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Bohemian Rhapsody envolve e emociona os amantes da icônica banda Queen

Na 72ª edição do Bafta, maior premiação do cinema britânico, a biografia de Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody, acabou levando duas das prezadas máscaras douradas da noite.

Rami Malek subiu ao palco para receber o prêmio de melhor ator protagonista e o filme de Bryan Singer – que recentemente foi acusado de agressão sexual e que foi demitido das filmagens antes do final – levou também o prêmio de melhor som.

Bohemian Rhapsody, conta como Freddie Mercury (Rami Malek) e seus companheiros Bryan May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen durante a década de 70. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas. 

Os dramas pessoais de Mercury são o fio condutor da história, que deixa muito claro desde o início a sexualidade do cantor, mas se furta de explorar o personagem além daquela básica jornada do herói incompreendido.

Apesar de inspirada em uma história real, a trama do longa não é um retrato fiel dos fatos.

O cantor nasceu Farrokh Bulsara, em 1945, no Zanzibar, antigo protetorado inglês na África. Na escola era chamado de “Freddie” pelos amigos, apelido que adotou como nome artístico anos mais tarde. Durante as décadas de 1970 e 1980, o cantor escreveu uma quantidade enorme de hits.

O roteiro escrito por Anthony MacCarten mostra a união dos quatro membros do Queen e, com o passar dos anos, mostra além das intrigas entre eles, a criação de sucessos como “We Will Rock You” e “Love of My Life”.

A performance de Rami Malek segue o padrão do filme ao prestar homenagem sem o compromisso de buscar identidade. Ele, assim como os outros três membros, evocam o visual de forma perfeita e até os trejeitos físicos de cada um.

Malek aproveita todos os gestos que definiram Mercury para fazer a melhor imitação possível. Ao optar por dublar as performances (outra boa escolha, tendo em vista quão particular é a voz de Mercury), Malek foca mais no físico, que lembra a figura de Freddie, mas não emociona a ponto de criar empatia com o personagem. 

Mary Austin foi o grande amor de Mercury.

Nos anos 70, era vendedora da Biba, uma famosa butique da efervescente Londres, e Freddie, um cliente habitual. Como no filme, o casal logo engatou um romance e foi morar junto. Mary chegou, inclusive, a sustentar o músico durante um período. Embora o relacionamento tenha chegado ao fim em 1976, quando Mercury assumiu sua sexualidade, Freddie e Mary continuaram amigos até a morte do músico. Mercury deixou para ela metade de sua fortuna, os direitos autorais de toda sua obra e sua mansão em Kensington (avaliada em 94,5 milhões de reais), onde vive até hoje. 

Como biografia de um artista completo e irreverente, o filme acerta no tom, mesmo não aprofundando seu conteúdo.

A trilha sonora é garantia de qualidade, e o que o filme faz e muito bem é aproveitar seu lado musical, tanto quanto a reprodução de grandes momentos do grupo, como o memorável show em Wimbley durante o Live Aid.

É impossível não vibrar com as músicas ao longo do filme. Os clássicos do Queen estão ali e para qualquer curioso é interessante ver os bastidores de um grupo tão icônico.

Uma diversão sem compromisso e, assim como qualquer bom entretenimento, o Queen é muito mais que isso.


Leia mais: Gente que não vive sem música

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Gabriel e a Montanha: uma jornada de autoconhecimento

Dominique - Gabriel
Escolhido pela crítica como melhor filme brasileiro na 41ª Mostra Internacional de Cinema, o também vencedor de dois prêmios na Semana de Crítica do Festival de Cannes, “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Gamarano Barbosa, narra de uma maneira sensível, divertida e íntima a história real dos últimos setenta dias de vida de Gabriel Buchmann, interpretado por João Pedro Zappa, em sua viagem pelo continente africano: Quênia, Uganda, Tanzânia e Malawi. Gabriel, morreu em 2009 aos 28 anos durante uma escalada ao topo da montanha Mulanje, no Malawi.

Barbosa abre o longa com um belíssimo plano-sequência finalizado com o descobrimento do corpo, procurado durante semanas. Há a beleza do local, há a surpresa, há a força da música, não há dor ou sofrimento.

Na obra de Barbosa, que foi amigo de escola e faculdade do personagem, Gabriel ora é um idealista que tenta ingenuamente evitar o rótulo de turista, ora um jovem cheio de si e egocêntrico. Gabriel, carioca, economista recém-formado, de classe média alta, ao invés de ir trabalhar e ganhar muito dinheiro no mercado financeiro segue, no entanto, em outra direção: quer conhecer esse outro, descobrir-lhe o valor e a sabedoria.

Existe pureza, generosidade, vontade de aprender, desprendimento no jovem brasileiro, mas também segurança de si, característica de nossas classes altas. Gabriel pensa que pode tudo, inclusive safar-se das situações mais ingratas.

“Gabriel e a Montanha” é mais do que um simples entretenimento, é uma forma de pensarmos em nós mesmos e qual o nosso propósito no mundo, além de uma homenagem radiante ao protagonista.

Gabriel precisou viver e aprender e isso foi o que o fazia se sentir completo. João Pedro Zappa é a ferramenta fundamental para contar essa história de viagens e de encontros de caminhos entre Gabriel e todos aqueles que sua vida cruzou na sua curta passagem pela África.

O filme narra a história da maneira mais próxima e verossímil possível, fazendo o espectador se sentir quase como um companheiro do protagonista.

Uma co-produção entre Brasil e França, foi a única produção brasileira presente no Festival de Cannes.

O longa é formado quase que exclusivamente por não atores, com as pessoas que Gabriel encontrou ao longo de sua viagem, exceto João Pedro Zappa (Gabriel) e Caroline Abras (Cris), de fato atuam em papéis como protagonista e sua namorada, respectivamente.

Acompanhado dos atores e equipe reduzida, Barbosa realmente refez a trajetória de seu falecido amigo e a sensação de viagem como um constante aprendizado, uma soma da sucessão de eventos é transmitida pelas imagens.

Seria fácil a fotografia se distrair com os incríveis cenários naturais nunca registrados pelo cinema brasileiro, mas em momento algum o foco em Gabriel é perdido.

“Gabriel e a Montanha” nos transporta para a experiência vivida pelo protagonista. Não há nele uma única verdade. São muitas e é isso que o torna um filme ótimo e surpreendente.

A cena em que Gabriel declama Mário Quintana ao pé de uma cachoeira para sua namorada afasta qualquer possibilidade de pieguice, sem trilha, só dois garotos encontrando uma razão no meio de um lugar qualquer, sensível e honesto por si só.
Um filme de uma sinceridade e beleza dramática.

Fellipe Barbosa faz seu melhor filme, um drama sem receio de envolver seu público com muita verdade.

Nessa mistura de documentário e filme baseado nos fatos, não conseguimos deixar verdadeiramente de nos importar com o que é mostrado em tela, o que já faz de Gabriel e a Montanha um filme brasileiro obrigatório!

Vale a pena conferir!

Leia mais:

Depois Daquela Montanha: uma jornada de sobrevivência
Big Little Lies: uma supersérie que você não pode perder

 

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