Tag: Relacionamento

Oh Cupido vê se me deixa em paz e para de atrapalhar o destino

Dominique - CupidoA Cynthia Camargo mandou uma história superengraçada sobre uma vez que deu uma de cupido. Cupido desastrado, claro.

Ela fez que eu lembrasse da vez que fui eu o cupido.
Quando a gente casa, sei lá porque, acha que todo mundo que está do nosso lado TEM que casar.
Que estes seres infelizes só conhecerão a luz quando a alma gêmea aparecer iluminando o coração.
Yesss…Cafona assim mesmo. E surreal também.
Mas esta era eu há 30 anos e recém casada.

Uma superamiga, a Bia, tinha acabado de brigar com o namorado e um primo do Guilherme estava correndo o risco de ficar solteiro para sempre se eu não fizesse alguma coisa.
Então obviamente bolei um plano perfeito! Apresentá-los! Claro!
Mas obviamente, como sou muito, muito esperta, resolvi contar para ambos e consultá-los antes:
– Bia, o Gui tem um primo superlegal que adoraria que você conhecesse, topa?
– David, você sabe quem é minha superamiga Bia? Aquela, bonita de cabelos compridos… Então, vou convidá-la para jantar aqui semana que vem. Você gostaria de vir?

Pronto. Marcado. Avisei Guilherme que sempre odiou esse tipo de coisa.
– Dominique, Dominique! Os caras sabem errar sozinhos! Não precisam da sua ajuda para quebrar a cara! Que mania!
– Ai Gui… Para. Que pessimismo!

Chega o dia do jantar.
David chega antes de Bia, perfumado e arrumadinho.
Bia, como sempre um tantinho atrasada, vestida para matar. Decote sob medida num vestido provocador. Sabe aquele cabelo que dá vontade de passar a mão? Então… O da Bia.
Sempre lembrando que na época não deveríamos ter mais que 26 anos, tá? Lindas e gostosas. Como sempre.

Um aperitivo com um pouquinho de álcool (não tomávamos vinho naquela época, eu acho) para quebrar o gelo.
O papo flui fácil entre nós. Mas principalmente entre eles.
Servi o jantar e na sobremesa, os dois já tinham engatado um papo olho no olho meio que ignorando a presença dos donos da casa.

Tirando a mesa, Bia foi me ajudar e ficamos excitadas conversando na cozinha:

– E aí? – Perguntei eu já me imaginando de chapelão e vestido fúcsia como madrinha no casamento daqueles pombinhos!

– Ahh Nick… Gostei, né? Gatinho. Parece ser um cara legal.

Pronto match maker. A casamenteira.

Despedidas. Afinal era dia de semana e já passava da meia noite.
Vi que Guilherme puxou David num canto e cochichou alguma coisa.

Mal fechei a porta e perguntei o que ele tinha cochichado.

– Falei para Davi que acompanhasse a Bia até em casa. Que a seguisse com o carro, pois já é tarde.
– Claro… mas meio óbvio, não?
– Não. Conheço meu primo. Quando se trata destas coisas, melhor desenhar para ele.

No dia seguinte, mal acordei e liguei para a amiga. Será que tinha rolado beijo?
Ou ela tinha convidado ele para entrar para um último licor?
Sairiam novamente esta noite?

– Biaaaaa…Me conte tudo!
– Contar o que Dominique?
– Como assim?
– Não tem o que contar. Quando dei seta que entraria na minha rua, David buzinou, acenou pelo vidro e seguiu reto.

Nãooooooooooooooooooooo. Não podia crer nisso.
Contei para Guilherme que determinou que naquele momento se encerrava minha carreira de cupido. Na verdade estúpido cupido.

Você acha que a história acaba aí, né? Não, colega.

Três anos depois, num sábado à tarde, toca o telefone.
Guilherme atende o primo David e me avisa que ele passará em casa para tomar uma cerveja de noite. Estranhei muiiiito, porque ele nunca tinha feito aquilo.

Well… Chegou, sentou, bebeu, enrolou enrolou e perguntou:
– E aí Dominique? E aquela sua amiga a Bia? Gostei dela, viu?
– O que? Vc tá brincando, né? Cara, ela já até casou!
– Ah, jura? Que pena!
– Não estou acreditando, David! Só 3 anos depois? Mas o que aconteceu na época?
– Na verdade, eu percebi no jantar que a Bia era moça séria e que não dava para fazer besteira.
– Pera. Pera. Eu te liguei e disse que ia te apresentar uma de minhas melhores amigas. E você só sacou que ela era “séria” quando a conheceu?
– ……
– David, para o seu controle, Bia não é uma moça séria. Nem ela nem eu, tá! E sabe quem levou a melhor? O marido dela e o meu!

Essa Dominique… Mas e você? já tentou ser cupido de alguém?

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Traição e aprendizado – É sim uma relação possível!

Dominique

Nasceu em 1964. Ela tem 55 anos, mas em alguns posts terá 50, 56, 48, 45. Sabe porque? Por que Dominique representa toda uma geração de mulheres. Ela existe para dar vida e voz às experiências, alegrias, dores, e desejos de quem até pouco tempo atrás era invisível. Mas NÓS estamos aqui e temos muito o que compartilhar. Acompanhe!

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Casada sim, cega não – Sou comprometida, mas não estou morta!

Dominique - Cega
Quem nunca olhou para o lado, por pura curiosidade, que atire a primeira pedra, o primeiro brinco, o primeiro salto, a primeira bolsa.

Somos fiéis, leais, longe de ser santas, mas uma olhadinha singela faz parte do show, afinal que mal faz? Olhar não tira pedaço…que pena.

Às vezes, não é só a beleza estonteante daquele homem sentado justamente atrás do seu marido no restaurante o que mais chama a atenção, mas o charme irresistível dele cada vez que leva a taça de vinho à boca, ai…e que boca.

E aquela camisa branca maravilhosa contrastando com o bronzeado da pele? A calça jeans  despojada, o sapato sem meia que pouquíssimos sabem usar. Ai Jesus me abana!

