Dominique

Coisas de Dominique é onde histórias de mulheres são contadas. Histórias de mulheres que realmente têm o que contar.
Eliane Cury Nahas por vezes transcreve, por vezes traduz coisas que Dominiques (aquelas mulheres com 50 ou mais anos de histórias) contam. Surpreendentemente você se identificará com muitas delas, afinal #SomostodasDominiques

Machado de Assis – Ironias à parte

Estou lendo um livro de contos de Machado de Assis. É um daqueles livros que eu tento economizar para não acabar. Seu texto impressiona por vários motivos, mas principalmente porque é de uma atualidade contundente.

Existe em seus contos, sem exceção, uma dramaticidade irônica ou por vezes uma ironia dramática. Sim, sim, são coisas diferentes, entretanto, sutilezas e entrelinhas tornam os desfechos magníficos, sem falar das expressões bordadas que fazem pensar até o mais distraído dos leitores. Quer ver um exemplo?

“A vida é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra.”

Do conto, Teoria do Medalhão, um de meus preferidos até agora.

Injusto dizer isso, uma vez que amei A Cartomante, A Chinela Turca, Mariana, Cantiga de Esponsais e olha que estou no começo do livro.

A ironia contida em Teoria do Medalhão é sublime, coisa digna de mestre. Fiquei pensando para quem e por que Machado de Assis escreveu aquela cutucada. Seja quem for, deve ter atingido o fígado.

Trata-se de um pai a aconselhar seu filho, que completa 21 anos, profissionalmente. Segundo o discurso paterno, para se tornar um medalhão (pessoa de destaque), o filho deveria renunciar à possibilidade de ter ideias próprias evitando qualquer atividade que propiciasse o movimento independente do intelecto. Sempre usar frases feitas do mesmo modo que pensamentos já consolidados. Nunca, em tempo algum, causar estranheza em suas falas para que jamais fosse destacado pelo diferente.

“Longe de inventar um ‘Tratado científico da criação dos carneiros’, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos.”

Machado de Assis, provavelmente, fala aqui de políticos ou até mesmo de figuras da sociedade, que aquiescem mudas, sem nunca se posicionarem inclusive diante do inescrupuloso. Aponta, com sua ironia impar, a mediocridade reinante no século XIX. Que bom que estamos no século XXI, né?

Ainda na mesma década, do mesmo século, apenas 3 anos depois, o autor escreve A Cartomante, um conto de humor cáustico, com final imprevisível com um narrador sutilmente manipulador.

A história começa com Rita contando a seu amado, Camilo, que esteve em uma Cartomante. A primeira coisa adivinhada, era que existia um bem-querer, mas que havia também por parte dela o medo de ser esquecida. Garantiu-lhe a vidente que isso não aconteceria.

Camilo, apaixonado, riu muito da ingenuidade de sua amada, mostrando-se totalmente cético em relação a esse tipo de recurso.

Rita é casada, porém, não com Camilo, mas com Villela, portanto, é um caso de adultério e para piorar, os homens são amigos próximos o que só deixa a trama mais dramática.

Um dia, Camilo recebe bilhete do amigo/marido para que fosse a seu encontro com urgência. Camilo sabia. Camilo tinha certeza de que uma tragédia se avizinhava, contudo, no caminho, ao passar pela casa da tal cartomante, resolveu parar e contrariando sua razão e por puro desespero foi consultar-se.

A mulher fez seu trabalho com esmero, e falou o que o cliente queria ouvir, restaurando-lhe a desejada segurança de que tudo estava bem.

Mas não estava. Seus instintos primários estavam certos. A Cartomante era uma grande picareta e seu affair havia sido descoberto.

Morreu ele, morreu Rita.

Isso a vidente não previu. Sabe por quê? Porque ela só consegue ver o que contamos para ela.

Isso valeu para os séculos XIX, XX e continua valendo em XXI, cada vez mais.

Você chegou a ler um texto sobre esse assunto que escrevi há muito tempo?

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Passei o Carnaval de 2020 no Brasil. Eu e o Corona.

Como ficar longe do Carnaval carioca?

Depois que você o conhece, não existe lugar no mundo que queria estar em fevereiro que não seja nos arredores da Sapucaí. Não, ninguém vive por 25 anos no Rio de Janeiro impunemente. Falei isso no texto anterior quando expliquei que voltei a morar em Portugal recentemente.

