Tag: Esquecimento

Caduca, não! Pode culpar a menopausa por seus lapsos de memória

Estes dias, a Eliane Cury Nahas perdeu o carrinho no supermercado. Bom, ela mesma considera que talvez o carrinho nunca tenha saído do lugar, só esqueceu onde o estacionou. A Eliane compartilhou sua desventura no nosso Grupo no Facebook (já faz parte?) e outras Dominiques se solidarizaram. 

A Bernardete Amaral foi ao hortifruti e comprou rúcula, manga e tomate seco. Voltou para casa e só achou a rúcula. Sua hipótese mais provável: colocou os itens no carrinho de outra pessoa. A Valéria Couto perdeu o lanche no pátio de alimentação do shopping. A vendedora foi solícita e ajudou na busca. Eis que surge um moço e mostra o sanduíche (atenção!) na mesma mesa onde ela havia deixado desde o princípio. 

Você se identificou com essas histórias? Quase todas as Dominiques já passaram por algo semelhante. Problemas como o esquecimento ou dificuldade de concentração são descritos com frequência pelas mulheres antes e após a menopausa. Embora sejam sintomas conhecidos deste período, vivenciar esses episódios ainda assusta as mulheres após os 40 anos.

Muitas delas consultam o médico com relatos como perda de memória progressiva ou falta de atenção com receio que os sintomas sejam indícios de Alzheimer ou demência. Sabe o mais grave? Médicos ainda fazem o diagnóstico errado. E isso não ocorre só no Brasil, não!

Diagnóstico incorreto

Conversei com a dra. Gayatri Devi, do departamento de neurologia do hospital Lenox Hill, em New York. Ela publicou um artigo na revista científica Obstetrics & Gynecology sobre “como identificar as alterações cognitivas associadas à transição da menopausa evitando a atribuição incorreta de sintomas como doenças neurodegenerativas.” O estudo completo está aqui

A dra. Devi contou que 60% das mulheres apresentam um déficit cognitivo relacionado à menopausa. No estudo, ela associou os sintomas à redução do hormônio estrogênio no corpo das mulheres após essa faixa etária. Os efeitos podem ser mais ou menos intensos dependendo da sensibilidade da pessoa. 

O diagnóstico médico é fundamental. Mas antes de ficar preocupada ou fazer exames complexos, a dra. Devi sugere que as pacientes sejam persistentes com seus médicos. “Muitos profissionais desconhecem a associação desses sintomas ao período da menopausa. E isso pode dificultar o prognóstico correto. O papel da paciente nessa situação é educar”, explicou a dra. Devi, na entrevista que fiz com ela por e-mail.  

As alterações cognitivas ocorrem na perimenopausa, cerca de 7 anos antes e por volta de 5 anos depois da menopausa. Ela recomenda que a paciente insista com o médico para considerar a transição da menopausa como uma das causas da perda de memória ou atenção. A dra. Devi ainda sugere que, antes de outros procedimentos, a paciente peça ao médico para ser avaliada por testes cognitivos ou com um estudo empírico com hormônios para verificar se os sintomas melhoram. 

Mas atenção! O diagnóstico correto do médico é fundamental. Converse com o profissional da sua confiança. Você pode procurar ajuda tanto de um ginecologista quando um neurologista para ter a certeza sobre seu momento de saúde. 

O tratamento pode ser rápido. Uma parte envolve remédio. Mas você também pode dar aquela ajuda! Preste atenção nas dicas:

  • treine o corpo e a cabeça! Já falamos aqui sobre os exercícios da Oficina da Memória (aqui);
  • mantenha uma vida social ativa;
  • tenha uma dieta saudável;
  • não fume; 
  • consuma álcool com moderação;
  • cuide do seu colesterol, do peso e da pressão arterial (ajuda a proteger seu cérebro);

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Avoada, eu? Agora existe oficina de memória, Dominiques!

Dominique - memória
Sempre fui avoada, perco chave do carro, óculos, chave de casa, token do banco, mas ultimamente isso tem passado dos limites para qualquer ser humano razoável.

Trocando confidências com amigas, todas Dominiques, vejo que a Síndrome da Cabeça de Vento vem atacando todas nós.