Amo homens com barba. Não aquela barba de um dia, tipo o cara tá tão gripado que nem a barba fez. Mas aquela barba levemente displicente que deixa o dito cujo com cara de mau (não confunda com sujo, pelamor!) e que quando roça no pescoço, ai meu Deus, me dá um frenesi. Sei lá o porquê parece que caras assim tem pegada.

Talvez porque meu marido nunca tenha usado barba, embora eu tenha pedido inúmeras vezes. A desculpa sempre era – tenho falhas na barba, dá trabalho, os pelos encravam…ah tem algo que acaba mais com tesão do que falar em pelo encravado?

Com o tempo a gente vai perdendo o macete da paquera. Que delícia a arte da sedução, uma espécie de dança do acasalamento. Olhares furtivos. Uma frase solta aqui, outra acolá. Mas é como andar de bicicleta. No começo até dá umas pisadas na bola, mas depois…vai longe e como vai.

Como mulheres sérias, recatadas e quase do lar, adoramos pensar ao menos numa fantasia, concordam? É só fantasia, não faz mal a ninguém. Não vamos realizar mesmo, mas sonhar? Não custa nada e pode até dar uma apimentada e tanto na relação, quem sabe!?

Já aconteceu de ser paquerada pelo amigo do meu marido numa reunião de casais. Foi sutil, até porque esse cidadão de bobo não tem nada, mas os olhares, rápidos e sorrateiros, entregavam o jogo. Um elogio inocente – nossa, nunca te vi tão bonita!, um apertãozinho no queixo para brincar com você, um abraço um pouco mais longo.

No começo, achei que eu estava vendo peruca em ovo, mas depois da terceira taça de champagne, comecei a curtir muito e minha autoestima foi para as nuvens.

Acabou ai. Nada que tenha comprometido. Nenhum deslize, nem mão boba.

Soube de marido que até gosta quando a mulher é paquerada e adoro alardear aos quatro cantos que é ele quem está com ela, o grande vencedor. No meu caso nada disso rolou, porque minha cara metade era a pessoa mais desligada do universo.

E quer saber, adorei, minha autoestima foi lá no céu. Cega jamais!

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9 Comentários
  1. A mulher me olhou..

    Já peço o Telefone..e depois vou pro Motel..

    Se um Homem me olha… Significa.. que me achou bonito e ele É GAY… ou a Mulher dele…olhou pra min..
    KKKKKKKKKKKKKK
    É a vida.. toda mulher olhou praticamente está dando em cima……onde quer que você anda e chega..
    Sempre a MULHER vai olhar o que gostar.. não há como negar…..

  2. Concordo ! Melhora nossa auto estima e o desejo de nossos maridos por nós !!! Vamos combinar que ,é bem difícil manter o desejo ( desejo mesmo ) em relações muito longas …

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Traição e aprendizado – É sim uma relação possível!

Dominique - Traição
As pessoas tem ideias e conceitos diferentes sobre o que consideram traição e essa linha do que é certo e errado nesse campo é bem subjetiva. De alguma forma bem primitiva, queremos ser especiais e prioritários para nossos parceiros, a não ser que viver um relacionamento aberto e com o envolvimento de terceiros seja algo de comum acordo aos componentes do casal.

O que significa trair? Será que trair significa somente ter um relacionamento com outra pessoa? Ampliando essa perspectiva, traição significa o rompimento de um pacto emocional e de suas regras e envolve muito mais do que apenas se envolver com alguém; seja sexual e/ou afetivamente. A partir dessa compreensão, casais não monogâmicos também lidam com a traição por se tratarem de relacionamentos com regras específicas passíveis de serem rompidas.

Descobrir uma traição pode ser algo intenso e doloroso para muitos. As pessoas traem por desejo de viver algo novo, de resgatar sentimentos e a dimensão do sentir-se desejado(a), de sentir-se ativo(a) e “no jogo” da sedução e da paquera novamente, por autodescoberta, fetiche, carência entre outras razões. Mesmo que por um momento fugaz e com arrependimento depois, houve abertura afetivo-sexual e disponibilidade de viver algo com outra pessoa.

O que motivou a abertura para que o encontro extraconjugal acontecesse é uma grande pista sobre as necessidades emocionais da pessoa que traiu, além de funcionar como termômetro sobre a dinâmica do relacionamento. Nem todas as pessoas que traem o fazem porque não amam seus parceiros. Parece difícil de entender, mas nem todas as traições acontecem porque o amor acabou. Sentimentos, emoções, amor e desejo não funcionam segundo a lógica racional. Escapam facilmente à lucidez!

A grande questão é que a traição carrega um forte estigma, permeado de preconceitos religiosos e morais. É muito comum que as pessoas que traíram sejam julgadas, seja pelas outras pessoas ou por si próprias.

A traição terá o peso do significado que atribuirmos a ela, de acordo com nossos valores e o que aprendemos ao longo da vida. É sempre delicado julgar uma atitude sem entendermos o contexto ou mesmo os motivos que culminaram na traição. Para alguns é algo banal, perdoável e de pouca carga emocional; já para outras pessoas, a traição é algo mais sério, doloroso e profundo. De qualquer forma, é fato que o casal vai se deparar com conversas, discussões, negociações ou términos.

E a superação seguirá nessa direção, se o casal decidir permanecer junto ou não. Se desejam permanecer juntos, é importante que reconheçam o quanto a traição impactou seus sentimentos, a confiança e o desejo de reconstruir a relação. Talvez, nada seja como antes, nem as pessoas e nem a relação. Mas pode ser também que grandes aprendizados sejam gerados a partir daí.

A compreensão dos motivos que levaram à traição pode abrir caminhos de comunicação e autoconhecimento riquíssimos entre o casal, além de propiciar crescimento às pessoas. Ao entendermos os motivos e disparadores do comportamento, somos capazes de nos conhecermos e de entendermos o que fez sentido em todo o processo.