O plano perfeito: fugir do frio europeu dessa época do ano, aproveitar o verão brasileiro, ver os meus filhos, os meus amigos, os meus lugares prediletos, enfim, esganar a saudade até matá-la e ainda de quebra, pular o Carnaval de 2020. Obviamente para fazer tudo isso nada menos do que 30 dias, ou seja, fevereiro e ainda alguns dias de março.

Ter deixado o meu apezinho em Ipanema, ajuda muito a esticar as minhas temporadas em Terra Brasilis.

Lá fui eu no voo das 10h da manhã da minha querida TAP. Adoro voos diurnos. Assisto todos os filmes que estou atrasada, já que não durmo mesmo, e quando chego no destino ainda tenho a noite inteira para descansar. É colega, foi-se o tempo….

Bem, tudo lindo maravilhoso e como dizem, tudo de bom nesse país tropical abençoado por Deus.

Chegavam notícias de uma distante Itália tomada pelo COVID-19, mas no Brasil era tudo samba, choro e futebol.

Desfiles, blocos, bailes, trios elétricos. Teve de tudo. Lindo. Lindo. Águias de Ouro ganhou o desfile em São Paulo e Viradouro no Rio. Claro que eu estava na arquibancada sambando, pulando, nos 2 dias de desfile, na apuração quarta-feira torcendo para a Grande Rio (verde/vermelho, minha gente), assim como no desfile das campeãs no sábado seguinte. Quando digo que amo Carnaval, acredite!

E passou o Carnaval de 2020.

Menina, uns dias depois na semana seguinte, acordei toda dolorida. Culpei as minhas 5 décadas e tralalá e a vida mansa que andava a levar em Cascais. Tomei um relaxante muscular e fui para praia.

O Mate e o biscoito Globo não caíram bem. Bateu aquele enjoo chato, mas como ir embora justo agora que todo o mundo tinha chegado? Rio 40 Graus. Aguenta Barbara… Faça jus a seu nome!

Troquei o mate pelas caipirinhas e o enjoo foi melhorando. Ou a tontura aumentando. Sei lá.

Cheguei em casa me sentindo quente. Ahhhh não! Todos esses anos morando no Rio e vou ter febre de sol? Isso é coisa de principiante!

Descansei aquela tarde toda e fui tomar um choppinho com a turma ignorando o meu mal-estar.

Lá no boteco, soubemos do primeiro caso de COVID diagnosticado no Brasil, e coincidentemente no mesmo dia do primeiro em Portugal também. Estava tranquila em ambos os casos, pois foram em São Paulo e no Porto. So far away from Ipanema, right?

Voltei para o meu ap. e tive uma noite do cão. Minha febre voltou. Uma tosse chata e um mal-estar medonho.

Sim, inegavelmente eu estava com o tal COVID19, corona ou o raioqueoparta. Acontece que essa não era uma possibilidade para mim naquele instante, por não reconhecer os sintomas, já que por ser tudo muito recente, a divulgação de prevenção e dos cuidados ainda estava por acontecer. Eu simplesmente não tinha como saber. Quando liguei para o meu filho, alguns dias depois, já mal conseguia respirar.

Fui internada as pressas na UTI. Os protocolos eram inexistentes, até porque, infelizmente, fui a primeira pessoa no Rio a ser entubada, acredita?

Ninguém fuma por 30 anos impunemente e isso sem dúvida, deve ter contribuído para ter tido aquela pneumonia tão agressiva. A falta de ar e a sensação de asfixia são aterrorizantes assim como passar por tudo isso sozinha num leito de UTI. Mesmo sedada a maior parte do tempo sobrou medo e solidão. Os médicos e enfermeiros, apesar de atenciosos, não conseguiam esconder o medo quando se aproximavam. Era tudo muito novo, e ninguém esperava encontrar aquele vírus logo após o Carnaval de 2020.

Vou poupar-lhe dos detalhes desse horror, mas foram quase 20 dias de hospital. Para você ter uma ideia da luta que travei contra o vírus, perdi quase 8 quilos nesse tempo internada.

Sabe quando na minha vida consegui perder 5 quilos que fossem, em 20 dias? Nem no auge das minhas paixões e muito menos das desilusões.