Pesquisei sobre o assunto e descobri que um dos efeitos da Maspassa (a maledeta menopausa) é justamente a perda da memória.

Nesse meio tempo, fui apresentada à gerontóloga Paula Brum que iluminou o fim do meu túnel e, acredito, que vá dar uma luz para vocês também.

Primeiro de tudo, gerontologia é a ciência que estuda o processo de envelhecimento em suas dimensões biológica, psicológica e social. No Brasil é uma profissão nova, apenas 12 anos. Paula formou-se na primeira turma na USP, especializando-se em treino de memória.

Na Europa, há muitos gerontólogos, porque os países se prepararam para atender a sociedade que vem envelhecendo há bastante tempo e trabalham com prevenção. A oficina de memória nos países europeus é oferecida pelo governo para toda a população idosa.

Aqui, em terras tupiniquins, os médicos ainda não conhecem profundamente a área da gerontologia, logo não indicam aos seus pacientes. No entanto, não é raro, o médico constatar uma melhora na capacidade cognitiva no paciente após um período de treino da memória.

Todo o indivíduo passa a perder uma série de capacidades a partir dos 30 anos e essa perda fica mais evidente ao completar 60.

A aposentadoria não causa perda de memória. o que a propicia é parar de vez sem ter uma nova atividade, começar algo novo, isso, sem dúvida, contribuiu para o aceleramento do processo. Sabe aquela história de parar e ficar em frente à TV.

Aliada à depressão, ansiedade e ao stress, a memória fica extremamente comprometida.

A notícia boa é: podemos recuperar a memória e voltar como éramos aos 30 anos! Ufa, amei!

Até pessoas com Alzheimer ou doenças senis e que tem como prognóstico o esquecimento dos nomes dos familiares em dois anos, podem prorrogar para 4 anos, ou seja, aumenta-se a qualidade de vida do indivíduo, com os treinos e medicamentos.

Mulheres e homens, a partir dos 50 anos, devem participar de Oficinas de Memória, independentemente de ter ou não algum problema. Todos, a partir desta faixa etária, perdem atenção, velocidade de processamento e memória de trabalho, faz parte do show.

Para entender um pouco o mecanismo, a atenção faz com que percebamos os estímulos visuais e auditivos. A velocidade é quão rápido pensamos. A memória de trabalho é a manipulação de informação na cabeça. Usamos o tempo todo, em uma simples conversa, por exemplo.

Todo idoso – no Brasil é qualquer um que passe dos 60 anos – perde estas três capacidades.

Falamos muito que estamos perdendo a memória, mas nem sempre ela é o problema. Pode ser a atenção o que está faltando.

A Oficina de Memória funciona como uma academia para o cérebro. Você não se preocupa em manter o seu corpo saudável exercitando-se? Com o cérebro é a mesma coisa, mas concorda que não damos a mesma atenção?

Este treino pode ser feito tanto em grupo, quanto individualmente. Eu participei de uma sessão em grupo com várias Dominiques e adorei. Sem falar que não me senti a última das moicanas. Todas estavam com problemas para lembrar o que comeram na hora do almoço!

Vou aproveitar e dar uma dica aqui para um exercício supergostoso para exercitar a atenção.

Escute esta música de Tim Maia (antes de dançar e cantar junto) e conte quantas vezes ele fala a palavra EU e quantas vezes ele fala a palavra VOCÊ!

Depois confira a letra da música e veja se você acertou.

Ah! Aqui está o link para o site da Paula para você saber como funciona a oficina de memória: www.paulabrum.com.br

Como esta a sua memória? Diz para mim se conseguiu cumprir o desafio.

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Marot Gandolfi
Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

4 Comentários
    1. Pois é Andrea! Se a gente tem como resolver, temos que correr atrás. Perder parte da memória, com tanta coisa sob nossa responsabilidade, faz parte do show, mas recuperar é a boa nova, não é!
      Se nem que tem coisas que valem a pena ser esquecidas kkkk! Beijo grande para vc!

  1. Oi Janyra,

    Vale a pena participar da Oficina de Memória, é interessante e produtivo.

    Peça para a Paula Brum ou Patricia Martinusso para fazer uma sessão experimental. Se quiser, posso enviar o contato delas.

