Caso o corte em cruz ainda não esteja abrindo, deixe cozinhar um pouco mais.
  3. Retire as castanhas da panela e descasque, uma a uma, com uma faca afiada. A película marrom que fica entre a casca e a castanha também deve ser retirada.
  4. Volte as castanhas à panela, acrescente o leite, 2 colheres (sopa) de açúcar e leve ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar, mexendo sempre, até obter um creme espesso.
  5. No espremedor de batatas, sobre uma tigela com a manteiga, passe o creme ainda quente. Acrescente o chocolate, 2 colheres (sopa) de açúcar e o rum. Misture bem até ficar homogêneo.
  6. Numa tigela com tampa, coloque o purê de castanhas e deixe na geladeira por até 2 dias para apurar o sabor.
  7. Na batedeira, coloque o creme de leite e bata até o ponto de creme chantilly. Reserve.
  8. Sobre a travessa que será servido o doce, passe o purê pelo espremedor de batatas novamente, isso serve para que fique com o aspecto de espaguete. Forme um montinho e coloque o creme chantilly ao redor. Decore com morangos ou cerejas. Sirva gelado.

AutorPanelinha

Tempo de preparoMais de 2h

ServeMais de 6 porções

Imagem da receita

 

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Danças Ocultas – O nome que esconde uma grande surpresa

Cheguei sexta feira a Portugal onde participarei do Websummit 2018. Vou falar sobre o evento em um outro post.

Bom, mas o evento só começa na segunda. Tenho sábado e domingo para me aclimatar, passear e aproveitar.
Agora, o que fazer nesse sábado?
Não é minha primeira vez em Portugal, país que amo e tenho a sorte de ter compromissos profissionais e pessoais para poder cá estar algumas vezes.
Isso quer dizer que os passeios obrigatórios ja fiz todos, mais de uma vez.
Mas não posso não fazer nada!! Sensação de tempo perdido!!

Uma amiga indicou um passeio imperdível, a 1 hora e pouco de Lisboa, no Alentejo. Um hotel com um restaurante di-vi-no e paisagens idílicas..
Sem ver outras opções e no desespero do ócio em €, liguei para o Hotel Vale do Gaio para fazer a reserva para o almoço.
E foi com um enorme alívio que ouvi que o estabelecimento está em reformas e só voltará a funcionar em maio.
Sim, alívio. No fundo, no fundo, não estava muito afim de ir.

Não fique brava/o comigo mas tenho uma preguiiiiica de restaurantes.
Não consigo achar que ir a restaurante seja um programa.
A companhia, sim. A conversa, a troca, o companheirismos são motivos que me fazem ir a um restaurante.
Mas aí também posso ir a qualquer lugar né?

Voltando a meu sábado, comecei a procurar o que acontecia na cidade nestes sites tipo Time Out, NIT, etc..

Passando pelos eventos do dia 3/11, vi sim um tal de Danças Ocultas. Mas confesso que o nome não me animou nem a clicar para saber do que se tratava. Danças Ocultas? Fala sério..

Fui até o final da lista, voltei, e quando já estava quase me resignando a procurar um restaurante, vi que Jaques Morelenbaum era convidado especial do tal Danças Ocultas.

Péra… Olha só que belíssimo cartão de visitas. Ter como convidado este músico não é para qualquer um. Afinal ser parceiro com Tom Jobim é coisa de gente grande. Aliás, tive o prazer de assistí-lo com Tom, com Ryuichi (sim, o Sakamoto), e com seu quarteto.

Diante dessa credencial resolvi dar uma chance para esse grupo de dança e fui pesquisar. E pesquisando vi que não era um grupo de dança, e sim de música.
Comecei a escutá-los e nos primeiros minutos tive certeza que este seria meu programa de sábado.

Comprei as entradas pela Internet, e passei o dia me preparando para o show às 21h30 que aconteceria no Teatro Tivoli ainda por cima. Estava louca para conhecer esse lugar.

Cheguei cedo, e fui fazer hora no bar ao lado, que é um bar da moda. O Jncquoi (Lê-se Je ne sais quois).
Badalaaaaado.
Pedi um Gin Tônica cítrico e fiquei olhando o tempo passar enquanto pessoas passavam olhando o meu tempo suspenso.

Deu a hora. Fui pro teatro. Lindo Lindo. Lugar excelente.
E pontualmente entram no palco quatro homens e suas Concertinas.
Sabe o que é uma concertina? Eh um acordeão diatônico. E o que é um acordeão diatônico? Ahhh pra mim é tipo uma sanfona.

Então era isso. Um show com 4 sanfoneiros + um violoncelista (Jacques).
Gente. Foi das coisas mais lindas que já vi e ouvi. De arrepiar.