Abre-se então uma grande oportunidade de abordar os problemas de cada um e da relação e tudo fique ainda melhor do que antes. Diferente, mas melhor. Dependerá de como os acontecimentos serão assimilados e do que a traição representou e evidenciou. Não podemos controlar o que nos acontece, mas podemos manejar o que fazer com tudo isso.

Não é simples, principalmente em se tratando de uma situação cheia de emoções, preconceitos, elementos culturais e cobranças sociais que podem interferir nas decisões. Nesses momentos, tente abaixar o volume do mundo e se ouvir…perceba seu coração e sua razão. Para onde te levam? É lá que você vai encontrar suas respostas!

Sempre achei impossível entender uma traição mas esse texto da Alcione esclareceu me muita coisa, e para você?

Leia Mais:

Todos têm direito a uma segunda chance, até mesmo os cupidos!

Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

4 Comentários
  1. Gostei do texto…mas na realidade é uma situação horrível de viver e administrar. É mto difícil essa administração que sempre encontra-se com feridas, ressentimentos e percas. Percas talvez pra sempre! Convivo com esse dilema a algum tempo e sinto não só na pele mas na minha alma tão difícil processo de administrativo de vidas. Pois é vidas pq não sofro sozinha…sofre a família, e quem estiver por perto pois até agora não consigo entender e resolver esse problema dentro de mim…

  2. E quem está do outro lado? Como funciona o mecanismo para quem é o vértice do triangulo? O julgamento social e pessoal levam a dolorosos momentos de culpa e castigo. Um interminavel rosário de justificativas. É insano, pertubardor. É como estar seduzido por uma ratoeira. É como entrar em areia movediça. Nem sempre se entra num triangulo sem querer. Mas é necessário ter consciência e maturidade p perceber seu lugar de lugar nenhum.

    1. Silvana,

      Acredito que seja um barril de pólvora para todos os envolvidos. Não é situação ideal e ninguém,imagino eu, gostaria de entrar num relacionamento assim.
      Por isso, a maturidade, responsabilidade, autoestima e autoconhecimento são fundamentais para não cair nesta roubada e, principalmente, para sair dela, seja quem for no triângulo amoroso.

      beijo grande

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E aí – Alto padrão é um elogio ou desqualificação?

Dominique - Alto Padrão
Sabe aquela história de executivos que perdem o emprego aos 50 anos e não conseguem se recolocar o mercado de trabalho simplesmente porque são muito qualificados?
Não são poucos os casos. Tenho vários bem próximos a mim inclusive. E acontece com mulheres e homens. A tendência, se a conduta das empresas não mudar, é que o número de desempregados superexperientes aumente muito já que a longevidade está cada vez maior.

O que causa mais estranheza é que o mercado precisa de profissionais experientes, que resolvam e não caiam de quatro diante da primeira crise, que tenha embasamento, equilíbrio e discernimento, certo? Mas esta pessoa custa e as empresas não estão dispostas a pagar.

Muitos destes profissionais, ciente de que os boletos batem à sua porta todo santo dia implacavelmente, estão sim dispostos a ganhar menos, não raro, muito menos. Pouquíssimos conseguem um emprego mesmo para receber um terço do salário que ganhavam.

E o discurso é quase sempre o mesmo, o empregador não tem coragem de oferecer um salário tão baixo para um profissional experiente. Acreditam que ninguém aceitaria uma proposta tão indecorosa.

Fazendo um paralelo, a situação é a mesma para várias das Dominiques que pensam em começar de novo no quesito relacionamento.

Fala a verdade, na altura do campeonato, somos mais exigentes e menos tolerantes. Acho que preferimos menos em quantidade, mas com mais qualidade. Daí o nível de exigência ser mais apurado.

O que temos de mais precioso na vida agora é o tempo. Para que perder um só segundo que seja com quem ou com o que não vale a pena? Nem a pau Juvenal! Mas, muitas de nós, estão dispostas a recomeçar e não é por carência não!

Claro que só posso falar por mim. Adoro namorar. Andar de mãos dadas, fazer amor, morrer de rir e até ter uma pitadinha de ciúme tenho um pouco saudade de ter. Mas não é com qualquer um. Tem rolar química. Rolar papo. Pelo amor do santo padre ter que explicar a piada.

Depois de acabar com um namorado, entrei num app de relacionamento, destes que rastream por GPS quem cruzou o seu caminho.

Deu match com vários caras, mas com poucos a conversa desenrolou. Aliás, o papo, depois da foto, é o primeiro filtro para mim. Dependendo do andar da carruagem, a coisa acaba nos primeiros parágrafos.

Não conheci nenhum amor, não tive nenhuma paixão, mas conheci alguns homens educados e divertidos.

Escutei de três homens, preste atenção, três, que sou qualificada demais. Você deve estar pensando que eu me acho a última Coca-Cola gelada do deserto. Não, garanto a você, que eu não me acho.

Para tentar decifrar a colocação, fui a fundo na conversa. Um deles tentou me explicar:
– Você tem nível.
– Não entendi, como assim?
– Você demonstra ser independente financeiramente, articulada, parece ser bem resolvida, sabe se vestir, bonita. Seu padrão é muito alto.
– Continuo não entendendo. Tenho centenas de amigas assim, isso não é um diferencial!
– É sim. Seu padrão é acima da média nos app, logo você deve ser muito exigente. A maioria dos homens não procura mulher assim.
– E o que eles buscam?
– A maioria que está nos aplicativos busca sexo e você não se encaixa nos parâmetros.
– Quem disse que eu não gosto de sexo, meu filho? De onde você tirou isso?
– Não falei que você não gosta de sexo. Mas com você não dá para ser só sexo. Você vem junto com aquele caminhão de coisas que os homens não querem, isso sem falar que acompanhar você não deve ser nada fácil.

Enfiei minha viola no saco e fui embora.

