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A mitologia e o envelhecer…

Por: Luciene Felix Lamy

A minha área atuação é a Filosofia que, em seus primórdios, entrelaça-se com a mitologia grega. Por isso, quero começar o meu texto contando a história do início da Guerra de Tróia. 

Tudo começou no casamento de Peleu e Tétis. A deusa da discórdia, Éris, não havia sido convidada e, para causar confusão, jogou uma maçã de ouro no meio do salão onde estava escrito: para a mais bela. 

Rapidamente as três deusas mais poderosas, Hera, Atena e Afrodite candidataram-se para receber a honraria. Zeus, o deus supremo do Olimpo, não quis tomar a decisão sozinho. Por isso, ele delegou a tarefa ao jovem Paris, filho do rei Príamo, um moço jovem  e inexperiente. 

Cada uma das deusas tentou persuadi-lo para ganhar a maçã de ouro. Hera, a esposa de Zeus, ofereceu a Paris a glória de ser o rei de toda a região. Hera ofereceu sabedoria, um dos seus principais poderes. Mas foi Afrodite, a deusa da beleza, quem ofereceu a ele o amor da mulher mais bonita do mundo. 

Paris ficou confuso, porém escolheu Afrodite e o amor. Afrodite sabia que na terra a mulher mais bela era Helena, mulher de Menelau, o rei de Esparta. Paris e Helena fugiram juntos para Tróia e a guerra começou. 

Afrodite não é só uma!

Estudando o tema com mais profundidade, descobri que a deusa Afrodite é mais de uma. A mais velha é Urânia (associada ao eterno e imortal) e a mais nova Pandêmia (ligada ao transitório e mortal). É por esta última que os homens amam mais o corpo que a alma.

Mas Afrodite Pandêmia – que se considerava uma poderosa divindade – um dia é vencida pelo tempo ou o deus Chronos. Ela perde o seu poder para o seu fiel, temido e invencível inimigo. 

O filósofo Platão, no livro O Banquete, escreveu que “e é mau aquele amante popular, que ama o corpo mais que a alma; pois não é ele constante, por amar um objeto que também não é constante. Com efeito, ao mesmo tempo que cessa o viço do corpo, que era o que ele amava, “alça ele o seu vôo”, sem respeito a muitas palavras e promessas feitas. Ao contrário, o amante do caráter, que é bom, é constante por toda a vida, porque se fundiu com o que é constante”.

Afrodites Dominiques… 

Postulando sobre a questão da velhice, especificamente no que tange às Afrodites na faixa dos 50+ (outrora Pandêmias, hoje, infelizmente, nem sempre Urânias), a abrangência que essa questão suscita é vasta. Há o viés filosófico, mitológico, biológico, psíquico (psicanalítico), econômico, cultural, estético, literário, antropológico, midiático, etc. Eis aqui, nosso breve recorte.

Mas, antes, uma piada: 

Como não envelhecer? Esquece, pede outra coisa. Aceita que dói menos. Bem, na verdade, vai doer de qualquer forma.

Envelhecer é vislumbrar o crepúsculo, é ir despedindo-se da vida. Daí o medo, a paúra em testemunhar a decrepitude do corpo. Mas o nosso canto do cisne – único, pessoal, intransferível – pode ser belíssimo!

Estamos todas sujeitas à alteração de Chronos (o deus do Tempo), ou seja, todas nós, mortais, vamos perder nosso poder. Isso é a causa das nossas maiores angústias. Estarmos atentas a esse mecanismo nos liberta de nos sentirmos reféns e nos eleva a outro patamar, ao não menos poderoso terreno da serenidade e da suprema sabedoria: ao de Afrodite Urânia.

Inegavelmente, nós somos todos escravos da beleza. Tanto que, a nossa revelia, o belo atrai, catalisa, é magnético e é quem manda em nosso olhar. O belo, sobretudo a beleza da juventude, traz a promessa de felicidade” proustiana e o claro indício da capacidade natural (e sobrenatural!) de criar novas vidas. Portanto, é notório o poder oriundo da potencial fertilidade feminina.

Enquanto viventes, estamos atreladas ao nosso corpo, mortal, sujeito à corrupção de Chronos. E ele, o corpo, é também condição “sine qua non” para que nos manifestemos. Também é um dos argumentos a favor da aceitação (que pode ou não ser precedida por negação, raiva e barganha) dos efeitos da decrepitude neste corpo que ponderamos.