Estavam lançando o disco novo ” Dentro desse Mar” que foi produzido pelo brasileiro.
Pelo que entendi, o disco tem duas faixas cantadas, todas as outras apenas com belíssimos instrumentais. E no disco elas são cantadas por Carminho e Zélia Duncan.
Mas ontem quem as cantou foi Dora.
E ao final de sua primeira canção, sob aplausos da platéia, reparei que Jaques Morelenbaum  segurava o arco com uma mão e com a outra batia na perna, como se também aplaudisse. Olhava embevecido Dora sair do placo.
Não precisavam ter dito que Dora  é Dora Morelenbaum. Aquele era um pai orgulhoso de sua cria com voz de veludo.

Por vezes Morelenbaum saía e deixava os 4 sozinhos.. Ahhh que delicia.


Eles estão juntos há 30 anos. Possuem uma intimidade que se sente na musica.
E foi muito divertido vê-los interagindo.

Não sei seus nomes. Mas da esquerda para direita, o primeiro parecia estar lá para acompanhar, para fazer brilhar o som do grupo.
O segundo, parece que nasceu com o instrumento grudado no corpo. Toca com uma naturalidade, com uma facilidade e leveza, que fazia com que a concertina fosse realmente um órgão vital.
O terceiro tocava de uma maneira..de uma maneira…emocional. O cara sentia a musica, completamente envolvido em cada nota, gestos largos, gestos acanhados… Não conseguia parar de acompanhá-lo.
E o quarto..ah o quarto é aquele que se diverte. O cara estava realmente se divertindo enquanto tocava. Era tão nítido.
Na verdade todos estavam.

Não sei se você tem essas coisas… A felicidade suprema de descobrir algo que te faz ainda mais feliz?

A certeza que esse conjunto com esse nome estranho com uma música super contemporânea me acompanhará daqui pra frente. E eu a eles.

Poderia também ter sido um inesquecível Lombinho De Porco Preto Grelhado Pincelado Com Manteiga E Coentros Com Arroz De Hortelã  Ou Bochechas Estufadas Em Bôrras De Vinho Tinto Com Migas De Espargos  caso o restaurante não estivesse reformando e você estivesse comigo.

Veja e ouça um pouquinho do que é Danças Ocultas aqui nesse vídeo

O site do Danças Ocultas – https://dancasocultas.com/

Leia também:

Rever Portugal e abraçar minha gente

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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As flores, os nudes e as atitudes na arte de Georgia O’Keeffe

O que deve ter sido posar nua nos anos 20?
Imagine uma mulher na casa de seus 30 anos, ser fotografada nua por seu amante (ela solteira, ele casado) há 100 anos.

Ele, fotógrafo e quase 25 anos mais velho que ela completamente encantado por aquela mulher. Ela, artista, sensível e completamente apaixonada por seu mentor e marchand.

    O’Keeffe e Stieglitz Apaixonados

Ele, um dos mais famosos galeristas de sua época, logo reconheceu em sua amada todo potencial artístico. Apaixonou-se pela mulher, pela artista, pela obra e pela alma de Georgia O’Keeffe. Estava tão encantado que não bastava tê-la para si.  Era preciso materializar esse sentimento em fotografia que era o que melhor fazia Alfred Stieglitz.
Mas também não bastava admirar as imagens daquele lindo corpo maduro, do rosto forte e das sombras e luzes que revelavam pele e pelos. Era preciso que o mundo visse também toda aquela beleza de sua “criatura”. O mundo precisava saber que ela era dele.

O’Keeffe, na série de nude.

Assim convenceu Georgia O’Keeffe de que uma exposição das suas imagens em papel de revelação seria tão importante quanto de suas flores gigantes pintadas em tela. Qualquer mulher que já se apaixonou vai entender porque O’Keeffe permitiu essa exposição sem medir consequências.

Mas consequências, como assim? O que poderia acontecer com nu artístico?Se até hoje falar, posar, exibir ou até mesmo insinuar sexualidade e sensualidade incitam o machismo e o puritanismo em muitos de nós imagine em 1918.

 

Amo esta foto que deu origem a minha coleção de pernas cruzadas.

Bem, a exposição foi um enorme sucesso e um escândalo em igual proporção estigmatizando o trabalho daquela artista, que viria a ser considerada a Mãe da Arte Moderna Americana. Suas flores gigantes foram alvo de interpretações freudianas por parte dos críticos, que as relacionaram com vulvas.

Por mais que O’Keeffe negasse veementemente qualquer relação de sua obra com genitálias, ela só conseguiu se desvencilhar desse rótulo anos mais tarde quando sua pintura vinda de seu refúgio no Novo México, mostrou-se tão impressionante e potente quanto suas flores.