Em tempo, vale aqui uma ressalva, tenho alguns amigos, poucos, que estão firmes em relacionamentos que começaram através de aplicativos, logo há exceções.
Por um tempo fiquei pensando no teor surreal da conversa. Ter ou ser de um alto padrão é um elogio ou uma desqualificação?
20 dias foram suficientes para eu bloquear meu perfil.
E vamos que vamos!

E ai? Para você ser considerada alto padrão e elogio desqualificação? Diz para mim.

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Nossos filhos, nossos sonhos? E se as escolhas deles forem diferentes das nossas?

Dominique - Filhos
Muitas mulheres idealizam e imaginam que seus filhos irão fazer escolhas perfeitas que elas consideram adequadas e aceitas socialmente. E esquecem do detalhe mais importante: o fato de que os filhos tem seus caminhos e motivos próprios. E acabam fazendo escolhas que nem sempre correspondem aos projetos dos pais….

Desde cedo os filhos vão internalizando aprendizados, regras, valores e significados extraídos da convivência com a família, amigos, da inserção nos grupos, na escola e com as diversas experiências da vida. Esse repertório é único…basta imaginar que dois filhos, que cresceram e viveram na mesma família, passaram pelas mesmas situações e, mesmo assim, são diferentes na sua forma de ser, agir e ver o mundo. Nossa história de vida e nossos aprendizados são elementos essenciais na forma como decidimos viver.

A relação entre pais, mães e filhos atravessa constantes reformulações ao longo da vida. Os pequenos se limitam a fazer escolhas em algumas esferas da vida e, na maior parte das vezes, são direcionados pelos pais. As crianças se tornam jovens e querem alçar voos com maior independência, arriscar, tomar decisões. Nessa fase, muitos já decidem suas carreiras profissionais, descobrem como desejam se comportar afetivamente e sexualmente, e fazem outras tantas escolhas importantes que podem perdurar vida afora.

Os pais precisam encontrar o sábio equilíbrio entre apoiar e impulsionar os filhos para a autonomia. Essa é uma arte que requer desprendimento, principalmente para compreender que não controlamos tudo, que nossos filhos se tornaram ou se tornarão seres únicos, adultos e independentes (que bom!) e irão fazer escolhas próprias que podem não corresponder ao que a mãe considera certo ou que seja o melhor caminho a ser seguido.

Deve-se confiar nas sementes lançadas na criação dos filhos, acreditando na capacidade de desenvolvimento deles em gerenciar a própria existência. Mesmo que se discorde das escolhas dos filhos, é necessário respeitá-las, pois somente o próprio indivíduo é capaz de avaliar a melhor forma de viver o seu dia-a-dia.

Obviamente que isso se torna muito mais preocupante quando os filhos fazem escolhas destrutivas como o uso de drogas, cometimentos de crimes e outras questões mais graves que necessitam atenção específica e especializada. Tais condutas podem significar que não estão conseguindo conduzir suas vidas com equilíbrio e responsabilidade. Ainda assim, escolhas foram feitas. E as mudanças vão depender de esforço e da força de vontade da própria pessoa para que aconteçam.

Considerar os filhos como extensão dos próprios sonhos pode ser frustrante; torna-se essencial que possamos olhar para as pessoas e aceitá-las como são e desejam ser. Os filhos crescem, evoluem e devem trilhar caminhos próprios e de bem (entendendo que há diversos bons caminhos) para que sejam autônomos e felizes. Cabe às mães refazerem seus projetos, remanejar suas expectativas e seguirem em frente com paz no coração.

Para algumas mulheres talvez esse seja um ponto difícil. A escolha de como os filhos querem viver. E os sonhos dela? E se ela é louca para ser avó e esse filho(a) não quer ter filhos? E se ela sonha com um filho(a) médico(a) e ele(a) decide ser músico(a)? Muitos conflitos surgem nessa hora, porque todos querem ser contemplados nos seus anseios.

Mas se o nosso sonho depende do outro, como podemos decidir sobre ele? Como obrigar os filhos a terem filhos se não querem? Como obrigá-los a estudar medicina se isso os tornará infelizes?

Em algum momento dessa trajetória, os filhos também tiveram que lidar com suas idealizações sobre seus pais. Os filhos também desejaram que os pais fossem diferentes ou fizessem coisas que não fizeram. Relacionamentos são vias de mão dupla…os filhos também tiveram que lidar com os pais que seus pais nunca foram.

A vida é feita de realizações e frustrações. Lidar com a frustração de um sonho não realizado pode ser doloroso, mas é extremamente importante e pode conduzir ao amadurecimento.

A energia emocional ligada ao que não foi realizado conforme idealizamos fica presa, impedindo que outros projetos e sonhos possam surgir e tomar forma. Quando nos desprendemos e superamos, passamos a enxergar novas possibilidades, a respeitar o movimento da vida. A ressignificação abre os caminhos: Quem deseja ser avó pode exercer esse papel com outras crianças da família ou filhos de amigos e que tal assistir a um recital do filho músico? Pode ser divertido descobrir novas afinidades e caminhos!

Como você lidou essa questão com os seus filhos? Conta para mim!

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Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

4 Comentários
  1. É muito dificil conviver com esse conflito,entender que os filhos têm vontade própria e vão fazer suas escolhas é assustador, e quando entendemos que não temos controle sobre isso e os vemos trilhando um caminho contrário ao que ensinos vem a frustração e lidar com essa frustração é como um câncer, vai matando devagarinho.
    1. Oi. Boa noite. Criei meus filhos até uma certa idade, mostrando a eles as consequências entre escolher o certo é o errado é nesse meio conduzindo- os com a palavra de Deus. Minha filha é inteligente, educada,consumista. Tem um bom coração. O que estou engolindo é a opção sexual que ela escolheu que faz a gente ficar em desarmonia. Meu filho trabalhos, rígido, namorador e vive achando que vai ser rico. Ele na parte reliosa aceita oração acredita na Bíblia. O que eu peço no pé dele pata respeitar e amar com verdade a namorada e não ficando com mais. Escolha uma e ama- la e respeita-,,lá, Se não vai colher o que plantou.