Pois bem! Considerando que este corpo é um veículo perecível – e que após meio século de vida os sinais da velhice vão se intensificando e se impondo – cabe a nós fazer o uso da razão e ponderar sobra a ressignificação que a manifestação deste corpo – no tempo, no espaço – requer, que pode vir a ter.

Sim, analógicas e digitais, além de vivenciarmos o que foi “cair a ficha nos orelhões das esquinas da vida”, temos Instagram, um armário abarrotado e algumas décadas extra!

Talvez ainda não estejamos sabendo lidar muito bem com isso. É mais comum uma jovem de 30 anos achar-se velha (coisas do 1º regresso de saturno) do que uma mulher de 50+ aceitar interditos à sua faixa etária.

Ageless é uma nova onda que, se não estiver sob o escrutínio do bom senso, revelará algo de forçosamente hipócrita ou fake.

Eu acredito que convém discernimento para separar o joio do trigo: ageless é a grande conquista para o emprego de todo esse gás que ainda dispomos e nos reinventar, desbravando novos mundos, na medida do possível. Mas é um bom paliativo!

Sim, já vivenciamos o ápice do vigor de nossa juventude, de nossos 20 ou 30 anos!Corremos, focamos, nos dedicamos e cumprimos inúmeras tarefas. Trabalhamos muito. Vivenciamos anseios, dúvidas, angústias, enfrentamos desafios e superamos provações.

Carregamos a árdua e imperativa tarefa de escolher – com mais ou menos liberdade – nosso destino em várias esferas da vida: do ponto de vista profissional ou afetivo. Provavelmente até mais de uma vez. Optamos por gerar ou não nossos filhos. Por cultivar ou não afetos, por priorizar ou não galgar elevadas posições.

Para nós, na faixa dos 50+, as duas últimas décadas talvez tenham sido as de maior empenho de nossa parte pelo Outro. Foi quando estivemos absortas, fazendo o que podíamos por nossa carreira e pela família, tanto a que originamos quanto àquela que nos originou.

Foram muitos os encontros e desencontros, mas todos edificando nosso caráter. Ah, os afetos alinhavados enquanto estávamos entretidas na criação de nossa prole. “Velhos tempos; belos dias! ”.

E fizemos! Meu Deus, como fizemos!

Mas eis que chega esse momento de reavaliação das principais ações, que nos ocupou e preocupou por décadas. Essa faixa – a dos 50+  – na qual nos flagramos prostradas diante de nós mesmas, inquirindo perplexas:

“Então, fiz ou agi conforme meu meio social, a época, a cultura e os valores vigentes pautavam. Mas…. É só isso? Agora é afogar no mar do vazio, da opacidade, da ausência de desejos e, pior, coroando todas essas angustiantes indagações, velar a decrepitude do corpo, resignar-me?”

Toda essa avalanche de questionamentos (elenquei acima alguns exemplos), acompanhados da sensação de inutilidade, é fruto do que realmente?

De não determos mais o poder de gerar? Mas já geramos. Ou optamos por não gerar, antes mesmo que o aplicativo do interdito biológico (menopausa) se instalasse.

Da expectativa de levarmos a cabo (e bem) a tarefa de educar, preparando a prole para a vida? Mas já os encaminhamos!

De não saber o que mais fazer? Ah, desejante homo-faber!

Bem, de praxe, equiparamos o Ser ao Fazer. “O que você faz?” Culturalmente, é com a resposta a esta pergunta que definimos a nós mesmas e aos demais.

E sequer havia necessidade de algo reconhecidamente brilhante ou extraordinário para uma resposta legitimamente satisfatória, que nos definisse. Bastava um simples “cuido da casa ou zelo pela família.” Há algo mais distinto e moralmente positivo do que responder assim, com toda honra e toda glória?

Eis que a guardiã do fogo dos antepassados, do lar, a deusa Héstia nos empodera, meninas!

Claro, muitas de nós conquistaram um papel de inegável destaque no seio social: Mãe de Família! Há título mais respeitoso?

Tão virtuoso que eclipsa até o de uma cientista que se dedique à cura do câncer, por exemplo. Para cada dez mães de família, uma cientista bastaria. O contrário, talvez não.