                                  Críticos sexualizaram obras de O’Keeffe

Ahhh, esqueci de dizer que quem não gostou nadinha da tal exposição foi a esposa de Stieglitz. Fez o que chamaríamos hoje de barraco. Todos sabiam que era exatamente isso que o apaixonado criador estava esperando para poder enfim viver seu grande amor com sua criatura. Casaram-se.

                   Stieglitz. &  O’Keeffe

Quanto mais crescia a notoriedade da obra de Georgia O’Keeffe, mais alucinado por ela ficava Alfred.
Até aparecer em sua galeria uma outra promessa. Bem mais nova. Preciso falar mais? A nova promessa não vingou nem como artista nem como amante mas fez com que a decepção e tristeza de Georgia a levassem para longe de NY. Não se separou de seu marido apesar de poucas vezes ter voltado para a cidade. Acabou viciando-se em solidão. Em seu rancho era plena. Observava o mundo ao seu redor de perto e com fome.

Sentava-se sozinha para assistir a luz e a sombra sobre o deserto e as montanhas. E se perguntava o que eu poderia fazer com aquilo: “Tudo isso me interessa muito mais do que as pessoas, parece que elas quase não existem.”

Ahhh, uma loner

           Georgia O’Keeffe

O’keeffe encontrava inspiração na natureza ao seu redor. A fauna a flora maneira como a luz refletia sobre as pedras, a hipnotizavam.

Em uma das 25.000 mil cartas (isso, vinte e cinco mil) trocadas com Stieglitz, ela descreve em detalhes a cena que ela via pela janela:

A terra rosa e as falésias amarelas ao norte a lua pálida prestes a se pôr no céu por de lavanda da manhã atrás de uma muito longa e bonita planície coberta de árvores ao oeste. As colinas rosas e roxas em frente aos cedros verdes abafados e esfarrapados e a sensação de muito espaço.

Genteeeee, que coisa mais linda!! Você não consegue quase que ver o que ela descreveu? Veja algumas pinturas do lugar e me diga se não é isso mesmo.

     As flores gigantes de Georgia O’Keeffe

E por que resolvi escrever tudo isso hoje?
Sou louca por sua obra e achei que seria uma maneira interessante de homenagear a primavera mostrando suas lindas e coloridas flores.

               Não me canso desses exageros

E qual não foi minha surpresa que pesquisando para escrever esse texto, descobri que esse 2018 é o ano do centenário da exposição de suas fotos.

Adooorooooo essas coincidências…

Veja também:

Pasta do Pinterest com muiiitos trabalhos de Georgia O’Keeffe

SP_Arte

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

3 Comentários
  1. Grata por nos levar em suas histórias e pesquisas . Qtas vidas interessantes tivemos em nossa humanidade … amores, encontros , desencontros … e .. a arte sempre rondando seres de Luz , Sofrimentos, desencontros … e… grandes Amores … deixaram heranças… as mais Inciveis Obras para a Humanidade . VIDA !!!!… entrelaçadas por diversas formas de AMOR

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O mundo é sexo! Sexo em Paris, então! Veja esta lista.

Banner_O mundo é sexoEu tenho um amigo, daqueles que temos desde a adolescência, onde a intimidade é tanta que podemos falar e conversar com pudor zero. Isso é tão bom e tão essencial na minha vida!

Bem, mas o tema não é sobre a amizade. Eu perguntei a ele o que ele havia achado de meu novo livro. Estava ansiosíssima, porque ele é daqueles que fala mesmo se for uma porcaria e, também, ele é uma das únicas pessoas que pode dizer isto sem que eu fique braba! Hahaha!

– James, o que você achou do livro?

– Falta sexo! O mundo é movido a sexo!

– …hummmm

É claro que, imediatamente, escrevi um capítulo inteiro sobre o tema! Quer saber? Eu ia falar se você quisesse saber para comprar o livro, mas, como uma Dominique simpática, vou postar aqui o tal capítulo, tá?

Paris é uma cidade que inspira romance, já muito sabido por motivos óbvios. Mas ela também inspira, e muito, o sexo! Porquoi pas?

A prostituição em Paris, por exemplo, está presente há 1.200 anos e, diferente dos dias de hoje, era muito mais importante. Prostitutas tornavam-se amantes fixas de reis, aristocratas e tinham um status quo bem mais interessante do que nos dias de hoje. Fato é que é uma das únicas profissões que subsistem, porque aquele meu amigo disse tudo: O mundo é sexo.

Obviamente nem todo mundo tem o costume ou hábito de pagar pelo serviço. Por isto, uma vez em Paris, longe dos olhos de conhecidos, entregue ao momento e a aventura, inspirado pelos cenários da cidade é natural que o corpo relaxe do estresse com menos rotina, pressão e ainda com menos expectativas e cobranças em um novo ambiente trazendo uma sensação de libertação. Aliado ao anonimato, liberdade e ao estímulo de um novo ambiente podemos ter certas sensações e impulsos, ne´est ce pas? Assim fica mais fácil a entrega a novos prazeres.