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Sobre vínculos, o que entendemos que seja o amor ao longo do tempo

Dominique - Amor
Quando estamos apaixonados, vivemos um período de muitos sentimentos deliciosos, frio na barriga, vontade de ficar junto, fazer planos e curtir a pessoa amada. E como um movimento natural, nos casamos. E pode ter vários formatos, morar junto, morar separado, ter filho, ter cachorro. Não precisa ser aquele casamento de vestido de noiva, igreja, festa. Sim aquele comprometimento significativo com alguém com quem queremos compartilhar a vida e aprofundar a intimidade.

Mesmo com sentimentos intensos, diante do cotidiano e da convivência, os relacionamentos mais longos são postos à prova. As paixões se tornam mais amenas com a convivência. Passamos então a desenvolver um sentimento mais tranquilo de afinidade e parceira, que ao meu entender é o amor. E do mesmo jeito que as pessoas mudam, os relacionamentos também mudam. Até porque refazemos nossos projetos, mudamos nossos pontos de vista e isso inevitavelmente irá refletir nas relações que estabelecemos.

Naturalmente, as relações passam por fases boas, ruins, enfrentam desafios desgastantes que muitas vezes não dependem do casal Como perdas, mortes, mudanças repentinas e involuntárias. Tudo isso é vivido pelas pessoas com efeitos diferentes; cada um vive e sente o relacionamento à sua maneira, de acordo com sua história de vida e seus recursos.

As pessoas podem desanimar quando percebem que o relacionamento já não tem aquela magia de tempos atrás. Quando a expectativa é de ter frio na barriga e coração disparado ao ver o(a) nosso(a) parceiro(a), nos frustramos. Essas sensações são próprias da paixão ou da saudade. Não fazem parte do cotidiano de um relacionamento mais longo, com pessoas que trabalham, pagam contas, dividem as tarefas domésticas, se cansam, discutem, fazem as pazes, enfim, levam uma vida real.

O amor tem várias formas. Não só manifestações mais evidentes como flores, jantares e presentes. Atitudes do dia-a-dia são formas de demonstrar o amor e o cuidado…. E há de se ter olhos para ver e valorizar os pequenos gestos amorosos. Podem passar despercebidos quando temos um protocolo exato de como ele deve ser demonstrado. Esperamos o buquê de rosas e nem percebemos que as flores do nosso pequeno jardim da varanda estão sendo regadas todos dos dias pelo(a) companheiro(a)! Quanto deixamos de perceber por conta das exigências!

Se as pessoas conseguem ressignificar expectativas, tornando-as mais reais, entendendo o que esperar do outro e em quais situações, tudo se torna menos desgastante. Relacionar-se envolve perceber a si mesmo, os próprios comportamentos, o que eu causo no outro e o que o outro me causa. Saber ouvir e ampliar o canal da comunicação entre duas pessoas ajuda a diminuir significativamente os conflitos e abre caminhos para que as pessoas se respeitem e se unam.

Com o passar do tempo, o amor pode se tornar menos intenso, mas se torna também mais profundo. Algumas coisas mudam, porém mudanças não são ruins. Só tornam as coisas diferentes, mas não piores.

É preciso conciliar constantemente as divergências, respeitar as opiniões e pensamentos e debater as escolhas, o que em muitos momentos pode revelar impossibilidades de continuarem juntos. Mas quando o casal decide ficar junto e enfrentar tais mudanças juntos, o relacionamento se fortalece. Quando se aprofunda, o amor cria importantes raízes como lealdade, confiança, companheirismo, carinho e cuidado. Elementos valiosos da convivência entre as pessoas que são construídos com dedicação e respeito.

E se perguntar, o que sustenta esse amor? Mesmo sem tanto brilho como nos primeiros anos de relacionamento, o que faz com que eu queira caminhar ao lado dessa pessoa? As respostas para essas questões indicam a qualidade do vínculo amoroso. Servem como um termômetro do compromisso e do desejo de permanecerem juntas.

Estou falando de relacionamentos que não são perfeitos e nem o tempo todo felizes, mas que simbolizam uma gratificante parceria de pessoas imperfeitas….. Que quando comparam prós e contras, percebem que valeu a pena persistir.

E para você? O que é o amor e como ele é demonstrado?

Leia Mais:

Recordar é viver? Nem sempre o passado foi tão bom assim
Amiga pra valer é tão gostoso quanto café com leite

Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

10 Comentários
  1. Amor e paixão são sentimentos diferentes.Paixao tem pavio curto,apaga logo ou se transforma em amor!
    As prioridades mudam,as alegrias e preocupações com filhos e netos,o respeito a admiração e o cuidado diário substituem as borboletas no estômago!

  2. Depois de 25 anos casada eu ainda sentia ilusão, amor, é muita dedicação e companherismo.Um mês após as bodas de prata ele teve um avc e faleceu.
    Perdi o chão.
    Mas tivemos cinco filhos maravilhosos. Eles me ajudam até hoje ter uma vida mais confortável.

  3. Amor para mim após 40 anos, é um respeitar o outro, ter cuidados especiais no dia a dia,conversar sempre, dizer diariamente estamos juntos.e nos abraçamos todas as manhã e dizer bom dia!!!!

  4. O amor com o passar do tempo é companheirismo, parceria, compreender e aceitar que as mudanças ocorreram nos parceiros, mas também em nós,mudança física e emocional! A relação se sustenta com respeito pelo outro!

  5. Amor para mim entre um casal é parceria e respeito um pelo o outro.
    Depois de um casamento de 38 anos fracassado , fiquei por 6 anos sozinha com medo de amar novamente.
    Hoje conheci um amor ;parceiro , amigo e que me respeita.
    Um amigo Amor.

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Relato de uma Mulher Apaixonada. Sem perder o TOM

Dominique - Mulher
That´s ma’man.
My kind of man.
Sabe como?
Tem tudo que eu gosto.
Ou gosto de tudo que ele é. Não sei.
Claro que temos muito em comum.
Gosta de praia. Ama o mar sua serenidade, suas correntezas, suas ondas e sua misteriosa profundidade.