    Beijosssss

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Será que ter uma memória seletiva é ruim? Descubra!

Dominique - Memória

Sempre me vangloriei da minha memória, cá pra nós, invejável.

Nenhuma data me escapava e sempre com requintes de detalhes, até a roupa que usava na ocasião, paisagem, aromas, horário…

Aniversários? Uma lista de A a Z e Z a A de deixar qualquer um boquiaberto.

Minha tia morreu com Alzheimer. Era uma agenda ambulante. No trabalho, os colegas brincavam: Dona Aparecida quando fulano veio, quando sicrano foi, quando beltrano apareceu? E ela, toda pomposa, recitava sem consultar um mísero papelzinho (não existia post it, santa invenção para os desmemoriados).

Não existia agenda na empresa, existia a D. Cida. Não sei como eles continuaram a atuar no mercado depois de sua saída, época que o computador era a máquina de escrever Olivetti mecânica, porque a elétrica nem tinha sido inventada, acho eu.

Pois é, o alemão chegou e ela ficou a ver navios com sua memória prodigiosa e, às vésperas de ir para o andar de cima, não reconhecia o próprio espelho, mas lembrava nitidamente dos pais e irmãos aos 18 anos, diga-se de passagem uma fase muito feliz em sua vida.

Não sei bem se o passar do tempo, ah! O tempo esse cara implacável, faz com que nossos neurônios faleçam ou fiquem mais seletivos.

Tenho lido que a melhor fase da vida começa aos cinquenta. Estamos inteiros fisicamente e mais sábios, começamos a não gastar vela boa com defunto ruim. Será que com a memória o mecanismo não é o mesmo? Para que lembrar do que não vale a pena ou não é significante?

Pense comigo, você tem uma caixa de madeira machetada que ama e ela tem 15 x 15 cm. Não é tudo que cabe nela. Você tem que guardar só coisas que representam algo marcante e importante para você. Não necessariamente bom, nem necessariamente ruim. Só o que você classificar como “vale a pena guardar”. Concorda que vai aprender a selecionar?

É fato e a ciência comprova por A + B que os neurônios vão morrendo. Se temos menos desses trecos e eles armazenam memória, não é melhor gastá-los com coisas que valham realmente a pena?

Ainda guardo lembranças nítidas de Dominique - Memóriaacontecimentos marcantes, a maioria feliz, mas não lembro o que comi na hora do almoço.

A agenda existe para isso, seja eletrônica ou impressa. Não abro mão da versão impressa, aquela pautada, com dia, horário e semana, calendário do mês atual, do anterior e do posterior. Jamais, em tempo algum, a deixo no carro tamanho. Podem roubar o veículo, para isso invisto uma bica no seguro, mas e a agenda? Deus me livre ficar sem ela.

Noto claramente que esqueço coisas do dia a dia que atrapalham e muito. Não tem um só dia que eu não deixe para trás a chave, o óculos, os papéis importantes ou não, a lista de supermercado… Chego na farmácia para comprar o remédio e cadê a receita? Fico com cara de tonta e saio de mãos abanando. No supermercado, como esqueço de levar a lista, sempre, falta um ou mais itens, mas a maioria consigo lembrar, ponto pra mim!

Nomes, ai meu Deus, quanta vergonha. Pergunto o nome do cidadão e consigo esquecer no  segundo seguinte. Não é força de expressão, no segundo seguinte de verdade. Fico com aquela cara de “Luzia, cadê meu peru” e tento, desesperadamente, enveredar pela conversa a fora de forma que não precise lembrar da “graça” do interlocutor.

Tomo alguns remédios e vitaminas pela manhã e noite. Tenho certeza que esqueço de tomar ao menos um, mas qual deles? Como vou saber? Não deve ser muito relevante, porque estou viva e Feliz da Silva!