Porque, vamos combinar de falar a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade? Por conta do que o pai da Psicanálise, Sigmund Freud, denominou “desamparo estrutural”, a maternidade reivindica para si a maior glória do mundo. Sem [boas] mães não há sequer seres humanos. Ponto.

No entanto, contudo, todavia, à medida em que o Tempo passa (Oh, Chronos impiedoso!), a capacidade de gerar se extingue. Os filhos gerados crescem, saem de casa e vem a angústia da síndrome do “ninho vazio”.

Também pode haver a cama vazia, o bolso vazio e, talvez, ainda mais danoso: a cabeça vazia.

Amor. Desejo. Voltemos ao início, à deusa da beleza e do amor, Afrodite, a potestade com a qual iniciamos essa prosa.

Amar/desejar SEMPRE dá um sentido para a vida, um propósito para o viver.

Amar a si mesma. Amar aos filhos. Amar o que se faz. Quanto aos demais, compreender talvez já seja o suficiente.

Pois bem, compreender aos pais, aos irmãos, aos amigos, àqueles que – à revelia ou não – o acaso colocou em nosso caminho.

O filósofo grego pré-socrático Heráclito de Éfesos dizia: “O tempo é criança brincando, de criança o reinado.”. Entreter! Entretemo-nos e enriqueçamo-nos com as mundanidades que agradam aos nossos olhos, que edificam e enobrecem a nossa alma!

Temos Dante, Victor Hugo, Dostoievski, Shakespeare, Guimarães Rosa e Machado de Assis (temos as séries da Netflix!). Temos a beleza das flores e da decoração dos ambientes, os bons odores, as artes, as viagens, as amizades, a solidariedade, o curso de idioma, a dança de salão. Todas atividades tão prosaicas, cotidianas e, por isso mesmo, tão salutares.

Temos toda uma desfavorecida e, portanto, necessitada humanidade à nossa volta para olhar e fazer, homo faber!

Mas tal qual a birrenta imatura que se recusa a passar o bastão, ansiando por uma irrealizável imortalidade, não nos enxergamos em todas as dimensões. Colocamos em relevo as rugas, a flacidez e o prateado dos cabelos. Nós mesmas nos limitamos a isso, míopes à grandiosidade do Cosmos, à Afrodite Urânia em nós.

É tão feio assim, envelhecer? Contemple a enfermeira polonesa Irena Sendler (imagem acima) e veja o quão bela – no corpo e na alma! – uma mulher bondosa e sábia pode ser.

Como boa e prática chronida que sou (Capricórnio), francamente, rebelar-se contra o invencível Chronos é pura perda de (e para o) tempo. Mire lá em cima, no alto, a plateia agora é outra, capisce?

Desfrutar profunda e serenamente o crepúsculo que já se avizinha, usufruir destas preciosas últimas décadas de vida (Oh, dádiva!) com lucidez, gratidão e sobretudo com ALTIVEZ é, sim, uma belíssima saída possível.

Saída. Foi o que escrevi, pois sairemos. Que seja de forma digna e honrada, como convém aos sábios. 

Luciene Felix Lamy é formada em Filosofia (PUC-SP) e leciona mitologia greco-romana na Galleria Borghese, em Roma.

Outros posts sobre o Envelhecer:

Quando morrer quero ir para um asilo top

Amiga para valer é tão gostoso quanto café com leite

4 Comentários
  1. Sendo Urânia ou Pandêmia, você é uma “Dominique” das mais preciosas. Bom te ler aqui. Você e o site estão de PARABÉNS!

  2. Excelente texto! A Filosofia sempre esteve nos meus caminhos e fez toda diferença na minha formação e profissão. Dominiques qualificam-se sempre!

  3. Muito bonito o texto, limpo, engraçado, irônico, e claro, verdadeiro! Tenho 60, fui comemorar numa aventura de 30 dias pelas areias do Egito! Sonho antigo, por anos adiado por tudo: família, trabalho, falta de oportunidade, de companhia! Por fim, me imbuí de um pouco de cada parágrafo do seu texto, e lá fui eu realizar meus 60 bem vividos! Gostei muito, vou guardar, vou reler! Merci!

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Estou me tornando a minha mãe. E tenho orgulho disso!