Sente a necessidade de sempre estar perto da praia, do sol, do mato, da chuva, do verde, de seus Sabiás, pois só assim se sente próximo às divindades.
Para ele, Deus está na natureza. Deus é a natureza.

Apaixonado. Sempre apaixonado pela mulher.
A mulher que com ele estiver no momento. Ou a próxima.

Ciumento? Não… Acho que não. Ciumento mesmo é quem está a seu lado.
Eu por exemplo, morrroooo de ciúmes de sua última esposa!
Da primeira nem tanto. Vai entender…

Gato. Gatíssimo.
Elegante com um jeitinho meio canalha. Calma. Canalha de uma maneira supercarinhosa.

Porque casar, casou mesmo só com duas mulheres: Teresa, a da Praia, e Ana. Mas cantou muitas. Cantou Angela, Lígia, Luiza, Isabella, Bebel, Gabriela, Luciana, Maria da Graça… Mas a mim, não. Nunca cantou Dominique. Nem Lili. Ok, tudo bem.

Agora, Vou Te Contar uma coisa.
Pra quem você acha que ele sussura Querida?
Simmmmm darling, para mim… E sabe por que?
Porque ele diz o tempo todo que sou tão Bonita…
E pode até ser uma grande Insensatez de minha parte, mas acredito.
Acredito e me arrepio cada vez que ele me diz  Se Todas Fossem Iguais a Você….
Aliás, poderia passar uma vida Falando de Amor com ele. Ah, Quem Me Dera!
Ah! Quem me dera nós tivéssemos tido nossos Caminhos Cruzados, meu amado Tom.

Mas chega! Chega de Saudade!!

A verdade é que meu amor por você é um Amor Sem Adeus.

Podem vir as Águas de Março, fechar o verão. Pode vir a Derradeira Primavera. Mas enquanto seu afinado Desafinado tocar neste piano, não haverá Solidão.

Eu Te Amo Tom Jobim!

Afinal, que mulher não ama Tom Jobim?

Leia Mais:

Passeando com o passado
Ei-la aqui. Rita Lee. A Dominique das Dominiques.

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

8 Comentários
  1. Que incrível. A cada frase que li, não era neste Tom que eu pensava. Mas no meu Tom, que não se chama Tom. Mas que foi retratado com tamanha lucidez neste texto. Incrível, como não amar o meu Tom, que não se chama Tom e que também não é meu! É do mundo! É de todas !!!

  2. Que lindo…cresci escutando esse homem
    Sempre adorei ele! Universal, plural, Internacional…sua sensibilidade abraça,está em todos os cantos a todas as horas
    Adoro ele ainda mais agora, Dominique

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Conversei com Roberto Leone, namorido da Consuelo Blocker

Dominique - Roberto
Roberto Leone, mais conhecido como Roby, tem 61 anos, é fotógrafo e namorido da Consuelo Blocker.

Como um italiano genuíno, tem orgulho de ser florentino! Tudo nele espelha isso
através de seu olhar mágico com reverência à luz e aos vários planos que se tem no
vale, onde nasce a cidade de Florença, berço do renascimento.

Fotógrafo elegante de porte e comportamento. Consuelo se declara apaixonada por
ele há 8 anos e afirma que a intensidade não muda, graças ao jeito espetacular que
Roberto tem perante a vida, sempre vendo o copo meio cheio.

Fizemos uma entrevista com ele que num bate-papo delicioso revela sua visão sobre Dominiques e seu relacionamento maduro com a Consuelo Blocker, a Dominique da
sua vida.

A Consuelo pousou de lingerie aos 49 anos. E estava uma delícia. Você foi o fotógrafo.
Foi exigência ou coincidência? Você deixaria outro fotografá-la?

Ambos ficamos surpresos com a tarefa, mas a ideia por trás disso foi excelente e o
desafio foi muito intrigante.

Pensávamos que seria melhor se eu fosse o fotógrafo, porque também sou seu
companheiro, uma pessoa que a conhece bem e a quem confia.

Claro que também sou italiano e não vejo por que alguém deveria fotografá-la em
lingerie! 😉 Estou brincando (parcialmente), pois acho que, além das habilidades
técnicas necessárias, tenho uma sensibilidade e uma cumplicidade com ela que são
definitivamente uma vantagem sobre qualquer fotógrafo designado.

Um relacionamento nem sempre é fácil. Para duas pessoas já com experiência de
casamentos anteriores o desafio é maior ainda. Sendo de países e culturas diferentes,
com filhos, deve ser mais complicado. Como foi?

Os casamentos anteriores falhados são, de fato, experiências que deixam cicatrizes em
nossa alma e podem dificultar os relacionamentos. Mas também devemos olhar para
essas experiências como estágios de aprendizagem que nos levaram a amadurecer e
nos ajudaram a melhorar a nós mesmos e, portanto, o relacionamento com um novo
parceiro.

Pessoalmente, aprendi a ouvir mais e me colocar no lugar da outra pessoa, antes de
julgar unilateralmente ou comportar-me de forma egoísta. Antes que essa palavra se
tornasse uma palavra elegante, percebi que a empatia é a chave para melhores
relacionamentos, com parceiros e pessoas em geral também.

Diferentes contextos culturais são obstáculos apenas quando temos uma mente
fechada. Quando abrimos para diferentes culturas, nos introduzimos em novos
mundos e isso é emocionante e não é algo que tenho medo!

Crianças de casamentos anteriores são, na verdade, o aspecto mais difícil de novos
relacionamentos. Isso requer extrema cautela e sensibilidade. Tanto quanto as
crianças poderiam ser doces e fabulosas (como são os filhos da Consuelo), é inegável
que não são nosso sangue e o vínculo inexplicável que nos faz aceitar qualquer coisa
de nossos próprios filhos, não funciona da mesma maneira para “adquirido” ” crianças.
E exatamente o mesmo se aplica a essas crianças, então, ao entrar em um novo relacionamento, o novo parceiro deve sempre lembrar que ele/ela não é o pai natural.
Ganhe e dê respeito e carinho, pois não vem naturalmente através do vínculo
sanguíneo.