Recentemente tive uma experiência que considero um presente muito mais que magnífico. Estive em uma festa com pessoas que de alguma forma, num passado remoto, me magoaram. Em tempo, sem vitimismo, o que aconteceu precisava de uma forma ou outra ter acontecido. Mas foram coisas que marcaram demais e não de um jeito bom. Reencontrá-los para mim foi um bálsamo e não pense que é balela o que digo, foi prazeroso porque sequer lembrei do que aconteceu de ruim. Se é a tal “maturidade” acabando com os neurônios, que sejam muito bem vindos, quero viver assim. Santidade eu sei que não é porque estou a anos luz de ser a Madre Tereza de Calcutá. É a tal memória sendo seletiva, vamos levantar as mãos para o céu, ajoelhar no milho e dar graças! Quero mesmo é esquecer tudo que não foi legal ou não importa.

Tem o lado não tão bom assim. Há gente, e cá pra nós, eu acho que pensa que é gente só porque caminha em dois pés, que se aproveita da situação. Diz que você não disse, mas você sabe, tem certeza que falou, com letras garrafais, mas não tem como provar, afinal a sala e o telefone não são grampeados,  não estou na lista de investigados da Lava Jato. Ai, a falta de caráter é culpa da sua falta de memória. Neste caso são outros quinhentos e vale um novo artigo.

O post it vem sendo um santo aliado no meu dia a dia, viva a 3M. Coloco milhares deles na capa da agenda, no painel do carro, na geladeira, balcão da cozinha, mesinha de cabeceira e no meu notebook. E quase sempre o que eu esqueço não é tão relevante assim, ninguém morreu, passou fome ou entrou em depressão.

As Dominiques tem o raro poder de transformar situações chatas, com classe, elegância e muito bom humor. Tem até um vídeo sobre esses “lapsos” (Clica aqui para ver). E a falta de memória tem nos dado oportunidades sensacionais para colocar este poder à prova.

Então que tenhamos memória seletiva, sim. Fica o que é bom e o que interessa. O resto? deleta, amiga.
Marot Gandolfi
Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

2 Comentários
  1. Também estou nessa fase, às vezes me preocupo, mas é muito bom ver esses momentos serem tratados com leveza! Obrigada!

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Viajar é comigo mesma! Pagar micos? Ah, sou expert!

Dominique - Micos
Micos de viagem? Este tema, ao menos no meu caso, daria um livro! Mas vamos ao último deles.

Meu marido tinha uma reunião em Guaratinguetá em uma sexta-feira de manhã. Propôs que eu fosse com ele e, enquanto estivesse em reunião, eu daria um pulo em Aparecida do Norte e depois seguiríamos para Paraty pela serra Cunha-Paraty.

Como eu havia lido, recentemente, um artigo sobre o Lavandário de Cunha, adorei a ideia.

A questão é que para chegarmos a Guaratinguetá a tempo eu coloquei o meu despertador para às 4h30 da manhã.

Completamente bêbada de sono escolhi uma blusinha bem confortável que me lembrasse de meu pijaminha. Olhei no espelho o meu look do dia e confesso que achei algo estranho, pouco confortável, mas achei que fosse o sono.

Cinco xícaras de café depois, decidi que para andar nas pedras de Paraty o melhor seria uma botinha da minha filha. Não me lembrei do preço absurdo que havia pagado (em euros) a tal bota “horrorosa” e cheia de fricotes para limpeza (é, tem que limpar com borracha e lixa de unha para não estragar a camurça). Achei que minha filha não se incomodaria em me emprestar…

Ahhh! Que bom viajar sem pretensão alguma! Para quê perfume, brincos? Pra quê desodorante? Bobagem! Maquiagem, então, para um passeio quase espiritual seria até pecado! Nada a ver. Vou da forma que me levantei da cama!   

E, assim, partimos!

Ao chegar em “Guará” tem início a minha série sucessiva de micos, não sem antes, no posto de estrada, ver ao longe uma moça se espatifando ao chão e meu marido correndo para socorrê-la… Ah é seu… Então percebi que moça era minha filha! ☹

O carro estava com um barulho incômodo e já na porta da empresa, onde meu marido presta serviço, decidi verificar se o escapamento do carro estava solto… Com o pé… Calçando a botinha “carésima” de camurça bege… É amiga, ficou preta! Evidente, né? Não para mim! Esfreguei, joguei água, passei o dedo, as unhas, cuspi e lambi. Então, olho para frente do carro, enquanto lambia a bota, e percebo um senhor ao lado do meu marido me convidando para entrar para um café. Dominada pelo mau humor extraterreno por conta da bota bege-preta, de minha burrice e com medo de olhar para a expressão do rosto da minha filha soltei um “não, obrigada” displicente… Sem saber do meu gênio cão o senhor insiste, desconhecendo o perigo. Agradeço apertando os dentes, quase rosnando, “Não, obrigada(aa)! Outra hora, talvez na volta”.