Bem, uma pesquisa publicada no jornal francês, Le Fígaro, feita com 2.007 parisienses acima dos 18 anos revela que: um a cada dois homens e uma a cada seis mulheres já fizeram sexo com mais de uma pessoa ao mesmo tempo; 68% dos entrevistados costumam ter uma noite de amor sem compromisso, contra 50% das mulheres; muitos disseram não saber nem ao menos o nome da pessoa com quem saiu.

Paris também é a cidade da infidelidade, onde 58% dos homens e 36% das mulheres admitiram já ter sido infiel ao cônjuge, sendo que alguns ainda admitem que são infiéis constantemente. A metade dos entrevistados admite já ter experimentado sexo sadomasoquista. Wow!!!

Interna_O mundo é sexoSeja você adepto, curioso ou debutante, eis uma listinha e um roteirinho básico na cidade da luz vermelha, que nunca dorme, além de aplicativos mais utilizados pelos adeptos.

Se for falar de um bairro, o mais libertino de todos não é mais Pigalle, e sim o Marais. Dizem que mais da metade dos bares tem um salão aos fundos onde o sexo rola livremente e gente de toda a Europa vem somente para isto.

Le Berveley – Cinema pornô com filmes em 35mm onde na maioria das vezes o público acaba interagindo. Li em algum lugar que era mais ou menos uma projeção em 3D (se é que me entende!). Diariamente das 10h às 22h. 14, rue de la Ville Neuve, 75002

Le Club 41 – Para os novatos e mais pudicos (mas nem tanto) dizem que devem ser iniciados em algo menos escandaloso. O Club 41 cobra 22 euros por um drinque, mas em compensação o sexo é free, com quem você quiser, a dois ou em grupo. Começa à meia-noite! 41, Rue Quincampoix, 75004

Le Keller – É preciso alertar que este clube é de sadomasoquistas, apesar de você não ser obrigado a nada e nem poder obrigar ninguém a fazer o que não quer, mas avisar sobre o que se trata se faz mais do que necessário. Não, não precisa levar seus instrumentos de tortura, porque eles são fornecidos lá mesmo. Só pedem que respeitem o dress code que é ultra sexy, roupas e calças de couro e tal… A entrada custa 10 a 13 euros com direito a uma cerveja. A diversão em questão é freeabre às 21h. 14, rue Keller – 75011

Les Chandelles – Swing Chique – Tudo começa em um jantar em casal e depois escolher as salas de festa e os quartos de amor. Tudo muito chique e bonito. Jantar excelente em sistema de buffet. Você pode fazer o que quiser desde que permita e que a outra pessoa ou outras também consintam. Se estiver sozinho ou sozinha terá que pagar 110 euros para entrar. Se for em casal somente pagarão pelo consumo. Começa às 22h30 e aos domingos a partir das 16h (tipo matiné!!!!).  1, rue Thérèse, 750011.

Folies Pigalle – Balada ao ritmo “tecno” a casa acolhe a todos: heteros, homos, travestis e afins e todo mundo se diverte junto a começar na noite anterior até ao meio-dia do dia seguinte! Ali dentro tudo pode acontecer! 1. place Pigalle – 75009

Digamos que está ali em Paris, sozinha, como não quer nada, mas querendo alguns bons momentos de aventura sem compromisso. Está jogada lá em sua cama de hotel e mexendo no seu celular… Só clicar e ver se tem alguém disponível (com o seu perfil) pensando na mesma coisa e decidir se você vai ou ele vem…  Prontinho! Tá arranjada uma festinha!

Happn – com 3 milhões de usuários e bem utilizado pelos franceses; também usado para “ménage à trois”!

YesforLov – Antes da festinha, não deixe de passar por esta loja diferente de tudo o que você já viu em termos de cremes e brinquedinhos!

American Dream – Agora, se o seu negócio é só mesmo divertir-se de forma picante, porém light, sem se comprometer, eu aconselho dar uma espiada na mistura de strip-tease feminino, masculino e outros e todo o tipo de performances entre um drinque e outro com boa comida Tex-Mex, Bar de Sushi e mais de mil metros de pura diversão! 21, Rue Daunou, 75002

Amiga, na boa, sai desse sofá enquanto há vida! Vamos?

Quer mais? Só no livro! Baixe agora mesmo!

Guia da Boa Viagem Paris Legal 

 

Leia mais:

Ele pediu para a espoca ser garota de programa – Apimentando a relação

E subimos ao paraíso – 2o andar da Boutique Sensual

 

 

Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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