We all know that menopausa is a bitch! Como é viver ao lado de uma mulher que está
passando por esta revolução hormonal?

A menopausa is a bitch? Mesmo?! Não notei 😉
Brincadeira à parte, a experiência requer nervos de aço e a paciência de um monge
zen! Eu comparo isso a navegar uma bela embarcação por uma tempestade. Difícil,
mas a viagem vale a pena!

O que faz você voltar pra casa (para o relacionamento) todo dia?

Pode parecer ruim, mas quando você tem alguém que é ao mesmo tempo o seu
verdadeiro amor, sua melhor amiga e seu sonho mais sexy, por que não devo querer
voltar para ela?

Você é um fotografo de extrema sensibilidade, vide a foto PB da Consuelo que
captou um momento único. Como você faz para isso se transpor em trabalhos
comerciais?

Esses tipos de imagens são fruto do vínculo especial e íntimo que temos. Adoro o que
vejo e quero tatuá-lo em minha mente com uma foto. Penso honestamente que eu
poderia reproduzir a cena, mas não a espontaneidade disso. O trabalho comercial é
mais aparência do que sentimentos…

Roberto, o homem também tem algum tipo de problema com o envelhecer? Você vem
sentindo algo diferente e como vem lidando com isso?

O envelhecimento não é divertido, mesmo para os homens! A maioria de nós
“meninos” tende a negar isso, mas não acredite nisso, como todos, nós sofremos ao
ver os sinais de tempo em nosso corpo. Há, naturalmente, momentos em que sinto
falta do meu corpo mais jovem e, especialmente, dos cabelos cheios, mas, como
Consuelo muitas vezes aponta, felizmente tenho um enorme ego e ainda me acho
muito legal! 😉

O verdadeiro segredo para lidar com esse processo de envelhecimento realmente
irritante, no entanto, é ser feliz com o que você é e se tornou e aproveitá-lo. Claro,
devemos nos cuidar bem: comer e beber com sensatez e praticar alguma atividade
física regularmente. E nunca, nunca, comparando-nos a um espécime mais jovem e
apto!

No Brasil, a maioria dos homens não encara bem o envelhecimento feminino. Celulites
e cabelos brancos são pecado. Como você encara isso?

Há homens que pensam assim também na Itália, mas, felizmente, são uma minoria
imatura. Sinto muito por eles, pois eles não sabem o que eles estão perdendo!

Claro, do ponto de vista puramente estético, a juventude é atraente. Mas, pessoalmente, acredito que o velho ditado “envelhecido como um bom vinho” é absolutamente verdadeiro e representa perfeitamente o conceito.

Quando você é jovem, seu gosto não é realmente desenvolvido, e uma cerveja “estupidamente gelada” parece ser a única coisa que deseja.

As pessoas que tentam desmantelar minha teoria apontam que uma cerveja é sempre
agradável, ainda mais tarde na vida. Isso pode ser verdade, se você está comendo pizza
(você tem uma vida/mente simples). Se, por outro lado, você aprimorou seu gosto e
começou a desfrutar de comidas mais complexas, você nunca teria uma deliciosa
refeição de alta gastronomia bebendo cerveja! Você gostaria de uma boa garrafa de
vinho, saborear e apreciá-la por suas múltiplas facetas e sensações durante todo o
menu (vida).

Traduzido para uma imagem menos poética, devemos apreciar todo o apelo de um
bom vinho, em vez de adorar qualquer coisa com um conteúdo de álcool!

Eu não preciso dizer às minhas amigas quão interessante e atraente uma mulher se
torna com a idade! Talvez com um pouco de celulite e cabelos grisalhos, mas com uma
mente mais ampla, vida cumprida e plena consciência de sua própria feminilidade e
sexualidade. E eu acho isso irresistivelmente sexy …

Leia mais:

Final do ano – tempo de reflexão pessoal e balanço da vida!
O dia em que percebi o primeiro último dia da minha vida

6 Comentários
  1. Amo o casal, são belíssimos, são inspiradores! um belo exemplo de felicidade na maturidade, transmitem afinidade, simplicidade, elegancia, charme, sensualidade..tudo de bom! Vida longa aos apaxonados!

  2. Adoro a Consuelo, elegante e espontânea e vejo que o Robbie e ela são pessoas maduras que sabem usar seu lado criança para dar aquele toque de alegria no relacionamento.
    Vida longa aos dois apaixonados!

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Infarto na hora H – Curiosidade tem limite, falta de juízo não!

Dominique - Infarto
Tenho uma amiga, muito, mas muito querida, que se meteu numa encrenca monstro por pura falta de experiência, ingenuidade e um tico de Alice no País das Maravilhas.

Casada por 25 anos com o mesmo homem, primeiro e único. Infelizmente, uma série de mal entendidos e infortúnios ao longo dos últimos 5 anos, levou o casal a pedir o divórcio.

O impacto da solidão a assombrou. Preferia ficar num casamento já destruído a enfrentar a vida sozinha. O terror de se ver só fez com que o juízo que lhe restava escoasse pelo ralo.

No afã de encontrar um companheiro, parceiro, namorado ou algo do gênero, cadastrou-se em um destes aplicativos de relacionamento. Isso há 12 anos, quando não se falava muito sobre encontros através da internet.

Entra no aplicativo, preenche o perfil tomada por um medo surreal, mas sincera em todas as respostas. Absolutamente franca, aberta, clara, até demais da conta.

Sem noção, marca um encontro com um cara, aparentemente bonitão, que morava no interior. Graças ao bom e santo Deus foi num shopping de São Paulo o que na história não refrescou muito.

O furor uterino era tanto que, sem mais delongas, topou ir a um motel. Aquela vontade insana, ovários em polvorosa, adormecidos há anos, não permitiram nenhum traço de bom senso.