Fato é que quase morri. Saí do hospital ainda precisando de cuidados e assim sendo, desmarquei o meu voo de volta que seria dia 15 de março.

Assim que eu desmarquei, Portugal entrou em estado de calamidade, ou seja, fechou as fronteiras e cancelou todos os voos.

Bem, o que não tem remédio, remediado está. No Brasil fui ficando, tratando de recuperar-me a esperar pelo momento de voltar.

O começo do confinamento foi muito conturbado por conta da minha doença e recuperação de maneira que só comecei a sentir o isolamento de fato, no final de abril.

Abril. Maio. Junho.

Chega, né? Tá bom! Queria voltar para Portugal, pois lá, no começo de junho, eles começaram a voltar ao normal. Fizeram por merecer e já estavam liberados e livres. Ou quase.

Enquanto isso, a coisa no Brasil só piorava.

A TV brasileira fazia questão de contar os seus mortos dentro da minha sala de estar. Muito triste. Essa mesma TV esfregava na minha cara a incompetência e mau-caratismo do ser humano. Desolador. Um enorme desencontro de informações e uma enorme aflição por conta de um total desgoverno.

Confesso que já estava a beirar a depressão, e também, não é para menos com tudo que já tinha passado até ali.

Então comecei a procurar ocupação. Fiz cursos, pães, novenas, lives, meetings, músicas, dei ordem em armário e o resto até que me dei conta da minha imunidade.

Se teve algo de bom nesse episódio todo, foi o fato de eu já estar imunizada. Realmente não sei se valeu o preço altíssimo que paguei, mas uma vez pago, ser livre para poder ir e vir e não sentir aquele medo que paralisa é catártico.

Comecei com caminhadas pelo calçadão e inscrevi-me para possíveis trabalhos voluntários em hospitais, os quais fui chamada para um ou dois apenas. Passei eu mesma a fazer as minhas compras no mercado com visitas diárias a padaria.

Foi aí que os telefonemas começaram. Muitas amigas, mas muitas mesmo, ligaram para avisar que esse vírus poderia ser contraído por mais de uma vez. Insistiam que nada garantia que eu estava imune.

Aquela preocupação em massa intrigou-me demais. Infelizmente, pior que isso, começou a incomodar, pois, sutilmente, passaram a me controlar.

Na-na-ni-na-não! Aqui não violão!

Percebi que tinha a turma da dor de cotovelo, e para essa um abraço!!

Mas tinha outro povo que estava tão apavorado, mas num grau tão grande de histeria que realmente acreditava contra todas as evidências, que eu deveria ficar em casa trancada, mesmo estando imune. A esses, perguntei quando, na opinião deles, estaríamos liberados. Silêncio.

Tenho cá para mim, minhas teorias a respeito, entretanto, todas polêmicas demais para esse Brasil polarizado, ainda mais se for eu, uma portuguesa, a dizê-las.

Foi aí que a TAP, a minha querida TAP confirmou o meu voo de volta para o dia 23 de junho. Ahhhh, que felicidade. Eu acho.

Finalmente o Carnaval de 2020 chegaria ao fim.

Arrumei as minhas coisas numa ansiedade infantil. Ameacei fazer um bota-fora só para colocar terror na mulherada, mas acabei por despedir-me por telefone mesmo só daqueles que tinha certeza não me alertariam para o risco de eu entrar num avião.

Continua…Vai ter outro texto só para contar como foi meu regresso. Ou você pensa que foi fácil?

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Por que Barbara Godinho decidiu voltar para a sua Terra Natal?

Barbara Godinho
Barbara Godinho

Sou uma Portuguesa meio tropicalizada. Moro em Lisboa, já fui curadora de museu e exposições. Hoje trabalho com turismo. Apaixonei-me pelo projeto Dominique e cá estou a colaborar.

1 Comentário
  1. Texto maravilhoso! Me identifiquei em gênero, número e grau. Também sou Covid Free! Não passei, graças a Deus, por suas agruras de internação, muito menos UTI. Mas posso imaginar seu sofrimento. Agora, quanto à cobrança, inspeção dos outros e a raiva em todoS quererem me cobrar o tal “fica em cada”, aff! Ninguém merece! Pelo nos não merecemos, né? Viva a imunidade! Fui, peguei e venci!!
    Beijo, Barbara e Passeie Bastante!