Eu não sei ao certo quando isso aconteceu. O momento em que me tornei a minha mãe. É claro que não foi uma transformação completa, mas quando me olho no espelho vejo muito dela. Não estou falando de aparência não, embora tenha herdado muitos traços também. Falo de atitude, comportamento mesmo. E sabe que não me importo mais.

Sabe por quê? Pensando bem, se ela não fosse como é eu não seria quem eu sou.

Ficou mais fácil perceber isso hoje com meus filhos. Um deles, por exemplo, chegou em casa outro dia com uma tatuagem. Coisa que eu abomino. Não é que me peguei pensando em mil estratégias de retaliação?

– Ahhh, mas ele precisa aprender!

Olha eu aí sendo igualzinha a minha mãe. Seria exatamente o que ela faria comigo. Só que as coisas mudam. Os tempos são outros e hoje talvez ela até tivesse uma atitude diferente. Então resolvi pegar leve com meu filho.

Mas tem coisas que não mudam mesmo. De jeito nenhum.  Nunquinha. Claro que pego um pouco mais leve, dou uma risadinha e pronto.

Esses dias me peguei pensando em quais atitudes eu me pareço mais com a minha mãe. Não achei uma só não, mas uma lista de comportamentos que provam que estou igualzinha a ela. Quer ver?

# A louca da localização

Peço pros amigos mandarem mensagem quando chegam em casa. E pros filhos também! Bendito Whatsapp, né gente? Imagina ter de ficar ligando pra todo mundo pra ter algum sinal de vida? Porque era assim na época da mamãe…

# Vai sempre fazer frio

Digo pra todo mundo levar uma blusa pra sair. Todo mundo mesmo! Virou meio mania, sabe? Outro dia o filho de uma amiga ia pra balada e me peguei recomendando ao garoto levar um casaco… Oh my God!

# Ai minhas manias…

Tenho hábitos estranhos como separar duas buchas para lavar louças: uma delas só para os copos. E deixo isso anotado para quem quiser ver. Não ouse misturar as duas. Tenho a impressão de que o copo não ficará bem limpo. TOC? Que seja!

# Gentileza gera gentileza

Não me conformo com falta de gentileza.Taí uma coisa que não faço questão de mudar. Tem de ser gentil sim! Seja homem ou mulher. Minha mãe sempre prezou pelas pequenas gentilezas como abrir a porta do carro pra ela. E eu também.

# Mas quem é mesmo?

Troco nomes. Eu sei que isso é imperdoável, mas não é por mal. E os nomes nem costumam ser parecidos. Chamo Marta de Solange e assim por diante. Não sei de onde tiro isso. Cismo que a pessoa tem cara de Marta mesmo chamando Solange e aí lascou-se.

# Sem memória

Repito a mesma história um monte de vezes. Repito e repito e repito. Sempre como se fosse a primeira vez. E fico surpresa quando o ouvinte não faz cara de surpresa. Por que será, né?

# Pra sempre bebês

Faço a receita de bolo preferida dos meus filhos (e muitas outras coisas para agradá-los), mas não quero que sejam mimados. Tento ser dura, mas muitas vezes eu não me aguento. Será que sou eu que estrago os meninos? 🙂

# É filho de quem?

Pergunto o sobrenome. Se eu conheço alguém, logo quero saber o nome completo e a cidade onde nasceu. Se somos da mesma cidade, já tento logo descobrir se temos alguém conhecido em comum. Com os amigos dos meus filhos é a mesma coisa.

E vocês? Já pararam pra pensar quais são suas semelhanças com as mães de vocês? Conta aqui pra mim.

Leia mais sobre mães em De mãe para filha: viver e ser feliz.

1 Comentário
  1. Palavras da minha mãe e agora minha:

    VAI PRA UM HAPPY HOUR de novo? Em plena quarta feira??????
    Amanhã eh dia de branco!!!! Rsrsrsr
    #saudadrsMartha Stussi

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Estilistas, atenção – Dominiques também consomem!

Dominique - Estilista
Tenho uma amiga que fez 50 anos bem antes de mim. Um dia, no horário do almoço, ela disse que precisava comprar uma roupa para usar na festa de formatura de um sobrinho. É um pouco menos torturante do que escolher vestido de casamento.