Sem julgamento ou rótulos, OK? Quem nunca entrou numa fria por falta de juízo? Pode até não ter sido neste tema, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra, não é não?

Bem, chegam no motel que ela não ia há anos, o ambiente convidativo, uma bebidinha, anos na seca, começa o rala e rola. O que acontece? Não, não é o que você imagina! O infeliz sofre um infarto! Isso mesmo, ataque do coração antes de consumar o ato…se ainda tivesse sido depois, vá lá que seja!

Ela abre a carteira do dito cujo, não tem carteirinha de convênio, nem cartão de débito, nem de crédito e apenas uma cédula de R$ 50,00. Ops, pega o celular dele, afinal tem que chamar alguém da família. Aparelho travado.

Um corre-corre danado, ela em desespero, chama ambulância e leva para onde? O pai dela havia falecido há cerca de 10 anos e ela conhecia bem o Hospital Santa Cruz, relativamente perto de onde estavam.

Entra a ambulância fazendo o maior alvoroço no estabelecimento do prazer – deve ter atrapalhado a performance de vários casais – temos que convir que é algo inusitado uma sirene dentro de um motel.

Ela vai com o cara para o hospital. Infarto, cateterismo, angioplastia, UTI. Quando enfim conseguiu ver o acamado, descobre que ele não tem família, não tem dinheiro, nem lenço, nem documento.

Dias depois, ao receber alta, o médico chama minha amiga, a “suposta” esposa e dá orientações bem claras. Ele não pode viajar por quinze dias. Repouso absoluto. Como assim? Aonde fica? Na casa dela com os filhos adolescentes, claro! Até hoje não consegui concatenar as ideias e entender o que ela explicou aos pimpolhos.

Pois é. Levou a criatura para casa que ficou durante uma longa e interminável quinzena. Ele se recuperando deitado em sua cama de casal e ela no sofá da sala. Ele com direito a café da manhã, almoço e jantar.

Se a história já é um capítulo à parte no conto dos absurdos, resta uma questão de extrema importância: se o ser humano não tinha convênio, não tinha dinheiro, nem cartões de crédito, quem pagou a conta do hospital? Quem quase teve um infarto fui eu quando ela revela o ápice da surrealidade, seu ex-marido bancou as despesas hospitalares!

O infartado jurou que iria devolver o dinheiro. Faz 12 anos, 4 meses e 28 dias.

Infarto no motel? É o cúmulo do azar, concorda?

Leia mais:

Churchill: as 96 horas que antecedem o importante “Dia D”
O dia em que percebi o primeiro último dia da minha vida

Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

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Ei-la aqui. Rita Lee. A Dominique das Dominiques.

Rita Lee – 70 anos

Não há em minha geração quem não tenha dançado uma música de Rita Lee.
Você pode não saber o que é Loki. E não tem importância!! Sério!!
Você pode não conhecer bem os Mutantes. E muito menos saber que foi Ronnie Von que batizou o conjunto. Tudo bem.
Também não deve saber que Rita estudou na mesma classe que Regina Duarte.

Mas você sabe cantar Mania de Você de trás pra frente.

Dominique Rita Lee
Rita Lee anos 80

Ovelha Negra te despertou para a possibilidade de haver um mundo além da família “margarina” da casa da vizinha.

Lança Perfume legalizava aquela sua pequena contravenção de jovem.

Quantas vezes você não ouviu Cor de Rosa Choque porque estava “doente” e não foi pra aula?

Algum moço te passou uma cantada assobiando Banho de Espuma? Colou?

Ela disse SIM duas vezes, para Arnaldo e para Roberto. Na verdade 3 se contar o “Pra Você Eu Digo Sim“. Mas em nenhuma delas usou o vestido de noiva que Leila Diniz lhe emprestou e ela nunca devolveu.

Eu fui a um show dela no Palácio do Anhembi. Fui a outros. Mas lembro deste que foi “intimista” em 198X.
Heavy user de Internet, muito antes das redes sociais, ela sempre foi meio futurista.
Rita Lee possuía uma carteira de sócia do “Clube dos primeiros vôos à lua”. Lunática de carteirinha! Preciso falar mais?

Rita me inspira.
Claro que amo suas músicas, letras, ironias e sarcasmos.
Mas o que mais gosto de verdade, é seu desprendimento e independência de pensamentos.

Não concordo com tudo que ela fala.
Grande coisa!!
Aliás ela deve estar muito preocupada com isso.
E é justamente esse dar de ombros que amo.
Amo o jeito surpreendente que solta suas observações e opinões.

Rita é muito mais que sua obra.
Tenho a impressão que ela cansou, enjoou, não aguenta mais suas próprias músicas.
E eu entendo perfeitamente.
Você nunca cansou de se ouvir? Nunca cansou de seu próprio discurso? Nunca?????
Ahhh, ok.
Acho que ela tenta se reinventar o tempo todo, mas que todo mundo quer a Rita Lee de nossas adolescência, cantando Saúde e Chega Mais.

Talvez por isso ela tenha deixado suas madeixas vermelhas de lado assumindo o cabelo branco de vez, para que também deixássemos a Rita do Tal de Roque Enrow partir, e mais uma vez ser aquela metamorfose ambulante. Uma verdadeira Mutante.

E assim Rita consegue sua liberdade pela enésima vez.
Talvez por ter nascido no último dia do ano, tenha essa tendência ou essa sina de se reinventar.
Sorte nossa que há 70 anos convivemos com 70 Ritas.
Parabéns menina. Arrombe a Festa!!

A Dominique das Dominiques
Parabéns Rita Lee.
Ahhh, li esse texto de Rita Lee (fase cabelos brancos – livro Dropz). Vale muito a pena.

Eis-me aqui

Leia também :

História de Rita e Elis

Quando eu crescer e envelhecer pra valer, quero ir para um asilo!

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

1 Comentário
  1. Thanks for sharing. I read many of your blog posts, cool, your blog is very good.

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