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Previsões…Quem acredita nelas?

Ahh, foi uma noite de réveillon  muito gostosa com amigos que resolveram juntar as ceias para que pudessem estar juntos nos últimos minutos de 2019 e principalmente começar 2020 dentro de abraços verdadeiros.

Adoro essas coisas que acontecem meio de última hora e de improviso. Não faz mal o cardápio ter 2 lasanhas, 2 pratos de bacalhau, 4 salpicões. Ninguém pediu para que fossemos criativas na hora de bolar a ceia. O importante é que não faltasse a lentilha, a romã e as 7 ondinhas para pularmos.

Todo mundo de branco, pedindo paz. Bem verdade que eu estava de azul, mas essa também é uma cor para quem está em busca de tranquilidade.

Foi-se o tempo que ficávamos acordados para ver o sol nascer. Atualmente nossas festas de ano novo acabam pouco tempo depois da queima de fogos que aliás são silenciosos hoje em dia. Não acho nem bom nem ruim estar na cama antes das 2h da manhã porque a única certeza que sempre tenho é que as 6h30 estarei de pé. Vai entender meu ciclo de sono, né?

Como sempre, fui a primeira a acordar em casa. Na verdade acho que fui a primeira a acordar no condomínio. Ou talvez na praia inteira.

Coloquei meu biquini e desci correndo pra praia naquele lindo amanhecer.

E aí sim, tive a certeza que fui a primeira pessoa a acordar no mundo!!

O sol estava ameno tentando aquecer a areia antes que eu nela pisasse, o mar tranquilo como que descansando da agitada noite de festas e sem ondas para não fazer barulho, tomando cuidado para não atrapalhar meus pensamentos. Percebi que o verde das montanhas que faz das praias de nosso litoral tão únicas, estava mais verde que de costume num enorme contraste totalmente integrado àquele céu azul cristalino.

Não tinha como me sentir mais feliz, mais próxima do Sublime. A cada respiro um admirado suspiro de encantamento.

Resolvi que precisava me integrar ainda mais com aquilo tudo e entrei no mar deixando que ele me envolvesse.

Estava tão divino e harmonioso que por um momento cheguei a acreditar que eu fazia parte daquilo. Que eu era aquilo tudo.

Talvez por isso me assustei quando vi uma mulher na areia, olhando em minha direção. Ela conseguia me ver, distinguir-me naquele cenário idílico. Eu não era mais uma peça integrada a paisagem deslumbrante. Eu era um elemento a mais. Assim como aquela mulher. Ela também estava sobrando e destoando de toda aquela elegância e equilíbrio de texturas e cores.

Era tanta a insistência de seu olhar que acabei por sair daquele abraço molhado.

Sentei na areia para me secar ao sol, sem me importar no “croquete”em que isso me tornaria, enquanto olhava a mulher contra a luz. Ela de pé com aquele vestido branco, lembrou-me Clara Nunes saindo de uma roda de samba. Ahh, tenho caminhos mentais que nem eu mesma entendo.

Sem cerimônia ela caminhou em minha direção e sentou ao meu lado.

– Feliz Ano Novo – desejei a ela que apenas sorriu.

Sorriu um sorriso triste porém resignado.

E como se fossemos velhas amigas perguntei.

-Por que essa tristeza?

-Porque também gostaria de lhe desejar um feliz ano, mas não sei mentir.

-Oi???

Tenho tentado evitar esse meu “oi?” que considero uma das mais burras expressões já inventadas pelo brasileiro. Mas ele ainda vem em situações de espanto genuino.

Continuando.

-Oi??? O que você quer dizer com isso? Aliás, quem é vc? Onde é sua casa?

-Meu nome é Soraia. Não sou daqui. Também não ficarei. Vou-me embora enquanto posso.

-Como assim Soraia? Não estou entendendo nada.

-Tenho que ir embora agora, enquanto posso, porque em breve teremos nossa liberdade tomada numa batalha inglória – disse -me Soraia com o mesmo sorriso triste.

Olhei para ela tentando imaginar o tanto que ela devia ter bebido naquela madrugada ou se estava sob o efeito de alguma droga.