Rodamos um shopping próximo e estranhei que ela só entrava em lojas de roupas old fashion. Sabe como é? Ton sur ton, blusas sem pence, chemisier no meio da canela, tailleur rosa pêssego de manga no cotovelo.

Nada agradava. Já estava na hora de voltar para o trabalho. Enquanto entrava em mais uma loja, me disse que tinha gasto vários sábados com isso e era só frustração. Fiquei espantada, porque ela era prática e tinha gosto pra escolher roupa, era uma clássica moderna. Nunca me pareceu ter dificuldade na hora de se vestir.

– Mas qual é o problema?

– Agora sou uma senhora e preciso encontrar outro jeito de me vestir.

Foi um choque ouvir aquele “senhora”. Como minha amiga moderna, batalhadora, independente tinha mudado de identidade por causa de uma data no RG? O que ia ser de mim quando chegasse lá?

Insisti.

– Por que não pode ser o mesmo jeito? Você nunca se vestiu como garotinha.

– Menina, minhas roupas poderiam ser as mesmas, mas meu corpo deixou de ser. A cintura quase sumiu, os braços estão começando a ter babadinhos, as pernas afinaram e as costas alargaram como a do Phelps.

– Quero continuar a ter o mesmo estilo, mas preciso de algo para disfarçar esse desastre da gravidade. Você acha que as lojas que eu adorava têm alguma coisa pra mim? Além de pararem a numeração no 44 que parece 40, não se importam em acompanhar as novas proporções do meu corpo.

E lá foi ela garimpar uma produção aceitável nas lojas especializadas em vestir as “mulheres inviáveis”.

Oito anos depois, entendi a consternação que ela sentiu. Menos do que estranhar o novo corpo, vem a revolta de ser jogada num limbo da indústria da moda. No vazio de um buraco negro que atende dos 20 aos 49 anos e só recomeça, dependendo do espírito, aos 70 anos.

Um dia poderei ser a feliz consumidora de vestido camisolão sem cinto, mas não ainda. Senhor, olhai por nós, as cidadãs experientes, bem sucedidas, realizadas, donas do seu nariz, porque os donos da moda não nos enxergam. Senhor, perdoai os stylists, porque eles não sabem o que fazem.  

Me recusei a aceitar a cronologia como destino. Quantos anos tenho? Não tenho idade. O que seria a moda para quem tem 50+? Não é a roupa de garota adaptada à força para qualquer idade. Aliás, esta nunca foi minha praia.

O que eu quero, afinal, da moda? Não parei de pensar nisso, até encontrar o blog de uma americana, Linn Slater, de 63 anos. Ela acredita que o vestuário pode influenciar como alguém pensa, sente e age. Bingo!

Tomando emprestada uma palavra que dói no ouvido – quer desempoderar uma mulher? Vista-a como alguém invisível, sem charme, sem elegância, sem formas, sem sensualidade, sem alegria.

O que eu quero da moda, senhoras e senhores empresários, produtores, estilistas, é ter uma elegância moderna, um glamour descolado, uma roupa que diga quem eu sou e me coloque pra cima. Não vou comprar muito, nem o mais caro, só o melhor para mim.

Nada de marcas exclusivas para senhoras, seções separadas, editoriais de moda sobre as tias modernex, anúncios com a velhinha excêntrica.

Quero entrar na xxx, na xxx ou na xxxx e sentir que alguém ali se preocupou comigo, pesquisou o meu desejo de consumo, entendeu como meu estilo evoluiu, usou as medidas de um corpo que se modifica com o tempo. Alguém que me fará sair feliz da vida com uma roupa perfeita no corpo, linda e moderna.

Entenderam estilistas? Espero que o recado tenha ficado claro. O que você diria para os estilistas?

Leia Mais:

O dia que ela viu a lua sem entrar na Apolo 11 – Um conto bem picante
Ela se casou por causa de um speed dating!

Inês Godinho
Inês Godinho

Jornalista, brasileira, ciente das imperfeições e das maravilhas da vida. Contradições? Nada causa mais sofrimento do que um texto por começar e não há maior alegria que terminá-lo.

9 Comentários
  1. Perfeito,eu me sinto assim ultimamente,o corpo exatamente como sua amiga descreveu,mas eu continuo querendo ser elegante sensual ,sem vlgaridade e ficamos sem opção, adorei, vamos repassar pra ver se conseguimos sensibizar os estilistas,bjs!!