Segui viagem com minha filha a fim de lhe apresentar a padroeira do Brasil e os mistérios da fé. Já refeita do momento “possuída pelo demo” indaguei à minha filha quem seria aquele senhor simpático que nos convidou para um café… SIMMMMM era o dono! Tipo, somente o patrão do meu marido! Ah tá!  

Em Aparecida, bem incomodada com a bota bicolor de um pé só, pensando na minha grosseria com o senhor simpático, inicio a catequese de minha filha e explico porque metade da população do Brasil se encontrava no mesmo local que a levei passear.

Expliquei o que era uma promessa e sugeri que ela fizesse uma. Ela me perguntou se seria possível prometer “lamber tijolo”! (???????). Isso é o que dá não ter frequentado a catequese. Para desviar o assunto, e não precisar responder, saí pela tangente quando, ao mesmo tempo, o padre que fazia o sermão perguntara quem ali havia conhecido e convivido com o Padre Vitor. Levantei a mão. Minha filha arregalou os olhos, como se estivesse diante da própria Nossa Senhora:

“Mãe!! Você conheceu o Padre Vítor?”

“Não, filha!”

“Está mentindo por que, mãe?”

“Ora, para distrair, filha!”

Seguimos o resto do passeio com mais uma pequena série de equívocos como dizer a ela que na igreja antiga havia um guarda-chuva grudado no teto (me contaram quando eu era pequena) e ao chegar lá não havia nada, mais explicações inexplicáveis das velas em forma de fígado e estômago…

Enfim meu marido ligou dizendo que a reunião havia acabado. Aliviada por terminar o passeio, cheio de indagações sem respostas, senti que havia algo na minha blusa que meio que me enforcava, apertada demais no pescoço, mas não tomei nenhuma providência, de investigar mais a fundo, a não ser leves grunhidos.

Ao reencontrar meu marido ele sugeriu almoçarmos por ali mesmo. Ok! Ao chegar ao restaurante detectei o meu incômodo: além da bota bicolor em um pé só, eu havia vestido a blusa não só do avesso como de trás para frente! A etiqueta com a numeração da blusa estava virada para fora grudada em meu pescoço. Tarde demais!

Assim que me dei conta, do meu look do dia (além da bota suja) e suada por percorrer o pequeno Templo dedicado à Aparecida, percebo o senhor simpático, daquela manhã, vindo em minha direção. Não só o dono da empresa como sua esposa, seus dois filhos e suas noras!

Sim, prometi a Santa lamber tijolo caso ela abrisse um buraco debaixo dos meus pés para que eu pudesse desaparecer!!!

Infelizmente ela não aceitou a proposta e, sem maquiagem, sem perfume, nem desodorante, sem brincos ou cabelo escovado, com a blusa do avesso e de trás para frente e a bota imunda cumprimentei e dei beijinhos em todos (12 beijinhos) que custaram uma vida para terminar. A cada beijinho eu sentia a etiqueta no pescoço e entre um e outro olhava para o meu pé. E como eu olhava, todos olhavam o que eu estava olhando…

Tive uma total amnésia depois dos cinco minutos de papo sobre as belezas de Cunha e Paraty, dicas de restaurantes, cafés e só voltei ao meu juízo perfeito ao chegar à Paraty! Então, foi aí que lembrei que ia visitar o Lavandário! Só que não!

Você também é assim? Comente aqui!
Cynthia Camargo
Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

7 Comentários
  1. Nossaaaaaaaa!!! Amiga isto está mais parecido com filme de terror; . Agora fala sério, sem desodorante!!!???? Miga sua louca .

    1. Achei que não ia encontrar ninguém, rsrsrs! Tava muito frio às 4h30 da manhã e o desodorante é geladinho! 🙁

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