Para ter o que contar ou simplesmente pelo prazer de ser o irritante contraponto retruquei:

– Se está com medo do trânsito já deveria ter ido embora. Daqui pre frente serão 7 horas presa dentro de um carro.

Foi aí que ela me contou que esse ano a humanidade enfrentaria o caos. Que fronteiras seriam fechadas e os vôos cancelados. Empresas e comércio fechariam. Falou que os governos decretariam que as pessoas não poderiam mais se encontrar, e que deveriam ficar trancadas em casa. Cada um em sua “caverna” por mais de 30 dias.

Olhei para Soraia esperando uma gargalhada depois de seu ponto final.

A gargalhada não veio, nem mesmo um sorriso.

Nesse momento parece que acordaram o vento que resolveu se manifestar mexendo com os cabelos ondulados daquela mulher, como que num cafuné para acalantar seu choro e suas lágrimas.

Aí, você leitor pergunta qual foi minha reação diante daquela cena.

Sou obrigada a confessar naquele momento aquilo tudo foi apenas mais uma história da praia dentre tantas que já coleciono.

Perguntei a Soraia se queria tomar um pouco de água ou comer alguma coisa pois tinha certeza cá com meus botões que aquela mulher estava tendo uma tremenda de uma bad trip.

Voltei para casa pensando se tinha ouvido bem aquelas últimas palavras de despedida.

-Lenha no Coronel!! Lenha no Coronel!

Eram palavras que o vento dissipava, mas que chegaram a meus ouvidos com uma certa clareza.

Entendi tudo naquele momento. Soraia era contra o então presidente que não era exatamente um Coronel, e sim o Capitão.

Affff…Mais uma engajada pra me encher o saco. E essa ainda veio com discurso que insinuava uma guerra nuclear , terceira guerra mundial, sei lá… Que falta de respeito com os neurônios alheios. No primeiro dia do ano! Só eu mesma pra trombar com uma louca dessas.

Voltei para casa e para os amigos sem coragem de comentar tal insólito encontro.

Vida que segue.

Hoje, 100 dias após conhecer Soraia, entendi o que aquela frase queria dizer.

Não era exatamente Lenha no coronel.

Mas sim:

– Compra álcool gel! Compra álcool gel!

bem querido leitor, não era assim que ia terminar essa história. Ia falar do egoísmo mundial, da mesquinharia humana, mas pra quê??? Deixa assim, né?

Vamos torcer para Soraia reaparecer trazendo alguma novidade menos cruel que seja adoçada com muito mel de maneira que tudo isso não passe de literatura de Cordel. Abaixo o álcool em gel!

Leia também:

Segredos da minha praia

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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13 curiosidades sobre Oprah Winfrey

Quem não conhece Oprah? Talvez alguma menina desavisada, mas não há Dominique que se preze, de qualquer nacionalidade que não saiba quem é Oprah.

Americana negra que venceu um zilhão de obstáculos para sobreviver.

Da infância pobre a estupros e abortos. Tem muita história caso você não conheça.

1. Seu nome “Oprah” foi em homenagem à personagem do Livro de Rute do Antigo testamento. Na verdade o nome deveria ser Orpah, mas seus pais resolveram dar uma personalizada no nome bíblico.

2. Aos 17 anos ganhou o concurso de beleza Miss Black Tennessee.

3. A família de Oprah era tão pobre que quando criança, usava vestidos feitos de sacos de batata.

4.Oprah Winfrey tem pelo menos 8% de sangue de nativos americanos

5. Oprah era âncora de um tele-jornal em Nashville quando tinha apenas 19 anos, tornando-a a pessoa mais jovem e a primeira mulher negra a ocupar o cargo.

6.Oprah dublou vários personagens de desenhos animados.

7.Oprah Winfrey entrevistou inúmeras celebridades, incluindo Michael Jackson, cuja entrevista se tornou o quarto evento mais assistido na história da televisão americana, bem como a entrevista mais assistida de todos os tempos, com 36 milhões de telespectadores.

8.Oprah foi fazer cinema e adivinha? Ganhou um Oscar!! Sério. Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel em The Color Purple, de Steven Spielberg.

9.Oprah Winfrey é a primeira mulher negra bilionária e a mulher afro-americana mais rica.