  2. Tenho 72, atuante e dinâmica, ainda trabalho como representante de confecção, desde 1980 ( faz tempo né) e realmente esse mercado cresce e não existe produção para atender!!!

  3. Perfeito!! Tenho tido super dificuldade para comprar uma roupa que nao me faca parecer nem senhora ridícula com uma roupa de adolescente ou com trinta ano a mais.
    Ou fico parecendo uma senhora metida a mocinha, que acho patético, ou uma verdadeira velha
    Alguém tem que fazer uma marca bacana , uma roupa bem cortada para 50 ou mais !!!!!

  4. Achei que o problema fosse comigo. 52 anos. Mãe de 3.Avó.
    Tive medo de estar, assim como Peter Pan, me recusando a crescer. No meu caso, envelhecer.
    Mereço mais. Mereço cor, bom caimento, modernidade sem parecer ridícula, preço justo e diversidade. Mereço ser vista como mulher, sexy, atraente e poderosa.
    Mereço ser vista e entendida como realmente sou!
    “Lua em pleno dia… e por que não?”

  5. Maravilhoso,concordo plenamente,é exatamente como me sinto pois do manequim 38/40 fui para 42,mas tudo assim assim,ou é pra 20 ou 70 anos
    Terrível,você até perde a identidade. Vamos mudar este conceito.

  6. O que dizer?????
    Talvez, indignação, falta de sensibilidade, acompanhar as gerações e vê que não é pelo simples fato de ter chegado aos 50 que nos torna ETES….Estamos vivas e com todo vapor, e mais, atuantes como nunca em todas as áreas.
    Queremos mais!

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Independência Financeira – A rota para a liberdade

Dominique - independência financeira

Lidar com a vida financeira é lidar com emoções. Insegurança, cobiça, desconforto, ansiedade, inveja são alguns dos sentimentos ligados ao “vil metal”. Tantas travas emocionais  dificultam que a gente reconheça o maior atributo do dinheiro – ser uma fonte de liberdade e tranquilidade.

Você pode considerar esta ideia estapafúrdia e até imoral. Mas pense na paz de espírito de quem, aconteça oque acontecer, consegue contar com uma reserva para as necessidades presentes e futuras. Isto se chama independência financeira e tem o gosto autêntico da liberdade. Só a autonomia permite que a gente disponha do maior de todos os tesouros, o nosso tempo.

Para chegar lá, a fórmula é simples – gastar menos do que se ganha, poupar e investir o que sobra. Pessoalmente, sem terceirizar a preocupação com o futuro. Porém, se é tão bom, porque é tão difícil?

Entre os muitos campos em que nossa geração de mulheres mandou bem, existe UM em que a maioria ainda patina – justamente o mundo das finanças. Não o dos gigantes bancários, mas aquele do dinheiro nosso de cada dia.

A dificuldade de tantas mulheres em ter controle da vida financeira é real, comprovada em pesquisas. E essa realidade meio desagradável costuma escolher um momento crítico para desabar como um viaduto sobre nossas cabeças. A entrada nos 50.

Justo quando estamos precisando mudar o guarda-roupa inteiro, porque nosso corpo se transformou. Logo agora que estamos prestes a nos aposentar ou fomos demitidas porque passamos da idade aceitável pelas empresas e temos que correr para reinventar o trabalho. Os pais começam a inverter o papel e a precisar do nosso apoio. Momento em que casamentos de 20, 30 anos caminham direto para o divórcio. Os filhos saíram de casa. Ou voltaram.

O futuro chegou. Cai a ficha que viver muito, como viverá nossa geração, custa caro. E não estamos seguras com o que guardamos para encarar a segunda metade da vida.

Ao conquistar a independência financeira, podemos contar com uma certa previsibilidade na vida.

Você pode ter se divorciado, aposentado pelo INSS, fugido de país, casado com um surfista. A capacidade de dispor de uma renda mensal, que cubra o padrão de vida que considera adequado, pelo tempo que viver, estará lá para dar sossego.

Há muita coisa que você pode mudar na sua vida para conquistar essa independência financeira. Mas que tal começar aprendendo a dizer NÃO sem sentir culpa?

Leia Mais:

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A Lua, Santinho… Finalmente, a Lua.

Inês Godinho
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