10.Oprah odeia chiclete e fica muito irritada quando encontra pessoas que mascam, fazem bola, puxam. (Temos isso em comum. Também)

11.Ela tem medo de balões e acredite se quiser tem até nome para esse medo. Oficialmente conhecido como “globofobia”.

12. Seu primeiro grande luxo foram toalhas de banho Ralph Lauren. “Para uma garota que cresceu compartilhando uma toalha de banho com duas meia-irmãs, ter um armário de luxuriantes toalhas Ralph Lauren de todas as cores, em um apartamento com vista para o Lago Michigan, era realmente uma coisa linda”, disse ela.

13. Entre as 37.000 entrevistas que Oprah fez, talvez a mais desconfortável tinha sido com Elizabeth Taylor. “Ainda é doloroso de assistir”, diz ela, “por muitas razões, incluindo meu cabelo ruim”. Logo antes da entrevista, Liz pediu a Oprah para não perguntar nada sobre seus relacionamentos. “Isso é difícil de fazer quando você é Elizabeth Taylor e se casou sete vezes”, diz Oprah.

As respostas de Liz foram tão breves que Oprah não pôde deixar de provocar: “Você é tão transparente – acaba de contar tudo! Eu declaro, você precisa parar de falar tanto, Srta. Taylor!”

Assista nesse link esse episódio com Liz e outras entrevistas no mínimo constrangedoras. Os motivos são diversos. Vale muito a pena.

Leia também:

Isso é que eu chamo de Dominiques Poderosas

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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Minhas Playlists no Spotify para Dominiques

Você tem Spotify? Oba, que legal. Você não tem? Ahh menina, precisa ter porque isso foi uma das melhores invenções desse mundo digital.

Procurar e achar quase qualquer música do universo, poder escutar onde e como quisermos. Pelas coisas que escutamos, o algorítimo nos mostra coisas parecidas novas ou não. Sem falar na playlist que o próprio App monta pra gente toda semana com “Descobertas da Semana” .

MA_RA_VI_LHO_SO. Se você gosta de música, óbvio.

Então pede para alguém te ensinar a usar. pede de presente de Natal (oppss, too late). Pede de aniversário, dia das mães ou como um favor. Esse é o tipo de coisa onde contrair uma dívida vale a pena.

Tem outra coisa muito legal nesse app. Você pode ouvir minhas músicas, ou minhas playlists.

Playlist pronta e legal é mamão com açucar, vai? Ter listas prontas de músicas para ocasiões diferentes é tudibão.

Gosto é realmente relativo, mas Dominiques geralmente não têm um gosto musical tão discrepante assim, e é por isso que vou disponibilizar para você minhas listinhas. Ahhh, tenho uma para ocasião.

Quer ver? Olha as listas do meu Spotify.

Animar HH – Para animar nossos Happy Hours, e ainda assim podermos conversar!

Francesinhhas – Adoro música francesa, ainda mais se forem contemporâneas.

Jazz com elas – Jazz cantado por vozes femininas. Por que vozes femininas? Porque eu gosto, oras..

ME GUSTA – Eu gosto em espanhol. Claro que você sabia, mas sabia que essa é uma lista só com músicas em espanhol?

ALMA MINHA – Tá ficando mais difícil, né? Lembra de nossas aulas de literatura? Isso!! Aqui são músicas portuguesas

Salve Jorges– Sim Jorges com s no final. Todas as músicas tem como tema Jorge ou são cantadas por um. Por que? Ahhh, quem sabe sabe.

Bonitinha, mas.….- Escute duas músicas que logo entenderá.

De cortar os Pulsos. – Poderia ter chamado essa lista também De doer o dente, ou coisa assim. Tem dia e hora certa para escutá-la.

JUST BECAUSE – hummmm na verdade são músicas que não se encaixam em outras playlists.

Affffff, você tem música aqui pra muito mais que um final de ano. Isso se gostar de meu gosto. Ahhhh, mas nesse caso sou arrogante pra caramba. Não tem como não gostar. A não ser que você seja um de meus filhos.

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Gente que não vive sem música

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

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1 Comentário
  1. Muito obrigada por compartilhar essa riqueza. Estou seguindo lá. Sou analfabeta nesse App. Um 2020 de muitas realizações. Sucesso!

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